Quinta do Monte Alegre, Xavier Santana, 100% Syrah, Setúbal, 2014

O Syrah 2014 da Quinta do Monte Alegre aparece pouco tempo depois de termos apresentado o seu irmão de 2013. A colheita continua a ser como a anterior, de qualidade superior. Ficamos todos a ganhar. O produtor mas também, como é óbvio, o consumidor.

A Quinta do Monte Alegre está localizada em Fernando Pó, terra de vinho por excelência. Em termos de notas de prova, podemos falar de “fruta preta densa, notas químicas de alcatrão, cacau tostado, num todo intenso e imponente. Encorpado e texturado, com acidez alta bem integrada, taninos finos bem envolvidos, tudo franco, bem feito, directo.” Este Syrah tem uma graduação alcoólica de 14,5% ao contrário do Syrah do ano anterior que tinha 14%.

A Adega Xavier Santana foi fundada em 1926 por Xavier Santana precisamente, empresa que permaneceu em seu nome próprio até à década de 70, quando foi constituída em Sociedade Familiar com a designação actual de XAVIER SANTANA SUCESSORES, LDA. A actividade comercial da empresa centrou-se inicialmente na produção e comercialização de vinhos em barril e na preparação de azeitonas de mesa, na sua adega localizada na vila de Palmela, até aos dias de hoje. Em 1990, a conjuntura de mercado proporcionou o investimento da empresa no engarrafamento dos vinhos como aposta na sua expansão a vários níveis, sustentada pela relação superior de qualidade/preço dos seus produtos. Com o engarrafamento dos seus vinhos, a Xavier Santana apresentou-se ao consumidor com a marca de vinho de mesa Casta Rica, à qual se seguiu a marca Xavier Santana para vinho generoso, e mais recentemente, as marcas Terras da Vinha e Quinta do Monte Alegre, vinhos de Indicação Geográfica ‘Península de Setúbal’ e ‘Palmela D.O.’ respectivamente – os quais vieram a assinalar um novo patamar evolutivo na história da empresa.

O escanção Daniel Santos, com muita piada, disse:
“Syrah é a vingança masculina ao sapato da mulher. Sempre cabe mais uma garrafa na adega!”
Então olhem, mais uma garrafa da Quinta do Monte Alegre para a minha garrafeira, para na altura devida ser apreciado e alegrar o coração de quem bebe com sabedoria, nem que seja beber por um sapato… de mulher!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 5,50€


 

Cepa Pura, Quinta do Montalto, 100% Syrah, Lisboa, 2015

É possível juntar em termos vinícolas o útil, neste caso o saudável, ao agradável,  quando falamos de Syrah, ou seja, ter um Syrah de produção orgânica por um lado e, por outro, do ano de 2015? É, o que acontece felizmente com este Cepa Pura, já por nós apresentado por exemplo aqui, da Quinta do Montalto, Lisboa, e justamente de 2015. Isto marca a diferença porque se apresenta como de qualidade superior!
O que mais se pode querer?

Esta é a terceira colheita do Cepa Pura! A primeira de 2013, a segunda de 2014 e a terceira a presente de 2015. Um aspecto interessante a realçar é que estamos perante três colheitas com graduações alcoólicas bem diferentes, o que não é para espantar em vinhos orgânicos, que são feitos basicamente “com aquilo que a terra dá”! Há anos em que as uvas têm mais açúcar e anos em que as uvas têm menos açúcar…tão simples quanto isto! A colheita de 2013 tinha 14,5% de graduação alcoólica. A segunda de 2014 tinha 12% de graduação alcoólica fazendo deste Syrah, como foi referido na altura, o Syrah português  com menor graduação alcoólica do mercado! A presente colheita em análise de 2015 tem 13,5% de graduação alcoólica.

Este Syrah da Quinta do Montalto foi obtido a partir de uvas seleccionadas, teve um estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano. É um Syrah fresco, de bom aroma, com fruta madura e um perfil arredondado. Apreciámos o bom equilíbrio de boca, com taninos suaves e uma boa vocação gastronómica, certamente adequada em elevado grau para acompanhar um bom repasto de ingredientes igualmente biológicos.

