Algumas dicas para escolher um bom Syrah

  • Comece por verificar quão cheia está a garrafa. O espaço livre acima do líquido deverá ter por volta dos 3 centímetros. Mais do que isso significa demasiado oxigénio em contacto com o Syrah, o que não deixa de ser prejudicial.

 

  • Se a garrafa tiver rolha de cortiça, como é habitual por cá, será melhor escolher garrafas armazenadas na posição horizontal, já que assim a rolha se mantém húmida, impedindo a entrada de oxigénio.

 

  • Verifique com atenção e escolha Syrah que tenha sido engarrafado perto do local de cultivo das uvas. Nos rótulos procure informação do tipo ‘engarrafado  em…’

 

  • Evitar garrafas guardadas junto a fontes de luz muito forte ou calor. Recusar absolutamente garrafas apresentadas em montras.

 

  • Garrafas em promoção, pergunte sempre primeiro o motivo do desconto.

 

  • É sempre melhor consultar primeiro os vendedores independentes e peça conselhos e informação.

 

  • Use no local de procura as aplicações para smartphone, Vivino, por exemplo, para consultar classificações e críticas dos especialistas e outros consumidores de Syrah.

 

  • Pense duas vezes antes de considerar rótulos que tenham mais que a informação básica sobre o conteúdo da garrafa. Isso pode ser demasiado zelo comercial. Preferimos sim que nos falem do método de produção.

 

  • Consultar sempre o Blogue do Syrah sobre todo e qualquer Syrah porque é o melhor espaço para se encontrar o que quer que seja sobre Syrah português! Opinião alicerçada em conhecimento, muita experiência e independência financeira de quem quer que seja, são os ingredientes principais para ter uma resposta à altura das necessidades!

 

Manteiga de Syrah

No Blogue VINHOS Sem Preconceito, enorme e bem estruturada fonte de ideias sobre Vinho e Culinária, encontrámos esta receita, que adaptámos ao mundo do Syrah.
A manteiga feita com Syrah é aromática, saborosa, serve tanto como aperitivo como para acompanhar carnes grelhadas ou assadas.

  • Ingredientes:
    100 ml de Syrah;
    2 colheres de sopa de cebolinho;
    125 g de manteiga com sal;
    Pimenta do reino a gosto;
    Papel vegetal ou película transparente.

 

  • Modo de fazer:
    Numa frigideira, adicione o cebolinho picado com o Syrah e deixe ferver.
    Cozinhe até o álcool se ter evaporado, de 5 a 10 minutos ou mais.
    Reserve e deixe arrefecer.
    Numa tigela pequena, adicione a manteiga e a pimenta.
    Em seguida, adicione a mistura de Syrah com cebolinho.
    Envolver até que esteja tudo bem misturado e de cor rosa uniforme.
    Com a ajuda de uma colher, coloque a manteiga sobre a película ou papel vegetal e moldar em forma de rolo com a ajuda das mãos.
    Amarre cada extremidade da película e coloque no frigorífico.
    Corte a manteiga em rodelas grandes e sirva!

Pode também servir a manteiga em recipientes de vidro, se desejar.

Bom apetite e bons acompanhamentos!


 

O copo de Pitágoras

Um copo de Pitágoras parece um copo normal. A diferença é que dentro tem uma coluna central. Esta é posicionada directamente sobre a haste do copo e sobre um buraco no fundo da haste. Uma conduta aberta corre desse buraco quase até o topo da coluna central, onde há um orifício. Mas é melhor mostrar uma imagem para se ver bem como funciona o sistema.

O líquido vai subindo pela coluna central, seguindo o princípio, definido por Pascal, dos vasos comunicantes. Enquanto a altura do líquido não ultrapassar a altura da câmara, nada acontece. Mas se ultrapassar, o líquido é derramado através da tubulação para fora pelo fundo. A pressão hidrostática cria um sifão através da coluna central fazendo com que todo o conteúdo do copo seja esvaziado pelo fundo da haste.

