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O Syrah e o Resveratrol

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As uvas pretas e o vinho tinto são ricos em resveratrol, como já havíamos dito antes, uma substância da família dos polifenóis, que se encontra, bem guardada, na pele e nas grainhas das uvas pretas. Hoje vamos desenvolver um pouco mais este tema.
O hábito alimentar de ingestão de uvas pretas, de sumo de uva preta e o consumo regular moderado de vinho tinto está associado a numerosos benefícios de saúde atribuídos, não só mas maioritariamente, ao seu conteúdo em resveratrol. O syrah é das uvas pretas a que tem maior quantidade desta substância.
O resveratrol previne as doenças do sistema cardiovascular, enfartes do miocárdio, insuficiência coronária e acidentes vasculares cerebrais, melhora os sintomas e equilibra o metabolismo da diabetes, contraria a obesidade, previne as doenças neurológicas degenerativas, tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias e aumenta a esperança de vida.

A investigação científica é muito abundante, e evidencia os efeitos benéficos do resveratrol:

Protector cardiovascular
Diminui a oxidação lipídica do colesterol LDL, diminuindo assim o risco de aterosclerose
Aumenta a resistência vascular aos efeitos da oxidação protegendo o sistema cardiovascular dos radicais livres de oxigénio
Diminui a proliferação vascular das células musculares lisas da parede das artérias prevenindo a aterosclerose
Estimula a síntese endotelial do oxido nítrico , que lhe confere um benéfico efeito vasodilatador
Inibe a agregação das plaquetas prevenindo acidentes trombóticos.

Efeito antioxidante
O resveratrol tem um potente efeito antioxidante generalizado, protegendo os vários sistemas orgânicos do stress oxidativo, embora o seu efeito antioxidante seja especialmente marcado no sistema cardiovascular.

Na diabetes
Diminui alguns dos sintomas da diabetes, como a perda de peso, a fome e a sedes excessivas
Facilita a diminuição a resistência à insulina
Diminui a perda de memória e melhora a função cognitiva.

No controlo da obesidade
A suplementação com resveratrol facilita o equilíbrio lipídico e a regularização metabólica contribuindo igualmente para baixar a pressão arterial.

Protecção Cerebral
O resveratrol pode diminuir a formação das placas beta-amiloides características da doença de Alzheimer e de outras doenças degenerativas neurológicas.

Efeito anti-inflamatório
O resveratrol diminui a sensação de dor tanto na inflamação aguda como na inflamação crónica
Diminui os sintomas de inflamação diminuindo a produção de oxido nítrico evitando assim uma vasodilatação
Pode proteger a cartilagem e diminuir os sinais inflamatórios em alguns casos de artrite.

Aumento da esperança de vida
A experimentação laboratorial com resveratrol mostrou aumentar a esperança de vida e diminui os sinais de envelhecimento mas o seu mecanismo de acção está, actualmente, envolto em controvérsia.

Para além das uvas pretas e seus derivados, o resveratrol existe em várias espécies vegetais, sendo de realçar, pela sua elevada concentração, a hortaliça, sobretudo as azedas, e a raiz da planta japonesa: a fallopia japonica. A produção industrial síntese de resveratrol é também possível através vários de tipos de biotecnologia.
O resveratrol integra com muita frequência a composição de múltiplos suplementos
nutricionais que visam a melhoria da capacidade anti-oxidante ou a protecção cardiovascular.

Não há efeitos adversos conhecidos. Não há unanimidade quanto à dose diária ideal.
O consumo de uvas pretas, de sumo de uva preta e de vinho tinto é dos segredos de vitalidade e longevidade dos povos da bacia do mediterrâneo.
Investigadores da Universidade de Harvard consideram que o resveratrol é a maior descoberta da medicina depois da penicilina.
Para muitos será a verdadeira fonte da juventude. Alguns estudos apontam a possibilidade do ser humano ganhar com a toma diária de resveratrol um ano a mais em cada dez anos de vida e com o máximo de qualidade.

