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Que bem que o nosso Syrah se dá por aqui…

Vinha da Nora, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2002

Hoje é a altura de apresentar um Syrah que está esgotado há muito mas que tivemos oportunidade de degustar uma garrafa mais ou menos esquecida! É de 2002 da Quinta do Monte d’Oiro, Vinha da Nora de seu nome que foi substituído pelo Lybra cuja última colheita de 2015 demos aqui nota.

A Quinta do Monte d`Oiro produziu o Syrah Vinha da Nora, que é o antepassado do Lybra. A primeira replantação de Syrah na Quinta teve lugar numa parcela com 2,75 hectares de meia encosta virada a sul e de conhecidas potencialidades, denominada “Vinha da Nora”, vinha esta que foi plantada no início de 1992 e, durante 5 anos, tomou-se a decisão de não produzir quaisquer quantidades por forma a favorecer apenas o desenvolvimento vegetativo da planta. Tal prática permitiu um estabelecimento perfeito da vinha e originou uma primeira colheita em 1997. As notas de prova dizem que este Syrah tem “aromas balsâmicos, com notas de fruta madura e em calda mas que não perturbam a grande frescura de conjunto. Cremoso na boca, macio e com um toque mineral. Conjunto focado em especiarias finas, suave e de final longo.” Este Syrah foi descontinuado em 2005 e como já foi dito deu origem ao Lybra que surgiu pela primeira vez em 2006.

Ou seja, o que vemos aqui de uma maneira única e exemplar é uma quinta de 20 hectares mas que faz uma gestão parcelar num conjunto total de 10 parcelas que possuem características muito particulares e diferenciadas em termos de solo. A própria vindima é feita parcela a parcela. Ora, se temos 10 parcelas e se os vários Syrah que existiram e existem da Quinta do Monte d`Oiro são de uma ou mais parcelas da quinta, lançamos uma questão: qual será, em termos teóricos, o número possível de combinações de modo a termos Syrah sempre diferentes? O Blogue do Syrah pediu a ajuda a um colega de matemática que rapidamente deu a resposta: 1023 possibilidades de combinações entre as 10 parcelas de Syrah que a Quinta do Monte d`Oiro possui. A família Bento dos Santos pode continuar a fazer Syrah sempre diferentes e sempre de qualidade.

Francis Bacon filósofo que também escreveu sobre vinho disse:
“A idade é boa em quatro situações; na madeira velha para queimar, nos velhos amigos para confiar, nos velhos autores para ler e no vinho velho para beber!”

 

Classificação: 17/20                                                                Preço: 12,00€

Lybra, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2015

Hoje apresentamos a colheita do Lybra da Quinta do Monte d’Oiro do ano de 2015. E a primeira coisa que queremos marcar é de que se trata do melhor Lybra de sempre! O ano, claro, ajuda e muito! A capacidade de evolução está assim assegurada e neste momento não podemos garantir o que será este Syrah daqui, por exemplo, dois anos! O conselho que damos desde já, que é o que iremos fazer, é guardar umas garrafinhas e ir bebendo ao longo do tempo para ajuizar melhor da evolução deste Syrah de Alenquer!

O Lybra tem uma graduação alcoólica de 13,5%, e são produzidas em média 15 a 20 mil garrafas por colheita. O estágio é de 10 a 12 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova escolhidas dizem que se trata de um Syrah “Cor rubi intensa e nariz marcado pelos aromas de frutos pretos e do bosque, bem como delicadas notas de especiarias e alguma madeira, na boca é um vinho equilibrado, de taninos polidos e um volume e estrutura de expressão média, conta com um paladar frutado e especiado, além de ligeiramente vegetal, terminando com um final de boca de comprimento e persistência medianos.” O Lybra surgiu pela primeira vez em 2006 em substituição do Vinha da Nora.

