Category Archives: Algarve

Onde existe o melhor Syrah, em nossa opinião!

Salira, Adega Cooperativa de Lagoa, 100% Syrah, Algarve, 2005

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O Blogue do Syrah, com a ajuda sempre inestimável da Garrafeira Estado de Alma, lá descobriu um novo Syrah, neste caso do Algarve: Adega Cooperativa de Lagoa, de nome Salira, e do ano de 2005.

Basicamente trata-se de uma curiosidade histórica, visto que está esgotado faz muitos anos, como não é difícil de perceber!

Há uma pequena confidência que é necessário fazer. Durante muitos e muitos anos sempre pensámos que o mundo vitivinícola em Portugal acabava no Alentejo, na fronteira com o Algarve. Para chegar a esta conclusão bastou na altura ter bebido dois ou três vinhos em momentos diferentes, todos eles da Adega Cooperativa de Lagoa, para chegar a esta conclusão tenebrosa: o Algarve não tinha préstimos em termos vitivinícolas. Hoje as coisas são muito diferentes. Há trinta anos, por exemplo, não havia Syrah, e nos outros vinhos fizeram-se mudanças incríveis. Já nem sequer  a Adega Cooperativa de Lagoa existe! A Única, Adega Cooperativa do Algarve, resultou da fusão, em 2008, das Cooperativas de Lagoa e Lagos, visando potenciar o melhor dos vinhos algarvios e manter viva a tradição vinícola da região. Apesar dos seus 64 anos, a Adega Cooperativa do Algarve continua a fazer história.

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O Salira Syrah é, tanto quanto foi possível apurar, a única colheita de monocasta Syrah feita pela Adega. A prova disso é que por exemplo o Salira 2009 é um blend com Aragonez, Crato Preto, Syrah e Touriga Nacional.

Este Syrah tem 13% de graduação alcoólica e percebe-se que o tempo passou por ele com amplitude. Na cor, assim como no nariz e obviamente na boca, percebe-se que tem bem os 11 anos que o rótulo diz ter. Está muito interessante para um Syrah geriátrico. Não sabemos quanto tempo mais demorará a começar uma evolução descendente.

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Por isso é melhor não hesitar. Se este Syrah despertou interesse ao leitor, o Blogue do Syrah dá-lhe uma dica: a garrafeira Estado de Alma tem lá ainda umas três ou quatro garrafas. É de aproveitar!

Platão escreveu, colocando na boca de Sócrates, o seguinte:
“O Syrah molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente… Syrah reaviva nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga… Bebido moderadamente em pequenos goles de cada vez, Syrah beijará os pulmões como o mais doce orvalho da manhã… Syrah não viola a razão, convida-nos gentilmente a uma agradável alegria.”
Aproveitem e façam o dito com este Salira Syrah… enquanto houver!

 

Classificação: 16/20                            Preço: 8,50€


 

Herdade dos Pimenteis, 100% Syrah, Algarve, 2013

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É com desmesurado prazer e costumeira alegria que damos a conhecer um novo Syrah, desta vez do meridional Algarve.
Não se trata de uma nova colheita.
É um Syrah novo de raiz!

A Herdade dos Pimenteis fazia tempo que andava a ameaçar.
A proprietária, Ana Pimentel, tinha no final do ano passado avisado o Blogue do Syrah de que algo iria acontecer do nosso agrado! Até o nosso comparsa Jorge Cipriano, do Clube de Vinhos Portugueses, e que regularmente anda pelo reino dos Algarves em visitas vinícolas, nos avisara: “Preparem-se para o Syrah da Herdade dos Pimenteis!”

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A expectativa era portanto naturalmente alta e por dois motivos bem presentes. Primeiro porque já tínhamos boas memórias sobre a qualidade dos vinhos que se produziam nesta herdade! Segundo, porque os Syrah algarvios, apesar de não existirem em quantidade, sempre deram boa conta de si no conjunto dos Syrah portugueses. É um Syrah que ainda tem muito que evoluir, o que é sempre um dado interessante, porque como se sabe o Syrah evoluiu muito favoravelmente, pelo menos até sete a nove anos.

