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Que bem que o nosso Syrah se dá por aqui…

Casa Santos Lima, Syrah, 100% Syrah, Lisboa, 2014

A Casa Santos Lima tem este Syrah da região de Lisboa há muitas colheitas!
Mais precisamente desde 2001!
Esta de 2014 que estamos aqui a analisar é de todas a melhor, o que se reflecte na classificação, como não podia deixar de ser!
E tem uma vantagem acrescida: aparece com novos rótulos, mais bonitos e distintos. É o chamado dois em um!

As notas de prova dizem-nos de “um rubi em termos de cor, e falam de um vinho seco e delicado com aromas agradáveis de frutos vermelhos. No palato é fresco e frutado, novamente com notas de frutos vermelhos, framboesas, cerejas e ervas. Bom corpo e estrutura, com uma longa persistência a fruta no final de boca.” Tem uma graduação alcoólica de 14%.

As vinhas distribuem-se por várias Quintas contíguas, com destaque para a Quinta da Boavista, Quinta das Setencostas, Quinta de Bons-Ventos, Quinta da Espiga, Quinta das Amoras, Quinta do Vale Perdido, Quinta do Figo e Quinta do Espírito Santo, que cobrem uma área total de aproximadamente 290 hectares. As propriedades da Casa Santos Lima estão situadas no concelho de Alenquer, 45 km a norte de Lisboa, numa região onde a tradição vitivinícola é secular e as típicas paisagens rurais aparecem com enorme beleza. As vinhas estendem-se por encostas suaves em altitudes compreendidas entre 100 e 220 m, com excelente exposição solar e um clima temperado pela suave brisa marítima do oceano Atlântico, que se encontra a cerca de 26 km para oeste.

A Casa Santos Lima é o maior produtor de “Vinho Regional Lisboa” e “DOC Alenquer”, e um dos produtores portugueses mais premiados em concursos internacionais. As propriedades da empresa pertencem à família Santos Lima há mais de um século sendo, desde há várias gerações, grandes produtores de vinho. No entanto, só em 1996, quando José Luís Santos Lima Oliveira da Silva abandona a sua carreira de mais de 20 anos no sector financeiro, teve início o engarrafamento e comercialização dos seus vinhos.

O escritor Winzerspruch de Dorlisheim disse :
“Deus não quis que o nobre Syrah se perca; é por isso que não só nos dá a vinha, mas também a devida sede.”
Tenhamos pois sede para que o Syrah da Casa Santos Lima nos saiba bem!

 

Classificação: 16/20                                                             Preço: 4,99€

Cabo da Roca, Casca Wines, Reserva,100% Syrah, Lisboa, 2015

O mais recente Syrah que apareceu no mercado é de Lisboa e do ano de 2015!
A empresa que o produziu é a Casca Wines, que se apresenta como sendo um projecto de enólogos que decidiram criar uma marca de vinhos portugueses de qualidade. Um projecto que apenas utiliza as melhores uvas de cada região e que procura reavivar as tradições únicas de Portugal. A ideia não deixa de ser emocionante. Os enólogos são Frederico Gomes e Hélder Cunha, que já foram chamados de “olheiros da vinha” e também a Casca Wines como o projecto dos sem-terra. Gostámos do conceito e também porque envolve Syrah!

O Syrah tem um estágio médio de doze meses, em madeira de carvalho francês e na prova fala-se de “notas de fruta vermelha e especiarias. Na boca é encorpado e tem um final longo.” Tem uma graduação alcoólica de 13,5%, e foram feitas treze mil garrafas. Estamos perante a primeira colheita deste Syrah!

Agora uma pequena explicação sobre o nome deste Syrah. O Cabo da Roca é o ponto mais ocidental da Europa continental. Como diz Luís de Camões é “Onde a terra se acaba e o mar começa.” A história de Portugal teve sempre ligação ao Oceano Atlântico e à época dos “Descobrimentos” que foi marcante para o mundo. A marca Cabo da Roca simboliza o espírito de redescoberta das regiões vitícolas de Portugal.

Este projecto, que começou na singular região de Colares, não tem vinhas nem adega própria. Os dois enólogos vão fazendo um trabalho de exploração pelo país até encontrarem as vinhas que mais lhes convêm para produzirem os vinhos que ambicionam. A escolha das vinhas, está relacionada com vários critérios, mas o mais importante é que o carácter da região seja espelhado no vinho que dali sair. Nem sempre é possível, por variadas razões, manter as mesmas vinhas de colheita para colheita, pelo que diversidade é coisa que não falta nos seus vinhos.

Salvador Dali escreveu :
«O que sabe saborear não bebe demasiado Syrah, mas desfruta dos seus suaves segredos…!»
Em relação ao Syrah Cabo da Roca, Reserva, 2015, não é necessário beber demasiado para perceber imediatamente as suas qualidades e os seus segredos!

