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António Agrellos, um Enólogo do Douro que faz Syrah!

Desde a segunda metade dos anos 90 que se produz Syrah em Portugal. O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas. Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz algum do melhor Syrah do mundo! Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação, apreciação, devoção e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, cabe-nos hoje a honra de apresentar António Agrellos, que tem no seu currículo dois Syrah, cada um com várias colheitas. Syrah de qualidade feito numa terra que para muitos não foi feita para Syrah! No entanto, contra tudo e contra todos mestre António Agrellos soube mostrar que apesar do Douro ser a terra das Tourigas é possível, e apesar das muitas críticas, fazer Syrah de qualidade o que provoca o nosso imenso interesse e admiração!

Aqui vão eles:

Quinta da Romaneira, 100% Syrah, Douro
Classificação: 19/20

 

Labrador, Quinta do Noval, 100% Syrah, Douro
Classificação: 17/20

 

Vejamos cada um em pormenor.

Quinta da Romaneira, 100% Syrah, Douro
As notas de prova na ficha técnica dizem que  possui “notas exuberantes de especiarias como cominhos e canela no nariz. Maduro e cheio, mas também fresco e delicado, revelando deliciosas notas de alcaçuz no palato, com um final aveludado e persistente.” O vinho foi vinificado em cubas tronco-cónicas, equipadas com controlo de temperatura, a uma temperatura de cerca de 25º/28º. Esteve 14 meses em barricas de carvalho francês de 225 litros. Em 2013 o inverno foi extremamente chuvoso, chuva esta que se prolongou pela primavera com temperaturas inferiores à média. Esta situação foi benéfica pois veio repor os níveis de água no solo, que estavam muito baixos depois de dois anos secos. Seguiu-se um verão seco, praticamente sem chuva. Esta evolução das condições climáticas, condicionou fortemente a evolução do ciclo vegetativo, vindo a traduzir-se num anos de baixa produção, na atraso da maturação de cerca de dez dias. As uvas melhoraram significativamente e iniciamos a vindima a dez de Setembro, estando já em perfeito estado de saúde e maturação, que produziram mostos de qualidade extremamente elevada. Este Syrah foi feito a partir de uvas colhidas neste tempo inicial.

Labrador, Quinta do Noval, 100% Syrah, Douro
Hoje já não se trata de uma experiência mas sim de uma certeza com ganhos significativos. É um Syrah de “aroma muito marcado pela fruta preta, com traços minerais e aromas balsâmicos com alcaçuz. Intenso e poderoso, com notas pungentes a alcatrão, pimenta, casca de laranja. Na boca está fino e texturado, com acidez viva a dar-lhe leveza, taninos elegantes, boa textura e muita intensidade. Longo, equilibrado, com muita precisão e austeridade.”
A Quinta do Noval, com 145 hectares, que dominam o Vale do Pinhão, é a alma e a essência desta propriedade. O solo é essencialmente constituído por rocha xistosa, o que faz com que todos os trabalhos na vinha sejam particularmente difíceis. A Quinta do Noval replantou desde 1994 100 hectares da vinha com as castas mais nobres da região do Douro, adaptando os métodos de poda à tipologia das parcelas. As parcelas foram replantadas em lotes de uma casta só, sendo cada uma escolhida de acordo com as características de cada parcela de terra: a altitude, a exposição solar e o tipo de plantação da videira.

António Manuel de Sousa Pinto Agrellos, 68 anos, vem de uma família que produz e comercializa Vinho do Porto no Vale do Douro desde há quatro gerações. Frequentou Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, e em 1976-77 estudou Enologia na Universidade de Bordéus, aprofundando os seus conhecimentos vinícolas também na área da prova e química do vinho. Tornou-se Director Técnico da Quinta do Noval em 1993.

Desde 1994 que é reconhecido no mundo vinícola pela excelência dos seus vinhos na Quinta do Noval. Ganhou por duas vezes o louvor da imprensa portuguesa ao ser considerado Enólogo do Ano em vinhos generosos. Ao longo dos últimos 15 anos, os vinhos do Porto e do Douro da Quinta do Noval têm aparecido regularmente nas listas dos melhores vinhos na sua categoria, tendo três Vinhos do Porto Quinta do Noval Vintage atingido pontuação máxima de 100.

