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Quinta do Monte d´Oiro: lugar abençoado pelo Syrah – Parte II

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Continuando hoje a falar de uma quinta abençoada, vamos seguir com o respectivo Syrah gama de entrada, o Lybra, com uma graduação alcoólica de 13,5%, e do qual são produzidas em média 15 a 20 mil garrafas por safra. O estágio é de 10 a 12 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova escolhidas dizem que se trata de um Syrah “Cor rubi intensa e nariz marcado pelos aromas de frutos pretos e do bosque, bem como delicadas notas de especiarias e alguma madeira, na boca é um vinho equilibrado, de taninos polidos e um volume e estrutura de expressão média, conta com um paladar frutado e especiado, além de ligeiramente vegetal, terminando com um final de boca de comprimento e persistência medianos.”

Temos também o Lybra Rosé de que falamos em texto próprio e que é o único Rosé português feito exclusivamente da casta Syrah.

A Quinta do Monte d`Oiro também produziu o Syrah Vinha da Nora, que é o antepassado do Lybra. A primeira replantação de Syrah na Quinta teve lugar numa parcela com 2,75 hectares de meia encosta virada a sul e de conhecidas potencialidades, denominada “Vinha da Nora”, vinha esta que foi plantada no início de 1992 e, durante 5 anos, tomou-se a decisão de não produzir quaisquer quantidades por forma a favorecer apenas o desenvolvimento vegetativo da planta. Tal prática permitiu um estabelecimento perfeito da vinha e originou uma primeira colheita em 1997. As notas de prova dizem que este Syrah tem “aromas balsâmicos, com notas de fruta madura e em calda mas que não perturbam a grande frescura de conjunto. Cremoso na boca, macio e com um toque mineral. Conjunto focado em especiarias finas, suave e de final longo.” Este Syrah foi descontinuado em 2005 e como já foi dito deu origem ao Lybra que surgiu pela primeira vez em 2006.

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A Quinta também produziu, somente por duas safras, em 1999 e em 2001, um outro Syrah, o Homenagem a António Carqueijeiro, com um total de 18 meses repartidos por duplo estágio -200%- em barricas novas de carvalho Allier da tanoaria Seguin Moreau, grão fino e meia tosta/1 ano de estágio em garrafa. As notas de prova que escolhemos dizem que este Syrah hoje esgotado é “Concentrado nas suas componentes visual, aromática e de paladar, é um tinto raro e precioso, com um perfil exótico. É carnudo, sensual, esbelto e vigoroso de corpo, sedutor, fino, harmonioso, com um final intenso, longo, persistente”. Com mais uma qualidade: pode ser bebido desde já, mas tem características que lhe auguram uma favorável evolução em garrafa pelo menos durante os próximos 10 anos. Este Syrah de eleição, surgiu para homenagear António Mário Carqueijeiro, ilustre advogado, enófilo de fina sensibilidade e grande impulsionador do projecto vitivinícola da Quinta do Monte d’Oiro, criando assim José Bento dos Santos um vinho único, extremamente concentrado e elaborado a partir das castas Syrah (94%) e Viognier (6%), tal como os grandes crus da região da Côte Rotie em França. A Quinta do Monte d’Oiro, com este Syrah “Homenagem a António Carqueijeiro”, venceu um concurso ibérico que envolveu os melhores e mais famosos vinhos de Portugal e Espanha. Este “duelo ibérico” foi organizado pela prestigiada revista espanhola Sibaritas, infelizmente já desaparecida, em colaboração com a portuguesa Revista de Vinhos, que seleccionaram os quinze melhores vinhos de cada país. Desta forma, os 30 melhores vinhos da Península foram sujeitos a duas provas cegas (onde os provadores não conhecem a identidade dos vinhos), uma em Portugal com uma elite de provadores portugueses e outra em Madrid com os melhores provadores espanhóis. O “QUINTA DO MONTE D’OIRO 1999, Homenagem a António Carqueijeiro” foi o primeiro classificado em ambas as provas, sagrando-se, assim, vencedor deste grande embate Portugal-Espanha. Foi verdadeiramente algo de notável. Quem sabe um dia surge uma nova safra!

