Vidigueira Reserva, Adega Cooperativa da Vidigueira, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Acaba de sair a colheita de 2015 do Syrah Vidigueira Reserva da Adega Cooperativa da Vidigueira do Alentejo!
Foi com alegria que recebemos a notícia desta nova colheita que não estava inicialmente prevista e é de qualidade aliás como a de 2014 da qual falamos aqui.
100% Syrah, 12 meses de estágio em barricas novas de carvalho francês, cor ruby, quase opaco, cheio de brilho, é um néctar aromático, com fruta preta muito madura, notas de madeira e especiarias, com um toque balsâmico. Um tinto muito encorpado, concentrado, cheio de fruta, intenso e amplo… puro deleite!

A Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, C.R.L., constituída por escritura pública em 1960, iniciou a sua actividade em 1963. É o resultado do sonho, esforço e trabalho da maioria dos viticultores das regiões de Vidigueira, Cuba e Alvito, assente na experiência da tradição e no reconhecimento da reinvenção, sustentado por uma qualidade reconhecida e rememorada. Entre os efectivos vitícolas da Adega contam-se as melhores castas autóctones, mantidas por várias gerações, das quais se distingue a casta Antão Vaz, igualmente conhecida como «casta da Vidigueira», produtora de um branco que está na origem do reconhecido Branco do Alentejo. A história da Adega vai muito além dos seus 50 anos de existência, tendo antigas raízes que se entrelaçam com a história da própria vila, «a villa da Vidigueira, cuja etymologia querem derivar de Videira, em razão de abundarem nos seus férteis terrenos as vinhas, está situada n’uma collina distante a vinte e dois kilometros de Beja e vinte e cinco da cidade de Évora.» (Augusto Carlos Teixeira Aragão, 1871). Em 1519, a Vidigueira foi cedida a Vasco da Gama pelo duque D. Jaime, Duque de Bragança, com escritura ratificada por carta régia de D. Manuel I, começando assim a profunda relação da vila com os Gamas. A vinha e o vinho sulcam o perfil económico e cultural da Vidigueira. Envolvidas num rendilhado de cepas, Vidigueira, Cuba e Alvito integram a paisagem a que Fialho de Almeida chamou «O País das Uvas».

São várias as castas que contribuem para a especificidade dos vinhos da adega da Vidigueira: Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro, Castelão, Moreto, Alicante Bouschet e agora Syrah (castas tintas) e Perrum, Roupeiro, Manteúdo, Arinto e Antão Vaz (castas brancas), no entanto, é esta última que tem conferido à sub-região vitivinícola da Vidigueira um maior reconhecimento. Até recentemente, não foram encontradas vinhas velhas da casta Antão Vaz fora da sub-região da Vidigueira, uma casta autóctone mantida pelos produtores da região e produtora de um vinho único. Não se sabe ao certo a origem do nome da casta Antão Vaz, mas curiosamente era este o nome do avô de Luís Vaz de Camões, poeta que celebrou os descobrimentos e a descoberta de Vasco da Gama.

O poeta inglês Stephen Williams escreveu:
“Não sou velho, sou maduro como um bom Syrah.”
A colheita de 2015 do Syrah Vidigueira Reserva da Adega Cooperativa da Vidigueira é um Syrah maduro com muitos anos de evolução pela frente!

 

Classificação: 17/20                                                            Preço: 15,99€

JAAP, Quinta-Rosa, 100% Syrah, Algarve, 2014

Apesar deste pequeno produtor algarvio já ter alguns anos de actividade, só há pouco tempo é que conseguimos chegar à fala com o seu produtor Jaap Honekamp! Trata-se dum pequeno produtor localizado em Silves, no Algarve. Este é um pequeno produtor, com apenas 3.3hectares de vinha, em modo biológico. Em 2008 e 2009 foram plantados os 2ha iniciais, e em 2013 foram plantados mais 1.3ha. Nas tintas, existe as castas Syrah, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Aragonez, Merlot e Trincadeira. Nas brancas, apenas Chardonnay.

As primeiras colheitas sairam em 2011, mas sem certificação. “Oficialmente”, isto é, certificados, apenas desde 2012, mas com uma grande variedade de tintos. Actualmente, também têm rosé e um branco. É possível visitar o produtor, ver as vinhas e provar e adquirir os seus vinhos. Os preços são bastante em conta e também têm produção local de azeite, compotas e licores. Os tintos reflectem o calor da região, com fruta madura, baixa acidez, encorpados. O produtor avisa: “Não esperem vinhos excepcionais, mas esperem vinhos genuínos, macios, fáceis de beber e agradáveis.” Completamente de acordo!É o caso deste Syrah de 2014 que se bebe bem sem pretensiosismo e que na boca se percebe que se trata dum vinho biológico!

