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Um rio corre através de grande lugares de Syrah…

Quinta do Sampayo, Agroseber S.A., 100% Syrah, Tejo, 2004

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Este é um Syrah do Tejo que, mais uma vez, está esgotado sem mais agravo. Não o conhecemos e a informação disponível é escassa.

Produzido pela Agroseber, empresa sediada no Cartaxo, tanto quanto se sabe é safra única, do ano de 2004. Produziram-se 13 mil garrafas.

De origem relativamente recente, destaca-se na produção de vinhos de reconhecida qualidade e já várias vezes premiados, a empresa Agroseber, S.A., com centro de vinificação na Quinta Nova – Cartaxo, que oferece vinhos tintos, oriundos das suas quintas, com garantia de qualidade e à altura do gosto do apreciador. Como filhos do Ribatejo que são, os vinhos da Agroseber apresentam-se joviais, bravios, cheios de vida, mas nunca perdendo a postura. São carregados na cor e têm aromas muito intensos, onde dominam os frutos vermelhos muito maduros, lembrando compotas de fruta, complexados com os abaunilhados da madeira. Na boca têm a força taurina dos taninos, num conjunto cheio de estrutura e elegância que fazem lembrar o “bailado” dos cavalos na praça de touros.

As notas de prova dizem que tem “Cor granada clássica, tal como o nariz, mostra uma fruta levemente confitada, cassis, cereja, mas especialmente balsâmico, com notas de farmácia e licor e ervas, um tanto de exótico. Muito interessante, com um leve sentimento de falta de maturação que no conjunto não destoa. Na boca mostra boa garra, com menor envolvimento e mais componentes fenólicas, que conferem aresta e ângulo à passagem do vinho. Termina curto, algo amargo. Pode no entanto ter bom papel com a comida adequada.”

Dum autor desconhecido conhecemos esta citação: “O vinho melhora com a idade. Quanto mais velho eu fico, mais eu gosto de vinhos.“. Ora este Syrah tal apareceu com a mesma velocidade com que desapareceu. Não deu para ficarmos velhos, nós e ele. Há coisas assim na vida!

 

Classificação:                                                     Preço: 13,50€


 

Dom Hermano, Quinta do Casal Monteiro, 100% Syrah, Tejo, 2006

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Mais um Syrah do Tejo, faz muito esgotado.
Não o conhecemos e a informação disponível é também já muito escassa.

A Quinta do Casal Monteiro, S.A., antiga Casa Agrícola Herdeiros de Dom Luís de Margaride, S.A.,  em Almeirim, foi fundada pelos herdeiros de Luís José Braamcamp de Mello Breyner Cardoso de Menezes, mais conhecido por Dom Luís de Margaride, descendente paterno dos Condes de Margaride e materno dos Condes de Sobral, nascido em Santarém no ano de 1903. Em 1928, Dom Luís assumiu a direcção das actividades agro-vinícolas nas propriedades familiares, por si herdadas, às quais dedicou mais de cinquenta anos de estudo, trabalho de investigação e prática no cultivo da vinha e nas técnicas enológicas, deixando-nos uma vasta obra e escritos, mercê dos quais foi galardoado com vários prémios e consagrações nacionais e internacionais.

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Sobre o Syrah propriamente dito, acedermos a algumas notas de prova dizem que falam de “boa cor, notas vegetais abundantes, flores, feno fresco, algum eucalipto. Medianamente encorpado, fresco mas de acidez elevada, é um tinto ainda à procura do melhor perfil.” Tem uma graduação alcoólica de 13% e o enólogo de serviço foi João Sardinha Cruz.

Tendo em conta a pouca informação que existe é um vinho que desapareceu com a mesma velocidade em que apareceu sem deixar rasto ou continuidade.

Há um brinde inglês que reza da seguinte maneira: “Que o nosso amor seja como o vinho, crescendo conforme envelhece.” Vamos repetir em inglês, que gostamos mais da musicalidade original:
“May our love be like good wine, grow stronger as it grows older.”

Concluindo por hoje, seja qual for o idioma, eis pois um brinde que não será possível fazer com este desparecido Syrah!

