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Syrah Du Monde – Resultados 2017

Eis em primeiro mão os resultados que nos interessam do concurso Syrah du Monde. Três Syrah portugueses medalhados.

Já tínhamos falado de todos, claro, mas só um deles em termos de ano específico foi até agora por nós avaliado. Aqui estão eles… os nossos parabéns!

Esta é uma competição internacional que reúne os vinhos feitos a partir da casta Syrah. Esta competição qualitativa visa seleccionar o melhor Syrah du Monde. O seu objectivo é, assim, contribuir para a melhora de qualidade de Syrah de todo o mundo através da atribuição de medalhas representativos numa competição de confiança.

A competição Syrah du Monde é organizada por uma equipa de profissionais da indústria e do vinho. Beneficia de uma experiência de mais de 15 anos na criação e organização de competições de vinho internacionais, que gradualmente se distinguiram de outras competições internacionais graças aos padrões de qualidade muito elevados.
As amostras de todo o mundo são avaliadas por juízes especialistas internacionais, incluindo pelo menos 50% de países que não a França. Fica garantida portanto diversidade, qualidade e rigor.


 

O Shiraz para lá da Mancha

A descendência do Blogue do Syrah também prefere e escolhe Syrah como a sua bebida preferida.
O Raul Jr. foi estudar Engenharia de Som para Inglaterra e por lá ficou até hoje. Ser apreciador de Syrah, Shiraz, como eles chamam à casta, em país que não produz Shiraz acaba por não ser um problema, pois Shiraz Commonwealth, sobretudo da Austrália, é o que por lá não falta. Mas se for Syrah português o preferido a coisa fica sim espinhosa. Em Birmingham simplesmente é impossível encontrar o nosso maravilhoso Syrah!

Claro que para quem está habituado à excelência do Syrah luso, aquele Shiraz do hemisfério sul aparece no paladar como algo estranho e fora da norma. Mas também é difícil a movimentação por entre tal quantidade de marcas e sabores diferentes, porque, tem de se dizer de novo, há muito Shiraz por lá disponível.

Então em jeito de picardia, o Raul Jr. decidiu enviar-nos por correio duas garrafas do que ele considera um dos melhor apaladados que por ali encontra, para que nós por cá e todos bem pudéssemos emitir a nossa opinião. E foi isso que fizemos, com todo o gosto.

É portanto um Shiraz da Austrália, produzido pela [yellow tail], jovem, fresco, de 2016, mesmo assim com 14% de graduação alcoólica, sem qualquer estágio prolongado, frutado, diferente mas muito agradável de se tomar em qualquer circunstância, ao qual atribuiríamos uma classificação de 16/20. Foi uma verdadeira surpresa, que muito agradecemos!

Bem, terminamos por hoje deixando no ar um pedido a todos os produtores de Syrah/Shiraz em Portugal:  que tal tentarem enviar o nosso Syrah para Inglaterra?
A descendência do Blogue do Syrah muito agradeceria!


 

Uma prova cega extraordinária e única no mundo!

“E ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão;
Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão.
E ninguém tendo bebido o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.”
(Lucas 5:37-39)

Duas notas introdutórias.
1 – O Blogue do Syrah congratula-se com o registo oficial de mais um Barca Velha, do ano de 1955, em que o nosso amigo Tiago Paulo, da Garrafeira Estado d`Alma, teve um papel determinante, embora não reconhecido pela Sogrape, a actual proprietária da marca Barca Velha. Deste modo passam a existir 19 colheitas do mítico vinho. De 1952 a 2008, que foi lançado para o mercado na ponta final do ano passado.
2 – O Blogue do Syrah congratula-se igualmente com a distinção, inédita, atribuída ao Barca Velha 2008, de 100 pontos, pela Wine Enthusiast. Deste modo passa a ser o primeiro vinho português não fortificado a atingir a pontuação máxima numa publicação norte-americana de referência.

Tendo isto bem presente, vamos então contar a história de uma prova cega verdadeiramente única, ideia nossa que conseguimos concretizar!

