Telhas, Terras D’ Alter Companhia de Vinhos Lda, 95% Syrah, 5% Viognier, Alentejo,2013

Eis o Telhas Syrah 2013, sobre o qual vamos falar, e apreciar!
A sua composição é de 95% Syrah e 5% Viognier.
A Vinha situa-se na Herdade das Antas.
O Telhas provém do sector mais elevado da vinha, o qual se caracteriza pelo austero solo granítico e o seu terroir  muito característico. Daí ser um Syrah que se destaca, por exemplo, em prova cega explicando o bom resultado que aí consegue. E esta colheita parece ter grande futuro em termos de evolução. As notas de prova dizem-nos que na “cor é vermelho intenso com centro púrpura.O aroma tem nariz perfumado com notas de violetas, pimenta moída, carne assada e alcatrão.O paladar mostra sabores exóticos de madeiras e especiarias orientais com uma envolvente de frutos vermelhos maduros. Final muito saboroso com notas de cedro e baunilha.”

Peter Bright é o Enólogo dos vinhos Terra de Alter. De origem Australiana, a viver em Portugal desde 1982, é dinâmico, empreendedor e o seu lema é “experimentar mas não misturar estilos”. As duas castas presentes neste Syrah co-fermentaram com leveduras autóctones em pequenos reservatórios abertos e com manta submersa. A fermentação foi concluída em barricas novas de carvalho americano acompanhada de battonage. Seguiu-se a fermentação maloláctica e estágio em barrica durante 24 meses.

A vinha Terras de Alter é estruturada segundo o conceito novo mundo e desenhada com o contributo da Universidade de Fresno na Califórnia. As vinhas são plantadas utilizando modernos sistemas de condução e irrigação, facilitando o seu tratamento e garantindo a sua qualidade.

A adega está localizada muito perto dos produtores de uva, o que permite um tempo mínimo entre a vindima e o inicio da laboração. A escolha de todo o equipamento foi feita segundo os princípios mais modernos, com o objectivo de se conseguir produzir de acordo com os conceitos do novo mundo já mencionados. A adega tem a possibilidade e versatilidade para poder laborar segundo processos de alta qualidade, com vindima manual, selecção de uvas à entrada, controlo altamente rigoroso de temperatura e outros aspectos que possibilitam a produção de excepção. Tanto pode trabalhar em cubas de quantidades consideráveis para os nossos vinhos mais correntes, como pode trabalhar em cubas de fermentação muito pequenas, que permitem o tratamento de lotes reduzidos mas de elevadíssima qualidade. É esta versatilidade que permite conseguir lotes de tempero que afinam ou complementam os vinhos de topo. Terras de Alter, Companhia de Vinhos, Lda., utiliza as uvas produzidas pelos seus sócios, na região de Alter do Chão e Fronteira, embora também se abasteça nas produções do Alto Alentejo, conforme as suas necessidades específicas.

O escritor Paul Bocuse escreveu: “estamos sempre lisonjeados por ser convidado a visitar belas adegas cheias, mas as garrafas mais prestigiosas começam a existir no momento que nós as esvaziamos com os amigos”. Como o Blogue do Syrah concorda totalmente com o que ficou dito, vamos a isso. Venha de lá um Syrah Telhas 2013 e vamos beber com os amigos, sempre!

 

Classificação: 17/20                                                                                            Preço: 14,50€


 

Solar dos Lobos, Silveira e Outro, Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Estamos aqui para falar de uma nova colheita do Syrah Solar dos Lobos de 2014, esse Syrah que também pelo design da garrafa nos tem pelo beicinho.
É um Syrah que nunca nos desanima, habituados que estamos à sua qualidade. A colheita de 2014 não foge à regra!
E é um Syrah que tem a particularidade de ter sido feito sempre por mulheres. Foi a Susana Esteban, depois foi a Gabriela Canossa, e agora a enóloga de serviço é Mariana Pinto.