Os vinhos portugueses do Algarve não são muito valorizados, no entanto, em 1998, Jaap Honekamp decidiu fechar a sua empresa de construção civil, para se dedicar à viticultura, precisamente no Algarve. Demorou algum tempo, mas em 2011 realizou-se a primeira grande colheita de qualidade da vinha que, na altura, era de 2 hectares.
Depois de alguns imprevistos e incertezas no início, em 2012 conseguiram registar os vinhos oficialmente na CVA (Comissão Vitivinícola do Algarve). Desde então, Jaap e a parceira Renee produzem Vinho Regional do Algarve. Desde sempre quiseram e decidiram produzir vinho biológico. Assim, temos a vinha sem produtos químicos e vinhos sem adições, produzidos de forma tradicional e fermentados pelas leveduras naturalmente existentes na película da uva.

A adega, onde o vinho é produzido e amadurece, tem uma área de 220 m2. A prensa de madeira deu lugar a uma de aço e onde existia tanques pequenos,agora existem tanques em aço de até 1500 litros. Na Quinta Rosa segue-se e respeita-se o ritmo da natureza. Cada ano é uma nova aventura, pois quase diariamente tem que se reagir consoante os planos da natureza. Logicamente, a colheita é a coroação de todo o trabalho na terra, mas é a natureza quem determina o momento certo! A temperatura e as demais condições climatéricas têm um papel primordial. Normalmente e a maior parte das vezes, a colheita faz-se em Agosto.

O provérbio popular diz que “Com pão e vinho, já nos pomos a caminho.”
Com este Syrah biológico Jaap de 2014 o caminho é sempre em frente!

 

Classificação: 16/20                                                          Preço: 7,95€

Marufa, Alegre – Sociedade Agrícola, 100% Syrah, Tejo, 2013

E hoje apresentamos mais um novo Syrah desta vez do Tejo, Santo Estevão, Benavente e do ano de 2013! Esta é a segunda colheita deste Syrah. A primeira tinha acontecido em 2011!
É sempre com um especial “brilhozinho nos olhos” que damos conta de um novo Syrah e ainda por cima de qualidade! Apesar de 2013 tem uma longa evolução pela frente!
As notas de prova dizem-nos que “Apresenta uma cor granada profunda e um aroma intenso com evidência de pimenta preta, caixa de tabaco e algum cassis em perfeita harmonia com a tosta de carvalho. Na boca mostra concentração, frescura e elegância apresentando os taninos bem polidos e de boa qualidade.”
O produtor é o Rui Alegre e o enólogo é o conhecido Filipe Sevinate Pinto. A graduação alcoólica é de 14,5% e foram produzidas 3300 garrafas!

A Alegre – Sociedade Agricola situa-se no coração de Santo Estevão, Benavente, desenvolvendo actividade agrícola em 68 hectares.

A vinha, com 8 hectares, vem sendo plantada, desde 2009, em condições particulares capazes de proporcionar um terroir de características únicas, tornando Santo Estevão numa nova “sub-região” produtora de vinhos.
As castas predominantes são as Syrah e Touriga Nacional a que se juntaram, mais tarde, as Alicante Bouschet, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Tinta Francisca e Sangiovese. Nas castas brancas prevalecem, a Arinto, o Verdelho e Sauvignon Blanc.
Com o objectivo de potenciar a qualidade das uvas, limitando a produção, procede-se à poda em verde, à monda de cachos, ao enrelvamento na entre-linha e à rega gota-a-gota.
A vinificação é em adega própria, circundada pela vinha, com desengace, esmagamento e corte em lagar de granito e fermentação em cubas de inox, a temperatura controlada, e, parte, em barricas.
O estágio é feito em cubas de inox e em barricas de carvalho francês ao que se segue um estágio, em garrafa, no mínimo, de cinco meses.

Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa nas “Odes” escreveu:
‘Não só vinho, mas nele o olvido, deito
Na taça: serei ledo, porque a dita
É ignara. Quem, lembrando
Ou prevendo, sorrira?
Dos brutos, não a vida, senão a alma,
Consigamos, pensando; recolhidos
No impalpável destino
Que não ‘spera nem lembra.
Com mão mortal elevo à mortal boca
Em frágil taça o passageiro vinho,
Baços os olhos feitos
Para deixar de ver.’
Lemos este poema e bebemos uma taça do Marufa do Tejo de 2013!

 

Classificação: 17/20                                                      Preço: 10,90€

Coisas de Vinho [tertúlia, o vinho e tudo à volta]

O vinho ao fim da tarde, com Vanessa Scnhitzer, estudante de PhD na Universidade de Évora.
Provaremos Courela da Torre da Agrovinaz.
Depois do dia de trabalho venha passar um bom bocado, traga os seus amigos.

Estrela d’ Ouro (no centro UNESCO da cidade de Évora) será o palco para “o vinho ao fim da tarde”.

