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Um fim de tarde passado na garrafeira Algés com Sabores, e o Syrah Dona Dorinda

É sempre agradável passar um final de tarde na companhia de bons amigos, degustando Syrah e então se for Syrah topo de gama, como é o caso, ainda melhor!

aqui, aqui e aqui apresentámos os vinhos orgânicos Dona Dorinda, de Évora. Que mais há para dizer além disto: são vinhos superlativos e ainda por cima totalmente produzidos segundo certificação biológica, ou seja, só o que a terra dá.
E aquela terra dá Syrah extraordinário!

A garrafeira Algés com Sabores é dirigida pelo sabedor Jorge Antunes que, apesar de se tratar de uma pequena garrafeira, só tem coisas boas e o número de Syrahs tem vindo a aumentar, o que só nos pode deixar para lá de contentes.

E agora a novidade mais importante: o enólogo Vítor Conceição confidenciou-nos que em Setembro irá sair o Dona Dorinda 2015!
Na altura falaremos em pormenor desse Syrah.
As expectativas aqui no Blogue do Syrah são enormes.
Sabemos que não vamos ficar defraudados!

Segue-se a reportagem fotográfica:

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Quantas uvas são necessárias para produzir uma garrafa de Syrah?

Syrah/Shiraz é uma bebida adorada e conhecida em todo o mundo, gerando curiosidade em termos de números e estatísticas.

Eis algumas que encontrámos por aí:

  • Quantos bagos de uva são necessárias para produzir uma garrafa de Syrah? 300 uvas, mais ou menos, pois a quantidade poderá varia segundo o tamanho das uvas e da sua maturidade.
  • Quatro cachos de uvas dão origem a uma garrafa de vinho de 750ml, cada cacho tem aproximadamente 75 uvas, sendo que 1 cacho dá origem a aproximadamente 1 copo.
  • Cada videira poderá dar até 40 cachos, sendo assim uma videira poderá produzir até 10 garrafas de Syrah.
  • Concluindo, são necessários mais ou menos 1.200 cachos de uvas para encher um barril de Syrah.
  • A uva é pois a fruta mais cultivada em todo o mundo e existem cerca de 20 milhões de hectares de uvas plantadas no planeta.
  • 1 hectare pode produzir 5 toneladas de uvas.
  • Cinco toneladas de uvas são suficientes para encher 332 caixas de Syrah.
  • Só ao fim de 4 anos é que uma videira nova começa a produzir Syrah, existindo no total cerca de 10 mil variedades de uvas viníferas cultivadas em todo o mundo.

Este é o maravilhoso mundo do Syrah, e do vinho, estimulo para a alma e sentidos, assim como a curiosidade que desta forma ficou um pouco mais satisfeita!


 

Diogo Campilho e Pedro Pinhão ou a Dupla do Syrah

Desde a segunda metade dos anos 90 que se faz Syrah em Portugal!
O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas.
Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz algum do melhor Syrah do mundo!
Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação, apreciação, devoção e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, trazemos hoje à ribalta não um mas dois enólogos: Diogo Campilho e Pedro Pinhão!
Trabalham em conjunto há vários anos, tendo no seu currículo três Syrah, cada um com várias colheitas no activo.
Aqui vão eles, todos de peso, como se pode ver pelas classificações atribuídas:


Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo
Classificação: 20/20


Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo
Classificação: 20/20


Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, 100% Syrah, Alentejo
Classificação: 17/20

 


Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo
Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima, cuja primeira safra é de 1994, provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.
As safras seguintes deram-se nos anos de 1997, 2000, 2005, 2008 e a presente de 2010.
Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”
Como dizia Roland Betsch, segundo a nossa versão: “No Syrah está verdade, vida e morte. No Syrah está aurora e crepúsculo, juventude e transitoriedade. No Syrah está o movimento pendular do tempo. No Syrah se espelha a vida.”
A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.
Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo
Estamos a falar de um Syrah mais graduado em termos alcoólicos, tem 14,5%, enquanto que o Monte Cruz sem ser reserva tinha 14%! As notas de prova na garrafa dizem-nos que possui “fruto maduro, notas ligeiras balsâmicas e tostadas. Na boca o fruto surge acompanhado de bons e firmes taninos. Mostrando um final longo e persistente.”
Quando este Syrah Reserva chegou até nós, foi recebido de certa forma com pouco entusiasmo, devemos de o confessar, porque francamente não estávamos à espera de grande diferença em relação ao outro que não era Reserva, mesmo sendo a diferença de preço muito apreciável!
Este é um assunto importante e vamos falar dele como merece. São dois vinhos da mesma vinha, portanto são as mesmas uvas, o mesmo terroir, mas a intervenção humana é completamente distinto, nomeadamente em todo o processo que dá origem ao estágio, quer em barrica, quer em garrafa, e isso vai fazer toda a diferença no resultado final. Desde o princípio, esta nossa aventura pelo mundo dos Syrah portugueses rapidamente nos fez concluir que o trabalho humano na confecção desta bebida tem uma percentagem de importância de pelo menos 70%. Hoje temos essa convicção mais forte do que nunca. O terroir é importante, sem dúvida, a qualidade das uvas é importante, seguramente, o clima, a localização, as características meteorológicas desse ano, etc, são importantes, mas a intervenção na adega e o que se segue depois é seguramente o mais importante. O Monte Cruz Reserva 2009 é a prova disso mesmo.
É um Syrah excepcional, ao contrário do outro Syrah seu irmão, que não era mais do que um bom Syrah. Este Reserva Monte Cruz é extraordinário logo ao primeiro trago e é isso que imediatamente impressiona. Um só trago deste Syrah faz-nos automaticamente perceber que se trata de um Syrah topo de gama!

Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, 100% Syrah, Alentejo
Apesar do lançamento deste Syrah da Herdade Monte do Outeiro ser irregular – o último é de 2009 – estávamos com alguma expectativa aguardando a sua saída, devido a dois motivos. Primeiro por este Syrah, assim como o Reserva seu irmão de sangue, ser habitualmente de qualidade superior, e segundo porque os enólogos, a dupla Diogo Campilho e Pedro Pinhão, já mostraram anteriormente uma capacidade invulgar para fazerem Syrah de altíssima qualidade!
Neste nosso soberbo Alentejo encontramos perto da Vila de Portel a Herdade Monte do Outeiro, que produz o Syrah Monte Cruz, do produtor Manuel Bernardino Cruz. Syrah a 100%, como é devido, graduação alcoólica de 14%, sempre um deleite.
Conhecem-se três safras, a de 2012, 2009 e 2006. As notas de prova que escolhemos falam de um “aroma no nariz onde sobressaem notas de especiaria e frutos pretos. Em termos de paladar os taninos estão bem equilibrados e conferem uma boa estrutura.”


Sobre os nossos enólogos de hoje, Diogo Campilho licenciou-se em Enologia pela Universidade de Vila Real e completou a sua formação em Espanha e na Austrália, em áreas como Enoturismo, Provas de Azeite e Provadores de Vinhos. O seu percurso como Enólogo levou-o a colaborar com nomes como o da chilena Marcela Chandia e do neo-zelandês Cameron Webster. Passou ainda por várias vindimas na Nova Zelândia e Austrália; Pedro Pinhão licenciado pelo Instituto Superior de Agronomia e com variadas formações internacionais, desde cedo de dedicou à Quinta da Lagoalva de Cima onde estagiou durante várias vindimas. Passou ainda por diversas colheitas na Austrália e Nova Zelândia e em 2008 inicia um projecto pessoal de sucesso com os vinhos Hobby.

Na última prova cega que o Blogue do Syrah levou a cabo entre Syrah portugueses e Syrah franceses, estiveram presentes quer o Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo de 2012, quer o Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo de 2009. Este facto testemunha da importância que estes enólogos tiveram na história dos Syrah em Portugal.

Contamos com eles para mais Syrah de gabarito!