É um Syrah com 14,5% de graduação alcoólica e as notas de prova da enóloga dizem que tem “Cor rubi, intensidade aromática de frutos silvestres em harmonia com notas florais e especiarias. Na boca apresenta boa estrutura, bem equilibrado com taninos redondos. Elegante e com boa persistência.”

O vinho Solar dos Lobos é resultado de uma tripla selecção de cachos e apenas provêm dos 75 hectares de vinha. A primeira selecção inicia-se perto do pintor em que se faz uma monda de cachos, seleccionando apenas os cachos que irão permitir o máximo de qualidade.

A segunda selecção acontece na vindima, em que as pessoas que vindimam estão sensibilizadas a apenas apanhar os cachos que se apresentem com um estado sanitário perfeito.
A terceira selecção é feita na entrada da uva na adega, pois esta é descarregada das caixas de 20Kg para o tapete de escolha onde se encontram 2 a 4 pessoas a retirar todas as folhas, ramos, e cachos que não possuam qualidade, por estarem verdes ou em passa.
A Herdade Vale D’Anta (25ha) fundada pelos Avós Julieta Pereira Gancho e João Rafael Coelho Gancho, situa-se junto à harmoniosa e inspiradora Serra D’Ossa (Redondo), onde o seu microclima mais fresco é tão característico. Produz essencialmente castas tintas entre as quais a Syrah, obviamente a que nos interessa!

A vinha de Arraiolos (50ha), zona quente e reconhecida pelo seu potencial em fazer grandes vinhos, produz além das castas tintas, algumas castas brancas como o Arinto, Sauvignon Blanc, Antão Vaz e Chardonnay.

Eis pois a história de uma família alentejana, com os seus antepassados ligados às terras de Alvito (Beja), tem os seus segredos e tradições encerrados no seu Brasão de Armas dos Lobo da Silveira, com origem no 1º Barão e Marquês de Alvito no séc. XV, primeiro título de barão concedido em Portugal por D. Afonso V. Cinco lobos tem este Brasão de Armas, e cinco são hoje curiosamente os seus descendentes. Cinco jovens primos que se comprometeram a levar a mensagem das suas raízes aos quatro cantos do mundo, hoje guiada pelas mãos dos irmãos Filipa e Miguel Lobo da Silveira.

E mais uma vez a referência à garrafa, de design muito original, como aliás são todas as que a casa produz, com um cartoon exibindo o dilema da escolha entre duas paixões… a mulher ou o Syrah… Mas porquê escolher? Porque não ficar com os dois!

O filósofo Séneca escrevia:
O Syrah lava as nossas inquietações, enxuga a alma até o fundo, e, entre outras coisas, garante a cura da tristeza.”
Este país dá-nos muitos motivos de tristeza.
Provavelmente é por isso que tem Syrah tão bom.
Vai então mais uma taça de Syrah do Solar dos Lobos!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 11,00€


 

Lote 44, Adega de Arruda, 100% Syrah, Lisboa, 2015

Aqui no Blogue do Syrah por vezes criticamos alguns produtores pela sua falta de visão em relação aos Syrah que comercializam. Mas nunca tivemos motivo de queixa dos nossos leitores. Aliás temos leitores de alto nível que não só lêem o que vamos publicando como até nos avisam de Syrah que tiveram conhecimento e que não vêm mencionados no Blogue do Syrah. Que mais podemos pedir?
É o caso do nosso leitor Emanuel Coelho que no passado mês de Dezembro nos contactou para nos falar de um Syrah que tinha adquirido na loja da Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, este Lote 44!
Já no mês anterior o amigo Jorge Cipriano do Clube dos Vinhos Portugueses a propósito da  Festa da Vinha e do Vinho na Arruda dos Vinhos nos tinha avisado para este Syrah que era novidade da Adega Cooperativa!
Resumindo e concluindo, lá conseguimos convencer o leitor Emanuel Coelho a enviar uma garrafa do Lote 44 via correio, para podermos fazer a nossa apreciação. E foi devido a isto tudo que hoje estamos aqui. Obrigado Emanuel Coelho e estamos sempre disponíveis para novos Syrah, pois claro.

