Os Melhores de 2017 segundo o Blogue do Syrah!

Eis-nos chegados ao momento mais aguardado do ano!

Esta é a terceira vez que o Blogue do Syrah se lança na épica aventura de escolher os melhores Syrah lançados em Portugal no ano anterior, neste caso 2017. E que foi o ano em que começaram a aparecer em força os Syrah com a uvas vindimadas nesse ano mítico em qualidade que foi 2015. A coisa promete.

Atribuímos, assim, medalhas de Ouro, Prata e Bronze, e como habitualmente ainda uma medalha especial ao que considerámos ser o melhor Syrah quanto à relação qualidade preço, ou seja um Syrah muito bom com um preço muito acessível. É sempre uma oportunidade a  não perder.

Este painel de premiados nasceu da nossa escolha subjectiva, como teria de ser, e teve lugar num ano ainda mais rico de novidades que o ano transacto, o que tornou a escolha ainda mais aliciante. O universo Syrahniano vai aumentando regular e exponencialmente, para nosso, e vosso, regozijo, sempre com enorme qualidade, tornando esta nossa viagem um deleite quase permanente. Este ano, aliás como o ano anterior, só tivemos praticamente Alentejo, esse Alentejo quimérico onde o Syrah se dá tão bem! A excepção surge com o Algarve, como se verá.

Vamos então aos nossos ‘Óscares‘, já devidamente alinhados no respectivo lugar do pódio.

Falando sobre cada um em particular, o nosso discurso não poupa palavras de admiração, apreço e regozijo perante tanta excelência e savoir-faire.

 

Medalha de Ouro: CEM RÉIS

Não nos lembramos de que alguma vez a saída de um Syrah tenha dado tamanho alarido nas redes sociais.
É verdade que as diversas hostes de enófilos já tinham manifestado algum nervosismo quando publicámos este texto. Mas o que tem sido dito desde a última segunda feira dia 17 de Maio, que foi o dia do lançamento, é algo de realmente inesperado.
O Blogue do Syrah manifesta o seu contentamento devido às manifestações de regozijo e entusiasmo pela saída de um tão emblemático Syrah como é o Cem Réis!
Sabíamos que iria ser um Syrah especial, visto que englobaria o lote que inicialmente estava destinado a um possível Mil Réis. Ora como isso não aconteceu, o Cem Réis ficaria logo à partida mais “rico” devido a essa adição. A juntar a isso o facto de se tratar da colheita de 2015, que só por si, vai sendo cada vez mais confirmado, constitui uma mais valia, dado que se trata de um ano de soberba produção nacional!

 

Medalha de Prata ex-aequo: DONA DORINDA/ALDEIAS DE JUROMENHA

Dona Dorinda: É a garrafa número 332 que estamos a degustar, de um total de 3800.
Com 16,5% de graduação alcoólica, como aliás o anterior, Grande Reserva de 2011, mas tão bem integrados nos outros elementos vínicos que só se acredita neste valor lendo o contra rótulo da garrafa.
As notas de prova dizem-nos que tem um “aroma intenso a amora silvestre, taninos bem integrados e suaves, com notas de especiarias e folha de tabaco, característica da casta Syrah. Corpo elegante, equilibrado com um final prolongado.” O enólogo de serviço, como não podia deixar de ser, é o eborense Victor Conceição, que está ao leme dos destinos vínicos da Quinta de Nossa Senhora da Conceição!
Vamos dizer mais uma vez o que já foi dito em relação a outros vinhos deste produtor:
é um vinho superior e de qualidade excepcional!
Nele, tudo é muito bom!
Percorrer os seus caminhos sensoriais é partir em busca de um néctar para lá do imaginável.
Aldeias de Juromenha: É sempre com um especial carinho que falamos de uma nova colheita do Syrah da Herdade Aldeias de Juromenha!
Mas desta vez temos uma edição especial!
Um lote do ano de 2013 cujo Syrah apresentamos aqui, mas que sai agora com garrafa e rótulos renovados com o objectivo de comemorar os dez anos de Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha!
E que Syrah fantástico temos pela frente!
Feito mais uma vez pelo grande mestre da enologia portuguesa António Saramago. Mas este terá sido o último Syrah feito por ele nesta casa vinícola, com muita pena nossa. Fazemos votos que o próximo enólogo esteja ao nível de continuar este Syrah com a qualidade a que nos habituou.
As notas de prova dizem-nos que se trata de um Syrah de “cor retinto, aroma frutos vermelhos e compota, bons taninos, volumoso, equilibrado com boa acidez que lhe permite ter longevidade.” O facto de ser reserva significa neste caso que tem dez meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano, e tem uma graduação alcoólica de 15,5%.