Os textos científicos sobre o resveratrol crescem diariamente e os estudos também. A este propósito convém ter presente o célebre “paradoxo francês” e que consiste no seguinte, e que tem entusiasmado muitos cientistas: como é que o povo francês pode fumar tanto e comer tantos alimentos ricos em gordura, mas ainda assim ter uma taxa de cancro e doenças cardio-vasculares das mais baixas do mundo? Existe até uma frase bem francesa: Il est mort parce qu’il ne prenait pas de vin rouge (morreu porque não tomava vinho tinto).

Até há algum tempo, os cientistas acreditavam que beber vinho tinto trazia benefícios para a saúde mas não podiam colocar o seu prestígio em jogo, pois não sabiam com exactidão o porquê…
Agora, há dados suficientes que os podem levar a acreditar que o resveratrol do vinho tinto activa as células do nosso corpo mantendo-as mais jovens.

E isto leva-nos, e para acabar esta pequena digressão, a recuar no tempo e citar o velho Hipócrates“O vinho é uma bebida substancialmente maravilhosa e apropriada ao homem, na saúde e na doença, se o administrarmos na justa medida, segundo a constituição de cada um.”


 

Monte da Ravasqueira, 97% Syrah com 3% Viognier, Alentejo, 2012

O Monte da Ravasqueira acaba de lançar o primeiro monovarietal Syrahembora, segundo permite a lei, com 3% Viognier, no fim de 2014.

Trata-se do primeiro syrah lançado por esta marca. Só por este facto os nossos parabéns. Uma apreciação cuidada ficará para breve!


 

Quinta de S. João, Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2007 Quinta do Alqueve, Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2001 (esgotado)

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A Pinhal da Torre fica situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, e dedica-se à produção de vinhos a partir de várias castas portuguesas e não só. Na sua adega – ícone da região – vinifica exclusivamente uvas próprias oriundas das suas Quinta de São João e Quinta do Alqueve que deram origem aos dois Syrah aqui apresentados, o de 2001 infelizmente esgotado e o de 2007 ainda disponível.

A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947.

A Quinta do Alqueve tem uma área de 36 hectares de vinha e um Chalet do início do século passado, que actualmente se encontra em reconstrução.

Nestas quintas estão plantadas as seguintes castas: Castas Brancas – Fernão Pires, Chardonnay, Arinto e Viognier, Castas Tintas – Touriga Nacional, Tinta Roriz, Trincadeira, Castelão, Cabernet Sauvignon, Merlot, Touriga Franca, Alicante Bouschet, Tinta Francisca, Souzão e naturalmente o nosso Syrah.

Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada.

A Pinhal da Torre diferencia-se, também, por aplicar rigorosos processos de vinificação e exigir um estágio nas melhores barricas, tendo sido ainda pioneira na utilização de linguagem Braille nos rótulos das suas garrafas.

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A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem.
Possui, ainda, um pequeno Museu Rural, alusivo ao vinho e à vinha, e uma sala de provas. Toda esta infra-estrutura assenta numa área de 4000m2.

Os vinhos da Pinhal da Torre foram distinguidos com 90 pontos (em 100) por Mark Squires, um dos mais influentes críticos mundiais, numa apreciação publicada no site do grande especialista Robert Parker. Isto explica porque os Estados Unidos já valem 10% da produção da Pinhal da Torre.

Actualmente, os vinhos produzidos pela Pinhal da Torre podem ser encontrados em 18 países: Alemanha, Angola, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Canadá, China,Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Polónia, Reino Unido, Suécia e Suíça.

O Syrah da Quinta de S. João “apresenta uma cor granada, fruta ligeiramente mentolada, baunilha, cacau tostado, especiarias, tenso e complexo, muito afinado com taninos redondos, boa acidez e macio, encorpado e final longo.”

O vinho é vinificado pelo processo tradicional de curtimenta, com ligeira maceração, tendo estagiado em barricas de carvalho francês, não tendo sido filtrado.
O teor de álcool é de 14%  e o produtor adverte que a longevidade é de 15 anos. Sinceramente acreditamos que pode ser mais. E isto não é um simples acto de fé. O syrah da Quinta do Alqueve, que é de 2001, do qual o ano passado ajudámos a degustar 3 garrafas, mostrou-se que podia perfeitamente ficar mais tempo em garrafa.

