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Grandes ‘terroir’ para grandes vinhos… e grande Syrah!

Vale dos Barris, Adega Cooperativa de Palmela, 100% Syrah, Setúbal, 2015

Esta é a segunda vez que falamos deste Syrah da Adega Cooperativa de Palmela de Setúbal e intitulado Vale dos Barris!
A outra colheita tinha sido do ano de 2011 e não nos entusiasmou, apesar do ano!
Esta colheita, ou não fosse do ano de 2015, é bem diferente, para melhor. Deste modo podemos afiançar que é um bom Syrah. E com uma excelente relação qualidade-preço tendo em conta que custa menos de quatro euros!

Vamos ser claros e objectivos: durante muito tempo o Blogue do Syrah considerou este Syrah como o mais fraco Syrah feito em terras lusitanas! No entanto ganhou uma medalha de ouro no concurso internacional Syrah du Monde, onde apenas são avaliados vinhos feitos a partir da casta Syrah. É claro que podíamos avançar com várias teses para justificar esta medalha de ouro. O júri não estava nos seus melhores dias quando atribui esta medalha, ou isto é prova de que os Syrah portugueses são de facto espectaculares, pois basta ir um Syrahfraquinho” a um concurso internacional para ganhar logo uma medalha de ouro. Hoje com esta colheita o discurso tem que ser diferente. Não é dos mais fraquinhos e já se encontra num patamar médio/alto! As notas de prova referem que “Apresenta uma cor granada intenso, um aroma a frutos silvestres maduros, compota, complexado com notas de madeira. O sabor macio, com boa estrutura e taninos aveludados, termina com um final de boca prolongado com sugestões de baunilha, café e algumas notas de chocolate.”

Situado em plena área metropolitana de Lisboa, o concelho de Palmela está integrado na Região de Turismo de Setúbal – Costa Azul, ficando uma parte do território concelhio inserido na Reserva Natural do Estuário do Sado e, uma outra, no Parque Natural da Arrábida. O concelho de Palmela está situado numa zona de clima temperado, embora com influências mediterrânicas e atlânticas. As temperaturas médias oscilam entre os 11º, em Janeiro, e os 30º, em Agosto. Fundada em 1955 com a designação de Adega Cooperativa da Região do Moscatel de Setúbal, iniciou a sua actividade em 1958.
A Adega Cooperativa de Palmela é um dos principais pólos de desenvolvimento do Concelho que é marcadamente agrícola e onde a vinha e o vinho têm por razões históricas um peso bastante grande. A principal zona vitícola situa-se na planície arenosa que constitui grande parte do Concelho de Palmela.

A Adega Cooperativa de Palmela iniciou a sua actividade com 50 associados e com uma produção que não excedia os 1,5 milhões de litros. Nos dias de hoje a produção ultrapassa os 8 milhões de litros, e a Adega dispõe de capacidade para atingir os 10 milhões, sendo 75% Vinho Tinto, 15% Vinho Branco e 10% Moscatel de Setúbal. Tem actualmente 300 associados que possuem uma área combinada de 1000 hectares. Uma parte substancial da sua produção é engarrafada através de 5 linhas automáticas com capacidade para 10.000 garrafas/hora. A Adega Cooperativa de Palmela tem vindo ao longo dos anos a actualizar a sua tecnologia, quer de fabrico quer de engarrafamento e hoje é uma unidade certificada desde 2003.

E tendo como pano de fundo a novidade que constitui este Vale dos Barris Syrah 2015 podemos terminar com esta frase de um anónimo que diz “Abrir uma garrafa de Syrah é como abrir um bom livro: Um universo surpreendente.”