 

Medalha de Bronze: QUINTA DO BARRADAS

O Quinta do Barradas, Reserva, Syrah, de 2014, é a primeira colheita… e que colheita!
Fizeram-se cerca de duas mil garrafas. As uvas de que se faz este Syrah eram anteriormente utilizadas para o blend Touriga Nacional e Syrah, que ainda se faz. Esta aposta está ganha porque quem bebe este monocasta Syrah a 100% não se esquece facilmente dele!
O Quinta do Barradas Syrah é uma bebida fermentada a temperaturas controladas por vinte dias, estagiando depois por dezoito meses em barricas de carvalho francês. Na sua cor e aroma predominam as violetas, que se mostram bem integradas com as notas e gomas pretas das especiarias da barrica. Na prova é muito rico, com taninos redondos e de uma enorme elegância. A graduação alcoólica é de 15%. A enóloga é Joana Maçanita, que nós bem conhecemos.

 

Melhor relação Qualidade-Preço: CASAL DAS FREIRAS

Com a classificação de 17 valores e o preço de 4 euros e 75 cêntimos, a escolha aqui não foi difícil.
Não foi há muito tempo que apresentámos o Casal das Freiras de 2015 e eis que a nova colheita de 2016 já está disponível no mercado!
Seria provável torcer o nariz a um Syrah tão novo, ou seja, da vindima anterior. No entanto outra coisa aconteceu em termos de palato. Este Syrah tem uma fruta muito vincada, viva, expressiva, para tão curto tempo de estágio. Parece mais um Syrah de 2015, ou mesmo 2014, e não tanto de 2016. E esta reflexão é o elemento mais impressionante que este Syrah do distrito de Santarém, concelho de Tomar, freguesia da Madalena, tem para mostrar!
Privilegiando a singularidade, este Syrah foi elaborado com uma selecção das melhores uvas da casta Syrah, onde sobressaem as notas dominantes que a caracterizam: “os aromas de fruta preta, como os mirtilos, ameixas e amoras, conjugados com o distintivo paladar do chocolate e leves notas de especiarias associadas à pimenta preta. Resulta um vinho encorpado, de cor granada, com bom equilíbrio de acidez e taninos suaves, realçados num final expressivo e prolongado”. Tem 13,5% de graduação alcoólica, como aliás a colheita anterior.

E assim nos vamos, na companhia de algum do melhor Syrah que se faz em Portugal. Julguem de vossa justiça, provem, degustem, apreciem, opinem, e venham aqui dizer se estão de acordo ou não com esta escolha.

 

E os nossos sinceros e agradecidos parabéns aos vencedores!

Lybra Rosé, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2016

Há quem goste de um Rosé mesmo que estejamos no Inverno. Gostos não se discutem! Seguindo por este caminho, nós temos a melhor solução!
Para quem gosta de um Rosé fresco, e ao mesmo tempo aprecia Syrah, qual a melhor opção? Segundo o Blogue do Syrah não há muito por onde escolher e a nossa escolha pende para o lado do Lybra Rosé, da Quinta do Monte d’Oiro, feito exclusivamente de Syrah, cuja colheita, de 2016, está aí no mercado para nos saciar e encantar com aquela cor de vinho suave. As notas de prova dizem o seguinte: ”Bonita cor levemente rosada, com aroma discreto mas bem afinado, lembrando frutos do bosque. Mais expressivo de boca, cheio, seco, com muito boa acidez e frescura, leve tanino, perfeito para a mesa.” Este Lybra tão especial nasceu de uma parcela especifica, tratada e conduzida para o produzir em forma de Rosé, através de vindima manual e escolha cuidadosa, seguida de esmagamento com prensagem directa. Tem 12% de graduação alcoólica.

