Tag Archives: syrah

Um Momento Memorável! Prova Cega de Syrah, 3 de Outubro, Estado D’Alma – Bar & Bistro, Lisboa

IMG_4447

Estado D’Alma – Bar & Bistro, Lisboa, uma prova cega exclusivamente de Syrah, que foi efectivamente um momento memorável para todos os amantes desta casta.

Pela primeira vez em Portugal foi realizada uma prova cega com vinte e seis Syrah, representativos de todas as regiões do país, e com cerca de sessenta jurados, que degustaram e classificaram de zero a vinte alguns dos melhores Syrah portugueses.

IMG_4452

A prova decorreu em ambiente animado, e o Blogue do Syrah em conversa com muitos dos participantes concluiu do sucesso e da boa disposição que contagiou os jurados, havendo duas notas a destacar e que funcionaram como mais-valia deste evento.

IMG_4454

Em primeiro lugar, a organização deste acontecimento a cargo do grupo “Cegos por Provas”, que tiveram em atenção os mais pequenos pormenores, não descuraram nada nem ninguém de modo a que o resultado fosse do agrado de todos!

Em segundo lugar, o profissionalismo demonstrado pela equipa do “Estado D’Alma – Bar & Bistro” capitaneada pelo sommelier João Chambel e secundada por alguns dos elementos dos “Cegos por Provas” que foram incansáveis para que a prova decorresse com toda a normalidade e ritmo, a fim de que os jurados pudessem estar focalizados no seu trabalho: degustar, apreciar com rigor, avaliar e classificar os Syrah apresentados em conjuntos de três.

IMG_4456

Resultados finais, só mesmo daqui a dois ou três dias porque agora é necessário fazer as contas que se impõem (e não são poucas), de modo a obtermos um top ten dos Syrah portugueses submetidos a esta prova cega.

Por último, um agradecimento especial é devido aos produtores portugueses que graciosamente participaram nesta prova, que irá marcar indelevelmente o futuro dos Syrah portugueses!


 

Crasto Superior Syrah, Quinta do Crasto, 97% Syrah, 3% Viognier, Douro, 2013

crasto_garrafa

O Syrah da Quinta do Crasto é o terceiro Syrah a surgir no Douro, depois do Labrador da Quinta do Noval e do Quinta da Romaneira. Outros vêm a caminho. É do Crasto que vamos falar hoje.

Não defendemos que o Douro se deva encher da nossa casta favorita, até porque isso não faria qualquer sentido do ponto de vista histórico. O Douro é o Douro com as suas castas próprias, que têm imensos cultores dentro e fora de fronteiras, e assim deve continuar. Mas isso não invalida que não se possa fazer algumas experiências pontuais somente com uma única condição: devem ser de excelência.
E o Syrah Crasto Superior é de excelência!

crasto_quinta

Como o próprio nome sugere, o Crasto Superior Syrah é feito com uvas provenientes da região do Douro Superior, mais precisamente da Quinta da Cabreira, localizada junto a Castelo Melhor e onde se encontram plantadas 114 hectares de vinha.

Trata-se de um Syrah com 3% de Viognier, opção do enólogo, que respeitamos mas como sempre preferimos os 100%, em que as uvas provenientes das plantações experimentais da casta Syrah estabelecidas em 2004 na Quinta da Cabreira, foram transportadas em caixas de plástico alimentar e sujeitas a uma rigorosa triagem à entrada na adega. Após um desengace total e um ligeiro esmagamento, as uvas foram transferidas para cubas de aço inox, onde decorreu uma maceração pré-fermentativa a baixas temperaturas durante 5 dias. De seguida desenrolou-se a fermentação alcoólica por um período de 7 dias, que foi seguida de uma prensagem muito suave e fermentação malolática em barrica de carvalho francês.

O solo é de xisto e a idade das vinhas é de 10 anos. O Syrah tem uma graduação alcoólica de 14%. A data de engarrafamento é de Maio do presente ano e o envelhecimento fez-se em barricas de carvalho francês durante 16 meses.

