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Que bem que o nosso Syrah se dá por aqui…

Tágide, Quinta da Barreira, 100% Syrah, Lisboa, 2015

As tágides são ninfas do rio Tejo a quem Camões pede inspiração para compor a sua obra Os Lusíadas.

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham enveja às de Hipocrene.

São uma adaptação das Nereidas da mitologia greco-romana, as ninfas que vivem nos mares e nos rios. Estas habitam no rio Tejo, que desagua em Lisboa. A palavra foi criada por André de Resende, numa anotação ao seu poema Vicentius de 1545. O poema sobre a morte de D. Beatriz de Sabóia, em que André de Resende teria usado pela primeira vez o vocábulo Tágides, perdeu-se ou desconhece-se o seu paradeiro.

E agora, Tágide é também nome de Syrah, para nosso gáudio humildemente celebrado, e é produzido na Quinta da Barreira, situada no concelho de Torres Vedras. Possui uma área de vinha com cerca de 4ha, sendo nos arredores da Quinta que o produtor adquire o precioso fruto para a elaboração dos seus vinhos. José Gaspar é o proprietário da quinta e foi em tempos professor de Viticultura no Instituto Superior de Agronomia. Logo achou por bem, e nós apoiamos, produzir este monocasta Syrah que sai com o ano de 2015!

Situada num vale, a Quinta da Barreira tem uma adega tradicional edificada no final do século XIX. Nessa altura estava repleta de toneis de madeira, onde eram estagiados os vinhos nela produzidos. No decorrer dos anos 50 os toneis de madeira deram lugar aos depósitos de cimento, que ainda hoje são utilizados. Foi em 1954 que a quinta passou a pertencer à família dos actuais proprietários, data a partir da qual se começaram a engarrafar alguns dos vinhos que ainda hoje fazem parte do portefólio da quinta.

Este Tágide Syrah tem, segundo as indicações do produtor, um “aroma complexo e intenso, ressaltando a fruta que o originou. Com cor rubi com prova harmoniosa e bem balanceada entre o corpo e a estrutura.” Tem 13,5% de graduação alcoólica. O enólogo é o próprio produtor, José Gaspar.

A nossa citação para hoje é do humorista Luís Fernando Veríssimo:
“ Beba Syrah para o espírito e para a boa digestão. Beba Syrah na festa e beba Syrah na solidão. Beba Syrah por cultura ou por educação. Beba Syrah porque… Bem, você encontrará uma razão.”

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 2,54€


 

Vale Zias, Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda, 100% Syrah, Lisboa, 2013

Mais uma vez estamos a falar de um Syrah que já nos convenceu definitivamente, sendo uma garantia de qualidade versus preço!
Uma nova colheita, agora a de 2013. É um Syrah cujo preço está claramente abaixo dos 5 euros, e em essência acima da média em termos de apreciação. Reparem nas notas de prova: “cor rubi violácea, aromas com boa definição onde predominam frutos vermelhos e bagas, assim como aroma a frutos maduros e de grande estrutura, boca elegante de taninos redondos e maduros, final harmonioso e de boa persistência”. Convencidos?
A vinificação é feita à boa maneira dos antigos. As uvas são fermentadas em lagar de forma tradicional.

A empresa Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda foi fundada em 2005, no entanto as suas origens têm por base um cariz familiar, que já desenvolve a sua actividade agrícola na região vinícola de Lisboa há várias décadas, tendo procedido ao primeiro enchimento de vinho nos anos 30. E tem como principais actividades a produção e comércio de vinho engarrafado, produção de pêra rocha e consultoria técnica em Enologia.

Este é um Syrah que se pode guardar uma mão cheia de anos sem problemas e com a garantia de uma constante evolução positiva. Este é um Syrah capaz de aguentar e melhorar com o tempo!

