Tag Archives: lisboa

Visita à grande mostra de Syrah em Portugal, Lisboa, 31 de Outubro 2015!

IMG_5202

Mais uma vez este ano o Blogue do Syrah  esteve de armas e bagagens na grande Feira de Syrah em Portugal.

Memorável, como não podia deixar de ser. Organização impecável, entusiasmo, simpatia, disponibilidade por parte dos expositores, possibilidade de contactar em directo quem faz esta bebida com alma e coração!

Gostámos muito.

Ficam as imagens mais significativas, ligadas a momentos especiais e a algumas novidades que vão alegrar imensamente os nossos próximos meses.

Acompanhem-nos!

IMG_5188
Começamos pelo império que é a DFJ Vinhos, caso do enorme Shiraz Grand’Arte, assim mesmo, com a grafia tradicional, e como é conhecido em países para onde a DFJ exporta, Austrália, por exemplo, daí a opção em o denominar de tal forma, que muito apreciamos.
Os nossos sempre amigos do Solar de Lobos, com aquele design de rótulo que nos encanta, assim como o conteúdo, obviamente!
Os nossos sempre amigos do Solar de Lobos, com aquele design de rótulo que nos encanta, assim como o conteúdo, obviamente!
IMG_5211
A descendência de uma das metades do Blogue do Syrah, em boa companhia, o nosso amigo Christopher Price servindo com regozijo a nova safra Cortém…!
Quinta da Romaneira, Syrah em terras do Douro majestoso!
Quinta da Romaneira, Syrah em terras do Douro majestoso… irresistível!
Vila Santa, bebida abençoada!
Vila Santa, bebida santificada!
IMG_5239
O memorável encontro da tarde, António Saramago, o grande mestre do Syrah, em conversa simples mas erudita com o Blogue do Syrah, argumentação apaixonada de ambas as partes… e que não vamos esquecer!

Eis-nos perante a grande notícia, Algarve, Quinta da Tôr, que vai lançar um Syrah com graduação alcoólica de 17%!!!
Eis-nos perante a grande notícia, Algarve, Quinta da Tôr, que vai lançar um Syrah com graduação alcoólica de 17%… a espera vai ser difícil!!!
Mesmo em grande, provando finalmente pela primeira vez o Mil Réis... palavras para quê?...
Mesmo em grande, provando finalmente pela primeira vez o Mil Réis… palavras para quê?…
Um novo Syrah descoberto em primeiríssima mão, Labrujeira, Lisboa, Reserva Velharia, não podíamos estar mais felizes!
Um novo Syrah descoberto em primeiríssima mão, Labrugeira, Lisboa, Reserva Velharia, não podíamos estar mais felizes… venha ele!
IMG_5280
Novamente entre amigos, a Quinta da Caldeirinha, biológico, superlativo como sempre!
Lagoalva de Cima, Alpiarça, aqui a tentar o averiguar de uma das nossas demandas: saber qual foi o primeiro Syrah a surgir em Portugal. A resposta anda por ali perto... para breve o desvendar da incógnita!
Lagoalva de Cima, Alpiarça, aqui a tentar o averiguar de uma das nossas demandas: saber qual foi o primeiro Syrah a surgir em Portugal. A resposta anda por ali perto… para breve o desvendar da incógnita!
Rui Reguinda, mais um mestre da arte de fazer Syrah, com mais uma feliz novidade degustada em primeira mão: Pedra Basta, 2014!
Rui Reguinda, mais um mestre da arte de fazer Syrah, com mais uma feliz novidade degustada em primeira mão: Pedra Basta, 2014!

Assim nos fomos, de boca cheia e coração pleno de espírito, até ao próximo ano!


 

 

Lybra Rosé, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2014

lybra_rose_garrafa

Para terminarmos as nossas andanças prazerosas pelo Monte d’Oiro, vamos falar com mais detalhe sobre uma preciosidade única em Portugal, um Rosé feito com Syrah, neste caso o Lybra Rosé, que tivemos oportunidade de provar com todo o deleite por ocasião da memorável visita à Quinta, no dia 1 de Setembro de 2015, onde fomos recebidos com toda a amabilidade e disponibilidade por Francisco Bento dos Santos, que é actualmente quem gere os destinos do lugar, sucedendo a seu pai, José Bento dos Santos, o fundador, que ainda participa activamente nas decisões mais importantes.