As notas de prova que escolhemos dizem-nos que tem uma “cor violeta escuro. No nariz mostra uma excelente projecção aromática, onde se destacam complexas notas de frutos silvestres, em perfeita harmonia com notas de cacau fresco. Na boca tem um início cativante, evoluindo para um vinho compacto, de grande volume e estrutura, composto por taninos frescos de textura aveludada e correcta acidez. Tudo muito bem integrado com agradáveis notas de frutos silvestres e suaves sensações florais. Termina equilibrado, fresco e com excelente persistência.” O enólogo, que merece desde já os nossos parabéns, é Manuel Lobo.

Agora é importante um pouco de história, que no caso presente é carregada de tempo e tradições. Estamos junto ao Douro, local de paisagem e beleza, serras e rio. As primeiras referências conhecidas da Quinta do Crasto datam de 1615, tendo sido posteriormente incluída na primeira Feitoria, juntamente com as Quintas mais importantes do Douro. Um marco pombalino datado de 1758 pode ser visto na Quinta. Logo no início do século XX, a Quinta do Crasto foi adquirida por Constantino de Almeida, fundador da casa de vinhos Constantino. Em 1923, após a morte de Constantino de Almeida, foi o seu filho Fernando de Almeida que se manteve à frente da gestão da Quinta dando continuidade à produção de Vinho do Porto da mais alta qualidade.

crasto_hist

Em 1981, Leonor Roquette (filha de Fernando de Almeida) e o seu marido Jorge Roquette assumiram a maioria do capital e a gestão da propriedade e, com a ajuda dos seus filhos Miguel e Tomás, deram início ao processo de remodelação e extensão das vinhas, bem como ao projecto de produção de vinhos Douro DOC pelos quais a Quinta do Crasto é hoje amplamente conhecida.

Situada na margem direita do rio Douro, entre a Régua e o Pinhão, a Quinta do Crasto, é uma propriedade com cerca de 130 hectares, dos quais 70 são ocupados por vinhas. Fazem também parte do património da empresa a Quinta do Querindelo, com 10 hectares de Vinha Velha, e a Quinta da Cabreira, no Douro Superior, com 114 hectares de vinha.

Com localização privilegiada na Região Demarcada do Douro, a Quinta do Crasto é propriedade da família de Leonor e Jorge Roquette há mais de um século. Como costuma ser com as grandes Quintas do Douro, a origem da Quinta do Crasto remonta a tempos longínquos – o nome Crasto deriva do latim “castrum”, que significa forte romano.

Os importantes investimentos realizados nos últimos anos permitiram modernizar as vinhas e as instalações de vinificação. Isto tem assegurado a produção de vinhos de elevada qualidade, tais como os vinhos Crasto, Crasto Superior e Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas; os vinhos monovarietais Quinta do Crasto Tinta Roriz e Quinta do Crasto Touriga Nacional, os vinhos monovinha Quinta do Crasto Vinha da Ponte e Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa, assim como também vinhos do Porto de categorias especiais Finest Reserve, LBV e Vintage.

Na Quinta da Cabreira foram implementadas novas vinhas, recorrendo sobretudo às castas mais tradicionais do Douro – Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca.

Toda a área de vinha está coberta por um sistema de rega gota a gota, que complementado por uma estação meteorológica própria, permite fazer frente ao clima mais seco e agreste que é característico do Douro Superior.

crasto_adega

O que foi extraordinário neste Syrah foi que só foi possível revelar todas as suas potencialidades deixando-o respirar. Fizemos uma primeira prova duas horas depois de o abrir e decantar, estava ainda muito fechado. Seis horas depois de o abrir estava bem melhor, mas sentimos que havia possibilidades de progressão. Nova tentativa vinte e quatro horas depois e agora sim, estava magistral. Valeu a pena a espera. O que não deixa de ser estranho. Um vinho novo precisar de tanto tempo para se “espreguiçar”, mas é assim. Uma nova garrafa será o tira teimas.