A Quinta do Montalto, pertencente à mesma família há 5 gerações, possui na sua totalidade cerca de 50ha, entre vinhas, olivais, pomares e florestas, formando um magnífico mosaico na paisagem. Inserida na grande região vitivinícola de Lisboa, os cerca de 15,5 ha de vinhas implantadas em encostas de solos argilo-calcários com excelente exposição solar, produzem vinhos com direito à Denominação de Origem Encostas D’Aire.
Localizada no centro do país na região de Ourém, perto de Fátima, e com uma longa tradição vitivinícola, a Quinta do Montalto possui uma grande variedade de castas, sendo a Aragonez e a Fernão Pires as mais representativas das uvas tintas e brancas, respectivamente. Existem também encepamentos de Touriga Nacional, Trincadeira, Baga, Alicante Bouchet, Castelão, Moreto, Cabernet Souvignon, Arinto, Rabo de Ovelha e Olho de Lebre.

Não descurando as preocupações ambientais, todas as culturas na Quinta do Montalto são, desde 1997, conduzidas e tratadas obedecendo às normas de Agricultura Biológica com o controlo da ECOCERT-PORTUGAL, ou seja, não são utilizados adubos químicos, herbicidas, insecticidas, fungicidas e outros produtos químicos de síntese.

A Quinta do Montalto já ultrapassou em várias décadas a idade centenária. Mantendo-se ao longo dos tempos sempre ligada à família Gomes Pereira, as diferentes gerações que a cuidaram souberam, como veremos adiante, marcá-la ao longo do tempo com um cunho próprio, cada uma delas por si só introduzindo benefícios em toda a propriedade que muito contribuíram para a valorizar. Na evolução das três últimas décadas, face a implicações de políticas agrícolas bem como às progressivas carestia e carência do pessoal rural, surgem várias tentativas de rendibilizar estes 50 ha. Se a opção lógica apontava a pecuária, foi esse o sentido enveredado na busca de algum provento.
É precisamente na alvorada do milénio que surge a quarta geração constituída segundo o nome “Herdeiros de Filipe Gomes Pereira”. Englobada também nessa designação desponta já uma quinta linhagem, plenamente vocacionada para novos desafios.

Convertidos à Agricultura Biológica, com investimento em novas castas, apostou-se na quantidade e qualidade do plantio e replantio da vinha. A horticultura dá os primeiros passos na busca da excelência dos produtos. Apesar dos vinhos, já devidamente premiados, serem ao momento uma realidade adquirida, ainda é cedo para futurologias. No entanto a Quinta do Montalto em termos de vinhos está bem encaminhada não podendo continuar a descurar aspectos que parecem ser de somenos importância mas que no conjunto ajudam a fazer a diferença.

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte:
“Syrah faz perdoar a pena de viver.
Bebe syrah! Syrah cor de rubi, syrah cor-de-rosa, syrah cor de sangue!
Bebe syrah!
Tens muitos séculos para dormir.”
O Cepa Pura de 2015 tira as penas de viver e é beber sem parar… cá, na Pérsia, ou onde quer que seja!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 8,50€


 

Pedra Basta, Sonho Lusitano Vinhos Lda, 95% Syrah e 5% Viognier, Alentejo, 2014

Há vinhos bem difíceis de conseguir encontrar.
Já andávamos atrás deste Syrah faz mais de um ano.
Inclusivamente já tínhamos falado com o produtor e enólogo, Rui Reguinga, a esse propósito, mas só agora é que foi possível “deitar-lhe a mão”.
Foi difícil mas valeu a espera!

Inicialmente estávamos imbuídos de um escondido preconceito em relação a este Syrah, é preciso dizê-lo! Pensávamos, e sem motivo para isso (não é dessa massa que nascem os preconceitos?) que poderia ser inferior ao outro Syrah do Rui Reguinga, Tributo, que apresentámos aqui.  A verdade é que não é. Mas só agora é que naturalmente estamos em condições de o dizer na sua plenitude!