Interessa perceber primeiro, embora de forma breve, como se obtém um Rosé. Inicialmente o processo é igual ao Tinto, desengaçar e esmagar, embora venha um choque térmico a temperatura mais reduzida, facilitando o processo de clarificação, havendo sempre o cuidado de que a pressão utilizada não conduza à extracção  de demasiada cor das películas. Em seguida interessa clarificar o mosto, removendo a maior parte dos sólidos em suspensão, sendo a técnica mais utilizada a decantação estática a baixa temperatura durante um a dois dias.  A fermentação é por fim um compromisso entre entre escolher temperaturas mais baixas, havendo lugar a maior frescura no produto final, ou mais altas, perdendo-se os aromas frutados.

parcelas_syrah

Este Lybra especial nasceu de uma parcela especifica, tratada e conduzida para o produzir em forma Rosé, como já explicado, através de vindima manual e escolha cuidadosa, seguida de esmagamento com prensagem directa. Tem 12,5% de graduação alcoólica. Foi com enorme prazer que o degustamos, lentamente, apreciando a frescura natural vinda de uma cor pálida e aroma delicado, ligeiro e floral, com algo de especiarias ténues. O delicadeza da fruta estava presente estendendo-se para final mais longo que o normal. É Syrah em forma ligeira e refrescante, gostámos muito, sobretudo da sua pureza, além de que é produzido segundo a filosofia biológica com gestão parcelar. Chega-se mesmo a falar de um tema, conceito muito original, citando directamente a Balança como signo de harmonia e de vindimas, equilíbrio harmoniosa entre casta, fruta e terroir, um Syrah que se interpenetra com a alegria da sua juventude na culinária do dia-a-dia… não devia ser assim sempre?

A metade vegan do Blogue do Syrah é de opinião que este é o Syrah perfeito para acompanhar um refeição vegetal em toda a sua plenitude! A classificação atribuída é fundada na comparação com outros Rosé que conhecemos, independentemente das castas presentes, mas claro, sendo este claramente o nosso favorito!

IMG_4336

A nossa já citada visita ao Monte d’Oiro, permitiu ver local e directamente como tudo isto se processa, sobretudo a paixão e saber cuidadoso como se entende o acto de fazer Syrah em toda a sua extensão, segundo princípios muito rigorosos, cheios de sabedoria a arte de bem fazer, que evoluiu de uma ideia precisa de introduzir em Portugal um estilo europeu de alta qualidade, adaptando esses princípios às qualidades e mensagens do terroir existente. E a ideia de terroir, com toda a sua especificidade e diversidade, mesmo entre parcelas próximas, como tivemos oportunidade de verificar no local, foi o principio base para a força do Syrah aqui produzido. Fomos testemunhas, já que pudemos assistir ao momento de vindima em directo, do cuidado inscrito nessa etapa tão importante, vindima manual, transporte em caixa individuais de 15 kg, escolha criteriosa de todos os cachos antes de seguirem para a prensa.

IMG_4333

A percurso entranhado e apaixonante pelas diversas parcelas da vinha, com a emoção de ver ao vivo de onde nasce o nosso tão querido Syrah 24, por exemplo, foi um dos momentos altos desse significativo deambular por entre aquelas uvas cheias de vida. Foi-nos explicado o tratamento da vinha, sempre sem recorrer a químicos, sempre optando pela qualidade em vez de quantidade. As podas são severas ao seu tempo, e as mondas igualmente significativas, dando lugar a rendimentos baixos por hectare.

IMG_4364

No final da nossa visita ao Monte d’Oiro, fomos agraciados por uma prova de vários Syrah da Quinta, todos de altivo porte, para nosso enorme prazer, entre eles o Lybra Rosé, onde pudemos confirmar os seus dotes finos e apurados de frescura incomparável.

