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Terras setentrionais… Syrah veemente!

Quinta do Sobreiró de Cima, Sociedade Agrícola Comercial SA, 100% Syrah, Trás-Os -Montes, 2015

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Já falamos deste Syrah aqui, do ano de 2010.
Recentemente saiu o seu irmão mais novo, de 2015!
Nova roupagem, mais atraente, mais apelativo e moderno dentro do tradicional, mas o que realmente importa é o que está lá dentro!

O Syrah da Quinta do Sobreiró de Cima, é um Syrah com 14,5% de graduação alcoólica, tratando-se de um  vinho de “cor granada concentrada, um aroma confitado a lembrar fruta preta muito madura, alguma especiaria, com toque balsâmico da casta, na boca é muito cheio, aveludado com os taninos presentes e com um final longo e persistente.” A enologia mudou de mãos, estando agora a responsabilidade das grande decisões a cargo de Luís Cortinhas.

Apesar da evidente qualidade deste Syrah, no texto de Março de 2015, fomos muito caústicos em relação ao tipo de divulgação que a Sociedade Agrícola Comercial SA utilizava: simplesmente nenhuma!
Mas tudo isso mudou!
E agora o Blogue do Syrah, e todos os demais apreciadores, já não têm motivos de queixa. E ainda bem! Porque nós não gostamos de ser queixinhas e porque gostamos de ver um produto de qualidade ser divulgado como merece! O novo CEO da Sociedade Agrícola Comercial SA, Natacha Teixeira, fez uma revolução no modus operandi da empresa! Há um site que não havia, há uma página de Facebook que não havia, em resumo, hoje é fácil e possível contactar a Quinta do Sobreiró de Cima e obter informações, por exemplo sobre os seus vinhos, estando igualmente disponível um documento de apresentação muito bem elaborado, parabéns! Ficamos satisfeitos com todas estas mudanças porque este Syrah merece ter vida longa e para que isso possa acontecer é imperioso a divulgação ser feita e que esteja largamente disponível, acessível a todos!

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Antes de terminar queríamos chamar a atenção para o seguinte aspecto: pode parecer que este Syrah, ao ter a mesma classificação da colheita de 2010, teria pois a mesma qualidade, pelo menos do nosso ponto de vista. Concluir isso é não perceber que o vinho tem uma curva ascensorial e que em relação a este Syrah ainda só estamos no início! Tem um longo caminho a percorrer. Palpita-nos que daqui a um ano ou um ano e meio a qualidade deste Syrah 2015 possa estar a um nível superior! Vamos estar atentos e voltaremos a ter motivos de interesse para voltar ao Syrah 2015 da Quinta do Sobreiró de Cima!

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Cervantes, que escreveu as aventuras e desditas do ilustre cavaleiro de La Mancha, Don Quijote, dizia que “O vinho que se bebe com medida jamais foi causa de dano algum.”
Não temos dúvida que este Syrah de Trás-Os –Montes não será causa  de dano pois a qualidade fala por si!

 

Classificação: 17/20                            Preço: 7,95€

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Quinta do Escairo, 100% Syrah, Trás-os-Montes, 2012

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Foi mais uma vez o nosso amigo e companheiro de armas Jorge Cipriano, do Clube dos Vinhos Portugueses, que nos chamou a atenção para este Syrah, da zona de Vinhais. Ficámos obviamente felizes, como sempre, porque este seria assim o terceiro Syrah de Trás-os-Montes a aparecer no mundo Syraniano português. Só que o nosso entusiasmo cedo se desvaneceu… Porquê? É isso que vamos contar.

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Quando tivemos conhecimento deste Syrah, fizemos aquilo que habitualmente costumamos fazer: procurar na Internet, esse lugar tão tenebroso quanto irresistível, informação relevante sobre o Syrah em causa!
Site, não havia!
Blogue também não há!
Havia sim presença no Facebook, o dito.
E nessa página havia um contacto telefónico!
Tentámos por mais de uma dúzia de vezes o contacto por essa via, sem sucesso. Deixámos por duas vezes em momentos diferentes uma mensagem privada e não obtivemos resposta. Deixamos de novo duas mensagens  em momentos diferentes no mural da página Facebook, e mais uma vez sem qualquer tipo de resposta. Os responsáveis da Quinta do Escairo não querem ser encontrados nem contactados e por isso não fazem qualquer tipo de esforço para chegar à fala com quem os procura. Mesmo não concordando com esta postura imprópria e conservadora, temos que respeitar  a vontade dos responsáveis da Quinta e por isso não voltaremos a estabelecer qualquer contacto seja de que espécie for com a Quinta do Escairo. Mais: esta foi a primeira e a única vez que falaremos desta Quinta e do seu Syrah, do qual não podemos dizer o que quer que seja e não iremos dizer o que quer que seja porque os responsáveis da Quinta do Escairo não o querem dar a conhecer!

