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Talego, iVin – Vinhos Com Nome, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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O Talego, Syrah de Palmela, é um dos recentes Syrah a surgir no mercado vinícola português. E é dele que vamos falar hoje, com vagar, usando a informação disponível, que não é muita, apesar de existir um site bem estruturado mas ainda algo incompleto.

Patrocinado pela Ivin, Vinhos com Nome, e produzido pela Adega Cooperativa de Palmela, é bem superior ao Syrah igualmente elaborado por esta adega, e cuja análise já aqui foi feita.

Não é a primeira vez que a Ivin patrocina vinhos em parceria com diversos produtores. Já o ano passado tínhamos tido a oportunidade de provar o Severa Syrah/Touriga Nacional produzido pela Herdade das Mouras e disponibilizado pelo dinâmico Roger Duarte, o distribuidor da Ivin para a grande Lisboa. Apesar de ser um blend, logo está fora do nosso enlevo, mas assim mesmo entusiasmou devido à qualidade do Syrah envolvido, de que logo se percebeu a presença marcante. No entanto, é a primeira vez que a Ivin se junta a um produtor regional para a realização de um monocasta Syrah. E isto é importante salientar, e fazemos votos que continue, dados os bons resultados aqui alcançados!

As notas de prova dizem que é um vinho “de côr granada intenso. Aroma: Frutos silvestres maduros, compota, complexado com notas de madeira, Paladar: Sabor macio, com boa estrutura e taninos aveludados Final de Prova: Final de boca prolongado com sugestões de baunilha, café e algumas notas de chocolate.” O enólogo é Luís Silva e a graduação alcoólica é de 15%.

A Adega Cooperativa de Palmela, com 300 associados, é uma área de vinha de excepcional qualidade, com aproximadamente 1000 hectares. Produz anualmente mais de 8 milhões de litros de vinho, 75% tintos, 15% brancos, e 10% Moscatel de Setúbal. A produção é depois engarrafada em linhas automáticas com capacidade para 10 mil garrafas/hora.
É desta cooperativa que saiu o Talego Syrah.

A iVin é uma empresa de distribuição de vinhos que gosta de interagir com os diferentes intervenientes do sector de vinhos. Colabora com produtores e enólogos nacionais e internacionais de valor.

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Desde que surgiu, em 2009, a iVin especializou-se na comercialização de vinhos de qualidade reconhecida com origem em mais de cinco países, para os mais diversos pontos de venda, lojas e entrepostos, supermercados e hipermercados, hotéis e restaurantes. O seu fundador, Miguel Grijó, está ligado há mais de quinze anos ao sector de distribuição de vinhos. Uma experiência acumulada em conceituadas empresas do sector permitiu-lhe formar uma relação privilegiada com clientes e produtores. Distribuição eficiente é a chave em mercados que estão em constante evolução. Para além de tratar de todos os aspectos ligados à comercialização dos seus produtos, a iVin disponibiliza aos seus clientes serviços de apoio à gestão de marcas. É caso para dizer que a iVin tem o melhor de dois mundos, entre a distribuição e a consultoria.

A nível nacional, surgem duas abordagens: os Projectos Pessoais e os Vinhos de Quinta. Nos Projectos Pessoais, enólogos com experiência em diferentes terroirs e regiões produzem em vinhas próprias, apoiados pela empresa. Nos Vinhos de Quinta, o terroir é o principal diferenciador do seu produto. A nível internacional, a iVin disponibiliza uma amostra representativa do que melhor é feito no novo mundo. O portefólio inclui ainda vinhos de mesa, icewines, espumantes e champagnes de casas europeias.

E a propósito de o Talego ser um jovem Syrah, vem a propósito esta citação do escritor Theophile Malvezin, autor francês, contemporâneo de Montaigne, de quem escreveu uma biografia:
“O vinho é feito para ser bebido assim como a mulher é feita para ser amada. Ambos possuem a frescura da juventude ou o esplendor da maturidade, mas não espere pela decrepitude.”

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 6,20€

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Vale dos Barris, Adega Cooperativa de Palmela, 100% Syrah, Setúbal, 2011

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Estamos em Setúbal uma vez mais para conhecer o Syrah da Adega Cooperativa de Palmela, denominado Vale dos Barris.

