Se o Syrah não vem a nós, vamos nós ao Syrah.

Assim que chegou ao nosso conhecimento a notícia de que a Bacalhôa acabara de lançar um novo Syrah, imediatamente nos colocámos em campo para tentar chegar à fala com ele. Sem sucesso. Impossível de encontrar em Lisboa!

Era, portanto, muito o entusiasmo sobre este renascer de um Syrah de boa memória, o Syrah, da mesma casa, que tanto nos tinha entusiasmado no passado. Anos depois, com novo nome, agora simplesmente chamado Bacalhôa, na realidade, para todos os efeitos, é um novo Syrah, por isso o acrescentámos à lista geral.

E a espera continuava. Por telefone confirmámos que o Syrah existia, estava feito, estava engarrafado, estava pronto a beber, mas que de momento apenas estava disponível para prova e venda na casa-mãe, em Azeitão. Talvez para o Natal chegasse aos locais de venda habituais. Que fazer?

Eis pois uma montanha que não se movia do lugar. Havia que ir até ela. E foi o que fizemos, em alegre peregrinação para sul, além do Tejo, rio e ponte, em demanda de uma promessa por terras de Setúbal.

As vilas de Azeitão, a Fresca e a Nogueira, no caso esta última, lá estavam à nossa espera. A Bacalhôa é um império, e a sede é o reflexo dessa realidade. Fomos recebidos muito amavelmente por Ana Filipa Lopes, conhecedora e informada, relações públicas da empresa, na Loja de Vinhos.

E lá estava ele, entre os seus irmãos monocasta, acabadinho de ver a luz do dia. Os obstinados eram finalmente poupados ao suplício da espera. Foi sorver, degustar, apurar paladares, julgar logo ali em torno de primeiras impressões. Em breve falaremos disso com todo o pormenor.

Ainda houve tempo, pela mão da nossa anfitriã, de visitar a adega, em plena vindima, e o espaço central da empresa, em moderno edifício, onde se localizam os escritórios, e vários espaços onde estagia em barris a futura produção vinícola. Visitámos também duas interessantes exposições ali patentes, do património de José Berardo, dono da Bacalhôa, sobre Arte Africana e mobiliário Arte Nova.

Foi uma manhã em cheio!
Ficam as imagens.

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Pulo do Lobo, Sociedade Agrícola de Pias , 100% Syrah, Alentejo, 2015

Uma nova colheita do Syrah de Pias, mais precisamente da Sociedade Agrícola de Pias, melhor que outros anos, ou não fosse de 2015!

O único problema é que é preciso vir ao Baixo Alentejo, concelhos de Pias ou Serpa, para o poder encontrar. Em Lisboa encontramos muitos vinhos de Pias mas este monovarietal nem vê-lo. O que é pena!

As notas de prova dizem da sua “cor granada. O aroma é ligeiramente floral frutos vermelhos e chocolate preto. No paladar tem um sabor pronunciado a frutos silvestres e mirtilos. Potente, com taninos marcantes. Final persistente.” O enólogo responsável é Leonardo Maia. É um Syrah que, não sendo mais que mediano na sua consistência geral, cumpre com galhardia o seu lugar na escala qualitativa. Na respectiva elaboração foram utilizadas técnicas de vinificação tradicionais. O envelhecimento é muito breve. Trata-se de um vinho novo, mesmo bastante novo. A longevidade prevista pelo produtor é de 5 anos. Tem uma graduação alcoólica de 14%. Chamamos ainda a atenção para o rótulo, de design muito bem conseguido e de grande impacto.

A Sociedade Agrícola de Pias teve o seu início em 1973 pelas mãos de José Veiga Margaça, há 40 anos, quando adquiriu um conjunto de propriedades entre Serpa e Moura fundando a sociedade. A sua paixão pela enologia e o conhecimento das terras alentejanas fez o resto. Hoje, com um conjunto de herdades que somam 800 hectares e 30 colaboradores dedicados à produção de vinho e azeite na freguesia de Pias, a Sociedade Agrícola continua nas mãos da família que a criou, e são os filhos e netos de José Veiga Margaça que mantêm vivos a tradição e os valores por ele inaugurados. Localizada no extremo oriental do Alentejo, a vila de Pias é reconhecida pela qualidade dos seus vinhos.  Elaborados com castas da região, exercem um forte apelo entre inúmeros apreciadores que os dão a provar como um segredo bem guardado. Este sucesso originou algumas formas menos próprias de homenagem: nem todos os vinhos que se intitulam “de Pias” são feitos em Pias. Por isso, se deseja conhecer as características únicas do “terroir”de Pias deve saber se o vinho em causa é produzido pela Sociedade Agrícola de Pias, onde se produzem os originais e verdadeiros vinhos de Pias.