Interessa perceber primeiro, embora de forma breve, como se obtém um Rosé. Inicialmente o processo é igual ao Tinto, desengaçar e esmagar, embora venha um choque térmico a temperatura mais reduzida, facilitando o processo de clarificação, havendo sempre o cuidado de que a pressão utilizada não conduza à extracção de demasiada cor das películas. Em seguida interessa clarificar o mosto, removendo a maior parte dos sólidos em suspensão, sendo a técnica mais utilizada a decantação estática a baixa temperatura durante um a dois dias. A fermentação é por fim um compromisso entre escolher temperaturas mais baixas, havendo lugar a maior frescura no produto final, ou mais altas, perdendo-se os aromas frutados.

O tratamento da vinha, neste Monte D’Oiro, é feito sempre sem recorrer a químicos, optando pela qualidade em vez de quantidade. As podas são severas, no tempo devido, e as mondas igualmente significativas, dando lugar a rendimentos baixos por hectare.
O preço é ainda mais apelativo do que noutros anos, em vários lugares de venda por nós visitados.

Como dizia Victor Hugo, pai dos miseráveis:
“Deus criou a água, mas o homem fez o Syrah!”
E isso inclui o Rosé, acrescentamos nós.
Força!

 

Classificação: 18/20                                                           Preço: 7,90€

António Ventura – O bem aventurado do Syrah

Desde a segunda metade dos anos 90 que se produz Syrah em Portugal. O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas. Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz do melhor Syrah do mundo!
Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação, apreciação, devoção e divulgação.
Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, trazemos hoje à ribalta António Ventura, que tem no seu currículo oito Syrahs.
Aqui vão eles, quase todos de peso, como se pode ver pelas classificações atribuídas:


Quinta do Gradil, Sociedade Vitivinícola, SA, 100% Syrah, Lisboa, 2015
Classificação: 17/20

Lapa dos Gaivões, João M. Barbosa vinhos , 100% Syrah, Alentejo, 2005
Classificação: 17/20

Ninfa, João M. Barbosa vinhos , 100% Syrah, Tejo, 2003
Classificação:

Casa da Atela, Quinta da Atela, 100% Syrah, Tejo, 2007
Classificação: 14/20

Arruda dos Vinhos, Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, 100% Syrah, Lisboa, 2009
Classificação: 14/20

Lote 44, Adega de Arruda, 100% Syrah, Lisboa, 2015
Classificação: 15/20

Gamito, Herdade do Gamito, 100% Syrah, Alentejo, 2014
Classificação: 17/20

Passo dos Terceiros, Sovibor, 100% Syrah, Alentejo, 2015
Classificação: 18/20

 

Vejamos cada um em pormenor.

Quinta do Gradil, Sociedade Vitivinícola, SA, 100% Syrah, Lisboa, 2015
E agora no presente ano temos a terceira colheita deste espectacular Syrah sempre em crescendo, tanto em qualidade como a nível de produção, nada mais nada menos do que…espantem-se, 37 000 garrafas!!
Podemos dizer desde já que nunca em Portugal numa única colheita se fez 37 000 garrafas dum monocasta Syrah! E isto deve ser realçado!
Os enólogos falam-nos de “Um syrah muito expressivo, de cor retinta e aromas intensos de bagas do bosque, pontuados com notas químicas e um toque de mineralidade. Elegante na boca, revela harmonia entre a fruta e os taninos evidentes mas bem integrados, num conjunto enriquecido por 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês. O seu final é prolongado e distinto.” Nada a dizer!

Lapa dos Gaivões, João M. Barbosa vinhos , 100% Syrah, Alentejo, 2005
Em relação ao Lapa dos Gaivões, conseguimos ainda uma garrafa, que muito nos agradou, o que fica demonstrado na nota que lhe atribuímos. O enólogo foi António Ventura, e as notas de prova dizem que tem uma “cor avioletada e aromas florais, frutados e ligeiramente abaunilhados, está ainda muito presente toda a sua juventude, com os taninos a mostrarem toda a sua força e as notas de madeira ainda bem vincadas na prova de boca, é complexo e encorpado e melhorará certamente com o tempo em garrafa, o final é prolongado.” O estágio decorreu em barricas de carvalho Francês “Allier” e Americano durante 12 meses. Tem 14% de graduação alcoólica.