O Syrah de nome Lote 44 de 2015 é o segundo monovarietal Syrah que a Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos faz. O primeiro, do já longínquo ano de 2009 tinha o nome de Arruda dos Vinhos. O de 2009, como foi dito na altura, não deixou saudades por aí. Este Lote 44 é claramente melhor!

A fermentação deu-se em cuba de inox, com controlo de temperatura a 26ºC. A maceração aconteceu durante oito dias. As notas de prova dizem-nos que tem “cor granada, aroma a frutos silvestres. Na boca é persistente e muito suave no final.” Este Syrah tem uma graduação alcoólica de 14,5%.

A Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos foi fundada em 1954, numa altura em que se assistiu em Portugal ao aparecimento de muitas adegas que foram criadas como ferramentas imprescindíveis para garantir o escoamento da uva, a qualidade do vinho e a estabilidade do preço conseguido pelos produtores das várias regiões. Foram 25 os produtores agricultores que, na altura, se resolveram organizar, levando a cabo a constituição da Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos. Quando a Adega é criada, agregando vários produtores da região, torna-se no maior produtor de vinho de Arruda, realidade, aliás, que se mantém até hoje. Actualmente a Adega de Arruda tem cerca de 300 associados activos e uma área de vinha com várias centenas de hectares. Destas vinhas, predominantemente implantadas em terrenos argilo-calcários, provêm os melhores vinhos da região. As instalações ocupam uma área total de mais ou menos 32 mil m2, sendo 4.760 m2 de área coberta, onde se encontram os serviços administrativos, os laboratórios, as linhas de engarrafamento, os armazéns de material subsidiário, matéria-prima e material acabado, bem como a loja da Adega de Arruda. Dispõe de todo o equipamento de recepção das uvas, vinificação, estabilização e armazenagem e possui uma capacidade de engarrafamento que permite dar resposta aos compromissos comerciais e expectativas de mercado, bem como cumprir os requisitos exigidos pelas normas de Higiene e Segurança Alimentar.

O escritor de vinhos russo Alexis Lichine escreveu:
“No que se refere a Syrah, sempre recomendo que se joguem fora tabelas de safras e manuais, e se invista num bom saca-rolhas”. Só se conhece Syrah, bebendo. Foi esse o principal motivo que nos trouxe hoje aqui ao Syrah Lote 44!

 

Classificação: 15/20                                                    Preço: 3,25€


 

Os Melhores de 2016 segundo o Blogue do Syrah!

Esta é a segunda vez que o Blogue do Syrah se lança na épica aventura de escolher os melhores Syrah lançados em Portugal no ano de 2016.

Atribuímos, assim, medalhas de Ouro, Prata e Bronze, e ainda uma medalha especial ao que considerámos ser o melhor Syrah quanto à relação qualidade preço.

Este painel de premiados nasceu da nossa escolha subjectiva, como teria de ser, e teve lugar num ano ainda mais rico de novidades que o ano transacto, o que tornou a escolha ainda mais aliciante. O universo Syrahniano vai  aumentando regular e exponencialmente, para nosso, e vosso, regozijo, sempre com enorme qualidade, tornando esta nossa viagem um deleite quase permanente. Este ano, e ao contrário do anterior ,em que tivemos representado no pódio o país de norte a sul, Douro, Alentejo e Algarve, com passagem por Lisboa, só temos quase Alentejo, esse Alentejo quimérico onde o Syrah se dá tão bem! A excepção surge com a Península de Setúbal, como se verá.

Vamos então aos nossos ‘Óscares‘.


