Category Archives: Tejo

Um rio corre através de grande lugares de Syrah…

Tributo, Rui Reguinga, 85% Syrah, 10% Grenache, 5% Viognier, Tejo, 2014

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Esta colheita atingiu o estrelato, sem dúvida. Temos mais um topo de gama do Tejo!
E se houvesse dúvidas bastaria lembrar o espectacular segundo lugar que obteve na prova cega que aconteceu no passado mês de Outubro e que colocou frente a frente Syrah português e Syrah estrangeiros, tendo este Tributo de 2014 obtido o segundo lugar, unicamente destronado pelo mítico Incógnito 2012!

Este vinho regional do Tejo, produzido a partir das castas Syrah (85%), Grenache (10%) e Viognier (5%), é feito bem à maneira dos franceses do Vale do Rhône, assumidamente. As notas de prova apresentam este Syrah da seguinte maneira: “De cor rubi, apresenta um aroma de grande intensidade, complexo, com notas de fruto vermelho maduro e amoras e um toque balsâmico da barrica. Paladar equilibrado, muito elegante, com uma boa acidez. Final longo, com uma agradável persistência. As características que melhor defendem este néctar são a elegância, equilíbrio e complexidade, apresentando-se com grande potencial de envelhecimento.” Tem graduação de 15%.

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Rui Reguinga acredita que é o terroir que está na raiz de tudo. Como ele diz: “Acredito que qualquer casta no terroir ideal pode produzir grandes vinhos…”
Não estamos em presença de um Syrah a 100%, como exigimos e apreciamos, mas reconhecemos e aceitamos a herança cultural importada da nobre região onde foi beber a sua génese. Nas palavras do enólogo:  “Um projecto sentimental, plantado em 1 hectare dado pelo meu pai, para “experimentar”. Este é um pequeno projecto pessoal, de apenas 2.000 garrafas. O vinho que idealizei fazer para mostrar um “caminho” diferente aos vinhos tintos ribatejanos: complexos, frescos, suaves e elegantes. Iniciado em 2001 com a plantação da vinha na Charneca de Almeirim, em solos muito pobres com calhau rolado. Com castas inspiradas na Cotes de Rhône: Syrah, Grenache, Mourvèdre e Viognier, pouca tecnologia e barricas “premium” de carvalho francês. Em todo o processo de selecção dos solos, preparação do terreno, plantação da vinha, o meu pai, vitivinicultor toda a sua vida, teve um papel fundamental. Infelizmente não viveria o suficiente para ver este sonho realizado. Por isso este vinho ganhou um significado diferente, e o seu nome: Tributo.”

O escritor Farnoux-Reynaud disse que:
“ Dado que o homem é o único animal que bebe sem sede, convém que o faça com discernimento.”
Maior discernimento não há se estivermos acompanhados duma taça de Syrah Tributo e o ano de 2014 está realmente muito bom!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 22,00€


 

Quinta da Lapa, 100% Syrah, Tejo, 2010

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Acabámos de degustar este Quinta da Lapa, que já conhecíamos, mas que não visitávamos faz tempo.
E não é que continua a sua evolução de modo bem positivo?

A Quinta da Lapa está implantada na região vitivinícola do Tejo, outrora denominada Ribatejo, onde vinho, cultura e história correm juntos desde os primórdios da Lusitânia.
O perfil dos vinhos Quinta da Lapa é, a um tempo, mineral e profundo, conseguindo aliar uma excelente maturação fenólica a uma grande frescura, quando normalmente isso só se consegue com vinhedos de altitude.

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A Quinta da Lapa conta com 27 hectares de vinha em exploração, dividida em talhões com idades compreendidas entre 6 e 15 anos. A orientação mais frequente das fiadas é nascente-poente, o que permite, quando se aproxima a vindima, uma maturação óptima dos bagos. Os dias são muito quentes mas à noite instala-se sempre a frescura, trazida pela brisa atlântica que ao longo de todo o ano se faz sentir.

As notas de prova do enólogo dizem-nos que tem “excelente cor. Aroma com notas de frutos pretos e especiarias típicas do Syrah. Bom volume de boca com taninos presentes, mas macios. Final longo.”

A fermentação é feita em cubas de inox com temperatura controlada. O estágio foi de 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano. Tem uma longevidade garantida pelo produtor de 8 anos. A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo de serviço é mais uma vez, e isto apesar de não estarmos  na Península de Setúbal, Jaime Quendera!

As instalações de vinificação são contíguas à casa da quinta, e permitem a manipulação total das uvas e massas vínicas, desde a vindima até ao engarrafamento. A proximidade das vinhas é um factor importante para a qualidade da matéria-prima, reflectindo-se na qualidade final dos vinhos. A base tecnológica instalada permite o controlo total da temperatura, em todas as fases, bem como dos tempos óptimos para cada perfil de vinho que se procura produzir.