IMG_4442

Eis pois que com esta fraterna imagem de convívio amigável nos despedimos emocionados do abençoado Monte d’Oiro, citando Alexandre Dumas:

“O Syrah é a parte intelectual de uma refeição, os legumes e o que mais houver na mesa são apenas a parte material”

 

Classificação: 18/20                                                      Preço: 12,00€

lybra_rose_ft


 

Quinta do Monte d´Oiro: lugar abençoado pelo Syrah – Parte II

lybra_garrafa nora_garrafa carcageiro_garrafa

Continuando hoje a falar de uma quinta abençoada, vamos seguir com o respectivo Syrah gama de entrada, o Lybra, com uma graduação alcoólica de 13,5%, e do qual são produzidas em média 15 a 20 mil garrafas por safra. O estágio é de 10 a 12 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova escolhidas dizem que se trata de um Syrah “Cor rubi intensa e nariz marcado pelos aromas de frutos pretos e do bosque, bem como delicadas notas de especiarias e alguma madeira, na boca é um vinho equilibrado, de taninos polidos e um volume e estrutura de expressão média, conta com um paladar frutado e especiado, além de ligeiramente vegetal, terminando com um final de boca de comprimento e persistência medianos.”

Temos também o Lybra Rosé de que falamos em texto próprio e que é o único Rosé português feito exclusivamente da casta Syrah.

A Quinta do Monte d`Oiro também produziu o Syrah Vinha da Nora, que é o antepassado do Lybra. A primeira replantação de Syrah na Quinta teve lugar numa parcela com 2,75 hectares de meia encosta virada a sul e de conhecidas potencialidades, denominada “Vinha da Nora”, vinha esta que foi plantada no início de 1992 e, durante 5 anos, tomou-se a decisão de não produzir quaisquer quantidades por forma a favorecer apenas o desenvolvimento vegetativo da planta. Tal prática permitiu um estabelecimento perfeito da vinha e originou uma primeira colheita em 1997. As notas de prova dizem que este Syrah tem “aromas balsâmicos, com notas de fruta madura e em calda mas que não perturbam a grande frescura de conjunto. Cremoso na boca, macio e com um toque mineral. Conjunto focado em especiarias finas, suave e de final longo.” Este Syrah foi descontinuado em 2005 e como já foi dito deu origem ao Lybra que surgiu pela primeira vez em 2006.

IMG_4330

A Quinta também produziu, somente por duas safras, em 1999 e em 2001, um outro Syrah, o Homenagem a António Carqueijeiro, com um total de 18 meses repartidos por duplo estágio -200%- em barricas novas de carvalho Allier da tanoaria Seguin Moreau, grão fino e meia tosta/1 ano de estágio em garrafa. As notas de prova que escolhemos dizem que este Syrah hoje esgotado é “Concentrado nas suas componentes visual, aromática e de paladar, é um tinto raro e precioso, com um perfil exótico. É carnudo, sensual, esbelto e vigoroso de corpo, sedutor, fino, harmonioso, com um final intenso, longo, persistente”. Com mais uma qualidade: pode ser bebido desde já, mas tem características que lhe auguram uma favorável evolução em garrafa pelo menos durante os próximos 10 anos. Este Syrah de eleição, surgiu para homenagear António Mário Carqueijeiro, ilustre advogado, enófilo de fina sensibilidade e grande impulsionador do projecto vitivinícola da Quinta do Monte d’Oiro, criando assim José Bento dos Santos um vinho único, extremamente concentrado e elaborado a partir das castas Syrah (94%) e Viognier (6%), tal como os grandes crus da região da Côte Rotie em França. A Quinta do Monte d’Oiro, com este Syrah “Homenagem a António Carqueijeiro”, venceu um concurso ibérico que envolveu os melhores e mais famosos vinhos de Portugal e Espanha. Este “duelo ibérico” foi organizado pela prestigiada revista espanhola Sibaritas, infelizmente já desaparecida, em colaboração com a portuguesa Revista de Vinhos, que seleccionaram os quinze melhores vinhos de cada país. Desta forma, os 30 melhores vinhos da Península foram sujeitos a duas provas cegas (onde os provadores não conhecem a identidade dos vinhos), uma em Portugal com uma elite de provadores portugueses e outra em Madrid com os melhores provadores espanhóis. O “QUINTA DO MONTE D’OIRO 1999, Homenagem a António Carqueijeiro” foi o primeiro classificado em ambas as provas, sagrando-se, assim, vencedor deste grande embate Portugal-Espanha. Foi verdadeiramente algo de notável. Quem sabe um dia surge uma nova safra!