O grande político francês Talleyrand, figura polémica e pouco consensual, acusado de cinismo e imoralidade, mas aqui não é o lugar para ir mais fundo nestes assuntos, disse: “Antes de levar tal néctar aos seus lábios, você olha segurando alto a sua taça, cheira longamente, e então, a taça colocada na mesa … falamos!”

Mas quanto à qualidade deste Syrah dúvidas não temos: é mais um magnífico exemplar de qualidade que o Douro foi capaz de produzir. Esperamos que seja para continuar!

Classificação: 19/20                                                     Preço: 22,00€

crasto_ft


 

Castelo de Arraiolos Syrah

 

A Herdade das Mouras, Arraiolos, volta a lançar, e no mesmo ano, um novo Syrah!

De seu nome Castelo de Arraiolos, é de 2014, como o anterior!

Brevemente a análise que se impõe!


 

Homenagem a Hans Christian Andersen, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2011

hans_garrafa

Havia muito que era devido começarmos a falar de Cortes de Cima e, claro, dos seus Syrah. Até que chegou a sua hora, que tudo acontece quando tem de ser.

Antes disto houve questões importantes que quisemos colocar a quem de direito e que não estavam respondidas no site oficial da herdade ou em qualquer dos outros lugares habituais. Já em 2013 tentámos um primeiro contacto telefónico. Nessa altura não havia ainda Blogue do Syrah e as tentativas foram infrutíferas. Em Agosto de 2015 estávamos a 50 km de Cortes de Cima e voltámos a telefonar. O simpático José Eduardo, que atendeu o telefone, o homem da informática de Cortes de Cima entre outras coisas, já conhecia o Blogue do Syrah e conseguiu que fossemos recebidos nesse mesmo dia com a dinâmica e empenhada assistente de enologia Helena Sardinha. Aos dois um obrigado especial do Blogue do Syrah, ainda mais porque na véspera de sermos recebidos tinham começado as vindimas em Cortes de Cima, e sabemos bem de como a vida de uma propriedade agrícola é bem complicada na época das vindimas, seguramente a altura mais importante do ano!

hans_quinta

Falar de Syrah no Baixo Alentejo é falar obrigatoriamente de Cortes de Cima. Quando ainda por cima lá existem três Syrah! Se exceptuarmos a Quinta do Monte d`Oiro, de que iremos falar brevemente, Cortes de Cima é a propriedade agrícola que tem mais Syrah em simultâneo. E que igualmente apresenta maior continuidade durante mais safras de todo o país. Só isso chegaria para marcar a diferença. Mas há uma outra questão ainda mais importante: são todos de classe superior, diríamos mesmo mais, são todos especiais e empolgantes!

Hoje não iremos falar do Syrah da gama de entrada, também não falaremos ainda do topo de gama da casa e que foi o primeiro Syrah que Cortes de Cima produziu e que tem uma história incrível que iremos contar outro dia, mas do Syrah do meio, digamos assim, que foi o primeiro dos três que conhecemos.

A história conta-se desta forma singela: quando começou a nossa aventura de descobrir e divulgar os Syrah portugueses, este Homenagem foi dos primeiros a surgir na nossa investigação, mesmo também por se encontra largamente disponível em cadeias de hipermercados, e desde logo o nome suscitou enorme surpresa e curiosidade. Conhecíamos o escritor de contos para crianças Hans Christian Andersen mas não compreendíamos o porquê de um vinho alentejano ter o nome de um escritor dinamarquês. Como se diz em bom vernáculo: “Não batia a bota com a perdigota”. E isso levou-nos a investigar a história por detrás deste nome. Aí ficámos a saber que o produtor de Cortes de Cima, Hans Kristian Jorgensen, reparem na similitude dos nomes, é originário da Dinamarca e que se estabeleceu em Portugal com a mulher Carrie Jorgensen nesse ano já longínquo de 1988, e mudou o mapa dos vinhos alentejanos para sempre. Este Syrah foi na altura um desafio lançado pela embaixada da Dinamarca em Portugal para comemorar o 2º centenário do nascimento do supracitado escritor de contos infantis, Hans Christian Andersen (1805-1875). Três Dinamarqueses, Hans Kristian Jorgensen, o viticultor e enólogo de Cortes de Cima, juntamente com a sua prima, a artista gráfica Karen Blincoe, e a sua filha, a artista Anna, uniram-se para criar um vinho muito especial, e logo 100% Syrah, como nós gostamos que seja!

