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Quinta de Ventozelo, 100% Syrah, Douro, 2014

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Da mítica Quinta de Ventozelo temos mais um Syrah do Douro, com data de 2014.
Muito fresco, bastante jovem, e mesmo assim tem 15% de graduação alcoólica. Trata-se de um Syrah sem madeira, e a mesma Quinta de Ventozelo prepara-se para lançar brevemente um Syrah feito com madeira! Será a primeira vez que tal se faz em Portugal! O mesmo “terroir” e no mesmo ano produzir um monocasta Syrah com e sem madeira. Apreciámos bastante a ideia, e aguardamos ansiosos a segunda parte.

A Quinta de Ventozelo possui uma equipa de enologia de que é Diretor José Manuel Sousa Soares, e é uma das duas maiores da região. São 400 hectares, 200 dos quais ocupados por vinha (estão a ser replantados 40 hectares, nos quais as castas estrangeiras como o Merlot e o Cabernet Sauvignon vão ser substituídas por castas portuguesas), aos quais se junta o olival e uma área grande de caça.

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A Quinta do Ventozelo foi comprada no ano passado pelo Grupo Gran Cruz, que pertence aos franceses do La Martiniquaise, produtores de vinho do Porto desde os anos 1940 e hoje os maiores exportadores deste produto. Dos seus 200 hectares de vinha tira-se uva para vinho do Porto, mas começa-se também a fazer vinhos do Douro — alguns dos quais acabam de chegar ao mercado.

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Segundo Jorge Dias, director-geral do Grupo Gran Cruz, a quinta existe desde o século XVI, mas que escavações arqueológicas revelaram vestígios de uma aldeia conhecida como Ventozelo desde o século XII. A plantação da vinha, essa, terá começado mais tarde, pelo século XVIII. O desenvolvimento e exportação dos vinhos do Douro, e em particular os da Quinta do Ventozelo, é uma das grandes prioridades do grupo Gran Cruz para o próximo ano. Embora se trate ainda de um nicho o objectivo  é fazer  200 mil garrafas de vinho do Douro contra 25 milhões de vinho do Porto. Foi assim criada uma marca premium, permitindo igualmente aprovisionar uvas para as outras marcas do grupo, a Porto Cruz e a Dalva. Com a marca Ventozelo acabam de chegar ao mercado o Ventozelo Douro Viosinho 2014, o Branco de Ventozelo Douro 2014 e o nosso Ventozelo Syrah Regional Duriense Unoaked 2014.

Para perceber qual a estratégia do grupo, é preciso recuar no tempo e contar um pouco da sua história. A Cruz é a maior marca internacional de Porto e exporta anualmente 10 milhões de garrafas para todo o mundo. É uma marca que foi quase construída fora do país, sobretudo com a histórica campanha em França em que uma mulher de negro é fotografada em várias paisagens de Portugal, acompanhada pela frase “O país onde o negro é cor”.

A Gran Cruz é uma empresa familiar que se desenvolveu sobretudo no pós-guerra, que ocupa este cargo desde 2009. Inicialmente a Gran Cruz comprava vinho a granel em Gaia para o engarrafar em Paris. Mas em 1975 a família decide investir em Portugal para começar a fazer o aprovisionamento na origem, antecipando-se em 15 anos à decisão do Estado português de proibir a exportação a granel. A partir de 1982, começam a engarrafar exclusivamente em Gaia.

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Em 2007, o grupo comprou a empresa C. da Silva, proprietária da marca Dalva, tornando-se dona de um valioso stock de barricas de vinho do Porto, entre as quais vários Colheitas. Surgiu depois o enorme investimento, de 16 milhões de euros, numa moderníssima adega em Alijó, inaugurada no ano passado, e a abertura do Espaço Porto Cruz, na marginal de Vila Nova de Gaia.

Horácio, um dos maiores poetas da Roma Antiga, disse que “O vinho revela os sentimentos.” O Syrah da Quinta do Ventozelo tem essa capacidade como grande Syrah que é, sobretudo também porque se revelou na dupla degustação a que foi sujeito com uma enorme capacidade de evolução. É isto que costuma acontecer quando se prova um Syrah do ano anterior como é o caso.