Ninfa, João M. Barbosa vinhos , 100% Syrah, Tejo, 2003
Sobre o Ninfa Syrah muito pouco podemos dizer. Não o chegámos a conhecer! Já estava esgotado aquando do nascimento do Blogue do Syrah. Em conversa com o produtor numa feira de vinhos alentejanos perdemos de vez a esperança de o poder ainda vir a encontrar. Se algum dos nossos leitores dele se recordar que venha aqui comentar de sua justiça!

Casa da Atela, Quinta da Atela, 100% Syrah, Tejo, 2007
Feito pelo enólogo António Ventura e com 13,5% de graduação alcoólica, este Syrah apresenta-se com as seguintes notas de prova: “Cor rubi, aromas elegantes de frutos negros e chocolate, com um toque de baunilha discreto. Estrutura de boca bastante elegante com taninos muito sólidos de excelente qualidade e final de persistência longa.”

Arruda dos Vinhos, Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, 100% Syrah, Lisboa, 2009
A Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, hoje em destaque, fez uma única safra de monocasta Syrah, no ano de 2009, que se encontra já esgotada. Ao Blogue do Syrah foi muito gentilmente cedida pelo produtor uma garrafa, quando soube que não conhecíamos o seu Syrah. Ficámos muito agradecidos.
A fermentação deu-se em cuba de inox com sistema de pisa automático e controlo de temperatura de fermentação. Estagiou durante 5 meses em barricas de carvalho francês e carvalho americano e 2 meses em garrafa na cave. As notas de prova dizem que tem uma “cor granada intensa e aroma a frutos vermelhos, sendo na boca equilibrado e suave devido à excelência da qualidade da casta.”

Lote 44, Adega de Arruda, 100% Syrah, Lisboa, 2015
O Syrah de nome Lote 44 de 2015 é o segundo monovarietal Syrah que a Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos faz. O primeiro, do já longínquo ano de 2009 tinha o nome de Arruda dos Vinhos. O de 2009, como foi dito na altura, não deixou saudades por aí. Este Lote 44 é claramente melhor!
A fermentação deu-se em cuba de inox, com controlo de temperatura a 26ºC. A maceração aconteceu durante oito dias. As notas de prova dizem-nos que tem “cor granada, aroma a frutos silvestres. Na boca é persistente e muito suave no final.” Este Syrah tem uma graduação alcoólica de 14,5%.

Gamito, Herdade do Gamito, 100% Syrah, Alentejo, 2014
Este Gamito, com 3.333 garrafas lançadas no mercado, e não tendo no horizonte a garantia de continuidade, tem como enólogo residente Marcos Vieira e teve inicialmente Rui Reguinga como enólogo consultor. Actualmente o enólogo consultor é o bem conhecido António Ventura. As notas de prova dizem-nos que tem “cor Ruby, aroma intenso de fruta preta, com notas de café e chocolate. Paladar harmonioso, encorpado, taninos suaves e um final longo e elegante.” Tem uma graduação alcoólica de 13,5% embora no palato pareça ter os habituais 14% ou 14,5% dos Syrah alentejanos, tendo estagiado 12 meses em barrica.

Passo dos Terceiros, Sovibor, 100% Syrah, Alentejo, 2015
O nome deste Syrah, Passo dos Terceiros, deve-se à construção de 1755 contígua à adega da Sovibor que é a maior de um conjunto de quatro estações esculpidas em mármore branco, representando os Passos do Senhor a caminho do calvário.
As notas de prova dizem que é um “Syrah com cor rubi, aroma elegante e toques balsâmicos, com notas de frutos vermelhos maduros. Boca elegante e fresca, com belo volume, taninos sedosos, bem casados com a acidez que o vinho ostenta. Termina longo e com bom equilíbrio final.” Tem 15% de graduação alcoólica. O enólogo é o mestre António Ventura, artífice de muitos Syrah e que aqui atinge um dos seus pontos mais altos!

