Quinta de Ventozelo, 100% Syrah, Douro, 2016

Segunda colheita deste Syrah da Quinta de Ventozelo, do Douro, com data de 2016.
Chegámos a anunciar que a data seria a de 2015. Eram as indicações que tínhamos. Acabou por sair em 2016!

Muito fresco, muita fruta, bastante jovem, e mesmo assim tem 14,5% de graduação alcoólica, uma pequena diferença em relação à colheita anterior, que tinha 15%.
Trata-se de um Syrah sem madeira. Falta saber se irá também aparecer no próximo ano o Syrah feito com madeira, como aconteceu o ano passado!

A Quinta de Ventozelo possui uma equipa de enologia de que é Diretor José Manuel Sousa Soares, e é uma das duas maiores da região. São 400 hectares, 200 dos quais ocupados por vinha (estão a ser replantados 40 hectares, nos quais as castas estrangeiras como o Merlot e o Cabernet Sauvignon vão ser substituídas por castas portuguesas), aos quais se junta o olival e uma área grande de caça. Segundo Jorge Dias, director-geral do Grupo Gran Cruz, a quinta existe desde o século XVI, mas que escavações arqueológicas revelaram vestígios de uma aldeia conhecida como Ventozelo desde o século XII. A plantação da vinha, essa, terá começado mais tarde, pelo século XVIII. O desenvolvimento e exportação dos vinhos do Douro, e em particular os da Quinta do Ventozelo, é uma das grandes prioridades do grupo Gran Cruz para o próximo ano. Embora se trate ainda de um nicho o objectivo é fazer 200 mil garrafas de vinho do Douro contra 25 milhões de vinho do Porto. Foi assim criada uma marca premium, permitindo igualmente aprovisionar uvas para as outras marcas do grupo, a Porto Cruz e a Dalva. Com a marca Ventozelo acabam de chegar ao mercado o Ventozelo Douro Viosinho 2014, o Branco de Ventozelo Douro 2014 e o nosso Ventozelo Syrah Regional Duriense Unoaked 2014.

Para perceber qual a estratégia do grupo, é preciso recuar no tempo e contar um pouco da sua história. A Cruz é a maior marca internacional de Porto e exporta anualmente 10 milhões de garrafas para todo o mundo. É uma marca que foi quase construída fora do país, sobretudo com a histórica campanha em França em que uma mulher de negro é fotografada em várias paisagens de Portugal, acompanhada pela frase “O país onde o negro é cor”. A Gran Cruz é uma empresa familiar que se desenvolveu sobretudo no pós-guerra, que ocupa este cargo desde 2009. Inicialmente a Gran Cruz comprava vinho a granel em Gaia para o engarrafar em Paris. Mas em 1975 a família decide investir em Portugal para começar a fazer o aprovisionamento na origem, antecipando-se em 15 anos à decisão do Estado português de proibir a exportação a granel. A partir de 1982, começam a engarrafar exclusivamente em Gaia. Em 2007, o grupo comprou a empresa C. da Silva, proprietária da marca Dalva, tornando-se dona de um valioso stock de barricas de vinho do Porto, entre as quais vários Colheitas. Surgiu depois o enorme investimento, de 16 milhões de euros, numa moderníssima adega em Alijó, inaugurada no ano passado, e a abertura do Espaço Porto Cruz, na marginal de Vila Nova de Gaia.

Segundo a LASVIN – Liga dos Amigos da Saúde, Vinho e Nutrição – o vinho é
“elemento indissociável da Cultura, Saúde e Economia Portuguesa.”
Em conclusão, este Syrah, com uma capacidade clara de evolução, faz justiça ao número reduzido a que pertence: o grupo dos grandes Syrah do Douro!

 

Classificação: 16/20                                                            Preço: 6,95€


 

Cultivar Rosas junto às Vinhas

É verdade, com muita frequência nas nossas deambulações por entre as vinhas da nossa alegria, encontramos aglomerados de rosas, que se outras razões não houvesse dão logo uma outra dimensão estética ao local, embelezando o que já é lindo. Em várias zonas rosas brancas delimitam os Brancos, rosas vermelhas os Tintos.