Em conclusão, este Syrah faz justiça ao número reduzido a que pertence: o grupo dos grandes Syrah do Douro!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 10,89€


 

Ao longo do tempo, podemos evoluir como ser humano da mesma maneira que um Syrah? (parte II)

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Continuando a dissertar sobre o tema iniciado no texto anterior, e em relação ao ser humano, podemos mudar alguns comportamentos, limar arestas, largar vícios, cria oportunidades, empreender decisões que transformam a nossa vida e lhe mudam o rumo, mas tudo isto – que implica já muito esforço e força de vontade – é apenas um arranhar na superfície do que somos essencialmente. De resto, e se pusermos de parte patologias e distúrbios psiquiátricos, os tipos de organização de personalidade são apenas três: neurótica (que embora usemos muitas vezes com sentido pejorativo corresponde à da maioria de nós e é a mais saudável), borderline (estado mental limítrofe entre a neurose e a psicose) e psicótica. E estas organizações são rígidas e não são intercambiáveis. Um neurótico não pode passar a psicótico nem a borderline ou vice-versa. São organizações de personalidade que se prendem com o tipo de angústia subjacente. Mantemos alguma plasticidade toda a vida, mas no que se refere à personalidade, que é algo muito nuclear, essa plasticidade é mínima.

Destes ramos mais periféricos fazem parte a mudança de comportamentos. Quando estamos conscientes das desvantagens ou dos problemas que um traço de personalidade nos traz, podemos estar dispostos a tentar alterá-lo. As pessoas não mudam completamente, mas um desorganizado pode aprender estratégias para ser mais organizado. Da mesma forma, um tímido pode desenvolver competências sociais para ser mais adequado, mas não se tornará uma pessoa extrovertida. E na base deste limar de arestas comportamentais estão, muitas vezes, os dissabores que os traços de personalidade nos trazem.

Um grande motor de mudança é o sofrimento. Uma pessoa que é tímida, que tem dificuldade em socializar e que se sente só, ao reconhecer isso pode fazer um esforço para melhorar a sua socialização. Muitas pessoas que passam por situações ameaçadoras como uma doença grave ou um acidente potencialmente fatal garantem que nunca mais se chatearam ou preocuparam com ninharias e a sua atitude perante a vida e os outros tornou-se diferente. Ouvimos o que nos dizem e parecem-nos pessoas muito diferentes do que eram. Será? Nem por isso!

Também as mudanças de vida radicais – que hoje vemos com alguma frequência – de pessoas que largam um emprego estável para iniciar um projecto social ou que, cansadas de uma vida agitada, empreendem uma mudança da cidade para o campo não significam que mudaram de personalidade, mas antes a forma como vivem. É uma necessidade de realização pessoal que as move, e, na realidade, a pessoa não está a transformar-se, mas sim a tentar alterar a sua realidade em função da sua maneira de ser e das suas necessidades.

Aliás, para tudo o que podemos, queremos ou devíamos mudar – e já vimos que a personalidade não faz parte deste grupo – é necessário ter consciência da desadaptação, estar motivado e aceitar ajuda. E, mesmo assim, temos pela frente um outro factor que não controlamos e nos condiciona: os nossos genes. Dizia Henry Miller que «Com raras excepções, as pessoas não se desenvolvem nem evoluem; o carvalho permanece um carvalho, o porco um porco e o asno um asno

Resumindo e concluindo: se tivermos um bom, ou mesmo um muito bom, Syrah pela frente, será mais difícil a um enófilo prever o seu “comportamento” em garrafa durante a sua evolução do que se conhecermos bem uma pessoa, porque é da nossa família, porque é nosso amigo, ou porque temos uma relação amorosa. Dito de outro modo, é mais fácil prever a reacção de uma pessoa que conhecemos bem, porque já lidamos com ela há bastante tempo, do que pode, em termos de previsibilidade, acontecer com a evolução de uma garrafa de Syrah.

Por isso é que abrir uma garrafa com dois anos, quatro, seis, dez ou mais anos é sempre uma surpresa para o mais bem preparado enófilo. A maior parte das vezes, se o Syrah é de qualidade, acontece uma surpresa muito agradável. Outras vezes, infelizmente, e sem estarmos à espera, uma certa decepção!

A complexidade de um Syrah é maior do que a dum ser humano…!


