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Que bebe o Blogue do Syrah quando se encontra para uma comezaina?

Esta hoje é fácil!
Bebe cerveja? Bebe vinho? Bebe outras coisas perniciosas que andam por aí? Claro que não…

Bebe Syrah, evidentemente, como se pode ver!

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E que Syrah!!!

No comer, existe a divisão eterna entre a metade Carnívora e a metade Vegan no Blogue do Syrah, sempre em coexistência pacífica e tolerante. Os Syrah escolhidos combinaram perfeitamente com o menu da noite. Assim o ‘Shepperd’s Pie’ vegetal ombreou com galhardia ante o Arroz de Pato da outra parte. Para terminar em beleza, houve um consensual Tiramisu, onde a facção Vegan passou temporariamente a vegetariana!

Do que se bebeu, a nota máxima vai para o Esporão de 2002, Alentejo, que Syrah!, absolutamente superlativo, envelheceu de forma vetusta, como é de esperar de um Syrah. Fez estágio em carvalho americano, e logo no aroma se percebeu a profundidade temporal, os frutos maduros bem apurados, chocolate, de intensa complexidade, verdadeiramente rico e concentrado no paladar… inesquecível! Pena ser já difícil, ou mesmo impossível, de encontrar. Foi uma despedida que fica na memória.

Dos estrangeiros no cardápio, achámos o Australiano superior ao Francês.

Austrália é terra de grande Syrah, onde é casta maioritária. O Shiraz Lehmann de Barossa Valley, oferta de um nosso seguidor, primou pela robustez e generosidade, com aromas ameixoados e um certo chocolate intenso, onde o estágio de 12 meses se notou da forma positiva. Não é português mas deu boa réplica.

O gaulês, adquirido em Estrasburgo numa garrafeira junto à Catedral onde o Syrah tinha lugar de destaque, não se revelou à altura dos seus companheiros de mesa, mesmo ostentando Grande Reserva no escaparate. Embora de um rubi profundo e intenso no nariz em frutos vermelhos e alguma especiaria, nem a boca ampla o salvou de o considerarmos um Syrah mediano. No entanto a região onde nasceu arroga-se de grandes pergaminhos. Diz o produtor que a casta foi introduzida na Gália durante o século III, e é entre Lyon e Avignon que desenvolve toda a sua expressão aromática intensa. Quem somos nós para discordar… mas discordamos.

Foi assim!


 

 

A Syrah e os seus sinónimos

A casta Syrah, esta uva resplandecente de que estamos sempre a falar, e que amamos até à exaustão, tem ao redor do mundo uma quantidade enorme de maneiras de ser designada, de sinónimos e uma multiplicidade crescente de grafias.

Essa quantidade é tão grande que muito pouca gente tem ideia do número de nomes pela qual é possível falar de Syrah, sendo Shiraz a mais divulgada.

Mudam os nomes, mas a folha é sempre a mesma!
Mudam os nomes, mas a folha é sempre a mesma!

Importa como curiosidade dar a conhecer assim os outros nomes da nossa casta Syrah e vamos fazer isso por ordem alfabética. Aqui vai:

Antournerein, Antournerein noir, Anzher Muskatnyi, Biaune, Blauer Syrah, Bragiola,

Candive, Candive noir, Costigliola, Costiola, Damas noir du Puy de Dôme,

Damaszener blau, Di Santi, Entourneirein, Entournerein, Entournerin, Ermitage,

Fresa grossa, Hermitage, Hignin noir, Marsanne noire, Marzane noire, Neiret di Saluzzo,

Neiretta Cunese, Neiretta del Cuneese-Fassanese, Neiretta del Monregalese,

Neiretta del rosso, Neiretta dell’Albese, Neiretta di Saluzzo, Neiretto del Cuneese,

Neiretto di Bene, Neiretto di Carrú, Neiretto di Costigliole, Neiretto di Farigliano,

Neiretto di Saluzzo, Nereta piccola di monte Galese, Neretta Cuneese,

Neretta del Cuneese-Fassanese, Neretta del Monregalese, Neretta di Costigliole,

Neretta di Saluzzo, Neretta piccola, Neretta piccola di Dogliani, Neretto del Beinale,

Neretto di Dogliani, Neretto di Saluzzo, Petite Sirah, Petite Sirrah, Petite Syrah,

Petite Syras, Plan de la Biaune, Plant de Biaune, Plant de la Bianne, Plant de la Biaune,

Schiras, Schiraz, Seraene, Sereine, Serene, Serenne, Serine, Serine noir, Serinne, Sevene,

Shiras, Shiraz, Shyrac, Sirà, Sirac, Sirah, Sirah marsanne noir, Syra, Syrac,

Syrac de l’Ermitage.