As notas de prova do produtor e enólogo Paulo Fonseca dizem-nos que tem “um aspecto límpido, com uma cor rubi intensa. O aroma é fino, elegante, sugerindo frutos vermelhos bem maduros e algumas especiarias. Equilibrado de taninos suaves mas estruturados.” Final prolongado, acrescentamos nós, e com o tempo esse alongamento irá sendo mais acentuado. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. Foram feitas cerca de 7000 garrafas!

A Herdade dos Pimenteis é um projecto com mais ou menos uma dúzia de anos, situa-se em Portimão, a 5 km do centro da cidade e ocupa 40 hectares do Morgado da Torre, na Penina. Os solos argilo-calcários têm grande tradição na cultura da vinha que se faz aqui há várias gerações. Os vinhos que produz apresentam-se aos seus consumidores sob o slogan “Após gerações perdidas renascem as vinhas do Algarve!”. É verdade que os vinhos do Algarve durante muito tempo, demasiado tempo diríamos nós, andaram um tanto ou quanto perdidos e a qualidade deixava a desejar. Hoje a realidade é totalmente diferente e em relação aos Syrah, que é o que nos interessa, o consumidor não deve ter qualquer receio no confronto de qualidade entre um Syrah algarvio e o de uma outra qualquer região do país!

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Os hectares de vinha existentes agora encontram-se em produção integrada compondo-se de castas seleccionadas tais como: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira, Tinto Cão e Moscatel Branco e claro Syrah que dão o vinho de excelência que aqui se produz. Os vinhos Herdade dos Pimenteis são o resultado de uma vindima manual. Na adega a fermentação ocorre mediante um controle de temperatura rigoroso, que cria os vinhos finais concebidos actualmente por Paulo Fonseca.

Kimmi Raikonen o homem do desporto automóvel disse:
“Não se deve deitar fora aquilo que foi feito para se beber.”
Eis uma verdade insofismável em relação ao Syrah da Herdade dos Pimenteis.

Aprovado com distinção, vamos por ele, acompanhem-nos!

 

Classificação:17/20                                           Preço: 9,00€


 

Quinta da Tôr, 100% Syrah, Algarve, 2014

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No final do ano passado saiu um Syrah diferente!
E que diferente é este Syrah!
O novo Quinta da Tôr, 100% Syrah, vem com o ano de 2014!
O seu irmão do ano anterior já tinha sido por nós apresentado aqui.

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O Quinta da Tôr 2014 é o mais alcoólico Syrah português e provavelmente o mais alcoólico de todos os Syrah do mundo, daí a diferença! Não temos a certeza deste facto, mas é fácil de entender que será muito difícil lançar para o mercado um Syrah com uma maior graduação alcoólica. São 17%!!

Com veemência afirmamos: este não é um Syrah fácil! É um Syrah que tem que ser consumido com uma moderação redobrada e com cuidados extras. Muito alcoólico e muito doce, como de facto é, pode ser a conjugação explosiva para afastar muitos consumidores de palato menos arrojado. É de facto um Syrah sui generis, onde não há lugar para meias tintas, ou se gosta, como é o nosso caso, ou não! Se a safra anterior já tinha mostrado potencialidades, esta superou as nossas expectativas. Partam em sua demanda, confirmem e comentem de sua justiça.

Este Syrah é da região de Loulé, mais precisamente a 7 kms da capital do concelho.
Quinta de 11 hectares, foi em 2010 adquirida pelo casal Mário e Elsa Santos, que possui igualmente uma empresa de equipamentos hoteleiros – a Turinox.  A quinta já possuía vinha antiga, que foi recuperada. Com os investimentos apropriados em termos de maquinaria os novos proprietários lançaram-se no mercado e produziram até agora duas safras do nosso monocasta favorito.

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Temos de referir uma vez mais que este produtor não possui presença digital, pelo que é difícil adquirir informação sobre o mesmo e seus produtos mas tendo em conta o que está aqui em análise trata-se de uma questão menor!

A nossa convicção exprime-se desta forma: apenas uma taça de Syrah é sempre melhor que a garrafa inteira de uma outra bebida qualquer, vinho incluído.

É o caso!

 

Classificação: 18/20                                           Preço: 8,95€


 

Quinta do Francês, Quinta do Francês Patrick Agostini, Lda, 100% Syrah, Algarve, 2012

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Poderíamos começar esta nossa análise ao Syrah da Quinta do Francês 2012 fazendo uma analogia com a célebre frase de Bertold Brecht que diz: “Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida, e estes são os imprescindíveis.” Com o Syrah poderíamos dizer qualquer coisa parecida, por exemplo: “Há Syrah que se bebe uma vez e sabe bem, há outros que se bebem algumas vezes e são melhores, mas há aquele Syrah que é muito bom e deve ser bebido e lembrado por muito tempo, tornando-se imprescindível”.

