Castelo de Arraiolos, Herdade das Mouras de Arraiolos, 100% Syrah, Alentejo, 2017

Mais uma colheita deste Syrah da Herdade das Mouras, de Arraiolos, do Alto Alentejo!
A última tinha sido apresentada em Agosto de 2016, aqui!
O consumo pode ser imediato ou durante os próximos 6 anos. A graduação alcoólica é de 13,5%. Seleccionámos as notas de prova que falam de “um Syrah de cor vermelho rubi. O paladar é encorpado e com final de boca elegante”. O enólogo de serviço é o sobejamente conhecido Jaime Quendera!

Estamos perante um Syrah novo, não muito complexo, fresco, para um tinto, e com uma relação qualidade/preço muito generosa. Gostámos muito como, aliás, já é costume com os Syrah de Quendera!

O projecto Adega das Mouras começou no ano de 2000, com a compra das terras por parte de um empresário de Lisboa, Henrique Neves dos Santos. A herdade tem na totalidade mais de 300 ha, estando uma grande parte ocupada com vinha. A herdade tem um verdadeiro mar de vinhas com mais de 226ha, sendo uma das três maiores vinhas contínuas da Europa, que ficou completa entre 2004/2005. As cepas mais velhas são de 2002, ano em que se começou a plantar a vinha que hoje lá existe. Entre 2000 e 2002 arrancou-se vinha para produção de uva de mesa que já lá existia e estudou-se o terroir específico da Adega das Mouras, de forma a preparar-se o solo para plantação de vinho e decidir-se as castas indicadas.

A Adega das Mouras de Arraiolos é um projecto empresarial privado. Localizada no município de Arraiolos, histórica Vila do Alentejo, conhecida pela sua tradição secular de fabrico de tapetes bordados à mão, com o mesmo nome da terra, a Herdade das Mouras de Arraiolos é um testemunho vivo de uma nova geração de produtores que enriquece as mais genuínas tradições. Apesar de ser uma empresa ainda pouco conhecida no mercado, inclui as referências Castelo de Arraiolos, Conde de Arraiolos, Mouras de Arraiolos, Moira’s, Monte das Parreiras, Maria da Penha, Talha Real, Vinha da Mouras, Adegas das Mouras, entre outras. A aposta vai para a venda em quantidade nas grandes superfícies, não sendo por isso de surpreender que a adega tenha sido projectada, precisamente antes da vindima deste ano, para ter uma capacidade de produção de perto de 3 milhões de litros e de armazenamento cerca de 5 milhões.

A Alma do Vinho, poema de Charles Beaudelaire, diz assim a certo passo:
“Alma do vinho assim cantava na garrafa:
Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que se abafas,
Um cântico em que só há fraternidade e luz!”
Estamos nessa e este Syrah está mais uma vez aprovado!

 

Classificação: 16/20                                                            Preço: 2,49€

Protestar com Syrah

Faits divers que se encontra por aí, e este fala de um produtor de vinho australiano que decidiu fazer o seu protesto pessoal usando umas das garrafas com Chardonnay da sua vinha.  Portanto estamos em presença de um suposto “Fuck Him” em forma de vinho, exibindo assim de forma original o seu desacordo com a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que desta forma, em bom português, para ele será uma trampa, especialmente contra a sua visão de não aceitar imigrantes e discriminar minorias.

Segundo o enólogo da casa, Nic Peterkin, da L.A.S Vino, este Chardonnay é um dos melhores vinhos que já fez, independentemente da mensagem política. O design do rótulo exibe uma composição gráfica com a efígie do actual presidente norte-americano.

Criativa também a forma como o vinho é descrito: feito de “vinhas importadas da França sob irrigação israelense, cuidadas por um tractor italiano, com uvas escolhidas por um grupo de irlandeses, alemães, estonianos e coreanos sob a supervisão de um sul africano”. A garrafa custa 55 dólares australianos e só é vendida na própria vinícola.

