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Um prazer enorme encontrar Syrah por aqui…!

Syrah by Julia Kemper, Julia Kemper Wines S A, 100% Syrah, Terras do Dão, 2012

E damos a conhecer mais um Syrah, novidade absoluta, orgânico desta vez, das Terras do Dão. Eis portanto o Syrah de Julia Kemper, Quinta do Cruzeiro, em Mangualde!

O Dão, terra de Touriga Nacional e Alfrocheiro, não tem o terroir mais propício para Syrah, no entanto recebemos sempre de braços abertos uma nova experiência com a nossa casta de eleição! Com 13% de graduação alcoólica é um Syrah de beber fácil e sem grande complexidade aromática. Percebe-se logo no primeiro trago que é um vinho orgânico e isso é a sua mais valia. Mostra também capacidade de evolução. Veremos como se comporta com o passar do tempo!

Os Vinhos Kemper existem há mais de 400 anos e os valores de uma agricultura biológica têm passado de geração em geração. A família Melo Kemper acredita no equilíbrio da Natureza e nele não tem intenções de  interferir. Boas notícias sem dúvida!

A Família Melo olhou para as Terras de Azurara com interesse vinícola e assim foi achado o terroir do DÃO – o planalto onde se localizam as vinhas do vinho Julia Kemper. Ao longo do tempo houve parcelas de terra – algumas vinhas – que saíram da esfera da Família mas tal como um boomerang, elas retornaram e hoje, uma parte, estão nas mãos da equipa actual. Em 2000, Julia de Melo Kemper, advogada de profissão, em Lisboa, foi chamada por seu Pai, também um Melo, António Melo, para continuar o legado da família Melo no DÃO. E foi assim que Julia Kemper se tornou também numa agricultora.

Apesar desta história enorme estamos perante o primeiro monocasta Syrah da família Kemper! As vinhas na Quinta do Cruzeiro são tratadas com toda a delicadeza e segundo uma agricultura sustentada, seguindo os preceitos da agricultura biológica, consentânea com os valores e a herança recebida das gerações passadas, pois uma análise preambular à terra confirmou que esta se encontrava livre de qualquer contaminação, o que significa que sempre houve a preocupação de preservar o que a natureza tinha dado. A riqueza da Quinta do Cruzeiro com os seus vários terroirs passa por seis parcelas de vinha rodeadas de mato e pinhal. No final de cada sebe, as videiras e nas bordaduras das vinhas as oliveiras. E tudo isto num planalto a 700m de altitude protegido dos ventos por quatro imponentes serras – Serra da Estrela, Serra do Caramulo, Serra do Buçaco e Serra da Nave. É um verdadeiro ecossistema de biodiversidade ligeiramente domesticado conseguindo temperar o indomável Dão com um brilho de elegância!

A Adega da Quinta do Cruzeiro, original de 1950, foi construída toda em granito ao longo das diferentes gerações Melo e concluída pelo Avô de Júlia de Melo Kemper que, aproveitando o declive do terreno, já trabalhava com recurso à força da gravidade.
Esta adega era composta por dois pisos, o de cima com os lagares de granito onde era feito a pisa do vinho e o de baixo com cubas e as barricas onde o vinho ficava a estagiar. Uma das chaves de sucesso deste projecto era controlar todo o processo desde a vinha até ao engarrafamento, neste sentido sendo prioritário investir numa boa adega, por isso decidiu-se que a recuperação da adega seria dos primeiros investimentos. Foi então que em 2007 a adega sofreu obras de recuperação e modernização, tentando ao máximo preservar a estrutura inicial. As cubas foram limpas, alinhadas, revestidas a aço inox reduzidas de tamanho para receberem uma colheita menor mas de maior qualidade, e adquiriu-se todo o equipamento de escolha, desengace, esmagamento e também o controlo de temperatura, em todos os recipientes.

As vinhas estão instaladas em terrenos de baixa fertilidade, predominantemente graníticos com diversos afloramentos xistosos que surgem a sul e a poente da Região. Ainda que se encontre implantada em altitudes que rodam os 800 metros, é entre os 400 – 500 que vegeta em maior quantidade. O clima, não obstante ser temperado, é frio e chuvoso no Inverno e muito quente e seco no Verão, havendo contudo variações microclimáticas de grande importância para a qualidade dos vinhos. Encontram-se, assim, reunidas as condições únicas para a produção de vinhos com características próprias e bem definidas.

Gusmão Rodrigues disse que:
“No mundo do vinho, somos um País importante que não pode deitar-se à sombra das velhas ramadas.”
Julia Kemper acaba de mostrar com este Syrah que é possível fazer novo utilizando o tradicional!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 22,50€


 

Madre de Água, 100% Syrah, Terras do Dão, 2012

 

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O Syrah Madre de Água é o segundo Syrah a surgir no Dão, e mostra possuir qualidades que muito apreciámos.
O anterior, já analisado aqui, de 2010, tinha mostrado já competências que foram devidamente salientadas.

O Syrah da Quinta de Madre de Água é de 2012, e foi o representante do Dão na prova Cega de Syrah, que aconteceu no passado 3 de Outubro, em Lisboa, que foi quando o conhecemos. Deu boa parte de si e suscitou grande interesse por parte de vários jurados.

A empresa Madre de Água, Lda., situa-se na freguesia de São Pedro, concelho de Gouveia, distrito da Guarda. A empresa gira à volta de um Hotel, o Madre de Água Hotel Rural, que está localizado apenas a 5 minutos de carro da cidade de Gouveia, na encosta da Serra da Estrela, numa quinta que produz além de Syrah, queijo e azeite. É neste espaço algo idílico que se produz o Quinta de Madre de Água Syrah.

