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Que bem que o nosso Syrah se dá por aqui…

Lote 44, Adega de Arruda, 100% Syrah, Lisboa, 2015

Aqui no Blogue do Syrah por vezes criticamos alguns produtores pela sua falta de visão em relação aos Syrah que comercializam. Mas nunca tivemos motivo de queixa dos nossos leitores. Aliás temos leitores de alto nível que não só lêem o que vamos publicando como até nos avisam de Syrah que tiveram conhecimento e que não vêm mencionados no Blogue do Syrah. Que mais podemos pedir?
É o caso do nosso leitor Emanuel Coelho que no passado mês de Dezembro nos contactou para nos falar de um Syrah que tinha adquirido na loja da Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, este Lote 44!
Já no mês anterior o amigo Jorge Cipriano do Clube dos Vinhos Portugueses a propósito da  Festa da Vinha e do Vinho na Arruda dos Vinhos nos tinha avisado para este Syrah que era novidade da Adega Cooperativa!
Resumindo e concluindo, lá conseguimos convencer o leitor Emanuel Coelho a enviar uma garrafa do Lote 44 via correio, para podermos fazer a nossa apreciação. E foi devido a isto tudo que hoje estamos aqui. Obrigado Emanuel Coelho e estamos sempre disponíveis para novos Syrah, pois claro.

O Syrah de nome Lote 44 de 2015 é o segundo monovarietal Syrah que a Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos faz. O primeiro, do já longínquo ano de 2009 tinha o nome de Arruda dos Vinhos. O de 2009, como foi dito na altura, não deixou saudades por aí. Este Lote 44 é claramente melhor!

A fermentação deu-se em cuba de inox, com controlo de temperatura a 26ºC. A maceração aconteceu durante oito dias. As notas de prova dizem-nos que tem “cor granada, aroma a frutos silvestres. Na boca é persistente e muito suave no final.” Este Syrah tem uma graduação alcoólica de 14,5%.

A Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos foi fundada em 1954, numa altura em que se assistiu em Portugal ao aparecimento de muitas adegas que foram criadas como ferramentas imprescindíveis para garantir o escoamento da uva, a qualidade do vinho e a estabilidade do preço conseguido pelos produtores das várias regiões. Foram 25 os produtores agricultores que, na altura, se resolveram organizar, levando a cabo a constituição da Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos. Quando a Adega é criada, agregando vários produtores da região, torna-se no maior produtor de vinho de Arruda, realidade, aliás, que se mantém até hoje. Actualmente a Adega de Arruda tem cerca de 300 associados activos e uma área de vinha com várias centenas de hectares. Destas vinhas, predominantemente implantadas em terrenos argilo-calcários, provêm os melhores vinhos da região. As instalações ocupam uma área total de mais ou menos 32 mil m2, sendo 4.760 m2 de área coberta, onde se encontram os serviços administrativos, os laboratórios, as linhas de engarrafamento, os armazéns de material subsidiário, matéria-prima e material acabado, bem como a loja da Adega de Arruda. Dispõe de todo o equipamento de recepção das uvas, vinificação, estabilização e armazenagem e possui uma capacidade de engarrafamento que permite dar resposta aos compromissos comerciais e expectativas de mercado, bem como cumprir os requisitos exigidos pelas normas de Higiene e Segurança Alimentar.

O escritor de vinhos russo Alexis Lichine escreveu:
“No que se refere a Syrah, sempre recomendo que se joguem fora tabelas de safras e manuais, e se invista num bom saca-rolhas”. Só se conhece Syrah, bebendo. Foi esse o principal motivo que nos trouxe hoje aqui ao Syrah Lote 44!

