Diferença entre degustação Vertical e Horizontal

Qual o objectivo destas duas maneiras de ver a questão?
Na vertical procuramos identificar as influências do clima e da evolução no mesmo Syrah de safras diferentes, na horizontal as comparações podem ser um pouco mais abrangentes.

Na degustação horizontal, a mais interessante, tenta-se seleccionar  Syrah de uma mesma safra, de uma mesma região vitivinícola e de um mesmo estilo. Por exemplo, podemos seleccionar rótulos de de 2016 de diferentes produtores do Alentejo. Desta forma, podemos comparar diferenças de vinificação e subtilezas de terroir entre Syrah produzido no mesmo ano. Provas horizontais geralmente ajudam a identificar diferenças específicas nos estilos de vinificação ou ainda aprender a reconhecer características de uma região ou de um estilo. Elas costumam ser as preferidas das confrarias de vinho, que escolhem alguns temas de degustação horizontal. Uma brincadeira interessante de fazer para variar é uma prova em que a comparação dos vinhos deve ser feita de acordo com a harmonização, ou seja, quais vinhos combinam melhor com um determinado prato sugerido.

Syrah não falta, felizmente, para fazer experiências!

QP., Marcolino Sebo, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Andamos com ansiedade atrás de novas colheitas de Syrah do ano de 2015 por dois motivos principais: Primeiro porque há várias colheitas que não viram a luz do dia e isso irá acontecer ainda ao longo deste ano de 2018! Segundo, porque como temos dito e redito o ano de 2015 é o melhor do século, até ver, para os Syrah portugueses e naturalmente quando temos conhecimento da saída para o mercado de uma nova colheita deste ano já mítico, não descansamos até conseguirmos a primeira garrafa! Isto vem a propósito de já sabermos que está no mercado uma nova colheita do Syrah Marcolino Sebo da Quinta da Pinheira e do ano de 2015! Lá está o ano mítico a fazer das suas e a explicar a classificação dada a este Syrah que torna esta colheita como a melhor das três! Se calhar, por isso mesmo, temos novos rótulos a embelezar a garrafa deste Syrah de Estremoz!

As notas de prova dizem-nos que se trata dum vinho “de cor vermelha púrpura e aroma complexo de frutos pretos madutos, especiarias, cacau e baunilha. Após um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho francês, sobressai um vinho denso com forte estrutura e taninos suaves, com final de prova prolongado.” Tem uma graduação alcoólica de 15%, tal como as duas colheitas anteriores! O enólogo de serviço é Jorge Santos!

A casa Marcolino Sebo é uma empresa familiar que está ligada à área da viticultura há mais de 30 anos, sendo a sua constituição oficial datada de 1975. Ao longo deste tempo e espaço houve uma dedicação em pleno à viticultura, sendo as uvas entregues na Adega Cooperativa de Borba, mas com o crescente aumento da área de vinha e o sonho do proprietário da empresa – Marcolino Sebo – de produzir o seu próprio vinho surgiu o projecto de criar uma adega própria. Foi no virar do século XX, no ano 2000, que Marcolino Sebo, contando com 130 hectares divididos por sete parcelas de vinha situadas entre Borba e Estremoz, caracterizadas pelos solos argilo-calcários e argilo-xistosos, começou a vinificação das suas uvas, tendo o engarrafamento e comercialização do seu vinho ocorrido no ano de 2001. A área encontra-se dividida por cinco parcelas, entre as quais: a Quinta da Pinheira, Monte da Vaqueira, Monte do Estevalinho, Herdade da Cerca e Herdade do Olival. E é precisamente na Quinta da Pinheira, como já se percebeu, que encontramos este nosso bem amado Syrah, sendo a partir daí que todas as acções são coordenadas. A freguesia é Arcos e o concelho é Estremoz.

De referir ainda que o Syrah da Quinta da Pinheira é exportado para a China com o nome de Infinitae Syrah, nome eloquente de que gostamos, mas ao contrário do que inicialmente chegamos a pensar, trata-se do mesmo Syrah numa outra garrafa e com outro rótulo.

A adega Marcolino Sebo conta com um edifício moderno com traça Alentejana bem marcada, onde se utiliza a tecnologia moderna baseada em métodos tradicionais antigos, onde se produz o vinho. Em termos materiais tem cerca de 60 cubas das mais diversas capacidades, perfazendo uma capacidade total de 1.400.000 litros. Em termos humanos conta com uma vasta equipa de trabalho, desde o trabalho de campo até à comercialização do produto final, passando pela enologia com o apoio do enólogo Jorge Santos. A cave da adega encontra-se semi-soterrada, o que lhe confere uma temperatura ambiente e humidade constantes durante todo o ano e proporcionando um ambiente ideal para o envelhecimento de vinhos.

