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Um rio corre através de grande lugares de Syrah…

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2015

Não foi há muito tempo que aqui falamos da colheita de 2012!
Hoje chegou a altura de falar da mais recente colheita deste extraordinário Syrah!
A colheita de 2015 tem todas as condições para se vir a tornar a melhor ou, pelo menos, uma das melhores tendo em conta o ano considerado!
Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”

Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses. A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém.

Façamos um pouco de história. Em 1834, a Quinta da Lagoalva é comprada por Henrique Teixeira de Sampayo, 1º conde da Póvoa. Em 1841-42 todos os bens passam para Dona Maria Luisa Noronha de Sampaio, que se casa em 1846 com Dom Domingos António Maria Pedro de Souza e Holstein, 2º Duque de Palmela, revertendo a partir dessa época os bens para a Casa Palmela. Sucessivamente em poder dos seus descendentes, as terras são desde 1950 até hoje pertença da Sociedade Agrícola Quinta da Lagoalva de Cima SA. A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas. A capacidade de evolução é enorme e ninguém se admire se daqui a um ano ou dois voltarmos a falar desta colheita de 2015 para revermos a avaliação agora feita!

“Quando tenho sede, bebo água, quando busco prazer, degusto Syrah!”, alguém disse.
Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

 

Classificação: 18/20                                                          Preço: 28,50€

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2012

Quando acaba de sair a colheita de 2015 do grande Syrah de Alpiarça, Ribatejo, percebemos que nunca tínhamos falado da colheita de 2012, apesar de o termos degustado por variadas vezes!
Estamos pois em falta. E ainda por cima tratando-se de um Syrah topo de gama. Temos que reparar a falha! Noutra altura falaremos da colheita de 2015!

Apenas feito em anos excepcionais, este Syrah de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.” Foi exportado ao longo destes anos para vários países como Canadá, Brasil, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Reino Unido e também para Macau. Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.

A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém. Tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.

Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

Uma vez perguntaram a Carlos Drummond de Andrade se gostava de poesia e ele respondeu:
“Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas,
lugares, chocolate, Syrah, papos amenos, amizade, amor.
Acho que a poesia está contida nisso tudo.”
O Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima é pura poesia vinícola!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 28,50€

Casal das Freiras, Agrovalente, 100% Syrah, Tejo, 2016

Não foi há muito tempo que apresentámos o Casal das Freiras de 2015 e eis que a nova colheita de 2016 já está disponível no mercado!
Seria provável torcer o nariz a um Syrah tão novo, ou seja, da vindima anterior. No entanto outra coisa aconteceu em termos de palato. Este Syrah tem uma fruta muito vincada, viva, expressiva, para tão curto tempo de estágio. Parece mais um Syrah de 2015, ou mesmo 2014, e não tanto de 2016. E esta reflexão é o elemento mais impressionante que este Syrah do distrito de Santarém, concelho de Tomar, freguesia da Madalena, tem para mostrar!

Priveligiando a singularidade, este Syrah monovarietal foi elaborado com uma selecção das melhores uvas da casta Syrah, onde sobressaem as notas dominantes que a caracterizam: “os aromas de fruta preta, como os mirtilos, ameixas e amoras, conjugados com o distintivo paladar do chocolate e leves notas de especiarias associadas à pimenta preta. Resulta um vinho encorpado, de cor granada, com bom equilíbrio de acidez e taninos suaves, realçados num final expressivo e prolongado”. Tem 13,5% de graduação alcoólica, como aliás a colheita anterior. O proprietário e produtor é o simpático José Vidal, e a enologia está a cargo da Teresa Nicolau. Mais uma senhora a dar-nos Syrah, sempre aquele sentimento de estar em presença de uma outra sensibilidade que não a masculina!

Com uma secular tradição vitivinícola e em terras que outrora foram da Ordem de Cristo, encontra-se a Quinta do Casal das Freiras. As suas vinhas estão implantadas em solos argilo-calcários de declive suave e ondulado com exposição a sul, predominando as castas nacionais. Vinificadas por métodos tradicionais, estas uvas dão origem a um vinho taninoso, encorpado e aromático. Com origem em antigo foro da Ordem de Cristo (século XV) é propriedade da família desde o século XIX. Com 180 Hectares esta Quinta inclui ainda searas, olival e floresta além dos 16 hectares dedicados à vinha.

Tal como aconteceu com o Casal das Freiras 2015, “é um Syrah que se bebe com prazer e que tem uma relação qualidade/preço muito considerável!” Esta nova colheita, superior à anterior, só poderá reafirmar o que aí se disse!
Citando o escritor Francisco Trindade: “Aquele que recebe os seus amigos e não tem um cuidado especial com o Syrah, não merece ter amigos ! »
Podendo fazer um pequeno brilharete perante os convidados e não gastando muito dinheiro, esta é uma óptima proposta !