O Engenheiro António Ventura é um homem tremendamente ambientado ao vasto mundo dos vinhos e dos mais activos, tendo principal acção nas regiões do Alentejo, Lisboa e Tejo, onde presta serviços de consultadoria. Gere alguns milhares de hectares de vinha ao todo e é responsável por alguns milhões de garrafas exportadas para todo o Mundo! Natural do concelho do Cadaval, António Ventura descende de uma família de várias gerações de vitivinicultores. Possui formação em Indústrias Agro-Alimentares pela E.S.A.S – IPS e licenciatura em Agronomia na Universidade de Évora. Em 1983 concluiu, no Instituto de Viticultura e Horticultura de Geisenheim (Alemanha) uma especialização em Viticultura e Enologia. Em 1994 obtém, na Charles Sturt University (NSW-Austrália), o degree in Applied Science (Winemaking). No ano de 1995 frequentou e concluiu com aproveitamento uma pós-graduação em Enologia na Escola Superior de Biotecnologia (Universidade Católica Portuguesa). Desde o ano 2000, através da empresa Provintage (Winemaking Consulting Company), de que é fundador, é consultor de enologia em vários produtores e adegas nas regiões de Lisboa, Tejo e Alentejo, sendo responsável pela exportação de alguns milhões de garrafas de vinhos portugueses para todo o mundo. Desempenha funções de coordenador da Câmara de Provadores da Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa desde Janeiro de 2012. Em novembro de 2012 foi eleito presidente da Associação Portuguesa de Enologia. Desde 1994 que é membro da Australian Society of Viticulture and Oenology.

Desde sempre que tem obtido vários prémios nacionais e internacionais com os vários vinhos de sua autoria, entre os quais os da Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos.
“Devemos marcar os melhores momentos da nossa vida com um bom vinho”, sentencia o engenheiro, que há 22 anos se dedica com paixão à enologia. Segundo António Ventura, há cinco características indispensáveis para exercer a profissão: intuição, ciência, criatividade, experiência e disponibilidade. “É um trabalho extremamente absorvente. Já me aconteceu estar na Austrália e ter de apanhar um avião para Moçambique porque tínhamos lá um projecto e as videiras estavam a dar problemas”, afirma, na Adega Cooperativa de Pombal, onde, em dia de férias, está a acompanhar um engarrafamento. De todas as qualidades pedidas ao enólogo, há duas que marcam a diferença, acredita o engenheiro. “Sem intuição e espírito criativo nunca será um grande profissional”, explica. “Se tudo correr bem farei 50 vindimas na minha vida. O que procuro todos os anos é fazer várias experiências, que às vezes resultam e outras vezes não. Mas quando resultam é uma alegria”.

António Filipe Lucas Ventura nasceu há 59 anos em Painho, Cadaval, licenciando-se em ciências agrárias em Santarém. Descendente de uma família com tradições na produção de vinho ao longo de gerações, fez a especialização em enologia na Alemanha e uma pós-graduação em vitivinicultura e na Austrália. Hoje trabalha com 25 casas em cinco regiões portuguesas, chegando a envolver-se em três meses de vindima por ano. A influência do enólogo é exaustiva e pede um estudo aprofundado. É ele que avalia o terreno para a vinha, decide movimentações de terras e drenagens, selecciona o porta-enxerto e as castas, indica o método de plantação e o grau de maturação das uvas, define a madeira e o tempo de estágio, elege o tipo de fermentação e determina o período de maceração, seguindo de perto todo o processo até ao engarrafamento. A actividade assenta em técnicas aprofundadas, mas qualquer profissional tem consciência das limitações do conhecimento livresco. “É um trabalho extremamente complexo. Nenhum de nós aprende tudo na universidade, só a experiência é que nos dá algum lastro”, reconhece António Ventura, citando um chavão do meio: “As castas e o ‘terroir’ (composição do terreno, clima e relevo) representam 75 por cento de um bom vinho, os restantes 25 por cento dependem da habilidade do enólogo”.

