Casal Castelão, 100% Syrah, Lisboa, 2013

Este Syrah de Lisboa é a segunda colheita desta casa, tendo a primeira acontecido nesse longínquo ano de 2007, como aqui contámos. Tem diferenças em relação ao seu irmão. A primeira visual. Tem uma nova rotulagem, mais atraente e moderna. Depois é inequivocamente de qualidade superior como se vai perceber no final quando a classificação for atribuída.
E finalmente o preço. É o Syrah mais barato de sempre!
Custando o que custa, a partir de agora ninguém, mas mesmo ninguém, poderá dizer que nunca provou um Syrah devido ao seu preço.
É candidato ao prémio melhor Syrah na relação qualidade/preço!

Na família desde 1907, o Casal do Castelão é uma propriedade familiar que tem como única actividade a vitivinicultura. Aliando tecnologias enológicas de vanguarda ao saber e tradição de gerações, a herdade cria vinhos de qualidade respeitando a pureza das castas.Localizado junto à costa atlântica a norte de Lisboa, o Casal Castelão apresenta-se no mercado como um defensor das características particulares de cada casta. Através de uma vinificação tradicional em que o vinho fica em contacto com a película durante, no mínimo, dois meses, extraindo assim da uva todo o seu potencial.Os vinhos dão a conhecer todas as características de algumas das mais prestigiadas castas nacionais e internacionais.Os vinhos do Casal Castelão são vendidos para o mercado externo nomeadamente para Pernambuco no Brasil, a Estónia, o Luxemburgo, a China e a Polónia.

Este Syrah, de cor rubi e aroma frutado, surge-nos, segundo as notas de prova que escolhemos, “cheio de corpo, bem estruturado, sofisticado com um final de boca persistente e prolongado. Podem ainda ler-se tons de fruta preta discreta, pimenta e outras especiarias. Na boca um pouco ligeiro, com acidez viva, final saboroso.” Tem uma graduação alcoólica de 13%. Sozinho ou acompanhado, é ideal para pratos de caça, carnes vermelhas e queijos, como aliás qualquer Syrah.

O romancista e Prémio Nobel da Literatura Hermann Hesse escreveu:
“Muitas vezes procurei essa alegria, esse sonho, esse esquecimento, numa garrafa de vinho. E não raramente isso me ajudou. Fique-lhe registado o meu agradecimento. Mas o vinho não me bastava.”
E assim nos vamos, mais uma vez satisfeitos, acompanhados por mais um Syrah que podemos mais uma vez dizer impressiona na relação qualidade/preço.
Que venham outros assim e o nosso trabalho ficará ainda mais fácil!
“Se faz favor! Uma garrafa para esta mesa! Não, desculpe a esse preço levo mas é também uma caixa para casa!”
Haja Deus.

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 1,69€


 

Vidigueira Syrah, Adega Cooperativa da Vidigueira Cuba e Alvito, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Quando dissemos aqui o quanto estávamos contentes por o Baixo Alentejo ir ter um novo Syrah, imaginem a nossa alegria quando tivemos conhecimento  de que a Adega Cooperativa da Vidigueira iria ter um segundo Syrah!
Como se costuma dizer: “Não há fome que não dê em fartura!”
Ao contrário do anterior, este é um Syrah para uso diário!
De qualidade mas sem a pujança que o Syrah Reserva nos tinha apresentado. No entanto, um bom Syrah, e a ter presente!

As notas de prova dizem que tem “Cor violácea de grande concentração.Aroma a frutos do bosque com notas de menta, na boca apresenta uma grande complexidade com nuances de chocolate preto e baunilha, final longo, fresco e muito persistente.” Tem 14% de graduação alcoólica e o enólogo de serviço é Luís Leão.

A Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, C.R.L., constituída por escritura pública em 1960, iniciou a sua actividade em 1963. É o resultado do sonho, esforço e trabalho da maioria dos viticultores das regiões de Vidigueira, Cuba e Alvito, assente na experiência da tradição e no reconhecimento da reinvenção, sustentado por uma qualidade reconhecida e rememorada. Entre os efectivos vitícolas da Adega contam-se as melhores castas autóctones, mantidas por várias gerações, das quais se distingue a casta Antão Vaz, igualmente conhecida como «casta da Vidigueira», produtora de um branco que está na origem do reconhecido Branco do Alentejo.

São várias as castas que contribuem para a especificidade dos  vinhos da adega da Vidigueira: Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro, Castelão, Moreto, Alicante Bouschet e agora syrah (castas tintas) e Perrum, Roupeiro, Manteúdo, Arinto e Antão Vaz (castas brancas), no entanto, é esta última que tem conferido à sub-região vitivinícola da Vidigueira um maior reconhecimento. Até recentemente, não foram encontradas vinhas velhas da casta Antão Vaz fora da sub-região da Vidigueira, uma casta autóctone mantida pelos produtores da região e produtora de um vinho único. Não se sabe ao certo a origem do nome da casta Antão Vaz, mas curiosamente era este o nome do avô de Luís Vaz de Camões, poeta que celebrou os descobrimentos e a descoberta de Vasco da Gama.