 

Classificação: 17/20                                                                          Preço: 4,75€

Cabeça de Toiro, Quinta de S. João Baptista, 100% Syrah, Tejo, 2014

Este novíssimo Syrah Cabeça de Toiro de 2014 é no fundo a nova roupagem do Syrah Quinta de S. João Baptista 2011 de Rio Maior que já antes apresentámos.
O Syrah é o mesmo, mudou o nome, mudou a garrafa, mudou os rótulos, mas a colheita é nova. Assim de repente o que se nota é muito marketing à volta, mas o mais importante é o que está dentro da garrafa. Quanto ao nome não nos parece que acrescente o que quer se seja de importante ao Syrah que já conhecíamos. A Quinta de S. João Baptista já mudou o nome do seu Syrah por três vezes. Chamou-se inicialmente Casaleiro, até 2006. A partir de 2007 passou a chamar-se Quinta de S. João Baptista e agora com a colheita de 2014 passa a chamar-se Cabeça de Toiro! Já dissemos noutra ocasião, que estar constantemente a mudar o nome do Syrah não parece uma boa política de divulgação do produto!
Adiante.

As notas de prova dizem-nos que tem “Aspeto límpido e cor granada intensa com nuances violeta. Aroma intenso e complexo a frutos silvestres como mirtilo e groselha. Na boca, apresenta uma boa estrutura, é frutado e macio.” Tem 14% de graduação alcoólica.

A origem da Quinta de S. João Baptista é muito antiga, e encontra-se entre histórias de sucessões nobres, doações para ordens religiosas e mais uma mão cheia de acontecimentos. Foi adquirida em 1987 pelo grupo Enoport United Wines, que na altura se chamava “Caves Dom Teodósio”, e foi desde aí que se começou a investir na reestruturação da vinha substituindo vinhas velhas por castas novas, algumas das quais internacionais, como a nossa Syrah.

A Quinta de S. João Baptista localiza-se no concelho de Torres Novas, na freguesia de Brogueira, região vitivinícola do Tejo e tem um total de cerca de 115 hectares dos quais 97 com vinha. Das castas plantadas, a maioria são para vinhos tintos – cerca de 74 hectares – e além das castas tradicionais portuguesas, como a Castelão, Trincadeira Preta, Touriga Nacional e Touriga Franca (50%), há também várias castas internacionais aqui plantadas como a mencionada Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon (50%). Os cerca de 21 hectares de castas brancas plantadas em 1991 são as tradicionais na região do Tejo: Arinto, Fernão Pires e Malvasia (65%) e ainda castas internacionais como o Chardonnay e o Sauvignon Blanc (35%). Possui um dos maiores centros de vinificação do grupo com capacidade para vinificar um milhão e meio de quilos de uvas. Está igualmente dotada de uma adega tradicional, que combina tradição e inovação, usando novas tecnologias como controle de temperatura em todas as cubas de fermentação.

O escritor francês Marcel Pagnol disse:
“Quando o Syrah é engarrafado, ele deve ser bebido … especialmente se é bom!”
O Syrah Cabeça de Toiro é indiscutivelmente um bom Syrah como era igualmente o anterior Syrah Quinta de S. João Baptista!
E tem uma ainda melhor relação qualidade-preço.
Por isso… à nossa… e vossa!

 

Classificação: 16/20                                                         Preço: 6,00€

Casal das Freiras, Agrovalente, 100% Syrah, Tejo, 2015

E é do Tejo que surge o mais novíssimo Syrah português!
Distrito de Santarém, concelho de Tomar, freguesia da Madalena.
Eis perante nós o Casal das Freiras 2015.
Como primeira colheita, um Syrah bastante interessante e a seguir com redobrada atenção!

Com uma secular tradição vitivinícola e em terras que outrora foram da Ordem de Cristo, encontra-se a Quinta do Casal das Freiras. As suas vinhas estão implantadas em solos argilo-calcários de declive suave e ondulado com exposição a sul, predominando as castas nacionais. Vinificadas por métodos tradicionais, estas uvas dão origem a um vinho taninoso, encorpado e aromático. Com origem em antigo foro da Ordem de Cristo (século XV) é propriedade da família desde o século XIX. Com 180 Hectares esta Quinta inclui ainda searas, olival e floresta além dos 16 hectares dedicados à vinha.

