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Um rio corre através de grande lugares de Syrah…

Bridão, Adega do Cartaxo, 100% Syrah, Tejo, 2015

A Adega Cooperativa do Cartaxo volta à carga e apresenta-nos a sua nova colheita de Syrah 2015. A anterior tinha acontecido em 2012 e mais atrás em 2009. A Adega Cooperativa do Cartaxo não aposta anualmente nos varietais Syrah, mas de vez em quando lembra-se de nós, como fazem alguns produtores desta casta com tantas virtudes e qualidades!

Este Syrah tem 14,5% de graduação alcoólica e as notas de prova dizem-nos que é “de aspecto límpido, cor granada carregado, aroma com frutos silvestres do tipo amora e framboesa, compota e baunilha.O sabor é frutado, de boa intensidade, com boa estrutura, fresco, final longo e persistente com notas de baunilha.”

Fundada em 1954, a Adega Cooperativa do Cartaxo tem raízes numa região onde existem referências à actividade vitivinícola anteriores ao século X. Desde então a Adega Cooperativa do Cartaxo funcionou até 1974 nas instalações da Junta Nacional do Vinho, hoje convertida no Instituto do Vinho e da Vinha, no Cartaxo. Há mais de duas décadas, a Adega inaugurou as actuais instalações, onde labora desde então, sempre à procura do reforço da capacidade humana e tecnológica ao serviço da melhor produção vinícola. A afamada região vitivinícola do Ribatejo, hoje chamada de Tejo, integra a sub-região do Cartaxo e confere à produção da Adega Cooperativa do Cartaxo a denominação de Vinho Regional e DOC do Ribatejo.

Os responsáveis da adega investiram na modernização do edifício, que apresentava limitações, para corresponder às novas exigências do negócio. O antigo escritório foi demolido para se construir uma nova linha de engarrafamento. As instalações foram reajustadas e os serviços administrativos e recepção, inaugurados o ano passado, foram construídos à entrada da adega. No mesmo edifício, a loja e sala de provas estão praticamente concluídas, faltando apenas algumas “burocracias” para poderem entrar em funcionamento.

Nos últimos 5 anos os vinhos que mais têm crescido em vendas são o Xairel e o Plexus. No entanto, a marca Bridão, onde se integra com galhardia o nosso Syrah, continua a ser a marca estrela da adega, com uma gama de oferta de vinhos bastante diversificada e cada vez mais bem referenciada.

E acabamos com um provérbio português que diz:
“O pão pela cor e o vinho pelo sabor.”
No caso do Syrah é o dois em um, é pelo sabor sem dúvida, mas também pela cor. Vamos a ele!

 

Classificação: 16/20                                                                       Preço: 4,69€


 

Quinto Elemento, Quinta do Arrobe, 100% Syrah, Tejo, 2013

Estamos perante a terceira colheita do monovarietal Syrah Quinto Elemento, da Quinta do Arrobe. As outras duas foram nos anos transactos. Esperemos que seja para continuar, como sempre, e com a nossa ajuda. Trata-se de um Syrah “de cor rubi carregada. Com aromas de amora, ameixa e notas de especiaria. Na boca é encorpado, macio, equilibrado e com um final de prova prolongado.” As uvas provenientes da vindima manual foram cuidadosamente desengaçadas e esmagadas. Seguiu-se a fermentação alcoólica com maceração pelicular durante duas semanas a uma temperatura de 25ºC. O vinho acabado estagia durante cerca de um ano até ao seu engarrafamento.

A Quinta do Arrobe é um pequeno produtor do Tejo, com 36 hectares de vinha com uva tinta e branca. Situada em Casével, Santarém, é uma propriedade familiar, dirigida por Maria e Alexandre Gaspar, com forte vocação exportadora que se dedica à produção de vinhos. A ligação da família ao sector vinícola teve início em 1882, resultando de uma tradição de várias gerações. O processo de internacionalização iniciou-se em 2007 e neste momento a Quinta do Arrobe já regista presença em 10 mercados, nas gamas Premium e Superpremium, que são exportadas para países como a Alemanha, Brasil, Luxemburgo, República Checa, Noruega e China.

Na Quinta das Casas Altas, no coração do Ribatejo, em terrenos argilo-calcários de encosta, apostou-se na ideia de produzir vinhos de qualidade, tirando proveito das condições edafoclimáticas, com total respeito pelas riquezas naturais, história e ambiente únicos da região. Assumindo sempre o compromisso de apostar na criação das melhores condições, visionando continuamente a qualidade, investiu-se em equipamento enológico. A Quinta Do Arrobe, criada em 2011, juntou-se recentemente ao universo Quinta das Casas Altas, como reforço da estratégia de crescimento e desenvolvimento contínuo.