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Também poderíamos mencionar aqui um Syrah a 100% feito para os restaurantes 100 Maneiras  intitulado Quem Syrah? De 2012, cujo chef Ljubomir Stanisic meio jugoslavo meio português e que teve participação na escolha dos lotes de Syrah que fazem parte deste vinho. É que os Syrah de lote na Quinta do Monte d`Oiro só se fazem no engarrafamento. E também não podemos esquecer o blend de 2010 chamado Ex-Aequo com 75% de Syrah e 25% de Touriga Nacional feito a meias entre o José Bento dos Santos e o produtor Michel Chapoutier.

Ou seja, o que vemos aqui de uma maneira única e exemplar é uma quinta de 20 hectares mas que faz uma gestão parcelar num conjunto total de 10 parcelas que possuem características muito particulares e diferenciadas em termos de solo. A própria vindima é feita parcela a parcela. Ora, se temos 10 parcelas e se os vários Syrah que existiram e existem da Quinta do Monte d`Oiro são de uma ou mais parcelas da quinta, lançamos uma questão: qual será, em termos teóricos, o número possível de combinações de modo a termos Syrah sempre diferentes? O Blogue do Syrah pediu a ajuda a um colega de matemática que rapidamente deu a resposta: 1023 possibilidades de combinações entre as 10 parcelas de Syrah que a  Quinta do Monte d`Oiro possui. A família Bento dos Santos pode continuar a fazer Syrah sempre diferentes e sempre de qualidade.

Uma referência ainda à prova vertical com que fomos brindados por Francisco Bento dos Santos, aquando da nossa visita à sua Quinta. Provou-se Syrah Rosé, Syrah 24, Reserva de vários anos, mas o que nos espantou pela positiva foi o Lybra de anos mais recuados. Mostrou-se com uma capacidade de evolução que não teríamos conseguido imaginar. Foi uma prova de Syrah verdadeiramente memorável, que como tal vai perdurar nos diversos compartimentos da memória, para todo o sempre!.

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Eis pois, para quem quiser tentar ainda uma demanda arqueológica por Syrah esquecido no tempo em alguma cave recôndita por aí, a lista cronológica patrimonial deste nosso lugar abençoado:

VINHA DA NORA
1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2005

LYBRA
2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012

LYBRA Rosé
2011, 2012, 2013, 2014

RESERVA
1997, 1999, 2000, 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011

HOMENAGEM A ANTÓNIO CARQUEIJEIRO
1999, 2001

SYRAH 24
2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012

Terminamos com mais um pensamento da nossa lavra:
“Não podes comprar a felicidade, mas podes comprar Syrah, porque é quase a mesma coisa…”

 

Lybra, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2011
Classificação: 16/20                                                     Preço: 8,99€

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Vinha da Nora, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2005
Classificação: 17/20                                                     Preço: 15,00€

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Homenagem a António Carqueijeiro, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2001
Classificação: 18/20                                                     Preço: 76,00€

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Quinta do Monte d´Oiro: lugar abençoado pelo Syrah – Parte I

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Os últimos serão os primeiros? Pode ser, eventualmente, porque chegou a altura de falar de uma quinta na região de Alenquer, com a dita de ter sido abençoada pelo nascimento não apenas de um Syrah, mas de vários Syrah, todos de excelência! Apesar de não ter só Syrah, é esta casta que ocupa a maior área da quinta e produz os vinhos de maior impacto dentro e fora do país.

aqui falamos do homem que começou e deu corpo ao projecto da Quinta do Monte d´Oiro e nomeámos os Syrah que produziu ao longo dos últimos 18 anos, apresentando-se como um dos iniciadores da casta Syrah em Portugal. Na região vitivinícola de Lisboa, anteriormente chamada de Estremadura, não há dúvidas de que José Bento dos Santos foi o introdutor do Syrah. Hoje em dia, apesar da sua presença ainda ser fundamental nas decisões mais importantes, é o seu filho Francisco Bento dos Santos que tem a responsabilidade de liderar a equipa que resolve os problemas do dia a dia que a quinta apresenta, estando presente em muitas das feiras em diversos momentos de divulgação dos vinhos da quinta. É ele que actualmente dá a cara pela quinta.