O poeta grego Alceu de Mitilene do século VI antes de Cristo escrevia: “Não plante outra árvore sem primeiro ter plantado uma videira.” Estamos de acordo e acrescentaríamos: Uma videira da casta Syrah, pois claro! Vamos agora beber mais uma taça deste Syrah que nos vai ficar na memória sem margem para dúvida!

 

Classificação: 18/20                                                                         Preço: 7,49€

Um copo de vinho a mais custa-lhe meia hora de vida?

Um novo estudo vem contrariar os efeitos benéficos do consumo moderado de álcool. Em Portugal, bebe-se quase o dobro do recomendado. Beber mais do que um copo de álcool por dia é tão nocivo quanto fumar. Esta é a conclusão de um novo estudo, publicado na revista científica The Lancet, que diz ainda que um copo extra de vinho (ou de outra bebida alcoólica) pode retirar-lhe meia hora de vida.

O artigo defende que não se deve ingerir mais do que os cinco copos de vinho padrão de 175 ml (ou 2,5 litros de cerveja), uma vez que este é mesmo o limite máximo de segurança. Beber mais do que a dose recomendada aumenta o risco de acidente vascular cerebral, aneurisma, insuficiência cardíaca e morte. Os riscos são maiores em função da idade: para uma pessoa de 40 anos beber acima do limite diário recomendado é o mesmo que ser viciado em nicotina, defende um dos cientistas que participou no estudo.
“Acima de duas unidades por dia, as taxas de mortalidade aumentam”, disse David Spiegelhalter, da Universidade de Cambridge, citado pelo The Guardian.
Ou seja, se uma pessoa de 40 anos beber mais do que quatro unidades por dia – o equivalente a beber três copos de vinho – tem aproximadamente menos dois anos de expectativa de vida, o que representa cerca de 20% da sua vida restante. “É como se cada unidade acima das directrizes tirasse, em média, cerca de 15 minutos de vida, quase o mesmo [tempo de vida que é retirado por] um cigarro”, explicou o cientista.
A recomendação é para que os países com consumos de álcool mais altos (quase o dobro) – como Portugal, Espanha e Itália – reduzam o consumo diário para três copos de vinho diários, no máximo.

O estudo baseou-se em dados de cerca de 600 mil consumidores actuais incluídos em 83 estudos realizados em 19 países. Cerca de metade dos participantes revelaram que bebem mais de 175 ml de álcool por semana e 8,4% admitiram consumir mais do que o triplo dessa quantidade – que é de cinco a seis copos de vinho. “Este estudo deixa claro que, no geral, não há benefícios para a saúde com o consumo de álcool, o que geralmente acontece quando as coisas parecem boas demais para serem verdadeiras”, sublinha David Spiegelhalter.

O professor Jeremy Pearson, diretor médico associado da Fundação Britânica do Coração, que financiou parcialmente o estudo, chamou-o de “um grave alerta para muitos países”.
Tony Rao, professor convidadono King’s College, em Londres, afirmou que o estudo “destaca a necessidade de reduzir os danos relacionados ao álcool em baby boomers, uma faixa etária atualmente em maior risco de aumento do uso indevido de álcool”. Num comentário na revista The Lancet, os professores Jason Connor e Wayne Hall, do Centro de Pesquisas sobre Abuso de Substâncias Juvenis da Universidade de Queensland, na Austrália, preveem que a sugestão de reduzir os limites de consumo recomendado irá enfrentar a oposição da indústria.
Indústria do álcool vai dizer que consumo recomendado é “impraticável”, vaticinam cientistas
“Os níveis de bebida recomendados neste estudo serão, sem dúvida, descritos como implausíveis e impraticáveis pela indústria do álcool e outros opositores das advertências de saúde pública sobre o álcool. No entanto, os resultados devem ser amplamente divulgados e devem provocar um debate público e profissional informado”, disseram.
A BBC, cita o mesmo estudo, e faz as contas em termos de meses de vida, revelando que a ingestão de cinco a dez bebidas alcoólicas por semana pode reduzir o tempo de vida em até seis meses.
Por cada 12,5 unidades de álcool semanais, aumenta o risco de:
Acidente vascular cerebral em 14%
Doença hipertensiva fatal em 24%
Insuficiência cardíaca em 9%
Aneurisma da aorta fatal em 15%
O consumo de álcool tem sido associado a um risco menor de doença cardíaca, mas os cientistas alegam que esse benefício foi “inundado” pelo aumento do risco de outras formas da doença cardíaca.

Portanto já sabemos que é difícil beber Syrah com moderação, mas esse é de facto o caminho certo!

Mais uma cifra para recordar!

O discurso continua a ser o mesmo, o milhão da dita Santa Casa continua a passar-nos ao lado, mas os visitantes deste vosso Blogue continuam a vir cá sem parar.

Este triplo Milhão hoje em efeméride tem a ver mais uma vez com a nossa alegria por termos atingido três milhões de entradas no Blogue do Syrah, segundo o nosso singelo contador que regista todos os cliques feito nas nossas páginas de artigos e novidades.