A evolução mundial do sector, com troca de informação, aperfeiçoamento das espécies e revisão das estratégias permite, todavia, que os ingredientes à disposição para atingir uma colheita de excelência sejam, actualmente, mais e melhores. “É perfeitamente possível plantar a casta ‘cabernet sauvignon’ em Portugal e ter melhor vinho do que em Bordéus (de onde é originária)”, exemplifica António Ventura. Para o enólogo do Cadaval, a viver na Nazaré, a vocação despertou em 1981, no estágio com Octávio Pato na Cooperativa da Vermelha. Hoje, o prazer de comentar cada garrafa com amigos é superior a bebê-la sozinho. E a necessidade de estar actualizado cada vez maior. “O mundo do vinho é como o da moda, as tendências mudam todos os anos”. “Conseguimos ser competitivos e estamos nos grandes mercados internacionais”, diz António Ventura sobre a criação vitivinícola portuguesa, sublinhando que têm aparecido “menções excelentes” provenientes de especialistas em todo o mundo. “A qualidade dos vinhos portugueses tem subido muito”, assegura o engenheiro, que tem a sua própria lista de preferências dentro de fronteiras.

Monte da Caçada, Casa Santos Lima, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Apresentamos hoje a segunda colheita deste Syrah alentejano da Casa Santos Lima que, apesar de estar sediada em Alenquer e de ser o maior produtor de “Vinho Regional Lisboa” e “DOC Alenquer”, o que faz que seja o maior produtor de vinhos da região de Lisboa, também faz vinhos noutras zonas vinícolas!
Um pequeno colosso, diga-se em abono da verdade!
A Casa Santos Lima tem um outro Syrah bem mais antigo, este da região de Lisboa e que podemos encontrar no mercado a colheita de 2014!
Parabéns a esta Casa que tem neste momento as melhores colheitas de Syrah de sempre!
Este Monte da Caçada 2015 apresenta-se desde já como candidato a melhor Syrah do ano na relação qualidade/preço! E está melhor que a colheita de 2014 que foi apresentada aqui!

As notas de prova falam de um vinho “de cor rubi, bem definida, com intensos aromas a fruta madura como ameixas e frutos do bosque bem casados com suaves notas de carvalho. Combina na perfeição com comida e tem uma excelente capacidade de envelhecimento.” As uvas, previamente desengaçadas, passaram por uma maceração pré-fermentativa a baixas temperaturas durante 24 horas. A fermentação alcoólica foi feita em cubas de aço-inox com controlo de temperatura, não ultrapassando 27.ºC, durante 12 dias. Estágio de nove meses em barricas de carvalho francês e americano. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%.

As propriedades da empresa pertencem à família Santos Lima há mais de um século sendo, desde há várias gerações, grandes produtores de vinho. No entanto, só em 1996, quando José Luís Santos Lima Oliveira da Silva abandona a sua carreira de mais de 20 anos no sector financeiro, teve início o engarrafamento e comercialização dos seus vinhos.
A Casa Santos Lima é uma empresa familiar, fundada por Joaquim Santos Lima, que, no final do século XIX, era já um grande produtor e exportador de vinhos. Maria João Santos Lima e José Luís Santos Lima Oliveira da Silva, neta e bisneto do fundador, gerem a empresa desde 1990, tendo procedido à replantação de grande parte das vinhas e modernizado toda a infra-estrutura produtiva. As vinhas distribuem-se por várias Quintas contíguas, com destaque para a Quinta da Boavista, Quinta das Setencostas, Quinta de Bons-Ventos, Quinta da Espiga, Quinta das Amoras, Quinta do Vale Perdido, Quinta do Figo e Quinta do Espírito Santo, que cobrem uma área total de aproximadamente 390 hectares.
As propriedades da Casa Santos Lima estão situadas no concelho de Alenquer, 45 km a norte de Lisboa, numa região onde a tradição vitivinícola é secular e as típicas paisagens rurais aparecem com enorme beleza. As vinhas estendem-se por encostas suaves em altitudes compreendidas entre 100 e 220 m, com excelente exposição solar e um clima temperado pela suave brisa marítima do oceano Atlântico, que se encontra a cerca de 26 km para oeste.

O tipo de solo predominante é o argilo-calcário, do período do Jurássico Superior, tendo sido encontrados numerosos exemplos de fósseis de vida marinha. A replantação da vinha tem sido feita a um ritmo regular desde 1990, com as mais nobres castas Portuguesas, que aqui apresentam um carácter regional único e também, em menor escala, com as melhores castas internacionais. É possível encontrar na Casa Santos Lima cerca de 50 variedades de castas diferentes (algumas com carácter experimental).