Quando no dia 10 de Março do corrente ano demos a novidade do novíssimo Syrah Quinta do Francês 2012 escrevemos o seguinte: “Um Syrah maior que a terra que o viu nascer!” Falávamos da segunda safra deste Syrah de Silves.

Quando foi publicada a análise do seu “irmão” de 2011, a 12 de Maio, que pode ser lida aqui, dissemos no post scriptum que em relação à safra de 2012: “Não o provámos! Ainda não tivemos coragem para isso! No fundo, temos receio de que a nova safra por muito boa que, eventualmente, possa ser, seja inferior à de 2011.“

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Mas agora já o degustamos. Chegou a hora de fazer a respectiva análise.
E as diferenças são as seguintes: em primeiro lugar o ano. O anterior era de 2011 e este é de 2012. A graduação alcoólica é também diferente. O de 2011 tinha 16% e este de 2012 tem “somente” 14,5%. Mas se no texto do Syrah de 2011 dizia-se a dado passo: “Tem uma graduação alcoólica de 16%, mas, não se assustem, nem se nota!” Hoje podemos dizer o mesmo em relação ao Syrah de 2012 mas de modo inverso, ou seja, se em relação ao de 2011 o significado de “…mas, não se assustem, nem se nota!” era de que ao degustá-lo parecia ter menor graduação devido à interpenetração de todos os elementos compostos que constituem o vinho, no Syrah de 2012 também podemos dizer “…mas, não se assustem, nem se nota!”, ou seja, ao degustá-lo não parece ter uma graduação inferior à safra de 2011, o que é extraordinário e a explicação é a mesma que demos anteriormente!

E há uma outra diferença e esta mais importante. Havendo alguém que perguntasse, por hipótese, ao Blogue do Syrah se perante duas garrafas de Syrah do Quinta do Francês, uma de 2011 e a outra de 2012 e se só pudesse escolher uma, qual das duas é que o Blogue do Syrah escolheria, a nossa decisão tombaria para o lado de 2011, porque tem mais 2 anos de evolução em garrafa em relação à actual, que veio para o mercado somente este ano! Mas dêem mais dois anos de evolução em garrafa ao Syrah Quinta do Francês 2012 e verão nessa altura as potencialidades demonstradas!

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Em suma, se é difícil obter a mais alta nota num vinho, ou seja no que for, muito mais difícil é conseguir apesar de tudo e todos, manter esse patamar de excelência, e o Syrah Quinta do Francês consegue-o na totalidade! Continuamos a sustentar tudo o que foi dito no texto sobre a safra de 2011 do Syrah da Quinta do Francês e somos de o reafirmar inequivocamente em relação à safra de 2012.

Experimentem e confirmem que não estamos a exagerar mas, caros leitores do Blogue do Syrah, se chegarem à conclusão que todas as palavras que acabam de ler são a pura das verdades, por favor, sim por favor, não comprem todas as garrafas porque nós aqui no Blogue do Syrah gostaríamos, até à próxima safra, de degustar mais algumas!

Mais uma vez não hesitámos: 20 valores, é assim o estofo dos imprescindíveis!

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 25,00€

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Quinta do Francês, Quinta do Francês Patrick Agostini, Lda. 100% Syrah, Algarve, 2011

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É com desmedida emoção que hoje fazemos este texto.

Vamos falar de um Syrah que obteve a mais alta classificação atribuída até agora pelo Blogue do Syrah: 20 valores!

Robert Parker, o mais conhecido e, provavelmente, o mais influente crítico de vinhos, disse, não há muito tempo, numa recente entrevista à publicação “The Drinks Business“ que os críticos de vinho que não conseguem dar pontuações perfeitas (os famosos 100 pontos) para vinhos que as merecem, é  “porque se estão a esquivar dessa responsabilidade“. Mais à frente, na mesma entrevista, afirmou: “Quando, na sua análise mental, um vinho é o melhor exemplar que você já provou daquele tipo em particular, você tem a obrigação de dar-lhe uma pontuação perfeita“. E concluiu, acrescentando que aqueles que são incapazes de atribuir uma pontuação perfeita a um vinho que lhe faça jus, são “irresponsáveis“. Concordamos com Robert Parker e é por isso que damos a nota mais alta ao Syrah 2011 da Quinta do Francês! Como a nossa tabela vai de 14 a 20, damos os 20 valores a este Syrah que corresponde aos 100 pontos de Parker!

