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Que bem que o nosso Syrah se dá por aqui…

Monte do Roseiral, Reserva, 100% Syrah, Lisboa, 2015

Estamos perante a segunda colheita deste Syrah de Lisboa, Monte do Roseiral de seu nome, reserva de 2015 e, como nós preferimos, a 100% da nossa casta de eleição.
Estamos em Bucelas, região vitivinícola bem mais conhecida por outro tipo de vinhos. Mas a estrela aqui e agora é este Syrah, cuja primeira colheita foi do ano de 2012 como demos conta aqui. O processo deu-se a partir da fermentação em cubas de inox com temperatura controlada a 28ºC e breve estágio em madeira. O enólogo foi Carlos Canário.

As notas de prova deste Syrah apontam “uma cor granada concentrada com um aroma intenso a cereja e especiarias com os taninos bem integrados. O paladar mostra um corpo cheio, aveludado com final longo e persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 14%. Em termos de conservação as garrafas devem estar deitadas em local arejado e escuro, entre 12 e 13ºC e 60% de humidade relativa. O consumo pode ser imediato ou nos próximos oito anos. Diz-nos o produtor que este Syrah deve ser servido a uma temperatura de 15ºC, e é ideal com pratos de carne vermelha, caça, assados no forno, queijos fortes e Foie gras.

As informações que conseguimos reunir são escassas mas dizem-nos que este Reserva só será produzido apenas nos melhores anos, a partir de uvas da casta seleccionadas, de vinhas plantadas em encostas suaves e soalheiras, em solo argilo-calcário e beneficiando da influência atlântica. Com surge de um curto estágio em madeira, é um vinho de charme bastante equilibrado. E a propósito da módica informação disponível nos canais habituais sobre esta herdade e respectiva produção, já referimos, lembramo-nos daquele escritor que dizia “Os homens são como o vinho: todos começam como uvas. Cabe às mulheres amassá-los, pisá-los e repisá-los e deixar que descansem até que amadureçam. As mulheres também são como o vinho: com o passar dos anos umas refinam o sabor, outras azedam. As que azedam é por falta de boa rolha.”
Bebamos pois este nosso Syrah do Monte do Roseiral, que certamente muito esclarecimento haveremos de encontrar por entre os seus eflúvios subtis!

 

Classificação: 15/20                                                                Preço: 7,50€

Quinta das Hortênsias, 100% Syrah, Lisboa, 2009

Há dois anos e meio apresentámos este Syrah de Lisboa.
Quinta das Hortênsias de seu nome.
E qual o porquê desta revisitação? Porque está bem melhor do que em Março de 2015 quando falamos dele pela primeira vez!

A Quinta das Hortênsias é uma quinta situada em Castanheira do Ribatejo, no Concelho de Vila Franca de Xira. Tem como um dos seus objectos mais importantes o ramo vitivinícola. É uma zona onde foram encontrados os mais remotos vestígios do cultivo da vinha na Península Ibérica, cerca do século III depois de Cristo. Com cerca de 70 hectares, dedicou-se no início da sua actividade, principalmente, à produção de uva de mesa. Contudo, há mais de 9 anos que fez a reconversão e reestruturação das suas vinhas para produção de uva para vinhos de alta qualidade. A exploração vitivinícola comporta actualmente cerca de 45 hectares de vinhas, situadas em encostas soalheiras acima dos 200 metros de altitude, que separam a bacia do Tejo das colinas da região de Lisboa. Como é uma zona de transição os solos são especialmente heterogéneos, apresentando composições que variam entre as areias e os solos argilosos.

Falamos em 2014 com o seu proprietário e produtor, Rogério Simões, e ficamos a conhecer as duas colheitas deste Syrah, a de 2008 e a de 2009 ambas esgotadas. As castas da Quinta das Hortências são tintas a Touriga Nacional, Aragonês, Touriga Franca, Tinta Barroca, Castelão, Alicante Bouschet, Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Caladoc. Nas castas brancas existe o Verdelho, Arinto e Alvarinho. A Quinta das Hortências exporta os seus vinhos para a Alemanha, Reino Unido e Suíça.

