Um Encontro com Syrah, em grande!

Lá estivemos mais um vez, com direito a ‘selfie‘ e tudo, e valeu mesmo a pena, porque várias foram as novidades que nos encheram a boca e a alma, como iremos mostrar adiante.

O ambiente como sempre animado e alegre, coadjuvado com a respectiva secção de comes e bebes a decorrer em paralelo.

Segue em primeiro lugar a sequência das quatro grandes novidades que foram o ponto alta da visita, e logo a seguir os restantes Syrah presentes.

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E mais alguns momentos memoráveis em honra dos magníficos Syrah que se sucediam para nossa alegria e deleite, em boa companhia e com muita simpatia.

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E ainda houve tempo de passear a objectiva pelas belezas sempre presentes quando há bom Syrah na costa…

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E assim nos fomos até ao próximo ano!

 

“Encontro com Syrah” e “Encontro com Sabores”

Mais uma peregrinação peregrina ao encontro do nosso eterno Syrah, desta vez na Antiga Fil, Junqueira.

400 produtores, portugueses e estrangeiros, convidados internacionais, em firme harmonia entre o vinho e a gastronomia.

DIAS E HORÁRIO DO EVENTO

10 de novembro de 2017, sexta-feira | 18:00 – 22:00
11 e 12 de novembro de 2017, sábado e domingo | 14:00 – 20:00
13 de novembro 2017, segunda-feira (dia exclusivo para profissionais) | 11:00 – 18:00

Lá estaremos para contar depois como foi!

Graça Gonçalves, a Enóloga D’Oiro

Desde a segunda metade dos anos 90 que se produz Syrah em Portugal. O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas. Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz algum do melhor Syrah do mundo! Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação, apreciação, devoção e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, trazemos hoje à ribalta Graça Gonçalves que tem no seu currículo, na Quinta do Monte d`Oiro, não dois, não três, mas quatro Syrah, cada um com várias colheitas. A Quinta do Monte d`Oiro, é preciso dizê-lo, é a propriedade vinícola portuguesa que tem no activo um maior número de Syrah! E a qualidade? A qualidade é elevada e está presente deste o início!

Aqui vão eles, todos de peso, como se pode ver pelas classificações por nós atribuídas:


Syrah 24, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa
Classificação: 18/20


Reserva, Quinta do Monte d’Oiro, 96% Syrah, 4% Viognier, Lisboa
Classificação: 18/20

Lybra, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa
Classificação: 17/20

Lybra Rosé, Quinta do Monte D’Oiro, 100% Syrah, Lisboa
Classificação: 18/20

Vejamos cada um em pormenor.

Syrah 24, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa
Apenas se produzem 900 garrafas por safra, e com 14% de graduação alcoólica, mais um vez referida à safra actual. A designação 24 provém do facto das uvas terem origem numa parcela de vinha com esse número. Complexo, com notas de frutos pretos e sugestões de compota, chocolate, especiarias e uma sugestiva e discreta presença de barrica de alta qualidade. Um vinho muito atraente, moderno, com belíssimos taninos, acetinado na boca. Este vinho foi elaborado a partir de uma seleção massal de Syrah, plantada na parcela 24 de somente 2 hectares e proveniente de vinhas velhas (com mais de 60 anos) da região francesa de Hermitage. A grande variabilidade genética nesta parcela, origina, assim, um vinho de extrema complexidade. “Estamos perante uma vinha perfeita de Syrah”,afirma Grégory Viennois, o experiente enólogo francês que acompanha a vitivinicultura da Quinta do Monte d’Oiro. Tem sido desde o seu lançamento alvo de integralmente merecidas pontuações bastante elevadas pelos maiores especialistas.
O nosso SYRAH 24, produzido por José Bento dos Santos na Quinta do Monte d’Oiro, já recebeu por três vezes (2007, 2009 e 2011) a classificação de 93 pontos pela prestigiada Wine Advocate, de Robert Parker (o mais famoso crítico de vinhos do mundo), o que o coloca entre o grupo de vinhos portugueses a que Parker atribuiu uma pontuação igual ou superior a 95.
É um feito notável!