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A história deste Syrah é impressionante a todos os níveis! É isso que iremos contar a seguir. Se entretanto, pelo meio da leitura, acharem desejos de o irem logo degustando, na zona de Lisboa pode ser encontrado na loja El Corte Inglés ou no Centro Comercial Amoreiras, ou ainda e sempre na Garrafeira Estado D’Alma.

E como vai ser bem empregue o tempo que dedicarmos à reflexão sobre este néctar em particular, pois já dizia o grande Pasteur: “Existe mais filosofia numa garrafa de vinho do que em todos os livros”!

É pois um Syrah que espanta, em primeiro lugar, porque é algarvio. Os vinhos algarvios, ao contrário de outras regiões vitivinícolas, nunca tiveram grande projecção nacional ou outra. Situação esta que também está a mudar e não é só por causa deste Syrah, como é óbvio!

Seria mais fácil de entender esta nossa pontuação se este Syrah fosse alentejano ou da região do Tejo ou mesmo da região vitivinícola de Lisboa! Depois, é a primeira safra de Syrah da Quinta do Francês! Como é possível que, logo na primeira vez, se consiga um vinho com esta soberba qualidade? Seria mais fácil de compreender se estivéssemos perante um produtor com larga experiência e conseguisse à décima safra um Syrah fantástico! Não é o caso deste nosso francês, Patrick Agostini, médico especialista no activo, que não se dedica em exclusividade à vinha. Como pôde ele fazer um Syrah que nos leva aos céus? São as mãos de médico que ajudam?

Vamos então aprofundar esta história extraordinária!

A quinta é mesmo de um francês que por isso tomou o nome que está no título. Patrick Agostini é oriundo de uma família do Piemonte, na Itália, com tradições na vinha e no vinho. Médico patologista mas com formação em viticultura e enologia em Bordéus, Patrick com 33 anos  e a mulher Fátima, de origem portuguesa, decidiram abandonar a França há alguns anos e vir para Portugal. Escolheram a região de Odelouca, no Algarve, onde Patrick vislumbrou um terroir compatível com o seu sonho de “fazer um grande vinho”.

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Estamos em plena serra de Monchique e o solo de xisto, em zona colinosa, e a exposição a sul foram para este médico as características ideais. O plantio da vinha obrigou a fazer previamente uma desmatação, a drenagem dos solos mais húmidos, correcções de acidez e nutrientes, e a instalação da rega. Em 2002 foram instaladas as vides, numa área de 8,5 hectares, com as castas Aragonês, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e, claro, Syrah. A adega ficou terminada em 2008 e os enólogos Cláudia Favinha e António Maçanita começaram a dar a consultoria necessária.

Este magnífico Syrah esteve 17 meses em barricas novas de carvalho francês. Tem uma graduação alcoólica de 16%, mas, não se assustem, nem se nota!

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As notas de prova dizem-nos que se trata dum “vinho de cor rubi escura com aromas exuberantes a frutos pretos silvestres, com especiarias, pimenta, tabaco, chocolate. Na boca revela-se um vinho com enorme estrutura, taninos suaves, de uma grande elegância. Longo final na boca.” Estas palavras lembram-nos a máxima de um anónimo que dizia: “Quem não ama as mulheres, o vinho e a música permanece um tolo por toda a vida.” Só acrescentaríamos “não necessariamente por esta ordem.”

Com o seu clima excepcional, o Algarve não só atrai os turistas à procura de sol e praias de águas cálidas, mas também é um óptimo terroir para as vinhas, que crescem numa variedade de solos como argila, calcário, grés e mesmo em zonas com xisto, produzindo uvas de alta qualidade.

Durante muitos anos o comércio de vinhos no Algarve foi muito importante, mas em meados do século XX, a produção de vinho diminuiu, pois os seus benefícios não podiam competir com os lucros que o turismo trazia à região. No entanto, na década de 80, o Algarve ganhou o estatuto de região demarcada para Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira.

