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Também não era provável que houvesse… mas há!

QC, Quinta da Caldeirinha, 100% Syrah, Beira Interior, 2013

Finalmente!
Esperámos e desesperámos por este Syrah!
Mas a nova colheita de 2013 aqui está finalmente para poder ser apreciada por todos!
É um Syrah que provém das terras altas da Beira Interior, do parque natural do Douro Internacional!
Este Syrah Quinta da Caldeirinha 2013 é a segunda colheita!

A primeira foi noticiada por nós aqui. É um Syrah biológico, como aliás todos os vinhos desta quinta ou seja, que é isento de pesticidas e químicos. Por lei o ácido sórbico e a dessulfuração não são autorizados e o teor de sulfitos no vinho biológico tem de ser inferior, no mínimo, em 30-50 mg por litro ao do seu equivalente convencional. Só coisas boas em termos de saúde.

Mas a verdade quando provamos um Syrah queremos saber das suas qualidades organoléticas. Este tem “Aroma a amora e compota. Vinho com cor granada, bem estruturado e equilibrado”. Saiu um Syrah com um teor alcoólico de 14%, ( o anterior de 2009 tinha 13,5%) aromático, denso e complexo no sabor. Uma bebida superior!

E quem é que faz este néctar? Mais uma vez elaborado a seis mãos. Jorge Roda o produtor, Aida Roda a responsável pela vinha e finalmente Jenny Silva, mestre em Enologia! Como anteriormente foi dito, não é fácil encontrá-lo mas apesar de tudo já vai sendo mais fácil que até aqui há uns anos. Quem vive em Lisboa e nos arredores pode adquiri-lo na casa Stevia, que fica localizada em Benfica na Rua José da Purificação Chaves, nº 2 – A, e que vende produtos de agricultura biológica e onde se encontra o nosso Syrah assim como outros vinhos da Quinta.

Winston Churchill escreveu, depois de ter sido um dos vencedores da Segunda Guerra Mundial:
“Depois da guerra, duas opções se presente a mim, terminar minha vida como deputado ou acabar como um alcoólatra. Agradeço a Deus por ter bem guiado a minha escolha: eu não sou deputado!”
Ora aí está uma sábia decisão. E ainda por cima porque no caso presente do Syrah da Quinta da Caldeirinha, trata-se de um Syrah de grande qualidade e que está a crescer e vai continuar a crescer durante mais alguns anos.
A ter sempre por perto!

 

Classificação: 18/20                            Preço: 18,50€


 

Quinta dos Termos, 100% Syrah, Beira Interior, 2009

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Hoje vamos falar do syrah da Quinta dos Termos. Trata-se do terceiro syrah que existe na Beira Interior. Já aqui falámos da Quinta da Caldeirinha. Em seguida veio o Almeida Garrett, e hoje cabe-nos a honra e o privilégio de falar da Quinta dos Termos.

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É um syrah de soberba qualidade, podemos desde logo dizer. As notas de prova dizem que “é rico de cor, tem aroma intenso e torna-se muito atraente na boca, graças aos seus taninos aveludados”, e tem uma graduação alcoólica de 14%.

Há uma particularidade que nos chama a atenção. É dos poucos syrah portugueses, provavelmente até o único, segundo imaginamos, que nem no rótulo da frente, nem da parte de trás da garrafa, nos diz que se trata de um monocasta syrah a 100%. No entanto o rótulo da frente diz-nos sim que se trata da “reserva do patrão”, mostrando bem que o produtor, João Carvalho, igualmente professor universitário na Universidade da Beira Interior e também presidente da Comissão Vitivinícola da Região da Beira Interior, tem bom gosto!

Duas safras se conhecem do syrah da Quinta dos Termos. A de 2009, que se encontra disponível, e a de 2008, já esgotada.

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A Quinta dos Termos está de costas viradas para a Serra da Estrela, com exposição sul, em declive meio acentuado e resguardada a norte pela montanha que a delimita. A Quinta dos Termos apresenta um terroir próprio que marca de forma indelével os vinhos ali produzidos. A Quinta é possuidora de um microclima próprio e de terras pobres, que naturalmente disciplinam as variedades mais produtivas. Ali se cultivam as castas tradicionais da Beira Interior, tais como Trincadeira, Jaen, Rufete, Marufo, Tinta Roriz, Tinto Cão, Afrocheiro Preto, Touriga Nacional, Baga, Siria e Fonte Cal e ainda algumas do Novo Mundo tais como Petit Verdot e Sangiovese.