É um Syrah que se distingue sensorialmente, sendo encorpado e redondo, com taninos presentes, final de boca prolongado e agradável. Boa concentração aromática em que sobressai os aromas da fruta vermelha madura, especiarias e algumas notas minerais. As notas de prova do Syrah da Quinta das Hortências dizem-nos ainda que “os frutos vermelhos silvestres estão presentes no aroma, assim como notas gulosas de cacau. Continua frutado no paladar, apresenta boa firmeza, é muito agradável, volumoso e envolvente. Muito consistente, termina com agradável e razoável persistência”.
Está melhor hoje do que em 2015!

 

Classificação: 17/20                                        Preço: 6,50€

Confraria, Adega Cooperativa do Cadaval, 100% Syrah, Lisboa, 2015

O Syrah Confraria da Adega Cooperativa do Cadaval do ano de 2015 é claramente superior ao seu irmão do ano de 2012, aqui apresentado. Foram feitas cinquenta mil garrafas, algo pouco usual tratando-se de um monocasta. Tem graduação alcoólica de 13,5%, e as notas de prova dizem que possui aromas “onde sobressaem as nuances de frutos vermelhos maduros e a madeira onde envelheceu. Na prova é intenso mas suave, permanecendo de forma alongada na boca.” É um Syrah que se bebe sem grande pretensiosismo, e o preço é muito interessante. Mas não podemos esperar mais do que isso. Não impressiona mesmo. Produzido pela Adega Cooperativa do Cadaval, que fica na região vitivinícola de Lisboa. Ora as adegas cooperativas da região de Lisboa não sabem fazer Syrah de qualidade, é a conclusão que tiramos até agora. Este é mais um a juntar à lista!

A Adega Cooperativa do Cadaval, existente desde 1969, dedica-se à recepção e transformação por vinificação de uvas dos seus associados, criadas nos vinhedos que cobrem as encostas soalheiras da Serra do Montejunto e que, em declive suave, se estendem pelo vale. Comercializa vinhos por grosso e embalado. As marcas já implantadas no mercado são: os regionais AGUIEIRA e CONFRARIA, e os vinhos correntes com a marca DACEPA.

Situada na costa Atlântica de Portugal, e inserida na Região Vitivinícola de Lisboa, esta Adega é uma cooperativa de produtores com 40 anos de história na produção de vinhos. Os associados da Adega no activo ultrapassam o meio milhar e distribuem-se por uma área de influência que vai desde zonas mais próximas do Litoral até às encostas da Serra do Montejunto. O terroir da região e a sua componente Atlântica, aliados aos conceitos aplicados na criação de vinhos, proporcionam condições de excelência para a produção de espumantes e vinhos brancos de qualidade, frescos, intensos e aromáticos.
Saliente-se a natural aptidão da região para a produção de vinhos de teor alcoólico moderado “Vinho Branco Leve” e “Vinho Rosé Leve”, num bom estilo internacional e adequados à actual procura dos mercados, mas de qualidade duvidosa, dizemos nós…
A sua produção é portanto maioritariamente dedicada aos vinhos brancos, numa percentagem de 65%, tendo a produção de tintos, devido à reestruturação da vinha, vindo a aumentar percentualmente para um valor de 27%. Os vinhos rosados, também em crescimento, ainda não ultrapassam os 8%.

A Adega Cooperativa do Cadaval, tem vindo a desenvolver progressivamente a sua implantação no mercado nacional, onde abastece algumas das principais cadeias de supermercados. Os mercados externos são o seu grande objectivo actual, razão pela qual se encontra neste momento a reformular a sua gama de produtos, com a introdução de novas marcas, imagens de rótulos e caixas.

Um ditado popular diz que “O Syrah alegra o coração do homem.” Este Syrah da Adega Cooperativa do Cadaval alegrará q.b. o coração do enófilo!

 

Classificação: 15/20                                                  Preço: 3,80€

S. Sebastião,Quinta de S. Sebastião, 100% Syrah, Lisboa, 2015

A Quinta de S. Sebastião já merecia um Syrah!
Esta primeira colheita do ano de 2015, e apesar da produção relativamente pequena, é de grande qualidade!
As notas de prova dizem-nos que se trata de um “vinho de cor granada escura e nariz com notas de pimenta e groselha preta. Na boca é fresco e estruturado.” A graduação alcoólica é de 14,5%. O enólogo de serviço é Filipe Sevinate Pinto.

