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Um rio corre através de grande lugares de Syrah…

Encosta do Sobral, 100% Syrah, Tejo, 2015

Estamos perante mais um novíssimo Syrah, do concelho de Tomar, portanto do Tejo, e do ano de 2015!
É a primeira colheita monocasta de Syrah, apesar da vinha ter já treze anos. Foram feitas sete mil garrafas. As notas de prova dizem-nos que tem “Cor vermelha intensa, aromas a frutos vermelhos maduros, cassis, balsâmicos e especiarias. Na boca revela-se poderoso, equilibrado, untuoso, com taninos maduros, com uma excelente profundidade e final de boca persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 15,5%. No tête à tête, mostrou ter uma cor escura, muito carregada, é denso,encorpado e bastante aromático, como é apanágio da casta. O enólogo responsável é Pedro Sereno, que se prestou a conversar com o Blogue do Syrah e a responder a todas as questões.

A Encosta do Sobral encontra-se implantada na região do Ribatejo, mais propriamente no concelho de Tomar. A sua situação geográfica encontra-se privilegiada pela sua paisagem sublime e singular, bem como pela história do concelho, património, tradições, usos e costumes. Há várias gerações que a família proprietária se dedica à cultura da vinha e do vinho. No seu início a produção era de cariz familiar e o excedente colocado no mercado local. Ao longo dos anos verificaram-se alterações com aumentos graduais de plantação de vinha, porém nos finais da década de 90, procedeu-se a uma reestruturação dos vinhedos.
Esta foi acompanhada de um novo encepamento e emparcelamento, tendo sido atingido um total de 70 hectares, que num futuro próximo serão ampliados dada a excelente situação ecológica da zona. Na sequência desta remodelação construiu-se uma nova adega equipada com a mais recente tecnologia, situada na povoação do Outeiro a 8 km de Tomar.

As vinhas da Encosta do Sobral foram plantadas nas encostas soalheiras pertencentes às Freguesias da Junceira e da Serra. Este é um Syrah do Tejo mas numa zona muito particular da região, a 300m de altitude numa vinha de sequeiro e em terreno de xisto. Aqui a maior influência é da barragem do castelo de bode que nos permite ter uma maior precipitação anual juntamente com noites frescas de Verão. Este vinho nasce na Syrah 4 que é uma vinha que todos os anos nos abençoa com vinhos que ficam sempre no pódio . Esta versão de Syrah é um misto de concentração, frescura e untosidade. Foi engarrafado há um ano mas ainda pode melhorar com mais tempo em garrafa.

Fernando Pessoa, nas Canções de Beber, escreve o seguinte:
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
O Syrah Encosta do Sobral de 2015 pode bem ser o Syrah que precisamos enquanto “o ser revive.” Este Syrah tem tudo para se tornar um “clássico”!

 

Classificação: 17/20                                          Preço: 8,95€

Quinta Vale de Fornos, 100% Syrah, Tejo, 2012

Foi já há dois anos e meio que aqui apresentamos este Syrah da Quinta Vale de Fornos, da Azambuja, e do ano de 2012!
E que grande evolução teve este Syrah!
Passado este tempo está significativamente muito melhor!
É um Syrah granada, que segundo as notas de prova tem “um aroma complexo a fruta confitada, pimenta e chocolate. Apresenta-se com uma boca bem estruturada por taninos aveludados e elegantes. Complexo, apresenta notas varietais de trufa e especiarias. Termina persistente e com um bom retronasal.” Tem uma graduação alcoólica de 15%. Quatro safras viram até agora a luz do dia: as de 2005, 2007, esta de 2012 e a de 2014. Está para sair uma nova muito brevemente com o ano de 2015!