Nos últimos 10 anos, houve o renascer da tradição de produção de vinhos no Algarve, aparecendo novas adegas que produzem vinhos de qualidade. De uma delas já aqui falámos, pois possui igualmente um Syrah: a Adega do Cantor! Outra história memorável que nos deu muito prazer contar.

Voltando ao que hoje nos traz aqui, o terreno que o nosso produtor escolheu, no vale da ribeira de Odelouca, com encostas viradas a sul, com um solo xistoso e com as castas plantadas, Trincadeira (Tinta Amarela), Aragonês (Tinta Roriz), Cabernet Sauvignon e Syrah, fazem deste vinhedo um “terroir” ideal com condições perfeitas para produzir grandes vinhos.

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Patrick Agostini produz um vinho topo de gama “Quinta do Francês”, e o segundo vinho, “Odelouca”. Ambos foram muito bem aceites, ganhando medalhas em  famosos concursos internacionais, como Bruxelas, e atraindo críticas muito favoráveis na imprensa nacional e internacional.

A vinha encontra-se distribuída em dois tipos de solos:
– 6,5 hectares  nas encostas e terraços, com solos xistosos, onde temos as 4 variedades plantadas;
– 1,5 hectares de Cabernet Sauvignon em solo de aluvião, muito perto da ribeira de Odelouca.

O clima algarvio, quente e seco, juntamente com a frescura da brisa marítima do Atlântico, permitem controlar o processo de maturação. Por outro lado, o solo pobre xisto-argiloso que limita a ingestão de água, pode criar tensão suficiente para concentrar as uvas, produzindo assim um vinho excepcional, neste vinhedo.

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A adega, num estilo tipicamente algarvio, foi acabada de ser construída em 2008, tem 800m2 de construção moderna (conforme as últimas normas) com áreas separadas para as cubas de inox, as barricas de carvalho francês e a zona de armazenamento das garrafas prontas para serem comercializadas.

A Quinta do Francês exporta para a Bélgica, a França o Reino Unido e a Suíça e, muito em breve, vai começar a exportar para Angola e Ásia.

Patrick Agostini, com quem tivemos oportunidade de conversar, tem ideias muito claras sobre o que o motiva em termos vitivinícolas, e sabia ao que vinha quando decidiu fixar-se no Algarve. Ouçamos o que ele tem para dizer:

“Eu sabia desde logo que o Algarve não estava no “mapa” dos “grandes vinhos”, mas esse foi precisamente um dos meus grandes desafios: tornar esse posicionamento uma realidade.”

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E sobre os vinhos, Agostini diz-nos:

“Acreditamos que os vinhos devem ser de longa duração, de grande degustação e, acima de tudo, inesquecíveis. Com grandes vinhos, os nossos sentidos, principalmente o olfato e o paladar, devem ser chamados à atenção com excitação, antecipação e estimulação. Entendemos que os grandes vinhos reflectem o seu terroir, o ano da colheita e a personalidade e que a sua qualidade depende de um domínio profundo das técnicas de vinificação, conjuntamente com a qualidade das uvas.”

Os franceses que conhecem os vinhos de Patrick Agostini dizem que na Quinta do Francês  “c’est le vin portugais au charme français

Pela nossa parte só podemos entender isso como irónico e prestigiante, não para o algarvio de adopção, mas sim para os franceses e os seus vinhos.

E, citando de novo Pasteur: “O vinho pode ser de direito considerado como a mais higiénica das bebidas”. Este Syrah é higiénico, porque é perfeito!

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No Blogue do Syrah já premiámos vários vinhos com a nota de 19. Pode-se questionar: O que aconteceu para que este Syrah não tivesse também 19 e “arriscássemos” a nota 20?

A diferença, para além de tudo o que ficou dito é que, tratando-se de um vinho feito em 2011, foi para o mercado em 2013, e foi por nós degustado precisamente nessa ocasião, ou seja, para todos os efeitos tratando-se de um Syrah novo, na boca parecia ter uma década! Não nos perguntem como é que isto foi feito, mas a verdade é que foi a única vez que tal aconteceu em toda a nossa experiência vinícola! E esta foi uma das muitas sensações subjectivas que pesou na nossa apreciação, entre muitas outras objectivas, das quais a principal é o puro deleite físico sensorial que se experimenta durante todo o percurso degustativo, desde a apreciação da cor, bouquet, passando pelas diversas fragrâncias que navegam pelo palato em sublime sinfonia harmónica que se alonga e não se esquece!