O que nos perguntamos é, porquê usar vinho para falar de política e seus protestos? Marketing? As vendas seguramente estão asseguradas. Quanto a Syrah, francamente não gostaríamos que fosse usado para este fim, mesmo que a causa seja justa ou devida.

HT, Tiago Cabaço Wines, 100% Syrah, Alentejo, 2017

Estamos perante a quinta colheita do HT de Tiago Cabaço, do ano de 2017, Estremoz.
A primeira safra, de 2013, foi o Syrah com que começámos esta aventura de contar a história (passado, presente e futuro), dos Syrah portugueses. Por isso temos um especial carinho por este Syrah!

Mas vamos debruçar-nos sobre o HT. Em primeiro lugar, o nome: diz-nos o próprio produtor que se trata de uma homenagem à Herdade do Trocaleite, onde passou a infância, e onde estão plantadas 6 parcelas de Syrah cujo cultivo o resultado está à vista.
Neste caso um Syrah novíssimo de 2016, com 13,5% de graduação alcoólica, de “cor rubi compacta, com taninos finos mas poderosos e com um final de boca longo e elegante.” Não poderíamos estar mais de acordo. Acrescentemos, unicamente, que tem grandes possibilidades de evoluir muito positivamente em garrafa.

De referir, e destacar, como sempre o preço, que se situa abaixo dos quatro euros, quando comprado em mercados de grande superfície ou mesmo não tão grande! É obra, tendo em conta os seus congéneres de mercado e devido à qualidade demonstrada.
Quem disse que não é possível comprar um Syrah simultaneamente poderoso e de baixo custo?

O escritor Luis Fernando Veríssimo escreveu:
“Já disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna. Isto porque é impossível transformar em palavras as qualidades ou defeitos de um vinho, ou as sensações que ele provoca, assim como é impossível, por exemplo, descrever um cheiro e um gosto. Tente descrever o sabor de uma amora. Além de amplas e vagas categorias, como “doce”, “amargo”, “ácido”, etc., não existem palavras para interpretar as impressões do paladar. Estamos condenados à imprecisão ou ao perigoso terreno das metáforas. Tudo é literatura.”

Então se tudo é literatura fiquemos por aqui e vamos continuar a beber o nosso HT, 100% Syrah, do Tiago Cabaço de 2017.

 

Classificação: 16/20                                                    Preço: 3,89€

Vinhas antigas produzem melhores vinhos?

Houve-se falar muita vezes, quando se visita um produtor, de vinhas velhas, muitas vezes com mais de 100 anos. E isso percebe-se pelas raízes e pela estrutura do tronco e cordões, cada vez mais complexos e volumosos.

Produzem estas videiras melhores frutos? As vinhas de Shiraz, plantadas durante a década de 1860 em algumas partes da Austrália, continuam a produzir frutos intensos, saborosos e equilibrados. Com um sistema de raízes expansivo e madeira substancial, estas vinhas, que se adaptaram ao ambiente por um longo tempo, são em certa medida mais resistentes à seca e condições climáticas extremas. Vinhas envelhecidas ficam mais propensas a doenças e danos, e a sobrevivência de vinhas velhas releva-se frágil, apesar dos esforços para prolongar a sua vida.

Manter velhas vinhas na produção comercial nem sempre é viável economicamente. Há um ponto em que a manutenção da videira se torna excessivamente caro. A taxa de declínio depende de muitos factores, incluindo variedade de uva, porta-enxerto, susceptibilidade à doença, práticas do vinhedo e factores ambientais. Em Bordeaux, as videiras maduras são frequentemente substituídas após 35 anos, período que é considerado por muitos como a vida comercial de uma videira e equivalente a uma geração humana.

As vinhas velhas não produzem necessariamente melhor fruta. Uma videira comparativamente jovem, porém, madura (entre 10 e 30 anos) plantada em local adequado e bem gerido, pode produzir uvas muito requintadas como testemunhado em alguns dos mais famosos terroirs por todo o mundo.