 

Classificação: 16/20                                                       Preço: 3,99€

Vinhas de Pegões, Adega Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2016

Foi em Março do corrente ano que fizemos a apresentação deste Syrah, com enologia de Jaime Quendera!
Se a colheita anterior de 2015 tinha recebido rasgados elogios pela qualidade apresentada e pela soberba relação qualidade /preço, quando a segunda colheita de 2016 foi degustada, foi uma autêntica decepção, como dissemos!
Na altura referimos: “E que enorme diferença existe entre uma e outra. Se a de 2015 nos tinha empolgado pela qualidade e pelo preço, sendo a escolha no final do ano para o prémio de melhor Syrah na categoria qualidade/preço, já esta colheita de 2016 é o oposto da anterior. Os aromas, a fruta e o gosto a cravinho estão lá mas em dose exagerada…Tão exagerada que o conjunto se torna enjoativo. Não, este Vinhas de Pegões Syrah 2016 não convence…e abrimos várias garrafas ao longo de um mês. O resultado foi sempre o mesmo! Algo correu mal na elaboração/fermentação deste Syrah. Talvez a ânsia de o colocar tão depressa no mercado possa ter provocado desleixo e o resultado é este.”

Há pouco tempo este mesmo Syrah voltou ao nosso convívio durante uma promoção do Vinhas de Pegões. Seis meses após a primeira apreciação e decidimos arriscar para ver como é que este Syrah se portava volvido este tempo em relação à primeira apreciação negativa. Tal foi o nosso choque quando o nosso palato nos disse algo de totalmente diferente do que tínhamos anteriormente degustado. O exagerado gosto aos aromas, à fruta vermelha e ao cravinho tinham completamente desaparecido. O Syrah Vinhas de Pegões 2016 estava muito melhor, radicalmente melhor!
O que aconteceu?
O Blogue do Syrah após reflexão pensa ter a resposta cabal para esta interrogação. Já tínhamos sem querer e por antecipação falado deste assunto, pois emAbril de 2015 publicamos um texto intitulado: “O engarrafamento, um choque que maltrata o vinho!” E aí dissemos entre outras coisas o seguinte: “Nenhum vinho deve ser bebido imediatamente após ter sido engarrafado! Deve-se deixá-lo repousar de um a três meses, conforme o tipo e a casta, para readquirir o equilíbrio. O engarrafamento, por mais cuidadoso que tenha sido, causa um choque no vinho. A aeração vigorosa atenua momentaneamente o seu frutado e aquilo a que os especialistas chamam o seu buquê. Quando cessa o efeito oxidante do ar, o vinho reencontra o equilíbrio. O engarrafamento, é uma operação traumática. Dependendo da safra, o vinho deverá de seguida ser colocado em repouso mais ou menos tempo para reencontrar as suas qualidades. Esta “indisposição” felizmente é temporária, e os vinhos reencontram o essencial das suas qualidades depois de algumas semanas ou menos, de repouso total.”

Ora, hoje estamos convencidos que foi isto que aconteceu! O Syrah foi colocado nas prateleiras do hipermercado pouco tempo após ter sido engarrafado, daí o gosto enjoativo e deselegante! O enólogo não pode ser responsabilizado, mas a direcção comercial da Adega Cooperativa de Pegões pode! Prestaram um mau serviço aos consumidores sobretudo os que consumiram o Syrah logo após a sua colocação nas prateleiras do hipermercado como foi o nosso caso.

Quem beber agora o Syrah Vinhas de Pegões 2016 encontrará algo de substancialmente diferente e quanto a isso podemos dizer que a fermentação alcoólica deu-se em cubas lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. O envelhecimento de 4 meses em madeira americana e francesa, seguido de 4 meses em garrafa, antes de ser lançado no mercado. Tem prevista em termos de longevidade uma evolução positiva pelo menos nos primeiros 7 anos. As notas de prova falam “de frutos vermelhos e pretos bem maduros típicos da casta, bem integrado com a madeira, compota, cheio de taninos macios, final longo.” A graduação alcoólica é de 14%. O controlo de qualidade também passa por ter presente uma margem temporal entre o momento do engarrafamento do vinho e o seu consumo. Era importante que uma situação destas não voltasse a acontecer!