Uma célebre frase refere que:
Degustar às cegas é uma lição de humildade.
Neste caso específico do Syrah 2015 Monte da Caçada, a humildade não é necessária!
É sempre muito bom!

 

Classificação: 18/20                                                                     Preço: 7,90€

Bombeira do Guadiana, Herdade da Bombeira, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Apresentamos hoje a colheita de 2015 do Syrah Alentejano produzido mais a sul que conhecemos. De Mértola, Bombeira do Guadiana de seu nome.
Um Syrah de peso, já desde a colheita anterior!

O enólogo é Bernardo Cabral como é habitual, e foram produzidas cerca de 3500 garrafas por hectare, havendo 3,5 hectares de Syrah na Herdade da Bombeira. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. As notas de prova que escolhemos falam de um Syrah “especiado e bem maduro, algum chocolate, fruto intenso, boca com volume algum calor num final longo e picante. Um tinto com franqueza e generosidade de formas. Taninos sedosos e redondos, termina prolongado e medianamente persistente.” As uvas são colhidas de acordo com o seu estado de maturação. O desengace é total e a fermentação ocorre em lagares inox com controlo de temperatura, onde a pisa é feita por robot. A fermentação maloláctica e estágio é em barricas de carvalho francêse americano novas e de 2ª utilização durante 10 meses.

Um grupo de amigos, amantes da natureza, os proprietários da Herdade da Bombeira, entenderam em 1999 plantar 18 hectares de castas tintas, numa zona com solos privilegiados, onde logo se adivinhou um terroir de altíssimo potencial.
Em 2000 conclui-se a plantação, em 2003 produziu-se os primeiros vinhos, em 2005 o primeiro rosé, entre 2009 a 2011 é concluída a plantação de 3,5 hectares de uva branca e em 2012 é produzido o primeiro vinho branco. Numa procura constante de conhecer e compreender o potencial produtivo do terroir, pretende-se fazer evoluir os vinhos . O projecto tem tido o seu sucesso devido ao interesse constante dos clientes pelos vinhos da Herdade da Bombeira, que se situa no Concelho de Mértola, na margem direita do Rio Guadiana, a 3 quilómetros a sul dessa linda vila alentejana, estendendo-se ao longo de 2 quilómetros da sua margem.

A Herdade da Bombeira com os seus 700 hectares, possui uma várzea ao longo do rio com cerca de 20 hectares onde os solos de características xistosas se misturam com os aluviões do Rio Guadiana proporcionando as condições ideais para a implantação da Vinha. O Clima desta zona não sendo continental também não é de características marítimas. O mar fica a 50 quilómetros a Sul e a 100 quilómetros a Oeste mas a proximidade da Serra do Caldeirão e do Rio Guadiana tornam o clima mais ameno do que na generalidade das terras vinícolas do Alentejo. A influência do rio Guadiana é fundamental provocando um microclima que influencia a humidade relativa. Evita as geadas, faculta uma água com qualidade ímpar devido à corrente ecológica com origem na barragem do Alqueva.
As castas inicialmente escolhidas foram as alentejanas: Trincadeira e Aragonês, com cerca de 6 hectares cada e as internacionais: Cabernet Sauvignon e Syrah com cerca de 3,5 hectares cada. A plantação da vinha ocorreu nos anos 98 e 99 tendo sido vendidas no mercado as primeiras produções de uva. Após análise do comportamento das castas na zona e a conselho do enólogo residente Bernardo Cabral, decidiu-se em 2002 substituir, e muito bem na opinião do Blogue do Syrah, cerca de 2,5 hectares de casta Aragonês por Syrah, e em 2006 o restante por Alicante Bouchet cerca de 3,5 hectares.

Fernando Pessoa, nas Canções de Beber, escreve o seguinte:
“Ao gozo segue a dor, e o gozo a esta.
Ora o Syrah bebemos porque é festa,
Ora o Syrah bebemos porque há dor.
Mas de um e de outro Syrah nada resta”.
Com este Syrah da Herdade da Bombeira de 2015 gozo não falta.
Dor, só mesmo quando a garrafa chega ao fim!