O Pedra Basta Syrah que hoje temos aqui, na sua primeira colheita, tem 95 % Syrah e 5% de Viogner, à boa maneira do Vale do Rhone! O Tributo, Syrah do Tejo, também não era um Syrah a 100% e isso não o impediu de ser um topo de gama. O estágio foi de 14 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova do enólogo falam de um vinho com sabor a “fruto preto, notas balsâmicas e de especiarias. Final equilibrado e persistente.” A graduação alcoólica é de 13,5%.

Sonho Lusitano é um projecto conjunto do especialista em vinhos Richard Mayson e do Enólogo Rui Reguinga. As vinhas estão localizadas na região do Alentejo, nas encostas da Serra de São Mamede, entre 500 e 560 metros acima do nível do mar ao pé de Portalegre.
O escritor inglês Richard Mayson especializou-se em vinhos portugueses há mais de vinte anos e é autor de cinco livros sobre o assunto. Já em 1989, identificou a sub-região de Portalegre do Alentejo como sendo potencialmente uma das principais regiões vitivinícolas de Portugal devido à sua altitude, solos e clima. Rui Reguinga, oriundo do Ribatejo, iniciou a sua carreira vinícola em 1991. Trabalhando na cooperativa local de Portalegre. Posteriormente, trabalhou com o conhecido vinicultor João Portugal Ramos antes de estabelecer o seu próprio negócio de consultoria em vinhos. Depois de dez anos em busca da propriedade certa, em 2005 Richard Mayson comprou a Quinta do Centro e formou a Sonho Lusitano com Rui Reguinga.

A propriedade situa-se na orla do Parque Natural de São Mamede. A sub-região de Portalegre (um DOC em si mesmo) é bastante diferente do resto do Alentejo com um terroir próprio. Os solos são de xisto e granito, predominando o granito na Quinta do Centro. A propriedade abrange um vale raso e os solos são pobres, cheio de rocha e geralmente bem drenado. A precipitação média anual, que é inferior a 400 mm em grande parte do Alentejo, é superior a 600 mm em Portalegre.
Ao contrário da maior parte do sul de Portugal, as explorações de terras da região de Portalegre são extremamente fragmentadas, especialmente na serra que tem mais em comum com o norte do que com o sul. A Quinta do Centro é bastante incomum na medida em que se estende a pouco mais de 20 hectares dos quais 12,5 ha são plantadas com vinhas.

Toda a vinha está actualmente em produção, com a vinha mais antiga plantada há aproximadamente 25 anos. O restante da propriedade é semi-selvagem e dado a oliveiras e sobreiros. Há também uma pequena barragem para irrigação. As principais castas (em ordem decrescente de importância) são Trincadeira, Aragonez Alicante Bouschet e Grand Noir com uma pequena quantidade de Cabernet Sauvignon. Em 2006, plantou-se 2,4 ha de Touriga Nacional, Syrah e uma pequena quantidade de Viognier. Uma nova adega foi construída sobre a propriedade e usado pela primeira vez em 2007. Há também cinco casas na propriedade, quatro dos quais serão eventualmente restaurados para o turismo de vinho. A partir de 2011 com a vinha está em plena produção a propriedade começou a produzir o equivalente a 40.000 litros por ano.

Alguém disse que:
“Se a vida com Syrah, mulheres e música se tornar demasiado pesada, pare de cantar!”
Podemos parar de cantar, mas não devemos parar de beber um Syrah de qualidade chamado Pedra Basta!

 

Classificação: 18/20                            Preço: 13,56€


 

1997-2017 | 20 anos de Syrah em Portugal

“Desde quando existe Syrah em Portugal?”

Esta é uma questão que tem merecido a nossa atenção, ainda antes de termos começado o Blogue do Syrah propriamente dito!
E quando colocamos a questão estamos a falar do produto feito e pronto a beber, monocasta Syrah, portanto!
Porque este tema poderia ser introduzido de outra maneira e aí teria uma resposta diferente: há quanto tempo é que foi plantada a primeira vinha com Syrah em Portugal? Esta segunda questão é ainda mais difícil de desvendar, porque apesar de vinte ou vinte e tal anos de Syrah em Portugal, em termos vitivinícolas ser muito pouco tempo, a verdade é que as respostas são muito complicadas, ou porque as pessoas se foram esquecendo de factos e datas, não valorizando propriamente este tipo de informação, ou porque este tipo de história não dá dinheiro… adiante.