A Quinta Vale de Fornos situa-se no concelho da Azambuja, em pleno coração do Ribatejo, beneficiando de uma excelente localização e de uma deslumbrante envolvência paisagística. E é hoje o resultado da história que ao longo dos séculos por ali passou, consolidando a sua responsabilidade cultural. Comprada por Dª Antónia Ferreira (a Ferreirinha) para oferecer à sua filha, por altura do casamento desta com o 3º Conde da Azambuja, esta propriedade foi palco de vários episódios históricos, onde figuraram tão ilustres nomes como Napoleão e Cristovão Colombo. Diz-se que nesta propriedade estiveram alojadas as tropas de Napoleão durante as invasões Francesas e pelos seus vinhedos terá também passado Cristovão Colombo a caminho da casa de D. João II em Vale do Paraíso, para comunicar ao Rei a descoberta do Continente Americano.
Sendo uma propriedade de 200 hectares que alia a herança histórica e a tradição cultural ao lazer, aos eventos e, principalmente, à produção de vinhos, a Quinta Vale de Fornos torna-se um espaço único para quem a visita, onde impera a sintonia entre as suas diversas valências, entre elas o Enoturismo e Eventos. Com uma tradição que remonta ao século XVIII, o objectivo da Quinta Vale de Fornos é internacionalizar a sua esfera comercial, preservando os seus valores culturais e as características próprias dos seus produtos. Dispondo de uma imponente casa senhorial, cuja traça e cor, características das paredes, sempre foram mantidas, a propriedade goza de uma forte tradição, tanto pela antiguidade e pelo património, como pela ligação a ilustres famílias da Nobreza.
A Quinta de Vale de Fornos foi adquirida pelos presentes proprietários em 1972 a D. Pedro de Bragança.

O Syrah da Quinta Vale de Fornos é um daqueles Syrah com peso histórico a que ciclicamente apetece regressar, como é o caso, ainda por cima quando está bem melhor que no ano de 2015 quando foi feita a primeira análise.

Tendo em conta a história que relembramos da Quinta de Vale de Fornos apetece citar a frase do escritor romano Plínio, o velho:
“O Syrah é o sangue da terra.”
Isto mesmo!

 

Classificação: 17/20                                                                   Preço: 11,50€

Quinta de S. João, Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2008

Hoje apresentamos uma revisitação a este Syrah, pois está cada vez melhor.
A empresa de vinhos Pinhal da Torre, situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, produz Syrah desde o início do século!
O Syrah que produziu ao longo de todo este tempo já teve três designações. Inicialmente chamava-se Quinta do Alqueve, para de seguida passar para o designativo de Quinta de São João e finalmente chamar-se Pinhal da Torre!
Hoje vamos falar do Syrah de 2008 da Quinta de São João. Aqui foi apresentado o Syrah do ano de 2007!

O Syrah da Quinta de S. João “apresenta uma cor granada, fruta ligeiramente mentolada, baunilha, cacau tostado, especiarias, tenso e complexo, muito afinado com taninos redondos, boa acidez e macio, encorpado e final longo.” O vinho é vinificado pelo processo tradicional de curtimenta, com ligeira maceração, tendo estagiado em barricas de carvalho francês, não tendo sido filtrado.O teor de álcool é de 14,5% . Este Syrah, com dez anos de idade, apresenta ainda uma capacidade enorme de evolução. O produtor fala num total de quinze anos. Acreditamos que pode ser bem mais!

A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947. A Quinta do Alqueve tem uma área de 36 hectares de vinha e um Chalet do início do século passado, que actualmente se encontra em reconstrução.
Nestas quintas estão plantadas as seguintes castas: Castas Brancas – Fernão Pires, Chardonnay, Arinto e Viognier, Castas Tintas – Touriga Nacional, Tinta Roriz, Trincadeira, Castelão, Cabernet Sauvignon, Merlot, Touriga Franca, Alicante Bouschet, Tinta Francisca, Souzão e naturalmente o nosso Syrah.

Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada. A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem. Possui, ainda, um pequeno Museu Rural, alusivo ao vinho e à vinha, e uma sala de provas. Toda esta infra-estrutura assenta numa área de 4000m2.

A escritora francesa Sidonie Colette escreveu:
“Convém tratar a amizade como os vinhos, desconfiando das misturas.”
Este Syrah a 100% não tem misturas e está cada vez mais espectacular!

 

Classificação: 19/20                                                      Preço: 9,90€

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2015

Não foi há muito tempo que aqui falamos da colheita de 2012!
Hoje chegou a altura de falar da mais recente colheita deste extraordinário Syrah!
A colheita de 2015 tem todas as condições para se vir a tornar a melhor ou, pelo menos, uma das melhores tendo em conta o ano considerado!
Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”

Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses. A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém.

