Category Archives: Tejo

Um rio corre através de grande lugares de Syrah…

Casal das Freiras, Agrovalente, 100% Syrah, Tejo, 2016

Não foi há muito tempo que apresentámos o Casal das Freiras de 2015 e eis que a nova colheita de 2016 já está disponível no mercado!
Seria provável torcer o nariz a um Syrah tão novo, ou seja, da vindima anterior. No entanto outra coisa aconteceu em termos de palato. Este Syrah tem uma fruta muito vincada, viva, expressiva, para tão curto tempo de estágio. Parece mais um Syrah de 2015, ou mesmo 2014, e não tanto de 2016. E esta reflexão é o elemento mais impressionante que este Syrah do distrito de Santarém, concelho de Tomar, freguesia da Madalena, tem para mostrar!

Priveligiando a singularidade, este Syrah monovarietal foi elaborado com uma selecção das melhores uvas da casta Syrah, onde sobressaem as notas dominantes que a caracterizam: “os aromas de fruta preta, como os mirtilos, ameixas e amoras, conjugados com o distintivo paladar do chocolate e leves notas de especiarias associadas à pimenta preta. Resulta um vinho encorpado, de cor granada, com bom equilíbrio de acidez e taninos suaves, realçados num final expressivo e prolongado”. Tem 13,5% de graduação alcoólica, como aliás a colheita anterior. O proprietário e produtor é o simpático José Vidal, e a enologia está a cargo da Teresa Nicolau. Mais uma senhora a dar-nos Syrah, sempre aquele sentimento de estar em presença de uma outra sensibilidade que não a masculina!

Com uma secular tradição vitivinícola e em terras que outrora foram da Ordem de Cristo, encontra-se a Quinta do Casal das Freiras. As suas vinhas estão implantadas em solos argilo-calcários de declive suave e ondulado com exposição a sul, predominando as castas nacionais. Vinificadas por métodos tradicionais, estas uvas dão origem a um vinho taninoso, encorpado e aromático. Com origem em antigo foro da Ordem de Cristo (século XV) é propriedade da família desde o século XIX. Com 180 Hectares esta Quinta inclui ainda searas, olival e floresta além dos 16 hectares dedicados à vinha.

Tal como aconteceu com o Casal das Freiras 2015, “é um Syrah que se bebe com prazer e que tem uma relação qualidade/preço muito considerável!” Esta nova colheita, superior à anterior, só poderá reafirmar o que aí se disse!
Citando o escritor Francisco Trindade: “Aquele que recebe os seus amigos e não tem um cuidado especial com o Syrah, não merece ter amigos ! »
Podendo fazer um pequeno brilharete perante os convidados e não gastando muito dinheiro, esta é uma óptima proposta !

 

Classificação: 17/20                                                                          Preço: 4,75€

Cabeça de Toiro, Quinta de S. João Baptista, 100% Syrah, Tejo, 2014

Este novíssimo Syrah Cabeça de Toiro de 2014 é no fundo a nova roupagem do Syrah Quinta de S. João Baptista 2011 de Rio Maior que já antes apresentámos.
O Syrah é o mesmo, mudou o nome, mudou a garrafa, mudou os rótulos, mas a colheita é nova. Assim de repente o que se nota é muito marketing à volta, mas o mais importante é o que está dentro da garrafa. Quanto ao nome não nos parece que acrescente o que quer se seja de importante ao Syrah que já conhecíamos. A Quinta de S. João Baptista já mudou o nome do seu Syrah por três vezes. Chamou-se inicialmente Casaleiro, até 2006. A partir de 2007 passou a chamar-se Quinta de S. João Baptista e agora com a colheita de 2014 passa a chamar-se Cabeça de Toiro! Já dissemos noutra ocasião, que estar constantemente a mudar o nome do Syrah não parece uma boa política de divulgação do produto!
Adiante.

As notas de prova dizem-nos que tem “Aspeto límpido e cor granada intensa com nuances violeta. Aroma intenso e complexo a frutos silvestres como mirtilo e groselha. Na boca, apresenta uma boa estrutura, é frutado e macio.” Tem 14% de graduação alcoólica.