A Quinta do Monte d’Oiro é uma quinta de 20 hectares mas que faz uma gestão parcelar num conjunto total de 10 parcelas que possuem características muito particulares e diferenciadas em termos de solo. A própria vindima é feita parcela a parcela. Ora, se temos 10 parcelas e se os vários Syrah que existiram e existem da Quinta do Monte d`Oiro são de uma ou mais parcelas da quinta, lançamos uma questão: qual será, em termos teóricos, o número possível de combinações de modo a termos Syrah sempre diferentes? O Blogue do Syrah pediu ajuda a um professor de matemática que rapidamente deu a resposta: 1023 possibilidades de combinações entre as 10 parcelas de Syrah que a Quinta do Monte d`Oiro possui. A família Bento dos Santos pode continuar a fazer Syrah sempre diferentes e sempre de qualidade.

O jornalista português Edgardo Pacheco escreveu:
Não há nada mais chato do que levar um vinho sem história para a casa de um amigo!”
Ora, isso é impossível de acontecer com o Lybra Syrah que pertence a uma quinta de oiro com uma história fantástica de implantação da Syrah em Portugal!

 

Classificação: 17/20                                                                       Preço: 8,99€

Humus, Quinta do Paço, 10% Tinta Barroca, 90% Syrah, Lisboa, 2011

Não é a primeira vez que falamos deste Humus, Herdade do Paço, produtor Rodrigo Filipe. Este é o único Syrah feito com uma percentagem de 10% de Tinta Barroca e 90% de Syrah. Degustamo-lo de novo há pouco tempo e estamos aqui para rever a classificação que demos na altura. Hoje está melhor, mais completo, mais aromático e mais complexo! Vale bem a pena voltar a falar deste Syrah. Foram feitas 2000 garrafas. Metade fica no mercado interno e a outra metade vai para exportação. Este Syrah tem um estágio de 12 meses em barricas de carvalho. O Humus Reserva é um tinto de nome pouco vulgar que exterioriza uma personalidade forte, exposta num estilo francamente original que entrelaça dois mundos que se encontram profundamente divididos entre nariz e boca. O estilo é “discretamente atordoante, entrecruzando um nariz floral e perfumado altamente apelativo, com uma boca muito mais masculina e dura, férrea nos taninos e tensa no final de boca”. Um tinto de qualidade que merece ser conhecido em toda a sua extensão.

A Quinta do Paço é uma propriedade familiar, com um total de vinte hectares, dez dos quais dedicados à vinha. Situada na região demarcada de Óbidos, entre o Oceano Atlântico e a Serra dos Candeeiros, a Quinta do Paço desfruta de condições de solo e clima especiais que dão aos seus vinhos carácter e personalidade.
Trata-se de uma pequena propriedade. Por isso as vinhas não se estendem a perder de vista. São pequenas, delicadas e recebem toda a atenção devida. Cada garrafa resulta do esforço conjunto de pessoas que, de uma forma ou de outra, se encontram ligadas a estas terras. São os laços afectivos e familiares que as unem no desejo de produzir um Syrah cada vez melhor!

Os vinhos da Quinta do Paço são de agricultura biológica. Sem adubos, sem químicos, o que obriga a trabalho redobrado na lide diária, com enormes compensações a todos os níveis. Por isso há a vontade sempre presente de produzir vinhos autênticos, da forma o mais natural possível, respeitando sempre a Natureza e o Meio Ambiente.
A principal preocupação do produtor é a vinha e a qualidade das suas uvas. Para tal escolheram-se as castas que melhor se adaptam às condições de solo e clima, apostando-se em rendimentos inferiores aos normalmente praticados. Deu-se especial atenção ao solo, pois acredita-se que só um solo vivo é capaz de potenciar ao máximo a expressão do ‘terroir’. Na adega a intervenção é reduzida ao mínimo, de forma a preservar e respeitar a identidade de cada vinho. A Quinta do Paço está inserida na Rota do Vinho do Oeste e recebe, sob marcação, quem quiser conhecer as vinhas, a adega ou provar o Syrah.

Num artigo intitulado “A diferença como uma virtude”, o jornalista Rui Falcão referia o Humus Reserva como um dos exemplos de “vinhos diferentes, de castas raras, regiões esquecidas ou produtores menos mediáticos”. Nós estamos de acordo. É um Syrah com grandes capacidades de evolução e a prova disso é o facto de voltarmos a ele ao fim deste tempo!