IMG_4386

Também poderíamos mencionar aqui um Syrah a 100% feito para os restaurantes 100 Maneiras  intitulado Quem Syrah? De 2012, cujo chef Ljubomir Stanisic meio jugoslavo meio português e que teve participação na escolha dos lotes de Syrah que fazem parte deste vinho. É que os Syrah de lote na Quinta do Monte d`Oiro só se fazem no engarrafamento. E também não podemos esquecer o blend de 2010 chamado Ex-Aequo com 75% de Syrah e 25% de Touriga Nacional feito a meias entre o José Bento dos Santos e o produtor Michel Chapoutier.

Ou seja, o que vemos aqui de uma maneira única e exemplar é uma quinta de 20 hectares mas que faz uma gestão parcelar num conjunto total de 10 parcelas que possuem características muito particulares e diferenciadas em termos de solo. A própria vindima é feita parcela a parcela. Ora, se temos 10 parcelas e se os vários Syrah que existiram e existem da Quinta do Monte d`Oiro são de uma ou mais parcelas da quinta, lançamos uma questão: qual será, em termos teóricos, o número possível de combinações de modo a termos Syrah sempre diferentes? O Blogue do Syrah pediu a ajuda a um colega de matemática que rapidamente deu a resposta: 1023 possibilidades de combinações entre as 10 parcelas de Syrah que a  Quinta do Monte d`Oiro possui. A família Bento dos Santos pode continuar a fazer Syrah sempre diferentes e sempre de qualidade.

Uma referência ainda à prova vertical com que fomos brindados por Francisco Bento dos Santos, aquando da nossa visita à sua Quinta. Provou-se Syrah Rosé, Syrah 24, Reserva de vários anos, mas o que nos espantou pela positiva foi o Lybra de anos mais recuados. Mostrou-se com uma capacidade de evolução que não teríamos conseguido imaginar. Foi uma prova de Syrah verdadeiramente memorável, que como tal vai perdurar nos diversos compartimentos da memória, para todo o sempre!.

IMG_4440

Eis pois, para quem quiser tentar ainda uma demanda arqueológica por Syrah esquecido no tempo em alguma cave recôndita por aí, a lista cronológica patrimonial deste nosso lugar abençoado:

VINHA DA NORA
1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2005

LYBRA
2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012

LYBRA Rosé
2011, 2012, 2013, 2014

RESERVA
1997, 1999, 2000, 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011

HOMENAGEM A ANTÓNIO CARQUEIJEIRO
1999, 2001

SYRAH 24
2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012

Terminamos com mais um pensamento da nossa lavra:
“Não podes comprar a felicidade, mas podes comprar Syrah, porque é quase a mesma coisa…”

 

Lybra, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2011
Classificação: 16/20                                                     Preço: 8,99€

lybra_ft

Vinha da Nora, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2005
Classificação: 17/20                                                     Preço: 15,00€

nora_ft

 

Homenagem a António Carqueijeiro, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2001
Classificação: 18/20                                                     Preço: 76,00€

cacageiro_ft


 

 

Quinta do Monte d´Oiro: lugar abençoado pelo Syrah – Parte I

reserva_garrafasyrah24_garrafa

Os últimos serão os primeiros? Pode ser, eventualmente, porque chegou a altura de falar de uma quinta na região de Alenquer, com a dita de ter sido abençoada pelo nascimento não apenas de um Syrah, mas de vários Syrah, todos de excelência! Apesar de não ter só Syrah, é esta casta que ocupa a maior área da quinta e produz os vinhos de maior impacto dentro e fora do país.

