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Cortes de Cima Syrah, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2013

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Este Syrah é a gama de entrada dos Syrah míticos de Cortes de Cima!
Depois de o provar, e se não conhecer os outros dois Syrah de Cortes de Cima, ou seja, o Homenagem a Hans Christian Andersen e o célebre Incógnito, não irá acreditar que se trata de um Syrah neste lugar da tabela.

Isto porque é um Syrah exuberante! De uma complexidade aromática altiva e sublime. Um Syrah denso!

Quando apresentamos este mesmo Syrah da colheita de 2012 dissemos que “dos três é o menos empolgante mas nem por isso desce do patamar electivo.” Menos empolgante é coisa que este agora não tem! Os nossos parabéns à dupla Hans e Carrie e, naturalmente, ao enólogo que já aqui apresentámos, Hamilton Reis, pela excelência deste produto! O que será deste Syrah daqui a dois ou três anos? Como irá evoluir? Profetizamos uma vida exuberante!

Há aqui sim um aspecto que queremos enfatizar: o preço elevado para a gama que representa. Respondem os representantes da propriedade com a história, com a procura e com as vendas que esgotam os stocks. Outros Syrah de qualidade têm preços bem mais simpáticos porque não se chamam “Cortes de Cima” e não carregam o fardo de terem sido o motor da implementação da casta Syrah no Alentejo e daí a projecção que ganhou no resto do país. Temos de aceitar a argumentação. Este Syrah de 2013 é a 18º vindima e tem uma graduação alcoólica de 14%.

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As uvas foram rigorosamente seleccionadas, e estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, com um alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês (90%) e americano (10%) até altura do engarrafamento em Julho de 2014. As notas de prova falam de um modo geral de “aromas a frutos de bago escuro, cereja e ameixa, com complexas notas de terra e especiarias. Palato rico e firme, cheio de fruta madura.” Colheita, produção e engarrafamento na propriedade familiar. Engarrafado com filtração sem colagem em Julho de 2014. Produção total: 5.500 garrafas (37cl), 48.900 garrafas (75cl).

O rótulo foi renovado. Está melhor sem perder a traça original. A palavra “Syrah” está mais visível. Ainda bem! É uma equipa de gente feliz a sorrir que está de parabéns.

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Ao beber este Syrah fomos de nos lembrar do que disse o filósofo Ortega y Gasset, desta forma:
“O vinho engrandece as companhias, exalta os corações, dá brilho aos olhos e ensina os pés a dançar.”
No caminho certo para se tornar um topo de gama. Impressionante!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 13,79€


 

Quinta de Ventozelo (madeira), 100% Syrah, Douro, 2014

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Em Novembro do ano passado publicámos um texto aqui, em que dávamos conta da saída de um Syrah sem madeira, da Quinta de Ventozelo e do ano 2014.

Hoje está na altura de dar conhecimento da saída do Syrah com madeira, do mesmo ano e da mesma quinta! É a primeira Quinta em Portugal que lança com o mesmo ano um monocasta Syrah, com e sem madeira, e ainda por cima no Douro! Quem diria?

A única coisa que muda aqui no Syrah da Quinta de Ventozelo é mesmo a madeira! Repare-se: são Syrah do mesmo terroir, feitos pelo mesmo enólogo e do mesmo ano! O ideal será, como fizemos, degustar um e outro, ou seja, primeiro o Syrah sem madeira e depois o Syrah com madeira ou vice versa, como o leitor quiser! Assim podemos mais facilmente formar uma opinião: se gostamos mais do Syrah sem madeira ou com madeira.

Nós aqui no Blogue do Syrah gostamos dos dois e isso reflecte-se na classificação atribuída no final deste texto. Alguns poderão dizer que é resposta politicamente correcta, mas nós especificamos melhor.

Gostamos muito de madeira no Syrah, apesar de gostarmos também muito do Syrah com o gosto a fruta madura bem puxado, mas pensamos que com o tempo um Syrah que tenha estagiado 8 a 12 meses em barricas de carvalho francês ou americano (reconhecidamente consideradas as melhores barricas do mercado) irá ganhar vários pontos em relação ao syrah que tenha feito o estágio unicamente em cubas de inox antes de ter sido engarrafado.