É importante, para terminar, fazer uma ressalva em relação à Petite Syrah que verdadeiramente não é syrah mas que é uma outra casta que devia ser sempre chamada pelo seu nome e não de Petite Syrah para evitar óbvias confusões: Estamos a referir-nos à uva Durif.


 

A Quinta do Gradil tem um novo Syrah!!!

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Já sabíamos que a Quinta do Gradil tinha um Syrah, e de qualidade, que oportunamente foi apresentado aqui, produzido em condições especiais e fazendo apelo a uma comunidade de amigos. Foi uma história que nos deu muito prazer contar e que convidamos todos a relerem.

Hoje damos em primeira mão a informação de que a Quinta do Gradil está neste momento a lançar no mercado um novo Syrah, que irá substituir o anterior, e feito em moldes diferentes, com uma produção de 4200 garrafas, ano 2013.

Os enólogos são os da casa, António Ventura e Vera Moreira.

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Estas e outras informações foram gentilmente fornecidas pelo responsável na Quinta do Gradil para o mercado interno, Joaquim Coelho, que, através de um discurso muito claro, nos fez compreender que apesar de este Syrah ser da mesma vinha de 120 hectares existente na Quinta, os processos utilizados não são exactamente os mesmos, nomeadamente o tempo de estágio, que no caso anterior era de 8 meses e neste syrah de 2013 é de 14 meses, e isso faz muita diferença.

A graduação alcoólica é também distinta. O Syrah de 2012 tem 14,5% e o presente tem 14%!

Isto leva-nos a concluir que estamos perante dois Syrah diferenciados, o que leva o texto do rótulo a dizer que se trata de “Um syrah muito expressivo, de cor retinta e aromas intensos de bagas do bosque, pontuados com notas químicas e um toque de mineralidade. Elegante na boca, revela harmonia entre a fruta e os taninos evidentes mas bem integrados, num conjunto enriquecido por 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês. O seu final é prolongado e distinto.”

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Vamos ainda referir um aspecto importante para o consumidor, a que geralmente aqui no Blogue do Syrah damos muita importância: a relação qualidade/preço. E aqui temos mais uma novidade fantástica! O Syrah de 2012 custa 11,50 euros nos poucos sítios onde ainda é possível encontrá-lo, mas claro, na garrafeira Estado d`Alma, sempre à procura do melhor preço, o seu preço é de 9,95 euros. Pois bem, este novo Syrah, que hoje aqui nos traz, vai estar à venda por 5,72 euros, o que representa uma diminuição muito significativa a que não podemos deixar de ser sensíveis.

A Quinta do Gradil está pois de parabéns por esta óptima notícia, agora que o Verão está de vento em popa!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 7,00€


 

A questão das rolhas de cortiça!

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Este é um tema muito debatido e nós também vamos meter a colherada.

É hora de almoço e, obviamente, estamos a beber um Syrah como parte integrante do repasto. Neste caso trata-se de um Shiraz, como eles dizem, australiano, de 2012, Weighbridge de seu nome. Falamos deste pormenor apenas porque é relevante para o que vamos dizer a seguir, porque como se sabe o Blogue do Syrah é totalmente dedicado aos Syrah portugueses.

Porque a questão que queremos abordar é a seguinte: de facto a garrafa deste Shiraz tem uma tampa de alumínio com rosca, e, como se não bastasse, enroscando ao contrário, muito diferente das nossas habituais e estimadas rolhas de cortiça.

garrafa

No velho e orgulhoso mundo vitivinícola em que Portugal se insere opta-se, e sempre assim se fez, pelas rolhas de cortiça, ao contrário do novo mundo vitivinícola, que seguramente também tem os seus orgulhos, em que predomina a tampa de alumínio com rosca. Quais as vantagens e as desvantagens da utilização de cada sistema? É sobre isso que nos propomos falar. Dito de outro modo…
Qual a melhor maneira de fechar uma garrafa de Syrah, pelo modo tradicional ou pelo modo mais moderno e recente da dita de metal roscado?

Uma batalha surda está a ser travada entre as tradicionais rolhas de cortiça e as cibernéticas tampas de alumínio com rosca. A nova tampa preserva melhor as qualidades do vinho, enquanto que o uso da rolha de cortiça para fechar as garrafas pode não vedar bem, e fazer com que vinhos oxidem. Além disso, se a rolha estiver defeituosa, pode passar o gosto do TCA (Tri-Cloro-Anisol) dela para o vinho.