Há sempre alguém que pode perguntar: e o I.V.V? O que é que o Instituto do Vinho e da Vinha tem a dizer sobre isto? A resposta é: provavelmente muito, mas a verdade é que não querem saber nem estão disponíveis para falar de tal coisa! O Blogue do Syrah telefonou para o I.V.V. e estabeleceu contacto com uma engenheira da casa, supostamente com a possibilidade de esclarecer as dúvidas. Foram mantidos contactos por mail, mas a verdade é que as respostas nunca vieram. O I.V.V. como bom organismos estatal que é, só serve mesmo como sorvedouro de dinheiros públicos e pouco mais. E para proibir quando tem de proibir, em ditatorial atitude. O esclarecimento de dúvidas não existe e com isto está tudo dito!

Voltamos à pergunta inicial: “Há quanto tempo que existe Syrah em Portugal?”
Pergunta esta que pode ter duas respostas possíveis. A resposta, por aquilo que já dissemos acima, por aquilo que se ouviu, até por uma resposta plausível mas sem prova concreta, ou então, e porque o Blogue do Syrah não se pode dar ao luxo de perder credibilidade, a resposta oficial com as únicas provas que existem e que o Blogue do Syrah procura desde há vários anos é de que existe Syrah em Portugal há precisamente 20 anos!

Mas um produtor do Alentejo  confidenciou-nos há uns anos que já nos anos 80 utilizava Syrah nos seus vinhos! Provavelmente outros o fariam também. Perante o nosso entusiasmo e a pergunta por uma qualquer prova, como uma garrafa cheia ou vazia, um rótulo, um documento qualquer que servisse de prova a tal afirmação, a resposta foi de que não havia, nem ninguém queria tal coisa, pois a casta Syrah era proibida e não se falava sobre isso, nem os rótulos faziam tal menção.

Também durante vários anos foi enunciado, embora nunca defendido claramente, que a primeira colheita do Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima de Alpiarça do Ribatejo, teria sido em 1994. Quando o Blogue do Syrah começou a investigar falando quer com o produtor da quinta, quer com os enólogos, assim como com o delegado comercial, ninguém foi capaz nem de esclarecer, nem de apresentar uma prova inequívoca da existência dessa colheita e no caso afirmativo, esclarecer se se tratava de um monocasta Syrah ou se poderia ser, como chegou a ser aflorado um blend com Syrah.

Apresentando estes factos como esclarecimentos importantes, estamos em condições de aqui apresentar, para que conste para a História do Syrah em Portugal, que o primeiro Syrah português foi lançado em Portugal há precisamente 20 anos! Foi nesse ano de 1997 que saiu não um, mas dois Syrah em Portugal! Um na região vitivinícola de Lisboa, nessa altura designada de Estremadura. E o outro na região do Tejo, nessa altura designada de Ribatejo. Um ano mais tarde sairia o primeiro Syrah do Alentejo, o mítico Incógnito de 1998, que levou a casta Syrah a todo o Alentejo e daí para todo o país!

Eis de seguida os três Syrah pioneiros que foram produzidos em Portugal:

 