 

Fidúcia, 100% Syrah, Alentejo, 2005

 

Do produtor alentejano Miguel Eloy Prazeres o Blogue dom Syrah descobriu mais este Syrah alentejano de 2005, hoje esgotado, mas a 100% Syrah.


 

Ao longo do tempo, podemos evoluir como ser humano da mesma maneira que um Syrah? (parte I)

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O que será mais difícil de compreender, o ciclo de evolução de um vinho desde que é engarrafado até ser degustado, ou o comportamento humano?

Vamos reflectir um pouco sobre esta questão.

Depois de engarrafados, os vinhos sofrem uma evolução com o passar do tempo. É um processo de redução, um certo rearranjo das centenas de substâncias que o compõem e que se formaram naturalmente durante o processo de fermentação.

Factores externos ao vinho influenciam na sua evolução, como as condições de armazenamento e, também, o tamanho da garrafa – numa meia garrafa a evolução é mais rápida do que numa garrafa normal. Contudo, a evolução depende fundamentalmente do próprio vinho: a variedade de uva, o vinhedo de onde provém, o terroir, a qualidade da colheita e as técnicas utilizadas na vinificação.

A tendência natural das coisas é que no momento da comercialização os vinhos já estejam prontos para serem consumidos. A maioria deles é feita para ser consumida até dois ou três anos depois de colocados à venda. Os brancos devem ser consumidos o mais cedo possível, para se desfrutarem as qualidades aromáticas, o sabor da fruta e a frescura. Para os tintos, o prazo é maior, pois os taninos e as anticianinas ajudam a conservá-los, à medida que as interacções ocorrem.

O ciclo de evolução de um vinho pode ser representado por uma curva. Começam a evoluir de forma ascendente até atingir o seu apogeu, quando as características de aroma, sabor e complexidade chegam à plenitude. Iniciam depois uma trajectória descendente, que reflecte a perda gradual de qualidades até à decrepitude.

Apenas uma parte mínima dos vinhos que actualmente são produzidos, como os grandes tintos do velho Mundo, tem condições de desenvolver as suas qualidades com o passar do tempo. Para comprar esses vinhos, geralmente muito caros é recomendado analisar o seu histórico através de safras anteriores, pois, geralmente, as uvas que entram no seu corte e a maneira de o vinifica é constante, definindo um estilo de vinho.

Na sua fase inicial, dentro do arranjo interno dos seus componentes, os polifenóis predominam, prevalecendo sobre moléculas menores, que são as responsáveis por aspectos mais interessantes do vinho. É comum ouvir que muitos grandes tintos são “fechados” quando jovens. Com o passar do tempo, os polifenóis polimerizam-se e precipitam-se na forma de sedimentos no fundo da garrafa. Começa a “abertura” do vinho, que caminha em direcção ao seu apogeu.

Na evolução de um vinho, os taninos têm grande participação, mas o teor alcoólico e a acidez são também muito importantes. Quando bem combinados, determinam a longevidade de um vinho. Isto é o que de um modo muito sintético é possível dizer sobre por exemplo, um grande Syrah!

Mas em relação ao comportamento humano? Esta evolução também existe após a constituição da personalidade, que por analogia colocamos a par do final do processo de engarrafamento dum vinho? Ou em relação à personalidade as coisa passam-se dum modo diferente?

Os vários especialistas que estudam o comportamento humano estão no geral de acordo com a seguinte tese: Depois da constituição da personalidade, que na maior parte dos casos acontece entre os 18 e os 21 anos de idade, não podemos mais mudar, ou seja, somos o que somos para o resto da vida. Podemos mudar muita coisa desde o aspecto, os amigos, de namorado/a, de trabalho, de hábitos, de prioridades, mas não mudamos de personalidade.

Com o tema lançado para reflexão, hoje haveremos de ficar por aqui, para continuar a reflectir sobre este assunto em próximo texto.


 

Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo, 2013

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O Syrah Humanitas nasceu predestinado para vencer!
Ainda antes de ir para o mercado já tinha conquistado duas medalhas: uma nacional, outra internacional (no concurso Syrah du Monde, o mais importante para um monocasta Syrah). É verdade que as medalhas valem o que valem mas também é verdade que não podem ser menosprezadas. O Humanitas – mas que nome bem inspirado! – de 2013 é ainda um vinho jovem mas com uma grande capacidade de evolução. O Blogue do Syrah já o provou por três vezes nestes últimos meses sempre com efeitos ascendentes. Imaginem bebê-lo daqui a meia dúzia de anos?