A Adega é dotada de sofisticada tecnologia, mas seguindo as técnicas tradicionais, orientadas por enólogos conceituados no mundo dos vinhos.

Esta quinta é o maior produtor da região com Denominação de Origem da Beira Interior, actualmente a produzir cerca de 700 mil litros por ano.

A propriedade de 56ha tenta ser o mais biológica possível, não usando herbicidas nem pesticidas e prezando sempre a utilização de produtos naturais, que, apesar de serem menos eficazes e darem mais trabalho, compensam no resultado final.

Tem muita variedade de uvas, com vinhas bem delimitadas, podendo-se perceber na paisagem nuances de tons de verde entre parcelas distintas.

Os solos são graníticos e ricos em sílica.

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O portfólio da Quinta é composto por 22 vinhos, sendo 14 Tintos, 4 Brancos 1 Rosé e 3 Espumante Natural, todos eles com a marca Quinta dos Termos.

No ano de 1945 é adquirida por Alexandre Carvalho, a quarta gleba de um prédio correspondente a uma terra no sítio dos Termos ou Vilela, posteriormente denominada por Quinta dos Termos. Um espaço composto por terras de cultivo de centeio, vinhas e casas de quinteiro, situado em Carvalhal Formoso, perto de Belmonte, numa zona agreste de solos graníticos pobres e de paisagem lindíssima, exposto a sul, com condições excepcionais para o cultivo da vinha.

Protagonista de uma lenda com origens ancestrais, que retratava a história de uma linda Moura, que na manhã de S. João aparecia aos pastores da Quinta com um copo de vinho na mão, convidando-os a beber e deixando-os deslumbrados com aquilo que viam e bebiam.

Ciente que se tratava de uma terra talhada para o sucesso da cultura da vinha, em meados da década de cinquenta, Alexandre Carvalho decide reestruturar 3 ha dos 6 ha existentes de vinha, mantendo os outros 3 ha de vinhas velhas.

Toda a produção era vendida nas tabernas da região.

No início da década de 80, decide alugar a Quinta, sendo as vinhas praticamente destruídas.

Em 1993, terminados os arrendamentos, a Quinta volta novamente para a família na pessoa de João Carvalho, filho de Alexandre Carvalho, que resolve dar corpo ao projecto de viticultura actual.

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Assim, João Carvalho, aliando a sua vida de empresário têxtil e de professor do Departamento de Ciência e Tecnologia Têxteis da Universidade da Beira Interior, decide meter mãos à obra e começa por reestruturar as vinhas. Adquire novas parcelas, ilhas isoladas no interior da Quinta e novos direitos de plantação, possuindo hoje cerca de 42 ha em plena produção e 12 ha em início de produção.

A Quinta dos Termos tem actualmente cerca de 180 ha e dispõe de uma área vitícola em produção com 54 ha de castas seleccionadas, entre elas as tintas Touriga Nacional, Alfrocheiro Preto, Tinta Roriz, Trincadeira Preta, Jaen, Rufete, Marufo, Baga, Sangiovese, Syrah, Petit Verdot, Tinto Cão, Vinhão e as brancas Síria, Fonte Cal e Riesling.

As expectativas de produção aumentam de ano para ano, pelo que as estimativas apontam para uma produção a curto prazo de 800 mil garrafas de vinho por ano.

A nova adega é construída em 2002, com materiais característicos da região, onde predomina o granito, e encontra-se equipada com modernos equipamentos, procedendo-se a uma vinificação natural, com o uso diminuto de produtos químicos devido à higiene total ali existente. A adega dispõe ainda de um moderno laboratório onde é efectuado o controlo físico e químico, desde as uvas ao mosto até ao vinho, sala de provas e instalações sociais.

A produção do vinho encontra-se certificada pelo regime de Produção Integrada.