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Localizada na região de Lisboa, a Quinta do Monte d’Oiro é uma referência, desde o séc. XVII, na produção de vinhos notáveis. Foi adquirida em 1986 pelo mestre gastronómico José Bento dos Santos, que replantou as melhores parcelas – após vários anos de estudos sobre as condições edafo-climáticas – com as castas que melhor se adaptaram aos seus desígnios de elaborar vinhos de qualidade superior, ao estilo europeu (“Velho Mundo”), que ao mesmo tempo fossem vinhos de requintado sentido gastronómico, com um perfil eminentemente talhado para acompanhar em perfeita harmonia pratos de uma genuína cozinha regional, clássica ou alta cozinha. Após os primeiros anos de consolidação, a Quinta do Monte d’Oiro entrou numa nova fase da sua história a partir da colheita de 2006, lançando para o mercado uma nova imagem e vinhos provenientes de uma conversão para a agricultura biológica sem recurso a herbicidas. O rigor é o lema da Quinta do Monte d’Oiro, desde o trabalho na vinha, passando pelos processos de vinificação e terminando na escolha das barricas de carvalho francês das melhores tanoarias, a cargo da enóloga Graça Gonçalves com o apoio técnico de Grégory Viennois, antigo enólogo-chefe da Casa M. Chapoutier e actualmente à frente da direcção técnica dos vinhos Laroche. Os prémios nacionais e internacionais sucedem-se.

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Dos 42 hectares da propriedade, apenas 20 hectares foram replantados com as castas Syrah, Viognier e Petit Verdot, importadas directamente das suas regiões originais em França, e com as castas portuguesas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Arinto.

Existe a preocupação de produzir uvas com rendimentos muito baixos, incrementando a qualidade enológica que se pretende dos vinhos. A partir da colheita de 2006 passaram a existir duas famílias de vinhos: os vinhos de “terroir” e os vinhos de “cépage“, com a assinatura José Bento dos Santos.

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Assim, para além de ter sido privilegiado o desenvolvimento vegetativo das videiras, o tratamento da vinha é muito exigente e praticam-se rendimentos de produção por hectare muito baixos através de podas severas e mondas de cachos significativas, sempre em modo de produção biológica. A vindima é feita à mão, como testemunhámos na visita que fizemos à quinta, para caixas de 15 kg, por forma às uvas chegarem intactas à adega. A vinificação, que decorre separadamente por casta e por parcela, é extremamente cuidada, com controlo rigoroso e individual da temperatura dos mostos. Utilizam-se ainda barricas novas e seleccionadas de carvalho francês em estágios prolongados de 12 a 24 meses. Este “savoir faire” garante um resultado que se tem vindo a revelar, ao longo dos anos, superlativo e consistente. De facto, colheita após colheita, os diversos vinhos da Quinta do Monte d’Oiro recebem o apoio unânime da crítica e do público em Portugal e no estrangeiro, estando presentes em importantes mercados internacionais tais como Holanda, França, Suíça, Reino Unido, Finlândia, República Checa, E.U.A., Brasil, Angola e China e nas Cartas de Vinhos de alguns dos mais famosos restaurantes europeus e americanos.