Construída sob orientação do arquitecto Filipe Nobre Figueiredo, a adega da Sociedade Agrícola de Pias tem adoptado a melhor tecnologia para assegurar o controlo de qualidade dos vinhos. A sua integração no recinto em que funcionam a loja e os escritórios da empresa, bem como a circunstância de se localizar dentro da própria vila de Pias, garante aos apreciadores e visitantes um contacto muito próximo com os processos de elaboração e os vinhos. Em redor da vila de Pias, na margem esquerda do rio Guadiana, localizam-se os 800 hectares da herdade da Sociedade Agrícola de Pias, distribuída por cinco propriedades: o Monte Branco, o Monte Velho de Cima, o Monte Velho de Baixo, o Monte da Parreira e o Monte da Torre.

“O Vinho é indispensável artigo de permuta para a moeda de ouro que nos falta” já dizia o jornalista Emydio Navarro!
Sendo assim que venha o Syrah de Pias desempenhar esse papel são os desejos do Blogue do Syrah, assim mesmo!

 

Classificação: 16/20                                                                   Preço: 5,50€


 

Um Bistro com Alma e muito Syrah

Fizemos uma visita ao novo espaço integrado no conjunto Estado d’Alma Bar & Bistro: uma garrafeira de excelência, anexada ao já famoso espaço de iguarias requintadas!

E carregamos nos adjectivos, pois o que aqui nos trouxe foi nada mais nada menos que… Syrah, pois claro!

E por ali abunda Syrah, como se pode ver, além de vinhos, evidentemente.
Fomos amavelmente recebidos por Susana Paulo, que fez as honras da casa.

Interessante poder passar primeiro pela garrafeira e escolher o Syrah que melhor acompanhe o petisco, mesmo ao lado…!

Ficam mais algumas imagens da estadia.

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Coisas de Vinho

A tertúlia do vinho e tudo à volta (Coisas de vinho) regressa na próxima 5ª feira, dia 21, 18:30 no restaurante Desafio.

Apresentação e prova dos vinhos de Tiago Cabaço (Estremoz).

Enogastronomia – Francisco Sabino (Confraria dos Gastrónomos do Alentejo).

Sinta-se convidado e convide amigos.


 

Quinta do Valdoeiro,100% Syrah, Bairrada, 2015

Mas que grande desilusão!
É com muito pesar que o afirmamos, assim, de chofre.
Este Syrah da Quinta do Valdoeiro foi mesmo um desapontamento. Nem o facto de ser do ano de 2015 abona minimamente a seu favor. Como foi isto possível? Foi na vinha? Costuma dizer-se que um Syrah faz-se na vinha. Portanto que aconteceu na vinha para dar este resultado?
Visto friamente, este Syrah da Quinta do Valdoeiro 2015 não é um mau Syrah, mas está muito aquém dos seus irmãos de 2010 ou 2007, daí a desilusão.
Por isso é que perguntamos: que é que aconteceu?
Se não foi na vinha, então foi na adega… Mais do que isso não podemos dizer porque não temos meio de o saber, a não ser que este Syrah destoa das colheitas anteriores. Será também por isso que o preço é bem diferente, para menos? Não deixa de ser intrigante. Não sendo impossível, não é habitual!

A Quinta do Valdoeiro faz parte duma companhia, a Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias, que congrega três quintas. A companhia foi fundada em 1926, por Messias Baptista, que manteve a administração da empresa até 1973. A Administração das Caves Messias é ainda nos dias de hoje assegurada pelos descendentes da família Messias.
Desde a sua fundação que tem produzido e comercializado vinhos das principais regiões demarcadas: Dão, Bairrada, Douro, Vinho Verde, Beiras e Vinho do Porto. A empresa é também reconhecida pela alta qualidade dos seus vinhos Espumantes Naturais e Aguardentes. A sede da MESSIAS está situada na Mealhada, pequena cidade da região da Bairrada, onde a empresa possui mais de 6.000 metros quadrados de instalações e aproximadamente 160 hectares de vinha, sendo 70 hectares destinados à produção dos vinhos da Quinta do Valdoeiro.
A Quinta do Cachão tem as suas encostas adjacentes ao rio Douro, na sub-região do Cima Corgo. A vinha foi plantada pela primeira vez em 1845 pelo Barão do Seixo sendo mais tarde adquirida pela família Afonso Cabral, que por sua vez a vendeu à família Messias no ano de 1956.
A Quinta do Penedo é constituída por uma área de 20 hectares e situa-se no coração da Região Demarcada do Dão, mais precisamente no interior do triângulo clássico Viseu-Nelas-Mangualde. A sua origem como vinha remonta ao ano de 1930, pela mão do General Lobo da Costa, tendo permanecido na família até 1998, ano em que foi adquirida pela família Messias.

