Category Archives: Bairrada

Uma região improvável para haver Syrah… mas há!

Blaudus Rosé, Quinta de Baixo, 100% Syrah, Bairrada, 2006

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Este Blaudus Rosé Syrah da Bairrada, que acabamos de descobrir, é uma verdadeira preciosidade!

Para falar verdade quem o descobriu não foi o Blogue do Syrah mas sim os nossos confrades da Garrafeira Estado d’Alma! Tiago Paulo participou num leilão de vinhos e arrebatou um número elevado de garrafas onde se encontravam vinhos diversos da Quinta de Baixo. No meio dessas dezenas de garrafas surge quase por milagre uma única garrafa deste Blaudus Rosé, Quinta de Baixo, 100% Syrah, Bairrada, 2006! Imediatamente se lembrou de nós! E cá estamos para dar conta do acontecido, apesar de termos bem consciência de que se trata de um vinho que esgotou faz muito e até mesmo os actuais donos da Quinta de Baixo já são outros. A partir de Janeiro de 2012, a Niepoort passou a tomar conta das vinhas e da adega.

É pois um Syrah com 12,5% de graduação alcoólica e o enólogo foi Sérgio Silva. É um vinho limpo e brilhante. Aroma marcado pela casta, floral com notas de cassis fresco, frutado. Boca fresca, boa acidez, fruta persistente, elegante com terminar longo e ligeiramente fortificado.

O que verdadeiramente impressionou foi o facto de este Syrah ter aguentado 10 anos, mantendo na íntegra a sua class,e quando o próprio produtor indicava em 2006 “beber já ou guardar até dois anos!”

Com quase duas décadas de existência, a Quinta de Baixo situa-se no lugar da Cordinhã, concelho de Cantanhede. Com solos argilo-calcários os 22 hectares de vinha dividem-se em três quintas com idades compreendidas entre os 10 e os 80 anos, situadas no famoso triângulo: Cordinhã, Ourentã, Cantanhede, zona de aptidão máxima reconhecida na viticultura da Bairrada.

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A Bairrada é caracterizada por um clima temperado marítimo, que possui Verões com dias quentes e noites frescas, e cujos limites geográficos são os extensos areais da costa de prata e as serras do Buçaco e do Caramulo. É também uma região de colinas suaves, soalheiras, com solos barrentos e argilo-calcários orientados a sul, o que pelos vistos ajudou a propiciar um rosé de inegável qualidade.
Pena é estar esgotado, como seria de esperar!

Cantava Fernando Pessoa, pela voz de Ricardo Reis:
Não só vinho, mas nele o olvido, deito
Na taça: serei ledo, porque a dita
É ignara. Quem, lembrando Ou prevendo, sorrira?
Dos brutos, não a vida, senão a alma,
Consigamos, pensando; recolhidos
No impalpável destino
Que não ‘spera nem lembra.
Com mão mortal elevo à mortal boca
Em frágil taça o passageiro vinho,
Baços os olhos feitos
Para deixar de ver.

Ricardo Reis, in “Odes”

Deste Rosé Syrah, deitar na taça é coisa que já ninguém poderá fazer!

(Este Rosé Syrah foi gentilmente oferecido pela garrafeira Estado d`Alma. O nosso obrigado!)

Classificação: 16/20                                                     Preço: 3,25€


 

Quinta do Carvalhinho,100% Syrah, Bairrada, 2005

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Este é o quinto Syrah da Bairrada e o único que não tivemos oportunidade de conhecer, por isso ficou para o fim. Em conversa com o produtor, que por acaso é professor também, ficámos a saber que efectivamente está totalmente esgotado… Paciência!