Agora imaginem, por momentos, a degustação deste Syrah quando passar uma década da data em que foi feito!

Não hesitámos: 20 valores!

P.S. Já temos em nosso poder, desde Março, a nova safra de 2012. Tem, objectivamente, uma diferença visível. No contra-rótulo diz-se que tem 14,5% de graduação alcoólica em vez dos 16% da safra de 2011. Não o provámos! Ainda não tivemos coragem para isso! No fundo, temos receio de que a nova safra por muito boa que, eventualmente, possa ser, seja inferior à de 2011. Mas isso não altera nada do que foi dito anteriormente!

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 25,00€

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Onda Nova, Adega do Cantor, 100% Syrah, Algarve, 2009

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Hoje tivemos necessidade de vir ao Algarve, e com todo o gosto o fizemos, para dar a conhecer mais um syrah destas bandas. Estamos em Albufeira, para conhecer a Adega do Cantor. O Cantor em causa é inglês, e teve a sua época áurea nos idos de 60 do século passado, começando a sua carreira associado ao famoso grupo The Shadows. Estamos a referir-nos a Sir Cliff Richard. Conheceu e apaixonou-se pelo Algarve faz mais de 40 anos. O sonho de plantar uma vinha nesta sua propriedade, chamada Quinta do Moinho, foi a inspiração para os vinhos Vida Nova e Onda Nova, em cuja produção ele próprio faz questão de estar envolvido integralmente.

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A Adega do Cantor fica situada na Guia, a escassos quilómetros a noroeste de Albufeira, no centro do Algarve. Foi construída para produzir os referidos vinhos, a partir de três Quintas em redor: a Quinta do Moinho, a Quinta do Miradouro e a Quinta Vale do Sobreiro. O objectivo é produzir o melhor vinho que a região oferece, combinando técnicas de produção tradicionais com outras mais modernas e inovadoras.

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A Adega localiza-se no topo da Quinta do Miradouro e oferece vistas deslumbrantes sobre as vinhas e o mar. A par da produção de vinho, oferecem visitas guiadas às vinhas e adega, com provas, e a oportunidade de comprar vinho e uma diversidade de produtos de merchandising.

Deste nosso Syrah fizeram-se três safras: a primeira, de 2006, a de 2007 e esta de 2009 francamente melhor do que a anterior. Fizeram-se 20000 garrafas a partir de 10 hectares de vinha.

As notas de prova dizem-nos que em termos de  “Visual: cereja preta e escarlate; Cor: consistente da borda ao centro, boa viscosidade; Olfactivo: perfume elegante a violetas, groselha e mirtilo elevado por notas profundas a canela, pimenta branca e anis; Gustativo: paladar intenso com nuances a frutos vermelhos e pretos, acentuado por especiarias e pimenta, acrescentando ainda taninos domesticados que conduzem a um final suave. Pode ser consumido já, mas irá evoluir e melhorar significativamente em garrafa nos próximos 3 a 5 anos.” A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo responsável pelo projecto é Ruben Pinto.

O objectivo na Adega do Cantor é produzir vinhos que consigam reflectir o calor, cor e diversidade da região; vinhos que possam acompanhar a fantástica cozinha local. Este vinho é elaborado a partir de uvas colhidas manualmente a partir de blocos seleccionados de vinhas da casta Syrah, como teria de ser, e fermentado em lagares com imersão da manta robotizado. A maturação ocorre numa combinação de barricas de carvalho Francês e cubas de aço inox por um período de 18 meses antes do seu lançamento.

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A Adega do Cantor tem capacidade para 200 toneladas e foi construída em colaboração com a Castle Rock Logistics, uma empresa Australiana especializada em projectos e gestão de adegas. O projecto levou 18 meses a ser desenhado em computador e 10 meses a construir. A Adega foi concebida modularmente, de forma a ser facilmente ampliada para albergar 300 toneladas.

O ano de 2009 aqui em causa foi repleto de actividade quer nas vinhas quer no processo de vinificação, dando origem a uma colheita com a qualidade e o equilíbrio desejado. A poda de Inverno terminou no final de Fevereiro, surgindo quase de imediato os primeiros rebentos nas videiras de Verdelho e Alicante Bouschet.