Um dos motivos verdadeiramente importantes tem a ver com a identificação precoce de pragas nas vinhas, ou seja, roseiras e vinhas são susceptíveis de contrair as mesmas doenças causadas por diversos micro-organismos. Só que as rosas são as primeiras a manifestar o sintoma das doenças anunciadas. Logo aqui o seu papel é fundamental.

Portanto, identificada a ameaça, imediatamente são aplicados os tratamentos curativos, e os preventivos também, impedindo assim a propagação generalizada da enfermidade. No caso de produtores de Syrah biológico, todas as alternativas são igualmente viáveis, sempre com o recurso a métodos naturais. Entre as pragas mais difundidas e perigosas estão o Oídio e o Míldio, já que qualquer uma delas pode simplesmente arrasar um ano de trabalho. As nossa bonitas rosas contribuem também para afastar as aves que adoram uvas daquelas doces e madurinhas.

Então as nossas rosas além serem a flor dos amantes são também uma grande ajuda para quem ama vinhas sadias e Syrah bem saudável!


 

A elegância de agitar o Syrah na taça!

Quando se começa na sofisticada arte de apreciar um bom Syrah, como são todos, uma das primeiras indicações de um Mestre é: agite o copo sem derramar uma gota de líquido. O que desde logo não é fácil, e ao princípio o desastre é quase certo!

Este acto de delicadeza para com o Syrah, logo em início de degustação, já se tornou um clássico.

Mas nada disto é supérfluo e é muito importante função em todo o processo, tornando tudo uma experiência sensorial intensa. Quando se abre uma garrafa de Syrah, o néctar que lá habita em clausura e meditação, é libertado para a vida, passando a um estado de interacção com o oxigénio do meio ambiente. Esta oxigenação progressiva vai provocando modificações no conteúdo da garrafa. Dá-se como que uma decomposição do Syrah. Na realidade começam a ser libertados aqueles afrodisíacos aromas e texturas que tanto apreciamos depois no paladar. O resultado final seria a ruína do liquido. Claro que muito antes disso já a garrafa estará vazia! Portanto esta oxidação, que habitualmente acontece num Decantador, permite-nos absorver o aroma requintado libertado pelo líquido.

Agora quanto ao agitar a taça, tema que nos tem aqui hoje, o que acontece nesse acto é abrir mais rapidamente o caminho para o oxigénio fazer o seu trabalho, entrando assim no reino dos fénois e suas propriedades expressivas. O álcool vai-se evaporando directamente para o nosso apurado nariz, identificando todas a subtilezas que dão início às notas de prova.

Não consegue tal forma requintada de agitar a sua taça, não se preocupe, a prática traz a perfeição. O que interessa é a essência do acto, o ritual ancestral, aquela maneira tão próprio de trazer à vida a magia do precioso Syrah!


 

Um fim de tarde passado na garrafeira Algés com Sabores, e o Syrah Dona Dorinda

É sempre agradável passar um final de tarde na companhia de bons amigos, degustando Syrah e então se for Syrah topo de gama, como é o caso, ainda melhor!

aqui, aqui e aqui apresentámos os vinhos orgânicos Dona Dorinda, de Évora. Que mais há para dizer além disto: são vinhos superlativos e ainda por cima totalmente produzidos segundo certificação biológica, ou seja, só o que a terra dá.
E aquela terra dá Syrah extraordinário!

A garrafeira Algés com Sabores é dirigida pelo sabedor Jorge Antunes que, apesar de se tratar de uma pequena garrafeira, só tem coisas boas e o número de Syrahs tem vindo a aumentar, o que só nos pode deixar para lá de contentes.

E agora a novidade mais importante: o enólogo Vítor Conceição confidenciou-nos que em Setembro irá sair o Dona Dorinda 2015!
Na altura falaremos em pormenor desse Syrah.
As expectativas aqui no Blogue do Syrah são enormes.
Sabemos que não vamos ficar defraudados!

Segue-se a reportagem fotográfica:

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Senses, Adega Cooperativa de Borba, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Já há algum tempo que não falávamos deste Syrah de Borba!
É do ano de 2014 e saiu há muito pouco tempo. Senses Syrah de seu nome e feito pela respectiva Adega Cooperativa.