aqui falamos do homem que começou e deu corpo ao projecto da Quinta do Monte d´Oiro e nomeámos os Syrah que produziu ao longo dos últimos 18 anos, apresentando-se como um dos iniciadores da casta Syrah em Portugal. Na região vitivinícola de Lisboa, anteriormente chamada de Estremadura, não há dúvidas de que José Bento dos Santos foi o introdutor do Syrah. Hoje em dia, apesar da sua presença ainda ser fundamental nas decisões mais importantes, é o seu filho Francisco Bento dos Santos que tem a responsabilidade de liderar a equipa que resolve os problemas do dia a dia que a quinta apresenta, estando presente em muitas das feiras em diversos momentos de divulgação dos vinhos da quinta. É ele que actualmente dá a cara pela quinta.

IMG_4417

Localizada na região de Lisboa, a Quinta do Monte d’Oiro é uma referência, desde o séc. XVII, na produção de vinhos notáveis. Foi adquirida em 1986 pelo mestre gastronómico José Bento dos Santos, que replantou as melhores parcelas – após vários anos de estudos sobre as condições edafo-climáticas – com as castas que melhor se adaptaram aos seus desígnios de elaborar vinhos de qualidade superior, ao estilo europeu (“Velho Mundo”), que ao mesmo tempo fossem vinhos de requintado sentido gastronómico, com um perfil eminentemente talhado para acompanhar em perfeita harmonia pratos de uma genuína cozinha regional, clássica ou alta cozinha. Após os primeiros anos de consolidação, a Quinta do Monte d’Oiro entrou numa nova fase da sua história a partir da colheita de 2006, lançando para o mercado uma nova imagem e vinhos provenientes de uma conversão para a agricultura biológica sem recurso a herbicidas. O rigor é o lema da Quinta do Monte d’Oiro, desde o trabalho na vinha, passando pelos processos de vinificação e terminando na escolha das barricas de carvalho francês das melhores tanoarias, a cargo da enóloga Graça Gonçalves com o apoio técnico de Grégory Viennois, antigo enólogo-chefe da Casa M. Chapoutier e actualmente à frente da direcção técnica dos vinhos Laroche. Os prémios nacionais e internacionais sucedem-se.

IMG_4399

Dos 42 hectares da propriedade, apenas 20 hectares foram replantados com as castas Syrah, Viognier e Petit Verdot, importadas directamente das suas regiões originais em França, e com as castas portuguesas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Arinto.

Existe a preocupação de produzir uvas com rendimentos muito baixos, incrementando a qualidade enológica que se pretende dos vinhos. A partir da colheita de 2006 passaram a existir duas famílias de vinhos: os vinhos de “terroir” e os vinhos de “cépage“, com a assinatura José Bento dos Santos.

IMG_4403

Assim, para além de ter sido privilegiado o desenvolvimento vegetativo das videiras, o tratamento da vinha é muito exigente e praticam-se rendimentos de produção por hectare muito baixos através de podas severas e mondas de cachos significativas, sempre em modo de produção biológica. A vindima é feita à mão, como testemunhámos na visita que fizemos à quinta, para caixas de 15 kg, por forma às uvas chegarem intactas à adega. A vinificação, que decorre separadamente por casta e por parcela, é extremamente cuidada, com controlo rigoroso e individual da temperatura dos mostos. Utilizam-se ainda barricas novas e seleccionadas de carvalho francês em estágios prolongados de 12 a 24 meses. Este “savoir faire” garante um resultado que se tem vindo a revelar, ao longo dos anos, superlativo e consistente. De facto, colheita após colheita, os diversos vinhos da Quinta do Monte d’Oiro recebem o apoio unânime da crítica e do público em Portugal e no estrangeiro, estando presentes em importantes mercados internacionais tais como Holanda, França, Suíça, Reino Unido, Finlândia, República Checa, E.U.A., Brasil, Angola e China e nas Cartas de Vinhos de alguns dos mais famosos restaurantes europeus e americanos.