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As vinhas de castas brancas da Quinta da Lapa foram plantadas em 1992, enquanto a plantação das tintas aconteceu em 1997. O sistema radicular das videiras está nesta altura estabilizado, conseguindo-se resultados consistentes de ano para ano, tanto em termos de maturação fenólica como na expressão do terroir da quinta. Fica pois reunido um leque interessante de castas portuguesas, a que se juntam algumas internacionais, definindo bem a vocação internacional dos vinhos, ao mesmo tempo que se afirma o grande valor patrimonial das uvas autóctones.

Plínio  o velho dizia: “Com o vinho se alimentam as forças, o sangue e o calor dos homens.”

Com este Syrah da Quinta da Lapa isso é perfeitamente possível!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 8,50€


 

 

Quinta de São João, Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2008

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Este é um dos grandes Syrah de Alpiarça e do Tejo.
aqui tínhamos apresentado a colheita de 2007 e também já conhecíamos a de 2009. Mas esta de 2008 que acabamos de sorver em toda a sua dimensão voltou a superar as expectativas.
Evoluiu de tal maneira que hoje, passados oito anos, estamos perante um topo de gama. Assim mesmo, com todas as letras!

A Pinhal da Torre não surpreende de todo! É deles o célebre Syrah da Quinta do Alqueve, de 2001, que apresentamos aqui e infelizmente esgotado!

O Syrah da Quinta de S. João “apresenta uma cor granada, fruta ligeiramente mentolada, baunilha, cacau tostado, especiarias, tenso e complexo, muito afinado com taninos redondos, boa acidez e macio, encorpado e final longo.” A graduação alcoólica é de 14,5%.

Os vinhos da Pinhal da Torre foram distinguidos com 90 pontos (em 100) por Mark Squires, um dos mais influentes críticos mundiais, numa apreciação publicada no site do grande especialista Robert Parker. Isto explica porque os Estados Unidos já valem 10% da produção da Pinhal da Torre.
Actualmente, os vinhos produzidos pela Pinhal da Torre podem ser encontrados em 18 países: Alemanha, Angola, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Canadá, China,Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Polónia, Reino Unido, Suécia e Suíça.
A Pinhal da Torre fica situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, e dedica-se à produção de vinhos a partir de várias castas portuguesas e não só. A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947.

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Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada. A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem.

O enólogo Luís Sottomayor disse:
“Os grandes vinhos revelam-se logo à nascença, mas os vinhos superiores, aqueles que ficam para escrever e contar histórias, esses precisam de provar que merecem um lugar na garrafeira e passar o teste do tempo”.
Pode muito bem ser neste caso o Syrah da Quinta de S. João.
Atirem-se a ele sem reservas!

 

Classificação: 18/20                            Preço: 24,90€


 

Vale de Lobos, Quinta da Ribeirinha, 100% Syrah, Tejo, 2013

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Já tínhamos analisado aqui a colheita de 2011 deste Syrah. Agora chegou a possibilidade de falarmos sobre a colheita de 2013. E desde logo podemos dizer: se tínhamos gostado da colheita de 2011, desta gostamos ainda mais!

O Syrah Vale de Lobos já mostrou ser um Syrah que veio para ficar, e ainda por cima com qualidade!

O Syrah Vale de Lobos existe desde a safra de 2001, e teve mais cinco até 2013: 2003, 2005, 2008 e 2011 e a actual. Nas primeiras safras a produção era de 6000 garrafas. As últimas foram já de 10000! A vinificação realiza-se com vindima manual. As uvas, previamente seleccionadas com um rigoroso controlo de maturação, foram a seguir devidamente desengaçadas. Fermentou na cuba rotativa, onde se procedeu à curtimenta após a fermentação alcoólica. O resultado tem 14 % de graduação alcoólica e segundo o produtor “veste granada intenso e toca alguns instrumentos, saltando notas a baunilha, especiarias e ligeiro torrado num tom elevado.” As vinhas estão plantadas em solo argilo-calcário, clima mediterrâneo seco com exposição da vinha a sul. As vinhas crescem em sistema de produção integrada em que o uso dos químicos é mínimo, salvaguardando assim o ambiente e a saúde humana. A quinta encontra-se num processo de reconversão gradual da vinha velha de forma a melhorar a qualidade e a produção.

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A Quinta da Ribeirinha produz no total meio milhão de litros de vinho por ano em que somente 10% é destinado ao mercado interno. No caso do “nosso” Syrah a percentagem é ainda menor. Somente 5% está destinado ao consumo interno. Eis pois porque é difícil ter acesso a este Syrah! Os principais destinos dos vinhos da Quinta da Ribeirinha têm sido sobretudo no continente americano, com particular ênfase para Brasil, Canadá e E.U.A. e no continente africano, Angola, Cabo Verde, Guiné e S. Tomé e Príncipe. Mais recentemente a quinta alargou os seus mercados para a China. No que respeita ao mercado Europeu as exportações estão distribuídas por vários países, tais como Alemanha, Bélgica, Holanda, Polónia, Noruega, Inglaterra, França e Espanha.