 

Classificação:                                                    Preço: 4,70€


 

Reserva dos Amigos e Casa do Cónego, Lisboa; Vidigal, Tejo; Vidigal Wines, 100% Syrah, Lisboa, 2004, 2008

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Hoje falaremos de três Syrah, todos esgotados, todos com origem no mesmo produtor, a Vidigal Wines.

Começamos pelo Reserva dos Amigos, um Syrah de Lisboa que foi produzido na respectiva região vitivinícola. As notas de prova diziam que era um vinho com “muito vegetal seco, aroma um pouco afastado da casta, fruto preto e alguma pimenta. Já macio e acessível na boca, mesmo um pouco plano, mas está tudo no sítio e por isso deverá ser bebido agora.” Tinha uma graduação alcoólica de 14%. Para além da safra de 2008 também tinha havido a de 2004.

A história destes desaparecidos néctares começa com uma empresa familiar produtora e engarrafadora de vinhos de qualidade, de origem portuguesa, a Caves Vidigal, SA, fundada no ano de 1958. Foi comprada em 1994 por um português que emigrou do seu país e viveu 27 anos na Dinamarca, onde até hoje possui uma empresa importadora, principalmente de produtos portugueses para este país escandinavo. Com a volta ao país de origem, em 2001, retoma a Vidigal e casa-se com a brasileira Maria Luiza. A família veio junto: Rodrigo, o irmão Ricardo e as respectivas esposas, Luciana e Andréa.

Em 2005 uma grande empresa norueguesa distribuidora de bebidas, a Red&White, adquiriu a parte das caves dando origem à Vidigal Wines, SA. Moderniza-se e melhora-se a infra-estrutura da empresa sempre com a preocupação com a higiene e o bem-estar dos funcionários. Como 95% da produção destina-se à exportação, os vinhos mais vendidos são o Vidigal Reserva na Noruega e o Reserva dos Amigos em Angola. Alemanha, Dinamarca, Suíça, Suécia, Bélgica, Andorra, Polónia, França, Itália, Espanha, Inglaterra, América do Norte (Canadá e Estados Unidos), América do Sul (Brasil) e recentemente a Ásia (China e Índia) são também mercados da nossa empresa. O portefólio conta com mais de 33 vinhos oriundos da Estremadura, Ribatejo, Alentejo, Douro, Dão, Beiras e Minho. Há vinhos jovens, maduros, varietais, verdes, rosés e espumantes.

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A produção total da Vidigal Wines é de aproximadamente 4.500.000 garrafas, mais 500.000 para o mercado interno.

A Vidigal Wines também produziu um outro Syrah na mesma altura em 2004 e também 2008 da região vitivinícola de Lisboa a 100% syrah de nome Casa do Cónego e que também se encontra esgotado.

E produziu ainda um terceiro Syrah a 100%, também nos anos de 2004 e de 2008, de nome Vidigal Syrah, este não de Lisboa mas do Tejo, com uma graduação alcoólica de 14%. Três euros seria o preço deste vinho na época.

Pode e deve-se perguntar: como é possível que a mesma empresa lance no mercado por mais de uma vez três monocasta Syrah e ao fim de poucos anos nenhum resistiu à passagem do tempo? Essa pergunta foi feita pelo Blogue do Syrah a um quadro da Vidigal Wines que deu uma resposta pela qual não estávamos à espera. E a resposta foi esta:
no início de actividade a Vidigal Wines queria apostar em força no mercado externo e plantou algumas das castas internacionais mais reconhecidas para ter um êxito mais rápido, visto que as castas portuguesas não eram tão conhecidas e seriam bem mais difícil penetrar no mercado externo produzindo vinhos de castas nacionais. Daí a aposta em força no Syrah, entre outras castas internacionais. Quando a Vidigal Wines se tornou uma grande empresa exportadora de vinhos e as suas marcas eram já conhecidas nos mercados que importavam o vinho português apostou de vez nas castas autóctones e abandonou as castas internacionais inicialmente responsáveis pelo início pujante de actividade comercial.

Quem defende esta tese não devia sequer merecer este espaço de considerações, mas no fim de tudo quem se fica a rir é quem está solidamente no mercado continuando a produzir vinhos de monocasta Syrah!