Os entendidos na matéria, leia-se, os enófilos e afins, consideram o Barca Velha como o “epítome, o pináculo superior, o símbolo inquestionável” da qualidade mais alta dos vinhos do Douro e de Portugal. Clássico, intenso, complexo, elegante – são os adjectivos habitualmente usados para o descrever, desde a sua criação, em 1952, sendo por isso o vinho português mais célebre. O Barca Velha é a base sobre a qual a reputação de Casa Ferreirinha cresceu, marca de qualidade com a tradição mais alta do Douro e um dos seus guias mundiais principais. O Barca Velha é declarado só em anos realmente excepcionais.

Mesmo os que sabem menos sobre vinho, ou não têm por hábito bebê-lo, usam simbolicamente o nome Barca Velha quando se querem referir a um produto topo de gama, de luxo e excelência. Já para os apreciadores de vinho, é algo com um estatuto inatingível, a que se aspira, muitas vezes com a certeza de que nunca o iremos provar.”
Neste momento o leitor mais atento já estará a perguntar-se: por que razão está o Blogue do Syrah a falar de um vinho, que apesar de ser considerado mítico não tem uma gota de Syrah? É feito com as castas típicas  do Douro, (Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca) e, por esse facto não deveria ser mencionado num blogue em que a casta rainha e única a ter em conta é a Syrah!

O que acontece é que nós aqui no Blogue do Syrah andamos sempre à procura de coisas novas e diferentes, até para nos apercebermos do efeito daquilo que dizemos. Numa linguagem psicanalítica, a que distância realmente está o princípio do prazer (a nossa admiração pela casta Syrah) do princípio da realidade ( no qual as pessoas em geral, que não têm grandes conhecimentos sobre vinhos, ou tendo, não conhecem bem a casta Syrah, pensando que os monocastas Syrah portugueses ainda são minoritários, no conjunto dos vinhos nacionais).

Assim sendo decidimos levar a cabo uma mini prova cega em que o mítico Barca Velha ombreasse com um monocasta Syrah. E isso, caros leitores, é algo que nunca foi feito em Portugal ou em qualquer parte do mundo! E a ideia surgiu depois de provarmos um Barca Velha, advindo daí muito pouco entusiasmo pelo que estávamos a sorver.

O Syrah que decidimos colocar em prova foi o Quinta da Lagoalva de Cima, um Syrah do ano 2000, do Tejo, nessa altura ainda chamado em termos vinícolas de Ribatejo. Pedimos ajuda à Garrafeira Estado d`Alma que nos arranjou o já citado Barca Velha, de 1982, e ao nosso amigo Pedro Gato do Great Tastings que promoveu a prova cega entre os clientes que frequentaram o estabelecimento comercial entre os dias 9 e 11 do corrente mês de Maio. As duas garrafas completamente descaracterizadas e numeradas foram entregues ao Pedro Gato, não sabendo o próprio do seu conteúdo, a não ser que se tratava de vinho tinto (facilmente detectável). Eram dois vinhos com mais de dez anos (sem fornecer exactamente a idade) e que eram ambos portugueses. Nem o Pedro Gato, que levou a cabo a prova (um obrigado e um grande abraço), nem os participantes sabiam ao que vinham. A única pergunta após a prova de cada um dos vinhos era: “Qual dos dois é que gostou mais?”

Nesses três dias houve vinte e nove clientes que aceitaram o repto de provar os dois vinhos e de responder à pergunta. Entre os vinte e nove provadores havia quatro mulheres. O Blogue do Syrah gostaria que mais elementos femininos tivessem participado na prova, mas a verdade é que houve pessoas, e nomeadamente senhoras, que não quiseram participar, ou porque não bebiam álcool, ou porque não se sentiram suficientemente confiantes para aceitar o desafio.

Dos vinte e nove provadores (29), dezasseis (16) consideraram o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima 2000 como o melhor, enquanto que treze (13) votaram a favor do Barca Velha 1982!