E é assim a triste história de um Syrah que ficará na história mas que não tem história que se possa contar.

No texto de apresentação dos vinhos da Quinta na dita página de facebook é dito que: “É assim que os vinhos da Quinta do Escairo já estão no mercado e fazem sucesso.”
Não sabemos como isso é possível quando os responsáveis fazem o seu Syrah, por exemplo, viver na clandestinidade!

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Vamos só fazer uma pequena apresentação, a apresentação possível!
A Quinta do Escairo é uma propriedade situada a 4 km da vila de Vinhais, na margem direta do rio Tuela e totalmente virada a sul, e é constituída por floresta de pinhal, sobreiros e diversa vegetação característica da zona. Na cota mais baixa, situa-se a vinha, onde predominam as tradicionais castas nacionais e algumas estrangeiras, nomeadamente Cabernet Sauvignon, Shardonnay, Syrah e Alicante Bouché.
O relevo em parte inclinado e o restante planalto, é aproveitado para o pastoreio de cabras de raça brava, em regime extensivo e em amplos parques vedados. Grande parte da propriedade é composta por floresta e mato rasteiro, onde predomina a urze, a giesta, a esteva e encontra-se dividida em parques vedados pela chamada rede ovelheira.

Shakespeare disse:
“O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria.”
Não é o caso do Syrah da Quinta do Escairo que se é ou não bondoso e de confiança nunca saberemos, por inoperância e procrastinação dos seus responsáveis!

 

Classificação:                                                    Preço:


 

Quinta de Arcossó, 100% Syrah, Trás-os-Montes, 2012

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A colheita 2012 do Syrah da Quinta de Arcossó chegou recentemente ao mercado e, claro, logo que disso tivemos conhecimento partimos em sua demanda. Cá está ele.
E cumpriu inteiramente as nossas expectativas.

Este é um Syrah com características muito especiais, diríamos mesmo únicas!
A quinta, do produtor Amílcar Salgado, homem de uma grande disponibilidade comunicativa, possui doze hectares de vinha, produz diversos vinhos desde 2005, e está situada naquele que é considerado o local mais rico da Europa em águas minerais. Basta pensarmos nas águas Campilho, nas águas Vidago ou nas conhecidíssimas Pedras Salgadas, para além de outras que povoam toda esta região. Isto faz com que o Syrah seja muito mineral, sobretudo no primeiro envolvimento na boca, sobressaindo de seguida toda a complexidade da casta. É por isso que podemos dizer que se trata de um Syrah único, possuidor de características que não encontramos em mais nenhum Syrah em Portugal, quiçá no mundo.

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A Quinta de Arcossó está situada numa região de tradições vitícolas já muito antigas, anterior aos romanos, com um solo de origem granítica onde crescem castas adaptadas à região. Quem diria que a casta Syrah se poderia adaptar tão bem a este “terroir”! Diz-nos o produtor que “todos os vinhos tintos são transformados com pisa a pé” e por isso recorre à enologia de Francisco Montenegro, técnico com vasta experiência.

O Syrah tem 14,5 de graduação alcoólica, e estagiou durante dezasseis meses em barricas de carvalho francês. Diz-nos o produtor que tem “cor ruby profunda, com intensidade aromática, onde predominam bagas maceradas e especiarias com baunilha da madeira. Na boca evidencia corpo, boa acidez, sabores a fruta, taninos densos e elegantes e saboroso final.”

A pequena produção de apenas duas mil garrafas, faz com que seja difícil de encontrar! Na grande Lisboa existiam dois sítios onde isso é possível: Oeiras, Néctares d`Aldeia no número 7 do Largo 5 de Outubro; Lisboa, Prazeres da Terra no número 6ª do Largo da Estefânia. Agora também na garrafeira Estado d’Alma quer na Alexandre Herculano quer em Alcântara!

É um Syrah que impressiona pela qualidade mas também pela especificidade! Quem gosta de Syrah não poderá ficar insensível a esta Quinta de Arcossó!
Como disse Pierre Leroi:
“Os Vinhos de Portugal? É todo o sol, a luz, a cor e a vida inteira deste maravilhoso País!”
E isso inclui seguramente este Syrah de Trás os Montes!