A actriz Joan Collins dizia que “a idade é apenas um número irrelevante. Excepto se for uma garrafa de Syrah.“ Mas é preciso que esse dito cujo exista! Se esgotou e não se renovou numa nova safra, não é mais que um nome e uma data. É isso que acontece com estes 3 Syrah da Vidigal Wines, fica a memória de quem teve o privilégio de com eles conviver e este nosso texto para que conste!

 

Classificação:                                                Preço: 4,00€


 

Lapa dos Gaivões, João M. Barbosa vinhos , 100% Syrah, Alentejo, 2005 Ninfa, João M. Barbosa vinhos , 100% Syrah, Tejo, 2003

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Hoje vamos falar de dois Syrah, diferentes no terroir, mas ligados à mesma empresa. Porém, ambos estão esgotados faz muito, para nossa sempre grande tristeza!

A história da empresa familiar João M. Barbosa é recente, se a compararmos com algumas empresas portuguesas, mas a experiência pessoal adquirida já é muita. Nela colaboram todos os membros da família, sendo total a dedicação para produzir o melhor e o mais original que a terra dá, tanto no Alentejo como no Tejo. Duas unidades modernas criadas para produzir vinhos autênticos e diferentes.

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Desde pequeno que João Teodósio Matos Barbosa passeava com o seu avô, fundador da empresa Caves Dom Teodósio, observava as vinhas e o trabalho que lá se desenvolvia. É desta vivência que nasce a sua paixão pelo vinho e vontade de pertencer ao projecto familiar. Aprendeu e desenvolveu conhecimentos nas Caves Dom Teodósio, onde acabou por crescer com a empresa, caso de sucesso Português e marca referência no panorama vitivinícola nacional.

Em 1997, decidiu fundar a sua própria empresa, com produção a partir de uvas exclusivamente próprias, em produção integrada e biológica – vinhos de autor onde se expressa com inteira liberdade criativa, tirando sempre o melhor partido dos terroirs das duas regiões escolhidas. Cada uma dela, Tejo e Alto Alentejo, têm as suas adegas e respectivas marcas: Ninfa no Tejo (Adega Porta de Teira em Rio Maior) e Lapa dos Gaivões no Alto Alentejo (Adega Valle de Junco em Esperança, Portalegre).

João Barbosa não aceitou o desafio do Blogue do Syrah: fazer novas safras, do Lapa dos Gaivões e/ou do Ninfa! Até porque já passou um década sobre a realização dos dois Syrah que estamos aqui a relembrar… mas cada um sabe de si.

Sobre o Ninfa Syrah muito pouco podemos dizer. Não o chegámos a conhecer! Já estava esgotado aquando do nascimento do Blogue do Syrah. Em conversa com o produtor numa feira de vinhos alentejanos perdemos de vez a esperança de o poder ainda vir a encontrar. Se algum dos nossos leitores dele se recordar que venha aqui comentar de sua justiça!

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Em relação ao Lapa dos Gaivões, conseguimos ainda uma garrafa, que muito nos agradou, o que fica demonstrado na nota que lhe atribuímos. O enólogo foi António Ventura, e as notas de prova dizem que tem uma “cor avioletada e aromas florais, frutados e ligeiramente abaunilhados, está ainda muito presente toda a sua juventude, com os taninos a mostrarem toda a sua força e as notas de madeira ainda bem vincadas na prova de boca, é complexo e encorpado e melhorará certamente com o tempo em garrafa, o final é prolongado.” O estágio decorreu em barricas de carvalho Francês “Allier” e Americano durante 12 meses. Tem 14% de graduação alcoólica.

Se Victor Hugo disse que “Deus criou a água, mas foi o homem fez o Vinho” então a João Barbosa Vinhos tem a obrigação moral de retomar o caminho já traçado e lançar-se na aventura da produção de um novo monocasta Syrah! Fica o repto…

 

Lapa dos Gaivões
Classificação: 17/20                                                     Preço: 29,00€

Ninfa
Classificação:                                                                 Preço:


 

Casa da Atela, Quinta da Atela, 100% Syrah, Tejo, 2007

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Na região vitivinícola do Tejo estamos mais uma vez para conhecer o Syrah da Quinta da Atela.