O Blogue do Syrah omite quaisquer comentários sobre o resultado desta prova cega, que consideramos extraordinária e única!
Partimos do pressuposto que quem nos está a ler consegue perceber o alcance do que está aqui em causa!

Esta prova cega vem reforçar a tese que temos defendido desde o início desta aventura: os Syrah portugueses são dos melhores do mundo e dão cartas a qualquer vinho mesmo quando é apelidado de excepcional!


 

Coisas de Vinho – A vinha antes do vinho

Aqui fica mais uma vez o convite para um final de dia à volta de um copo de vinho Dona Dorinda, Syrah, desta vez! Na quinta excepcional onde se produz um enorme Syrah vai-se conversar e elevar a cultura do vinho.


 

Maria Maria, uma canção e um Syrah!

Somos de paixões e obsessões, muitas e várias. Syrah, claro, sempre, Zappa, também, e agora vem a propósito falar de uma outra: Milton Nascimento!
Nome maior da Música Popular Brasileira, com uma vasta discografia que abarca várias décadas, é hoje reconhecido mundialmente como um dos mais influentes e talentosos compositores em língua portuguesa. Elis Regina, que o ajudou em princípio de carreira teve vários êxitos recriando as suas canções. Uma delas foi Maria Maria, hoje um verdadeiro marco na carreira quer de um, quer de outro.

E é daqui que nasce a ponte para o tema de hoje. Porque uma produtora de vinho brasileira, resolveu precisamente denominar-se Maria Maria e dar o mesmo nome ao Syrah que produz, no Sul de Minas Gerais, e também porque o produtor é compadre e conterrâneo do músico Milton Nascimento.

A safra de 2013 teve como sobrenome Agda, a de 2015, Bia. As videiras crescem entre frondosos cafezais, a principal cultura de Três Pontas, onde fica a Fazenda Capetinga, de Eduardo Junqueira Nogueira Junior, quinta geração de uma tradicional família de cafeicultores do estado, e amigo de infância de Milton. O Maria Maria foi fruto de um grande susto vivido pelo fazendeiro. Eduardo sofreu um ataque cardíaco e precisou repensar seus hábitos alimentares. Foi quando o cardiologista o mandou tomar uma taça de vinho tinto por dia. Surgiu então a ideia de destinar 19 hectares da fazenda ao plantio de uvas e elaborar seu próprio vinho. Reservou 13,5 hectares para pés de Syrah e o restante dividiu entre Sauvignon Blanc, Chardonnay e Cabernet Sauvignon.

Quem sabe ainda teremos uma dia oportunidade de chegar à fala com este Sryah. Como dizem os versos de Milton, “mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho, sempre…”. Acho que os “compadres” de lá beberam em boa fonte.

Aqui fica ela, saudosa, na sua voz inconfundível!

 


 

As Mulheres e o Syrah…

…ou dito de outra forma, as mulheres e o vinho tinto, porque é disto que vamos falar hoje. Segundo pudemos ler por vários lugares, as mulheres preferem mesmo o vinho tinto, só muito abaixo vindo os brancos e por aí adiante. Chegam mesmo a ser as mulheres as principais responsáveis pela compra de vinho para consumo familiar.

O vinho, e o nosso Syrah, diremos, é a chave para um encontro romântico, isto com base em estatísticas de vários países. A maioria das mulheres consideram o vinho um dos elementos principais para o sucesso do encontro amoroso, afirmando mesmo que é uma das partes importantes do convívio.

As mulheres manifestam-se de forma mais liberal em relação ao vinho, sendo muito mais abertas a novas experiências e novidades, revelando igual conhecimento em relação aos homens. Preocupam-se em primeiro lugar com o país de origem, logo a seguir com as castas e por fim o preço, significando pois que para elas o mais importante é o prazer gustativo e não a parte económica, eles que se preocupem com isso.

Claro, a nova geração usa sobretudo a Internet para procurar aquilo que mais gosta, esmiuçando online toda a informação disponível, começando pelas primeiras impressões estéticas.

As mulheres, tal como o Syrah, são um mistério… muito apaixonante!