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Falemos então dos Syrah que esta quinta tem produzido desde 1997.Comecemos por dizer que a frase mais apelativa e forte que o Francisco Bento dos Santos utilizou na visita que o Blogue do Syrah fez à Quinta do Monte d’Oiro foi: “Somos especialistas em Syrah” e isso para nós toca-nos de modo muito especial. Apetece responder com uma frase da nossa lavra:
“O Syrah dá-te a possibilidade de perder a inocência, sem perder a virgindade.”
A opção Syrah em toda a sua pujança que levou a esta especialização deve-se à paixão do fundador José Bento dos Santos pelos grande vinhos do Rhône, onde a nossa casta é soberana, igualmente pelas características do “terroir”, que se veio a revelar ideal sendo uma aposta ganha, e depois toda a aprendizagem e experiência que se foi desenvolvendo e acumulando ao longo dos anos.

Temos em primeiro lugar o Reserva, que existe desde 1997, (o Blogue do Syrah teve um exemplar desse ano nas mãos, durante a já referida e memorável visita) que é para a Quinta o Syrah que não pode deixar de ser produzido. Tem 4% de Viognier (em co-fermentação) e é o Syrah mais parecido com os Syrah franceses do Vale do Rhône, considerada a referência a nível mundial.
Olhar para esta garrafa é sentir o tempo apurado em eflúvios ancestrais!

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A tiragem corrente tem 14% de graduação alcoólica e produzem-se em média 24 mil garrafas. É o seu Syrah de marca! As notas de prova que escolhemos dizem que é um vinho de “Rubi concentrado, negro. Aroma frutado com predominância para as ameixas pretas bem maduras e frutos do bosque, ligeiras notas tostadas e de especiarias finas. Elegante na boca, revela um conjunto equilibrado entre a fruta e a madeira bem integrada, taninos aveludados, acidez correcta, final muito prolongado e distinto.” Teve um estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês, das quais 40% eram novas.

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De seguida temos o Syrah 24, o nosso preferido!
Apenas se produzem 900 garrafas por safra, e com 14% de graduação alcoólica, mais um vez referida à safra actual. A designação 24 provém do facto das uvas terem origem numa parcela de vinha com esse número. Complexo, com notas de frutos pretos e sugestões de compota, chocolate, especiarias e uma sugestiva e discreta presença de barrica de alta qualidade. Um vinho muito atraente, moderno, com belíssimos taninos, acetinado na boca. Este vinho foi elaborado a partir de uma seleção massal de Syrah, plantada na parcela 24 de somente 2 hectares e proveniente de vinhas velhas (com mais de 60 anos) da região francesa de Hermitage. A grande variabilidade genética nesta parcela, origina, assim, um vinho de extrema complexidade. “Estamos perante uma vinha perfeita de Syrah”, afirma Grégory Viennois, o experiente enólogo francês que acompanha a vitivinicultura da Quinta do Monte d’Oiro. Tem sido desde o seu lançamento alvo de integralmente merecidas pontuações bastante elevadas pelos maiores especialistas.
O nosso  SYRAH 24, produzido por José Bento dos Santos na Quinta do Monte d’Oiro, já recebeu por três vezes (2007, 2009 e 2011) a classificação de 93 pontos pela prestigiada Wine Advocate, de Robert Parker (o mais famoso crítico de vinhos do mundo), o que o coloca entre o grupo de vinhos portugueses a que Parker atribuiu uma pontuação igual ou superior a 93.
É um feito notável!

Continuaremos esta saga em próximo texto, que ainda há muito para contar. Por hoje é tudo.

 

Reserva, Quinta do Monte d’Oiro, 94% Syrah, 6% Viognier, Lisboa, 2011
Classificação: 17/20                                                     Preço: 34,00€

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Syrah 24, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2011
Classificação: 18/20                                                    Preço: 53,00€

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Cortes de Cima Syrah, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Costuma-se dizer que não há duas sem três! E no caso dos Syrah de Cortes de Cima é mesmo verdade.

Hoje vamos apresentar o terceiro Syrah na sequência que escolhemos para Cortes de Cima. Já falamos do Homenagem a Hans Christian Andersen e do Incógnito. Hoje é a vez do Syrah gama de entrada, simplesmente chamado Cortes de Cima Syrah. Dos três é o menos empolgante mas nem por isso desce do patamar electivo. Há quem diga que é pouco interessante, e aqui discordamos. Tudo o que vem daquela região mítica não pode deixar de ser acima da média. O que lhe está por detrás já foi por nós contado nos textos anteriormente referidos.