Este Syrah tem uma graduação alcoólica de 13,3%. A enóloga é Francisca Pereira. No rótulo da garrafa pode ler-se o seguinte: “A cor púrpura envolta em reflexos violáceos envolve-se graciosamente com os taninos concedendo um corpo médio com acidez leve. Invade os sentidos através do seu aroma de ameixa com toque mentolado compondo um belo bouquet ao nariz. Tipicamente frutado onde a especiaria ocupa lugar de destaque, proporciona um memorável prazer a quem o consome. Vinho de altitude, Terras do Dão.”

Quanto ao Hotel e natureza envolvente, é o refúgio certo para partir à descoberta de uma região emblemática de Portugal. Situado a cinco minutos de Gouveia, junto à aldeia de Vinhó e a pouco mais de 20 quilómetros da Torre, lá no alto da Serra da Estrela, o Hotel possui 10 quartos que oferecem conforto e atmosfera para viver o que há de mais autêntico e tradicional nesta região do país.

É o caso dos vinhos da Região Demarcada do Dão, que pode conhecer logo a partir da vinhas, como já foi referido. Extremamente cuidadas, compõem a paisagem que envolve todo o Hotel e é através delas que se produzem vinhos assentes em castas tão tradicionais quanto a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen, Vinha Velha, Encruzado ou Gouveio e naturalmente agora com o Syrah.

O escritor francês Theophile Malvezin escreveu: “O vinho é feito para ser bebido assim como a mulher é feita para ser amada. Ambos possuem a frescura da juventude ou o esplendor da maturidade, mas não espere pela decrepitude”

Vamos ver se chega com facilidade a Lisboa!

Classificação: 17/20                                                            Preço: 17,00€

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Quinta das Camélias, 100% Syrah, Jaime de Almeida Barros, LDA, Terras do Dão, 2010

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Hoje vamos apresentar um syrah de que nos podemos orgulhar de forma muito especial. Trata-se do syrah Quinta das Camélias. Fica desde já dito que se trata do único syrah do Dão. Daí merecer só por este facto um carinho e uma atenção diferente.

A Quinta das Camélias situa-se na região demarcada do Dão, na aldeia de Sabugosa, a catorze quilómetros de Viseu. É uma propriedade com vinte e três hectares dos quais quinze estão ocupados com vinha. Foi adquirida em 2002 por Jaime de Almeida Barros, (que deve o gosto pela vinha ao pai, que também tinha sido produtor) tendo sido necessário proceder à reconversão total das vinhas existentes, devido à situação de semi-abandono em que a Quinta se encontrava.

Em conversa com o proprietário ficamos a saber que a Quinta inicialmente tinha somente oito hectares e meio e foi aumentando sucessivamente para actuais vinte e três com a compra de treze parcelas de terreno.

Uma das perguntas mais importantes que tínhamos a fazer a Jaime de Almeida Barros era saber o que o tinha levado a plantar syrah no Dão, quando nunca ninguém o tinha feito. A resposta foi simples e cristalina: “Tentativa de fazer vinhos diferentes.” E não há dúvida que o syrah da Quinta das Camélias é diferente de todos os vinhos que se produzem nesta região demarcada.

Mas é verdade, e é preciso dizê-lo, houve muito boa gente que logo teceu críticas fortes ao facto da casta syrah nada ter a ver com o Dão. A isso Jaime de Almeida Barros respondia que o mais importante era a produção de bons vinhos, e que fossem ao encontro do que o mercado pedia. Ainda não há muito tempo foi esta a resposta que João Paulo Martins, crítico de vinhos bem conhecido do meio vinícola, ouviu do nosso produtor.

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O encepamento da Quinta é constituído maioritariamente por Touriga –Nacional a sessenta por cento (apesar de ser dominante no Douro e estar distribuída por todo o país ela é originária do Dão) sendo os restantes quarenta por cento constituídos por Alfrocheiro, Tinta-Roriz, Jaen, (outra casta autóctone) e Syrah, que só ocupa dois hectares do total.

Este syrah, com 14,5 % de teor alcoólico, é de cor granada e tons violeta escuro. Segundo o produtor “apresenta aromas de framboesa, groselha, amora, tostado e defumado. Na boca é aveludado, com taninos bem integrados, com boa concentração de fenóis, complexo e encorpado”.

Apesar da Quinta ter começado a sua produção de vinhos em 2005, o primeiro syrah só saiu em 2008 com cerca de quatro mil garrafas. A segunda safra aconteceu em 2009 e esta de que estamos a falar surgiu em 2010, e já teve um total de sete mil garrafas, das quais já só existem entre trezentas quatrocentas, algumas das quais se podem encontrar na Estado d`Alma. O ano de dois mil e onze não viu nenhum syrah por problemas com as uvas.

Brevemente estará no mercado a safra de 2012, a acontecer provavelmente entre o final deste ano e o princípio do próximo, e que terá um total de dez mil garrafas. Pela primeira vez se pondera a possibilidade de levar o syrah a concursos internacionais. A safra de 2013 sairá, se tudo correr bem, lá mais para o fim de 2015. Setenta por cento da produção desde o primeiro ano destina-se ao mercado externo nomeadamente Alemanha, Brasil e Bélgica.

Jaime de Almeida Barros pensa ainda plantar mais vinha devido ao aumento da procura. E isso é óptimo porque parafraseando Miguel de Cervantes: “O syrah que se bebe com medida jamais foi causa de dano algum”.

A aposta do mercado externo está ganha. É preciso ganhar o mercado interno. A Quinta das Camélias está no bom caminho!

Classificação: 16/20                            Preço: 5,72€

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