O que é mesmo pena é que esteja esgotado, salvo alguma garrafa perdida por aí, e que tenha deixado de ser produzido. O Syrah passou para a Quinta de S. João e mostra possibilidades de evolução, sendo igualmente um grande Syrah, embora não chegue às alturas do seu antecessor…

É habitual apresentarmos uma história ou uma citação a propósito do que estamos a relatar. Hoje quero dizer-vos algo que é meu. No início do ano, pensando nestas coisas, tive como que uma epifania e apresento aqui este pensamento para o início de 2015:

Beber Syrah torna-nos melhores… e bons! Mais humanos!

Quinta de S. João
Classificação: 17/20                            Preço: 20,00€

Quinta do Alqueve
Classificação: 19/20                            Preço: 31,00€


 

Quinta do Valdoeiro,100% Syrah, Bairrada, 2010

O novo syrah desta mítica quinta, de um ano fabuloso: 2010!
Uma relação qualidade-preço como poucos!
Um syrah a ter sempre presente durante este ano!

Classificação: 19/20                            Preço: 13,50€

Os benefícios do Syrah

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Os antioxidantes são necessários ao nosso corpo para prevenir ou retardar a oxidação através da captura dos chamados radicais livres que nos são prejudiciais. O vinho tinto é importante neste aspecto porque contém quantidades apreciáveis de antioxidantes, o mesmo não se podendo dizer do vinho branco.

A uva Syrah contém grande quantidade de antioxidantes que trabalham para eliminar a oxidação através da eliminação de eventuais intermediários de radicais livres.

Isto previne o aparecimento de doenças e ajuda a reparar os danos celulares. A oxidação é ligada a várias doenças, como fadiga crónica, aterosclerose, insuficiência cardíaca e doença de Parkinson.

O Syrah como bebida contém um ingrediente benéfico chamado resveratrol, que tem inúmeros benefícios para os seres humanos. Em experiências com ratos são constantemente relatados o poder anti-inflamatório, anti-cancerígeno, redução de açúcar no sangue e outros impactos cardiovasculares importantes do resveratrol.

O resveratrol é encontrado principalmente no interior da pele da maioria das uvas vermelhas. Uvas produzidas em clima fresco têm um maior nível de resveratrol em comparação com aquelas vindas de um clima quente. O syrah está entre as variedades de uva que contêm as maiores quantidades de resveratrol.

Agora já sabe o que comprar quando quiser um vinho que além de especial é também particularmente saudável. Além de se deliciar com o sabor agradável e único do syrah, vai beneficiar de tudo o que lhe revelamos neste texto.

Mas há uma coisa que nunca podemos esquecer: uma taça de syrah, por extraordinário que este seja, continua a ser uma bebida com álcool e o álcool deve ser bebido sempre com moderação. Só assim é que os benefícios que relatámos vêm ao de cima.

Recordamos aquela velha história que se usa para justificar o injustificável e que consiste em alguém questionar um amigo por estar a beber por um copo enorme onde cabe o vinho de duas ou três garrafas. O amigo responde:
-É que o médico proibiu-me terminantemente de beber mais de um copo a cada refeição!


 

Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo, 2010

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E regressamos de novo ao Alentejo para apresentar um Syrah que nos leva directamente ao céu, quase literalmente. Scala Coeli é o nome, que em latim significa “escada para o céu” . Este é justamente um daqueles syrah que nos faz dizer que os melhores syrah do mundo se encontram em Portugal.

Syrah que deve o seu nome ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, mais conhecido por Mosteiro da Cartuxa, local onde os monges Cartuxos permanecem em silêncio e oração. Produzido a partir das melhores vinificações do ano, foi produzido pela primeira vez em 2005.

Mas vamos então contar um pouco de história, e de cultura, que se impõe para percebermos como nasce este grande syrah! E como está carregado de história!

Começamos pela Fundação Eugénio de Almeida, que é herdeira de uma longa tradição no sector vitivinícola, com a vinha a fazer parte da tradição produtiva da Casa Agrícola Eugénio de Almeida desde o final do Séc. XIX. As uvas, que atualmente resultam da produção obtida em 600 hectares de vinha, são vinificadas na moderna e sofisticada Adega Cartuxa – Monte Pinheiros, herdade que outrora foi centro de lavoura da Fundação Eugénio de Almeida. A Adega Cartuxa – Quinta Valbom, antigo posto Jesuíta, onde já em 1776 funcionava um importante lagar de vinho, é desde 2007 o centro de estágio de vinhos e sede do Enoturismo Cartuxa.