Reserva, Quinta do Monte d’Oiro, 96% Syrah, 4% Cinsaut, Lisboa

Falemos então dos Syrah que esta quinta tem produzido desde 1997.Comecemos por dizer que a frase mais apelativa e forte que o Francisco Bento dos Santos utilizou na visita que o Blogue do Syrah fez à Quinta do Monte d’Oiro foi: “Somos especialistas em Syrah” e isso para nós toca-nos de modo muito especial. Apetece responder com uma frase da nossa lavra:
“O Syrah dá-te a possibilidade de perder a inocência, sem perder a virgindade.”
A opção Syrah em toda a sua pujança que levou a esta especialização deve-se à paixão do fundador José Bento dos Santos pelos grande vinhos do Rhône, onde a nossa casta é soberana, igualmente pelas características do “terroir”, que se veio a revelar ideal sendo uma aposta ganha, e depois toda a aprendizagem e experiência que se foi desenvolvendo e acumulando ao longo dos anos.
Temos em primeiro lugar o Reserva, que existe desde 1997, (o Blogue do Syrah teve um exemplar desse ano nas mãos, durante a já referida e memorável visita) que é para a Quinta o Syrah que não pode deixar de ser produzido. Tem uma pequena (menos de 5%) quantidade de Cinsaut que, por esse tempo, estava plantada na Vinha da Nora (já entretanto substituída por Syrah), e é o Syrah mais parecido com os Syrah franceses do Vale do Rhône, considerada a referência a nível mundial. Em 1997 a quinta ainda usava 100% barricas novas, e só quase 10 anos mais tarde começou a reduzir a percentagem de madeira nova nos tintos, para os actuais mais ou menos 40% no Reserva.
Olhar para esta garrafa é sentir o tempo apurado em eflúvios ancestrais!
A tiragem corrente, já com Viognier, tem 14% de graduação alcoólica e produzem-se em média 24 mil garrafas. É o seu Syrah de marca! As notas de prova que escolhemos dizem que é um vinho de “Rubi concentrado, negro. Aroma frutado com predominância para as ameixas pretas bem maduras e frutos do bosque, ligeiras notas tostadas e de especiarias finas. Elegante na boca, revela um conjunto equilibrado entre a fruta e a madeira bem integrada, taninos aveludados, acidez correcta, final muito prolongado e distinto.” Teve um estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês, das quais 40% eram novas.

 

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo

Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”
Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.
A primeira safra é de 1997 e as seguintes aconteceram em 2000, 2005, 2008, 2010 e a presente de 2012.
A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém.
A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.
Como dizia Roland Betsch, segundo a nossa versão: “No Syrah está verdade, vida e morte. No Syrah está aurora e crepúsculo, juventude e transitoriedade. No Syrah está o movimento pendular do tempo. No Syrah se espelha a vida.”
Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

 

Incógnito, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo

Se há um Syrah capaz de atingir o espaço sideral mitológico, esse Syrah só pode ser o Incógnito! Mesmo estando a falar de acontecimentos que ocorreram nos últimos vinte anos, que quando falamos de Syrah em Portugal é tudo muito recente, este Syrah é já um mito vivo!
As notas de prova incluídas na garrafa dizem-nos que possui uma “mistura de frutos selvagens de bago vermelho, tosta de madeira, carne e notas de alcatrão. No paladar é complexo, com um forte paladar de fruta silvestre madura e um equilíbrio cativante. Suave no início, mostrando-se firme ao longo da prova, excelente estrutura de taninos e uma agradável frescura, com boa acidez a contribuir para um longo e persistente final.” Segundo o seu produtor vai manter-se grandioso pelo menos 10 anos. Safras anteriores do Incógnito já mostraram que a longevidade deste néctar está muito acima da média. O estágio foi feito em barricas de carvalho francês. A colheita, produção e engarrafamento é feito na propriedade familiar.
Por isso é que se trata de um vinho histórico, porque foi o primeiro Syrah a ser produzido no Alentejo. Estávamos em 1998, quando a casta ainda não era permitida na região. Daí o nome provocador dado ao vinho, era um Syrah incógnito.
Na época, a casta Syrah não fazia parte das variedades autorizadas na designação Vinho Regional Alentejano (o que só veio a acontecer em 2002), obrigando Jorgensen a comercializar o vinho sem explicitar a casta no rótulo. Contudo, apesar de a casta Syrah não ser identificada, no contra-rótulo era dada uma pista, mais precisamente um acróstico, para quem soubesse ler na vertical e decifrar o enigma:
Select fruit from
Young vines, well
Ripened,
And hand
Harvested.
Literalmente: “frutas seleccionadas de vinhas jovens, bem maduras, e colhidas à mão”. Dessa colheita inicial de ‘Incógnito’, em Cortes de Cima, consta que só há… 4 garrafas! Para reforçar, Jorgensen ainda colocou a frase atribuída ao agora Nobel da Literatura Bob Dylan “To live outside the law, you must be honest”, que em tradução livre significa “Para viver à margem da lei, tem que se ser honesto”. Ou num tom ainda mais ético: “Só se pode viver à margem da lei se formos honestos”.