 

Classificação: 18/20                                                            Preço: 15,50€

Passo dos Terceiros, Sovibor, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Eis o nosso mais recente Syrah a ser degustado, do Alto Alentejo, mais precisamente de Borba e do ano de 2015!
Ao primeiro contacto na boca há logo uma explosão de aromas a frutos vermelhos. Muito abrangente, taninos bem dominados, acidez q.b., este é um Syrah que a ter continuidade poderá vir a fazer história!
Uma grande capacidade de evolução é outra marca saliente deste Syrah! Trata-se da primeira colheita da Sovibor, Sociedade de Vinhos de Borba, que este ano faz cinquenta anos de vida e está completamente renovada. Ficámos com essa ideia logo após a conversa tida com o seu director de exportação, José Carneiro Pinto. Foram feitas cerca de três mil e quinhentas garrafas que tendo em conta a qualidade e o preço apresentado não vaticinamos uma estadia longa no mercado. Este Syrah está vocacionado apenas para garrafeiras! O nome deste Syrah, Passo dos Terceiros, deve-se à construção de 1755 contígua à adega da Sovibor que é a maior de um conjunto de quatro estações esculpidas em mármore branco, representando os Passos do Senhor a caminho do calvário.

As notas de prova dizem que é um “Syrah com cor rubi, aroma elegante e toques balsâmicos, com notas de frutos vermelhos maduros. Boca elegante e fresca, com belo volume, taninos sedosos, bem casados com a acidez que o vinho ostenta. Termina longo e com bom equilíbrio final.” Tem 15% de graduação alcoólica. O enólogo é o mestre António Ventura, artífice de muitos Syrah e que aqui atinge um dos seus pontos mais altos!

Falemos agora da empresa que está por detrás deste Syrah. A Sovibor, Sociedade de Vinhos de Borba, Lda. é uma Sociedade Comercial por Quotas constituída por escritura pública, a 16 de Dezembro de 1968. Resulta da fusão de dois pequenos produtores que muitos anos antes de 1968 iniciaram as respectivas actividades e mais tarde criaram as firmas Manuel Joaquim Mira e Domingos Luiz Pinto & Filho, Lda., ambas com largas tradições no campo vinícola. Por isso, e em consequência de tal fusão a SOVIBOR é gerida por pessoas tradicionalmente ligadas à actividade vitivinícola. Embora esteja equipada com a mais moderna tecnologia com vista à produção de vinhos de qualidade, esta empresa dispõe ainda de uma antiga e bonita adega de envelhecimento, com cerca de três mil hectolitros em tonéis de madeira. A Sovibor empresa histórica do Alentejo que comemora, já em 2018, o seu 50º aniversário, quer terminar o ano com as exportações a valeram já 20 a 25% das suas vendas. A empresa, propriedade do grupo Sousa Tavares, SGPS, que detém, entre outras, a distribuidora Sotavinhos e a produtora vinícola Quinta do Progresso, fechou 2016 com uma faturação inferior a 1,5 milhões de euros, valor que pretende duplicar até 2021. Adquirida em Dezembro de 2014, a Sovibor passou a contar com uma nova administração, liderada por Fernando Tavares, e com uma nova equipa de enologia, a cargo de António Ventura, em coordenação com Rafael Neuparth e Rita Tavares. A aposta passa por reposicionar todos os vinhos num patamar superior de qualidade e de preço.

A beneficiação das infraestruturas, com o restauro dos edifícios, e a renovação da linha de engarrafamento, totalmente automatizada, foi recentemente concluída, um processo em que a Sovibor investiu mais de meio milhão de euros. Estão, ainda, previstos novos investimentos com vista à ampliação do armazém de produto acabado e de matérias-primas. A par da recuperação da adega, cave de tonéis e sala de talhas, a Sovibor aposta num novo patamar de qualidade superior e no relançamento dos vinhos com a velha identidade local.

Fernando Pessoa, simultaneamente grande poeta e bebedor de Syrah, bastas vezes apanhado em flagrante de litro, escreveu o célebre “Canções de Beber” onde é dito:
“Sabei, meus amigos, que desde que em meu lar
Um novo casamento contraí com alegria:
Apartei a razão árida e velha de meu leito,
Para a filha da vinha desposar.”
O Passo dos Terceiros 2015 é bem um daqueles Syrah que vale a pena desposar, sem pensar em mais razões!

 

Classificação: 18/20                                                                        Preço: 9,95€