A Quinta do Carvalhinho é uma bela propriedade vitivinícola situada na aldeia de Ventosa do Bairro, concelho de Mealhada. Uma inscrição na frontaria da capela privativa da casa remete para o ano de 1698, dando-nos assim uma indicação inestimável sobre as origens desta propriedade. Adquirida por Serafim Navega em 1890, a Quinta do Carvalhinho está desde então na posse da mesma família. A vinha e o vinho fizeram sempre parte do seu dia-a-dia. Para além do vinho, a Quinta do Carvalhinho é igualmente conhecida pelo seu Turismo de Habitação. As vinhas estão plantadas em solo argiloso-calcário. Em 1988, António Afonso Navega, dando seguimento a um desejo de mostrar ao grande público os bons vinhos que se produziam na Quinta, passou a partir daí a engarrafar o vinho produzido. A produção de vinhos iniciou-se em 1989, com um vinho Tinto e um vinho Branco. Logo no ano de estreia, o vinho Branco ganhou o 1º Prémio da Confraria dos Enófilos da Bairrada. Nessa altura as castas predominantes eram o Bical, Rabo de Ovelha e Maria Gomes no caso das brancas e a Baga nas tintas.

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A Quinta do Carvalhinho tem uma extensão de 12 hectares de vinhas tintas e 2 hectares de vinhas brancas, plantadas em solos Argilo-Calcários. O encepamento foi pensado para tirar o melhor partido das condições locais. As castas tintas Shiraz, Merlot, Cabernet Sauvignon e Caladoc são as eleitas na Quinta do Carvalhinho. Quanto às castas brancas, destaca-se o Sauvignon Blanc e o Arinto. Produz Vinhos Tintos, Espumantes Branco e Tinto. No passado, produziu Vinhos Brancos, mas actualmente toda a produção de uvas brancas é dirigida para o Espumante. Todos os vinhos têm Denominação de Origem Controlada.

Depois de uma reestruturação bem sucedida das suas vinhas tintas começada em 1995 e terminada em 2009 – com a introdução de novas castas até então não utilizadas na região, entre as quais as castas tintas Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon e Caladoc – a Quinta do Carvalhinho diversificou e enriqueceu a sua produção de vinhos tintos mantendo toda a qualidade a que sempre habituou os seus clientes. Cerca de 30.000 garrafas tintas são produzidas anualmente.

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Como em outras partes da Bairrada, encontram-se aqui pérolas desconhecidas, como este nosso Syrah de hoje, nascido em ano difícil por causa de um verão húmido que obrigou a um grande trabalho na vinha para conseguir uma boa maturação e uma grande selecção das uvas expostas à decomposição. Algumas notas de prova a que tivemos acesso dizem de um “vinho com bela complexidade aromática, misturando fruta vermelha, toques minerais a giz, e aromas de bosque. Os taninos são suaves e tornam o vinho delicado.” Tem 13% de graduação alcoólica.

Oscar Wilde dizia que “Para conhecer a colheita e a qualidade de um Syrah não é necessário beber toda a pipa.” Pois não, uma parte de uma garrafa, acrescentaríamos, seria suficiente,  não sendo o caso que hoje aqui nos trouxe!

 

Classificação:                            Preço: 6,00€


 

Rosa Brava, Campolargo, 100% Syrah, Bairrada, 2004

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Vamos hoje falar de um Syrah da Bairrada, mais precisamente da Mealhada, de que conhecíamos a existência, elaborado pela empresa Campolargo, mas que sabíamos já indisponível. Isto foi em 2013, pelo que logo pensámos nunca iríamos conseguir sorver tal néctar. Tentámos um contacto telefónico com o produtor, que na altura confirmou o sabido, e mais nos disse que tinha sido safra única, de apenas 700 garrafas.

Mas a história ainda não tinha acabado. No passado Julho, na feira de vinhos biológicos de Lisboa, que decorreu na esplanada do restaurante “À Margem”, em Belém, eis que nos apercebemos da presença dos vinhos Campolargo, ali mesmo à nossa frente. Foi aquele frémito de esperança, havia que voltar a convocar o não olvidado Rosa Brava Syrah!