O projecto Quinta de S. Sebastião nasce da vontade do seu proprietário, António Parente, em colocar no mapa a região de Arruda dos Vinhos, unindo os seus produtores num projecto único, sob a marca Quinta de S. Sebastião. Esta é uma região que sofria de um fraco reconhecimento dos vinhos ali produzidos. Pretendeu-se com este desafio juntar vinhos e produtores, num projecto estruturante para a região, combatendo esta percepção pela produção de vinhos com qualidade inquestionável, partindo para a conquista de um mercado altamente competitivo em marcas e propostas de valor. O objectivo último é fazer renascer a região da Arruda dos Vinhos!

Diz-se que por debaixo de cada quinta na Arruda dos Vinhos há uma Villa romana. São muitos os testemunhos da presença dos romanos nestas paragens, reflexo da sua paixão pelo néctar dos deuses, não só pela fertilidade que estes terrenos demonstravam, mas também pela sua localização geográfica, que faziam destas terras um dos percursos mais importantes das rotas dos vinhos. Julga-se que para além da abundância nestas paisagens de uma planta, a “arruda” a que eram atribuídas qualidades terapêuticas e até estimulantes, o nome Arruda surge essencialmente das palavra Rota, como sugerem também as palavras Road, Route e do Latim rotare, “rodar”, de rota. Mais tarde, devido à qualidade e fama das vinhas da região, a Vila de Arruda começou chamar-se “dos Vinhos”.

Na Arruda dos Vinhos a riqueza histórica, cultural e gastronómica, sempre bem acompanhada, apaixona qualquer um, mas são as suas paisagens que revelam os segredos naturais desta terra. O verde estende-se em pomares, searas e vinhedos, revelando aqui e ali a brancura dos casais e das mansões das quintas.
Os Vales de diferentes exposições solares e distintos declives de terras férteis, a influência do ar marítimo apaziguado pelas montanhas e a presença de cursos de água, criam um micro-clima equilibrado, perfeito para a produção do que de melhor se faz em Portugal. Formados por calcários, margas, argolas e arenitos, os solos podem considerar-se produtivos, em quase toda a área do conselho Arruda dos Vinhos. A conjugação dos factores climáticos amenos, dos declives soalheiros, da localização geográfica, da proximidade do mar, da protecção da montanha, e claro das pessoas que todos os dias vivem e cuidam das terras e vinhas da Quinta de S. Sebastião, dão corpo ao renascer de vinhos com uma frescura característica e uma identidade muito própria.

O compositor Johan Strauss dizia:
“Uma valsa e um Syrah, sempre pedem bis.”
A primeira garrafa de S. Sebastião já se foi… venha a segunda!

 

Classificação: 17/20                                                      Preço: 6,95€

Lybra Rosé, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2016

Há quem goste de um Rosé mesmo que estejamos no Inverno. Gostos não se discutem! Seguindo por este caminho, nós temos a melhor solução!
Para quem gosta de um Rosé fresco, e ao mesmo tempo aprecia Syrah, qual a melhor opção? Segundo o Blogue do Syrah não há muito por onde escolher e a nossa escolha pende para o lado do Lybra Rosé, da Quinta do Monte d’Oiro, feito exclusivamente de Syrah, cuja colheita, de 2016, está aí no mercado para nos saciar e encantar com aquela cor de vinho suave. As notas de prova dizem o seguinte: ”Bonita cor levemente rosada, com aroma discreto mas bem afinado, lembrando frutos do bosque. Mais expressivo de boca, cheio, seco, com muito boa acidez e frescura, leve tanino, perfeito para a mesa.” Este Lybra tão especial nasceu de uma parcela especifica, tratada e conduzida para o produzir em forma de Rosé, através de vindima manual e escolha cuidadosa, seguida de esmagamento com prensagem directa. Tem 12% de graduação alcoólica.