Há dois lados da moeda a serem analisados. De um lado, a rolha de cortiça que agrega charme e valor ao vinho. Do outro lado, as roscas de alumínio que vedam bem as garrafas de vinho e ainda permitem uma abertura simples, sem uso de um saca-rolhas.

Economicamente, as roscas de alumínio são bem mais baratas que uma rolha convencional. Defensores do novo sistema alegam que as rolhas estão ultrapassadas e que além dos diversos defeitos exigem que o vinho permaneça guardado na posição horizontal, para evitar que as rolhas fiquem ressequidas.

Mas então as rolhas de cortiça estão com os seus dias contados?

Vamos ver os factos. O enófilo Neo Zelandês  Alan Limmer escreveu, em 2005, um artigo para uma revista australiana dedicada à enologia dizendo que as roscas de alumínio podem gerar aromas de enxofre, conhecido como SLO (Sulphur-Like Odour). Se por um lado as roscas parecem uma evolução tecnológica eficaz, cabe também ressaltar que as rolhas de cortiça, por serem mais porosas, permitem uma pequena passagem de oxigênio, o que beneficia muitos vinhos de guarda, resultando numa evolução mais harmoniosa.

Em conclusão, nenhum dos sistemas de fechamento da garrafa é perfeito. Com rolha, o vinho pode adquirir odores de TCA, com roscas de alumínio o vinho pode adquirir odores de SLO.  Estamos no mundo das siglas, sem saída à vista.

As roscas de alumínio podem ser interessantes em vinhos que não suportam a guarda por muito tempo, como vinhos brancos e tintos correntes. A rosca é prática para consumir o vinho em locais que não tenham um saca-rolhas por perto, ou ainda para garrafas pequenas de consumo individual com 375 ml. Mas para vinhos em garrafas de tamanho normal que geralmente são apreciados a longo prazo por um grupo de pessoas, as rolhas não devem ser substituídas pelas roscas, pois parte do glamour existente no acto de servir o vinho será perdido.

Se alguém comprovar que as tampas de rosca são melhores para o vinho do que a rolha, nós como consumidores apoiaremos a mudança. Se isso for só para diminuir custos de produção, só se justificará nos casos anteriormente apresentados.

Resumindo e concluindo em modo prós e contras.

Rolha de cortiça
prós:
mais porosa, permite uma evolução harmoniosa do vinho de guarda
mais elegante ao ser retirada do que as roscas

contras:
mais cara do que as tampas de rosca
pode deixar um odor de TCA no vinho
exige a guarda do vinho em posição horizontal para não ficar ressequida

 

Rosca de alumínio
prós:
bom sistema de vedação, sendo bom para vinhos que não suportam oxidação
muito fácil de se abrir, pois dispensa o uso de saca-rolhas, podendo popularizar o consumo de vinho no dia-a-dia
mais barata para o produtor

contras:
pode deixar um odor de SLO no vinho
indiscutível mau gosto
parecem-se com as tampas de garrafa de refrigerante

Tire você mesmo as conclusões devidas e, se desejar, mande-nos os seus comentários.

Pop, lá saltou mais uma rolha de cortiça de um Syrah… à vossa!


 

António Saramago, o enólogo do Syrah

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Há o Saramago das letras e há o Saramago do syrah!

Há pessoas que ao ler o título deste texto, já nos estão a querer crucificar por um título demasiado restritivo quando se fala desta figura ímpar no panorama vitivinícola português. O engenheiro António Saramago não é somente o enólogo do syrah, obviamente. É um mestre, que leva décadas tratando o vinho por tu, todo o tipo de vinhos, desde os tintos de várias castas, aos brancos, aos moscatéis, em Setúbal, no Alentejo, etc, etc.

Mas é preciso dizê-lo frontalmente: falamos dele porque fez vários syrah de qualidade. E só estamos a falar dele por causa dos Syrah, o nosso tema de eleição. Haverá outras pessoas que poderão estar a pensar que o engenheiro António Saramago não é o único a fazer syrah de qualidade. É verdade que não. Poderão pensar no Hans Kristian Jorgensen enólogo e proprietário de Cortes de Cima que tem no seu currículo três syrah de suprema qualidade (que ainda não tiveram o espaço a que têm direito no Blogue do Syrah mas lá chegaremos) ou outros, como José Bento dos Santos, proprietário da Quinta do Monte d´Oiro, que tem no seu currículo não um, não dois, não três mas vários syrah produzidos nesta quinta de Lisboa.