IMG_4370

Falemos então dos Syrah que esta quinta tem produzido desde 1997.Comecemos por dizer que a frase mais apelativa e forte que o Francisco Bento dos Santos utilizou na visita que o Blogue do Syrah fez à Quinta do Monte d’Oiro foi: “Somos especialistas em Syrah” e isso para nós toca-nos de modo muito especial. Apetece responder com uma frase da nossa lavra:
“O Syrah dá-te a possibilidade de perder a inocência, sem perder a virgindade.”
A opção Syrah em toda a sua pujança que levou a esta especialização deve-se à paixão do fundador José Bento dos Santos pelos grande vinhos do Rhône, onde a nossa casta é soberana, igualmente pelas características do “terroir”, que se veio a revelar ideal sendo uma aposta ganha, e depois toda a aprendizagem e experiência que se foi desenvolvendo e acumulando ao longo dos anos.

Temos em primeiro lugar o Reserva, que existe desde 1997, (o Blogue do Syrah teve um exemplar desse ano nas mãos, durante a já referida e memorável visita) que é para a Quinta o Syrah que não pode deixar de ser produzido. Tem 4% de Viognier (em co-fermentação) e é o Syrah mais parecido com os Syrah franceses do Vale do Rhône, considerada a referência a nível mundial.
Olhar para esta garrafa é sentir o tempo apurado em eflúvios ancestrais!

IMG_4435

A tiragem corrente tem 14% de graduação alcoólica e produzem-se em média 24 mil garrafas. É o seu Syrah de marca! As notas de prova que escolhemos dizem que é um vinho de “Rubi concentrado, negro. Aroma frutado com predominância para as ameixas pretas bem maduras e frutos do bosque, ligeiras notas tostadas e de especiarias finas. Elegante na boca, revela um conjunto equilibrado entre a fruta e a madeira bem integrada, taninos aveludados, acidez correcta, final muito prolongado e distinto.” Teve um estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês, das quais 40% eram novas.

IMG_4421

De seguida temos o Syrah 24, o nosso preferido!
Apenas se produzem 900 garrafas por safra, e com 14% de graduação alcoólica, mais um vez referida à safra actual. A designação 24 provém do facto das uvas terem origem numa parcela de vinha com esse número. Complexo, com notas de frutos pretos e sugestões de compota, chocolate, especiarias e uma sugestiva e discreta presença de barrica de alta qualidade. Um vinho muito atraente, moderno, com belíssimos taninos, acetinado na boca. Este vinho foi elaborado a partir de uma seleção massal de Syrah, plantada na parcela 24 de somente 2 hectares e proveniente de vinhas velhas (com mais de 60 anos) da região francesa de Hermitage. A grande variabilidade genética nesta parcela, origina, assim, um vinho de extrema complexidade. “Estamos perante uma vinha perfeita de Syrah”, afirma Grégory Viennois, o experiente enólogo francês que acompanha a vitivinicultura da Quinta do Monte d’Oiro. Tem sido desde o seu lançamento alvo de integralmente merecidas pontuações bastante elevadas pelos maiores especialistas.
O nosso  SYRAH 24, produzido por José Bento dos Santos na Quinta do Monte d’Oiro, já recebeu por três vezes (2007, 2009 e 2011) a classificação de 93 pontos pela prestigiada Wine Advocate, de Robert Parker (o mais famoso crítico de vinhos do mundo), o que o coloca entre o grupo de vinhos portugueses a que Parker atribuiu uma pontuação igual ou superior a 93.
É um feito notável!

Continuaremos esta saga em próximo texto, que ainda há muito para contar. Por hoje é tudo.