A origem da Quinta de S. João Baptista é muito antiga, e encontra-se entre histórias de sucessões nobres, doações para ordens religiosas e mais uma mão cheia de acontecimentos. Foi adquirida em 1987 pelo grupo Enoport United Wines, que na altura se chamava “Caves Dom Teodósio”, e foi desde aí que se começou a investir na reestruturação da vinha substituindo vinhas velhas por castas novas, algumas das quais internacionais, como a nossa Syrah.

A Quinta de S. João Baptista localiza-se no concelho de Torres Novas, na freguesia de Brogueira, região vitivinícola do Tejo e tem um total de cerca de 115 hectares dos quais 97 com vinha. Das castas plantadas, a maioria são para vinhos tintos – cerca de 74 hectares – e além das castas tradicionais portuguesas, como a Castelão, Trincadeira Preta, Touriga Nacional e Touriga Franca (50%), há também várias castas internacionais aqui plantadas como a mencionada Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon (50%). Os cerca de 21 hectares de castas brancas plantadas em 1991 são as tradicionais na região do Tejo: Arinto, Fernão Pires e Malvasia (65%) e ainda castas internacionais como o Chardonnay e o Sauvignon Blanc (35%). Possui um dos maiores centros de vinificação do grupo com capacidade para vinificar um milhão e meio de quilos de uvas. Está igualmente dotada de uma adega tradicional, que combina tradição e inovação, usando novas tecnologias como controle de temperatura em todas as cubas de fermentação.

O escritor francês Marcel Pagnol disse:
“Quando o Syrah é engarrafado, ele deve ser bebido … especialmente se é bom!”
O Syrah Cabeça de Toiro é indiscutivelmente um bom Syrah como era igualmente o anterior Syrah Quinta de S. João Baptista!
E tem uma ainda melhor relação qualidade-preço.
Por isso… à nossa… e vossa!

 

Classificação: 16/20                                                         Preço: 6,00€

Casal das Freiras, Agrovalente, 100% Syrah, Tejo, 2015

E é do Tejo que surge o mais novíssimo Syrah português!
Distrito de Santarém, concelho de Tomar, freguesia da Madalena.
Eis perante nós o Casal das Freiras 2015.
Como primeira colheita, um Syrah bastante interessante e a seguir com redobrada atenção!

Com uma secular tradição vitivinícola e em terras que outrora foram da Ordem de Cristo, encontra-se a Quinta do Casal das Freiras. As suas vinhas estão implantadas em solos argilo-calcários de declive suave e ondulado com exposição a sul, predominando as castas nacionais. Vinificadas por métodos tradicionais, estas uvas dão origem a um vinho taninoso, encorpado e aromático. Com origem em antigo foro da Ordem de Cristo (século XV) é propriedade da família desde o século XIX. Com 180 Hectares esta Quinta inclui ainda searas, olival e floresta além dos 16 hectares dedicados à vinha.

Priveligiando a singularidade, este vinho monovarietal foi elaborado com uma selecção das melhores uvas da casta Syrah, onde sobressaem as notas dominantes que a caracterizam: “os aromas de fruta preta, como os mirtilos, ameixas e amoras, conjugados com o distintivo paladar do chocolate e leves notas de especiarias associadas à pimenta preta. Resulta um vinho encorpado, de cor granada, com bom equilíbrio de acidez e taninos suaves, realçados num final expressivo e prolongado”. Tem 13,5% de graduação alcoólica.
O proprietário e produtor é o simpático José Vidal, e a enologia está a cargo da
Teresa Nicolau. Mais uma senhora a dar-nos Syrah, sempre aquele sentimento de estar em presença de uma outra sensibilidade que não a masculina!

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat, essa longa ode ao Syrah, diz o seguinte:
Só ele te dará a mocidade, ele é a vida eterna.
Bebe um pouco de Syrah porque dormirás muito tempo,
debaixo da terra, sem amigo, sem camarada, sem mulher.
Nosso amigo mais velho é o Syrah mais novo.
O Casal das Freiras 2015 é um Syrah que se bebe com prazer e que tem uma relação qualidade/preço muito considerável!