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E qual não foi o nosso espanto quando o amável produtor ali presente, Carlos Campolargo, nos confidenciou que tinha ainda em seu poder algumas caixas desse Syrah, que nunca antes nem depois a Campolargo se tinha abalançado fazer! Logo os contactos foram estabelecidos e hoje estamos em condições de podermos falar com conhecimento do Rosa Brava, e com toda a propriedade.

Em conversa com Pedro Cunha Martins, do Clube de Vinhos Winept, e que esteve ligado à ideia do Rosa Brava Syrah, foi-nos então contada a história do nome e do Rosa Brava. O nome é derivado de um romance histórico do escritor e jornalista José Manuel Saraiva, exactamente com o nome “Rosa Brava”. Para o lançamento do livro a editora teve a ideia de desafiar a Campolargo a produzir uma edição limitada de um vinho que teria o mesmo nome e que teria que ser algo de distinto! Daí surgiu o Syrah Rosa Brava, que foi divulgado juntamente com o livro no restaurante lisboeta “A Vírgula”.

No entender de João Paulo Martins, trata-se de um Syrah de “cor fechada, aroma especiado a pimenta preta, terra e pedreneira. Na boca mostra todo um lado austero de forte personalidade, muito mineral. A precisar de ser consumido com calma pois tem uma longa vida à sua frente. É pena que haja tão poucas garrafas.” Estamos de acordo, sobretudo com a última frase! E tem uma graduação alcoólica de 13,5%.

Apresentamos de seguida a sinopse que acompanhava o lançamento do livro Rosa Brava:

“Em 1368, D. Leonor Teles de Menezes, a mulher mais desejada do Reino, casa com o morgado de Pombeiro, D. João Lourenço da Cunha. O matrimónio é imposto por seu tio, D. João Afonso Telo, conde de Barcelos. Mulher fora do tempo, aceita contrariada o casamento, que a melancolia da vida do campo não ajuda a ultrapassar. Por isso, decide abandonar o marido e parte para Lisboa, para gozar a vida de riqueza e luxúria que a Corte proporciona. Perversa e ambiciosa, não tem dificuldade em seduzir o jovem monarca, D. Fernando, alcançando, desse modo, o poder que sempre desejou. Mas a nobreza, o clero e o povo não veêm com bons olhos esta aliança de adultério com o Rei. E menos ainda quando a formosa Leonor Teles se envolve com o conde Andeiro… “Rosa Brava” é um romance baseado na investigação histórica que, por entre intrigas palacianas, traições, assassínios e guerras com Castela, reinventa, numa linguagem cativante, uma das personagens mais fascinantes da História de Portugal.”

Louis Pasteur, mais uma vez ele, o cientista e poeta do divino néctar, e aliterado ao nosso modo, dizia que:
“O sabor de um Syrah é como uma poesia delicada.”
Depois de termos deambulado por este Rosa Brava Syrah, poderíamos dizer, por analogia, que o talante de um bom Syrah é como um romance histórico: fica na História!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 16,95€


 

Encosta de Mouros, Adega Cooperativa da Mealhada, 100% Syrah, Bairrada, 2009

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Hoje começamos o dia por dizer da nossa isenção, enfatizando mais uma vez que o Blogue do Syrah não está ao serviço de quem seja, a não ser do grupo de consumidores exigentes ao qual pertencemos.

Por isso se um Syrah nos espanta, e nele encontramos características extraordinárias, não temos problema algum em o afirmar a plenos pulmões, não tendo nada a ganhar com esse facto a não ser o prazer de revelar algo tão fantástico e, se for possível, em primeira mão. Mas o que nunca esperámos foi que o contrário também iria de acontecer. E este é o primeiro caso. Infelizmente não é o único, mas é o primeiro de que falamos, ou seja, um monocasta Syrah a 100% que é um Syrah deplorável e mal amanhado, que de Syrah como nós o entendemos nada tem e, como tal, é considerado pelo Blogue do Syrah como inclassificável na bitola de 14 a 20, portanto nada mais nos resta senão atribuir-lhe um 0!