Vale a pena voltar ao seu convívio!

 

Classificação: 17/20                                              Preço: 15,50€

Monte do Roseiral, Reserva, 100% Syrah, Lisboa, 2015

Estamos perante a segunda colheita deste Syrah de Lisboa, Monte do Roseiral de seu nome, reserva de 2015 e, como nós preferimos, a 100% da nossa casta de eleição.
Estamos em Bucelas, região vitivinícola bem mais conhecida por outro tipo de vinhos. Mas a estrela aqui e agora é este Syrah, cuja primeira colheita foi do ano de 2012 como demos conta aqui. O processo deu-se a partir da fermentação em cubas de inox com temperatura controlada a 28ºC e breve estágio em madeira. O enólogo foi Carlos Canário.

As notas de prova deste Syrah apontam “uma cor granada concentrada com um aroma intenso a cereja e especiarias com os taninos bem integrados. O paladar mostra um corpo cheio, aveludado com final longo e persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 14%. Em termos de conservação as garrafas devem estar deitadas em local arejado e escuro, entre 12 e 13ºC e 60% de humidade relativa. O consumo pode ser imediato ou nos próximos oito anos. Diz-nos o produtor que este Syrah deve ser servido a uma temperatura de 15ºC, e é ideal com pratos de carne vermelha, caça, assados no forno, queijos fortes e Foie gras.

As informações que conseguimos reunir são escassas mas dizem-nos que este Reserva só será produzido apenas nos melhores anos, a partir de uvas da casta seleccionadas, de vinhas plantadas em encostas suaves e soalheiras, em solo argilo-calcário e beneficiando da influência atlântica. Com surge de um curto estágio em madeira, é um vinho de charme bastante equilibrado. E a propósito da módica informação disponível nos canais habituais sobre esta herdade e respectiva produção, já referimos, lembramo-nos daquele escritor que dizia “Os homens são como o vinho: todos começam como uvas. Cabe às mulheres amassá-los, pisá-los e repisá-los e deixar que descansem até que amadureçam. As mulheres também são como o vinho: com o passar dos anos umas refinam o sabor, outras azedam. As que azedam é por falta de boa rolha.”
Bebamos pois este nosso Syrah do Monte do Roseiral, que certamente muito esclarecimento haveremos de encontrar por entre os seus eflúvios subtis!

 

Classificação: 15/20                                                                Preço: 7,50€

Quinta das Hortênsias, 100% Syrah, Lisboa, 2009

Há dois anos e meio apresentámos este Syrah de Lisboa.
Quinta das Hortênsias de seu nome.
E qual o porquê desta revisitação? Porque está bem melhor do que em Março de 2015 quando falamos dele pela primeira vez!

A Quinta das Hortênsias é uma quinta situada em Castanheira do Ribatejo, no Concelho de Vila Franca de Xira. Tem como um dos seus objectos mais importantes o ramo vitivinícola. É uma zona onde foram encontrados os mais remotos vestígios do cultivo da vinha na Península Ibérica, cerca do século III depois de Cristo. Com cerca de 70 hectares, dedicou-se no início da sua actividade, principalmente, à produção de uva de mesa. Contudo, há mais de 9 anos que fez a reconversão e reestruturação das suas vinhas para produção de uva para vinhos de alta qualidade. A exploração vitivinícola comporta actualmente cerca de 45 hectares de vinhas, situadas em encostas soalheiras acima dos 200 metros de altitude, que separam a bacia do Tejo das colinas da região de Lisboa. Como é uma zona de transição os solos são especialmente heterogéneos, apresentando composições que variam entre as areias e os solos argilosos.

Falamos em 2014 com o seu proprietário e produtor, Rogério Simões, e ficamos a conhecer as duas colheitas deste Syrah, a de 2008 e a de 2009 ambas esgotadas. As castas da Quinta das Hortências são tintas a Touriga Nacional, Aragonês, Touriga Franca, Tinta Barroca, Castelão, Alicante Bouschet, Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Caladoc. Nas castas brancas existe o Verdelho, Arinto e Alvarinho. A Quinta das Hortências exporta os seus vinhos para a Alemanha, Reino Unido e Suíça.