 

Classificação: 15/20                                                    Preço: 3,25€


 

Casal Castelão, 100% Syrah, Lisboa, 2013

Este Syrah de Lisboa é a segunda colheita desta casa, tendo a primeira acontecido nesse longínquo ano de 2007, como aqui contámos. Tem diferenças em relação ao seu irmão. A primeira visual. Tem uma nova rotulagem, mais atraente e moderna. Depois é inequivocamente de qualidade superior como se vai perceber no final quando a classificação for atribuída.
E finalmente o preço. É o Syrah mais barato de sempre!
Custando o que custa, a partir de agora ninguém, mas mesmo ninguém, poderá dizer que nunca provou um Syrah devido ao seu preço.
É candidato ao prémio melhor Syrah na relação qualidade/preço!

Na família desde 1907, o Casal do Castelão é uma propriedade familiar que tem como única actividade a vitivinicultura. Aliando tecnologias enológicas de vanguarda ao saber e tradição de gerações, a herdade cria vinhos de qualidade respeitando a pureza das castas.Localizado junto à costa atlântica a norte de Lisboa, o Casal Castelão apresenta-se no mercado como um defensor das características particulares de cada casta. Através de uma vinificação tradicional em que o vinho fica em contacto com a película durante, no mínimo, dois meses, extraindo assim da uva todo o seu potencial.Os vinhos dão a conhecer todas as características de algumas das mais prestigiadas castas nacionais e internacionais.Os vinhos do Casal Castelão são vendidos para o mercado externo nomeadamente para Pernambuco no Brasil, a Estónia, o Luxemburgo, a China e a Polónia.

Este Syrah, de cor rubi e aroma frutado, surge-nos, segundo as notas de prova que escolhemos, “cheio de corpo, bem estruturado, sofisticado com um final de boca persistente e prolongado. Podem ainda ler-se tons de fruta preta discreta, pimenta e outras especiarias. Na boca um pouco ligeiro, com acidez viva, final saboroso.” Tem uma graduação alcoólica de 13%. Sozinho ou acompanhado, é ideal para pratos de caça, carnes vermelhas e queijos, como aliás qualquer Syrah.

O romancista e Prémio Nobel da Literatura Hermann Hesse escreveu:
“Muitas vezes procurei essa alegria, esse sonho, esse esquecimento, numa garrafa de vinho. E não raramente isso me ajudou. Fique-lhe registado o meu agradecimento. Mas o vinho não me bastava.”
E assim nos vamos, mais uma vez satisfeitos, acompanhados por mais um Syrah que podemos mais uma vez dizer impressiona na relação qualidade/preço.
Que venham outros assim e o nosso trabalho ficará ainda mais fácil!
“Se faz favor! Uma garrafa para esta mesa! Não, desculpe a esse preço levo mas é também uma caixa para casa!”
Haja Deus.

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 1,69€


 

Grand´Arte, 100% Shiraz, DFJ Vinhos, Lisboa, 2012

O Syrah Grand´Arte, que por acaso se escreve Shiraz, já iremos falar disso, da DFJ Vinhos, liderada por José Neiva Correia, vai na segunda colheita, e é dela que vamos falar hoje! A primeira tinha sido de 2011. Em termos de qualidade podemos afirmar que estão muito equiparadas.

Sobre o dito Shiraz na designação, é o único Syrah português que se apresenta com a outra grafia mais usada nos Syrah do novo mundo!

Mas vamos falar deste Shiraz “Grand D’Arte”, da Quinta Fonte Bela em Vila Chã de Ourique, no concelho de Santarém, ou seja, um regional de Lisboa, que possui uma graduação alcoólica de 13,5% e teve um estágio de três meses em barricas de carvalho francês.
Diz-nos o produtor que se trata de um Shiraz “…equilibrado, com taninos macios e um toque de baunilha e especiarias. Muito suave, fácil de beber e ao mesmo tempo, intenso, persistente e saboroso.” As várias garrafas que bebemos, ao longo deste último ano, vêm confirmar estas palavras!

Já Ernest Hemingway dizia que:
“Uma pessoa com o aumento do conhecimento e da educação sensorial pode obter prazer infinito no vinho.”

