Category Archives: Tejo

Um rio corre através de grande lugares de Syrah…

Quinta da Lapa,100% Syrah, Tejo, 2015

De caras dizemos, e sem qualquer tipo de dúvida: Este Quinta da Lapa de 2015 é a melhor colheita de sempre deste Syrah!
O ano de 2015 continua a dar cartas, para nossa imensa satisfação!

Deste Syrah conhecíamos duas safras. A de 2010, e a de 2012. A fermentação é feita em cubas de inox com temperatura controlada. O estágio foi de 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano. Tem uma longevidade garantida pelo produtor de 8 anos. A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo de serviço é mais uma vez, e isto apesar de não estarmos na Península de Setúbal, Jaime Quendera! As notas de prova do enólogo dizem-nos que tem “excelente cor. Aroma com notas de frutos pretos e especiarias típicas do Syrah. Bom volume de boca com taninos presentes, mas macios. Final longo.”

A Quinta da Lapa está implantada na região vitivinícola do Tejo, outrora denominada Ribatejo, onde vinho, cultura e história correm juntos desde os primórdios da Lusitânia.
O grande e caprichoso rio Tejo assume nesta região particular esplendor histórico, tanto por ser elo de ligação com Lisboa, como por ter sido ele próprio via de comunicação e comércio com toda a Europa. Os castelos templários e as grandes planícies de cultivo são disso testemunho. As cheias e a força do rio fizeram com que ao longo dos tempos as terras essencialmente argilo-calcárias coleccionassem elementos raros como conchas e seixo rolado. Este aspecto define, quase só por si, a assinatura da Quinta da Lapa, havendo contudo ainda que lhe acrescentar a alternância dos dias tórridos e manhãs muito frescas no Verão, quando as uvas estão a robustecer-se para a vindima. O perfil dos vinhos Quinta da Lapa é, por isso, a um tempo mineral e profundo, conseguindo aliar uma excelente maturação fenólica a uma grande frescura, quando normalmente isso só se consegue com vinhedos de altitude. A Quinta da Lapa conta com 67 hectares de vinha em exploração, dividida em talhões com idades compreendidas entre 6 e 15 anos.A orientação mais frequente das fiadas é nascente-poente, o que permite, quando se aproxima a vindima, uma maturação óptima dos bagos. Os dias são muito quentes mas à noite instala-se sempre a frescura, trazida pela brisa atlântica que ao longo de todo o ano se faz sentir.

As instalações de vinificação são contíguas à casa da quinta, e permitem a manipulação total das uvas e massas vínicas, desde a vindima até ao engarrafamento. A proximidade das vinhas é um factor importante para a qualidade da matéria-prima, refletindo-se na qualidade final dos vinhos. A base tecnológica instalada permite o controlo total da temperatura, em todas as fases, bem como dos tempos óptimos para cada perfil de vinho que se procura produzir.

O escritor sobre vinhos João Filipe Clemente escreveu:
“Vinho não é feito para impressionar e sim para satisfazer. Se no processo ele também impressionar tanto melhor!”
Este Syrah de 2015 da Quinta da Lapa impressionou e no seu processo evolutivo ainda terá muito mais para dizer! Venha ele!

 

Classificação: 17/20                                                    Preço: 6,90€

Marufa, Alegre – Sociedade Agrícola, 100% Syrah, Tejo, 2013

E hoje apresentamos mais um novo Syrah desta vez do Tejo, Santo Estevão, Benavente e do ano de 2013! Esta é a segunda colheita deste Syrah. A primeira tinha acontecido em 2011!
É sempre com um especial “brilhozinho nos olhos” que damos conta de um novo Syrah e ainda por cima de qualidade! Apesar de 2013 tem uma longa evolução pela frente!
As notas de prova dizem-nos que “Apresenta uma cor granada profunda e um aroma intenso com evidência de pimenta preta, caixa de tabaco e algum cassis em perfeita harmonia com a tosta de carvalho. Na boca mostra concentração, frescura e elegância apresentando os taninos bem polidos e de boa qualidade.”
O produtor é o Rui Alegre e o enólogo é o conhecido Filipe Sevinate Pinto. A graduação alcoólica é de 14,5% e foram produzidas 3300 garrafas!

A Alegre – Sociedade Agricola situa-se no coração de Santo Estevão, Benavente, desenvolvendo actividade agrícola em 68 hectares.

A vinha, com 8 hectares, vem sendo plantada, desde 2009, em condições particulares capazes de proporcionar um terroir de características únicas, tornando Santo Estevão numa nova “sub-região” produtora de vinhos.
As castas predominantes são as Syrah e Touriga Nacional a que se juntaram, mais tarde, as Alicante Bouschet, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Tinta Francisca e Sangiovese. Nas castas brancas prevalecem, a Arinto, o Verdelho e Sauvignon Blanc.
Com o objectivo de potenciar a qualidade das uvas, limitando a produção, procede-se à poda em verde, à monda de cachos, ao enrelvamento na entre-linha e à rega gota-a-gota.
A vinificação é em adega própria, circundada pela vinha, com desengace, esmagamento e corte em lagar de granito e fermentação em cubas de inox, a temperatura controlada, e, parte, em barricas.
O estágio é feito em cubas de inox e em barricas de carvalho francês ao que se segue um estágio, em garrafa, no mínimo, de cinco meses.

Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa nas “Odes” escreveu:
‘Não só vinho, mas nele o olvido, deito
Na taça: serei ledo, porque a dita
É ignara. Quem, lembrando
Ou prevendo, sorrira?
Dos brutos, não a vida, senão a alma,
Consigamos, pensando; recolhidos
No impalpável destino
Que não ‘spera nem lembra.
Com mão mortal elevo à mortal boca
Em frágil taça o passageiro vinho,
Baços os olhos feitos
Para deixar de ver.’
Lemos este poema e bebemos uma taça do Marufa do Tejo de 2013!

 

Classificação: 17/20                                                      Preço: 10,90€

Encosta do Sobral, 100% Syrah, Tejo, 2015

Estamos perante mais um novíssimo Syrah, do concelho de Tomar, portanto do Tejo, e do ano de 2015!
É a primeira colheita monocasta de Syrah, apesar da vinha ter já treze anos. Foram feitas sete mil garrafas. As notas de prova dizem-nos que tem “Cor vermelha intensa, aromas a frutos vermelhos maduros, cassis, balsâmicos e especiarias. Na boca revela-se poderoso, equilibrado, untuoso, com taninos maduros, com uma excelente profundidade e final de boca persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 15,5%. No tête à tête, mostrou ter uma cor escura, muito carregada, é denso,encorpado e bastante aromático, como é apanágio da casta. O enólogo responsável é Pedro Sereno, que se prestou a conversar com o Blogue do Syrah e a responder a todas as questões.

A Encosta do Sobral encontra-se implantada na região do Ribatejo, mais propriamente no concelho de Tomar. A sua situação geográfica encontra-se privilegiada pela sua paisagem sublime e singular, bem como pela história do concelho, património, tradições, usos e costumes. Há várias gerações que a família proprietária se dedica à cultura da vinha e do vinho. No seu início a produção era de cariz familiar e o excedente colocado no mercado local. Ao longo dos anos verificaram-se alterações com aumentos graduais de plantação de vinha, porém nos finais da década de 90, procedeu-se a uma reestruturação dos vinhedos.
Esta foi acompanhada de um novo encepamento e emparcelamento, tendo sido atingido um total de 70 hectares, que num futuro próximo serão ampliados dada a excelente situação ecológica da zona. Na sequência desta remodelação construiu-se uma nova adega equipada com a mais recente tecnologia, situada na povoação do Outeiro a 8 km de Tomar.

As vinhas da Encosta do Sobral foram plantadas nas encostas soalheiras pertencentes às Freguesias da Junceira e da Serra. Este é um Syrah do Tejo mas numa zona muito particular da região, a 300m de altitude numa vinha de sequeiro e em terreno de xisto. Aqui a maior influência é da barragem do castelo de bode que nos permite ter uma maior precipitação anual juntamente com noites frescas de Verão. Este vinho nasce na Syrah 4 que é uma vinha que todos os anos nos abençoa com vinhos que ficam sempre no pódio . Esta versão de Syrah é um misto de concentração, frescura e untosidade. Foi engarrafado há um ano mas ainda pode melhorar com mais tempo em garrafa.

Fernando Pessoa, nas Canções de Beber, escreve o seguinte:
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
O Syrah Encosta do Sobral de 2015 pode bem ser o Syrah que precisamos enquanto “o ser revive.” Este Syrah tem tudo para se tornar um “clássico”!

 

Classificação: 17/20                                          Preço: 8,95€

Quinta Vale de Fornos, 100% Syrah, Tejo, 2012

Foi já há dois anos e meio que aqui apresentamos este Syrah da Quinta Vale de Fornos, da Azambuja, e do ano de 2012!
E que grande evolução teve este Syrah!
Passado este tempo está significativamente muito melhor!
É um Syrah granada, que segundo as notas de prova tem “um aroma complexo a fruta confitada, pimenta e chocolate. Apresenta-se com uma boca bem estruturada por taninos aveludados e elegantes. Complexo, apresenta notas varietais de trufa e especiarias. Termina persistente e com um bom retronasal.” Tem uma graduação alcoólica de 15%. Quatro safras viram até agora a luz do dia: as de 2005, 2007, esta de 2012 e a de 2014. Está para sair uma nova muito brevemente com o ano de 2015!