Uma frase latina diz que
“Laudato Syrah non opus est hedera!”
ou seja,
“O bom Syrah escusa pregão!”
É exactamente o que poderíamos dizer sobre este Syrah da Vidigueira, ano 2015!
É um bom Syrah que basta bebê-lo para ficar tudo dito!
Foi o que fizemos.

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 8,95€


 

Quinta do Côro, 100% Syrah, Tejo, 2013

Já tínhamos apresentado aqui este Syrah do Sardoal (terra natal de uma das metades do Blogue do Syrah, daí o orgulho), colheita de 2011.

A safra que hoje aqui nos tem, apresenta uma diferença visual de relevo: tem novos rótulos, em que o preto e o dourado se destacam. Ficou com um ar mais sóbrio e sofisticado!
Mas o que interessa é o que está dentro da garrafa e quanto a isso o que podemos desde já dizer é que esta colheita de 2013 está superior! As notas de prova que transcrevemos falam de uma “cor rubi, aromas com notas de menta fresca e frutos de bosque maduros, toque de especiarias finas e madeira bem integrada. A boca é bastante equilibrada com taninos maduros de excelente qualidade e final com muita persistência“. Tem uma graduação alcoólica de 14%.

A vindima manual para caixa de plástico decorre durante a terceira semana de Setembro, com escolha em mesa vibratória antes do desengace. A fermentação dá-se em lagar inox de pequena capacidade à temperatura de 24ºc, com pré-maceração durante 3 dias. O estágio faz-se em barricas novas de carvalho francês (70%) e americano(30%), durante 9 meses. O vinho não é filtrado antes do engarrafamento, podendo criar ligeiro depósito natural.

Os vinhos “Quinta do Côro” já foram distinguidos, várias vezes, em concursos internacionais. A adega actual, reconstruída em 2002, tem capacidade para 200 000 litros, com equipamentos modernos, em aço inox, que copiam os antigos, com tanques e pisa.
Na Quinta do Côro produzem-se ainda, há cerca de 30 anos, vários doces e compotas, (Marmelada Quinta do Côro; Geleia de Marmelo; Cubos de Marmelada e Figos Delicias de Pingo de Mel), que se encontram disponíveis na maior parte das lojas Gourmet, espalhadas pelo País. A Quinta possui no espaço do antigo lagar de azeite, recuperado como pequeno museu Agro-Industrial, uma sala de provas, com capacidade para 40 pessoas. Existem duas casas rústicas, com capacidade para alojar 8 a 10 pessoas. Ostenta ainda uma árvore gigante, e um sobreiro centenário, tido de interesse público.

D. Cooper escreveu que “O vinho estimula o apetite e dá sabor aos alimentos. Promove as discussões, a euforia e pode transformar uma simples refeição em um evento memorável.”
O Syrah da Quinta do Côro, gastronómico como só o Syrah sabe ser, pode bem apimentar uma refeição, estimular todo e qualquer apetite e dar melhor sabor a tudo o que comemos.
Viva Sardoal!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 4,49€


 

Crasto Superior, Quinta do Crasto, 97% Syrah, 3% Viognier, Douro, 2014

Estamos perante a segunda colheita deste assombroso Syrah da Quinta do Crasto!

A primeira colheita do ano de 2013 foi aqui apresentada e superou na altura todas as melhores expectativas.
Esta agora de 2014 estamos quase… quase a acreditar que poderá mesmo superar a anterior!

Não importa que o Syrah seja do Douro só porque haja quem defenda a tese que no Douro só deve figurar as castas portuguesas típicas da região! E se o Syrah pode ser fabuloso em certas circunstâncias, que sentido tem virar as costas a essa possibilidade? Repetimos com a mesma veemência o que já tínhamos gritado anteriormente: o Syrah Crasto Superior é de excelência!

As uvas, provenientes das plantações experimentais de 2004 da casta Syrah no Douro Superior da Quinta da Cabreira, foram transportadas em caixas de plástico alimentar e sujeitas a uma rigorosa triagem à entrada da adega. Após um desengace total e um ligeiro esmagamento o mosto foi transferido para cubas de inox, onde foram sujeitas a um pré – maceração fermentativa durante 5 dias em baixas temperaturas. De seguida desenrolou-se a fermentação alcoólica por um período de 7 dias, seguida de uma prensagem muito suave, e fermentação maláctica em barrica de carvalho francês.
O envelhecimento foi feito em barricas de carvalho francês durante 16 meses. O solo é de xisto e a idade das vinhas é de 11 anos. O Syrah tem uma graduação alcoólica de 14,5%. O enólogo de serviço é o mestre Manuel Lobo. No que diz respeito a notas de prova podemos falar “da cor, que é violeta escuro. O nariz encontra uma excelente sintonia de aromas, onde se destacam frescos frutos silvestres, em perfeita harmonia com elegantes notas de chocolate Muito preciso fresco e persistente. Na boca o início envolvente, evoluído para um vinho de excelente volume e estrutura composto por taninos frescos e de textura fina. Tudo muito bem integrado com agradáveis notas de frutos silvestres e suaves sensações mentoladas que lhe conferem uma agradável frescura. Termina em perfeito equilíbrio e com excelente persistência.” Em suma,  muito aveludado, taninos dominados e aromas diversificados.
E mais dizemos que está a crescer… a caminho da perfeição!