A propósito das medalhas ganhas Alexandre Gaspar, um dos proprietários, diz que “Este prémio é o reconhecimento da qualidade produzida na Quinta do Arrobe e do enorme potencial dos vinhos da região Tejo no mercado internacional”. Para conseguir melhores resultados Alexandre Gaspar vindima à noite ou de madrugada e a vinificação decorre em lagares de inox. Todo o processo é feito de forma tradicional mas recorre às novas tecnologias quando é essencial “trabalhamos o máximo por gravidade e o mínimo com recursos de bombas”. Os vinhos estão à venda em lojas da especialidade, restaurantes ou na quinta, que, obviamente, merece uma visita.

O naturalista romano Plínio, o Velho dizia que “Com o vinho se alimentam as forças, o sangue e o calor dos homens.”
O Syrah Quinto Elemento pode muito bem ser este vinho que o escritor nos fala, a visitar com regularidade!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 7,95€


 

 

 

Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2013

Parece ser um Syrah novo, mas não é! Este Syrah que agora se chama Pinhal da Torre, já se chamou Quinta de S. João e antes disso chamava-se Quinta do Alqueve. É a terceira vez que muda de formato e garrafa, assim como de rótulos. Será esta a melhor estratégia para dar a conhecer um Syrah e fidelizar consumidores? Temos muitas dúvidas! Só alguém do ramo e com atenção percebe que Quinta do Alqueve Syrah ou Quinta de S. João Syrah ou ainda Pinhal da Torre Syrah são na realidade Syrah provenientes da mesma casa que se chama Pinhal da Torre. Mas convenhamos: a grande maioria dos consumidores não sabe isto!

Mas vamos falar do mais importante que é o que está dentro da garrafa. Este Syrah da Pinhal da Torre 2013 tem uma graduação alcoólica de 14% e tem uma “cor vermelho rubi, intenso, concentrado, aspecto limpo. No nariz aparece elegante, fruta preta madura, notas de cacau, balsâmico e fresco, com notas tostadas leves e bem integradas. Na boca grande estrutura, cheio, com equilíbrio notável, cheio de fruta fresca, com elegância.”

A Pinhal da Torre fica situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, e dedica-se à produção de vinhos a partir de várias castas portuguesas e não só. A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947.

Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada. A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem.

O poeta, matemático e astrónomo iraniano do século XII, Omar Khayan, escreveu:
“Ouço dizer que os amantes do vinho serão castigados no inferno. Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno, o paraíso deve estar vazio.”
Apesar dos nomes sempre diferentes assim como garrafas e rótulos, o Syrah da Pinhal da Torre pode muito bem ser um dos responsáveis do paraíso estar vazio. Viva o inferno!

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 28,50€


 

Tributo, Rui Reguinga, 85% Syrah, 10% Grenache, 5% Viognier, Tejo, 2014

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Esta colheita atingiu o estrelato, sem dúvida. Temos mais um topo de gama do Tejo!
E se houvesse dúvidas bastaria lembrar o espectacular segundo lugar que obteve na prova cega que aconteceu no passado mês de Outubro e que colocou frente a frente Syrah português e Syrah estrangeiros, tendo este Tributo de 2014 obtido o segundo lugar, unicamente destronado pelo mítico Incógnito 2012!

Este vinho regional do Tejo, produzido a partir das castas Syrah (85%), Grenache (10%) e Viognier (5%), é feito bem à maneira dos franceses do Vale do Rhône, assumidamente. As notas de prova apresentam este Syrah da seguinte maneira: “De cor rubi, apresenta um aroma de grande intensidade, complexo, com notas de fruto vermelho maduro e amoras e um toque balsâmico da barrica. Paladar equilibrado, muito elegante, com uma boa acidez. Final longo, com uma agradável persistência. As características que melhor defendem este néctar são a elegância, equilíbrio e complexidade, apresentando-se com grande potencial de envelhecimento.” Tem graduação de 15%.

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Rui Reguinga acredita que é o terroir que está na raiz de tudo. Como ele diz: “Acredito que qualquer casta no terroir ideal pode produzir grandes vinhos…”
Não estamos em presença de um Syrah a 100%, como exigimos e apreciamos, mas reconhecemos e aceitamos a herança cultural importada da nobre região onde foi beber a sua génese. Nas palavras do enólogo:  “Um projecto sentimental, plantado em 1 hectare dado pelo meu pai, para “experimentar”. Este é um pequeno projecto pessoal, de apenas 2.000 garrafas. O vinho que idealizei fazer para mostrar um “caminho” diferente aos vinhos tintos ribatejanos: complexos, frescos, suaves e elegantes. Iniciado em 2001 com a plantação da vinha na Charneca de Almeirim, em solos muito pobres com calhau rolado. Com castas inspiradas na Cotes de Rhône: Syrah, Grenache, Mourvèdre e Viognier, pouca tecnologia e barricas “premium” de carvalho francês. Em todo o processo de selecção dos solos, preparação do terreno, plantação da vinha, o meu pai, vitivinicultor toda a sua vida, teve um papel fundamental. Infelizmente não viveria o suficiente para ver este sonho realizado. Por isso este vinho ganhou um significado diferente, e o seu nome: Tributo.”