 

O Mistério dos Taninos

O que é isto do “tanino” e que influência tem no vinho?

Certos vinhos têm taninos suaves, outros tem taninos jovens, são expressões usadas quando se degusta vinho.
Taninos são pois uma gama de componentes químicos naturais complexos e diversificados, encontrados em muitas plantas, incluindo as videiras. Os taninos estão presentes no engaço (caule dos cachos), bem como nas cascas e nas sementes dos frutos. Especificamente, tanino é um composto capaz de interagir com as proteínas naturais da nossa saliva, alterando a sua composição e textura. Um tipo de “superfície rugosa” é criada, gerando uma sensação de adstringência na boca. A quantidade de tanino presente na polpa da fruta é quase insignificante. Assim, quanto mais cascas e sementes estiverem envolvidas no processo de vinificação, maior será o nível de taninos encontrado no vinho.

Os taninos desempenham funções importantes no vinho. Uma delas é dar estrutura e textura, pois a sua acção aglutina as proteínas do vinho, aumentando dessa forma a sua dimensão molecular. Quanto maior o nível de tanino presente, mais estruturado será o vinho. Outra função é o papel que desempenha no processo de envelhecimento dos vinhos. Isto porque são antioxidantes e ao mesmo tempo actuam como conservante natural, ou seja, mais taninos significa maior potencial de envelhecimento.

No caso dos vinhos tintos e do Syrah, claro, são ainda fundamentais para dar aquela cor característica e demais propriedades sensoriais. O manejo dos taninos durante o processo de vinificação de tintos influencia directamente a qualidade e o perfil do vinho. De facto, o equilíbrio de taninos é um dos principais factores do enólogo quanto ao estilo de vinho que pretende alcançar. Se o objectivo é um vinho mais simples no conteúdo, para ser consumido de modo ligeiro a vinificação faz-se de modo a extrair menos taninos da uva. Por outro lado, se a ideia for produzir um vinho mais encorpado, com maior estrutura, para ser guardado e envelhecido, o trabalho de adega procura extrair taninos de boa qualidade durante o processo de vinificação.

O grau de tanino varia consoante as castas e características do terroir. Algumas castas, como Syrah, por exemplo, são conhecidas por apresentarem alto grau de taninos. É portanto uma casta bastante ‘tânica’, com grande potencial de envelhecimento.

Para terminar, ainda mencionamos o tempo de maturação em madeira, que contribui igualmente para conferir estrutura e potencial de envelhecimento.

Com tudo isto, é hora de ir em busca de companhia e de um Syrah bem pleno de taninos!


 

As origens da casta Syrah – por Carole Meredith

Recebemos faz uns dias um e-mail de Eric Texier, conceituado produtor de Syrah em terras do Ródano, França ,  que agradecemos. Basicamente refere-se às origens da casta Syrah. Segundo ele, a verdade está neste texto, do qual enviou a ligação em formato pdf. Decidimos assim traduzir para português o dito artigo científico. Fica portanto o tema em aberto, à consideração dos nossos leitores, produtores de Syrah, especialistas sobre o tema, nacionais e internacionais.


CAROLE MEREDITH
As origens da Casta Syrah

O meu trabalho com a casta Syrah começou como uma busca intelectual. Mais tarde tornei-me também produtora de Syrah, o que para mim neste momento é uma outra paixão, ou seja, estou aqui hoje a usar dois chapéus, um como cientista e o outro como produtor.

Portanto vamos falar das origens do Syrah e sobre as muitas ideias que este tema tem suscitado. Houve até agora várias hipóteses, sendo a mais popular que a casta Syrah veio do Irão, onde existe uma cidade chamada Shiraz. Existem outras teorias: que veio do Egito, da Grécia ou de Chipre. Mas o que sabemos agora é que nenhuma destas ideias está correcta. Infelizmente, as pessoas que escrevem sobre vinho especulam bastante sobre estes temas, bastante interessantes, claro, mas agora temos o DNA.
DNA este muito menos fantasioso e menos divertido, mas pelo menos sabemos que é a verdade.