Há seis meses citamos o grande escritor e prémio Nóbel da Literatura Hermann Hesse:
“Muitas vezes procurei essa alegria, esse sonho, esse esquecimento, numa garrafa de Syrah. E não raramente isso me ajudou. Fique-lhe registado o meu agradecimento. Mas o Syrah não me bastava.”
Na altura dissemos que o Syrah Vinhas de Pegões 2016 não tem essa alegria, esse sonho. Passados seis meses podemos dizer exactamente o contrário ou seja, que o Syrah Vinhas de Pegões 2016 tem essa alegria, esse sonho.
E ainda bem!

 

Classificação: 17/20                                                               Preço: 2,49€

Bacalhôa Syrah, Quinta da Bacalhôa, 100% Syrah, Setúbal, 2015

É com redobrada alegria que falamos deste Syrah!
Bacalhoa Syrah de 2015!
Para além de dois rosés exclusivamente feitos de Syrah, a Bacalhoa Vinhos teve um Syrah de 1999 até 2008. Depois foi descontinuado. Foram nove anos de monocasta Syrah de qualidade que acabou abruptamente!
A Bacalhoa, apesar de ser um potentado vinícola em Portugal deu como justificação, que o Blogue do Syrah não aceitou na altura como plausível: “questões de ordem financeira”!
Assim mesmo nos foi dito na Feira dos vinhos 2014, que aconteceu na antiga FIL. No texto que escrevemos sobre o Só Syrah de 2008 dissemos profeticamente “Os amantes do sumo fermentado de uva terão que encontrar alternativas e felizmente elas existem e em quantidade… A Bacalhôa com o passar do tempo irá ver o erro grosseiro que acabou de cometer!”

Pois bem!
Acaba de sair o herdeiro do Syrah de nome Bacalhoa Syrah e do ano de 2015. Como demos conta na reportagem fotográfica que aqui publicámos, o Blogue do Syrah, para comemorar o evento, muniu-se de “armas e bagagens” e foi até a Azeitão experimentar este novo Syrah! As notas de prova dizem que tem “De cor vermelha muito profunda, apresenta aromas intensos dominados por notas de fruta, como a compota de ameixa, ginja e especiarias. Na boca é denso, envolvente, com acidez bem marcada, estruturado e persistente.” Tem 14% de graduação alcoólica, e a enóloga é Filipa Tomaz da Costa. Teve um estágio de 17 meses em barricas novas de carvalho francês Allier. Este Syrah em prova mostrou as suas potencialidades de evolução por um lado e por outro a sua juventude e frescura. Gostámos muito!

A Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A., é uma das maiores empresas vinícolas de Portugal, e desenvolveu ao longo dos anos uma vasta gama de vinhos que lhe granjeou uma sólida reputação e a preferência de consumidores nacionais e internacionais. Presente em 7 regiões vitícolas portuguesas, com um total de 1200ha de vinhas, 40 quintas, 40 castas diferentes e 4 centros vínicos (adegas), a empresa distingue-se no mercado pela sua dimensão e pela autonomia em 70% na produção própria. A cada uma das entidades que constituem a Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A. – Aliança Vinhos de Portugal, Quinta do Carmo e Quinta dos Loridos – corresponde um centro de produção com características próprias e um património com intrínseco valor cultural. É à dinâmica gerada pelo cruzamento destas várias identidades, explorada com recurso à tecnologia mais actual que a Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A. deve a sua capacidade única no competitivo mercado português de oferecer um vinho de qualidade.