Quando falámos do seu irmão de 2011 na altura dissemos: “Era importante que o Vale de Lobos syrah pudesse também estar em garrafeiras nomeadamente de Lisboa, porque ficaríamos todos a ganhar, tendo em conta a qualidade que este Syrah já mostrou e as possibilidades de crescimento! Neste momento, cada vez que passamos pela área de serviço de Santarém, na auto-estrada Lisboa/Porto, é lá que o conseguimos comprar. Fica a dica!

Das poucas coisas verdadeiras que o fascista Mussolini terá dito, uma delas foi, e estamos de acordo com ele:
“Os que bebem vinho, vivem mais do que os médicos que o proíbem”.
Então se for Syrah, e neste caso o Syrah da Quinta da Ribeirinha, temos aí uma boa aposta com a qual só podemos mesmo concordar!

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 13,50€

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Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2010

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Foi no já longínquo mês de Novembro de 2014 que apresentamos aqui o Syrah topo de gama da Quinta da Lagoalva de Cima. Este texto hoje é uma revisão do que foi na altura publicado por nós.

Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”

Não se sabe quando será realizada a próxima colheita, mas esta de 2010, enquanto durar, preencherá todos os nossos critérios de qualidade e exigência. Na verdade, neste ano e meio de estágio em garrafa muito evoluiu este Syrah. Se já era excelente agora atingiu o nível que só alguns, diríamos mais, só mesmo os melhores, conseguem atingir! E olhem que não são muitos!

Foi exportado ao longo destes anos para vários países como Canadá, Brasil, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Reino Unido e também para Macau.

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Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima, cuja primeira safra é de 1994, (verificação que o Blogue do Syrah ainda está à espera de concretizar) provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.

As safras seguintes deram-se nos anos de 1997, 2000, 2005, 2008 e a presente de 2010.
A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém.

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A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.

Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

 

Classificação: 20/20                                                                     Preço: 28,50€

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Cabeço Alto, Adega Cooperativa de Gouxa, 100% Syrah, Tejo, 2010

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Quando pensávamos que já não havia Syrah esquecidos no tempo, eis que Tiago Paulo, da Garrafeira Estado d´Alma, tira literalmente da cartola qual mágico, este Syrah de 2010, da Adega Cooperativa de Gouxa. Só este facto em si merece ser celebrado, por exemplo, com uma taça de Syrah, digamos!

Sobre o néctar propriamente dito, as notas de prova dizem-nos que este Syrah tem “uma cor granada com tons violáceos, um aroma intenso lembrando frutos vermelhos maduros e com um sabor complexo e harmonioso.” A graduação alcoólica é de 14%. Foram lançadas na altura para o mercado 15000 garrafas.

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A Adega Cooperativa de Gouxa, C.R.L., localizada na Quinta de Gouxa, Alpiarça, com área aproximada de 11,2 hectares foi fundada em 1962 e construída pela antiga Junta Colonização Interna, tendo sido entregue a um núcleo de Associados que por sua vez formou a primeira Direcção. Teve o seu início de actividade em 1967 já um pouco dentro do período das vindimas com reduzida entrada de uvas. No ano de 1968 laborou em bom ritmo uma quantidade bastante razoável de uvas, predominantemente brancas, provenientes dos terrenos de Gouxa (Concelho de Alpiarça) e da Charneca das Fazendas de Almeirim, onde o seu característico vinho branco resultante das Castas Fernão Pires, Boal, e Arinto, vinho tinto Aragonês, Piriquita e Alicante Bouschet e também vinho licoroso (Abafado) proveniente de mostos brancos seleccionados, são de superior qualidade. No ano de 1969 começou-se a engarrafar a título artesanal, derivado à sua grande procura. Posteriormente teve a Cooperativa de empreender um projecto de renovação de equipamento no ano 1989, o qual tem vindo a ser renovado mediante as exigências do seu fabrico e qualidade, e segue até aos dias de hoje.

O Ribatejo é terra de vinho desde o tempo remoto dos romanos. E território de alguns Syrah memoráveis. Vinhos brancos, rosés e tintos que, ano após ano, se vão afirmando no gosto dos apreciadores. A região Ribatejana é hoje uma das primeiras áreas portuguesas de produção vinícola e integra várias denominações.

Já Napoleão Bonaparte dizia que “Claramente os prazeres que o vinho oferece são transitórios. Mas assim são também os do ballet ou o de uma apresentação musical. Os vinhos nos inspiram e acrescentam muito ao prazer de viver.”

Isso é válido para os Syrah e o da Adega Cooperativa de Gouxa também cumpre esse desiderato.

Beba-se!

 

Classificação: 15/20                                                                     Preço: 6,98€

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