Há aqui sim um aspecto que queremos enfatizar: o preço elevado para a gama que representa. Respondem os representantes da propriedade com a história, com a procura e com as vendas que esgotam os stocks. Outros Syrah de qualidade têm preços bem mais simpáticos porque não se chamam “Cortes de Cima” e não carregam o fardo de terem sido o motor da implementação da casta Syrah no Alentejo e daí a projecção que ganhou no resto do país. Temos de aceitar a argumentação. Adiante.

Este Syrah de 2012 é a 17º vindima. Depois de um inverno frio e seco e de uma primavera também fria e seca, chegou um verão excepcional. Todos conduziram a uma apanha de qualidade! Este vinho foi produzido exclusivamente a partir da casta Syrah. As uvas foram rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, e alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano até altura do engarrafamento em Julho de 2013. A data de lançamento foi Julho de 2014.

As notas de prova que escolhemos dizem que tem “aromas a fruta com caroço e de bago preto, com notas de baunilha e especiarias. No paladar é sumarento e bem equilibrado por taninos densos que proporcionam uma excelente estrutura.” A graduação alcoólica é de 14%.

A colheita, produção e engarrafamento foram feitos na propriedade familiar. A produção total foi de 50.220 garrafas.

Neste último ano o Blogue do Syrah teve a possibilidade de apreciar, sempre com enlevo, várias garrafas deste Syrah, mas do ano 2002, e que está ainda impecável de nariz e de boca, com possibilidade de evolução positiva. Constantemente somos de confirmar que a nossa casta de eleição envelhece mesmo muito bem!

Ainda sobre a questão do preço dos Syrah em Cortes de Cima, e para terminarmos por hoje será bom lembrar Thomas Jefferson quando diz: “Não há nenhum país bêbado onde o vinho é barato”!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 13,00€

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Em grande na Grande Prova Mediterrânica

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É sempre com enorme prazer que nos deslocamos a estes acontecimentos para sentirmos o pulsar dos que com paixão e entrega fazem o néctar de Baco, por nós tão apreciado.

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Mais ainda porque, como não nos cansamos de repetir, as amostras presentes nos chegam da região portuguesa, Alentejo, com mais e melhor Syrah de Portugal, diríamos mesmo sem qualquer pudor, e do mundo. Um dia vamos tirar isso a limpo!

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Falámos com produtores que já conhecíamos, fizemos novos contactos, insistimos na nossa predilecção junto dos mais renitentes, recolhemos opiniões e ideias, provámos do bom e do melhor, para nosso imenso deleite.

A organização estava perfeita e está de parabéns, todos os produtores devidamente identificados em igualdade de circunstâncias, gostámos da ideia de colocar imagens de qualidade para caracterizar com ritmo os diversos expositores presentes.

Terras D'Ervideira, foi por onde começámos o périplo. Simpatia e saber!
Terras D’Ervideira, foi por onde começámos o périplo. Simpatia e saber!
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Com José Rodrigues, Vinha das Virtudes, que nos presenteou generosamente com uma garrafa do novíssimo e premiado Humanitas Reserva Syrah… calorosamente agradecemos!
Malhadinha Nova, pedindo mais...
Malhadinha Nova, pedindo mais…
Classe, distinção e sabedoria. Margarida Cabaço... está tudo dito!
Classe, distinção e sabedoria. Margarida Cabaço… está tudo dito!
Comenda Grande, falando com quem sabe fazer um grande Syrah! Comenda
Comenda Grande, falando com quem sabe fazer um grande Syrah!
Dona Dorinda, chegando ainda mais acima na escala dos superlativos... e que enorme felicidade conhecer quem sabe fazer tal arte!
Dona Dorinda, chegando ainda mais acima na escala dos superlativos… e que enorme felicidade conhecer quem sabe de tal arte!
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Eis a grande novidade, tão ansiosamente aguardada, já nas nossas mãos: o Mil Reis!!!
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Falando e justificando o valor e um preço de Mil Reis… aceitámos, não temos mais remédio!
Os génios por detrás de um dos nossos favoritos: Brett Edition Syrah!!!
Os génios por detrás de um dos nossos favoritos: Brett Edition Syrah!!!
Cortes de Cima... e fica tudo dito!
Cortes de Cima… que mais se pode dizer?!
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E com uma generosa oferta, que muito agradecemos, nos despedimos com amizade até ao próximo programa, dizemos, Syrah!