Em conversa com o Director Comercial e de Marketing da DFJ Vinhos, Luís Gouveia, homem simpático e muito disponível para prestar todos os esclarecimentos, ficámos a saber que com esta colheita foi feito um número maior de garrafas da colheita de 2011 que tinha sido vinte e quatro mil garrafas, embora a grande maioria tenha sido destinada ao mercado externo. E uma palavra de apreço quanto à informação prestada no site oficial da empresa, que está devidamente actualizado, permitindo assim a quem escreve e divulga prestar um bom serviço. Um exemplo a seguir.

Segundo a crítica de vinhos inglesa Jancis Robinson “a melhor maneira de introduzir amigos no mundo do vinho é abrir garrafas melhores do que eles estão acostumados, mas só falar de suas virtudes caso lhe seja perguntado.”
Então sem dizermos mais nada vamos lá beber uma taça de Shiraz do Grand`Arte e cá estaremos para falar se nos for perguntado!

 

Classificação: 16/20                            Preço: 7,95€


 

Pynga, Vale da Capucha, 100% Syrah, Lisboa, 2014

A anterior colheita e primeira deste Pynga Syrah, de 2012, tinha 3% de viognier. Este de 2014 é já Syrah 100%!
Do produtor e enólogo Pedro Marques, este Syrah do concelho de Torres Vedras é um Syrah biológico, sempre um adicional de qualidade para o que já é superlativo!

As notas de prova que escolhemos falam de um “vinho com carácter e personalidade vincada. As vinhas gozam de influência marítima o que confere às uvas uma frescura e equilíbrio singulares.” A graduação alcoólica é de 14 %. Para criar este e os outros vinhos no Vale da Capucha, as videiras foram plantadas em solos calcários de origem oceânica. A expressão da influência marítima é assegurada por uma intervenção humana máxima na vinha e mínima na adega.

A Vale da Capucha, Agricultura e Turismo Rural, Lda, iniciou a sua actividade vitivinícola em 2006 na Quinta de S. José em Carvalhal, Torres Vedras.
A empresa, herdeira de gerações de produtores/armazenistas de vinho desde 1858 alterou profundamente a sua vitivinicultura em 2006, com o arranque de todas as vinhas existentes e a instalação maioritária de castas brancas portuguesas. Apenas a 10 km da faixa costeira e da influência marítima, os solos fossilíferos argilo-calcários de origem oceânica, juntamente com as pequenas amplitudes térmicas que permitem o lento amadurecimento dos brancos sem os escaldões do verão, são duas das variáveis que dão corpo a um terroir único para a produção de vinhos brancos do segmento premium. Uvas como o Alvarinho, o Gouveio, o Viosinho, o Arinto, o Fernão Pires e o Antão Vaz (primeira produção na Região) são a matéria-prima que tem produzido vinhos reconhecidos nos mercados mais exigentes do Reino-Unido, Alemanha, Suíça, Bélgica, Brasil, Polónia e brevemente o Japão, Estados Unidos, Noruega e Canadá. Nos tintos seleccionou-se a Touriga Nacional e a Tinta Roriz para produzir vinhos tintos encorpados e com boa capacidade de envelhecimento. Duas castas francesas completam as variedades de uva com que se criam os vinhos, a Viognier e naturalmente a nossa bem amada Syrah. Iniciado em 2012 o caminho da Certificação em Modo de Produção Biológico, foi a partir de 2015 que os primeiros vinhos com essa chancela no rótulo.

A vertente do enoturismo conta com a utilização da Adega original, rara representante, ainda de pé, da construção agrícola em madeira do séc. XIX. Aí, para além de provas temáticas, a gastronomia regional tem expressão nas variadas ementas produzidas para eventos, refeições a pequenos grupos e provas de vinhos. A Quinta Pedagógica e as actividades de formação básica nas áreas de Enologia e da Ecologia, criam um interessante ambiente de proximidade entre os visitantes e a agricultura sustentável.

Para finalizar teremos que concluir como dizia Goethe que  “O vinho alegra o coração do homem; e a alegria é a mãe de todas as virtudes.”
E este Pynga, como bom que é, está fácil de alegrar… vamos a isso!