Priveligiando a singularidade, este vinho monovarietal foi elaborado com uma selecção das melhores uvas da casta Syrah, onde sobressaem as notas dominantes que a caracterizam: “os aromas de fruta preta, como os mirtilos, ameixas e amoras, conjugados com o distintivo paladar do chocolate e leves notas de especiarias associadas à pimenta preta. Resulta um vinho encorpado, de cor granada, com bom equilíbrio de acidez e taninos suaves, realçados num final expressivo e prolongado”. Tem 13,5% de graduação alcoólica.
O proprietário e produtor é o simpático José Vidal, e a enologia está a cargo da
Teresa Nicolau. Mais uma senhora a dar-nos Syrah, sempre aquele sentimento de estar em presença de uma outra sensibilidade que não a masculina!

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat, essa longa ode ao Syrah, diz o seguinte:
Só ele te dará a mocidade, ele é a vida eterna.
Bebe um pouco de Syrah porque dormirás muito tempo,
debaixo da terra, sem amigo, sem camarada, sem mulher.
Nosso amigo mais velho é o Syrah mais novo.
O Casal das Freiras 2015 é um Syrah que se bebe com prazer e que tem uma relação qualidade/preço muito considerável!

 

Classificação: 16/20                                                    Preço: 4,75€


 

Enigma, Caves Dom Teodósio , 100% Syrah, Tejo, 2015

Fomos de pensar que este texto sobre o Syrah Enigma do ano de 2015 seria bem diferente dos textos sobre as safras anteriores, o Enigma 2012 e o Enigma 2014, já que agora íamos falar desse ano extraordinário que é 2015!
A novidade foi dada nestes termos: ”A Enoport lançou no mercado o Enigma Syrah 2015! Com 13% de graduação alcoólica vamos ver se o facto de ser do ano mítico de 2015 o faz ser um Syrah de qualidade superior às colheitas anteriores, que não entusiasmaram propriamente.” Pois em relação ao Enigma Syrah 2012 tínhamos dito que: “Este Syrah, poesia, é coisa que não dá, ou pelo menos com o verso, rima e sentimento da forma que gostamos!” E o mesmo dissemos quanto ao Enigma Syrah 2014: “Nada se altera em relação ao que foi dito aqui da safra anterior anterior. A qualidade é a mesma e a classificação mantêm-se. O preço continua igualmente exorbitante.” Se é verdade que a maneira como decorre o ano agrícola é fundamental para que o vinho que se degusta possa ser ou não de qualidade, a segunda parte da premissa não decorre unicamente da primeira. Há outros factores a ter em conta que continuam ausentes deste Syrah do Tejo. Daí que, e apesar de estarmos em 2015, e as expectativas serem sempre grandes, este Syrah pouco acrescenta, quase nada mesmo, ao que já dissemos em relação às outras colheitas. E é pena que isso aconteça!

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O Syrah das caves Dom Teodósio pertence ao grupo Enoport. Grupo este que juntou algumas das mais antigas e emblemáticas empresas de vinho Portuguesas com reconhecimento nacional e internacional, tais como as Caves Velhas, Caves Dom Teodósio, Adegas Camillo Alves, Caves Acácio, Caves Monteiros e Caves Moura Basto.
Este mesmo grupo detêm uma outra marca, a Quinta de S. João Baptista, cujo Syrah é bem superior a este.

Enigma é pois o nome do Syrah. Nome que só por si faria prometer um grande Syrah, até porque a palavra significa algo secreto e invisível, com um significado oculto por revelar, até o rótulo bem desenhado conduz nesse sentido. Tudo levaria a crer pois que a demanda seria frutífera. Tal não acontece, infelizmente. O Enigma é um vinho desinteressante, sem génio… desprovido de arcanos e mistérios! Não traz nada de novo ao mundo dos Syrah portugueses, sendo pouco mais que um Syrah aboleimado.

O enólogo de serviço é Carlos Eduardo e a graduação alcoólica é de 13%. Teve uma maturação de 6 meses em madeira de Carvalho Francês. As notas de prova dizem que possui uma “cor avermelhada e nariz delicadamente frutado, com suaves notas florais e vegetais a conferirem alguma complexidade ao conjunto, na boca é um vinho fácil, equilibrado e equilibrado, conta com um paladar frutado e levemente vegetal, o final de boca tem um comprimento e uma persistência medianos.” As notas de prova podem até ser simpáticas mas a realidade no palato o resultado é bem diferente! Este Syrah, pela nossa parte, apenas merece a nota que lhe atribuímos. Nem o já mitíco ano de 2015 o salva!

O grande escritor romano Sêneca escreveu que: “O vinho faz esquecer as maiores preocupações.” Mas só se for de qualidade, dizemos nós. De outro modo ainda causa mais desalento e infelicidade!

 

Classificação: 14/20                                                     Preço: 2,99€