Vamos ser claros e objectivos: durante muito tempo o Blogue do Syrah considerou este Syrah como o mais fraco Syrah feito em terras lusitanas! No entanto ganhou uma medalha de ouro no concurso internacional Syrah du Monde, onde apenas são avaliados vinhos feitos a partir da casta Syrah. É claro que podíamos avançar com várias teses para justificar esta medalha de ouro. O júri não estava nos seus melhores dias quando atribui esta medalha, ou isto é prova de que os Syrah portugueses são de facto espectaculares, pois basta ir um Syrah “fraquinho” a um concurso internacional para ganhar logo uma medalha de ouro. E outras teses se poderiam aqui apresentar. Mas isso não é o mais importante. O que é importante dizer é que apesar da qualidade de gama mais baixa, em nosso entender, deste Syrah, assim mesmo tem uma boa relação qualidade-preço. Infelizmente depois de o Blogue do Syrah considerar durante algum tempo este Syrah como o menos conseguido dos Syrah portugueses, descobrimos outros bem mais fracos que o Vale dos Barris, alguns dos quais mesmo intragáveis, que não merecem a designação de “monovarietal Syrah”. Falaremos deles a seu tempo.

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Regressando ao Barris, as notas de prova referem que “Apresenta uma cor granada intenso, um aroma a frutos silvestres maduros, compota, complexado com notas de madeira. O sabor macio, com boa estrutura e taninos aveludados, termina com um final de boca prolongado com sugestões de baunilha, café e algumas notas de chocolate.” Assim seja.

Situado em plena área metropolitana de Lisboa, o concelho de Palmela está integrado na Região de Turismo de Setúbal – Costa Azul, ficando uma parte do território concelhio inserido na Reserva Natural do Estuário do Sado e, uma outra, no Parque Natural da Arrábida.

O concelho de Palmela está situado numa zona de clima temperado, embora com influências mediterrânicas e atlânticas. As temperaturas médias oscilam entre os 11º, em Janeiro, e os 30º, em Agosto. Fundada em 1955 com a designação de Adega Cooperativa da Região do Moscatel de Setúbal, iniciou a sua actividade em 1958.

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A Adega Cooperativa de Palmela é um dos principais pólos de desenvolvimento do Concelho que é marcadamente agrícola e onde a vinha e o vinho têm por razões históricas um peso bastante grande. A principal zona vitícola situa-se na planície arenosa que constitui grande parte do Concelho de Palmela.

A Adega Cooperativa de Palmela iniciou a sua actividade com 50 associados e com uma produção que não excedia os 1,5 milhões de litros. Nos dias de hoje a produção ultrapassa os 8 milhões de litros, e a Adega dispõe de capacidade para atingir os 10 milhões , sendo 75% Vinho Tinto, 15% Vinho Branco e 10% Moscatel de Setúbal.

Tem actualmente 300 associados que possuem uma área combinada de 1000 hectares. Uma parte substancial da sua produção é engarrafada através de 5 linhas automáticas com capacidade para 10.000 garrafas/hora. A Adega Cooperativa de Palmela tem vindo ao longo dos anos a actualizar a sua tecnologia, quer de fabrico quer de engarrafamento e hoje é uma unidade certificada desde 2003.

A história deixou-nos esta máxima de um anónimo – só podia ser- que diz: “Vinho é a vingança masculina em relação ao sapato da mulher. Sempre cabe mais uma garrafa na adega!“

Essa garrafa pode bem ser ciclicamente o Syrah do Vale dos Barris, apesar de tudo!

 

Classificação: 14/20                                                  Preço: 3,84€

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Monte Alegre, Quinta do Monte Alegre, 100% Syrah, Setúbal, 2012

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De volta à península de Setúbal, mais precisamente em Fernando Pó, terra visitámos não faz muito, onde está localizada a Quinta do Monte Alegre, para darmos a conhecer um Syrah da adega Xavier Santana, detentora da Quinta do Monte Alegre. Syrah este cujas notas de prova nos dizem possuir “fruta preta densa, notas químicas de alcatrão, cacau tostado, num todo intenso e imponente. Encorpado e texturado, com acidez alta bem integrada, taninos finos bem envolvidos, tudo franco, bem feito, directo.” Syrah do ano de 2012, tem uma graduação alcoólica de 14%.

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A Adega Xavier Santana foi fundada em 1926 por Xavier Santana precisamente, empresa que permaneceu em seu nome próprio até à década de 70, quando foi constituída em Sociedade Familiar com a designação actual de XAVIER SANTANA SUCESSORES, LDA. A actividade comercial da empresa centrou-se inicialmente na produção e comercialização de vinhos em barril e na preparação de azeitonas de mesa, na sua adega localizada na vila de Palmela, até aos dias de hoje. Em 1990, a conjuntura de mercado proporcionou o investimento da empresa no engarrafamento dos vinhos como aposta na sua expansão a vários níveis, sustentada pela relação superior de qualidade/preço dos seus produtos. Com o engarrafamento dos seus vinhos, a Xavier Santana apresentou-se ao consumidor com a marca de vinho de mesa Casta Rica, à qual se seguiu a marca Xavier Santana para vinho generoso, e mais recentemente, as marcas Terras da Vinha e Quinta do Monte Alegre, vinhos de Indicação Geográfica ‘Península de Setúbal’ e ‘Palmela D.O.’ respectivamente – os quais vieram a assinalar um novo patamar evolutivo na história da empresa.