Façamos um pouco de história. Em 1834, a Quinta da Lagoalva é comprada por Henrique Teixeira de Sampayo, 1º conde da Póvoa. Em 1841-42 todos os bens passam para Dona Maria Luisa Noronha de Sampaio, que se casa em 1846 com Dom Domingos António Maria Pedro de Souza e Holstein, 2º Duque de Palmela, revertendo a partir dessa época os bens para a Casa Palmela. Sucessivamente em poder dos seus descendentes, as terras são desde 1950 até hoje pertença da Sociedade Agrícola Quinta da Lagoalva de Cima SA. A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas. A capacidade de evolução é enorme e ninguém se admire se daqui a um ano ou dois voltarmos a falar desta colheita de 2015 para revermos a avaliação agora feita!

“Quando tenho sede, bebo água, quando busco prazer, degusto Syrah!”, alguém disse.
Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

 

Classificação: 18/20                                                          Preço: 28,50€

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2012

Quando acaba de sair a colheita de 2015 do grande Syrah de Alpiarça, Ribatejo, percebemos que nunca tínhamos falado da colheita de 2012, apesar de o termos degustado por variadas vezes!
Estamos pois em falta. E ainda por cima tratando-se de um Syrah topo de gama. Temos que reparar a falha! Noutra altura falaremos da colheita de 2015!

Apenas feito em anos excepcionais, este Syrah de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.” Foi exportado ao longo destes anos para vários países como Canadá, Brasil, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Reino Unido e também para Macau. Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.

A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém. Tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.

Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

Uma vez perguntaram a Carlos Drummond de Andrade se gostava de poesia e ele respondeu:
“Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas,
lugares, chocolate, Syrah, papos amenos, amizade, amor.
Acho que a poesia está contida nisso tudo.”
O Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima é pura poesia vinícola!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 28,50€

Casal das Freiras, Agrovalente, 100% Syrah, Tejo, 2016

Não foi há muito tempo que apresentámos o Casal das Freiras de 2015 e eis que a nova colheita de 2016 já está disponível no mercado!
Seria provável torcer o nariz a um Syrah tão novo, ou seja, da vindima anterior. No entanto outra coisa aconteceu em termos de palato. Este Syrah tem uma fruta muito vincada, viva, expressiva, para tão curto tempo de estágio. Parece mais um Syrah de 2015, ou mesmo 2014, e não tanto de 2016. E esta reflexão é o elemento mais impressionante que este Syrah do distrito de Santarém, concelho de Tomar, freguesia da Madalena, tem para mostrar!

Priveligiando a singularidade, este Syrah monovarietal foi elaborado com uma selecção das melhores uvas da casta Syrah, onde sobressaem as notas dominantes que a caracterizam: “os aromas de fruta preta, como os mirtilos, ameixas e amoras, conjugados com o distintivo paladar do chocolate e leves notas de especiarias associadas à pimenta preta. Resulta um vinho encorpado, de cor granada, com bom equilíbrio de acidez e taninos suaves, realçados num final expressivo e prolongado”. Tem 13,5% de graduação alcoólica, como aliás a colheita anterior. O proprietário e produtor é o simpático José Vidal, e a enologia está a cargo da Teresa Nicolau. Mais uma senhora a dar-nos Syrah, sempre aquele sentimento de estar em presença de uma outra sensibilidade que não a masculina!

Com uma secular tradição vitivinícola e em terras que outrora foram da Ordem de Cristo, encontra-se a Quinta do Casal das Freiras. As suas vinhas estão implantadas em solos argilo-calcários de declive suave e ondulado com exposição a sul, predominando as castas nacionais. Vinificadas por métodos tradicionais, estas uvas dão origem a um vinho taninoso, encorpado e aromático. Com origem em antigo foro da Ordem de Cristo (século XV) é propriedade da família desde o século XIX. Com 180 Hectares esta Quinta inclui ainda searas, olival e floresta além dos 16 hectares dedicados à vinha.

Tal como aconteceu com o Casal das Freiras 2015, “é um Syrah que se bebe com prazer e que tem uma relação qualidade/preço muito considerável!” Esta nova colheita, superior à anterior, só poderá reafirmar o que aí se disse!
Citando o escritor Francisco Trindade: “Aquele que recebe os seus amigos e não tem um cuidado especial com o Syrah, não merece ter amigos ! »
Podendo fazer um pequeno brilharete perante os convidados e não gastando muito dinheiro, esta é uma óptima proposta !

 

Classificação: 17/20                                                                          Preço: 4,75€