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Quinta de Madre d`Água Syrah

 

Acaba de sair um Syrah da região vitivinícola do Dão,  Quinta de Madre d`Água.

Do ano de 2012, este é o segundo Syrah que encontramos nesta região o que nos deixa muito satisfeitos.

É um dos Syrah que participará na Prova Cega de 3 de Outubro, em Lisboa, onde o Blogue do Syrah será jurado.
Brevemente uma  análise completa a mais um novo syrah!


 

ACL, Adega Cooperativa da Labrugeira CRL, 100% Syrah, Lisboa, 2009

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A nossa descoberta do Syrah Adega Cooperativa da Labrugeira é recente. E foi uma agradável surpresa. Somos de o considerar o melhor Syrah produzido por uma adega cooperativa nas regiões vitivinícolas de Lisboa e do Tejo.

A Adega Cooperativa da Labrugeira, situada no concelho de Alenquer, é actualmente a única adega cooperativa deste concelho, representando assim todos os viticultores cooperantes desta área, congregando desde 1973 as produções de mais de 400 sócios-cooperantes, produtores da zona norte do concelho. Com uma forte tradição na produção de vinhos de qualidade, a adega tem vindo a melhorar gradualmente as suas estruturas, sendo neste momento uma das adegas com melhor resposta às exigências enológicas. Em 2010 e 2011 as exportações estão próximas de 50% no total de facturação, salientando-se como relevantes neste contexto, os mercados emergentes da China, Rússia e Brasil e os mercados tradicionais como os EUA, Angola, Alemanha, França, Dinamarca e Suécia.

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Trata-se de uma região com forte tradição na produção vitivinícola e boas características de solo e de clima para a produção de vinhos de qualidade. A Adega tem vindo, desde 1992, a melhorar as suas estruturas de produção nomeadamente na vertente da qualidade e infraestruturas, dando resposta às atuais exigências enológicas e dos mercados consumidores. A sua produção média anual de mais de 4 milhões de litros permite-lhe engarrafamentos de escala, com bons binómios preço-qualidade, e tem vindo a alargar a sua oferta, que se estende actualmente a diversos vinhos certificados “DOC Alenquer” e “Regional Lisboa”, tendo como objectivo oferecer ao consumidor o que de melhor se produz na região de Alenquer e levando esses néctares aos quatro cantos do Mundo.

Sobre o nosso Syrah citamos as seguintes notas de prova: “Vinho tinto cor granada escura. Possui um aroma varietal muito intenso, macio, com um sabor ligeiro a baunilha. O vinho tem um longo final a frutos silvestres.” As uvas provenientes das encostas calcárias da Serra de Montejunto, são vinificadas no processo clássico com curtimenta. A fermentação alcoólica decorre em cubas de inox, com remontagem automática, com controlo de temperatura entre os 26º C e os 28ºC e são usadas leveduras seleccionadas. Após a fermentação malolática, decorre estágio em madeira. Depois de engarrafado tem um período de estágio de cerca de 3 meses. O enólogo responsável é o Eng. Vasco Miguel e o enólogo residente é o Nuno Pimentel.

O Syrah da Adega Cooperativa da Labrugeira teve três engarrafamentos durante o ano de 2009. O primeiro de 4500 garrafas e com uma graduação alcoólica de 13%. O segundo e a terceiro com 5000 garrafas cada e com uma graduação alcoólica de 14%, apesar do vinho ter sido feito todo na mesma altura. A safra no total deu origem a 14500 garrafas.

O Syrah da Adega Cooperativa da Labrugeira pode muito bem ser, segundo um dos nossos poetas maiores, Luiz Vaz de Camões, aquele “Ardente licor que dá alegria!”

 

Classificação: 15/20                                                   Preço: 4,90€

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Artefacto, Luís Duarte Vinhos, 100% Syrah, Alentejo, 2010

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Este é o único Syrah português que existe no mercado e que o Blogue do Syrah desconhece. E porquê? Não é por falta de tentativas da nossa parte! Vamos saber desta história.

Luís Duarte é um enólogo premiado em Portugal. Galardoado sucessivamente com o título de Enólogo do Ano em 1997, 2007 e 2014 pela WINE – Revista de Vinhos. Com mais de 25 anos de carreira, sempre no Alentejo, fundou em 2007 a Luís Duarte Vinhos, em Reguengos de Monsaraz, e hoje trabalha na produção, comércio e exportação de vinhos.

E foi aqui que começaram os nossos problemas. Há dois anos que tentamos de alguma maneira adquirir pelo menos uma garrafa deste Artefacto, sem sucesso. Isto porque simplesmente este Syrah não se encontra disponível em território nacional. Mesmo as várias vezes, e foram várias nestes dois anos, que chegamos telefonicamente à fala com o produtor, não houve grande interesse da parte dele em libertar algumas garrafas. Até mesmo a intervenção da garrafeira Estado d`Alma, com o interesse reforçado, foi infrutífera.