António Agrellos não é conhecido no mundo do vinho por ter feito Syrah mas para o Blogue do Syrah só este facto é suficiente para o integrarmos nesta nossa galeria de enólogos!
Vai uma taça de Syrah da Quinta da Romaneira? Ou Labrador, talvez?


 

Zappa e Syrah

Sorver com requintes de absoluto deleite enormes quantidades de Syrah , sobretudo português, a um ritmo frenético, qual música celestial, não é a única paixão do Blogue do Syrah, embora seja uma das principais.

Há outras músicas e outros ritmos que nos apaixonam com igual pujança, por exemplo a música de Frank Zappa. Dada a nossa antiguidade, esta melomania vem desde os idos de 70 no século passado, começando obviamente por saudosos discos de Vinil e Cassetes, mais tarde pelos Compact Disc e actualmente ficheiros que nos acompanham nestas maquinetas para todo o lado. Frank Zappa infelizmente partiu cedo desta vida descontente, mas a sua música permanece no nosso dia-a-dia, cada vez tem mais adeptos, cada vez há mais músicos a recriarem a sua genial música. Fomos de tal modo afortunados que tivemos oportunidade de o ver e ouvir ao vivo em Madrid, Maio de 1988… foi um marco na nossa vida!

Mas adiante.

Tudo isto vem a propósito de termos encontrado em deambulação pelo mundo virtual um artigo da revista revista online Hype Science um texto sobre uma nova possibilidade: que as bactérias do ser humano possam ser transmitidas ao mundo vegetal. Tal aconteceu com o Acne. A transferência por patogénese de uma espécie para outra não é um fenómeno desconhecido da ciência – já aconteceu entre animais domesticados e o homem, mas, até agora, sempre foram de animal para animal, nunca entre dois reinos diferentes, como animais e plantas. Assim, foi com surpresa que cientistas constataram que as videiras podem adquirir um bem conhecido micróbio do ser humano, a Propionibacterium Acnes, causadora da acne. A bactéria foi encontrada na casca. A descoberta foi feita no Research and Innovation Center – Fondazione Edmund Mach, na Itália, que examinaram colónias de bactérias que crescem na videira comum, Vitis Vinifera, no noroeste do país. A análise genética da bactéria, e a comparação com outras bactérias, levou os cientistas a fazer uma estimativa de quando ela migrou para as videiras: aproximadamente 7.000 anos atrás, mesma época em que a planta foi domesticada, durante o Neolítico. De lá para cá, a bactéria se adaptou completamente a seu novo hospedeiro, e não pode mais retornar para os humanos.

E agora vem a parte delirante deste assunto. Estes citados cientistas italianos decidiram chamar a tão estranha bactéria P. Acnes tipo Zappae, ou apenas P. Zappae, em homenagem, imagine-se, ao nosso bem conhecido Frank Zappa!

Curiosamente, as plantas que contém esta denominada P. Zappae são saudáveis, o que sugere que a bactéria não tem efeito negativo sobre a nossa igualmente querida videira, talvez até mesmo beneficiando a sua estrutura. Apesar de ser o primeiro exemplo de uma transferência de patógenos de humanos para plantas, acredita-se que a mesma bactéria pode viver noutras plantas, e que outros tipos de bactéria podem ter sido transferidas de humanos para plantas.

E pronto, cada um que rumine este assunto ao som eterno da música do mestre, sorvendo um belo Syrah de mestre, mesmo que proveniente de uma videira com acne.

Nunca mais alguém tocou guitarra assim!


 

Reflexões sobre a Prova Cega dos Syrah Portugueses versus Syrah Franceses!

A Prova Cega de Syrah, em epígrafe,  ocorrida no passado dia 9 de Abril em Lisboa, foi uma experiência extraordinária, intensamente vivida, quer para o Blogue do Syrah quer também, temos essa convicção, para todos os que nela participaram.