 

Classificação: 17/20                            Preço: 9,95€


 

Quinta do Sobreiró de Cima, Sociedade Agrícola Comercial SA, 100% Syrah, Trás-Os -Montes, 2010

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(Informação actualizada)

Há dois Syrah em Trás –os-Montes. O da Quinta de Arcossó, de que já falámos, e este da Quinta do Sobreiró de Cima, de que vamos falar hoje, em Valpaços. São os dois especiais. E é com muito prazer que o fazemos. Embora nem tudo sejam rosas. Vamos à explicação.

O Syrah da Quinta do Sobreiró de Cima, que se pode encontrar na grande Lisboa em três sítios distintos, dos quais destacamos a garrafeira Estado de Alma, é um Syrah com 14,5% de graduação alcoólica, tratando-se de um  vinho de “cor granada concentrada, um aroma confitado a lembrar fruta preta muito madura, alguma especiaria, com toque balsâmico da casta, na boca é muito cheio, aveludado com os taninos presentes e com um final longo e persistente.” Depois duma exposição destas quem é que não ficou com vontade de o provar?

E depois de o provar vai ficar amigo dele…ou cliente!

É dum anónimo o seguinte poema intitulado justamente:

CLIENTE, MEU AMIGO
Lembre-se que quatro copos fazem um litro e que dois litros fazem uma rodada.
Duas rodadas uma discussão e uma discussão uma briga.
Uma briga uma pancadaria e uma pancadaria dois policiais.
Um juiz, um escrivão e um oficial de justiça efetuam uma multa ou alguns dias de prisão, mais as despesas do processo.
As despesas levam à ruína, a ruína ao suicídio, o suicídio à morte.
A morte deixa viúvas alegres e lindas mães satisfeitas.
Fora isso, venha aqui,
beba moderadamente,
pague honradamente
e saia amigavelmente.
Volte para a sua casa tranquilamente
e beije com carinho sua mulher
pensando nas dos outros.

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No princípio do texto dissemos que em relação a este Syrah “nem tudo são rosas” e é verdade. Não, em relação ao Syrah em si, que é de qualidade evidentíssima, mas em relação ao tipo de divulgação que a Sociedade Agrícola Comercial SA utiliza. E qual é? Nenhuma! Absolutamente nenhuma! E depois não nos venham gritar que o “negócio” está em crise! Esta sociedade detentora do Syrah Quinta do Sobreiró de Cima, não tem site, não tem blogue, não tem sequer Facebook, não está presente em nenhuma outra rede social. Não há nada em discurso directo sobre esta sociedade e este Syrah. O que há é em sítios informativos, o nome da sociedade, a morada nº de telefone e nº de fax. Mais nada! Aliás, diga-se em abono da verdade que conseguimos não um mas dois números de telefone da rede fixa. Durante três dias telefonámos para lá a diversas horas de expediente habitual duma empresa, de manhã, antes e imediatamente a seguir ao almoço, a meio da tarde… e nada! Os telefones não funcionam! Como é que é possível deste modo o público consumidor e amante de Syrah, e deste em particular, ter informação para além do que vem na garrafa? É muito difícil desta forma escrever sobre este Sobreiró, só não dizemos impossível porque pelo menos a região de onde vem está cheia de história, e de histórias.

Falemos pois de Valpaços, região onde é produzido este Syrah.

Inúmeras vinhas velhas que pareciam condenadas ao abandono estão hoje na base do renascimento dos vinhos de Valpaços, famosos desde os tempos do império romano.

Os vinhos de Valpaços, região de Trás-os-Montes, andam há muito tempo arredados do panorama mediático. Seguiram o mesmo declínio do interior do país, fossilizando-se pouco a pouco. Nunca deixaram de ser produzidos, mas a base de consumo foi-se estreitando e confinando-se praticamente ao mercado local e regional. No entanto, estamos a falar de vinhos com mais de dois mil anos de história, muito apreciados no tempo do império romano, existindo até a tese de que o nome de Valpaços estará relacionado com o vinho “passum“, o vinho doce pelo qual os romanos nutriam especial predilecção. Desse tempo, ainda subsistem no concelho alguns lagares esculpidos na rocha, naquela que é uma das maiores colecções de lagares romanos do mundo.

Hoje já ninguém faz vinho na pedra. Nos últimos anos, num movimento extensivo a outras zonas de Trás-os-Montes, vários produtores passaram a olhar mais longe e a produzir vinho de forma moderna. Recuperaram lagares antigos, construíram um ou outro de raiz e passaram a engarrafar o vinho com marca própria. Ainda são pouco conhecidos, mas alguns deles vão dar que falar, se conseguirem ser perseverantes e não desperdiçarem o melhor que têm: vinhas centenárias, castas bem adaptadas ao lugar, solos ideais para a cultura da vinha e cotas que garantem vinhos maduros mas ao mesmo tempo frescos. E por favor, não se esqueçam de fazer divulgação e partilhar informação.