Deixem-nos contar os factos com mais detalhe. Numa consulta que fizemos ao blogue O Enófilo Principiante, surgiu-nos uma crítica justamente ao nosso arredio Artefacto Syrah. Através da caixa do correio mantivemos o seguinte diálogo com o blogger Sérgio Lopes:

Sérgio Lopes, seria possível dizer-me onde encontrou este artefacto Syrah que andamos à procura dele faz mais de um ano e tem sido impossível, inclusivamente junto do próprio Luís Duarte…
Obrigado pela atenção!

O Blogue do Syrah

Exacto, trata-se de um vinho bem feito. Apenas isso. Em Portugal não sei onde encontrar. Eu bebo-o aqui directamente do distribuidor, o irmão do Luís Duarte.

Melhores Cumprimentos / Best Regards,

Sérgio Lopes

Sérgio Lopes, obrigado pela resposta rápida e precisa! Para nós trata-se dos poucos Syrah que não conhecemos. Já agora e só por curiosidade quando diz “Eu bebo-o aqui directamente do distribuidor, o irmão do Luís Duarte.” … este “aqui” penso que se refere a alguma zona do Alentejo…não?
E já agora…o irmão não seria capaz de nos arranjar uma ou duas garrafas? Ou é pedir muito?

Um abraço vinícola

Obrigado!

Eu estou a morar em Luanda…

Estávamos longe de imaginar tal coisa!… obrigado na mesma!…

O Blogue do Syrah

Em registo muito pessoal pensamos que é um erro um produtor português só se preocupar com o mercado externo e descurar totalmente o mercado interno. Mais cedo ou mais tarde irá arrepender-se, dizemos nós.

Vamos pois falar citando sobre o que não conhecemos. As notas de prova –não confirmadas por nós – dizem que possui “cor ruby intensa. Aroma a fruta preta madura, especiarias, algum cacau e um toque balsâmico / mentolado. Boca redonda e fresca, focado na fruta, com taninos domados. A madeira confere-lhe uma boa estrutura estando perfeitamente integrada no conjunto. Apresenta um final sumarento e de boa persistência.” Estagiou durante 9 meses em barricas de carvalho americano. A graduação alcoólica é de 14%. Fica o vídeo, assim mesmo!

Acabamos com uma citação de Oscar Wilde:
“Quando se trata de vinho eu tenho gostos muito simples: sempre escolho o que é melhor”

Infelizmente neste caso é coisa que não podemos dizer, temos gostos simples, e tentamos sempre escolher o melhor, desde que esteja a nosso alcance!

 

Classificação:                                                  Preço: 8,00€


 

Quinta do Sampayo, Agroseber S.A., 100% Syrah, Tejo, 2004

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Este é um Syrah do Tejo que, mais uma vez, está esgotado sem mais agravo. Não o conhecemos e a informação disponível é escassa.

Produzido pela Agroseber, empresa sediada no Cartaxo, tanto quanto se sabe é safra única, do ano de 2004. Produziram-se 13 mil garrafas.

De origem relativamente recente, destaca-se na produção de vinhos de reconhecida qualidade e já várias vezes premiados, a empresa Agroseber, S.A., com centro de vinificação na Quinta Nova – Cartaxo, que oferece vinhos tintos, oriundos das suas quintas, com garantia de qualidade e à altura do gosto do apreciador. Como filhos do Ribatejo que são, os vinhos da Agroseber apresentam-se joviais, bravios, cheios de vida, mas nunca perdendo a postura. São carregados na cor e têm aromas muito intensos, onde dominam os frutos vermelhos muito maduros, lembrando compotas de fruta, complexados com os abaunilhados da madeira. Na boca têm a força taurina dos taninos, num conjunto cheio de estrutura e elegância que fazem lembrar o “bailado” dos cavalos na praça de touros.

As notas de prova dizem que tem “Cor granada clássica, tal como o nariz, mostra uma fruta levemente confitada, cassis, cereja, mas especialmente balsâmico, com notas de farmácia e licor e ervas, um tanto de exótico. Muito interessante, com um leve sentimento de falta de maturação que no conjunto não destoa. Na boca mostra boa garra, com menor envolvimento e mais componentes fenólicas, que conferem aresta e ângulo à passagem do vinho. Termina curto, algo amargo. Pode no entanto ter bom papel com a comida adequada.”

Dum autor desconhecido conhecemos esta citação: “O vinho melhora com a idade. Quanto mais velho eu fico, mais eu gosto de vinhos.“. Ora este Syrah tal apareceu com a mesma velocidade com que desapareceu. Não deu para ficarmos velhos, nós e ele. Há coisas assim na vida!

 

Classificação:                                                     Preço: 13,50€


 

Dom Hermano, Quinta do Casal Monteiro, 100% Syrah, Tejo, 2006

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Mais um Syrah do Tejo, faz muito esgotado.
Não o conhecemos e a informação disponível é também já muito escassa.