Interessa perceber primeiro, embora de forma breve, como se obtém um Rosé. Inicialmente o processo é igual ao Tinto, desengaçar e esmagar, embora venha um choque térmico a temperatura mais reduzida, facilitando o processo de clarificação, havendo sempre o cuidado de que a pressão utilizada não conduza à extracção de demasiada cor das películas. Em seguida interessa clarificar o mosto, removendo a maior parte dos sólidos em suspensão, sendo a técnica mais utilizada a decantação estática a baixa temperatura durante um a dois dias. A fermentação é por fim um compromisso entre escolher temperaturas mais baixas, havendo lugar a maior frescura no produto final, ou mais altas, perdendo-se os aromas frutados.

O tratamento da vinha, neste Monte D’Oiro, é feito sempre sem recorrer a químicos, optando pela qualidade em vez de quantidade. As podas são severas, no tempo devido, e as mondas igualmente significativas, dando lugar a rendimentos baixos por hectare.
O preço é ainda mais apelativo do que noutros anos, em vários lugares de venda por nós visitados.

Como dizia Victor Hugo, pai dos miseráveis:
“Deus criou a água, mas o homem fez o Syrah!”
E isso inclui o Rosé, acrescentamos nós.
Força!

 

Classificação: 18/20                                                           Preço: 7,90€

ACL, Adega Cooperativa da Labrugeira CRL, 100% Syrah, Lisboa, 2012

Esta é a segunda colheita deste Syrah da Adega Cooperativa da Labrugeira, do ano de 2012.
A anterior colheita do ano de 2009 tinha sido aqui apresentada.
Comparativamente, esta colheita é superior à anterior.
E ainda bem!

Sobre este Syrah citamos as seguintes notas de prova: “Vinho tinto cor granada escura. Possui um aroma varietal muito intenso, macio, com um sabor ligeiro a baunilha. O vinho tem um longo final a frutos silvestres.” As uvas provenientes das encostas calcárias da Serra de Montejunto, são vinificadas no processo clássico com curtimenta. A fermentação alcoólica decorre em cubas de inox, com remontagem automática, com controlo de temperatura entre os 26º C e os 28ºC e são usadas leveduras seleccionadas. Após a fermentação malolática, decorre estágio em madeira. Depois de engarrafado tem um período de estágio de cerca de 3 meses. O enólogo responsável é Vasco Miguel e o enólogo residente Nuno Pimentel.

A Adega Cooperativa da Labrugeira, situada no concelho de Alenquer, é actualmente a única adega cooperativa deste Concelho, representando assim todos os viticultores cooperantes desta área, congregando desde 1973 as produções de mais de 400 sócios-cooperantes, produtores da zona norte do concelho. Com uma forte tradição na produção de vinhos de qualidade, a adega tem vindo a melhorar gradualmente as suas estruturas, sendo neste momento uma das adegas com melhor resposta às exigências enológicas. Em 2010 e 2011 as exportações estão próximas de 50% no total de facturação, salientando-se como relevantes neste contexto, os mercados emergentes da China, Rússia e Brasil e os mercados tradicionais como os EUA, Angola, Alemanha, França, Dinamarca e Suécia.
Trata-se de uma região com forte tradição na produção vitivinícola e boas características de solo e de clima para a produção de vinhos de qualidade. A Adega tem vindo, desde 1992, a melhorar as suas estruturas de produção nomeadamente na vertente da qualidade e infraestruturas, dando resposta às actuais exigências enológicas e dos mercados consumidores. A sua produção média anual de mais de 4 milhões de litros permite-lhe engarrafamentos de escala, com bons binómios preço-qualidade, e tem vindo a alargar a sua oferta, que se estende actualmente a diversos vinhos certificados “DOC Alenquer” e “Regional Lisboa”, tendo como objectivo oferecer ao consumidor o que de melhor se produz na região de Alenquer e levando esses néctares aos quatro cantos do Mundo.

Dizia Shakespeare, o William, que “O bom Syrah é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria.”
Este Syrah da Adega Cooperativa da Labrugeira pode muito bem ser este camarada de confiança… e bondoso!

 

Classificação: 16/20                                                        Preço: 4,60€