Outra coisa lamentável, e esta crítica não é feita pela primeira vez, infelizmente, é em relação ao tipo de divulgação que a Adega Cooperativa da Mealhada utiliza. E qual é? Nenhuma. Absolutamente nenhuma! Esta sociedade detentora do Syrah Encosta dos Mouros não tem site, não tem blogue, não tem sequer Facebook, não está presente em nenhuma outra rede social. Não há nada em discurso directo sobre esta sociedade e este Syrah. O que há é em sítios informativos, o nome da sociedade, a morada nº de telefone e nº de fax. Mais nada!

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Mas bem vistas as coisas ainda bem que é assim, porque em relação a este Syrah é preferível que o público consumidor nem sequer saiba que existe, porque assim não é tentado a ser ludibriado.

As notas de prova presente no contra rótulo da garrafa dizem que possui “aroma muito complexo a fruta madura de bagos vermelhos e ameixa, com notas de chocolate e especiarias. Apresenta intensidade corante muito persistente. No palato é equilibrado com boa estrutura e final de boca longo.”

Durante a nossa prova e degustação, tudo isto se revelou falso! Este Syrah é uma bebida de mau gosto, no sentido literal do termo, que chega a dar arranco de entranhas. Tem uma graduação alcoólica de 13,5%. Foram produzidas 7243 garrafas, cabendo à que foi bebida parcialmente pelo Blogue do Syrah, a muito custo, o número 5006.

O grande orador, filósofo e político romano, Cícero, já dizia que “Os vinhos são como os homens: com o tempo os maus azedam e os bons apuram.”

O Syrah da Adega Cooperativa da Mealhada nem precisa de tempo para azedar. É um vinho que nunca devia ter sido lançado no mercado. Os consumidores merecem mais e melhor.

Felizmente que o mundo do Syrah vai muito para além deste sobressalto!

 

Classificação: 0                         Preço: 6,00€


 

Niepoort, 100% Syrah, Bairrada, 2012

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Esta é a segunda vez que apresentamos um Syrah da Bairrada.

E que Syrah!!!

Já no final do ano passado, quando demos conta da sua existência aqui, dissemos que “A grande novidade vinícola em Portugal é o aparecimento deste Syrah da Bairrada, da casa Niepoort, uma das grandes casas do vinho do Porto e de vinho de mesa do Douro, com mais de 150 anos de existência. Pela primeira vez Dirk Niepoort ousa fazer um monocasta syrah, e ainda por cima a 100%!” Nessa altura prometíamos uma análise mais detalhada para breve. Pois bem esse momento chegou!

Este Syrah de qualidade superior “mostra uma bonita cor violeta de média concentração. Ainda muito jovem no aroma, revela-se vibrante nas notas de fruta preta e ervas. Complexo e muito elegante, com notas de pimenta preta e de pedra que espelham em perfeição todo o carácter desta casta. Na boca, é um vinho muito elegante, com um equilíbrio notável. Preciso, fino e com uma boa acidez natural. O estágio em tonel confere-lhe taninos firmes mas muito harmoniosos. Final de boca muito longo, com notas de frutos silvestres e de especiarias.”

O ano de 2012 foi muito seco, quase sem chuva durante o Inverno e Primavera. Como consequência disso, a rebentação ocorreu quinze dias mais tarde do que no ano anterior e todo o ciclo vegetativo se atrasou. O Verão não foi tão quente como habitualmente e as noites foram bastante frias nas duas últimas semanas de Agosto. A produção foi menor devido à falta de água no solo e alguma chuva durante a floração. Como tal, os cachos e bagas apresentaram-se mais pequenos do que o normal, cerca de 20% a 30%, quando comparados com o ano anterior. A vindima começou no início de Setembro. As uvas de Syrah foram vinificadas em lagar tradicional com pisa a pé muito ligeira, onde se utilizou 20% de engaço. O vinho fermentou e estagiou num único tonel velho de 2500L, sem qualquer extracção, durante 20 meses.