Reserva, Quinta do Monte d’Oiro, 96% Syrah, 4% Viognier, Lisboa
Temos em primeiro lugar o Reserva, que existe desde 1997, (o Blogue do Syrah teve um exemplar desse ano nas mãos, durante a já referida e memorável visita) que é para a Quinta o Syrah que não pode deixar de ser produzido. Tem 4% de Viognier (em co-fermentação) e é o Syrah mais parecido com os Syrah franceses do Vale do Rhône, considerada a referência a nível mundial.
Olhar para esta garrafa é sentir o tempo apurado em eflúvios ancestrais!
A tiragem corrente tem 14% de graduação alcoólica e produzem-se em média 24 mil garrafas. É o seu Syrah de marca! As notas de prova que escolhemos dizem que é um vinho de “Rubi concentrado, negro. Aroma frutado com predominância para as ameixas pretas bem maduras e frutos do bosque, ligeiras notas tostadas e de especiarias finas. Elegante na boca, revela um conjunto equilibrado entre a fruta e a madeira bem integrada, taninos aveludados, acidez correcta, final muito prolongado e distinto.” Teve um estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês, das quais 40% eram novas.

Lybra, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa
Continuando hoje a falar de uma quinta abençoada, vamos seguir com o respectivo Syrah gama de entrada, o Lybra, com uma graduação alcoólica de 13,5%, e do qual são produzidas em média 15 a 20 mil garrafas por safra. O estágio é de 10 a 12 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova escolhidas dizem que se trata de um Syrah “Cor rubi intensa e nariz marcado pelos aromas de frutos pretos e do bosque, bem como delicadas notas de especiarias e alguma madeira, na boca é um vinho equilibrado, de taninos polidos e um volume e estrutura de expressão média, conta com um paladar frutado e especiado, além de ligeiramente vegetal, terminando com um final de boca de comprimento e persistência medianos.”

Lybra Rosé, Quinta do Monte D’Oiro, 100% Syrah, Lisboa
Este Lybra especial nasceu de uma parcela especifica, tratada e conduzida para o produzir em forma Rosé, como já explicado, através de vindima manual e escolha cuidadosa, seguida de esmagamento com prensagem directa. Tem 12,5% de graduação alcoólica. Foi com enorme prazer que o degustamos, lentamente, apreciando a frescura natural vinda de uma cor pálida e aroma delicado, ligeiro e floral, com algo de especiarias ténues. O delicadeza da fruta estava presente estendendo-se para final mais longo que o normal. É Syrah em forma ligeira e refrescante, gostámos muito, sobretudo da sua pureza, além de que é produzido segundo a filosofia biológica com gestão parcelar. Chega-se mesmo a falar de um tema, conceito muito original, citando directamente a Balança como signo de harmonia e de vindimas, equilíbrio harmoniosa entre casta, fruta e terroir, um Syrah que se interpenetra com a alegria da sua juventude na culinária do dia-a-dia… não devia ser assim sempre?
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Os Syrah da Quinta do Monte d’Oiro, em Alenquer, são a cara e a alma do seu proprietário, José Bento dos Santos. Mas desde 2005 que têm por trás o dedo de Graça Gonçalves, de 42 anos, a directora técnica da casa.

É uma mulher, transmontana de nascença (Bragança), mas devia ser um homem. A meio da década passada, Bento dos Santos andava à procura de uma pessoa que assumisse a enologia e a viticultura da quinta e tinha na cabeça a imagem de um homem, vá-se lá saber porquê. Em conversa, um professor do Instituto Superior de Agronomia (ISA), deu-lhe conta do profissional que precisava e o professor respondeu-lhe. “Conheço essa pessoa, só que é uma mulher”. O engenheiro Bento dos Santos “convidou-me a visitar a quinta, gostei imenso dele e acho que ele também gostou de mim e comecei a trabalhar”, recorda Graça Gonçalves. Formada no ISA em Engenharia Agro-Industrial, Graça frequentou o primeiro mestrado em viticultura e enologia daquele instituto. Antes, já participara numa investigação em polifenóis na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Da fileira agro-industrial, “o vinho era o que pedia mais” dela, explica.
Durante o mestrado, trabalhou em microbiologia de contaminação de vinhos com o professor e enólogo Virgílio Loureiro e participou no desenvolvimento de um meio de cultura diferencial para a detecção de leveduras do género Dekkera/ Brettanomyces, o qual tem sido comercializado um pouco por todo o mundo.