Mercado do Vinho da vila de Cascais, 2018

Foi neste último fim de semana entre 27 e 29 de Abril que aconteceu o Mercado da Vila de Cascais!

O Blogue do Syrah tinha que estar presente, dado que estiveram neste mercado oito produtores de Syrah dos trinta e quatro produtores com as melhores sugestões de vinhos para o Verão.

Eis as fotos mais significativas deste momento que fica para a história de mais uma feira do vinho em Portugal!

 

JAAP, Quinta Rosa, 100% Syrah, Algarve, 2017

Falamos aqui há pouco tempo do Syrah de 2014 deste produtor algarvio e agora vamos falar da colheita de 2017 que é a mais recente do mercado! A colheita foi de seiscentos quilos que deram origem a trezentos e vinte e cinco litros de Syrah!
Este Syrah tem uma particularidade em relação ao anterior que faz toda a diferença! É que este Syrah é um vinho feito em ânfora! Originalidade total! Trata-se do primeiro Syrah feito por este método ancestral que vem desde o tempo dos romanos e que está em processo revivalista!

Um Syrah de talha!

Apesar deste pequeno produtor algarvio já ter alguns anos de actividade, só há pouco tempo é que conseguimos chegar à fala com o seu produtor Jaap Honekamp! Trata-se de um pequeno produtor localizado em Silves, no Algarve.
Este é um pequeno produtor, com apenas 3.3hectares de vinha, em modo biológico.Em 2008 e 2009 foram plantados os 2ha iniciais, e em 2013 foram plantados mais 1.3ha. Nas tintas, existe as castas Syrah, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Aragonez, Merlot e Trincadeira. Nas brancas, apenas Chardonnay.
As primeiras colheitas saíram em 2011, mas sem certificação. “Oficialmente”, isto é, certificados, apenas desde 2012, mas com uma grande variedade de tintos. Actualmente, também têm rosé e um branco.
Os tintos reflectem o calor da região, com fruta madura, baixa acidez, encorpados. O produtor avisa: “Não esperem vinhos excepcionais, mas esperem vinhos genuínos, macios, fáceis de beber e agradáveis.” Completamente de acordo!É o caso deste Syrah de 2014 que se bebe bem sem pretensiosismo e que na boca se percebe que se trata dum vinho biológico!

Os vinhos portugueses do Algarve não são muito valorizados, no entanto, em 1998, Jaap Honekamp decidiu fechar a sua empresa de construção civil, para se dedicar à viticultura, precisamente no Algarve.
Demorou algum tempo, mas em 2011 realizou-se a primeira grande colheita de qualidade da vinha que, na altura, era de 2 hectares.
Depois de alguns imprevistos e incertezas no início, em 2012 conseguiram registar os vinhos oficialmente na CVA (Comissão Vitivinícola do Algarve).
Desde então, Jaap e a parceira Renee produzem Vinho Regional do Algarve.
Desde sempre quiseram e decidiram produzir vinho biológico.
Assim, temos a vinha sem produtos químicos e vinhos sem adições, produzidos de forma tradicional e fermentados pelas leveduras naturalmente existentes na película da uva.
A adega, onde o vinho é produzido e amadurece, tem uma área de 220 m2.
A prensa de madeira deu lugar a uma de aço e onde existia tanques pequenos,agora existem tanques em aço de até 1500 litros.
Na Quinta Rosa segue-se e respeita-se o ritmo da natureza.
Cada ano é uma nova aventura, pois quase diariamente tem que se reagir consoante os planos da natureza.
Logicamente, a colheita é a coroação de todo o trabalho na terra, mas é a natureza quem determina o momento certo!
A temperatura e as demais condições climatéricas têm um papel primordial.
Normalmente e a maior parte das vezes, a colheita faz-se em Agosto.

O provérbio popular diz que:
“Azeite de riba, mel do fundo, vinho do meio.”
O Syrah Jaap tinto de ânfora pode bem ser este vinho do meio!

 

Classificação: 16/20                                             Preço: 7,95€