O psiquiatra Armindo Saturnino dizia que:
“Economicamente, o álcool não compensa!”
Lá terá a sua razão para tal afirmar. Mas nós dizemos que uma taça de Syrah a cada refeição faz bem à saúde física e mental e sabemos por experiência que é verdade.
Um desses Syrah pode muito bem ser Vale Zias Syrah!

 

Classificação: 16/20                                              Preço: 4,99€


 

Vale Zias, Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda, 100% Syrah, Lisboa, 2011

Quando há dois anos apresentámos este Syrah de Lisboa dissemos:
”guardem este Syrah durante uns anos, apostamos, para já, em 4 anos, e depois vejam a evolução! Este é um Syrah capaz de aguentar e melhorar com o tempo. Até apostamos, se for caso disso!”
Não passaram quatro anos, mas só com dois anos dá para perceber que ganhámos a aposta.
Está significativamente melhor!
Pensámos que estaria esgotado. Basicamente está! Mas conseguimos encontrar ainda algumas garrafas numa grande superfície e daí voltarmos a falar dele dois anos volvidos.

A relação qualidade/preço continua muito boa! Este Syrah encontra-se abaixo dos cinco euros e, em essência, acima da média em termos de apreciação. Reparem nas notas de prova: “cor rubi violácea, aromas com boa definição onde predominam frutos vermelhos e bagas, assim como aroma a frutos maduros e de grande estrutura, boca elegante de taninos redondos e maduros, final harmonioso e de boa persistência”. Ficou alguma coisa por esclarecer?

A empresa Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda, foi fundada em 2005, no entanto as suas origens têm por base um cariz familiar, que já desenvolve a sua actividade agrícola na região vinícola de Lisboa há várias décadas, tendo procedido ao primeiro enchimento de vinho nos anos 30. E tem como principais actividades a produção e comércio de vinho engarrafado, produção de pêra rocha e consultoria técnica em Enologia. A vinificação é feita à boa maneira dos antigos. As uvas são fermentadas em lagar de forma tradicional.

O escritor Juan Sorapán de Rieros disse:
“Syrah é uma das coisas mais antigas que se conhecem, desde o dilúvio universal até ao nosso tempo.”
O Syrah Vale Zias não existe há tanto tempo mas continua a evoluir muito bem!

 

Classificação: 17/20                                              Preço: 4,99€


 

Checkmate, Sociedade Agrícola Quinta do Garrido, 95% Syrah, Lisboa, 2015

Apresentamos hoje um absolutamente novo Syrah. Trata-se do Syrah português  número 166 na nossa lista!
É de Lisboa, mais precisamente de Alenquer, chama-se Checkmate, é de 2015, e tem uma particularidade única, ou seja, é por lei um monocasta, por ter 95% de Syrah… mas os outros 5% permanecem anónimos!

O blogue do Syrah bem tentou saber da casta misteriosa em causa, mas sem sucesso!
Apesar de tudo foi possível saber o seguinte: os 5% de casta incógnita que compõem este Syrah não são de uma casta branca (como por exemplo o viognier) mas sim de uma casta tinta. Não é uma casta estrangeira mas foi confirmado que é uma casta autóctone. Não é tinta barroca, como acontece com o Húmus, Syrah também de Lisboa. Não é Touriga Franca ou, se prefirirem dizer, como o Domingos Soares Franco, Touriga Francesa, como o Syrah da sua colecção privada já esgotado. Isto significa que o Checkmate é o primeiro Syrah português com uma composição diferente porque original! Quando o beberem podem tentar perceber que se esconde no meio dos 95% de syrah, aqueles 5% desconhecidos. Nós aqui, no Blogue do Syrah apostamos em Touriga Nacional! E vós, leitores? O que têm a dizer sobre esta questão?

