Tag Archives: syrah

Tributo, Rui Reguinga, 85% Syrah, 12% Grenache, 3% Viognier, Tejo, 2013

As alegrias não param porque continuam, que um novo Syrah ou uma nova safra é sempre uma festa!

E neste caso aqui está uma nova safra de Tributo, apenas 2000 garrafas, assinatura de Rui Reguinga, cuja história já aqui foi contada em toda a sua extensão. Já por ele vamos pedindo que nos acompanhem e nos façam chegar opiniões…


 

Cepa Pura, Quinta do Montalto, 100% Syrah, Lisboa, 2014

A nova safra deste Syrah biológico, que tem uma particularidade relevante em relação ao anterior, que já aqui tinha sido alvo da nossa atenção detalhada: a graduação alcoólica!

O de 2013 tinha 14,5% de graduação alcoólica.
Este acabado de sair tem 12%!

A curiosidade advém de ser neste momento o Syrah português com menor graduação alcoólica de sempre! Vão por ele e digam-nos de vossa justiça…


 

Pontual, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Novidades a surgir com regularidade no mundo maravilhoso do Syrah!

O novo Pontual, do Alandroal, no nosso sempre bem amado Alentejo, muito mais aromático que as safras anteriores, que se podem ver aqui!

Marcou pela positiva!

Ou não estivesse sediado no distrito de Évora, região sede da maior concentração de Syrah topos de gama!


 

Reserva dos Amigos e Casa do Cónego, Lisboa; Vidigal, Tejo; Vidigal Wines, 100% Syrah, Lisboa, 2004, 2008

vidigal_garrafa_1vidigal_garrafa_3vidigal_garrafa_2

Hoje falaremos de três Syrah, todos esgotados, todos com origem no mesmo produtor, a Vidigal Wines.

Começamos pelo Reserva dos Amigos, um Syrah de Lisboa que foi produzido na respectiva região vitivinícola. As notas de prova diziam que era um vinho com “muito vegetal seco, aroma um pouco afastado da casta, fruto preto e alguma pimenta. Já macio e acessível na boca, mesmo um pouco plano, mas está tudo no sítio e por isso deverá ser bebido agora.” Tinha uma graduação alcoólica de 14%. Para além da safra de 2008 também tinha havido a de 2004.

A história destes desaparecidos néctares começa com uma empresa familiar produtora e engarrafadora de vinhos de qualidade, de origem portuguesa, a Caves Vidigal, SA, fundada no ano de 1958. Foi comprada em 1994 por um português que emigrou do seu país e viveu 27 anos na Dinamarca, onde até hoje possui uma empresa importadora, principalmente de produtos portugueses para este país escandinavo. Com a volta ao país de origem, em 2001, retoma a Vidigal e casa-se com a brasileira Maria Luiza. A família veio junto: Rodrigo, o irmão Ricardo e as respectivas esposas, Luciana e Andréa.

Em 2005 uma grande empresa norueguesa distribuidora de bebidas, a Red&White, adquiriu a parte das caves dando origem à Vidigal Wines, SA. Moderniza-se e melhora-se a infra-estrutura da empresa sempre com a preocupação com a higiene e o bem-estar dos funcionários. Como 95% da produção destina-se à exportação, os vinhos mais vendidos são o Vidigal Reserva na Noruega e o Reserva dos Amigos em Angola. Alemanha, Dinamarca, Suíça, Suécia, Bélgica, Andorra, Polónia, França, Itália, Espanha, Inglaterra, América do Norte (Canadá e Estados Unidos), América do Sul (Brasil) e recentemente a Ásia (China e Índia) são também mercados da nossa empresa. O portefólio conta com mais de 33 vinhos oriundos da Estremadura, Ribatejo, Alentejo, Douro, Dão, Beiras e Minho. Há vinhos jovens, maduros, varietais, verdes, rosés e espumantes.

vidigal_logo

A produção total da Vidigal Wines é de aproximadamente 4.500.000 garrafas, mais 500.000 para o mercado interno.

A Vidigal Wines também produziu um outro Syrah na mesma altura em 2004 e também 2008 da região vitivinícola de Lisboa a 100% syrah de nome Casa do Cónego e que também se encontra esgotado.