Herdade das Mouras, Herdade das Mouras de Arraiolos, 100% Syrah, Alentejo, 2017

Apresentamos mais uma colheita do Syrah Herdade das Mouras, desta vez do ano de 2017!
As notas de prova dizem que é “um Syrah de cor vermelho rubi. O aroma é de compota de frutas silvestres e especiarias. O paladar é encorpado e com final de boca elegante.” O consumo pode ser imediato ou durante os próximos 5 anos. A graduação alcoólica é de 13,5% e o enólogo de serviço é Jaime Quendera, homem com vasta experiência no mundo dos vinhos e muito especificamente no mundo dos Syrah.

O projecto Adega das Mouras começou no ano de 2000. A herdade tem na totalidade mais de 300 hectares, estando uma grande parte ocupada com vinha. A herdade tem um verdadeiro mar de vinhas com mais de 226 hectares, sendo uma das três maiores vinhas contínuas da Europa, que ficou completa entre 2004/2005. As cepas mais velhas são de 2002, ano em que se começou a plantar a vinha. Entre 2000 e 2002 arrancou-se vinha para produção de uva de mesa que já lá existia e estudou-se o terroir específico da Adega das Mouras , de forma a preparar-se o solo para plantação de vinho e decidir-se as castas indicadas. A Adega das Mouras de Arraiolos é um projecto empresarial privado. Localizada no município de Arraiolos, histórica Vila do Alentejo, conhecida pela sua tradição secular de fabrico de tapetes bordados à mão, com o mesmo nome da terra, a Herdade das Mouras de Arraiolos é um testemunho vivo de uma nova geração de produtores que enriquece as mais genuínas tradições.

A aposta vai para a venda em quantidade nas grandes superfícies, que é onde este syrah pode ser encontrado, não sendo por isso de surpreender que a adega tenha sido projectada, precisamente antes da vindima deste ano, para ter uma capacidade de produção de perto de 3 milhões de litros e de armazenamento cerca de 5 milhões.

O escritor Lord Byron escreveu:
“O vinho consola os tristes, rejuvenesce os velhos, inspira os jovens, alivia os deprimidos do peso das suas preocupações.”
Como temos andado deprimido com o país onde vivemos vinguemo-nos com este Syrah!
O Syrah da Herdade das Mouras é um Syrah novo, não muito complexo, fresco, para um tinto, e com uma relação qualidade/preço muito apreciável.
Está mais uma vez aprovado!

 

Classificação: 16/20                                                          Preço: 2,49€

Aldeias de Juromenha, Herdade das Aldeias, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Muito pouco tempo após termos feito a homenagem a António Saramago na prova cega dos melhores Syrah portugueses de 2017 eis que chega ao mercado o novo Aldeias de Juromenha de 2014, e vem na sequência das anteriores colheitas ou não fosse um Syrah de Saramago! Apesar de mestre António já não fazer parte dos quadros da Herdade das Aldeias desde a ponta final do ano passado ainda temos esta colheita da sua responsabilidade e ainda bem, dizemos nós!

É um Syrah de “cor retinto, aroma frutos vermelhos e compota, bons taninos, volumoso, equilibrado com boa acidez que lhe permite ter longevidade.” O Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha é, já o dissemos, todo comercializado em Portugal. O facto de ser reserva significa neste caso que tem dez meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano, e tem uma graduação alcoólica de 15%.

A Herdade das Aldeias é uma empresa agrícola situada a cerca de 15km da Cidade de Elvas e junto da Vila de Juromenha com vista para o Rio Guadiana de belíssima paisagem. Está inserida numa zona histórica com grande tradição na arte de fazer vinho. Este projecto em particular está em desenvolvimento desde 1986. A adega está rodeada por 70 hectares de vinha própria. Este sistema promove um aumento na eficiência na vindima, uma vez que reduz o tempo desde a colheita até ao processamento das uvas. O clima é caracterizado por uma Primavera e Verão excessivamente quentes e secos. A exposição solar regista também valores bastante altos, em particular nas semanas anteriores à vindima, condições que contribuem para uma perfeita maturação das uvas. De facto as condições são extremamente favoráveis à síntese e acumulação de açucares e concentração de aromas e cor na película da uva. A bacia hidrográfica é dominada pelo Rio Guadiana e o tipo de solo é predominantemente xistoso.

A produção actual é de cerca de meio milhão de litros por ano, tendo uma capacidade de armazenamento de 600.000 litros.Todos os processos desde a vinificação até ao engarrafamento são realizados nas instalações da adega. O preço em supermercado sofreu um aumento de um euro e meio mas que se percebe perfeitamente quando temos um Syrah desta qualidade!

O desportista Miguel Torres diz que “Qualquer homem inteligente pede um Syrah que agrada às mulheres!”
Esse problema para nós está automaticamente resolvido quando temos à disposição o Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha!

 

Classificação: 18/20                                                             Preço: 6,49€