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Apesar de se considerar a Bairrada como o terroir perfeito para a casta Baga, existe na Quinta de Baixo uma pequena parcela de Syrah, plantada há cerca de 20 anos. A vinha, com pouco mais de 1 hectare é uma pequena paixão de Dirk Niepoort segundo nos foi confidenciado por Paulo Silva responsável pelo sector da exportação da casa Niepoort. Dirk Niepoort sempre foi um grande fã dos vinhos de Côtes-du-Rhône, em especial dos Côte-Rotie e Hermitage. Na Quinta de Baixo, existe a intenção de fazer um Syrah com carácter, que expresse o fantástico potencial dos nossos solos argilo-calcários, e o Blogue do Syrah atesta que isso foi amplamente conseguido!

A casa Niepoort é uma das casas emblemáticas do Douro mas que com Dirk se expandiu para fora das fronteiras do vinho do Porto. A família Niepoort tem vindo a produzir Vinho do Porto desde 1842. A primeira propriedade no Douro foi comprada em 1987 e Dirk Niepoort deu início a uma nova era na empresa com a criação do primeiro Redoma tinto em 1991. Nos últimos anos, a Niepoort lançou a si própria o grande desafio de interpretar outros solos e climas, e adquiriu duas propriedades noutras regiões: Dão e Bairrada. Descubra o Triângulo Niepoort que expressa os diferentes terroirs: Xisto (Douro), Calcário (Bairrada) e Granito (Dão).

A zona da Bairrada caracteriza-se por ter um clima fresco e húmido, com influência atlântica, proporcionando uvas de acidez elevada e baixa graduação alcoólica. Os solos são argilo-calcários ou arenosos e as castas brancas como a Maria Gomes, Arinto, Bical e Cercial têm um potencial fantástico. Nas castas tintas, predomina a Baga, onde assentam maioritariamente muitos dos vinhos desta região. A paixão de Dirk pela Bairrada e pela Baga vem dos anos 90, altura em que não só fez vinhos na Casa de Saima e Bageiras, como também distribuiu vinhos da Casa Dores Simões e Gonçalves Faria. A ideia era ir conhecendo melhor a personalidade bairradina, mas porque se acreditava totalmente nas potencialidades desta região, a Niepoort acabou por assinar a compra da Quinta de Baixo no dia 28 de Dezembro de 2012.

Deste néctar precioso só se fizeram 2770 garrafas, das quais uma parte significativa foi para o mercado externo, como é aliás política habitual da casa Niepoort. A garrafeira Estado de Alma é a que na zona da grande Lisboa comercializa este Syrah. Sabemos também que o projecto syrah da Bairrada da Niepoort é para continuar.

A produção de 2013 está em tonéis e será comercializada a partir de Dezembro de 2015, como aconteceu com a safra que estamos a analisar que conheceu a comercialização em Dezembro de 2014. Ainda bem!
A continuação deste Syrah soberbo está assegurada!

Segundo a máxima de um anónimo: “Abrir uma garrafa de Syrah é um como abrir um livro: nunca temos a certeza do que iremos encontrar!”
Seguramente não é este o caso!

Classificação:19/20                                           Preço: 25,50€

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Quinta do Valdoeiro,100% Syrah, Bairrada, 2007

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Depois do Douro, descemos, e encontramos a Bairrada.

E aqui, na Mealhada, temos o syrah da Quinta do Valdoeiro. Este syrah impressiona pelo que é em si, e também pelo facto de estar implantado numa região, a Bairrada, que tem pouco syrah, logo sem grande relevância em termos desta casta.