Mas apesar da mestria na feitura de syrah por estes dois mestres, António Saramago fez vários Syrah de qualidade um pouco por todas as empresas e Herdades por onde passou e isso faz uma diferença acrescida em relação aos mencionados. Vamos dar quatro exemplos:

Aldeias de Juromenha, 100% Syrah.

Tapada dos Coelheiros, 100% Syrah.

Herdade dos Lagos, Reserva, 100% Syrah.

Herdade do Meio, 100% Syrah. (esgotado)

António José Ribeiro Saramago nasceu em Vila Nogueira de Azeitão a 27 de Março de 1948.

Desde muito cedo que demonstrou paixão pelo mundo do vinho, não sendo alheia a influência do seu pai, José Maria Saramago, adegueiro na empresa José Maria da Fonseca durante 42 anos.

Essa paixão leva-o a abandonar o curso industrial de mecânica e a ingressar, no ano de 1962, no laboratório da José Maria da Fonseca, pela mão do Engº António Porto Soares Franco, uma das referências da enologia portuguesa da altura.

Em 1973, passa a chefe de serviço do Departamento de Enologia da Empresa, tendo como consultor o Prof. Manuel Vieira, outro grande mestre da enologia nacional e docente no Instituto Superior de Agronomia.

Em 1974, parte para França, onde inicia a sua formação em Enologia, Viticultura, Conservação e Estabilização de Vinhos, na prestigiada Faculdade de Enologia da Université Victor Segalen – Bordeaux 2.

Em 1982, é convidado para enólogo responsável da Cooperativa Agrícola de Granja, onde tem um papel preponderante na modificação da estrutura da adega e do perfil dos vinhos, destacando-se os famosos “Garrafeira Granja/Amareleja” e “Terras do Suão”, galardoados a nível nacional e internacional.

Em 1991, fruto do seu sucesso com os vinhos da Granja, é convidado para trabalhar na Adega Cooperativa do Fundão. Aí, deixa também a sua marca, transformando os vinhos “Praça Velha” numa referência nacional.

Nesse mesmo ano inicia aquele que é, talvez, o seu projecto mais emblemático –Tapada de Coelheiros.

Ao desafio de Joaquim e Leonilde Silveira de criar uma empresa de referência no Alentejo, António Saramago respondeu com um conjunto de vinhos que, pela sua qualidade, se tornaram uma marca do próprio Alentejo.

É a partir deste momento que a sua carreira adquire maior reconhecimento mediático, quer na imprensa especializada, quer na própria enologia portuguesa, permitindo-lhe abraçar outros projectos em várias regiões do país.

Com mais de 200 prémios conquistados, muitos dos seus vinhos têm sido sobejamente apreciados pela imprensa nacional e internacional da especialidade, destacando-se nesta última Jancis Robinson e Robert Parker.

Considerando que “os grandes vinhos começam na vinha” e que “todo o seu sucesso resulta de um trabalho de equipa”, a sua versatilidade permitiu-lhe criar vinhos produzidos em regiões tão distintas como a Bairrada, Beira Interior, Ribatejo, Península de Setúbal e Alentejo, sendo por isso considerado como uma das referências da enologia portuguesa contemporânea.

No ano de 2000, associa-se a Joaquim Teixeira da Costa para criar o projecto Porto da Bouga Vinhos. Exclusiva do grupo Jerónimo Martins, nasce a marca Herdade do Porto da Bouga Reserva que, com o passar dos anos se posiciona como um dos vinhos mais vendidos pela cadeia Pingo Doce, especialmente devido a uma espectacular relação qualidade-preço.

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Em 2002 cria a empresa António Saramago-Vinhos, juntamente com a sua esposa Ausenda e os seus dois filhos, Nuno e António.

Em 2008 é distinguido como “Enólogo do Ano” pela revista Néctar.

Em 2009, internacionaliza a sua carreira levando para o Brasil toda a sua arte e conhecimento, através do projecto “Além Mar”, da Vinícola Villaggio Grando, no estado de Santa Catarina.

Em 2011 distingue-se como o melhor enólogo português no ranking “Top Winemaker” do concurso Wine Masters Challenge.

Em 2012 comemorou 50 anos de carreira.

É confrade membro da Confraria dos Enófilos do Alentejo e da Confraria dos Enófilos da Beira Interior.

É membro fundador da Associação Portuguesa de Enologia.

É um dos maiores especialistas a fazer Syrah em Portugal!