O enólogo que gere actualmente os destinos da Sociedade Agrícola Quinta do Garrido, Francisco Macieira, caracteriza o seu néctar da seguinte maneira: “…apresenta aromas a fruta negra e uma extrema suavidade influenciada pelo estágio em barrica.” A graduação alcoólica é de 14%. Não se sabe se esta colheita de Syrah Checkmate veio para ficar! Tudo depende do comportamento da casta em anos posteriores. Há desde já um aspecto que agrada ao Blogue do Syrah: o nome! É forte, tem impacto e é original! O rótulo da garrafa avisa: “Checkmate é a posição do jogo em que um dos Reis está ameaçado e não consegue sobreviver a essa ameaça. Também na vida real…”

No que diz respeito à Sociedade Agrícola Quinta do Garrido, são 40 hectares de vinhas dispostas por 4 propriedades. Três estão no Concelho de Alenquer entre solos arenosos, calcários, especialmente argilo-calcários litóicos e margas, resultando numa grande diversidade de castas plantadas, exposições solares diferentes em vertentes viradas em todas as direções, em planície, como nas Quintas da Gaia e Sansuzi, que foram visitadas. Uma está no único solo basáltico, no concelho do Sobral de Monte Agraço, com vinhas assentes na encosta de um vulcão extinto há milhões de anos. Tudo aqui é labor, onde se tenta que a intervenção química seja a mínima possível.

Numa pequena nota histórica podemos dizer que a Quinta do Garrido já existia em 1873, data em que era o seu proprietário António Ferreira Leal. A produção de vinhos remontará à data da sua fundação. No entanto, a propriedade dedicava-se principalmente à produção de uvas de mesa e de frutas. A quinta ficou na posse de Francisco Caetano da Rocha Macieira e da sua mulher, Maria Adelaide Gomes da Rocha Macieira após Mário da Costa Arrenegado, pai da atual proprietária a ter cedido. A família Macieira começou desde logo a reestruturar a propriedade com novas plantações e com a modernização da adega já existente. Após o falecimento de Mário da Costa Arrenegado, Maria Adelaide Macieira herda mais duas Quintas no concelho de Alenquer – a Quinta da Gaia e a Quinta de Sans-Souci. A Quinta da Gaia já existia em 1303, quando D. Dinis deu licença a Domingos de Gaia para fazer uma Azenha na Ribeira de Alenquer, embora actualmente não existem vestígios dessa azenha. A Quinta de Sans-Souci é um nome composto por duas palavras de origem francesa e tem como significado “livre de cuidado”. A Quinta foi fundada pela década de 1830 e mais tarde adquirida por Bento Pereira do Carmo para sua residência.
As três Quintas, juntamente com mais algumas parcelas em Alenquer e uma no Sobral de Monte Agraço, originaram a Sociedade Agrícola Quinta do Garrido, em Abril de 2003.
Francisco Caetano Rocha Macieira é natural de Sobral de Monte Agraço e todos na família estiveram relacionados com a agricultura. O atual proprietário acabou por gerir as Quintas com o seu sogro, Mário Arrenegado. Maria Adelaide Macieira, nascida em Santana da Carnota, está igualmente desde cedo inserida no meio agrícola.

O filho único do casal, também de seu nome Francisco Macieira, seguiu o caminho vitivinícola da família. Licenciou-se em engenharia agronómica e mais tarde realizou um mestrado em enologia. Começou a trabalhar em enologia em Portugal e mais tarde na Austrália, acabou por voltar em 2013 para gerir em conjunto com a família a SA Quinta do Garrido.

No que respeita aos vinhos existem actualmente três marcas. O Diário da Quinta, Lisbon’s Mustache e Checkmate. Cada marca com a sua história. O Lisbon’s Mustache o primeiro vinho criado, apresenta uma imagem de um bigode aristocrático, um mustache. A marca teve inspiração na pessoa de António Caetano Macieira, antepassado da família que derivado ao seu carácter empreendedor ajudou a tornar a cidade de Lisboa na referência mundial que é hoje. Como o Lisbon’s Mustache foi o primeiro vinho, o raciocínio foi beber um pouco do espirito empreendedor do António e personifica-lo no vinho.
Após o sucesso desta primeira marca, surge a marca Diário da Quinta. Esta marca surgiu da necessidade da empresa ter um vinho de entrada de gama por forma a que pudesse ser consumido diariamente e sem grande preocupação pelos consumidores dos vinhos da Quinta do Garrido. O mote é mesmo esse, Diário da Quinta (do Garrido) é o vinho da Quinta diariamente à sua mesa.