hans_donos

No ano de 1866, Hans Christian Andersen viveu três meses em Portugal, país ao qual chamou o “paraíso terrestre”, vá-se lá hoje compreender porquê. O texto contido na parte da frente da etiqueta que costuma acompanhar o Homenagem foi retirado do conto “O Sapo”, escrito durante a sua estadia em Portugal. Para assinalar este evento, foi criada a Fundação “HCA-abc”, instituída em nome de H. C. Andersen, com a finalidade de permitir que crianças e jovens de todo o mundo, tenham a oportunidade de aprender a ler e escrever. Para ajudar o objectivo humanitário desta Fundação, a Cortes de Cima faz uma doação por cada garrafa vendida. Beber este Syrah é também um acto filantrópico!

Produzido exclusivamente a partir da casta Syrah, as uvas foram rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, com um alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano, maturou assim até ao engarrafamento, em Julho de 2012. A graduação alcoólica é de 14%. As notas de prova que escolhemos falam de “aromas de frutos de bago escuro, groselha, mirtilos e cássis. Elegante no palato, revela fruta distinta e saborosa com madeira de qualidade bem integrada. Equilíbrio notável, boa estrutura de taninos, longo e persistente.” Nós acrescentaríamos a plenitude cultural, união de literatura em forma de subtil néctar com eflúvios de planície alongada sobre o horizonte setentrional. A colheita, produção e engarrafamento é feita na propriedade de Cortes de Cima. A tiragem foi de 12300 garrafas.

O Homenagem a Hans Christian Andersen teve até ao momento 7 safras. A de 2003, 2004, 2007, 2008, 2009, 2012 e a presente em análise de 2011. Estas constância de safras são a melhor prova do êxito deste Syrah que foi elaborado para ter uma vida curta, de um só ano comemorativo,  mas que está aí para durar, sendo assim uma interminável e merecida homenagem, para nossa grande exultação!

“Dai-me Syrah para apagar as marcas que o tempo faz!” dizia o grande ensaísta, orador e poeta americano Ralph Waldo Emerson, fonte quase inesgotável de sabedoria, ou melhor ainda se o dizer for no idioma original: “Give me Syrah to wash me clean of the weather-stains of cares”.
Mas se o Syrah for esta benfazeja Homenagem a Hans Christian Andersen, as marcas do tempo e da vida ficarão apagadas muito mais alongadamente!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 30,00€

hans_ft


 

Quinta dos Plátanos, Lisboa

 

As novidades não param!
A Quinta dos Plátanos vai lançar um 100% Syrah muito brevemente, com a data de 2013!

Falta só tratar das questões relacionadas com a rotulagem. Mas o Syrah já está feito!

A prova disso é que foi ontem degustado por nós em conjunto com um grupo de amigos e com um dos responsáveis da Quinta!

Brevemente toda a história!


 

Quinta de Ventozelo, Syrah, Douro

 

Já temos em nosso poder o novo Syrah do Douro!

Da mítica Quinta de Ventozelo. Tem 15% de graduação alcoólica e é de 2014!

Particularidade a ter em conta: trata-se de um Syrah sem madeira e a mesma Quinta de Ventozelo prepara-se para lançar brevemente um Syrah feito com madeira! Será a primeira vez que tal se faz em Portugal! O mesmo “terroir” e no mesmo ano produzir um monocasta Syrah com e sem madeira!
Sumamente interessante de se averiguar.

Brevemente esta aventura será por nós contada!