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O nome, na sua etimologia latina, é uma das sete virtudes do poema épico Psychomachia, que significa batalha da alma, foi escrito por Prudêncio – Poeta Romano que viveu de 348 a 410 e fala sobre a batalha das boas virtudes contra os vícios malignos.

O enólogo é o mestre Pedro Baptista que está também ligado à Fundação Engenheiro Eugénio de Almeida e é responsável pelo Syrah Scala Coeli já aqui apresentado. A designer é Rita Rivotti, que trata da imagem dos vinhos que agora chegam ao mercado.

Só foram feitas 2100 garrafas, com um grau alcoólico de 14,5%. As notas de prova que escolhemos dizem que tem “cor densa e concentrada, aromas maduros de frutos vermelhos e pretos à mistura com a frescura de bosque e sensações mentoladas. Tanino assertivo e boa acidez que escondem por completo o álcool elevado.”

A vinha está implantada em solos de origem granítica, beneficiando também da exposição a norte, que proporciona maiores amplitudes térmicas e noites mais frias que a generalidade do Alentejo. As produções serão sempre baixas e orientadas unicamente para a qualidade até porque a vinha só tem 2,5 hectares.

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O proprietário, o muito simpático José Rodrigues, um empresário de Setúbal, amante de Syrah como nós, tinha o desejo de plantar uma vinha onde pudesse fazer vinhos de qualidade. Podia ter escolhido Setúbal, o que seria natural, mas inteligentemente optou pelo melhor sítio onde, com alguma garantia de sucesso, poderia fazer um Syrah, assim como outros vinhos, naturalmente, com qualidade elevada. Escolheu o Alto Alentejo, mais precisamente o distrito de Évora.

Foi em 2011 que descobriu o refúgio ideal. Uma propriedade no Alentejo, a cerca de 10 kms de Évora, situada numa zona de paisagem protegida pela Rede Natura 2000, que o encantou de imediato. A casa do Monte da Ribeira era a única edificação a pontuar a propriedade. Começou por adquirir um tractor e algumas alfaias para apoio do assento agrícola e o seu espírito inquieto não sossegou enquanto não concretizou o desejo de plantar uma vinha. Não é fácil fazer uma vinha e produzir vinhos e ter um lugar no mercado, mas apesar de José Rodrigues ter sido avisado, não quis desistir e foi à luta. Plantou então, entre Abril e Maio de 2012, 2,5 hectares de vinha com castas que sempre apreciou: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e naturalmente a nossa Syrah. Depois, chamou o arquitecto Jorge Fragoso Pires para lhe desenhar uma adega funcional e contextualizada.

A adega está situada em território abrangido pela Rede Natura 2000, que visa proteger as espécies e os habitats mais ameaçados da Europa. Foi concebida segundo exigentes critérios de racionalidade técnica e funcional e está preparada para resistir às inevitáveis evoluções do processo produtivo. A uva é seleccionada manualmente no amplo alpendre exterior, para ser admitida na nave industrial, e a transferência das massas é feita por gravidade, de um modo natural.

A cave de envelhecimento é semi-enterrada, para assegurar a correcta evolução dos vinhos em ambiente termo-higrométrico adequado. O “layout” complementa-se com o laboratório, outras instalações técnicas e uma cuidada zona social onde se realizam as provas de vinho, e outras reuniões, com ampla vista sobre a quinta. De tal cuidado e rigor só poderia sair algo de qualidade superior, como fica comprovado!

A nossa citação de hoje é do castelhano Miguel Torres que diz:
“Qualquer homem inteligente pede um Syrah que agrade às mulheres!”
Somos de achar que o Humanitas cumpre este desiderato!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 16,00€


 

Lybra Rosé, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2014

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Para terminarmos as nossas andanças prazerosas pelo Monte d’Oiro, vamos falar com mais detalhe sobre uma preciosidade única em Portugal, um Rosé feito com Syrah, neste caso o Lybra Rosé, que tivemos oportunidade de provar com todo o deleite por ocasião da memorável visita à Quinta, no dia 1 de Setembro de 2015, onde fomos recebidos com toda a amabilidade e disponibilidade por Francisco Bento dos Santos, que é actualmente quem gere os destinos do lugar, sucedendo a seu pai, José Bento dos Santos, o fundador, que ainda participa activamente nas decisões mais importantes.