Classificação: 17/20                                                   Preço: 7,65€


 

Lybra, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2013

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Apresentamos aqui o ano passado o Lybra de 2011. Hoje vamos falar do Lybra 2013. O Lybra tem uma graduação alcoólica de 13,5%, e do qual são produzidas em média 15 a 20 mil garrafas por colheita. O estágio é de 10 a 12 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova escolhidas dizem que se trata de um Syrah “Cor rubi intensa e nariz marcado pelos aromas de frutos pretos e do bosque, bem como delicadas notas de especiarias e alguma madeira, na boca é um vinho equilibrado, de taninos polidos e um volume e estrutura de expressão média, conta com um paladar frutado e especiado, além de ligeiramente vegetal, terminando com um final de boca de comprimento e persistência medianos.” O Lybra surgiu pela primeira vez em 2006 em substituição do Vinha da Nora.

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A Quinta do Monte d’Oiro é uma quinta de 20 hectares mas que faz uma gestão parcelar num conjunto total de 10 parcelas que possuem características muito particulares e diferenciadas em termos de solo. A própria vindima é feita parcela a parcela. Ora, se temos 10 parcelas e se os vários Syrah que existiram e existem da Quinta do Monte d`Oiro são de uma ou mais parcelas da quinta, lançamos uma questão: qual será, em termos teóricos, o número possível de combinações de modo a termos Syrah sempre diferentes? O Blogue do Syrah pediu ajuda a um professor de matemática que rapidamente deu a resposta: 1023 possibilidades de combinações entre as 10 parcelas de Syrah que a  Quinta do Monte d`Oiro possui. A família Bento dos Santos pode continuar a fazer Syrah sempre diferentes e sempre de qualidade.

Platão colocou na boca de Sócrates o seguinte texto sobre o vinho: “O vinho molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente…ele reaviva nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga. Se você bebe moderadamente em pequenos goles de cada vez, o vinho gotejará em seus pulmões como o mais doce orvalho da manhã… Assim,  então, o vinho não viola a razão, mas sim nos convida gentilmente à uma agradável alegria.”
O Lybra Syrah 2013 pode muito bem aspirar a esse desejo!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 8,95€


 

Syrah, Casa Santos Lima, 100% Syrah, Lisboa, 2013

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A Casa Santos Lima tem presentemente dois Syrah: este que aqui apresentamos, na nova colheita de 2013, e que é o mais antigo, e o Monte da Caçada Syrah mais recente e de qualidade bem superior.

As notas de prova dizem-nos que em termos de cor temos um rubi definido. Este é “um vinho seco e delicado com aromas agradáveis de frutos vermelhos. No palato é fresco e frutado, novamente com notas de frutos vermelhos, framboesas, cerejas e ervas. Bom corpo e estrutura, com uma longa persistência a fruta no final de boca.” Tem uma graduação alcoólica de 14%.

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As vinhas  distribuem-se por várias Quintas contíguas, com destaque para a Quinta da Boavista, Quinta das Setencostas, Quinta de Bons-Ventos, Quinta da Espiga, Quinta das Amoras, Quinta do Vale Perdido, Quinta do Figo e Quinta do Espírito Santo, que cobrem uma área total de aproximadamente 290 hectares.

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As propriedades da Casa Santos Lima estão situadas no concelho de Alenquer, 45 km a norte de Lisboa, numa região onde a tradição vitivinícola é secular e as típicas paisagens rurais aparecem com enorme beleza. As vinhas estendem-se por encostas suaves em altitudes compreendidas entre 100 e 220 m, com excelente exposição solar e um clima temperado pela suave brisa marítima do oceano Atlântico, que se encontra a cerca de 26 km para oeste.

Termina-se, citando o grande escritor Oscar Wilde que afirmou com toda a propriedade:
“Para conhecer a colheita e a qualidade de um Syrah não é necessário beber toda a pipa.”
Bastou pois uma taça de Santos Lima Syrah para dizermos de nossa justiça. Mas logo a seguir foi toda a garrafa!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 4,99€

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