E pronto, a apresentação está feita, provada e comprovada. Aquilo que ficará para a História foi escrito.
Contamos estar aqui por mais 20 anos, sorvendo os eflúvios do melhor Syrah do Mundo, a fazer mais História com mais Syrah.
Assim o Deus Baco nos ajude!


 

Adega de Pegões, Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2013

Apresentamos aqui mais um Syrah de Pegões, desta vez de 2013. Este Syrah existe desde 2004, ano da primeira colheita. Daí para cá tem havido Syrah  novo todos os anos, e assim esperamos que continue. O presente é o que se encontra no mercado!
A partir de 2011 o volume de garrafas produzidas fixou-se nas 20000. É um bom indicativo, quer da qualidade do produto em relação ao preço, quer da reacção positiva do consumidor português em relação ao Syrah. Reacção esta que por nós haverá de ser cada vez mais entusiasta e total. Estamos aqui para isso!

O enólogo é Jaime Quendera, responsável por estas notas de prova: ”Notas de frutos vermelhos/pretos muito maduros , notas de compota , volumoso na boca , final muito prolongado.” A cor é granada, a fermentação foi realizada em cubas de lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. O envelhecimento foi de 12 meses em pipas de carvalho americano e francês, seguido de 4 meses em garrafa, antes de ser lançado no mercado.

A Adega Cooperativa de Santo Isidro de Pegões, é o seu nome completo, é um verdadeiro colosso no panorama vitivinícola português! Produz 12 milhões de garrafas de vinho por ano, distribuídas por 48 referências, que é assimilado em 75% pelo mercado nacional. Os outros 25% são para exportar, praticamente para todo o lado. Apresentar aqui a lista de países nos diversos continentes em que os vinhos da  Cooperativa de Pegões estão representados seria fastidioso, mas interessante, porque são algumas dezenas!
A Península de Setúbal, região onde estão situadas as vinhas da Cooperativa de Pegões, assim como outras grandes herdades de que já aqui falámos e continuaremos a falar, é caracterizada por um microclima com óptimas condições climáticas, únicas onde se destaca os solos arenosos ricos em água e o clima Mediterrâneo com influência marítima devido à proximidade do mar. A perfeita harmonia destes elementos favorecem o desenvolvimento de castas nobres perfeitamente adaptadas originando vinhos de qualidade.

Eis portanto um bom Syrah, com uma boa relação qualidade/preço e que pode muito bem fazer justiça à frase de Jean Gabin, actor francês:
“Eu beberei leite no dia que as vacas comerem uvas.”
O que interessa que fique para a história é o seguinte: quem beber Syrah da Adega de Pegões faz uma óptima escolha, tenham ou não as vacas comido uvas.
É isso mesmo!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 4,99€


 

Reserva, Quinta do Monte d’Oiro, 96% Syrah, 4% Viognier, Lisboa, 2012

É indiscutivelmente um fora de série.
De qualidade, de aromas, de texturas.

O Blogue do Syrah tem uma afeição especial por um conjunto de quintas e herdades.
A Quinta do Monte d’Oiro é uma delas!
É a quinta que nestes últimos 20 anos mais Syrah fez.
E todos de qualidade!
Este especificamente de que vamos agora falar é o que se parece mais com os Syrah franceses do Vale do Rhône.
De Alenquer para o sudeste da França, quase que o podíamos afirmar!

Para a Quinta do Monte d’Oiro este monocasta Reserva 2012 elaborado com as castas Syrah (96%) e Viognier (4%), representa a expressão máxima do terroir da Quinta do Monte d’Oiro e reflecte a sua filosofia de produção. Complexo, concentrado, mas sem perder a harmonia e a elegância. É um vinho de grande consistência colheita após colheita, tendo já conquistado vários prémios dentro e fora de portas.  Tem uma graduação alcoólica de 14%. Estágio de 18 a 22 meses em barricas de carvalho francês, das quais 40% novas. “Estes vinhos reflectem completamente a nossa filosofia de produção. Tentamos sempre que exprimam ao máximo o terroir da Quinta do Monte d’Oiro e penso que atingimos, mais uma vez, esse objectivo”, salienta Francisco Bento dos Santos, director geral da empresa.