Portanto um enorme e sentido agradecimento a todos os leitores e simpatizantes que, com regularidade, nos visitam.

Como curiosidade, referimos que foram precisos cerca de 2 anos para atingirmos o primeiro milhão de visitantes, 1 ano para chegarmos aos dois milhões…
e agora, em pouco mais de 6 meses depois, estamos nos três milhões!

Vamos continuar com o mesmo entusiasmo a fazer esta caminhada pelo mundo maravilhoso do Syrah português em direcção ao quarto milhão!

Bem hajam todos!

Grand´Arte, 100% Shiraz, DFJ Vinhos, Lisboa, 2012

Esta é uma revisitação do Syrah Grand´Arte de 2012, a segunda colheita, que por acaso se escreve Shiraz, já iremos falar disso, da DFJ Vinhos, liderada por José Neiva Correia, é dela que vamos falar hoje! E porquê? Bom, porque este Shiraz evoluiu muito bem e quem arranjar algumas garrafas agora ou tiver guardado vai ficar bem contente, porque está bem melhor, do que há anos atrás!

Mas vamos falar deste Shiraz “Grand D’Arte”, da Quinta Fonte Bela em Vila Chã de Ourique, no concelho de Santarém, ou seja, um regional de Lisboa, que possui uma graduação alcoólica de 13,5% e teve um estágio de três meses em barricas de carvalho francês.
Diz-nos o produtor que se trata de um Shiraz “…equilibrado, com taninos macios e um toque de baunilha e especiarias. Muito suave, fácil de beber e ao mesmo tempo, intenso, persistente e saboroso.” As várias garrafas que bebemos, ao longo deste último ano, vêm confirmar estas palavras!

Já Ernest Hemingway dizia que:
“Uma pessoa com o aumento do conhecimento e da educação sensorial pode obter prazer infinito no vinho.”

Em conversa com o Director Comercial e de Marketing da DFJ Vinhos, Luís Gouveia, homem simpático e muito disponível para prestar todos os esclarecimentos, ficámos a saber que com esta colheita foi feito um número maior de garrafas da colheita de 2011 que tinha sido vinte e quatro mil garrafas, embora a grande maioria tenha sido destinada ao mercado externo. E uma palavra de apreço quanto à informação prestada no site oficial da empresa, que está devidamente actualizado, permitindo assim a quem escreve e divulga prestar um bom serviço. Um exemplo a seguir.

O médico do Canadá William Oster disse: “O vinho não faz as pessoas fazerem as coisas melhor. Ele faz com que elas fiquem menos envergonhadas de fazê-las mal.” Então sem dizermos mais nada vamos lá beber uma taça de Shiraz  Grand`Arte e sem receio de fazer as coisas mal!

 

Classificação: 17/20                            Preço: 7,95€

Fraude no Rhône

Segundo um relatório da DGCCRF (Direção Geral da Política de Concorrência, Defesa do Consumidor e Controle da Fraude) em França, entre Outubro de 2013 e Junho de 2016, Raphaël Michel, um comerciante de vinhos a granel no Vale do Rhône, vendeu o equivalente a 13 piscinas olímpicas de vinho de mesa como se fossem de denominações clássicas dessa região do sul da França. Entre elas 108.000 caixas de Châteauneuf-du-Pape.

De acordo com o relatório da DGCCRF, entre 2013 e 2016, o comerciante vendeu cerca de 20 milhões de litros de vinho de mesa – o equivalente a 2,23 milhões de caixas – como vinhos de denominações famosas, como Côtes du Rhône, Côtes du Rhône-Villages e Châteauneuf-du-Pape. “No total, a fraude atingiu mais de 48 milhões de litros de vinho, o equivalente a 5,33 milhões de caixas de vinho falso, 15% da produção da Côtes du Rhône durante esses anos”, afirmou o relatório.

Em 27 de Junho de 2017, o presidente da Raphaël Michel, Guillaume Ryckwaert, e outros directores foram levados sob custódia. Dois dias depois, Ryckwaert foi acusado de fraude, mas libertado sob fiança e proibido de trabalhar na empresa. Ele nega as acusações.

Ryckwaert era considerado um prodígio do mundo do vinho a granel. Raphaël Michel possui operações significativas em Provence, Languedoc- Roussillon, na Argentina e no Chile.
A empresa também é dona de uma enorme plataforma de vinhos na Itália chamada Oenotria-Cluster, que armazena vinhos a granel de diferentes variedades e qualidades de nações do Novo Mundo, como Chile, Austrália e África do Sul, e actua como um balcão único para compradores internacionais. No ano passado, após a prisão de Ryckwaert, a empresa registou dívidas de 20 milhões de euros e buscou protecção dos tribunais de falências.

Mas em Portugal todo o Syrah é genuíno e verdadeiro, portanto vamos beber com orgulho e confiança o que é nosso!