 

Classificação: 16/20                                                    Preço: 4,75€


 

Enigma, Caves Dom Teodósio , 100% Syrah, Tejo, 2015

Fomos de pensar que este texto sobre o Syrah Enigma do ano de 2015 seria bem diferente dos textos sobre as safras anteriores, o Enigma 2012 e o Enigma 2014, já que agora íamos falar desse ano extraordinário que é 2015!
A novidade foi dada nestes termos: ”A Enoport lançou no mercado o Enigma Syrah 2015! Com 13% de graduação alcoólica vamos ver se o facto de ser do ano mítico de 2015 o faz ser um Syrah de qualidade superior às colheitas anteriores, que não entusiasmaram propriamente.” Pois em relação ao Enigma Syrah 2012 tínhamos dito que: “Este Syrah, poesia, é coisa que não dá, ou pelo menos com o verso, rima e sentimento da forma que gostamos!” E o mesmo dissemos quanto ao Enigma Syrah 2014: “Nada se altera em relação ao que foi dito aqui da safra anterior anterior. A qualidade é a mesma e a classificação mantêm-se. O preço continua igualmente exorbitante.” Se é verdade que a maneira como decorre o ano agrícola é fundamental para que o vinho que se degusta possa ser ou não de qualidade, a segunda parte da premissa não decorre unicamente da primeira. Há outros factores a ter em conta que continuam ausentes deste Syrah do Tejo. Daí que, e apesar de estarmos em 2015, e as expectativas serem sempre grandes, este Syrah pouco acrescenta, quase nada mesmo, ao que já dissemos em relação às outras colheitas. E é pena que isso aconteça!

Transfer 100715 0020

O Syrah das caves Dom Teodósio pertence ao grupo Enoport. Grupo este que juntou algumas das mais antigas e emblemáticas empresas de vinho Portuguesas com reconhecimento nacional e internacional, tais como as Caves Velhas, Caves Dom Teodósio, Adegas Camillo Alves, Caves Acácio, Caves Monteiros e Caves Moura Basto.
Este mesmo grupo detêm uma outra marca, a Quinta de S. João Baptista, cujo Syrah é bem superior a este.

Enigma é pois o nome do Syrah. Nome que só por si faria prometer um grande Syrah, até porque a palavra significa algo secreto e invisível, com um significado oculto por revelar, até o rótulo bem desenhado conduz nesse sentido. Tudo levaria a crer pois que a demanda seria frutífera. Tal não acontece, infelizmente. O Enigma é um vinho desinteressante, sem génio… desprovido de arcanos e mistérios! Não traz nada de novo ao mundo dos Syrah portugueses, sendo pouco mais que um Syrah aboleimado.

O enólogo de serviço é Carlos Eduardo e a graduação alcoólica é de 13%. Teve uma maturação de 6 meses em madeira de Carvalho Francês. As notas de prova dizem que possui uma “cor avermelhada e nariz delicadamente frutado, com suaves notas florais e vegetais a conferirem alguma complexidade ao conjunto, na boca é um vinho fácil, equilibrado e equilibrado, conta com um paladar frutado e levemente vegetal, o final de boca tem um comprimento e uma persistência medianos.” As notas de prova podem até ser simpáticas mas a realidade no palato o resultado é bem diferente! Este Syrah, pela nossa parte, apenas merece a nota que lhe atribuímos. Nem o já mitíco ano de 2015 o salva!

O grande escritor romano Sêneca escreveu que: “O vinho faz esquecer as maiores preocupações.” Mas só se for de qualidade, dizemos nós. De outro modo ainda causa mais desalento e infelicidade!

 

Classificação: 14/20                                                     Preço: 2,99€


 

Quinta do Côro, 100% Syrah, Tejo, 2013

Já tínhamos apresentado aqui este Syrah do Sardoal (terra natal de uma das metades do Blogue do Syrah, daí o orgulho), colheita de 2011.

A safra que hoje aqui nos tem, apresenta uma diferença visual de relevo: tem novos rótulos, em que o preto e o dourado se destacam. Ficou com um ar mais sóbrio e sofisticado!
Mas o que interessa é o que está dentro da garrafa e quanto a isso o que podemos desde já dizer é que esta colheita de 2013 está superior! As notas de prova que transcrevemos falam de uma “cor rubi, aromas com notas de menta fresca e frutos de bosque maduros, toque de especiarias finas e madeira bem integrada. A boca é bastante equilibrada com taninos maduros de excelente qualidade e final com muita persistência“. Tem uma graduação alcoólica de 14%.