Interessa perceber primeiro, embora de forma breve, como se obtém um Rosé. Inicialmente o processo é igual ao Tinto, desengaçar e esmagar, embora venha um choque térmico a temperatura mais reduzida, facilitando o processo de clarificação, havendo sempre o cuidado de que a pressão utilizada não conduza à extracção  de demasiada cor das películas. Em seguida interessa clarificar o mosto, removendo a maior parte dos sólidos em suspensão, sendo a técnica mais utilizada a decantação estática a baixa temperatura durante um a dois dias.  A fermentação é por fim um compromisso entre entre escolher temperaturas mais baixas, havendo lugar a maior frescura no produto final, ou mais altas, perdendo-se os aromas frutados.

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Este Lybra especial nasceu de uma parcela especifica, tratada e conduzida para o produzir em forma Rosé, como já explicado, através de vindima manual e escolha cuidadosa, seguida de esmagamento com prensagem directa. Tem 12,5% de graduação alcoólica. Foi com enorme prazer que o degustamos, lentamente, apreciando a frescura natural vinda de uma cor pálida e aroma delicado, ligeiro e floral, com algo de especiarias ténues. O delicadeza da fruta estava presente estendendo-se para final mais longo que o normal. É Syrah em forma ligeira e refrescante, gostámos muito, sobretudo da sua pureza, além de que é produzido segundo a filosofia biológica com gestão parcelar. Chega-se mesmo a falar de um tema, conceito muito original, citando directamente a Balança como signo de harmonia e de vindimas, equilíbrio harmoniosa entre casta, fruta e terroir, um Syrah que se interpenetra com a alegria da sua juventude na culinária do dia-a-dia… não devia ser assim sempre?

A metade vegan do Blogue do Syrah é de opinião que este é o Syrah perfeito para acompanhar um refeição vegetal em toda a sua plenitude! A classificação atribuída é fundada na comparação com outros Rosé que conhecemos, independentemente das castas presentes, mas claro, sendo este claramente o nosso favorito!

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A nossa já citada visita ao Monte d’Oiro, permitiu ver local e directamente como tudo isto se processa, sobretudo a paixão e saber cuidadoso como se entende o acto de fazer Syrah em toda a sua extensão, segundo princípios muito rigorosos, cheios de sabedoria a arte de bem fazer, que evoluiu de uma ideia precisa de introduzir em Portugal um estilo europeu de alta qualidade, adaptando esses princípios às qualidades e mensagens do terroir existente. E a ideia de terroir, com toda a sua especificidade e diversidade, mesmo entre parcelas próximas, como tivemos oportunidade de verificar no local, foi o principio base para a força do Syrah aqui produzido. Fomos testemunhas, já que pudemos assistir ao momento de vindima em directo, do cuidado inscrito nessa etapa tão importante, vindima manual, transporte em caixa individuais de 15 kg, escolha criteriosa de todos os cachos antes de seguirem para a prensa.

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A percurso entranhado e apaixonante pelas diversas parcelas da vinha, com a emoção de ver ao vivo de onde nasce o nosso tão querido Syrah 24, por exemplo, foi um dos momentos altos desse significativo deambular por entre aquelas uvas cheias de vida. Foi-nos explicado o tratamento da vinha, sempre sem recorrer a químicos, sempre optando pela qualidade em vez de quantidade. As podas são severas ao seu tempo, e as mondas igualmente significativas, dando lugar a rendimentos baixos por hectare.

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No final da nossa visita ao Monte d’Oiro, fomos agraciados por uma prova de vários Syrah da Quinta, todos de altivo porte, para nosso enorme prazer, entre eles o Lybra Rosé, onde pudemos confirmar os seus dotes finos e apurados de frescura incomparável.

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Eis pois que com esta fraterna imagem de convívio amigável nos despedimos emocionados do abençoado Monte d’Oiro, citando Alexandre Dumas:

“O Syrah é a parte intelectual de uma refeição, os legumes e o que mais houver na mesa são apenas a parte material”

 

Classificação: 18/20                                                      Preço: 12,00€

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