 

Aldeias de Juromenha, Herdade das Aldeias de Juromenha, 100% Syrah, Alentejo, 2010

garrafa

Apresentamos hoje mais um Syrah de peso, e que ganhou duas medalhas de ouro em 2010 e 2011 no já célebre concurso internacional “Syrah du monde”, o mais prestigiado concurso exclusivamente dedicado à casta Syrah. Um concurso vale o que vale, não substitui o gosto pessoal do consumidor, mas não deixa de ser uma indicação de qualidade. Nos Syrah como noutras coisas os milagres não existem. Se o Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha ganhou duas medalhas de ouro, no “Syrah du monde” é porque é mesmo bom!

As notas de prova dizem-nos que se trata de um Syrah de “cor retinto, aroma frutos vermelhos e compota, bons taninos, volumoso, equilibrado com boa acidez que lhe permite ter longevidade.”

Em conversa com o José Caldas, da área comercial da Herdade mas mostrando estar em condições de responder às nossas interrogações, ficamos a saber que o Syrah se produz desde 2005 e que já está no mercado o de 2011. Nestas últimas safras têm sido produzidas 13000 garrafas e agora vem a grande revelação: todas as garrafas são dedicadas ao mercado interno!!! O Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha é todo comercializado em Portugal. Para um Syrah português é uma situação bastante rara. Com o tempo esperamos que esta situação mude e que se possa dizer dentro de pouco tempo que toda uma safra de Syrah que se vende no mercado interno será algo de bastante natural. Seria um bom sinal!

Depois de 2005, veio a safra de 2007, 2008, 2009,e 2010, sendo estas últimas duas as que motivaram este texto! O José Caldas frisou bem que o syrah era sempre reserva, ou seja, dez meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano e com uma graduação alcoólica de 14%. A safra de 2010 foi em parte já vendida para a China. A de 2011 está no mercado e no fim de 2015 sairá a safra de 2012. A de 2013 sairá no fim de 2016 e a de 2014 sairá no fim de 2017. Já temos garantido Syrah de qualidade para os próximos anos!

Outro feito que o Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha realizou foi o de ter ficado em segundo lugar como o segundo vinho mais vendido nos supermercados Pingo Doce em 2010 tendo ficado em primeiro lugar um vinho do Douro da casa Ferreirinha – o Papa Figos.

A Herdade das Aldeias é uma empresa agrícola situada a cerca de 15km da Cidade de Elvas e junto da Vila de Juromenha com vista para o Rio Guadiana. Está inserida numa zona histórica com grande tradição na arte de fazer vinho. Este projecto em particular está em desenvolvimento desde 1986.

A adega está rodeada por 70ha de vinha própria. Este sistema promove um aumento na eficiência na vindima, uma vez que reduz o tempo desde a colheita até ao processamento das uvas. No conjunto da vinha estão plantadas predominantemente castas autóctones portuguesas, encontrando-se, também, algumas castas francesas. No que se refere a uva tinta existe Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional.

O clima é caracterizado por uma Primavera e Verão excessivamente quentes e secos. A exposição solar regista também valores bastante altos, em particular nas semanas anteriores à vindima, condições que contribuem para uma perfeita maturação das uvas.

De facto as condições são extremamente favoráveis à síntese e acumulação de açucares e concentração de aromas e cor na película da uva. A bacia hidrográfica é dominada pelo Rio Guadiana e o tipo de solo é predominantemente xistoso.

vinha

Na vinha a produção é controlada para obter entre 7 a 8 toneladas por hectare. Utilizando este método de produção garante-se uma excelente qualidade dos vinhos. Na poda utiliza-se o método manual, na colheita é utilizado o método manual e mecânico.Todo o vinho é produzido a partir de uva colhida na Herdade das Aldeias. No que respeita à vinificação segue-se o processo tradicional em cubas de inox com controlo de temperatura. A maioria dos vinhos tintos estagia em barricas de carvalho francês e americano. Todos os processos desde a vinificação até ao engarrafamento são realizados nas instalações.  No engarrafamento são utilizadas rolhas de cortiça natural portuguesa.

A produção actual é de cerca de meio milhão de litros por ano, tendo uma capacidade de armazenamento de 600.000 litros.Todos os processos desde a vinificação até ao engarrafamento são realizados nas instalações da adega.

Um Syrah a ter sempre presente, com direito a quadra popular:

Priere du Bordelais
(poema popular francês)

Mon Dieu…
Donnez moi la santé pour longtemps
De l’amour de temps en temps
Du boulot, pas trop souvent
Mais du bordeaux tout les temps.

 Tradução e adaptação do Blogue do Syrah

Prece do amante de Syrah

Meu Deus…
Dá-me a saúde por muito tempo
Amor de vez em quando
Trabalho, não muitas vezes
Mas Syrah todo o tempo!

Classificação: 17/20                                           Preço: 9,00€

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