A Fundação Eugénio de Almeida é uma instituição de direito privado e utilidade pública, sediada em Évora. Os seus estatutos foram redigidos pelo próprio fundador, o Eng. Vasco Maria Eugénio de Almeida, Conde de Villalva, quando da sua criação em 1963. A missão institucional da Fundação concretiza-se nos domínios cultural, educativo, assistencial, social e religioso. A produção obtida nas vinhas é vinificada num local histórico e sagrado, a Adega da Cartuxa, situada na Quinta de Valbom, em Évora. A adega está instalada num edifício que pertenceu à Companhia de Jesus em 1580 e que na época era a sua casa de repouso. Com a expulsão dos jesuítas de Portugal pelo Marquês de Pombal, este edifício foi integrado aos Bens Nacionais em 1755. No ano seguinte, já funcionava no local um importante lagar de vinho que absorvia a produção vinícola da região. Em 1869 o edifício foi vendido em hasta pública e adquirido por José Maria Eugénio de Almeida, avô do Eng. Vasco Maria Eugénio de Almeida. Próximo à Adega da Cartuxa, fica o bonito Mosteiro da Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli, fundado em 1587 e que retomou em 1960 a actividade religiosa contemplativa, depois de vultosas obras de restauro empreendidas pelo Conde de Villalva. No silêncio das caves deste Mosteiro, vários vinhos da Fundação fazem o seu estágio em garrafa.

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Sempre com a preocupação do enquadramento arquitectónico num edifício muito rico em história, a Adega da Cartuxa passou por várias reformas e ampliações nos últimos anos. Hoje é uma das mais modernas e bem equipadas do Alentejo, toda ela cercada por vinhas e com uma loja de vinhos cujos preços são 30% a 40% mais baratos que nas garrafeiras.

A Adega da Cartuxa, na Quinta de Valbom, está intimamente ligada à Companhia de Jesus. Fundada por Santo Inácio de Loiola em 1540, a Ordem tinha uma vocação missionária ligada ao ensino, tendo sido justamente nessa vertente  que mais se destacou a sua presença em Évora, primeiro com a criação do Colégio Espírito Santo por volta de 1551 e, posteriormente, com a criação da Universidade, em 1559. No ano de 1580 o padre jesuíta Pedro Silva, reitor da Universidade, quis adquirir a Quinta de Valbom para aí alojar o corpo docente da Universidade. A construção do que viria assim a ser a Casa de Repouso dos Jesuítas demorou cerca de 10 anos e resultou num edifício com múltiplos alojamentos, refeitório e capela.
Em 1759, com a expulsão da Companhia de Jesus do país pelo Marquês de Pombal, a Quinta, com a sua edificação, passou a integrar os bens do Estado tendo, alguns anos mais tarde (1776), e pela primeira vez, foi equipada com um lagar de vinho que rapidamente ganhou importância na região.

A proximidade do Convento da Cartuxa, erigido em meados do séc. XVI, determinou a designação por que ficou conhecida até aos dias de hoje: Adega Cartuxa. Em 1869 o bisavô do instituidor, José Maria Eugénio de Almeida, adquiriu a Quinta, colocada à venda no contexto do longo processo de aplicação das políticas liberais de Mouzinho da Silveira com a nacionalização dos bens da Igreja e da Coroa e a sua posterior venda a particulares. Depois da sua morte viria a ser o seu filho, Carlos Maria Eugénio de Almeida, avô do fundador, a empenhar-se na continuidade e expansão da produção da Casa Agrícola Eugénio de Almeida.

Foi da sua iniciativa a plantação dos vinhedos que constituíram a origem mais remota dos vinhos da Fundação. Com a expansão e sucesso progressivos da produção vitivinícola da Instituição, a Adega da Cartuxa, instalada no antigo refeitório da Casa de Repouso dos jesuítas foi sendo alvo de melhoramentos. Desses, destaca-se a grande reestruturação que ocorreu entre 1993 e 1995, e que permitiu o reequipamento e ampliação de todos os sectores da adega aumentando-se de forma considerável o seu potencial de vinificação e a sua capacidade de armazenagem.

