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O envelhecer da Rolha

Depois de uma paragem de alguns dias, estamos de volta, hoje com um fait-divers que nos parece interessante.

Investigadores da UC Davis, nos Estados Unidos, querem saber como a rolha de cortiça muda com o passar dos anos na garrafa. Para isso está a decorrer um estudo que deve durar 100 anos.

“Basicamente, um miligrama de oxigénio passa por uma cortiça natural em um ano. Um miligrama de oxigénio não parece muito, mas ele quebra 4 mg de sulfitos. A adição comum de sulfitos no engarrafamento para proteger o vinho da oxidação geralmente é de cerca de 20-25 mg/litro. Se a cada ano 1 mg de oxigénio entra e quebra 4 mg de sulfitos, após cinco ou seis anos, o vinho já não tem protecção contra a oxidação. Dentro de 20 anos o vinho pode ser destruído pela oxidação. Mas isso não é o que vemos acontecer”, afirmou o professor de viticultura e enologia, Andy Waterhouse.

Waterhouse tem uma teoria: talvez as rolhas sofram uma mudança celular para reduzir gradualmente o fluxo de oxigénio para zero, ou perto disso. Para testar a teoria, a UC Davis usa meio barril de Cabernet Sauvignon premium, doado por J. Lohr Vineyards, que ficará “parado” por um século. “Engarrafamos vinho suficiente para testar três garrafas em uma programação de tempo definida. Depois de 100 anos, teremos três garrafas”, afirmou o professor.

Nem todas as garrafas foram seladas com cortiça natural. As garrafas de controle estão com rolhas sintéticas. O primeiro conjunto de três garrafas será aberto em dois anos. Os vinhos serão testados quanto à oxidação e ao nível de sulfitos restantes. As rolhas também serão testadas. Os testes serão repetidos em cinco anos, 10 anos, até completarem 100 anos.

Taças de Syrah cada vez maiores com o passar dos anos?

Um estudo publicado no British Medical Journal revelou que o tamanho de uma taça de vinho aumentou quase sete vezes desde 1700, desde uma capacidade média de 66 ml para 449 ml em 2016/17. A pesquisa foi conduzida por Theresa M. Marteau, Dominique-Laurent Couturie e Alexandra Evans.

A equipa estudou taças armazenadas no museu Ashmolean, datando de 1700 a 1800, assim como artigos de vidro da Royal Household, onde um novo conjunto de taças foi encomendado para a coroação de cada novo monarca entre 1808 e 1947. Além disso, os cientistas obtiveram acesso aos catálogos do fabricante inglês de vidro Dartington Crystal, de 1967 a 2017.

Os resultados revelam que “a capacidade da taça de vinho aumentou em todos os períodos, de 1800 a 2017”. As possíveis razões para esse aumento foram mudanças em vários factores, incluindo preço, tecnologia e valorização do vinho. Interessante notar que as taças não aumentaram de tamanho até 1800, talvez pela cobrança do imposto sobre o vidro, introduzido pela primeira vez em 1746 e abolido em 1845.

Entre as razões para o aumento também estão as técnicas de produção de vidro, que melhoraram no final do século XIX, saindo do sopro para um processo automatizado. Já o aumento mais rápido registado na década de 1990 foi atribuído às taças de vinho projectadas para variedades específicas de uva.

Os cientistas concluem que: “não podemos inferir que o aumento do tamanho da taça e o aumento do consumo de vinho na Inglaterra estejam ligados. Nem podemos inferir que reduzir o tamanho da taça diminuiria o consumo de álcool”.

Syrah contra Alzheimer

Mais uma vez falamos de terapias associadas ao consumo de Syrah, porque um estudo da Universidade de South Wales, na Austrália, apontou que a doença de Alzheimer pode ser tratada com uma combinação de compostos de polifenois presentes no vinho.

Pesquisas anteriores mostravam que o Resveratrol, um dos componentes do vinho, tinha grande eficácia na prevenção e tratamento desta patologia, contudo, para ter algum efeito, era necessário sintetizar o equivalente a mil garrafas de vinho por cada pílula. Ainda assim, o consumo de Resveratrol em tamanha quantidade tinha efeitos colaterais, como náusea, diarreia e até desidratação.