Medalha de Ouro:  DONA DORINDA
Provámos este Dona Dorinda 2011 em Outubro de 2015 no Encontro de Vinhos Alentejanos no CCB e logo ali declarámos: “Vale 20!
Só que na altura não havia decisão sobre a garrafa final e os rótulos não estavam ainda feitos.
Após este ano e meio de longa espera, já com tudo no devido lugar, com design renovado e do nosso ponto de vista muito bem conseguido, o Blogue do Syrah pode finalmente apresentar ao mundo o Dona Dorinda 2011!
Só se fizeram 1238 garrafas, numeradas à mão, cabendo à nossa o número 573. A graduação alcoólica tem uns impressionantes 16,5%, mas tão bem integrados nos outros elementos vínicos que só se acredita neste valor lendo o contra rótulo da garrafa.

Medalha de Prata : INCÓGNITO
Na prova cega do passado mês de Outubro, que colocou frente a frente Syrah portugueses contra congéneres estrangeiros, desde franceses, australianos, sul africanos, austríacos, argentinos e chilenos, poucos poderiam inicialmente vaticinar o resultado final! Nós aqui, no Blogue do Syrah sempre tivemos confiança no bom desempenho dos Syrah portugueses. Mas o que aconteceu foi uma coisa quase do outro mundo: o Syrah vencedor da prova onde estiveram presentes vinte Syrah no total, avaliados por trinta e três jurados, foi o último a ser servido, justamente este Incógnito 2012. Não tem o mesmo significado ganhar a prova tendo sido apresentado nos primeiros dez lugares, ou tendo sido apresentado precisamente em último! O Incógnito 2012 arrebatou duma penada toda a concorrência dentro e fora de portas, e isso é obra! Estávamos longe de imaginar que tal coisa poderia sequer acontecer… mas aconteceu! E desse modo este Syrah de Cortes de Cima, grande representante do Baixo Alentejo, continua a sua caminhada em direcção ao espaço sideral mitológico!

Medalha de Bronze ex-aequo: CEM RÉIS / ALDEIAS DE JUROMENHA
Sobre o Cem Reis, há um ano e três meses, quando falamos do Cem Reis de 2012, dissemos o seguinte:
”O CEM REIS Syrah congrega em si dois aspectos que, como consumidores apaixonados pela casta, muito prezamos. Em primeiro lugar porque se trata de um Syrah de qualidade superior. Em segundo, e ao contrário do que é habitual, a maior parte da produção fica e é consumida em Portugal.”
E o dito continua a ser verdade na safra seguinte, 2014, a agora premiada!
Mais: tem um maior significado porque neste espaço de tempo houve vários Syrah que foram descontinuados, logo a permanência deste Syrah é preciosa devido à sua longevidade – a primeira colheita é de 2005 – e por outro lado trata-se de um Syrah topo de gama! Não se assustem com o preço! Este vinho vale todos os euros que custa!
95% da toda a produção é efectivamente para o mercado interno e somente os restantes 5% é que vão para o mercado externo.

Quanto ao Aldeias de Juromenha, será muito provavelmente o Syrah sobre o qual mais temos escrito. Então pergunta-se: Porquê tão cedo voltar a dar destaque a este Syrah, o único dessa terra cativante que é Elvas?
Simplesmente porque é o melhor de todos eles! E acreditem, os outros eram muito bons!
Como já se sabe é um Syrah feito por mestre António Saramago! Aliás é o único Syrah que Saramago faz presentemente!
O Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha é, já o dissemos, “for our plesuare” todo comercializado em Portugal. O facto de ser reserva significa neste caso que tem dez meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano, e tem uma graduação alcoólica de 15,5%. Mais uma novidade! É o mais graduado de todos eles. O anterior de 2012 tinha 14,5%.