Checkmate, pretende revelar o terroir de uma forma séria. Trata-se da ultima marca a surgir, o vinho original da marca ainda não está completamente definido, apenas fica a certeza que será mais que um aperfeiçoamento dos restantes. Será a criação de algo novo e exclusivo, apenas encontrado no resultado das nossas uvas. Neste momento a marca Checkmate existe na forma de varietal Syrah e varietal Arinto.

O presidente americano Thomas Jefferson disse:
“Considero a amizade igual a vinho. Bruta no início, mas vai amadurecendo com os anos.”
É o que podíamos dizer deste Checkmate. Com os anos irá amadurecer, não temos dúvidas! Mais um ano no mínimo e o poder deste Syrah aumentará no nariz e na boca!
E nessa altura estaremos cá para o comprovar.
Temos dito!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 5,00€


 

Cepa Pura, Quinta do Montalto, 100% Syrah, Lisboa, 2015

É possível juntar em termos vinícolas o útil, neste caso o saudável, ao agradável,  quando falamos de Syrah, ou seja, ter um Syrah de produção orgânica por um lado e, por outro, do ano de 2015? É, o que acontece felizmente com este Cepa Pura, já por nós apresentado por exemplo aqui, da Quinta do Montalto, Lisboa, e justamente de 2015. Isto marca a diferença porque se apresenta como de qualidade superior!
O que mais se pode querer?

Esta é a terceira colheita do Cepa Pura! A primeira de 2013, a segunda de 2014 e a terceira a presente de 2015. Um aspecto interessante a realçar é que estamos perante três colheitas com graduações alcoólicas bem diferentes, o que não é para espantar em vinhos orgânicos, que são feitos basicamente “com aquilo que a terra dá”! Há anos em que as uvas têm mais açúcar e anos em que as uvas têm menos açúcar…tão simples quanto isto! A colheita de 2013 tinha 14,5% de graduação alcoólica. A segunda de 2014 tinha 12% de graduação alcoólica fazendo deste Syrah, como foi referido na altura, o Syrah português  com menor graduação alcoólica do mercado! A presente colheita em análise de 2015 tem 13,5% de graduação alcoólica.

Este Syrah da Quinta do Montalto foi obtido a partir de uvas seleccionadas, teve um estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano. É um Syrah fresco, de bom aroma, com fruta madura e um perfil arredondado. Apreciámos o bom equilíbrio de boca, com taninos suaves e uma boa vocação gastronómica, certamente adequada em elevado grau para acompanhar um bom repasto de ingredientes igualmente biológicos.

A Quinta do Montalto, pertencente à mesma família há 5 gerações, possui na sua totalidade cerca de 50ha, entre vinhas, olivais, pomares e florestas, formando um magnífico mosaico na paisagem. Inserida na grande região vitivinícola de Lisboa, os cerca de 15,5 ha de vinhas implantadas em encostas de solos argilo-calcários com excelente exposição solar, produzem vinhos com direito à Denominação de Origem Encostas D’Aire.
Localizada no centro do país na região de Ourém, perto de Fátima, e com uma longa tradição vitivinícola, a Quinta do Montalto possui uma grande variedade de castas, sendo a Aragonez e a Fernão Pires as mais representativas das uvas tintas e brancas, respectivamente. Existem também encepamentos de Touriga Nacional, Trincadeira, Baga, Alicante Bouchet, Castelão, Moreto, Cabernet Souvignon, Arinto, Rabo de Ovelha e Olho de Lebre.