Em 1998, José Berardo tornou-se o principal accionista e prosseguiu a missão da empresa, investindo no plantio de novas vinhas, na modernização das adegas e na aquisição de novas propriedades, iniciando ainda uma parceria com o Grupo Lafitte Rothschild na Quinta do Carmo. Em 2007 a Bacalhôa tornou-se a maior accionista na Aliança, um dos produtores mais prestigiados nas categorias de espumantes de alta qualidade, aguardentes e vinhos de mesa. No ano seguinte, a empresa comprou a Quinta do Carmo, aumentando assim para 1200ha de vinhas a sua exploração agrícola. A Bacalhôa dispõe de adegas nas regiões mais importantes de Portugal: Alentejo, Península de Setúbal (Azeitão), Lisboa, Bairrada, Dão e Douro. Com uma capacidade total de mais de 20 milhões de litros, 15.000 barricas de carvalho e uma área de vinhas em produção de cerca de 1.200 hectares, a Bacalhôa Vinhos de Portugal prossegue a sua aposta na inovação no sector, tendo em vista a criação de vinhos que proporcionem experiências únicas e surpreendentes, com uma elevada qualidade e consistência. Para a Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A., empresa de tradição familiar que remonta aos anos de 1920, a memória das origens é uma questão de honra.

Na Quinta da Bassaqueira, anexa à vinha da propriedade, localiza-se a sede da empresa, Bacalhôa Vinhos de Portugal. Inclui a adega central, a Loja de Vinho e os magníficos jardins onde sobressaiem as suas oliveiras milenares. A Bacalhôa Vinhos de Portugal instalou-se, desde 1997, na zona vitivinícola de Azeitão, no “coração” da Península de Setúbal, num edifício emblemático, símbolo da modernidade ancorada na tradição.A vinha que rodeia o lago é plantada com as castas Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. O centro de vinificação vinifica as uvas da Quinta e as de todas as propriedades localizadas na Península de Setúbal. Aqui está centralizada a operação de engarrafamento e armazenamento de produtos já acabados. Este centro muito extenso distribui-se por diferentes edifícios, com os sectores de recepção das uvas e vinificação clássica, fermentação em barris, armazenamento, preparação para engarrafamento, linhas de engarrafamento, estágio de vinhos generosos, estágio de garrafas.

Em 1997, a Bacalhôa Vinhos de Portugal, então designada JP Vinhos, transfere-se de Pinhal Novo para a zona vitivinícola de Azeitão no “coração” da Península de Setúbal e instala-se num edifício igualmente emblemático, projectado e construído por António d’Avillez, símbolo da modernidade ancorada na tradição. Junto ao Palácio e Quinta da Bacalhôa, a vinha tem 14ha e foi plantada em 1972. A pedido de Thomas Scoville, então dono da Quinta, António Avillez instalou aqui uma vinha a fim de produzir um vinho com um encepamento semelhante ao utilizado em Bordéus, nomeadamente no Médoc. Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot são as castas tintas aqui produzidas. A vinha plantada na Quinta da Bacalhôa encontra o terroir ideal para a produção de excelentes vinhos: solos argilo-calcários bem drenados e clima ameno devido à forte influência atlântica.

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyam no seu poema Rubaiyat diz o seguinte:
“Bebe e esquece que o punho da tristeza breve te derrubará.
Syrah! Syrah em torrentes! Que ele palpite em minha veias.
Que ele borbulhe em minha cabeça!
Quando bebo, ouço mesmo o que não me pode dizer a minha bem amada!”
Vamos dar tempo ao Bacalhoa Syrah para evoluir convenientemente e veremos que estará em condições de ser o Syrah de que o poeta nos fala!

 

Classificação: 16/20                                                                           Preço: 9,90€


 

Ermelinda Freitas, Casa Ermelinda Freitas, 100% Syrah, Península de Setúbal, 2015

Acabou de sair mais um Syrah da Casa Ermelinda Freitas, com o ano de 2015, ano este que nunca desilude e cria sempre grande expectativa!
É um Syrah de qualidade, sem dúvida, como era de esperar!
Mestre Jaime Quendera volta a ganhar a parada!