Melhor relação Qualidade-Preço: VINHA DE PEGÕES
Com a classificação de 18 valores e o preço de 2 euros e 49 cêntimos, a escolha aqui foi imediata. Falámos com entusiasmo dele, dando conta de ter sido o primeiro Syrah de 2015 a ser lançado!
Já desde Agosto do ano passado que estamos a repetir para quem nos quiser ouvir que o ano de 2015 para o Syrah vai ser o melhor do século, muito superior ao de 2011!
Por isso quando tivemos conhecimento deste primeiro Syrah de 2015 quisemos tentar perceber se algo de substancialmente superior seria possível adivinhar. Esta linguagem rebuscada limita-se a querer dizer que foi também com espanto que tivemos conhecimento que já poderia estar no mercado e ao fim de tão pouco tempo um Syrah de 2015.
O enólogo deste Syrah, é Jaime Quendera, responsável por estas notas de prova: ”Notas de frutos vermelhos/pretos muito maduros , notas de compota , volumoso na boca , final muito prolongado.” A cor é granada, a fermentação foi realizada em cubas de lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. Não teve madeira e a graduação alcoólica é de 14%.
O final prolongado tem um forte gosto a cravinho o que torna este Syrah muito especial.
O preço, para quem teve conhecimento, foi arrasador para toda a concorrência tendo em conta a qualidade desmedida deste Syrah!


Julguem de vossa justiça, provem, degustem, apreciem, opinem, e venham aqui dizer se estão de acordo ou não com esta escolha, e parabéns aos vencedores!


 

Aldeias de Juromenha, Herdade das Aldeias, 100% Syrah, Alentejo, 2013

Muito provavelmente o Syrah sobre o qual mais temos escrito deverá ter sido este, o Syrah das Aldeias de Juromenha. Então pergunta-se: porquê tão cedo voltar a dar destaque a este Syrah, o único dessa terra cativante que é Elvas?
Simplesmente porque é o melhor de todos eles!
E acreditem, os outros eram muito bons!

Como já se sabe é um Syrah feito por mestre António Saramago. Aliás é o único Syrah que Saramago faz presentemente!
É um Syrah de “cor retinto, aroma frutos vermelhos e compota, bons taninos, volumoso, equilibrado com boa acidez que lhe permite ter longevidade.”

O Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha é, já o dissemos, “for our pleasure”, todo comercializado em Portugal. O facto de ser reserva significa neste caso que tem dez meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano, e tem uma graduação alcoólica de 15,5%. Mais uma novidade. É o mais graduado de todos eles! O anterior de 2012 tinha 14,5%.

Cabe aqui contar uma pequena história não a propósito deste Syrah, mas a propósito de Mestre Saramago. Nós aqui no Blogue do Syrah somos, admitimos, um bocado teimosos, é Syrah e mais nada, mas, tendo em conta que António Saramago já fez vários Syrah e de qualidade e ainda por cima tem uma empresa de vinhos que comercializa os seus próprios vinhos que é a António Saramago Vinhos, desde há dois anos que sempre que nos encontrávamos lá insistíamos com o António para se atirar à possibilidade de fazer um Syrah com a marca António Saramago Vinhos! Nos primeiros tempos vacilava na resposta dizendo que para fazer um Syrah com o seu nome, tinha que ser um Syrah muito bom, e isso ainda nos deixava mais empolgados, mas concluía que nunca seria capaz de fazer esse Syrah com a mesma mestria com que faz na sua empresa o Castelão ou o Moscatel! E depois falava da excelência dos Syrah Hermitage do Vale do Rhône e que seria incapaz de fazer coisa semelhante, que o segredo é esse terroir único. No ano passado já respondia taxativamente que nunca faria um Syrah! É claro que a partir de certa altura lá nos convencemos que não fazia sentido insistir, dado que a última vez que o encontrámos assim que nos viu aparecer disse logo de mãos ao alto: não me venham falar de Syrah! Bem, será compreensível que um enólogo de Azeitão se sinta mais ligado à sua terra explorando tão bem, como só ele sabe, as castas nativas da Península de Setúbal como o Castelão e o Moscatel.
Pois bem, Mestre Saramago, o Syrah de excelência feito por si que procurávamos está aqui: é este Syrah 2013 das Aldeias de Juromenha!