Tudo isto tem a ver com a sagacidade de Pitágoras: esta taça assim desenhada e construída tinha por objectivo aqueles seus alunos mais ladinos, que resolviam colocar mais vinho no copo do que os outros. Desta forma havia equidade, todos se serviam de forma igual.

A explicação científica de Pascal dos vasos comunicantes, segundo as leis da hidrostática, é completada neste caso pelo ensinamento filosófico: o homem deve ser capaz de admitir que há limites, deve querer sempre mais, mas não demasiado, e neste caso as leis da ciência contribuem para a equidade humana. Um pequeno vídeo ilustra melhor que todas as palavras o que dizemos.

Portanto, e concluindo para o nosso lado, eis a boa maneira de repartir Syrah de forma equitativa, sobretudo aquele Syrah mais precioso que todos querem provar… mas cuidado com a preciosa toalha de mesa do anfitrião!


 

CEM REIS, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Não nos lembramos de que alguma vez a saída de um Syrah tenha dado tamanho alarido nas redes sociais, nomeadamente no Facebook.
É verdade que as diversas hostes de enófilos já tinham manifestado algum nervosismo quando publicámos este texto. Mas o que tem sido dito desde a última segunda feira dia 17 de Maio, que foi o dia do lançamento, é algo de realmente inesperado.
O Blogue do Syrah manifesta o seu contentamento devido às manifestações de regozijo e entusiasmo pela saída de um tão emblemático Syrah como é o Cem Réis!

Sabíamos que iria ser um Syrah especial, visto que englobaria o lote que inicialmente estava destinado a um possível Mil Réis. Ora como isso não aconteceu, o Cem Réis ficaria logo à partida mais “rico” devido a essa adição. A juntar a isso o facto de se tratar da colheita de 2015, que só por si, vai sendo cada vez mais confirmado, constitui uma mais valia, dado que se trata de um ano de soberba produção nacional!

Produzido na região alentejana, na terra mítica do distrito de Évora, e vinificado a partir das melhores uvas de casta Syrah, este vinho estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês (70%) e em carvalho americano (30%). Tem uma graduação alcoólica declarada de 16%. Mas o Blogue do Syrah conseguiu apurar que a graduação real é de 16,8%. Não há que ter receio de dizer as coisas quando são ditas por amor e com admiração!

Quinze minutos após a abertura da garrafa (bem se sabe que habitualmente se deve esperar mais tempo) ao colocar o primeiro golo na boca dá-se uma explosão de notas quentes e intensas a frutos pretos maduros e especiarias, foi indescritível a partir daí. Mais uma vez de cor violeta concentrada, muito encorpado, acidez dum equilíbrio que até dá vontade de chorar e com taninos bem presentes e redondos no final que nunca mais acaba e que bom que é. Não estávamos à espera deste choque de tal forma intenso. E que boa seria a vida se tivéssemos destes choques com mais frequência!

Robert Parker, o mais conhecido e, provavelmente, o mais influente crítico de vinhos, disse, há uns anos atrás, numa entrevista à publicação “The Drinks Business“, que os críticos de vinho que não conseguem dar pontuações perfeitas (os famosos 100 pontos) para vinhos que as merecem, é  “porque se estão a esquivar dessa responsabilidade“. Mais à frente, na mesma entrevista, afirmou: “Quando, na sua análise mental, um vinho é o melhor exemplar que você já provou daquele tipo em particular, você tem a obrigação de dar-lhe uma pontuação perfeita“. E concluiu, acrescentando que aqueles que são incapazes de atribuir uma pontuação perfeita a um vinho que lhe faça jus, são “irresponsáveis“. Não concordamos com tudo o que disse Robert Parker. Mas neste particular pensámos que acertou na mouche!

Por aquilo que já é este Syrah e por aquilo que já mostra em termos de capacidade de evolução não podemos deixar de dar a este Syrahuma pontuação perfeita“.