O enófilo Agilson Gavioli de São Paulo escreveu, e nós estamos a ler em voz alta enquanto sentimos o aroma e paladar vindo de uma elegante taça de syrah da Quinta dos Termos:

“Mulheres vestidas de branco me fazem chorar,
vestidas de mel me adoçam o olhar e
vestidas com syrah me fazem corar.
Extraído das uvas, femininas formas naturais,
natural bebida é o syrah!
Bebida que encanta como as mulheres,
que embriaga como as mulheres,
e nos põe a sonhar … como as mulheres!”

Foi assim e assim convidamos todos a ser…

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 11,50€


 

Almeida Garrett, SABE, 100% Syrah, Beira Interior, 2007

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Almeida Garrett!
Se alguém pensou por momentos que íamos falar de literatura, desengane-se. É de syrah que vamos falar! Mas para nós o syrah está para a literatura como o vinho está para os romances de cordel! Carlos Arruda dizia-nos que “O vinho é o melhor lugar para se encontrar com os amigos”.

O syrah Almeida Garrett já viu por três safras a luz do dia. Em 2003, em 2005 e a última até agora, a de 2007. Todas elas com 15000 garrafas segundo as indicações de João Santos, do departamento comercial, com quem falámos.

A aposta na informação digital está pouco presente o que explica o facto de nos ter sido dito que o site ainda está em construção.

O que podemos saber deste syrah é por via indirecta, como por exemplo no site The Wine Detective, onde é dito, e traduzimos “um ciclo de maturação mais curto do que as uvas tradicionais contribui para uma envelhecimento mais fisiológico. Obtém-se assim um paladar florido e picante, sensível no nariz, sentindo-se o aroma frutado da amora, cereja e groselha; aos taninos falta um pouco de refinamento, mas o valor acrescentado torna-o uma boa escolha.”

Portugal é um país muito diverso que não se resume às regiões usualmente faladas, como Douro ou Alentejo. O Portugal vinícola é muito mais que isso. Um mosaico, um mármore de grande diversidade, e aí reside a beleza! Em cada raio de 5 km encontra-se uma coisa diferente, um estilo, um know-how. Muito diferente da monotonia ou uniformidade que se verifica em muitos países, onde se palmam quilómetros e vê-se e saboreia-se e sabe-nos tudo ao mesmo.

Em plena Beira Interior, em Tortosendo, nas faldas da Serra da Gardunha encontramos a SABE – Soc. Agrícola da Beira, S.A.

E diga-se que têm alguma qualidade. As poucas vezes que tivemos o prazer de saborear e apreciar um pouco dos seus vinhos foi em feiras e certames.

José Almeida Garrett comanda os destinos e rumo das vinhas da Família, em Tortosendo. Ele e sua família são descendentes directos precisamente de Almeida Garrett, grande escritor, poeta, novelista, dramaturgo, e estadista, chegando mesmo a ministro dos negócios estrangeiros. Daí a designação de boa parte dos vinhos desta casa.

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As vinhas têm solo granítico, sendo que uma das vinhas perto de Tortosendo tem 12 hectares entre Tinta Roriz e Touriga Nacional, com a respeitável idade de perto de 30 anos, a uma altitude de 430-450 metros. Perto do Rio Zêzere, existem 16 hectares, a uma altitude de 320-360 metros com solo areno-granítico. Existe ainda uma terceira vinha, também com 16 hectares, plantada perto da Covilhã em 1998, a uma altitude de 550-580 metros.

Estabelecidos em Castelo Branco desde o século XIX, sempre produzindo vinhos para consumo na região, a família Almeida Garrett começou a dedicar-se à actividade comercial nos anos 90, investindo em tecnologia e apostando na modernidade com a preservação das características mais preciosas das castas locais que produz. Dentro da filosofia de elaborar vinhos portugueses seleccionados de nível internacional, imprime em seus blends e varietais o melhor das cepas portuguesas.

Pioneiros no cultivo da casta Chardonnay em Portugal, foi a família Almeida Garrett quem levou as primeiras cepas dessa uva da França para seu país – é dessa variedade que produz seus vinhos brancos.
Os vinhos Almeida Garrett são produzidos na região de Beiras (DOC Beira Interior) , distrito de Castelo Branco, e já estão presentes e bem posicionados em importantes mercados da Europa (Inglaterra, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Noruega e Dinamarca) e Estados Unidos.