 

Reserva, Quinta do Monte d’Oiro, 94% Syrah, 6% Viognier, Lisboa, 2011
Classificação: 17/20                                                     Preço: 34,00€

reserva_ft

Syrah 24, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2011
Classificação: 18/20                                                    Preço: 53,00€

syrah24_ft


 

 

Pynga, Vale da Capucha, 97% Syrah, 3% Viognier, Lisboa, 2012

pynga_garrafa

Fazia já algum tempo que tínhamos conhecimento da eminente chegada deste novo Syrah, de Lisboa, produção biológica, concelho de Torres Vedras, do produtor e enólogo Pedro Marques. Foram várias as vicissitudes na obtenção deste Syrah, que agora já nada importam, interessa sim dizer que quando tal foi conseguido ficámos muito surpreendidos, pela positiva. O primeiro Syrah de Pedro Marques foi uma aposta ganha.

Agora é preciso divulgá-lo, como merece, e o Blogue do Syrah está aqui para dar a sua contribuição. Não é Syrah a cem por cento, como gostamos, mas adiante.

As notas de prova que escolhemos falam de um “vinho com caracter e personalidade vincada. As vinhas gozam de influência marítima o que confere às uvas uma frescura e equilíbrio singulares.” A graduação alcoólica é de 14 %.

Para criar este e os outros vinhos no Vale da Capucha, as videiras foram plantadas em solos calcários de origem oceânica. A expressão da influência marítima é assegurada por uma intervenção humana máxima na vinha e mínima na adega.

Vale_da_Capucha__Quinta_De_S_Jose

A Vale da Capucha, Agricultura e Turismo Rural, Lda, iniciou a sua actividade vitivinícola em 2006 na Quinta de S. José em Carvalhal, Torres Vedras.

A empresa, herdeira de gerações de produtores/armazenistas de vinho desde 1858 alterou profundamente a sua vitivinicultura em 2006, com o arranque de todas as vinhas existentes e a instalação maioritária de castas brancas portuguesas. Apenas a 10 km da faixa costeira e da influência marítima, os solos fossilíferos argilo-calcários de origem oceânica, juntamente com as pequenas amplitudes térmicas que permitem o lento amadurecimento dos brancos sem os escaldões do verão, são duas das variáveis que dão corpo a um terroir único para a produção de vinhos brancos do segmento premium. Uvas como o Alvarinho, o Gouveio, o Viosinho, o Arinto, o Fernão Pires e o Antão Vaz (primeira produção na Região) são a matéria-prima que tem produzido vinhos reconhecidos nos mercados mais exigentes do Reino-Unido, Alemanha, Suíça, Bélgica, Brasil, Polónia e brevemente o Japão, Estados Unidos, Noruega e Canadá. Nos tintos seleccionou-se a Touriga Nacional e a Tinta Roriz para produzir vinhos tintos encorpados e com boa capacidade de envelhecimento. Duas castas francesas completam as variedades de uva com que se criam os vinhos, a Viognier e naturalmente a nossa bem amada Syrah.

pynga_adega

Iniciado em 2012 o caminho da Certificação em Modo de Produção Biológico, foi a partir de 2015 que os primeiros vinhos com essa chancela no rótulo.

A vertente do enoturismo conta com a utilização da Adega original, rara representante, ainda de pé, da construção agrícola em madeira do séc. XIX. Aí, para além de provas temáticas, a gastronomia regional tem expressão nas variadas ementas produzidas para eventos, refeições a pequenos grupos e provas de vinhos.

A Quinta Pedagógica e as actividades de formação básica nas áreas de Enologia e da Ecologia, criam um interessante ambiente de proximidade entre os visitantes e a agricultura sustentável.

Para finalizar teremos que concluir como dizia Ana Luísa Calem que “Um Syrah Bom, é Sempre Bom em qualquer parte do Mundo”.
E este Pynga, como bom que é, está de se beber onde quer que seja… vamos a isso!

 

Classificação: 16/20                                                   Preço: 7,65€


 

Quinta dos Plátanos, Lisboa

 

As novidades não param!
A Quinta dos Plátanos vai lançar um 100% Syrah muito brevemente, com a data de 2013!

Falta só tratar das questões relacionadas com a rotulagem. Mas o Syrah já está feito!

A prova disso é que foi ontem degustado por nós em conjunto com um grupo de amigos e com um dos responsáveis da Quinta!

Brevemente toda a história!