A vindima manual para caixa de plástico decorre durante a terceira semana de Setembro, com escolha em mesa vibratória antes do desengace. A fermentação dá-se em lagar inox de pequena capacidade à temperatura de 24ºc, com pré-maceração durante 3 dias. O estágio faz-se em barricas novas de carvalho francês (70%) e americano(30%), durante 9 meses. O vinho não é filtrado antes do engarrafamento, podendo criar ligeiro depósito natural.

Os vinhos “Quinta do Côro” já foram distinguidos, várias vezes, em concursos internacionais. A adega actual, reconstruída em 2002, tem capacidade para 200 000 litros, com equipamentos modernos, em aço inox, que copiam os antigos, com tanques e pisa.
Na Quinta do Côro produzem-se ainda, há cerca de 30 anos, vários doces e compotas, (Marmelada Quinta do Côro; Geleia de Marmelo; Cubos de Marmelada e Figos Delicias de Pingo de Mel), que se encontram disponíveis na maior parte das lojas Gourmet, espalhadas pelo País. A Quinta possui no espaço do antigo lagar de azeite, recuperado como pequeno museu Agro-Industrial, uma sala de provas, com capacidade para 40 pessoas. Existem duas casas rústicas, com capacidade para alojar 8 a 10 pessoas. Ostenta ainda uma árvore gigante, e um sobreiro centenário, tido de interesse público.

D. Cooper escreveu que “O vinho estimula o apetite e dá sabor aos alimentos. Promove as discussões, a euforia e pode transformar uma simples refeição em um evento memorável.”
O Syrah da Quinta do Côro, gastronómico como só o Syrah sabe ser, pode bem apimentar uma refeição, estimular todo e qualquer apetite e dar melhor sabor a tudo o que comemos.
Viva Sardoal!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 4,49€


 

Bridão, Adega do Cartaxo, 100% Syrah, Tejo, 2015

A Adega Cooperativa do Cartaxo volta à carga e apresenta-nos a sua nova colheita de Syrah 2015. A anterior tinha acontecido em 2012 e mais atrás em 2009. A Adega Cooperativa do Cartaxo não aposta anualmente nos varietais Syrah, mas de vez em quando lembra-se de nós, como fazem alguns produtores desta casta com tantas virtudes e qualidades!

Este Syrah tem 14,5% de graduação alcoólica e as notas de prova dizem-nos que é “de aspecto límpido, cor granada carregado, aroma com frutos silvestres do tipo amora e framboesa, compota e baunilha.O sabor é frutado, de boa intensidade, com boa estrutura, fresco, final longo e persistente com notas de baunilha.”

Fundada em 1954, a Adega Cooperativa do Cartaxo tem raízes numa região onde existem referências à actividade vitivinícola anteriores ao século X. Desde então a Adega Cooperativa do Cartaxo funcionou até 1974 nas instalações da Junta Nacional do Vinho, hoje convertida no Instituto do Vinho e da Vinha, no Cartaxo. Há mais de duas décadas, a Adega inaugurou as actuais instalações, onde labora desde então, sempre à procura do reforço da capacidade humana e tecnológica ao serviço da melhor produção vinícola. A afamada região vitivinícola do Ribatejo, hoje chamada de Tejo, integra a sub-região do Cartaxo e confere à produção da Adega Cooperativa do Cartaxo a denominação de Vinho Regional e DOC do Ribatejo.

Os responsáveis da adega investiram na modernização do edifício, que apresentava limitações, para corresponder às novas exigências do negócio. O antigo escritório foi demolido para se construir uma nova linha de engarrafamento. As instalações foram reajustadas e os serviços administrativos e recepção, inaugurados o ano passado, foram construídos à entrada da adega. No mesmo edifício, a loja e sala de provas estão praticamente concluídas, faltando apenas algumas “burocracias” para poderem entrar em funcionamento.

Nos últimos 5 anos os vinhos que mais têm crescido em vendas são o Xairel e o Plexus. No entanto, a marca Bridão, onde se integra com galhardia o nosso Syrah, continua a ser a marca estrela da adega, com uma gama de oferta de vinhos bastante diversificada e cada vez mais bem referenciada.

E acabamos com um provérbio português que diz:
“O pão pela cor e o vinho pelo sabor.”
No caso do Syrah é o dois em um, é pelo sabor sem dúvida, mas também pela cor. Vamos a ele!

 

Classificação: 16/20                                                                       Preço: 4,69€