A primeira experiência como enóloga deu-se em 1994, com a casta Arinto, em Bucelas. Trabalhou depois durante alguns meses na Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, antes de entrar como professora assistente na Escola Superior Agrária de Santarém, onde leccionou tecnologia de vinho e enologia durante oito anos. Nesse período, foi responsável pela adega da escola e manteve-se sempre ligada à produção. “Nós fazíamos vinhos para alguns produtores e dávamos consultoria a outros”, lembra.
Quando estava a iniciar o doutoramento, surgiu o convite da Quinta do Monte d’Oiro e Graça Gonçalves não quis perder a oportunidade de trabalhar para uma pessoa de quem era admiradora e cujos vinhos já apreciava. “Era quase um sonho”, confessa.
Nos primeiros tempos, Graça ainda contou com o apoio de Luís Carvalho e do filho, Tiago Carvalho, mas, a partir de 2006, passou a assumir sozinha a enologia da quinta, embora com o apoio pontual de Grégory Viennois, director técnico da Maison M. Chapoutier. Um dos grandes vinhos da quinta, o tinto exaequo, é, de resto, uma parceria entre Bento dos Santos e Michel Chapoutier, uma das estrelas da enologia francesa.

Os Syrah da Quinta do Monte d`Oiro especificamente o Reserva e o 24 estão estão presentes na escolha para as provas cegas que o Blogue do Syrah leva a cabo.
Isto mostra bem da qualidade destes Syrah e da competência técnica demonstrada pela enóloga responsável, Graça Gonçalves!

Casal das Freiras, Agrovalente, 100% Syrah, Tejo, 2016

Não foi há muito tempo que apresentámos o Casal das Freiras de 2015 e eis que a nova colheita de 2016 já está disponível no mercado!
Seria provável torcer o nariz a um Syrah tão novo, ou seja, da vindima anterior. No entanto outra coisa aconteceu em termos de palato. Este Syrah tem uma fruta muito vincada, viva, expressiva, para tão curto tempo de estágio. Parece mais um Syrah de 2015, ou mesmo 2014, e não tanto de 2016. E esta reflexão é o elemento mais impressionante que este Syrah do distrito de Santarém, concelho de Tomar, freguesia da Madalena, tem para mostrar!

Priveligiando a singularidade, este Syrah monovarietal foi elaborado com uma selecção das melhores uvas da casta Syrah, onde sobressaem as notas dominantes que a caracterizam: “os aromas de fruta preta, como os mirtilos, ameixas e amoras, conjugados com o distintivo paladar do chocolate e leves notas de especiarias associadas à pimenta preta. Resulta um vinho encorpado, de cor granada, com bom equilíbrio de acidez e taninos suaves, realçados num final expressivo e prolongado”. Tem 13,5% de graduação alcoólica, como aliás a colheita anterior. O proprietário e produtor é o simpático José Vidal, e a enologia está a cargo da Teresa Nicolau. Mais uma senhora a dar-nos Syrah, sempre aquele sentimento de estar em presença de uma outra sensibilidade que não a masculina!

Com uma secular tradição vitivinícola e em terras que outrora foram da Ordem de Cristo, encontra-se a Quinta do Casal das Freiras. As suas vinhas estão implantadas em solos argilo-calcários de declive suave e ondulado com exposição a sul, predominando as castas nacionais. Vinificadas por métodos tradicionais, estas uvas dão origem a um vinho taninoso, encorpado e aromático. Com origem em antigo foro da Ordem de Cristo (século XV) é propriedade da família desde o século XIX. Com 180 Hectares esta Quinta inclui ainda searas, olival e floresta além dos 16 hectares dedicados à vinha.

Tal como aconteceu com o Casal das Freiras 2015, “é um Syrah que se bebe com prazer e que tem uma relação qualidade/preço muito considerável!” Esta nova colheita, superior à anterior, só poderá reafirmar o que aí se disse!
Citando o escritor Francisco Trindade: “Aquele que recebe os seus amigos e não tem um cuidado especial com o Syrah, não merece ter amigos ! »
Podendo fazer um pequeno brilharete perante os convidados e não gastando muito dinheiro, esta é uma óptima proposta !

 

Classificação: 17/20                                                                          Preço: 4,75€

Vale das Areias, Sociedade Agrícola da Labrugeira, 100% Syrah, Lisboa, 2012

Foi na garrafeira Algés com Sabores que tivemos conhecimento da nova colheita do Syrah Vale das Areias, 2012! Já aqui tínhamos falado da colheita de 2011 e aqui da colheita de 2010.
E que bom que este Syrah continua!