 

 

Pynga, Vale da Capucha, 97% Syrah, 3% Viognier, Lisboa, 2012

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Fazia já algum tempo que tínhamos conhecimento da eminente chegada deste novo Syrah, de Lisboa, produção biológica, concelho de Torres Vedras, do produtor e enólogo Pedro Marques. Foram várias as vicissitudes na obtenção deste Syrah, que agora já nada importam, interessa sim dizer que quando tal foi conseguido ficámos muito surpreendidos, pela positiva. O primeiro Syrah de Pedro Marques foi uma aposta ganha.

Agora é preciso divulgá-lo, como merece, e o Blogue do Syrah está aqui para dar a sua contribuição. Não é Syrah a cem por cento, como gostamos, mas adiante.

As notas de prova que escolhemos falam de um “vinho com caracter e personalidade vincada. As vinhas gozam de influência marítima o que confere às uvas uma frescura e equilíbrio singulares.” A graduação alcoólica é de 14 %.

Para criar este e os outros vinhos no Vale da Capucha, as videiras foram plantadas em solos calcários de origem oceânica. A expressão da influência marítima é assegurada por uma intervenção humana máxima na vinha e mínima na adega.

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A Vale da Capucha, Agricultura e Turismo Rural, Lda, iniciou a sua actividade vitivinícola em 2006 na Quinta de S. José em Carvalhal, Torres Vedras.

A empresa, herdeira de gerações de produtores/armazenistas de vinho desde 1858 alterou profundamente a sua vitivinicultura em 2006, com o arranque de todas as vinhas existentes e a instalação maioritária de castas brancas portuguesas. Apenas a 10 km da faixa costeira e da influência marítima, os solos fossilíferos argilo-calcários de origem oceânica, juntamente com as pequenas amplitudes térmicas que permitem o lento amadurecimento dos brancos sem os escaldões do verão, são duas das variáveis que dão corpo a um terroir único para a produção de vinhos brancos do segmento premium. Uvas como o Alvarinho, o Gouveio, o Viosinho, o Arinto, o Fernão Pires e o Antão Vaz (primeira produção na Região) são a matéria-prima que tem produzido vinhos reconhecidos nos mercados mais exigentes do Reino-Unido, Alemanha, Suíça, Bélgica, Brasil, Polónia e brevemente o Japão, Estados Unidos, Noruega e Canadá. Nos tintos seleccionou-se a Touriga Nacional e a Tinta Roriz para produzir vinhos tintos encorpados e com boa capacidade de envelhecimento. Duas castas francesas completam as variedades de uva com que se criam os vinhos, a Viognier e naturalmente a nossa bem amada Syrah.

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Iniciado em 2012 o caminho da Certificação em Modo de Produção Biológico, foi a partir de 2015 que os primeiros vinhos com essa chancela no rótulo.

A vertente do enoturismo conta com a utilização da Adega original, rara representante, ainda de pé, da construção agrícola em madeira do séc. XIX. Aí, para além de provas temáticas, a gastronomia regional tem expressão nas variadas ementas produzidas para eventos, refeições a pequenos grupos e provas de vinhos.

A Quinta Pedagógica e as actividades de formação básica nas áreas de Enologia e da Ecologia, criam um interessante ambiente de proximidade entre os visitantes e a agricultura sustentável.