Agora que os resultados foram divulgados, são do conhecimento público, e estão a ser lentamente digeridos, importa fazer algumas reflexões com o objectivo de tirar algumas conclusões ao correr da pena e das sensações, como aliás temos feito a propósito das outras provas cegas de Syrah que temos levado a cabo.

Começando pelo vencedor, o
Côte Blonde “La Chatillone”, Vidal Fleury, Côte-Rôtie, 2009,
que, temos de o afirmar e enfatizar, foi justíssimo primeiro lugar porque se trata, de facto,  de um grande Syrah, originário de uma das sub regiões do Vale do Rhône mais famosas, e era também o Syrah mais caro em competição (cerca de 80 euros). Na sua folha de mesa, o Blogue do Syrah atribuiu logo ali, e isto serve para memória futura, a classificação de 19. Em relação ao segundo lugar, o Syrah português Monte do João Martins ficou classificado a nível geral com uma diferença de 0,04 pontos em relação ao primeiro!!! Bastaria a alteração de meio ponto de qualquer um dos jurados a favor do Syrah português e este seria declarado como o grande vencedor, mas as coisas são o que são, e é com isso que estamos a viver e a conviver, mas cada um que faça as sua ilações. O Syrah português segundo classificado era de 2012, do Alto Alentejo (sub região do Alentejo que possui o maior número de grandes Syrah portugueses) e com o preço do francês seria possível comprar 5 Syrah Monte do João Martins!

Continuando com os factos.
No Top Five há 4 Syrah portugueses contra somente 1 francês!
Depois há uma enorme paridade noutros resultados. Nos 10 primeiros classificados 5 são portugueses e 5 são franceses. No conjunto dos últimos 10 classificados, e que apenas apresentámos por ordem aleatória, 5 são também portugueses e 5 são franceses!

Curioso o facto de, apesar de preferirmos Syrah a 100%, como estamos sempre a repetir, 3 dos Syrah no Top Five integram a casta Viognier na sua composição, como já dissemos, entre eles o primeiro lugar, e dois portugueses. Isto pode querer dizer alguma coisa, pois Syrah com uma pequena percentagem de Viognier faz parte de uma certa tradição no Vale do Rhone.

Interessante como 3 Syrah do nosso soberbo terroir Alentejano ficaram logo abaixo do vencedor, em ataque cerrado e provando a sua profunda qualidade.

Fazendo a média das classificações atribuídas pelos jurados aos 20 Syrah presentes, esta nunca desceu abaixo dos 15 pontos (indo de 15,5 até 18,3), já sabemos, o paladar é subjectivo e envolve muitas variantes, mas podemos concluir que Syrah é mesmo bom, le crème de la crème. No total de 260 (13 jurados x 20 Syrah) classificações atribuídas durante a prova, apenas 6 foram abaixo de 15!

Em termos da nossa sensibilidade pessoal, e olhando para as notas atribuídas pelo Blogue do Syrah, as duas piores foram para 2 Syrah franceses, um Saint Joseph e um Cornas, e a melhor nota de 20 foi para o fantástico Crasto Superior Syrah de 2013 que ficou na classificação final em 5 lugar!

O que é que podemos prometer? Uma próxima prova cega de Syrah, ainda a realizar este ano, tão empolgante quanto esta, que demonstrou a quem não sabia, ou a quem queria ignorar, que os Syrah portugueses são dos melhores do mundo!


 

Prova Cega – Syrah Português contra Syrah Francês – resultado final!

Pois foi, não aconteceu exactamente o que esperávamos. O primeiro lugar nesta prova não pertence a um Syrah feito em Portugal.  Mas entre os dez primeiros, cinco são portugueses. E a seguir ao primeiro, os quatro seguintes são portugueses!
Estamos muito orgulhosos da nossa prestação. Porque verdade seja dita, e confirmada aqui, os Syrah franceses também são muito bons.

É assim com grande emoção que o Blogue do Syrah divulga os resultados  da Prova Cega de Syrah português versus Syrah Francês!

Uma grande prova com um naipe de jurados que criaram mais valia e com um resultado que valendo o que vale acaba no conjunto por mostrar que os Syrah portugueses vieram para ficar e para conquistar: conquistar os enólogos, os produtores, os enófilos, ao grupo dos quais pertencemos, e o público em geral.