Feito pela Sociedade Agrícola da Labrugeira, que produz e engarrafa vinho na antiga região da Estremadura, sendo a própria designação herdada da vinha mais antiga da família, situada no Vale das Areias, entre a capela dedicada a São Jorge e a Serra de Montejunto, Alenquer. A paixão pela vitivinicultura foi passando de geração em geração, pelo que nos anos 90, fruto da vontade em aperfeiçoar a herança dos antepassados e das novas exigências do mercado, começou a modernização das vinhas e da adega, datada de 1930.
Os cachos são recolhidos manualmente que são depois seleccionados para pequenas caixas individuais. Posteriormente, desengaça-se e esmaga-se suavemente as bagas, sendo a vinificação realizada em separado, casta por casta, parcela por parcela, em cubas de inox com controlo rigoroso e individual da temperatura (adaptável às características de cada mosto). A maceração nas cubas é prolongada, para que todos os componentes fenólicos sejam extraídos. Em seguida, o vinho fica em estágio, em barricas de carvalho francês de qualidade, entre 6 a 12 meses. Finalmente é engarrafado, aguardando ainda na adega, em novo estágio, de 3 meses, até ser lançado no mercado. O vinho é exportado para a Alemanha, Bélgica, Holanda, Polónia, Suécia e Suíça.

O grande problema que existia até agora é que este Syrah não tinha distribuição garantida na Grande Lisboa. A única hipótese era encontrá-lo no hotel da quinta. A partir de agora, com esta colheita de 2012, é possível ir ao seu encontro na garrafeira Algés com Sabores, em Algés!

O Syrah, com 13,5% de teor alcoólico, apresenta “cor granada intenso, aroma intenso, complexo, com notas de baunilha e pimenta preta num conjunto bem casado com a madeira. Com bastante estrutura, envolvente e final longo, com taninos bons finais.”
Estagiou um ano em madeira de carvalho francês e americano, após vindima manual. Foi feito de acordo com o inovador sistema de produção agrícola integrada, de forma a salvaguardar, a longo prazo, os recursos naturais e meio ambiente. Como já tinha acontecido antes, optou-se por um rendimento baixo por hectare (através de podas severas e de mondas de cachos) e uma produção integrada, em cumprimento com as normas agro-ambientais. Este Syrah está garantido pelo menos até à safra de 2013. O enólogo de serviço é Raul Martins.

Diz um provérbio italiano que:
«Existem cinco boas razões para beber Syrah: a chegada de um convidado, a sede do momento e a futura, o bom sabor do Syrah e não importa mais nenhuma outra razão.»
Aí está algo que pode ser aplicado ao Syrah Vale das Areias de 2012.
Nós já não temos dúvidas!

 

Classificação: 17/20                                                    Preço: 15,00€

E se 85% de um Syrah fosse água?

Pois, Syrah é sempre Syrah, mesmo que seja em solução a 15%!

Mais uma vez a curiosidade vem do lado da ciência, sempre rigorosa e analítica, que diz ser um Syrah e, por conseguinte, o vinho todo, composto pelos seguintes elementos:

Álcool – 13% (valor médio)
Aqui vem um elemento de peso. Todos identificamos a presença do álcool no vinho, quer pela positiva quer pela negativa. Este surge no momento da fermentação quando os açúcares da própria uva se transformam em álcool. A sua percentagem varia de Syrah para Syrah entre os 13% e os 15%, existindo mesmo o que chegam aos 17%.

Glicerol – 1%
O Glicerol é uma espécie de álcool ligeiramente açucarado que é obtido durante a fermentação do mosto. A sua presença proporciona um vinho suave, gordo e untuoso, ou seja, a viscosidade. É graças a este elemento que podemos apreciar as lágrimas existentes no copo. Quanto mais glicerol, mais lágrimas encontramos.

Ácidos – 0,5%
O ácido do vinho é medido pelo PH e tal como muitos alimentos, os vinhos podem ser mais ou menos ácidos dependo da casta e região.

Açúcar – 0,4%
A concentração de açúcar é o que vai determinar se um vinho é seco ou doce. Na teoria, um vinho seco não tem açúcares residuais e um vinho doce pode atingir os 200 gramas por litro. O açúcar costuma variar entre 0 e 10 gramas por litro.

Fenólicos – 0,1%
Os fenólicos, de uma forma geral, contém os elementos únicos do vinho. Determinam essencialmente a cor, os aromas, e os famosos taninos que proporcionam a estrutura do vinho. São na verdade a prova que a influência de um pequeno elemento pode alterar tudo.

Água – 85%
E por fim regressamos ao princípio, a água, fonte de vida, que é de facto o grande elemento presente na composição do vinho. É sabido que em muitos países que não contém água potável, beber vinho reduz o risco elevado de contaminação. Uma das histórias ancestrais sobre o nascimento do vinho fala da sua importância por ser uma bebida mais segura que a água.

Da próxima vez que faltar água, bebe-se Syrah!