O enólogo responsável é, como não podia deixar de ser, uma vez mais e sempre António Maçanita. O clima que dá origem a este Syrah é típico do mediterrâneo continental ou seja, dias quentes e secos, com noites muito frias. Os solos como já é habitual para a nossa casta são muito pobres de origem xistosa ou granítica.
Parabéns António por mais este Syrah! Parabéns também como não podia deixar de ser ao Philip Mollet e ao Anthony Doody!

Os marotos da Maroteira acabam de enriquecer a estratosfera Syrahniana uma vez mais e de uma forma que vai ficar para a história do Syrah em Portugal!

E onde é que o podemos encontrar?
Obviamente na garrafeira Estado d`Alma, e por vários outros lugares. Cada um que faça o seu percurso!

Para terminar, que apetece ir abrir outra garrafa e continuar a aventura, que dizer do ligeiro aumento de preço? Para um Syrah perfeito o que são mais um par de euros?

 

Classificação: 20/20                                           Preço: 19,95€


 

Syrah Du Monde – Resultados 2017

Eis em primeiro mão os resultados que nos interessam do concurso Syrah du Monde. Três Syrah portugueses medalhados.

Já tínhamos falado de todos, claro, mas só um deles em termos de ano específico foi até agora por nós avaliado. Aqui estão eles… os nossos parabéns!

Esta é uma competição internacional que reúne os vinhos feitos a partir da casta Syrah. Esta competição qualitativa visa seleccionar o melhor Syrah du Monde. O seu objectivo é, assim, contribuir para a melhora de qualidade de Syrah de todo o mundo através da atribuição de medalhas representativos numa competição de confiança.

A competição Syrah du Monde é organizada por uma equipa de profissionais da indústria e do vinho. Beneficia de uma experiência de mais de 15 anos na criação e organização de competições de vinho internacionais, que gradualmente se distinguiram de outras competições internacionais graças aos padrões de qualidade muito elevados.
As amostras de todo o mundo são avaliadas por juízes especialistas internacionais, incluindo pelo menos 50% de países que não a França. Fica garantida portanto diversidade, qualidade e rigor.


 

O Shiraz para lá da Mancha

A descendência do Blogue do Syrah também prefere e escolhe Syrah como a sua bebida preferida.
O Raul Jr. foi estudar Engenharia de Som para Inglaterra e por lá ficou até hoje. Ser apreciador de Syrah, Shiraz, como eles chamam à casta, em país que não produz Shiraz acaba por não ser um problema, pois Shiraz Commonwealth, sobretudo da Austrália, é o que por lá não falta. Mas se for Syrah português o preferido a coisa fica sim espinhosa. Em Birmingham simplesmente é impossível encontrar o nosso maravilhoso Syrah!

Claro que para quem está habituado à excelência do Syrah luso, aquele Shiraz do hemisfério sul aparece no paladar como algo estranho e fora da norma. Mas também é difícil a movimentação por entre tal quantidade de marcas e sabores diferentes, porque, tem de se dizer de novo, há muito Shiraz por lá disponível.

Então em jeito de picardia, o Raul Jr. decidiu enviar-nos por correio duas garrafas do que ele considera um dos melhor apaladados que por ali encontra, para que nós por cá e todos bem pudéssemos emitir a nossa opinião. E foi isso que fizemos, com todo o gosto.

É portanto um Shiraz da Austrália, produzido pela [yellow tail], jovem, fresco, de 2016, mesmo assim com 14% de graduação alcoólica, sem qualquer estágio prolongado, frutado, diferente mas muito agradável de se tomar em qualquer circunstância, ao qual atribuiríamos uma classificação de 16/20. Foi uma verdadeira surpresa, que muito agradecemos!

Bem, terminamos por hoje deixando no ar um pedido a todos os produtores de Syrah/Shiraz em Portugal:  que tal tentarem enviar o nosso Syrah para Inglaterra?
A descendência do Blogue do Syrah muito agradeceria!