Infelizmente por aqui nos ficamos de informação disponível sobre este produtor. Resta o principal, que se as Escrituras já diziam “O bom vinho alegra o coração dos homens”, não nos podemos esquecer que Petrónio, escritor da antiga Roma, mestre na prosa da literatura latina, satirista notável e autor de Satíricon, dizia igualmente, e com toda a sabedoria, que “O bom vinho deve ser apreciado aos goles”, e isso basta!

Então olhem, mais um gole de Syrah da Quinta do Monte Alegre, para ser apreciado e alegrar o coração de quem lê e de quem não lê as Escrituras, mas sabe o que bebe!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 4,40€

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Fernão Pó, Adega-Winery, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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Na península de Setúbal, o nome Fernando Pó, freguesia de Palmela, é incontornável quando se fala de vinhos. E como falar em vinho para nós é falar de Syrah, aqui vamos então para encontrar um Syrah recente, de 2013, com o nome marinheiro e peregrino de Fernão Pó.
Antes de passar ao que nos interessa propriamente dito, achamos interessante falar deste explorador e navegador do século XV, que dá o nome ao nosso néctar, reinava D. Afonso V, que descobriu as ilhas no Golfo da Guiné, que como tal levam o seu nome, assim como mais algumas ilhas e fundando povoados, existindo neste caso um Fernão Pó em Portugal, aliterado para Fernando, onde germina o nosso Syrah de hoje, e outro na Serra Leoa, imagine-se. Descendentes deste nosso navegador ainda vivem por cá, mas também em Cuba e Estados Unidos.

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Estamos pois em solos arenosos, banhados por clima mediterrânico. Em termos de vinificação, a fermentação acontece em cuba troncocónica a temperatura controlada entre 25º a 28ºC, remontado 4 vezes dia, com jacto manual e temperatura controlada. Dizem as notas de prova que este Fernão Pó possui “Média concentração, aroma com frutos negros e leve nota de pimenta preta. Macio e fácil na boca, boa acidez, taninos macios, tudo apontando para consumo imediato. Tem carácter gastronómico.” A graduação alcoólica é de 14%. O produtor aconselha a beber já ou guardar de três a cinco anos.

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A Adega Fernão Pó é uma empresa familiar de Fernando Pó, outra maneira de referir o mesmo nome, concelho de Palmela, resultado da junção das famílias Freitas e Palhoça. Ligadas à viticultura e produção de vinho há gerações, reúnem dois ramos da história vinícola de Fernando Pó. Os Freitas, antigos proprietários da região. Os Palhoças, descendentes da cultura “caramela”, vindos do norte de Portugal que se estabeleceram em “Foros” na região. Nos anos 50 Aníbal da Silva Freitas fundou a Adega. Em 1990, com o seu genro Custódio, lançou o primeiro vinho de marca própria. Hoje produz cerca de 660 mil litros de vinhos de vinhas próprias.

A planície de Fernando Pó é conhecida pela qualidade das suas uvas. Dividida em pequenas quintas desde a chegada do caminho-de-ferro em 1861, distingue-se pela camada de areias macias, a cobrir o solo de barro. O microclima temperado pelos rios Tejo e Sado protege e facilita a maturação perfeita das uvas. O resultado são vinhos conhecidos pela boa estrutura, corpo, cor e principalmente aromas. Vendidos a granel na região ou para adegas de outras lugares do país. Até de Espanha vinham buscá-los para lotear os seus vinhos.

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Na Adega Fernão Pó a escolha de castas tem sido por experimentação, em busca de um perfil de vinhos genuíno, complexo e gastronómico. Nos 60 hectares de vinhas da família destacam-se 34 hectares de Castelão, a casta de eleição da região. Mas também a apimentada Cabernet Sauvignon, que aqui amadurece bem, e ainda Touriga Nacional, Merlot, Alicante Bouschet, Tannat e Syrah. Nas castas brancas, a popular branca Fernão Pires, Síria, Verdelho, Viozinho e Moscatel.