A Herdade das Aldeias é uma empresa agrícola situada a cerca de 15km da Cidade de Elvas e junto da Vila de Juromenha com vista para o Rio Guadiana de belíssima paisagem. Está inserida numa zona histórica com grande tradição na arte de fazer vinho. Este projecto em particular está em desenvolvimento desde 1986. A adega está rodeada por 70 hectares de vinha própria. Este sistema promove um aumento na eficiência na vindima, uma vez que reduz o tempo desde a colheita até ao processamento das uvas. O clima é caracterizado por uma Primavera e Verão excessivamente quentes e secos. A exposição solar regista também valores bastante altos, em particular nas semanas anteriores à vindima, condições que contribuem para uma perfeita maturação das uvas. De facto as condições são extremamente favoráveis à síntese e acumulação de açucares e concentração de aromas e cor na película da uva. A bacia hidrográfica é dominada pelo Rio Guadiana e o tipo de solo é predominantemente xistoso.

Um autor desconhecido deixou escrito que “A cerveja, para os higienistas, não vale a água; para os gastrónomos não vale o Vinho!”
Esse problema para nós não se coloca quando temos à disposição o Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha!

 

Classificação: 19/20                                                          Preço: 4,99€


 

Comenda Grande, Monte da Comenda Grande, 100% Syrah, Alentejo, 2013

Quem espera sempre alcança”!
Desde 2015 que pacientemente esperávamos pela saída deste Syrah, Comenda Grande de seu nome, cuja anterior colheita de 2009 tanto nos entusiasmou!
Com o ano de 2013 o Syrah Comenda Grande volta a ver a luz do dia, para nosso imenso deleite.

O nome “Comenda” significa um antigo benefício honorífico concedido a eclesiásticos ou a cavaleiros de ordens militares. Este Syrah irá ser uma grande comenda para quem tiver a oportunidade de o degustar.

Do concelho de Évora, pois claro! Tem uma graduação alcoólica de 15,5%, ao contrário do anterior que tinha 15%. O enólogo foi Francisco Pimenta. Teve um estágio de 12 meses em barricas novas de 225 litros de carvalho Allier e de 8 meses em garrafa. As notas de prova oficiais dizem que tem uma “cor granada densa e viva, aroma intenso e complexo onde sobressai a fruta madura e passas de ameixa, mas também um ligeiro floral e a sensação das madeiras de estágio. Ao sabor, revela-se macio, com grande estrutura, onde se destacam os taninos marcantes, sendo contudo fresco num final de boca prolongado e persistente.” Para preservar ao máximo todas as suas características este vinho não foi filtrado nem sujeito a estabilização tartárica pelo que, com o tempo, poderá vir a apresentar ligeiro depósito.

O Monte da Comenda Grande é constituído por 43 hectares de vinha entre brancos, tintos, rosés e espumantes. A exploração agrícola da Comenda Grande foi iniciada por Maria José de Almeida Margiochi, neta de José Maria Eugénio de Almeida (hoje Fundação Eugénio de Almeida) e filha de Gertrudes de Almeida Margiochi e de Francisco Simões Margiochi.

Herdada por Maria Madalena de Noronha e seu marido João de Noronha, esta exploração agrícola de referência da casa Margiochi é hoje continuada por sua filha Maria de Lourdes de Noronha Lopes, pelo seu marido António Lopes e pelos filhos. Compreendendo uma área de 750 hectares, a exploração tem vindo a acompanhar a reconversão da agricultura alentejana, tendo realizado diversos investimentos de vulto nesse sentido. Assim, a par da reconversão de parte do sequeiro em regadio, não só reforçou as áreas de floresta, privilegiando o sobreiro (Quercus Suber), como plantou um moderno olival em cerca de 30 hectares para além de 43 hectares de vinha já referidos.

O jornalista Philippe Bouvard escreveu que “Percebi que tinha concordado em não ser imortal quando comecei a beber os meus velhos Bordeaux.” Como não temos ilusões em relação à imortalidade dizemos:
Bebam sem esperar muito o Syrah da Comenda Grande até porque poderá acabar num instante“!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 20,90€