Não descurando as preocupações ambientais, todas as culturas na Quinta do Montalto são, desde 1997, conduzidas e tratadas obedecendo às normas de Agricultura Biológica com o controlo da ECOCERT-PORTUGAL, ou seja, não são utilizados adubos químicos, herbicidas, insecticidas, fungicidas e outros produtos químicos de síntese.

A Quinta do Montalto já ultrapassou em várias décadas a idade centenária. Mantendo-se ao longo dos tempos sempre ligada à família Gomes Pereira, as diferentes gerações que a cuidaram souberam, como veremos adiante, marcá-la ao longo do tempo com um cunho próprio, cada uma delas por si só introduzindo benefícios em toda a propriedade que muito contribuíram para a valorizar. Na evolução das três últimas décadas, face a implicações de políticas agrícolas bem como às progressivas carestia e carência do pessoal rural, surgem várias tentativas de rendibilizar estes 50 ha. Se a opção lógica apontava a pecuária, foi esse o sentido enveredado na busca de algum provento.
É precisamente na alvorada do milénio que surge a quarta geração constituída segundo o nome “Herdeiros de Filipe Gomes Pereira”. Englobada também nessa designação desponta já uma quinta linhagem, plenamente vocacionada para novos desafios.

Convertidos à Agricultura Biológica, com investimento em novas castas, apostou-se na quantidade e qualidade do plantio e replantio da vinha. A horticultura dá os primeiros passos na busca da excelência dos produtos. Apesar dos vinhos, já devidamente premiados, serem ao momento uma realidade adquirida, ainda é cedo para futurologias. No entanto a Quinta do Montalto em termos de vinhos está bem encaminhada não podendo continuar a descurar aspectos que parecem ser de somenos importância mas que no conjunto ajudam a fazer a diferença.

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte:
“Syrah faz perdoar a pena de viver.
Bebe syrah! Syrah cor de rubi, syrah cor-de-rosa, syrah cor de sangue!
Bebe syrah!
Tens muitos séculos para dormir.”
O Cepa Pura de 2015 tira as penas de viver e é beber sem parar… cá, na Pérsia, ou onde quer que seja!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 8,50€


 

Reserva, Quinta do Monte d’Oiro, 96% Syrah, 4% Viognier, Lisboa, 2012

É indiscutivelmente um fora de série.
De qualidade, de aromas, de texturas.

O Blogue do Syrah tem uma afeição especial por um conjunto de quintas e herdades.
A Quinta do Monte d’Oiro é uma delas!
É a quinta que nestes últimos 20 anos mais Syrah fez.
E todos de qualidade!
Este especificamente de que vamos agora falar é o que se parece mais com os Syrah franceses do Vale do Rhône.
De Alenquer para o sudeste da França, quase que o podíamos afirmar!

Para a Quinta do Monte d’Oiro este monocasta Reserva 2012 elaborado com as castas Syrah (96%) e Viognier (4%), representa a expressão máxima do terroir da Quinta do Monte d’Oiro e reflecte a sua filosofia de produção. Complexo, concentrado, mas sem perder a harmonia e a elegância. É um vinho de grande consistência colheita após colheita, tendo já conquistado vários prémios dentro e fora de portas.  Tem uma graduação alcoólica de 14%. Estágio de 18 a 22 meses em barricas de carvalho francês, das quais 40% novas. “Estes vinhos reflectem completamente a nossa filosofia de produção. Tentamos sempre que exprimam ao máximo o terroir da Quinta do Monte d’Oiro e penso que atingimos, mais uma vez, esse objectivo”, salienta Francisco Bento dos Santos, director geral da empresa.