A Quinta do Casal Monteiro, S.A., antiga Casa Agrícola Herdeiros de Dom Luís de Margaride, S.A.,  em Almeirim, foi fundada pelos herdeiros de Luís José Braamcamp de Mello Breyner Cardoso de Menezes, mais conhecido por Dom Luís de Margaride, descendente paterno dos Condes de Margaride e materno dos Condes de Sobral, nascido em Santarém no ano de 1903. Em 1928, Dom Luís assumiu a direcção das actividades agro-vinícolas nas propriedades familiares, por si herdadas, às quais dedicou mais de cinquenta anos de estudo, trabalho de investigação e prática no cultivo da vinha e nas técnicas enológicas, deixando-nos uma vasta obra e escritos, mercê dos quais foi galardoado com vários prémios e consagrações nacionais e internacionais.

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Sobre o Syrah propriamente dito, acedermos a algumas notas de prova dizem que falam de “boa cor, notas vegetais abundantes, flores, feno fresco, algum eucalipto. Medianamente encorpado, fresco mas de acidez elevada, é um tinto ainda à procura do melhor perfil.” Tem uma graduação alcoólica de 13% e o enólogo de serviço foi João Sardinha Cruz.

Tendo em conta a pouca informação que existe é um vinho que desapareceu com a mesma velocidade em que apareceu sem deixar rasto ou continuidade.

Há um brinde inglês que reza da seguinte maneira: “Que o nosso amor seja como o vinho, crescendo conforme envelhece.” Vamos repetir em inglês, que gostamos mais da musicalidade original:
“May our love be like good wine, grow stronger as it grows older.”

Concluindo por hoje, seja qual for o idioma, eis pois um brinde que não será possível fazer com este desparecido Syrah!

 

Classificação:                                                    Preço: 4,70€


 

Quinta do Carvalhinho,100% Syrah, Bairrada, 2005

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Este é o quinto Syrah da Bairrada e o único que não tivemos oportunidade de conhecer, por isso ficou para o fim. Em conversa com o produtor, que por acaso é professor também, ficámos a saber que efectivamente está totalmente esgotado… Paciência!

A Quinta do Carvalhinho é uma bela propriedade vitivinícola situada na aldeia de Ventosa do Bairro, concelho de Mealhada. Uma inscrição na frontaria da capela privativa da casa remete para o ano de 1698, dando-nos assim uma indicação inestimável sobre as origens desta propriedade. Adquirida por Serafim Navega em 1890, a Quinta do Carvalhinho está desde então na posse da mesma família. A vinha e o vinho fizeram sempre parte do seu dia-a-dia. Para além do vinho, a Quinta do Carvalhinho é igualmente conhecida pelo seu Turismo de Habitação. As vinhas estão plantadas em solo argiloso-calcário. Em 1988, António Afonso Navega, dando seguimento a um desejo de mostrar ao grande público os bons vinhos que se produziam na Quinta, passou a partir daí a engarrafar o vinho produzido. A produção de vinhos iniciou-se em 1989, com um vinho Tinto e um vinho Branco. Logo no ano de estreia, o vinho Branco ganhou o 1º Prémio da Confraria dos Enófilos da Bairrada. Nessa altura as castas predominantes eram o Bical, Rabo de Ovelha e Maria Gomes no caso das brancas e a Baga nas tintas.

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A Quinta do Carvalhinho tem uma extensão de 12 hectares de vinhas tintas e 2 hectares de vinhas brancas, plantadas em solos Argilo-Calcários. O encepamento foi pensado para tirar o melhor partido das condições locais. As castas tintas Shiraz, Merlot, Cabernet Sauvignon e Caladoc são as eleitas na Quinta do Carvalhinho. Quanto às castas brancas, destaca-se o Sauvignon Blanc e o Arinto. Produz Vinhos Tintos, Espumantes Branco e Tinto. No passado, produziu Vinhos Brancos, mas actualmente toda a produção de uvas brancas é dirigida para o Espumante. Todos os vinhos têm Denominação de Origem Controlada.

Depois de uma reestruturação bem sucedida das suas vinhas tintas começada em 1995 e terminada em 2009 – com a introdução de novas castas até então não utilizadas na região, entre as quais as castas tintas Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon e Caladoc – a Quinta do Carvalhinho diversificou e enriqueceu a sua produção de vinhos tintos mantendo toda a qualidade a que sempre habituou os seus clientes. Cerca de 30.000 garrafas tintas são produzidas anualmente.

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Como em outras partes da Bairrada, encontram-se aqui pérolas desconhecidas, como este nosso Syrah de hoje, nascido em ano difícil por causa de um verão húmido que obrigou a um grande trabalho na vinha para conseguir uma boa maturação e uma grande selecção das uvas expostas à decomposição. Algumas notas de prova a que tivemos acesso dizem de um “vinho com bela complexidade aromática, misturando fruta vermelha, toques minerais a giz, e aromas de bosque. Os taninos são suaves e tornam o vinho delicado.” Tem 13% de graduação alcoólica.

Oscar Wilde dizia que “Para conhecer a colheita e a qualidade de um Syrah não é necessário beber toda a pipa.” Pois não, uma parte de uma garrafa, acrescentaríamos, seria suficiente,  não sendo o caso que hoje aqui nos trouxe!

 

Classificação:                            Preço: 6,00€