As vinhas estão situadas em Fernando Pó no concelho de Palmela. O solo é arenoso e o clima é mediterrânico. A fermentação deu-se em cubas-lagares de inox com temperatura controlada, e maceração pelicular prolongada. Estágio de 12 meses em meias pipas de carvalho americano e francês. As notas de prova que decalcamos dizem-nos que se trata dum vinho de “cor granada, concentrado. Aroma confitado a lembrar fruta preta muito madura, alguma especiaria, com toque balsâmico da casta. Na boca é muito cheio, aveludado com taninos presentes muito bem integrados. Final longo e persistente.” A graduação alcoólica é de 14%.

Não é preciso falar muito da casa Ermelinda Freitas, sobejamente conhecida no mundo dos vinhos, empresa familiar localizada em Fernando Pó, no concelho de Palmela. Nasceu em 1920 pelas mãos de Deonilde Freitas e neste momento, com Leonor Freitas, vai já na sua quarta geração. Esta assumiu o comando da sua mãe, que deu o nome aos vinhos da casa. Foi com a actual proprietária que surgiu o grande impulso dado à empresa pois foi ela que ampliou as vinhas que herdou, de sessenta hectares para os actuais trezentos e quinze hectares. A quinta inicialmente só tinha duas castas, Castelão (conhecida na península de Setúbal por piriquita – que acabou por dar o nome a um vinho da empresa concorrente, a José Maria da Fonseca) e a Fernão Pires, branca, também muito usada na região. Foi Leonor Freitas que introduziu todas as castas que a Casa Ermelinda tem actualmente e naturalmente o Syrah.

De referir que nas três gerações anteriores os vinhos não eram engarrafados e não tinham marca própria. Eram vendidos a granel e com uma qualidade que muitas vezes deixava a desejar. Sob a liderança da quarta geração tudo mudou! Percebe-se que Leonor Freitas não estava satisfeita com a herança recebida e munida de uma equipa onde se destaca o enólogo Jaime Quendera, mudou todo o “savoir faire” da Casa.

D. Francisco de Monçón, teólogo do séc. XVI, escreveu:
“Nem por o pão ser mais necessário, o vinho deixa de ser mais precioso.”
É o caso deste Syrah. É precioso pela qualidade, pelo ano, por quem o faz e por quem o vai degustar… em suma, é uma preciosidade!

 

Classificação: 17/20                                                                       Preço: 9,69€


 

Adega de Pegões, Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2015

Apresentamos aqui mais um Syrah de Pegões, desta vez de 2015.
Este Syrah existe desde 2004, ano da primeira colheita. Daí para cá tem havido Syrah novo todos os anos, e assim esperamos que continue.
O presente é o que entrou agora no mercado!
A partir de 2011 o volume de garrafas produzidas fixou-se nas 20000. É um bom indicativo, quer da qualidade do produto em relação ao preço, quer da reacção positiva do consumidor português em relação a este Syrah. Reacção esta que por nós haverá de ser cada vez mais entusiasta e total. Estamos aqui para isso!

O enólogo é Jaime Quendera, responsável por estas notas de prova: ”Notas de frutos vermelhos/pretos muito maduros , notas de compota , volumoso na boca , final muito prolongado.” A cor é granada, a fermentação foi realizada em cubas de lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. O envelhecimento foi de 12 meses em pipas de carvalho americano e francês, seguido de 4 meses em garrafa, antes de ser lançado no mercado.