O escritor Farnoux-Reynaud disse que:
“ Dado que o homem é o único animal que bebe sem sede, convém que o faça com discernimento.”
Maior discernimento não há se estivermos acompanhados duma taça de Syrah Tributo e o ano de 2014 está realmente muito bom!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 22,00€


 

Quinta da Lapa, 100% Syrah, Tejo, 2010

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Acabámos de degustar este Quinta da Lapa, que já conhecíamos, mas que não visitávamos faz tempo.
E não é que continua a sua evolução de modo bem positivo?

A Quinta da Lapa está implantada na região vitivinícola do Tejo, outrora denominada Ribatejo, onde vinho, cultura e história correm juntos desde os primórdios da Lusitânia.
O perfil dos vinhos Quinta da Lapa é, a um tempo, mineral e profundo, conseguindo aliar uma excelente maturação fenólica a uma grande frescura, quando normalmente isso só se consegue com vinhedos de altitude.

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A Quinta da Lapa conta com 27 hectares de vinha em exploração, dividida em talhões com idades compreendidas entre 6 e 15 anos. A orientação mais frequente das fiadas é nascente-poente, o que permite, quando se aproxima a vindima, uma maturação óptima dos bagos. Os dias são muito quentes mas à noite instala-se sempre a frescura, trazida pela brisa atlântica que ao longo de todo o ano se faz sentir.

As notas de prova do enólogo dizem-nos que tem “excelente cor. Aroma com notas de frutos pretos e especiarias típicas do Syrah. Bom volume de boca com taninos presentes, mas macios. Final longo.”

A fermentação é feita em cubas de inox com temperatura controlada. O estágio foi de 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano. Tem uma longevidade garantida pelo produtor de 8 anos. A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo de serviço é mais uma vez, e isto apesar de não estarmos  na Península de Setúbal, Jaime Quendera!

As instalações de vinificação são contíguas à casa da quinta, e permitem a manipulação total das uvas e massas vínicas, desde a vindima até ao engarrafamento. A proximidade das vinhas é um factor importante para a qualidade da matéria-prima, reflectindo-se na qualidade final dos vinhos. A base tecnológica instalada permite o controlo total da temperatura, em todas as fases, bem como dos tempos óptimos para cada perfil de vinho que se procura produzir.

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As vinhas de castas brancas da Quinta da Lapa foram plantadas em 1992, enquanto a plantação das tintas aconteceu em 1997. O sistema radicular das videiras está nesta altura estabilizado, conseguindo-se resultados consistentes de ano para ano, tanto em termos de maturação fenólica como na expressão do terroir da quinta. Fica pois reunido um leque interessante de castas portuguesas, a que se juntam algumas internacionais, definindo bem a vocação internacional dos vinhos, ao mesmo tempo que se afirma o grande valor patrimonial das uvas autóctones.

Plínio  o velho dizia: “Com o vinho se alimentam as forças, o sangue e o calor dos homens.”

Com este Syrah da Quinta da Lapa isso é perfeitamente possível!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 8,50€


 

 

Quinta de São João, Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2008

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Este é um dos grandes Syrah de Alpiarça e do Tejo.
aqui tínhamos apresentado a colheita de 2007 e também já conhecíamos a de 2009. Mas esta de 2008 que acabamos de sorver em toda a sua dimensão voltou a superar as expectativas.
Evoluiu de tal maneira que hoje, passados oito anos, estamos perante um topo de gama. Assim mesmo, com todas as letras!

A Pinhal da Torre não surpreende de todo! É deles o célebre Syrah da Quinta do Alqueve, de 2001, que apresentamos aqui e infelizmente esgotado!

O Syrah da Quinta de S. João “apresenta uma cor granada, fruta ligeiramente mentolada, baunilha, cacau tostado, especiarias, tenso e complexo, muito afinado com taninos redondos, boa acidez e macio, encorpado e final longo.” A graduação alcoólica é de 14,5%.

Os vinhos da Pinhal da Torre foram distinguidos com 90 pontos (em 100) por Mark Squires, um dos mais influentes críticos mundiais, numa apreciação publicada no site do grande especialista Robert Parker. Isto explica porque os Estados Unidos já valem 10% da produção da Pinhal da Torre.
Actualmente, os vinhos produzidos pela Pinhal da Torre podem ser encontrados em 18 países: Alemanha, Angola, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Canadá, China,Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Polónia, Reino Unido, Suécia e Suíça.
A Pinhal da Torre fica situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, e dedica-se à produção de vinhos a partir de várias castas portuguesas e não só. A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947.

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Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada. A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem.

O enólogo Luís Sottomayor disse:
“Os grandes vinhos revelam-se logo à nascença, mas os vinhos superiores, aqueles que ficam para escrever e contar histórias, esses precisam de provar que merecem um lugar na garrafeira e passar o teste do tempo”.
Pode muito bem ser neste caso o Syrah da Quinta de S. João.
Atirem-se a ele sem reservas!

 

Classificação: 18/20                            Preço: 24,90€