Para finalizar teremos que concluir como dizia Ana Luísa Calem que “Um Syrah Bom, é Sempre Bom em qualquer parte do Mundo”.
E este Pynga, como bom que é, está de se beber onde quer que seja… vamos a isso!

 

Classificação: 16/20                                                   Preço: 7,65€


 

Quinta do Francês, Quinta do Francês Patrick Agostini, Lda, 100% Syrah, Algarve, 2012

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Poderíamos começar esta nossa análise ao Syrah da Quinta do Francês 2012 fazendo uma analogia com a célebre frase de Bertold Brecht que diz: “Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida, e estes são os imprescindíveis.” Com o Syrah poderíamos dizer qualquer coisa parecida, por exemplo: “Há Syrah que se bebe uma vez e sabe bem, há outros que se bebem algumas vezes e são melhores, mas há aquele Syrah que é muito bom e deve ser bebido e lembrado por muito tempo, tornando-se imprescindível”.

Quando no dia 10 de Março do corrente ano demos a novidade do novíssimo Syrah Quinta do Francês 2012 escrevemos o seguinte: “Um Syrah maior que a terra que o viu nascer!” Falávamos da segunda safra deste Syrah de Silves.

Quando foi publicada a análise do seu “irmão” de 2011, a 12 de Maio, que pode ser lida aqui, dissemos no post scriptum que em relação à safra de 2012: “Não o provámos! Ainda não tivemos coragem para isso! No fundo, temos receio de que a nova safra por muito boa que, eventualmente, possa ser, seja inferior à de 2011.“

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Mas agora já o degustamos. Chegou a hora de fazer a respectiva análise.
E as diferenças são as seguintes: em primeiro lugar o ano. O anterior era de 2011 e este é de 2012. A graduação alcoólica é também diferente. O de 2011 tinha 16% e este de 2012 tem “somente” 14,5%. Mas se no texto do Syrah de 2011 dizia-se a dado passo: “Tem uma graduação alcoólica de 16%, mas, não se assustem, nem se nota!” Hoje podemos dizer o mesmo em relação ao Syrah de 2012 mas de modo inverso, ou seja, se em relação ao de 2011 o significado de “…mas, não se assustem, nem se nota!” era de que ao degustá-lo parecia ter menor graduação devido à interpenetração de todos os elementos compostos que constituem o vinho, no Syrah de 2012 também podemos dizer “…mas, não se assustem, nem se nota!”, ou seja, ao degustá-lo não parece ter uma graduação inferior à safra de 2011, o que é extraordinário e a explicação é a mesma que demos anteriormente!

E há uma outra diferença e esta mais importante. Havendo alguém que perguntasse, por hipótese, ao Blogue do Syrah se perante duas garrafas de Syrah do Quinta do Francês, uma de 2011 e a outra de 2012 e se só pudesse escolher uma, qual das duas é que o Blogue do Syrah escolheria, a nossa decisão tombaria para o lado de 2011, porque tem mais 2 anos de evolução em garrafa em relação à actual, que veio para o mercado somente este ano! Mas dêem mais dois anos de evolução em garrafa ao Syrah Quinta do Francês 2012 e verão nessa altura as potencialidades demonstradas!

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Em suma, se é difícil obter a mais alta nota num vinho, ou seja no que for, muito mais difícil é conseguir apesar de tudo e todos, manter esse patamar de excelência, e o Syrah Quinta do Francês consegue-o na totalidade! Continuamos a sustentar tudo o que foi dito no texto sobre a safra de 2011 do Syrah da Quinta do Francês e somos de o reafirmar inequivocamente em relação à safra de 2012.

Experimentem e confirmem que não estamos a exagerar mas, caros leitores do Blogue do Syrah, se chegarem à conclusão que todas as palavras que acabam de ler são a pura das verdades, por favor, sim por favor, não comprem todas as garrafas porque nós aqui no Blogue do Syrah gostaríamos, até à próxima safra, de degustar mais algumas!

Mais uma vez não hesitámos: 20 valores, é assim o estofo dos imprescindíveis!

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 25,00€

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