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A família Freitas e Palhoça procura aliar a tradição ao melhor da tecnologia moderna. A Adega foi alvo de constantes melhorias ao longo do tempo, tendo capacidade de transformação de cerca de 1000 toneladas de uvas. E inclui preocupações sociais e ambientais, como a adesão aos programas Wine in Moderation e ao Business and Biodiversity, para além de produzir uvas com certificação ambiental.

Tradicionalmente vendido à porta da adega a pessoas vinham de variados lugares, como já dissemos, para aí demandar por vinhos bons e baratos para se abastecerem para o mês. Chegavam ao fim de semana, partilhavam histórias e petiscos. E nalguns casos ficavam amigos.

Segundo o enófilo João Filipe Clemente:

“Todo o grande vinho é caro, mas nem todo o vinho caro é grande!”

O Fernão Pó Syrah não é um grande Syrah, e também não é um Syrah caro, mas é um genuíno Syrah, nascido nas areias de Fernando Pó.
Segundo o seu produtor, companhia ideal de bacalhau, massas e queijos amanteigados, e seguramente também de algo vegan, diríamos alguns de nós.
Não duvidamos. Publique-se!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 3,89€

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São Filipe, Filipe Palhoça, 100% Syrah, Setúbal, 2011

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Estamos em Setúbal, Quinta da Invejosa, Poceirão, para apresentar um Syrah a 100%, bem feito, numa palavra: honesto!
A boa relação qualidade/preço fazem deste Syrah uma boa hipótese para o consumo diário da nossa beberagem preferida.
Conhecem-se duas safras. A primeira de 2009 e a segunda, a que nos traz aqui hoje, de 2011.

A fermentação deste Syrah foi feita a 28ºC, com desengace total e maceração peculiar suave e prolongada em cubas de inox, seguida de estágio 8 meses em barrica de  carvalho. As notas de prova dizem-nos que este vinho tem uma “cor granada, com um aroma intenso e marcado por especiarias com corpo robusto e típico da casta. O paladar é macio e volumoso, com taninos suaves. O final é suave e persistente.” Tem um teor alcoólico de 14% e o enólogo responsável é o engenheiro Jaime Quendera.

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Filipe Palhoça, como produtor de vinhos, viu as suas raízes crescerem de uma pequena e antiga adega pertencente a seu pai, João Loureiro Palhoça. Desde cedo ligado ao mundo da viticultura e produção de vinhos, consegue adquirir novas propriedades e construir uma nova adega em 1984, na Quinta da Invejosa, freguesia do Poceirão.

Durante cerca de 20 anos a produção esteve orientada para o mercado a granel, mas com a crescente alteração do consumo e dos mercados nacionais e internacionais, deu-se início, em meados da década de 90, a uma nova fase de comercialização e engarrafamento do vinho, produzido com marca própria. Actualmente os vinhos são vendidos directamente na adega e em cadeias de supermercado.

Filipe Palhoça conta com 85 hectares de vinha, distribuídos em 8 propriedades. O seu encepamento está dividido pelas seguintes castas tintas, o Castelão (dominante), Syrah, Alicante Boushet, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, nas castas brancas existe apenas 10 hectares entre Fernão Pires (dominante) e Síria.

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As vinhas estão localizadas no concelho de Palmela, nomeadamente entre as freguesias de Poceirão e Marateca, em solos com características especificas e únicas desta região, designadamente solos arenosos. No campo ambiental todas estão inseridas no regime de produção integrada, respeitando assim o ambiente ao utilizar o menos possível produtos químicos.

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Equipada com a mais moderna tecnologia, todo o equipamento em inox, com cubas e lagares ligados ao sistema de frio com o objectivo de assegurar as fermentações a temperaturas controladas, capaz assim de vinificar toda a uva das várias propriedades de forma a produzir vinhos de qualidade. Uma adega funcional e tradicional mas aliada à tecnologia mais moderna, um espaço único com áreas desde a produção, armazenagem, cave, engarrafamento e comercial (loja do vinho).

Robert Mondavi um especialista em vinhos chegou a dizer que “Fazer vinho é uma técnica; fazer um bom vinho é uma arte.” Diríamos que o Syrah São Filipe, de Setúbal, é um vinho tecnicamente bem feito! Mas não mais do que isso!

 

Classificação: 15/20                                                Preço: 6,19€

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Ameias, Sivipa, 100% Syrah, Setúbal, 2014

 

Acabou de sair o Ameias 2014!
E já foi premiado com uma medalha de ouro no Concurso internacional de Bruxelas!
O Ameias de 2013 já tinha sido considerado por nós como o melhor deles…

O de 2014 pelos vistos também promete!

Mais notícias em breve…