Mas os Almeida Garrett trazem a expressão máxima de uma Denominação de Origem Controlada ainda pouco conhecida por aqui: Beira Interior . Mais conhecida por seu afamado queijo da Serra da Estrela, a região demarcada da Beira Interior vive um processo de modernização e desponta com excelência para o mercado mundial.

A família secular, descendente como já dissemos do escritor do Romantismo português Visconde de Almeida Garrett, convive com a produção de vinhos desde que se instalou na região, no início do século XIX, porém para consumo próprio. Só em fins do século XX a geração actual dos Almeida Garrett apostou na produção com visão de mercado e dedica-se, desde então, à excelência e ao aprimoramento constante dos vinhos que leva a vários mercados.

A cada safra, ganham reconhecimento pela sua qualidade, competindo assim, com vinhos de outras regiões de Portugal, há décadas conhecidas em todo o mundo.
Em 1974 foi fundada a Sociedade Agrícola da Beira S. A , que congrega as propriedades de 3 dos 4 irmãos Almeida Garrett, área correspondente a 14 hectares com vinhedos entre 16 e 70 anos, 18 hectares com 4 anos, 18 hectares com 2 anos e 4 hectares a serem plantados. O enólogo é João Vidal.

As castas tintas são Tinta Roriz, Tinta Barroca e Trincadeira são as variedades nas vinhas velhas, e Touriga Nacional, Trincadeira e Tinta Roriz são as variedades nas vinhas novas com Merlot, Cabernet Sauvignon e Syrah. Nas castas brancas temos o Chardonnay.

De tudo isto nasceu pois um syrah que não envergonha, de modo algum, a região que o viu nascer!

Classificação: 16/20                                           Preço: 9,90€


 

QC, 100% Syrah, Quinta da Caldeirinha, Beira Interior, 2009

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Desenganem-se aqueles que pensam que os grandes Syrah portugueses obrigatoriamente estariam para lá ou para cá do Tejo. Este Syrah Quinta da Caldeirinha 2009 está bem longe do grande rio do sul pois provém das terras altas da Beira Interior, do parque natural do Douro Internacional!

Primeira safra de Syrah desta quinta localizada nos confins do mundo, onde nem o Google Maps a reconhece, e por vezes nem  o contacto por telemóvel é possível, tão remota é a sua localização no Douro superior…

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Aroma a amora e compota. Vinho com cor granada, bem estruturado e equilibrado”. Saiu um Syrah com um teor alcoólico de 13,5%, aromático, denso e complexo no sabor. Uma bebida superior! E quem é que fez este néctar? Foi feito a seis mãos. Jorge Roda o produtor, Aida Roda a responsável pela vinha e finalmente Jenny Silva, mestre em Enologia!

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Uma característica muito peculiar desde Syrah é que se trata dum vinho biológico, o que significa que é isento de pesticidas e químicos. Por lei o ácido sórbico e a dessulfuração não são autorizados e o teor de sulfitos no vinho biológico tem de ser inferior, no mínimo, em 30-50 mg por litro ao do seu equivalente convencional.

A primeira safra deu um total de 2200 garrafas e já está quase no final, mas a boa notícia é que está em preparação a segunda, neste momento a estagiar nas barricas de madeira, a sair lá para os fins da primavera de 2015. Quando sair terá a menção do ano de 2011.

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Em tudo na vida há um senão. E o senão aqui é que se trata de um Syrah relativamente difícil de encontrar. Quem vive em Lisboa e nos arredores pode adquiri-lo na casa Stevia, que fica localizada em Benfica na Rua José da Purificação Chaves, nº 2 – A, e que vende produtos de agricultura biológica e onde se encontra o nosso Syrah assim como outros vinhos da Quinta, e também nos Supermercados de produtos biológicos BRIO, com várias lojas na zona da grande Lisboa.

Durante a sua apreciação, veio-nos à memória Emile Peynaud: “Aos amantes do vinho. Vocês são o elo mais importante da corrente. Se há maus vinhos, é porque há maus bebedores. Cabe ao consumidor desencorajar os produtores de vinhos ruins.” Nada mais certo! E no caso do Syrah da Quinta da Caldeirinha esta verdade tem ainda mais consistência. Trata-se de um grande Syrah!!!

Classificação: 19/20                            Preço: 15,79€

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