E produziu ainda um terceiro Syrah a 100%, também nos anos de 2004 e de 2008, de nome Vidigal Syrah, este não de Lisboa mas do Tejo, com uma graduação alcoólica de 14%. Três euros seria o preço deste vinho na época.

Pode e deve-se perguntar: como é possível que a mesma empresa lance no mercado por mais de uma vez três monocasta Syrah e ao fim de poucos anos nenhum resistiu à passagem do tempo? Essa pergunta foi feita pelo Blogue do Syrah a um quadro da Vidigal Wines que deu uma resposta pela qual não estávamos à espera. E a resposta foi esta:
no início de actividade a Vidigal Wines queria apostar em força no mercado externo e plantou algumas das castas internacionais mais reconhecidas para ter um êxito mais rápido, visto que as castas portuguesas não eram tão conhecidas e seriam bem mais difícil penetrar no mercado externo produzindo vinhos de castas nacionais. Daí a aposta em força no Syrah, entre outras castas internacionais. Quando a Vidigal Wines se tornou uma grande empresa exportadora de vinhos e as suas marcas eram já conhecidas nos mercados que importavam o vinho português apostou de vez nas castas autóctones e abandonou as castas internacionais inicialmente responsáveis pelo início pujante de actividade comercial.

Quem defende esta tese não devia sequer merecer este espaço de considerações, mas no fim de tudo quem se fica a rir é quem está solidamente no mercado continuando a produzir vinhos de monocasta Syrah!

A actriz Joan Collins dizia que “a idade é apenas um número irrelevante. Excepto se for uma garrafa de Syrah.“ Mas é preciso que esse dito cujo exista! Se esgotou e não se renovou numa nova safra, não é mais que um nome e uma data. É isso que acontece com estes 3 Syrah da Vidigal Wines, fica a memória de quem teve o privilégio de com eles conviver e este nosso texto para que conste!

 

Classificação:                                                Preço: 4,00€


 

Lapa dos Gaivões, João M. Barbosa vinhos , 100% Syrah, Alentejo, 2005 Ninfa, João M. Barbosa vinhos , 100% Syrah, Tejo, 2003

gaivoes_garrafaninfa_garrafa

Hoje vamos falar de dois Syrah, diferentes no terroir, mas ligados à mesma empresa. Porém, ambos estão esgotados faz muito, para nossa sempre grande tristeza!

A história da empresa familiar João M. Barbosa é recente, se a compararmos com algumas empresas portuguesas, mas a experiência pessoal adquirida já é muita. Nela colaboram todos os membros da família, sendo total a dedicação para produzir o melhor e o mais original que a terra dá, tanto no Alentejo como no Tejo. Duas unidades modernas criadas para produzir vinhos autênticos e diferentes.

herdade_ninfa

Desde pequeno que João Teodósio Matos Barbosa passeava com o seu avô, fundador da empresa Caves Dom Teodósio, observava as vinhas e o trabalho que lá se desenvolvia. É desta vivência que nasce a sua paixão pelo vinho e vontade de pertencer ao projecto familiar. Aprendeu e desenvolveu conhecimentos nas Caves Dom Teodósio, onde acabou por crescer com a empresa, caso de sucesso Português e marca referência no panorama vitivinícola nacional.

Em 1997, decidiu fundar a sua própria empresa, com produção a partir de uvas exclusivamente próprias, em produção integrada e biológica – vinhos de autor onde se expressa com inteira liberdade criativa, tirando sempre o melhor partido dos terroirs das duas regiões escolhidas. Cada uma dela, Tejo e Alto Alentejo, têm as suas adegas e respectivas marcas: Ninfa no Tejo (Adega Porta de Teira em Rio Maior) e Lapa dos Gaivões no Alto Alentejo (Adega Valle de Junco em Esperança, Portalegre).

João Barbosa não aceitou o desafio do Blogue do Syrah: fazer novas safras, do Lapa dos Gaivões e/ou do Ninfa! Até porque já passou um década sobre a realização dos dois Syrah que estamos aqui a relembrar… mas cada um sabe de si.