Os australianos, porém, perceberam que a quantidade de Resveratrol pode ser diminuída e combinada com outros dois compostos do vinho, criando os mesmos benefícios neuroprotectores e minimizando as reacções adversas. Eles planeiam começar em breve o teste em grande grupos de pacientes com Alzheimer para comprovar a eficácia.

Quando a nós vamos já prevenindo a coisa com enormes quantidades de Syrah, tudo com conta, peso e medida!

O Syrah e o Amor

Um estudo publicado no jornal de ciência comportamental Appetite, investigadores da Universidade de Wrocław, da Polônia, e TU Dresden, da Alemanha, testaram as preferências de sabores e aromas de 100 casais heterossexuais cujos relacionamentos variaram entre três meses e 45 anos. Eles descobriram que quanto mais um casal estava junto, mais semelhantes eram suas preferências.

Cada participante foi convidado a provar 38 amostras de aromas, que incluíam fragrâncias como eucalipto, butanol, toranja, carne defumada e caramelo. Os pesquisadores também dissolveram amostras de cada um dos cinco gostos básicos: doce, ácido, salgado, amargo e umami; e pulverizou as soluções na língua de cada participante. Os participantes avaliaram cada amostra com notas de 1 (gosto muito) a 5 (não gosto nada).

“Embora numerosos estudos tenham demonstrado que os parceiros tendem a se tornar mais semelhantes em várias características ao longo do tempo, nenhum deles explorou uma mudança na percepção quimiosensorial relacionada à duração do relacionamento. Aqui, mostramos que as preferências de gosto e cheiro são mais parecidas em casais com maior duração do relacionamento”, afirmou o estudo.

O estudo analisou não só como as preferências podem ser afectadas pela longevidade de um relacionamento, mas também em como isso poderia ser influenciado pela felicidade do casal. Longe dos seus parceiros, cada participante também preencheu uma pesquisa de nove perguntas sobre a felicidade em seu relacionamento. Curiosamente, os casais felizes não tinham mais preferências semelhantes em comparação com aqueles que estavam menos satisfeitos.

Portanto, quanto mais Syrah, mais amor, quanto mais juntos, mais Syrah!

O Syrah foi feito para ser bebido unicamente por seres humanos!

Apresentamos o Robot bebedor de Champanhe, uma máquina que aprendeu a abrir uma garrafa para o seu baptizado.

Étaín, um robot de manutenção de instalações marítimas, aprendeu a abrir e desfrutar de uma garrafa de Champanhe. Desenvolvido pela Universidade de Limerick, a máquina de 2 milhões de euros “baptizou-se” antes de ser lançada nas docas da cidade de Limerick, na Irlanda.

O veículo, financiado pela The Science Foundation Ireland (SFI), será usado para inspeccionar, reparar e manter instalações de energia renovável marinha. “Fizemos vários ensaios para garantir que a garrafa fosse bem aberta para o lançamento oficial”, disse a assistente de pesquisa Oriana Baric.

Dr. Daniel Toal, diretor do Centro de Robótica e Sistemas Inteligentes da Universidade de Limerick, na Irlanda, teve a ideia de fazer com que o robô abrisse uma garrafa de Champanhe Louis De Custine Brut com suas pinças e depois bebê-la antes de ir para o fundo do oceano.

Esperemos que por este andar as máquinas não venham a beber o nosso Syrah, que queremos só para nós!

Investir em Syrah!

Um em cada cinco investidores gasta a sua fortuna em hobbies, estando, entre eles, coleccionar vinhos, segundo um relatório do Lloyds Bank britânico, que da nossa parte seria Syrah, obviamente. Estima-se que gastem, em média, 13,5 milhares de libras por item de colecção (carro, cavalo, garrafa de vinho, etc), sendo que um de cada 10 entrevistados mostrou-se disposto a pagar mais de 50 mil libras.

A categoria de “investimento” mais popular é a joalheria e a mais dispendiosa é a de carros clássicos, com 34,5 mil libras gastas em média por veículo. Logo depois dos carros vêm as antiguidades e a terceira com maior gasto são os uísques.

Os vinhos aparecem em sétimo lugar, atrás ainda de moedas, itens de arte e selos, com média de 20,3 mil libras empenhadas por caixa de vinho.