A casta Syrah nasceu em França!
Além de ser o lugar onde o Syrah se tornou mais conhecido, também é o lugar de origem do Syrah, porque é aqui que encontramos o progenitor da Syrah. E isto que significa exactamente? Como se sabe, as videiras são propagadas por estacas ou enxertos, logo, as diversas castas mantém a sua identidade ao longo da propagação, que acontece portanto de forma assexuada. Mas se voltarmos atrás na história de uma casta, muitos anos atrás, eventualmente voltamos ao ponto em que temos uma videira, e essa videira é a primeira de uma determinada casta. Desta forma, cada variedade, com pouca excepções, pode ser rastreada até uma única videira. Este é um conceito muito importante porque nos permite perguntar de onde vem essa primeira videira? E essa única videira original veio de uma semente. E essa semente veio de dois progenitores, como um ser humano. Todas as grandes castas possuem mãe e pai, e nascem de um processo sexual. Então, para cada variedade, quando voltamos nos muitos séculos de propagação vegetativa, eventualmente chega-se ao ponto em que podemos identificar os dois progenitores que se juntaram para criar essa nova variedade. É isso que nós andámos a pesquisar. Ao fazer análise de DNA, é possível identificar os pais, usando exactamente o mesmo processo que é usado com humanos.

Tal como se pode provar com um nível de probabilidade muito convincente, suficiente para satisfazer um tribunal de justiça, que dois seres humanos individuais sejam os pais de uma criança, podemos provar o mesmo com as variedades de uva. Já fizemos isso com outras videiras. O primeiro foi a Cabernet Sauvignon, em 1996. Desde então, encontrámos os pais de Chardonnay e uma série de outras variedades. Encontrados os progenitores, podemos traçar a genealogia dessa casta. Ajuda bastante encontrar o origem geográfica, conduzindo à identificação do momento em que uma variedade apareceu primeiro. Foi assim que fizemos com a Syrah.

E eu só quero mostrar-lhes o quão simples é o conceito. Como se sabe, cada progenitor na sua fusão sexual contribui com metade de sua informação genética. Procurámos pois combinações que nos ajudaram a identificar quais possam ter sido os pais que nos deram o perfil de DNA que observamos em determinada variedade para a qual estamos buscando os pais. Excepto que usamos muitos marcadores. Na maioria dos casos pelo menos 25 e, em alguns casos, até 50. Isso permite declarar  que combinação de pais poderia ter produzido uma prole particular. Em segundo lugar, e muito importante, devemos usar alguns métodos estatísticos para demonstrar que não só é possível, mas que é altamente provável. Esta análise estatística é muito importante, já que sabemos que só porque algo é possível não significa que realmente ocorreu. É somente quando adicionamos o teste estatístico de probabilidade que podemos encontrar um caso convincente.

Então, estes são os pais da Syrah: uma variedade chamada Mondeuse Blanche e uma variedade chamada Dureze. Mondeuse Blanche é a mãe e Dureze é o pai.

Testamos isso com 50 marcadores de DNA e cada um deles mostrou que essa relação é possível. Aplicámos o teste estatístico. A probabilidade de que esta combinação seja o verdadeiro parentesco da Syrah é a potência de 10 para 19. É um número muito, muito grande. Eu nem conheço a palavra para descrever esse número. Mas é um número muito maior que o usado em testes legais de parentesco. Portanto, do ponto de vista do método científico, podemos afirmar que de facto essas duas variedades são os pais da Syrah. Então, o que dizer dessas variedades? O que são e de onde vieram?