Até que chegamos à Quinta do Valdoeiro, que é uma bem estruturada propriedade agrícola da região vitivinícola da Bairrada. Possui 130 hectares, 70 dos quais plantados com vinha em solos calcários de baixa fertilidade. A ligeira ondulação do relevo, as encostas voltadas a sul e nascente, assim com a implantação das castas separadas por talhões, são factores que contribuem para a qualidade das uvas aí produzidas. E é neste ambiente que se produz o nosso Syrah, para além das variedades tintas Touriga-Nacional, Baga, Castelão e Cabernet-Sauvignon.

Outra coisa ainda que estranhámos, foi a diferença de graduação em relação à colheita de 2010 que tinha 14,5% de graduação alcoólica, o presente, de 2015, tem 12,5%. É dos Syrah portugueses com menor graduação alcoólica!

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu eterno poema Rubaiyat diz o seguinte:
“Ouço dizer que os amantes do vinho serão castigados no inferno. Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno o paraíso deve estar vazio.”
Isto poderia ser verdade se os amantes bebessem o Syrah da Quinta do Valdoeiro 2010.
Agora com o Syrah de 2015 temos muitas dúvidas que o paraíso esteja vazio!

 

Classificação: 15/20                                                                             Preço: 8,90€


 

Outras fermentações!

Isto hoje vai a propósito do que temos vindo a falar sobre fermentação. Porque há outras bebidas fermentadas que na realidade não são vinho, e muito menos Syrah, a nossa bebida fermentada preferida!

Uma bebida fermentada é pois o derivado de um fruto que devido ao açúcar presente na polpa permite o processo de fermentação que já descrevemos antes. Temos assim o vinho, que deriva da uva, que nasce na videira, produto de fermentação alcoólica do sumo de uva, o mosto. Outras frutas e mesmo até alguns cereais, dão origem a outro tipo de bebidas fermentadas. Estas podem ter graduação alcoólica entre 4% e 14%, obtidas pela fermentação alcoólica da fruta sã, fresca e madura de uma única espécie, do respectivo suco integral ou concentrado.

Sempre que apetecer variar um pouco e seguir por outro caminho que não seja pela Avenida Syrah, eis alguns exemplos de célebres bebidas fermentadas:

Cerveja – bebida com graduação alcoólica entre 5% e 10%, produz-se a partir da fermentação de cereais, principalmente a cevada maltada. Acredita-se que tenha sido uma das primeiras bebidas alcoólicas que foram criadas pelo ser humano. Actualmente, é a terceira bebida mais popular do mundo, logo depois da água e do chá.

Sidra – bebida com graduação alcoólica entre 4% e 8%, obtida pela fermentação alcoólica do mosto de maçã fresca, ou por vezes do sumo concentrado de maçã, com ou sem adição de água.

Saquê – bebida com graduação alcoólica entre 14% e 26%, obtida pela fermentação alcoólica do leite de arroz, ao qual se adiciona a enzima Aspergillus Oryzae, podendo ser adicionado álcool etílico potável de origem agrícola e aroma natural.

Hidromel – por fim falamos de uma bebida com graduação alcoólica entre 4% e 14%, obtida pela fermentação alcoólica de solução de mel de abelha, sais nutrientes e água potável. Muito apreciada desde a antiguidade, passando pela Grécia Antiga, Roma Antiga, Celtas, Saxões, Vikings, etc. Entre os Vikings era tão apreciada que a própria Mitologia Nórdica explica como nasceu esta preciosidade. Também era conhecido o consumo de uma bebida similar pelos Maias. Na Irlanda, existia a tradição de que os casais recém-casados deveriam consumir esta bebida durante o primeiro ciclo lunar após o casamento. Daí surgiu a tradição actual da lua de mel.

Agora que já andámos pelas vias laterais e nos enriquecemos culturalmente, vamos regressar à Avenida principal e degustar um fermentado a sério: Syrah!