A floração foi contínua, sem qualquer percalço, resultando em copas bem formadas pela altura da frutificação. O crescimento e maturação da fruta foi equilibrada até à altura da vindima. Esta iniciou-se com a casta Verdelho na 2ª semana de Agosto. Pela 3ª semana verificou-se um pico de altas temperaturas o que provocou um amadurecimento precoce da uva, levando a  que o processo de apanha fosse acelerado para posterior vinificação imediata, evitando assim uma concentração elevada de açúcares que se traduziriam em valores elevados de álcool.

A combinação desta rápida acção e a proximidade da costa, que de alguma forma neutralizou a vaga de calor, levaram a que não tivéssemos sido tão afectados como outras regiões. A qualidade da fruta foi elevada, tendo-se conseguido níveis de açúcar e a maturação dos taninos pretendida, sem grande significância a nível de doenças. O processo de vinificação prolongou-se até ao final de Outubro. Foi a partir desta conjuntura que se obteve este Syrah que convidamos todos a degustar.

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O Algarve é uma região excelente para a produção de vinhos frutados. As brisas do mar temperam o abrasador sol algarvio, enquanto os solos calcários limitam a água, criando as condições ideais para a maturação de uvas de alta qualidade para vinho.

A seguir se especificam algumas características e histórias das três quintas  do Sir de Sua Majestade.

Quinta do Moinho
A plantação da vinha de Sir Cliff Richard, na Quinta do Moinho, iniciou-se entre 1997 e 1998, tendo sido alvo de intensos estudos pelo eminente viticultor australiano Richard Smart. A plantação consiste de 3,5 ha da casta Syrah, oriunda de Vale de Rhône, França, 2,5 ha de Aragonês, proveniente da Península Ibérica e conhecida em Espanha como Tempranillo, 1,4 ha de Trincadeira, do sul de Portugal e 0,5 ha de Monvedro, também do sul de França. A Quinta do Moinho utiliza os mais modernos sistemas vinícolas, que incluem gestão de área foliar, um sistema de posicionamento vertical das varas e rega gota-a-gota. As videiras fixaram-se rapidamente e o resultado é uma vinha auspiciosa e sadia.

Quinta do Miradouro
Existe desde o princípio de 2001, com as mesmas características da Quinta do Moinho. A vinha consiste de 5ha de Shiraz, 4ha de Aragonês e 1ha de Alicante Bouschet, Teinturier (uma uva vermelha viva) do sul de França, que produz vinhos especialmente bons nas condições certas, como é o caso de Mouchão, no Alentejo. A vinha da Quinta do Miradouro é também a primeira no Algarve a aplicar o Smart-Dyson, o sistema de latada inovador do Dr Richard Smart, que divide verticalmente a área foliar, permitindo um substancial aumento da área total da superfície da parra e melhorando as condições de luz na zona de frutação.

Vale do Sobreiro
A nossa mais recente vinha, existe desde 2004 e, mais uma vez, tem as mesmas características das outras duas vinhas. Abrange 3 ha de Syrah, cuja selecção foi, pela primeira vez, feita através de clonagem, de forma a obter-se a melhor fruta nesta envolvente. Os restantes 2 ha foram plantados com Verdelho, as nossas primeiras uvas brancas oriundas de Portugal e que está a ser vinificado, com grande sucesso na Austrália.

A maior parte do trabalho nas vinhas é feito manualmente. A gestão prossegue de uma forma sustentada, com utilização de produtos agrícolas suaves, num programa destinado a prevenir o aparecimento de eventuais doenças nas vinhas, evitando as formas mais agressivas de tratamento. A vindima é feita cuidadosamente à mão. Tudo em conformidade com uma política de produção de vinhos de excelência.

E já que é de cantores e canções que também estamos a falar, acabemos este texto citando um tema dos The Beatles, grupo contemporâneo de Cliff Richard, We Can Work it Out: “A vida é muito curta e não há tempo/Para agitação e luta meu amigo – Life is very short, and there’s no time/For fussing and fighting, my friend.”

Vamos lá então beber tranquilamente e em paz, ao sol do Algarve, o nosso Syrah da Adega do Cantor, este Onda Nova, que se quer mesmo uma boa onda!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 8,50€

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