Um Syrah que se bebe razoavelmente bem, mas que não encanta, e com um preço algo exorbitante para a qualidade apresentada. Por esta quantia é possível encontrar Syrah bem superior, em aromas presentes, corpo, enfim, em complexidade, ao do Syrah Casa da Atela.

Feito pelo enólogo António Ventura e com 13,5% de graduação alcoólica, este Syrah apresenta-se com as seguintes notas de prova: “Cor rubi, aromas elegantes de frutos negros e chocolate, com um toque de baunilha discreto. Estrutura de boca bastante elegante com taninos muito sólidos de excelente qualidade e final de persistência longa.”

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Situada no Ribatejo, concelho de Alpiarça, a cerca de 100km de Lisboa, a Quinta da Atela pertence à mesma família à várias gerações. Descobertas feitas pelo Instituto Arqueológico Alemão indiciam que o cultivo da vinha nesta Quinta remonta à época romana.

Nos anos noventa teve lugar a última reconversão da vinha e recentemente procedeu-se a uma profunda reestruturação na adega. Actualmente a Quina da Atela é uma das referências da região Tejo, reconhecida com diversos prémios ganhos em concursos cá dentro e lá fora.

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Implantados em solos arenosos, os 130 hectares de vinha gozam de uma localização e exposição solar privilegiadas. A vinha é constituída por uma parte em idade nobre, cerca de 50 anos, e por outra mais recente, cerca de 10 anos.

Com 85% de castas tintas e 15% de castas brancas, as tradicionais e históricas castas nacionais ocupam 60% da área da vinha sendo a restante área ocupada por castas estrangeiras criteriosamente seleccionadas.

A adega perfaz uma área total de 4000 m2, divididos em zona de vinificação, zona de armazenagem, zona de estágio em barricas de madeira, linha de engarrafamento, zona de estágio em barricas de madeira, linha de engarrafamento, zona de estágio de garrafas e laboratórios. Em 2003 foi construída uma nova zona vinificação, equipada com a mais moderna tecnologia, totalmente em aço inox e com controlo de temperatura.

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A ampla zona de armazenagem tem uma capacidade superior a 2 milhões de litros.

O poeta Mário Quintana escreveu: “Por mais raro que seja, ou mais antigo, só um Syrah é deveras excelente… Aquele que tu bebes, calmamente, com teu mais velho e silencioso amigo.”

Talvez o Syrah da Quinta da Atela se aproxime da excelência se bebido com um grande amigo, mesmo assim temos as nossas dúvidas!

 

Classificação: 14/20                                                     Preço: 7,80€

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5 Outeiros, 100% Syrah, Tejo, 2014

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O Blogue do Syrah acaba de descobrir um novo Syrah. Não no sentido absoluto da palavra, de ter acabado de nascer, mas de até agora ter permanecido desconhecido para nós.

É do Tejo, freguesia de Alcanhões, concelho de Santarém, e o produtor é Manuel Rosa Cândido, Lda.

Tem 14% de graduação alcoólica e foram feitas algumas centenas de garrafas. Não é a primeira safra de Syrah deste produtor, mas é agora que está a querer sair do anonimato, estando nós aqui para dar um empurrão.

Irá sair para o mercado dentro de pouco tempo, faltando unicamente resolver algumas questões relacionadas com a aprovação do rótulo.

As notas de prova dizem-nos que “apresenta uma cor intensa, de forte tonalidade violácea, o nariz revela delicados aromas florais e de fruta vermelha aliados a um evidente toque vegetal, na boca é um vinho correcto, com um paladar frutado e taninos muito redondos, o final de boca tem um comprimento curto.”

Apesar de já o termos provado, e em termos de qualidade ter deixado para trás muitos Syrah, pensamos que mais uns meses de estágio só lhe poderiam ter feito bem, mas isso é uma decisão que só caberia ao produtor.

Vamos pois esperar que esteja disponível para todos, e então faremos uma análise mais completa.

Bem vindo seja à colecção dos Syrah do Tejo!