Na região vitivinícola de Lisboa, já o dissemos, não há dúvidas de que José Bento dos Santos foi o introdutor do Syrah. Hoje em dia, apesar da sua presença ainda ser fundamental nas decisões mais importantes, é o seu filho Francisco Bento dos Santos que tem a responsabilidade de liderar a equipa que resolve os problemas do dia a dia que a quinta apresenta, estando presente em muitas das feiras em diversos momentos de divulgação dos vinhos da quinta. É ele que actualmente dá a cara pela quinta.
Localizada na região de Lisboa, a Quinta do Monte d’Oiro é uma referência, desde o séc. XVII, na produção de vinhos notáveis. Foi adquirida em 1986 pelo mestre gastronómico José Bento dos Santos, que replantou as melhores parcelas – após vários anos de estudos sobre as condições edafo-climáticas – com as castas que melhor se adaptaram aos seus desígnios de elaborar vinhos de qualidade superior, ao estilo europeu (“Velho Mundo”), que ao mesmo tempo fossem vinhos de requintado sentido gastronómico, com um perfil eminentemente talhado para acompanhar em perfeita harmonia pratos de uma genuína cozinha regional, clássica ou alta cozinha. Após os primeiros anos de consolidação, a Quinta do Monte d’Oiro entrou numa nova fase da sua história a partir da colheita de 2006, lançando para o mercado uma nova imagem e vinhos provenientes de uma conversão para a agricultura biológica sem recurso a herbicidas. O rigor é o lema da Quinta do Monte d’Oiro, desde o trabalho na vinha, passando pelos processos de vinificação e terminando na escolha das barricas de carvalho francês das melhores tanoarias, a cargo da enóloga Graça Gonçalves com o apoio técnico de Grégory Viennois, antigo enólogo-chefe da Casa M. Chapoutier e actualmente à frente da direcção técnica dos vinhos Laroche. Os prémios nacionais e internacionais sucedem-se.

Dos 42 hectares da propriedade, apenas 20 hectares foram replantados com as castas Syrah, Viognier e Petit Verdot, importadas directamente das suas regiões originais em França, e com as castas portuguesas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Arinto. Existe a preocupação de produzir uvas com rendimentos muito baixos, incrementando a qualidade enológica que se pretende dos vinhos. A partir da colheita de 2006 passaram a existir duas famílias de vinhos: os vinhos de “terroir” e os vinhos de “cépage“, com a assinatura José Bento dos Santos.

Assim, para além de ter sido privilegiado o desenvolvimento vegetativo das videiras, o tratamento da vinha é muito exigente e praticam-se rendimentos de produção por hectare muito baixos através de podas severas e mondas de cachos significativas, sempre em modo de produção biológica. A vindima é feita à mão, como testemunhámos na visita que fizemos à quinta, para caixas de 15 kg, por forma às uvas chegarem intactas à adega. A vinificação, que decorre separadamente por casta e por parcela, é extremamente cuidada, com controlo rigoroso e individual da temperatura dos mostos.

Utilizam-se ainda barricas novas e seleccionadas de carvalho francês em estágios prolongados de 12 a 24 meses. Este “savoir faire” garante um resultado que se tem vindo a revelar, ao longo dos anos, superlativo e consistente. De facto, colheita após colheita, os diversos vinhos da Quinta do Monte d’Oiro recebem o apoio unânime da crítica e do público em Portugal e no estrangeiro, estando presentes em importantes mercados internacionais tais como Holanda, França, Suíça, Reino Unido, Finlândia, República Checa, E.U.A., Brasil, Angola e China e nas Cartas de Vinhos de alguns dos mais famosos restaurantes europeus e americanos.

A frase que queremos deixar aqui presente, sem autor declarado, mas carregada de significado é a seguinte: “Wine brings in its essence, what his mentor carries in the soul.” Vamos dizê-lo em português que ainda soa mais verdadeiro! “O Vinho traz na essência, o que o seu mentor carrega na alma.” O Reserva, Quinta do Monte d’Oiro 2012 é isso mesmo: a alma do seu mentor!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 34,00€