As condições naturais do concelho são de tal forma ideais que no final da monarquia ainda foi equacionada a inclusão de Valpaços na região do Douro. A ideia não vingou e a vizinhança da região duriense, com o seu peso e prestígio, foi passando factura aos vinhos produzidos nas encostas do rio Rabaçal. Actualmente, a situação é mais favorável. A padronização crescente do vinho abriu novas oportunidades a regiões menos conhecidas e originais e as alterações climáticas estão a elevar a cultura da vinha para cotas mais altas e frescas. Castas como a Tinta Roriz, que no Douro produz fracos resultados nos vinhos tranquilos, podem originar vinhos magníficos em Trás-os-Montes, tirando partido da maior altitude.

No caso de Valpaços, além da Roriz, as castas com mais tradição são o Bastardo, a Tinta amarela (nos tintos), o Gouveio, a Códega do Larinho e a Malvasia Fina (nos brancos). Nas vinhas novas, começa a ganhar relevo a Touriga Nacional (com grandes resultados) e a Touriga Franca (a par de uma ou outra casta estrangeira, como a nossa Syrah, naturalmente).

Para mais conhecer mais sobre esta zona vinícola e não só, recomendamos uma visita à Adega Cooperativa de Valpaços, onde sim existe muita informação sobre a região.

Sabemos que este Syrah tem pernas para andar e continuar, e esperemos que assim prossiga!
É que seria uma pena não o encontrar mais: a classificação que lhe damos diz tudo!

Classificação: 17/20                            Preço: 12,50€

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Quinta de Arcossó, 100% Syrah, Trás-os-Montes, 2011

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Subimos um pouco mais na nossa viagem pelos syrah de Portugal e chegamos a Trás-os-Montes, região de Chaves, onde temos para vos oferecer o syrah da Quinta de Arcossó. Trata-se de um syrah único, possuidor de características que não encontramos em mais nenhum syrah em Portugal, quiçá no mundo.

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A quinta, do produtor Amílcar Salgado, homem duma grande disponibilidade comunicativa, possui doze hectares de vinha, produz diversos vinhos desde 2005, e está situada naquele que é considerado o local mais rico da Europa em águas minerais. Basta pensarmos nas águas Campilho, nas águas Vidago ou nas conhecidíssimas Pedras Salgadas, para além de outras que povoam toda esta região. Isto faz com que o syrah seja muito mineral, sobretudo no primeiro envolvimento na boca, sobressaindo de seguida toda a complexidade da nossa casta.

A Quinta de Arcossó está situada numa região de tradições vitícolas já muito antigas, anterior aos romanos, com um solo de origem granítica onde crescem castas adaptadas à região. Quem diria que o syrah se poderia adaptar tão bem a este “terroir”!

A História registou o seguinte pensamento dum anónimo: “ O mais humilde ser humano, ao experimentar ou oferecer um syrah, perpetua tradições milenares e realiza um acto ritual.” A produção é inteiramente artesanal, complementada por uma enologia de baixa intervenção e constante vigilância. Diz-nos o produtor que “todos os vinhos tintos são transformados com pisa a pé” e por isso recorre à enologia de Francisco Montenegro, técnico de vasta experiência.

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O syrah que deu origem a este texto, e que está neste momento a ser bebido pelo autor destas palavras, é de 2011, tem catorze graus e meio de graduação alcoólica, e estagiou durante dezasseis meses em barricas de carvalho francês. Diz-nos o produtor que tem “cor ruby profunda, com intensidade aromática, onde predominam bagas maceradas e especiarias com baunilha da madeira. Na boca evidencia corpo, boa acidez, sabores a fruta, taninos densos e elegantes e saboroso final.”

Esta é a terceira safra de syrah que teve um total de duas mil garrafas. A primeira safra tinha acontecido em 2007 e a segunda em 2009, com mil e trezentas garrafas cada uma. A próxima está prevista para Setembro de 2015, também com a mesma quantidade de garrafas. Produção pequena mas syrah de qualidade! Isso também origina a dificuldade em arranjá-lo. Na grande Lisboa existem dois sítios onde isso é possível: Oeiras, Néctares d`Aldeia no número 7 do Largo 5 de Outubro; Lisboa, Prazeres da Terra no número 6ª do Largo da Estefânia.

Fica a dica: Quando falarmos de grandes syrah do norte do país que ninguém se esqueça da Quinta de Arcossó. A continuidade está assegurada! Ainda bem!

Classificação: 17/20                            Preço: 10,40€

Ficha técnica