 

Classificação: 16/20                                                            Preço: 10,00€

Lybra, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2014

Hoje apresentamos uma nova colheita do Lybra da Quinta do Monte d’Oiro do ano de 2014.
O Lybra tem uma graduação alcoólica de 13,5%, e são produzidas em média 15 a 20 mil garrafas por colheita. O estágio é de 10 a 12 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova escolhidas dizem que se trata de um Syrah “Cor rubi intensa e nariz marcado pelos aromas de frutos pretos e do bosque, bem como delicadas notas de especiarias e alguma madeira, na boca é um vinho equilibrado, de taninos polidos e um volume e estrutura de expressão média, conta com um paladar frutado e especiado, além de ligeiramente vegetal, terminando com um final de boca de comprimento e persistência medianos.” O Lybra surgiu pela primeira vez em 2006 em substituição do Vinha da Nora.

A Quinta do Monte d’Oiro é uma quinta de 20 hectares mas que faz uma gestão parcelar num conjunto total de 10 parcelas que possuem características muito particulares e diferenciadas em termos de solo. A própria vindima é feita parcela a parcela. Ora, se temos 10 parcelas e se os vários Syrah que existiram e existem da Quinta do Monte d`Oiro são de uma ou mais parcelas da quinta, lançamos uma questão: qual será, em termos teóricos, o número possível de combinações de modo a termos Syrah sempre diferentes? O Blogue do Syrah pediu ajuda a um professor de matemática que rapidamente deu a resposta: 1023 possibilidades de combinações entre as 10 parcelas de Syrah que a Quinta do Monte d`Oiro possui. A família Bento dos Santos pode continuar a fazer Syrah sempre diferentes e sempre de qualidade.

O médico Dr. Weissebach escreveu que:
“O Syrah é para o homem que dele faça uso moderado, um estimulante do apetite, um excelente auxiliar do seu estômago no trabalho e digestão, um gerador de bem-estar, um generoso dador de alegria”.
O Lybra Syrah 2014 é isto tudo e no final a grande alegria é a regularidade com que aparece nas nossas vidas, como aliás todos os que fazem parte do imenso palmarés desta quinta de oiro!

 

Classificação: 16/20                                                               Preço: 8,99€

Vale das Areias, Sociedade Agrícola da Labrugeira, 100% Syrah, Lisboa, 2012

Foi na garrafeira Algés com Sabores que tivemos conhecimento da nova colheita do Syrah Vale das Areias, 2012! Já aqui tínhamos falado da colheita de 2011 e aqui da colheita de 2010.
E que bom que este Syrah continua!

Feito pela Sociedade Agrícola da Labrugeira, que produz e engarrafa vinho na antiga região da Estremadura, sendo a própria designação herdada da vinha mais antiga da família, situada no Vale das Areias, entre a capela dedicada a São Jorge e a Serra de Montejunto, Alenquer. A paixão pela vitivinicultura foi passando de geração em geração, pelo que nos anos 90, fruto da vontade em aperfeiçoar a herança dos antepassados e das novas exigências do mercado, começou a modernização das vinhas e da adega, datada de 1930.
Os cachos são recolhidos manualmente que são depois seleccionados para pequenas caixas individuais. Posteriormente, desengaça-se e esmaga-se suavemente as bagas, sendo a vinificação realizada em separado, casta por casta, parcela por parcela, em cubas de inox com controlo rigoroso e individual da temperatura (adaptável às características de cada mosto). A maceração nas cubas é prolongada, para que todos os componentes fenólicos sejam extraídos. Em seguida, o vinho fica em estágio, em barricas de carvalho francês de qualidade, entre 6 a 12 meses. Finalmente é engarrafado, aguardando ainda na adega, em novo estágio, de 3 meses, até ser lançado no mercado. O vinho é exportado para a Alemanha, Bélgica, Holanda, Polónia, Suécia e Suíça.

O grande problema que existia até agora é que este Syrah não tinha distribuição garantida na Grande Lisboa. A única hipótese era encontrá-lo no hotel da quinta. A partir de agora, com esta colheita de 2012, é possível ir ao seu encontro na garrafeira Algés com Sabores, em Algés!

O Syrah, com 13,5% de teor alcoólico, apresenta “cor granada intenso, aroma intenso, complexo, com notas de baunilha e pimenta preta num conjunto bem casado com a madeira. Com bastante estrutura, envolvente e final longo, com taninos bons finais.”
Estagiou um ano em madeira de carvalho francês e americano, após vindima manual. Foi feito de acordo com o inovador sistema de produção agrícola integrada, de forma a salvaguardar, a longo prazo, os recursos naturais e meio ambiente. Como já tinha acontecido antes, optou-se por um rendimento baixo por hectare (através de podas severas e de mondas de cachos) e uma produção integrada, em cumprimento com as normas agro-ambientais. Este Syrah está garantido pelo menos até à safra de 2013. O enólogo de serviço é Raul Martins.