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A Quinta do Valdoeiro faz parte duma companhia, a Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias, que congrega três quintas. A companhia foi fundada em 1926, por Messias Baptista, que manteve a administração da empresa até 1973. A Administração das Caves Messias é ainda nos dias de hoje assegurada pelos descendentes da família Messias.
Desde a sua fundação que tem produzido e comercializado vinhos das principais regiões demarcadas: Dão, Bairrada, Douro, Vinho Verde, Beiras e Vinho do Porto. A empresa é também reconhecida pela alta qualidade dos seus vinhos Espumantes Naturais e Aguardentes.
A sede da MESSIAS está situada na Mealhada, pequena cidade da região da Bairrada, onde a empresa possui mais de 6.000 metros quadrados de instalações e aproximadamente 160 hectares de vinha, sendo 70 hectares destinados à produção dos vinhos da Quinta do Valdoeiro.

Quinta do Cachão tem as suas encostas adjacentes ao rio Douro, na sub-região do Cima Corgo. A vinha foi plantada pela primeira vez em 1845 pelo Barão do Seixo sendo mais tarde adquirida pela família Afonso Cabral, que por sua vez a vendeu à família Messias no ano de 1956.

A Quinta do Penedo é constituída por uma área de 20 hectares e situa-se no coração da Região Demarcada do Dão, mais precisamente no interior do triângulo clássico Viseu-Nelas-Mangualde. A sua origem como vinha remonta ao ano de 1930, pela mão do General Lobo da Costa, tendo permanecido na família até 1998, ano em que foi adquirida pela família Messias.

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Até que chegamos à Quinta do Valdoeiro, que é uma bem estruturada propriedade agrícola da região vitivinícola da Bairrada. Possui 130 hectares, 70 dos quais plantados com vinha  em solos calcários de baixa fertilidade.
A ligeira ondulação do relevo, as encostas voltadas a sul e nascente, assim com a implantação das castas separadas por talhões, são factores que contribuem para a qualidade das uvas aí produzidas.

E é neste ambiente que se produz o nosso syrah, para além das variedades tintas Touriga-Nacional, Baga, Castelão e Cabernet-Sauvignon. Nas variedades brancas temos o Arinto, Bical, Chardonnay e Cerceal.

Como nos diz o produtor este syrah possui “cor violeta muito intensa. Aroma a frutos, especiarias e chocolate, afinados pela tosta de barrica. Na boca apresenta uma forte estrutura e sedosos taninos, com um sabor potente e fresco. Final muito longo”.

Terá sido por isso que Bossuet diz e nós adaptamos que “O syrah tem o poder de encher a alma de toda a verdade, de todo o saber e filosofia.”

Em conversa com o enólogo, Eng. João Soares, que se percebe, mesmo à distância do fio de telefone, que é um homem de grande disponibilidade e que manteve connosco uma longa conversa, impossível aqui de reproduzir, e isto apesar de ser o enólogo das três quintas das Caves Messias, ficamos a saber que a Quinta do Valdoeiro tem syrah desde 1998, ocupando 3,5 hectares, apesar do monocasta só ter visto a luz do dia em 2001 com 5200 garrafas.

A partir daí foi sempre a crescer em número e qualidade, com pequenas excepções, que não foram notadas porque a exportação subiu de tal modo que certos anos viram a sua produção totalmente dirigida para o mercado externo, como foi o caso de 2008. Os países principais que recebem este syrah são os Estados Unidos, Canadá, Brasil, e, em crescendo, a China.

O actual ano em degustação de 2010 teve 7500 garrafas que estão aí para fazer o deleite de quem puder, queira e souber chegar a elas. O momento alto desta história chegou com o syrah de 2007 (10200 garrafas) que em 2009 ganhou a medalha de ouro no concurso internacional “syrah du monde”. Na minha modesta opinião já o ano de 2005 (10100 garrafas) teria merecido o mesmo prémio! Isto em cuja Casa, nas palavras do seu enólogo: “A intenção não é ser produtor de syrah”.

E o futuro?
O futuro está para já assegurado. O syrah de 2013 foi engarrafado a semana passada e sairá para o mercado nos finais de 2015 ou princípios de 2016.

Se tudo correr bem e como planeado, cá estaremos para o degustar e continuar a falar desta maravilha da Bairrada!

 Classificação: 17/20                            Preço: 13,50€

 

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