A casta Dureze é cultivada há muitos séculos, desde tempos imemoriais, existindo registos na literatura francesa antiga do norte do Ródano, sendo uma uva muito antiga do norte do Ródano. E em vinhedos antigos, muitas vezes foi encontrada em conjunto com Syrah. Dureze é uma variedade muito colorida que produz um vinho picante. Para quem conhece a uva Syrah, essas palavras são muito familiares, porque Syrah também é uma variedade profundamente colorida que produz um vinho picante. Hoje a Dureze já não se cultiva. O único lugar em que você pode encontrar é no Museu Nacional de castas em Montpellier. Muitas dessas castas já não existem hoje, e não fossem os pesquisadores franceses, há cerca de 100 anos atrás, que salvaram essas variedades antigas antes de serem perdidas, não teríamos sido capazes de fazer os estudos que fizemos.

O outro progenitor, Mondeuse Blanche, é uma uva branca. Não é incomum encontrar uma importante variedade de vinhos negros que tenha tido um pai branco. Acontece o mesmo com a Cabernet Sauvignon. Tem um pai branco, um pai preto. Mondeuse Blanche é uma variedade da região da Sabóia, na França, a leste do Ródano. Foi descrita na literatura histórica como um vinho que envelhece muito bem, como o Syrah. Hoje quase desapareceu, mas ainda se cultiva em alguns lugares. É importante notar que o Mondeuse Blanche não é a forma branca do Mondeuse Noir. Nós pensamos que estão relacionados, mas são variedades diferentes.

Então, quando nasceu exactamente a casta Syrah? O escritor romano Plínio escreveu que existia uma importante casta na região de Vienne, que é hoje a Côte-Rôtie. Ele escreveu que esta nova e importante variedade trazia muita fama aos vinhedos na região de Vienne, e com base no que outros escritores haviam escrito 50 anos antes, essa variedade aparentemente não existia meio século antes. Então provavelmente esta variedade surgiu no século I A.D. No entanto, não podemos ter certeza de que realmente foi Syrah. Pode ter sido Dureze, porque as variedades são tão parecidas que a descrição encontrada na literatura antiga não é específica o suficiente para nos dizer se era realmente Syrah.

Em que lugar de França nasceu exactamente a casta Syrah?
Claramente tal lugar é o vale do Ródano. Se olharmos para a região da França, podemos ver onde os dois progenitores são encontrados. Mondeuse Blanche cresceu na área a leste do Ródano e a Dureze mais para leste e norte. O único lugar onde a Syrah poderia ter nascido é nesta área, onde ambas as variedades existiam juntas no mesmo lugar. Se olharmos para a sobreposição, seria a região que hoje conhecemos como o norte do Ródano. É aproximadamente a localização do Hermitage, na Côte-Rôtie. Acho muito interessante ver que o centro de cultivo da casta Syrah hoje em dia é provavelmente o lugar onde nasceu há muito tempo. O seu centro de importância hoje não está longe de onde realmente nasceu.

Penso que é interessante concluir que, apesar de todas as hipóteses sobre as origens do Syrah, Pérsia antiga, Grécia, Egipto, Chipre, a sua origem primeira é o norte do Ródano. Fico portanto muito à vontade com esta conclusão, baseada em evidências científicas , que nos diz ser esta a casa mãe da casta Syrah.


 

Tabernas do Alentejo – Arte e Ciência

Aqui estamos a dar o nosso apoio a um projecto muito interessante, que nos foi dado a conhecer pelos nossos amigos das Coisas de Vinho, do Alentejo, e trata-se da votação em curso para o Orçamento Participativo Portugal.

Para conseguirmos prosseguir com este projecto, chegados aqui, é necessário ter a votação que nos possibilite obter o orçamento que nos foi atribuído. Após a formulação do projecto/ideia por nós, foi a equipa do OPP que calculou o montante necessário, agora em votação, para a concretização da mesma. Depois de oito eventos, completamente pro bono, só continuaremos se houver este apoio.

Assim muito agradecemos a todos o esforço pessoal que possam fazer para conseguirmos o número de votos necessários.

Pela cultura e património vínico do Alentejo peça a todos os seus amigos que votem e passem a palavra a todos os amigos dos seus amigos, só assim será possível, com a constituição de uma rede informal de amigos, que a palavra chegue o mais longe possivel e se consigam votos necessários.

Este é o link que leva directamente à plataforma para votar!