Situada na margem direita do rio Douro, entre a Régua e o Pinhão, a Quinta do Crasto, é uma propriedade com cerca de 130 hectares, dos quais 70 são ocupados por vinhas. Fazem também parte do património da empresa a Quinta do Querindelo, com 10 hectares de Vinha Velha, e a Quinta da Cabreira, no Douro Superior, com 114 hectares de vinha.
Com localização privilegiada na Região Demarcada do Douro, a Quinta do Crasto é propriedade da família de Leonor e Jorge Roquette há mais de um século. Como costuma ser com as grandes Quintas do Douro, a origem da Quinta do Crasto remonta a tempos longínquos – o nome Crasto deriva do latim “castrum”, que significa forte romano.
Os importantes investimentos realizados nos últimos anos permitiram modernizar as vinhas e as instalações de vinificação. Toda a área de vinha está coberta por um sistema de rega gota a gota, que complementado por uma estação meteorológica própria, permite fazer frente ao clima mais seco e agreste que é característico do Douro Superior.

O escritor e jornalista Ambrose Bierce escreveu:
“Um velho especialista em vinhos, ao ser atropelado por um comboio, teve os lábios humedecidos com vinho para que recobrasse os sentidos. ‘Bordeaux, 1882’ murmurou ele antes de morrer”.
Hoje se fosse vivo poderia ter escrito em vez de Bordeaux “Crasto Syrah 2014”!

 

Classificação: 19/20                                                     Preço: 22,00€


 

Coisas de Vinho, Janeiro 26

Mais uma vez estamos a divulgar a tertúlia Coisas de Vinho, em Évora, e como sempre na última quinta-feira do mês, pelas 18:15. Todos os pormenores abaixo.


 

Brett Edition, Herdade do Arrepiado Velho, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Esta é a nova colheita do já famoso Brett Edition, de Sousel, dos dois Antónios:  António Antunes produtor e António Maçanita enólogo!

Este Syrah já atingiu de tal modo o estrelato e sobre ele já tecemos palavras tão exaltadas que a cada nova colheita só temos que continuar a realçar as qualidades únicas e intrínsecas que fazem parte deste Syrah, para que possa ser conhecido e degustado por um número cada vez maior de enófilos e apreciadores de coisas únicas!

O responsável principal subjacente a este néctar é a levedura «Brettanomyces/Dekkera» que  tem a capacidade de produzir determinado tipo de aromas, que se tentam descrever falando em suor de cavalo, cabedal e outros. Defeito ou virtude é parte da composição do aroma dos grandes clássicos de sempre e é, por muitos, apelidado como a “complexidade do velho mundo”. No entanto, é por outro lado, também, considerado por muitos um escandaloso defeito. Esta edição do Brett é um desses casos em que a natureza decidiu tomar liderança na enologia, estagiando parte do vinho nas barricas da edição anterior. E é aqui que reside a explicação: um Syrah ‘infectado’, de modo natural, pela levedura Brettanomyces. O resultado é um néctar multidimensional, produzindo o “Brett” níveis de complexidade aromática, que só seriam possíveis com vários anos de garrafa, mas mantendo ainda toda a fruta.

O Blogue do Syrah com António Maçanita

O mestre deste resultado como já dissemos no início é António Maçanita, enólogo sobejamente conhecido no mundo vitivinícola português. O Brett Syrah apresenta “Cor ruby- violeta, concentrado. Nariz exuberante, caixa de cigarro, couro, especiarias e groselhas pretas. Ataque redondo, suave e rico. Boa frescura e persistência no final de prova.” Tem um teor alcoólico de 14,5%, com 16 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Todas as uvas são vindimadas à mão, seleccionadas em mesa de escolha à entrada na adega, e a vinificação decorre a temperatura controlada.

E agora um pouco de história sobre a Herdade do Arrepiado Velho. Sousel, a cerca de 40 km de Portalegre, no Alto Alentejo, viu nascer um espaço havia muito abandonado. O monte alentejano do séc. XIX foi construído de acordo com a arquitectura tradicional da região, magnificamente conservado, pleno de espaços de rara beleza. Com uma área total de cerca de 100 hectares, a barragem destaca-se entre vinhas e olival, num misto de cores e tranquilidade, como só o Alentejo consegue oferecer. O conjunto destas características faz com que a Herdade do Arrepiado Velho se integre na Rota de São Mamede – um dos três caminhos da rota dos vinhos do Alentejo.

O enófilo Nino Ferrara não há muito tempo escreveu que “Beber um bom vinho tinto, provavelmente, é o melhor acto de auto-estima e, seguramente, uma das melhores formas de contribuirmos para a nossa própria felicidade.”
Nós aqui no Blogue do Syrah confidenciamos que estamos de acordo com o Nino se pensarmos, por exemplo, no Syrah Brett Edition!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 19,50€