A Quinta Vale de Fornos situa-se no concelho da Azambuja, em pleno coração do Ribatejo, beneficiando de uma excelente localização e de uma deslumbrante envolvência paisagística. E é hoje o resultado da história que ao longo dos séculos por ali passou, consolidando a sua responsabilidade cultural. Comprada por Dª Antónia Ferreira (a Ferreirinha) para oferecer à sua filha, por altura do casamento desta com o 3º Conde da Azambuja, esta propriedade foi palco de vários episódios históricos, onde figuraram tão ilustres nomes como Napoleão e Cristovão Colombo. Diz-se que nesta propriedade estiveram alojadas as tropas de Napoleão durante as invasões Francesas e pelos seus vinhedos terá também passado Cristovão Colombo a caminho da casa de D. João II em Vale do Paraíso, para comunicar ao Rei a descoberta do Continente Americano.
Sendo uma propriedade de 200 hectares que alia a herança histórica e a tradição cultural ao lazer, aos eventos e, principalmente, à produção de vinhos, a Quinta Vale de Fornos torna-se um espaço único para quem a visita, onde impera a sintonia entre as suas diversas valências, entre elas o Enoturismo e Eventos. Com uma tradição que remonta ao século XVIII, o objectivo da Quinta Vale de Fornos é internacionalizar a sua esfera comercial, preservando os seus valores culturais e as características próprias dos seus produtos. Dispondo de uma imponente casa senhorial, cuja traça e cor, características das paredes, sempre foram mantidas, a propriedade goza de uma forte tradição, tanto pela antiguidade e pelo património, como pela ligação a ilustres famílias da Nobreza.
A Quinta de Vale de Fornos foi adquirida pelos presentes proprietários em 1972 a D. Pedro de Bragança.

O Syrah da Quinta Vale de Fornos é um daqueles Syrah com peso histórico a que ciclicamente apetece regressar, como é o caso, ainda por cima quando está bem melhor que no ano de 2015 quando foi feita a primeira análise.

Tendo em conta a história que relembramos da Quinta de Vale de Fornos apetece citar a frase do escritor romano Plínio, o velho:
“O Syrah é o sangue da terra.”
Isto mesmo!

 

Classificação: 17/20                                                                   Preço: 11,50€

Quinta de S. João, Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2008

Hoje apresentamos uma revisitação a este Syrah, pois está cada vez melhor.
A empresa de vinhos Pinhal da Torre, situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, produz Syrah desde o início do século!
O Syrah que produziu ao longo de todo este tempo já teve três designações. Inicialmente chamava-se Quinta do Alqueve, para de seguida passar para o designativo de Quinta de São João e finalmente chamar-se Pinhal da Torre!
Hoje vamos falar do Syrah de 2008 da Quinta de São João. Aqui foi apresentado o Syrah do ano de 2007!

O Syrah da Quinta de S. João “apresenta uma cor granada, fruta ligeiramente mentolada, baunilha, cacau tostado, especiarias, tenso e complexo, muito afinado com taninos redondos, boa acidez e macio, encorpado e final longo.” O vinho é vinificado pelo processo tradicional de curtimenta, com ligeira maceração, tendo estagiado em barricas de carvalho francês, não tendo sido filtrado.O teor de álcool é de 14,5% . Este Syrah, com dez anos de idade, apresenta ainda uma capacidade enorme de evolução. O produtor fala num total de quinze anos. Acreditamos que pode ser bem mais!

A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947. A Quinta do Alqueve tem uma área de 36 hectares de vinha e um Chalet do início do século passado, que actualmente se encontra em reconstrução.
Nestas quintas estão plantadas as seguintes castas: Castas Brancas – Fernão Pires, Chardonnay, Arinto e Viognier, Castas Tintas – Touriga Nacional, Tinta Roriz, Trincadeira, Castelão, Cabernet Sauvignon, Merlot, Touriga Franca, Alicante Bouschet, Tinta Francisca, Souzão e naturalmente o nosso Syrah.

Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada. A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem. Possui, ainda, um pequeno Museu Rural, alusivo ao vinho e à vinha, e uma sala de provas. Toda esta infra-estrutura assenta numa área de 4000m2.

A escritora francesa Sidonie Colette escreveu:
“Convém tratar a amizade como os vinhos, desconfiando das misturas.”
Este Syrah a 100% não tem misturas e está cada vez mais espectacular!

 

Classificação: 19/20                                                      Preço: 9,90€

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2015

Não foi há muito tempo que aqui falamos da colheita de 2012!
Hoje chegou a altura de falar da mais recente colheita deste extraordinário Syrah!
A colheita de 2015 tem todas as condições para se vir a tornar a melhor ou, pelo menos, uma das melhores tendo em conta o ano considerado!
Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”

Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses. A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém.

Façamos um pouco de história. Em 1834, a Quinta da Lagoalva é comprada por Henrique Teixeira de Sampayo, 1º conde da Póvoa. Em 1841-42 todos os bens passam para Dona Maria Luisa Noronha de Sampaio, que se casa em 1846 com Dom Domingos António Maria Pedro de Souza e Holstein, 2º Duque de Palmela, revertendo a partir dessa época os bens para a Casa Palmela. Sucessivamente em poder dos seus descendentes, as terras são desde 1950 até hoje pertença da Sociedade Agrícola Quinta da Lagoalva de Cima SA. A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas. A capacidade de evolução é enorme e ninguém se admire se daqui a um ano ou dois voltarmos a falar desta colheita de 2015 para revermos a avaliação agora feita!

“Quando tenho sede, bebo água, quando busco prazer, degusto Syrah!”, alguém disse.
Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

 

Classificação: 18/20                                                          Preço: 28,50€