As notas de prova deste Syrah dizem-nos o seguinte: “Aspecto límpido, cor granada com profundidade. Boa intensidade aromática, evidenciando frutos pretos, bolo inglês e chocolate. Sabor macio, com acídulo a bombom de ginja, taninos encorpados com ligeira tosta e grande untuosidade no longo final de boca.“ A graduação alcoólica é de 14%.

A área vitícola da Adega de Borba são 2.200 ha, dos quais, 70% são castas tintas e 30% castas brancas, com um aumento nos últimos anos da introdução de novas castas de qualidade: Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Tinta Caiada / Arinto, Antão Vaz, Roupeiro e a nossa Syrah. Fundada em 1955, a Adega de Borba foi a primeira de uma série de Adegas constituídas no Alentejo, com o incentivo da então Junta Nacional do Vinho, numa altura em que o sector não tinha o protagonismo que hoje tem na economia regional. De facto, não fosse esse empurrão decisivo dado pelo referido organismo estatal, que assim permitiu uma organização comercial e de transformação para os vinhos do Alentejo, a cultura da vinha teria desaparecido completamente da região, pois todos os incentivos da época estavam virados para a cultura dos cereais, e fazer do Alentejo o celeiro do País era uma política mais que consolidada para a época.

Hoje a Adega de Borba reúne 300 viticultores associados que cultivam cerca de 2.000 hectares de vinha, distribuindo por 70% castas tintas e 30% de castas brancas.
E tem vindo a crescer e a modernizar-se constantemente ao longo de mais de 5 décadas, ocupando 2 áreas distintas, a original de 12.000 m2 e a mais recente com 140.000 m2 onde está localizada a nova Adega.

Em 2011 foi feito um investimento de 12 milhões de Euros na construção de um novo centro de vinificação para vinhos tintos e armazenagem de granel, e armazenagem e expedição de produto acabado, depois de em 2004 já se ter investido num processo de modernização que ascendeu a 8 milhões de Euros. A capacidade de vinificação ascende assim a 1.200 Toneladas/ dia de uva, com uma capacidade total de fermentação de 6.000 Toneladas. Em termos de armazenagem de vinhos a granel, a capacidade da Adega de Borba é neste momento de 350.000 hl. Com o novo armazém de produto acabado e expedição a capacidade de armazenagem ascende a 7.000 paletes.

A Adega de Borba possui 3 linhas de engarrafamento, instaladas em ambiente de sala limpa com controlo ambiental, completamente automatizadas e com capacidades e características muito amplas que permitem dar resposta às solicitações dos diferentes mercados em termos de qualidade e diversidade de produtos.

Segundo o provérbio romano “Laudato vino non opus est hedera” ou seja, o bom vinho escusa pregão. Partimos deixando o convite à descoberta de mais este syrah de qualidade, assim como da sua região de origem, sempre um deleite!

 

Classificação: 16/20                                                           Preço: 7,49€


 

Quantas uvas são necessárias para produzir uma garrafa de Syrah?

Syrah/Shiraz é uma bebida adorada e conhecida em todo o mundo, gerando curiosidade em termos de números e estatísticas.

Eis algumas que encontrámos por aí:

  • Quantos bagos de uva são necessárias para produzir uma garrafa de Syrah? 300 uvas, mais ou menos, pois a quantidade poderá varia segundo o tamanho das uvas e da sua maturidade.
  • Quatro cachos de uvas dão origem a uma garrafa de vinho de 750ml, cada cacho tem aproximadamente 75 uvas, sendo que 1 cacho dá origem a aproximadamente 1 copo.
  • Cada videira poderá dar até 40 cachos, sendo assim uma videira poderá produzir até 10 garrafas de Syrah.
  • Concluindo, são necessários mais ou menos 1.200 cachos de uvas para encher um barril de Syrah.
  • A uva é pois a fruta mais cultivada em todo o mundo e existem cerca de 20 milhões de hectares de uvas plantadas no planeta.
  • 1 hectare pode produzir 5 toneladas de uvas.
  • Cinco toneladas de uvas são suficientes para encher 332 caixas de Syrah.
  • Só ao fim de 4 anos é que uma videira nova começa a produzir Syrah, existindo no total cerca de 10 mil variedades de uvas viníferas cultivadas em todo o mundo.

Este é o maravilhoso mundo do Syrah, e do vinho, estimulo para a alma e sentidos, assim como a curiosidade que desta forma ficou um pouco mais satisfeita!