A Adega Cooperativa de Santo Isidro de Pegões, é o seu nome completo, é um verdadeiro colosso no panorama vitivinícola português! Produz 12 milhões de garrafas de vinho por ano, distribuídas por 48 referências, que é assimilado em 75% pelo mercado nacional. Os outros 25% são para exportar, praticamente para todo o lado. Apresentar aqui a lista de países nos diversos continentes em que os vinhos da Cooperativa de Pegões estão representados seria fastidioso, mas interessante, porque são algumas dezenas! A Península de Setúbal, região onde estão situadas as vinhas da Cooperativa de Pegões, assim como outras grandes herdades de que já aqui falámos e continuaremos a falar, é caracterizada por um microclima com óptimas condições climáticas, únicas onde se destaca os solos arenosos ricos em água e o clima Mediterrâneo com influência marítima devido à proximidade do mar. A perfeita harmonia destes elementos favorecem o desenvolvimento de castas nobres perfeitamente adaptadas originando vinhos de qualidade.

Eis portanto um bom Syrah, com uma boa relação qualidade/preço e que pode muito bem fazer justiça à frase de Winston Churchil:
“Tirei mais proveito do álcool do que o álcool tirou de mim”.
E isso acontecerá sempre que se beba o Syrah, este ou outro, com moderação!

O que interessa que fique para a história é o seguinte: quem beber Syrah da Adega de Pegões faz uma óptima escolha. Assim como dizemos!

 

Classificação: 17/20                                                   Preço: 4,99€


 

Ameias, Sivipa, 100% Syrah, Setúbal, 2016

Mais uma nova colheita do Syrah da Sivipa,  Ameias de seu nome, e com o ano de 2016.
Um Syrah que bebemos ciclicamente, com uma boa relação qualidade-preço, e que de ano para ano nos tem agradado continuamente, num patamar de qualidade.

É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%. É feito de vinhas com 12 anos de idade, na pujança da vida portanto, provindo de solos arenosos típicos daquela zona da península de Setúbal. Podemos caracterizar este Syrah em termos visuais como possuindo “grande intensidade corante de tons rubi escuro e as notas de prova dizem-nos que tem aroma a frutos vermelhos maduros, e é macio, redondo e equilibrado.”

Nos últimos anos os monocasta da SIVIPA e nomeadamente os Syrah têm sido premiados em todo o mundo. Os prémios são tanto mais extraordinários quanto o posicionamento da SIVIPA é partilhar o melhor da região de Palmela a preços acessíveis. Nós aqui no blogue do Syrah não nos deixamos deslumbrar com os prémios. Degustamos o vinho e damos o nosso parecer, subjectivo, mas sempre o mais imparcial possível , na nossa qualidade de consumidores e amantes desta bebida…  e nada mais do que isso, como já o dissemos mais do que uma vez!

E agora é relevante dar aos nossos leitores alguns dados sobre a Sivipa, Sociedade Vinícola de Palmela, SA, que foi criada no ano de 1964 por um grupo de vitivinicultores que se uniram para formarem esta sociedade com o objectivo de engarrafar os vinhos das suas produções e de os colocarem no mercado. O objectivo seria conseguir obter uma mais valia através do mercado de vinhos engarrafados, pois nesta altura pretendia-se acabar com a comercialização de vinhos a granel e vinhos em barril. Entretanto na década de 90 entrou para o capital da sociedade uma das famílias com maiores tradições na produção de vinhos da região de Palmela, a família Cardoso, que através dos seus 400 ha de vinhas e com produções na ordem de 2 milhões de litros anuais assegurava uma maior homogeneidade na qualidade dos vinhos. Nesta altura começou-se a apostar nos vinhos certificados e de maior qualidade. Hoje em dia a Sivipa é uma sociedade com grande reputação na produção de vinhos e moscatéis.

Somente três dados importantes a considerar e a reter:
Volume de vendas no primeiro ano – 1 012 000 litros.
Inicio da produção de Moscatel de Setúbal – ano de 1979.
Construção da actual linha de engarrafamento – ano de 1999.

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte: “Só de nome conhecemos a felicidade.
O nosso melhor amigo é o Syrah;
afaga a única que te é fiel: a ânfora,
cheia do sangue das vinhas.”
Ora aí está. O Ameias Syrah, fonte de felicidade, e com isto nos vamos!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 5,99€