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A nova Adega Cartuxa, situada na Herdade de Pinheiros, permite receber a totalidade da uva produzida nas vinhas da Fundação, e tem na sua génese três premissas tecnológicas que a distingue das demais: efectiva capacidade de refrigeração, possibilidade de triagem na totalidade da uva à entrada na adega e movimentação e transferência de massas unicamente por gravidade.
Da linha de engarrafamento totalmente automatizada instalada na Adega Cartuxa saem anualmente cerca de quatro milhões de garrafas, distribuídas por vinho branco, rosé e tinto das marcas Vínea, EA, Foral de Évora, Cartuxa, Scala Coeli e o mítico Pêra-Manca. É na excelência da matéria prima que assenta toda a produção vinícola da Fundação.

Até apetece neste momento citar o “Soneto do Vinho” de Jorge Luís Borges:

Em que reino, em que século, sob que silenciosa
Conjunção dos astros, em que dia secreto
Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa
E singular ideia de inventar a alegria? 

Com outonos de ouro a inventaram.
O vinho flui rubro ao longo das gerações
Como o rio do tempo e no árduo caminho
Nos invada sua música, seu fogo e seus leões. 

Na noite do júbilo ou na jornada adversa
Exalta a alegria ou mitiga o espanto
E a exaltação nova que este dia lhe canto 

Outrora a cantaram o árabe e o persa.
Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história
Como se esta já fora cinza na memória.

Scala Coeli surge no cume deste nosso mito, e é um nome desde há muito ligado a Eugénio de Almeida. Trata-se de um convento, mesmo à saída de Évora, abandonado no início do século. Vasco Eugénio de Almeida recuperou-o e devolveu-o à Ordem dos Monges da Cartuxa, sendo hoje um convento de clausura e silêncio. Na sua história conta-se ainda  ter sido em tempos a Escola Agrária e Agrícola. Este bonito convento serviu de inspiração para um grande vinho, que tem sido feito todos os anos com castas diferentes: o famoso Scala Coeli, da Cartuxa.

Chegando ao que mais nos interessa, o Syrah Scala Coeli foi feito por duas vezes: em 2006 com 14,5 de graduação alcoólica e em 2010 com 15,5 de graduação alcoólica. Por detrás deste néctar está Pedro Baptista, o enólogo premiado da Fundação, reconhecido pela qualidade e solidez dos vinhos que assina. Diz a ficha técnica que “As uvas passaram por um processo de maceração pré-fermentativa a frio, seguida de fermentação alcoólica à temperatura de 28ºC e de maceração prolongada. Período de encuba total de quarenta dias e estágio de quinze meses em barricas novas de carvalho francês. De cor granada, apresenta um aroma intenso e elegante. Na boca apresenta uma excelente estrutura com taninos suaves, boa acidez, terminando com ampla sensação de volume.”

Este syrah fantástico só tem mesmo um problema, e não é pequeno: o preço!, que se pode considerar exorbitante e que está muito acima da média para a bolsa da maioria, o que torna este syrah inacessível para muitos.

O preço apresentado abaixo é meramente indicativo, pois em muitos lugares o valor é superior em 20%. No entanto, se aquilo que foi dito sobre este syrah vos tocou de alguma maneira, e estiverem na disposição de o experimentar, deixem-nos dar uma pequena dica que se poderá tornar valiosa. No caso de não ser oportuno adquiri-lo na loja da Adega da Cartuxa, em Évora, devido à distância, tentem perguntar na Estado de Alma. O gerente Tiago Paulo consegue fazer maravilhas com o preço de muitos syrah, este inclusive!

E olhem que vale mesmo a pena a experiência, pelo menos uma vez, já que é algo inolvidável. Por exemplo no jantar da passagem de ano ou mesmo no almoço de Ano Novo!

Já agora, a equipa do Blogue do Syrah deseja a todos os leitores presentes e futuros um óptimo 2015, bem acompanhado com syrah de qualidade, de preferência portugueses!

Classificação: 19/20                            Preço: 55,00€

 

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