Como tínhamos previsto o embate foi taco a taco, renhido e disputado. Para evitar erros as contas foram feitas e refeitas e hoje estamos em condições de apresentar o top ten!

Os 13 jurados, representando um vasto leque de sensibilidades, com a preciosa e indispensável ajuda do idóneo e respeitado grupo Cegos por Provas, pontuou cada um dos 20 Syrah presentes de 0 a 20, incluindo meios pontos.

E agora, sem mais demoras revelamos que o grande vencedor da prova é:

Côte Blonde “La Chatillone”, Vidal Fleury
com 5% de Viognier, 2009!

 

Nos lugares seguintes temos quatro Syrah portugueses, como já tínhamos dito, a uma distância curtíssima do vencedor, e são eles
Monte do João Martins, Miraldino Filipe Mendes & Cª Lda, 2012
Incógnito, Cortes de Cima, 2012
Mil Réis, Herdade da Maroteira, 2013
Crasto Superior Syrah, Quinta da Crasto, com 3% de Viognier, 2013

Segue a lista final e a  ficha técnica dos premiados e respectivas classificações para memória futura.


1º lugar

Côte Blonde “La Chatillone”, 2009


2º lugar

Monte do João Martins, 2012


3º lugar

Cortes de Cima, Incógnito, 2012


4º lugar

Herdade da Maroteira, 1000 Réis, 2013


5º lugar

Crasto Superior, 2013


6º lugar

Saint -Joseph, 2011


7º lugar

Quinta do Monte d’Oiro, Reserva, 2012


8º lugar

Brézème, 2011


9º lugar

Saint -Joseph, 2014


10º lugar

Les Machonnieres, 2011



Os restantes Syrah, igualmente presentes na Prova, ficam aqui listados por ordem aleatória.

Um louvor agradecido também para eles!

Como sempre, partam por aí em demanda deles todos. Algumas das garrafas terão um preço menos acessível, mas valem cada centavo que custam… não se vão arrepender!


 

Prova Cega – nós e os Franceses – para quando o resultado do jogo?

Pois é, está difícil e renhido. Devido à impaciência de muito boa gente, perfeitamente compreensível e tendo em conta a importância vínica e histórica dos Syrah em competição, estamos aqui a levantar um pouco do véu, dentro do que é possível desde já.

Resultados definitivos neste momento ainda não há porque queremos ser meticulosos no apuramento da verdade, conferindo tudo várias vezes de modo a não haver a possibilidade de qualquer dúvida ou engano!

A contagem está muito renhida, o vencedor, não temos grandes dúvidas quanto a isso, ganhará por centésimas em relação ao segundo classificado e este em relação aos seguintes será também uma situação muito disputada!

Outra certeza que temos é que o resultado será bem diferente do resultado da última prova cega que levamos a cabo no último mês de Outubro e cujos resultados podem ser aqui lembrados.

Amanhã logo pela manhã, mais ou menos a esta hora, com toda a certeza, divulgaremos finalmente os resultados desta contenda memorável, que serão amplamente divulgados, naturalmente no Blogue do Syrah, nos Cegos por Provas e pelas dezenas de grupos do Facebook a que estamos ligados!

A nossa tese de base continua de pé: os Syrah Portugueses são dos melhores do mundo, conseguindo fazer frente a qualquer naipe de Syrah, seja qual for a sua nacionalidade.
Disso não temos dúvidas!


 

Prova Cega – Lusos contra Francos

E enquanto aguardamos os resultados, que é preciso fazer as contas com todo o cuidado, aqui ficam mais algumas imagens do ambiente que se viveu ontem, dia 9 de Abril de 2017, no restaurante e wine bar Great Tastings, em Lisboa

Revelamos também os jogadores presentes, tudo pessoal de peso, tudo jogadores experientes e apurados, prontos para dar o seu melhor no jogo de palato dos nossos jurados.

O ambiente geral foi de festa, com tudo preparado ao pormenor e grande atenção aos detalhes.

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Mais uma vez que ganhe o melhor!