Na região vitivinícola de Lisboa, já o dissemos, não há dúvidas de que José Bento dos Santos foi o introdutor do Syrah. Hoje em dia, apesar da sua presença ainda ser fundamental nas decisões mais importantes, é o seu filho Francisco Bento dos Santos que tem a responsabilidade de liderar a equipa que resolve os problemas do dia a dia que a quinta apresenta, estando presente em muitas das feiras em diversos momentos de divulgação dos vinhos da quinta. É ele que actualmente dá a cara pela quinta.
Localizada na região de Lisboa, a Quinta do Monte d’Oiro é uma referência, desde o séc. XVII, na produção de vinhos notáveis. Foi adquirida em 1986 pelo mestre gastronómico José Bento dos Santos, que replantou as melhores parcelas – após vários anos de estudos sobre as condições edafo-climáticas – com as castas que melhor se adaptaram aos seus desígnios de elaborar vinhos de qualidade superior, ao estilo europeu (“Velho Mundo”), que ao mesmo tempo fossem vinhos de requintado sentido gastronómico, com um perfil eminentemente talhado para acompanhar em perfeita harmonia pratos de uma genuína cozinha regional, clássica ou alta cozinha. Após os primeiros anos de consolidação, a Quinta do Monte d’Oiro entrou numa nova fase da sua história a partir da colheita de 2006, lançando para o mercado uma nova imagem e vinhos provenientes de uma conversão para a agricultura biológica sem recurso a herbicidas. O rigor é o lema da Quinta do Monte d’Oiro, desde o trabalho na vinha, passando pelos processos de vinificação e terminando na escolha das barricas de carvalho francês das melhores tanoarias, a cargo da enóloga Graça Gonçalves com o apoio técnico de Grégory Viennois, antigo enólogo-chefe da Casa M. Chapoutier e actualmente à frente da direcção técnica dos vinhos Laroche. Os prémios nacionais e internacionais sucedem-se.

Dos 42 hectares da propriedade, apenas 20 hectares foram replantados com as castas Syrah, Viognier e Petit Verdot, importadas directamente das suas regiões originais em França, e com as castas portuguesas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Arinto. Existe a preocupação de produzir uvas com rendimentos muito baixos, incrementando a qualidade enológica que se pretende dos vinhos. A partir da colheita de 2006 passaram a existir duas famílias de vinhos: os vinhos de “terroir” e os vinhos de “cépage“, com a assinatura José Bento dos Santos.

Assim, para além de ter sido privilegiado o desenvolvimento vegetativo das videiras, o tratamento da vinha é muito exigente e praticam-se rendimentos de produção por hectare muito baixos através de podas severas e mondas de cachos significativas, sempre em modo de produção biológica. A vindima é feita à mão, como testemunhámos na visita que fizemos à quinta, para caixas de 15 kg, por forma às uvas chegarem intactas à adega. A vinificação, que decorre separadamente por casta e por parcela, é extremamente cuidada, com controlo rigoroso e individual da temperatura dos mostos.

Utilizam-se ainda barricas novas e seleccionadas de carvalho francês em estágios prolongados de 12 a 24 meses. Este “savoir faire” garante um resultado que se tem vindo a revelar, ao longo dos anos, superlativo e consistente. De facto, colheita após colheita, os diversos vinhos da Quinta do Monte d’Oiro recebem o apoio unânime da crítica e do público em Portugal e no estrangeiro, estando presentes em importantes mercados internacionais tais como Holanda, França, Suíça, Reino Unido, Finlândia, República Checa, E.U.A., Brasil, Angola e China e nas Cartas de Vinhos de alguns dos mais famosos restaurantes europeus e americanos.

A frase que queremos deixar aqui presente, sem autor declarado, mas carregada de significado é a seguinte: “Wine brings in its essence, what his mentor carries in the soul.” Vamos dizê-lo em português que ainda soa mais verdadeiro! “O Vinho traz na essência, o que o seu mentor carrega na alma.” O Reserva, Quinta do Monte d’Oiro 2012 é isso mesmo: a alma do seu mentor!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 34,00€