É um Syrah que se distingue sensorialmente, sendo encorpado e redondo, com taninos presentes, final de boca prolongado e agradável. Boa concentração aromática em que sobressai os aromas da fruta vermelha madura, especiarias e algumas notas minerais. As notas de prova do Syrah da Quinta das Hortências dizem-nos ainda que “os frutos vermelhos silvestres estão presentes no aroma, assim como notas gulosas de cacau. Continua frutado no paladar, apresenta boa firmeza, é muito agradável, volumoso e envolvente. Muito consistente, termina com agradável e razoável persistência”.
Está melhor hoje do que em 2015!

 

Classificação: 17/20                                        Preço: 6,50€

Confraria, Adega Cooperativa do Cadaval, 100% Syrah, Lisboa, 2015

O Syrah Confraria da Adega Cooperativa do Cadaval do ano de 2015 é claramente superior ao seu irmão do ano de 2012, aqui apresentado. Foram feitas cinquenta mil garrafas, algo pouco usual tratando-se de um monocasta. Tem graduação alcoólica de 13,5%, e as notas de prova dizem que possui aromas “onde sobressaem as nuances de frutos vermelhos maduros e a madeira onde envelheceu. Na prova é intenso mas suave, permanecendo de forma alongada na boca.” É um Syrah que se bebe sem grande pretensiosismo, e o preço é muito interessante. Mas não podemos esperar mais do que isso. Não impressiona mesmo. Produzido pela Adega Cooperativa do Cadaval, que fica na região vitivinícola de Lisboa. Ora as adegas cooperativas da região de Lisboa não sabem fazer Syrah de qualidade, é a conclusão que tiramos até agora. Este é mais um a juntar à lista!

A Adega Cooperativa do Cadaval, existente desde 1969, dedica-se à recepção e transformação por vinificação de uvas dos seus associados, criadas nos vinhedos que cobrem as encostas soalheiras da Serra do Montejunto e que, em declive suave, se estendem pelo vale. Comercializa vinhos por grosso e embalado. As marcas já implantadas no mercado são: os regionais AGUIEIRA e CONFRARIA, e os vinhos correntes com a marca DACEPA.

Situada na costa Atlântica de Portugal, e inserida na Região Vitivinícola de Lisboa, esta Adega é uma cooperativa de produtores com 40 anos de história na produção de vinhos. Os associados da Adega no activo ultrapassam o meio milhar e distribuem-se por uma área de influência que vai desde zonas mais próximas do Litoral até às encostas da Serra do Montejunto. O terroir da região e a sua componente Atlântica, aliados aos conceitos aplicados na criação de vinhos, proporcionam condições de excelência para a produção de espumantes e vinhos brancos de qualidade, frescos, intensos e aromáticos.
Saliente-se a natural aptidão da região para a produção de vinhos de teor alcoólico moderado “Vinho Branco Leve” e “Vinho Rosé Leve”, num bom estilo internacional e adequados à actual procura dos mercados, mas de qualidade duvidosa, dizemos nós…
A sua produção é portanto maioritariamente dedicada aos vinhos brancos, numa percentagem de 65%, tendo a produção de tintos, devido à reestruturação da vinha, vindo a aumentar percentualmente para um valor de 27%. Os vinhos rosados, também em crescimento, ainda não ultrapassam os 8%.

A Adega Cooperativa do Cadaval, tem vindo a desenvolver progressivamente a sua implantação no mercado nacional, onde abastece algumas das principais cadeias de supermercados. Os mercados externos são o seu grande objectivo actual, razão pela qual se encontra neste momento a reformular a sua gama de produtos, com a introdução de novas marcas, imagens de rótulos e caixas.

Um ditado popular diz que “O Syrah alegra o coração do homem.” Este Syrah da Adega Cooperativa do Cadaval alegrará q.b. o coração do enófilo!

 

Classificação: 15/20                                                  Preço: 3,80€