Sobre o Ninfa Syrah muito pouco podemos dizer. Não o chegámos a conhecer! Já estava esgotado aquando do nascimento do Blogue do Syrah. Em conversa com o produtor numa feira de vinhos alentejanos perdemos de vez a esperança de o poder ainda vir a encontrar. Se algum dos nossos leitores dele se recordar que venha aqui comentar de sua justiça!

ninfa_adega

Em relação ao Lapa dos Gaivões, conseguimos ainda uma garrafa, que muito nos agradou, o que fica demonstrado na nota que lhe atribuímos. O enólogo foi António Ventura, e as notas de prova dizem que tem uma “cor avioletada e aromas florais, frutados e ligeiramente abaunilhados, está ainda muito presente toda a sua juventude, com os taninos a mostrarem toda a sua força e as notas de madeira ainda bem vincadas na prova de boca, é complexo e encorpado e melhorará certamente com o tempo em garrafa, o final é prolongado.” O estágio decorreu em barricas de carvalho Francês “Allier” e Americano durante 12 meses. Tem 14% de graduação alcoólica.

Se Victor Hugo disse que “Deus criou a água, mas foi o homem fez o Vinho” então a João Barbosa Vinhos tem a obrigação moral de retomar o caminho já traçado e lançar-se na aventura da produção de um novo monocasta Syrah! Fica o repto…

 

Lapa dos Gaivões
Classificação: 17/20                                                     Preço: 29,00€

Ninfa
Classificação:                                                                 Preço:


 

Quinta do Caldeireiro, 100% Syrah, Alentejo, 2009

caldeireiro_garrafa

É com alguma emoção que falamos hoje de um Syrah que foi dos primeiros que bebemos, e foi igualmente o primeiro a que demos a nota de muito bom. Andávamos ainda a tactear o terreno e na altura pensámos: “Tem que ser pelo menos um 18”. Não sabemos, com toda a sinceridade, hoje que conhecemos 98% dos Syrah portugueses, se essa nota não seria superior!

Também não vale a pena estar a insistir muito nesta questão, principalmente porque é um Syrah que esgotou em 2013 e podemos dizer que ajudámos a acabar com as últimas garrafas, nós mais e uns noivos que no seu casamento encomendaram 50 caixas deste Syrah. Safra única portanto, infelizmente, do qual se produziram aproximadamente 3 mil garrafas!

O Quinta do Caldeireiro Syrah é um néctar bastante rico e forte, sem perder o toque clássico. Tem um teor alcoólico de 14,5% e o enólogo foi Manuel Ferreira. As notas de prova, em termos de aroma e paladar, dizem que tem “um sabor apimentado, apresenta notas aromáticas silvestres, como a cereja preta, a groselha, a amora preta, a ameixa e o damasco.” Syrah da região de Évora, com pouca produção e por isso mesmo pouco conhecido, frutado e muito agradável de beber!

caldeireiro_logo

Sobre a herdade propriamente dita, sabe-se que a área plantada se resume a 3 hectares. A colheita e selecção foram manuais. É pois um Syrah artesanal feito com fermentação tradicional e maturação passando por carvalho.

Dizia Richelieu, o todo poderoso cardeal da França setecentista:
“Se Deus proibisse a bebida, teria ele feito o vinho tão bom?”

Em conversa na altura com o produtor, Sr. António, fomos de lhe perguntar para quando uma nova safra, ao que nos confidenciou: “Fiz este Syrah por dois motivos. Primeiro, porque o ano de 2009 foi excepcional para a casta e segundo queria ver se conseguia fazer um monocasta Syrah. Estou na casa dos setenta. Será muito difícil surgir um ano tão excepcional como o de 2009 por estes tempos mais próximos!”

Talvez seja difícil mas não impossível! Tenhamos paciência e esperemos o porvir!

Parafraseando Thomas Jefferson, na segunda citação do dia:
“O bom Syrah é uma necessidade diária para mim!”

 

 

Classificação: 18/20                                                    Preço: 10,00€


 

Já este texto estava concluído e publicado e eis-nos  a receber esta notícia de última hora.

Tivemos oportunidade de falar hoje de manhã com o enólogo Manuel Ferreira, que nos confidenciou ter sido acabado de confeccionar um novo Syrah, que deu cerca de 3000 litros, o que dará origem a 4000 garrafas de nova safra Quinta do Caldeireiro!
A colocação no mercado, salvo mudança de planos, está prevista para o final de 2016, entre Novembro e Dezembro. Nessa altura daremos conta de todos os pormenores!