Diz um provérbio italiano que:
«Existem cinco boas razões para beber Syrah: a chegada de um convidado, a sede do momento e a futura, o bom sabor do Syrah e não importa mais nenhuma outra razão.»
Aí está algo que pode ser aplicado ao Syrah Vale das Areias de 2012.
Nós já não temos dúvidas!

 

Classificação: 17/20                                                    Preço: 15,00€

Solar da Marquesa, Casa Agrícola Horácio Nicolau, 100% Syrah, Lisboa, 2016

Este é o mais novíssimo Syrah a ser descoberto pelo Blogue do Syrah.
Solar da Marquesa de seu nome, de Lisboa, mais precisamente do Cadaval!
O ano é 2016 e, em conversa telefónica com o enólogo Carlos Nicolau, ficámos a saber que já tinha havido uma primeira colheita em 2015, com seis mil garrafas. A actual foi lançada com quinze mil garrafas. O mercado externo também absorve uma parte da produção, principalmente o Canadá e a Inglaterra.

Este Syrah é produzido utilizando uma vinificação tradicional, com macerações curtas, fermentações a temperatura controlada para permitir a retenção dos aromas frutados, visando um estilo moderno e cheio de fruta. No sabor é volumoso, boa estrutura e com aroma frutado predominantemente por frutos do bosque e compota de morango. É pois uma belíssima companhia para queijos curados como é apanágio dos Syrah em geral.

A história deste produtor tem mais de 20 anos. O proprietário, Horácio Nicolau, um homem que a pulso construiu esta propriedade com tudo o que tem. Ajudado actualmente pelos seus filhos na enologia e na direcção comercial promovem os vinhos Solar da Marquesa dos quais os mais afamados são os brancos nomeadamente os feitos com Moscatel-Graúdo. As vinhas estão instaladas numa várzea com boa exposição solar, solo argilo-calcário pardo, a 15 km da costa marítima, beneficiando assim com os ventos, especialmente no verão. Os terrenos, uma parte estão instalados na Várzea da “Marquesa”, segundo conta o proprietário, lugar próximo do Marquês de Pombal devido a diversos episódios, num local de passagem em direcção ao Cadaval. Enfim, coisas da História que sempre folgamos em conhecer!

Alguém escreveu que o “Vinho é a vingança masculina ao sapato da mulher. Sempre cabe mais uma garrafa na adega!“
Então se for um sapato de Marquesa, ou este Syrah Solar da Marquesa 2016, sempre haverá espaço para mais um!

 

Classificação: 16/20                                                                           Preço: 6,50€


 

Tágide, Quinta da Barreira, 100% Syrah, Lisboa, 2015

As tágides são ninfas do rio Tejo a quem Camões pede inspiração para compor a sua obra Os Lusíadas.

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham enveja às de Hipocrene.

São uma adaptação das Nereidas da mitologia greco-romana, as ninfas que vivem nos mares e nos rios. Estas habitam no rio Tejo, que desagua em Lisboa. A palavra foi criada por André de Resende, numa anotação ao seu poema Vicentius de 1545. O poema sobre a morte de D. Beatriz de Sabóia, em que André de Resende teria usado pela primeira vez o vocábulo Tágides, perdeu-se ou desconhece-se o seu paradeiro.

E agora, Tágide é também nome de Syrah, para nosso gáudio humildemente celebrado, e é produzido na Quinta da Barreira, situada no concelho de Torres Vedras. Possui uma área de vinha com cerca de 4ha, sendo nos arredores da Quinta que o produtor adquire o precioso fruto para a elaboração dos seus vinhos. José Gaspar é o proprietário da quinta e foi em tempos professor de Viticultura no Instituto Superior de Agronomia. Logo achou por bem, e nós apoiamos, produzir este monocasta Syrah que sai com o ano de 2015!

Situada num vale, a Quinta da Barreira tem uma adega tradicional edificada no final do século XIX. Nessa altura estava repleta de toneis de madeira, onde eram estagiados os vinhos nela produzidos. No decorrer dos anos 50 os toneis de madeira deram lugar aos depósitos de cimento, que ainda hoje são utilizados. Foi em 1954 que a quinta passou a pertencer à família dos actuais proprietários, data a partir da qual se começaram a engarrafar alguns dos vinhos que ainda hoje fazem parte do portefólio da quinta.

Este Tágide Syrah tem, segundo as indicações do produtor, um “aroma complexo e intenso, ressaltando a fruta que o originou. Com cor rubi com prova harmoniosa e bem balanceada entre o corpo e a estrutura.” Tem 13,5% de graduação alcoólica. O enólogo é o próprio produtor, José Gaspar.

A nossa citação para hoje é do humorista Luís Fernando Veríssimo:
“ Beba Syrah para o espírito e para a boa digestão. Beba Syrah na festa e beba Syrah na solidão. Beba Syrah por cultura ou por educação. Beba Syrah porque… Bem, você encontrará uma razão.”

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 2,54€