O que queremos dizer é: neste momento e tendo em conta que estamos perante dois produtos de qualidade, a opção é meramente de gosto e preferência pessoal: ou se gosta mais do Syrah sem madeira ou se gosta mais do Syrah com madeira. Mas, por exemplo daqui a dois anos, estamos convencidos que o Syrah com madeira ganhará aos pontos o Syrah da Quinta de Ventozelo sem madeira! A madeira com o tempo vai dar-lhe uma maior complexidade aromática! Estaremos cá nessa altura, se tudo correr bem, para tirar a prova dos nove!

A Quinta de Ventozelo possui uma equipa de enologia de que é Diretor José Manuel Sousa Soares, e é uma das duas maiores da região. São 400 hectares, 200 dos quais ocupados por vinha (estão a ser replantados 40 hectares, nos quais as castas estrangeiras como o Merlot e o Cabernet Sauvignon vão ser substituídas por castas portuguesas), aos quais se junta o olival e uma área grande de caça.

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A Quinta do Ventozelo foi comprada no ano passado pelo Grupo Gran Cruz, que pertence aos franceses do La Martiniquaise, produtores de vinho do Porto desde os anos 1940 e hoje os maiores exportadores deste produto. Dos seus 200 hectares de vinha tira-se uva para vinho do Porto, mas começa-se também a fazer vinhos do Douro — alguns dos quais acabam de chegar ao mercado. Segundo Jorge Dias, director-geral do Grupo Gran Cruz, a quinta existe desde o século XVI, mas que escavações arqueológicas revelaram vestígios de uma aldeia conhecida como Ventozelo desde o século XII. A plantação da vinha, essa, terá começado mais tarde, pelo século XVIII. O desenvolvimento e exportação dos vinhos do Douro, e em particular os da Quinta do Ventozelo, é uma das grandes prioridades do grupo Gran Cruz para o próximo ano. Embora se trate ainda de um nicho o objectivo  é fazer  200 mil garrafas de vinho do Douro contra 25 milhões de vinho do Porto.

Claude Tillier, escritor francês, escreveu:
“Comer é uma necessidade do estômago; Beber é uma necessidade da alma”.
O Syrah da Quinta do Ventozelo pode perfeitamente fazer esse papel como grande Syrah do Douro que é, com o tempo torna-se cada vez mais o alimento da alma!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 14,00€


 

Vale de Lobos, Quinta da Ribeirinha, 100% Syrah, Tejo, 2013

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Já tínhamos analisado aqui a colheita de 2011 deste Syrah. Agora chegou a possibilidade de falarmos sobre a colheita de 2013. E desde logo podemos dizer: se tínhamos gostado da colheita de 2011, desta gostamos ainda mais!

O Syrah Vale de Lobos já mostrou ser um Syrah que veio para ficar, e ainda por cima com qualidade!

O Syrah Vale de Lobos existe desde a safra de 2001, e teve mais cinco até 2013: 2003, 2005, 2008 e 2011 e a actual. Nas primeiras safras a produção era de 6000 garrafas. As últimas foram já de 10000! A vinificação realiza-se com vindima manual. As uvas, previamente seleccionadas com um rigoroso controlo de maturação, foram a seguir devidamente desengaçadas. Fermentou na cuba rotativa, onde se procedeu à curtimenta após a fermentação alcoólica. O resultado tem 14 % de graduação alcoólica e segundo o produtor “veste granada intenso e toca alguns instrumentos, saltando notas a baunilha, especiarias e ligeiro torrado num tom elevado.” As vinhas estão plantadas em solo argilo-calcário, clima mediterrâneo seco com exposição da vinha a sul. As vinhas crescem em sistema de produção integrada em que o uso dos químicos é mínimo, salvaguardando assim o ambiente e a saúde humana. A quinta encontra-se num processo de reconversão gradual da vinha velha de forma a melhorar a qualidade e a produção.

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A Quinta da Ribeirinha produz no total meio milhão de litros de vinho por ano em que somente 10% é destinado ao mercado interno. No caso do “nosso” Syrah a percentagem é ainda menor. Somente 5% está destinado ao consumo interno. Eis pois porque é difícil ter acesso a este Syrah! Os principais destinos dos vinhos da Quinta da Ribeirinha têm sido sobretudo no continente americano, com particular ênfase para Brasil, Canadá e E.U.A. e no continente africano, Angola, Cabo Verde, Guiné e S. Tomé e Príncipe. Mais recentemente a quinta alargou os seus mercados para a China. No que respeita ao mercado Europeu as exportações estão distribuídas por vários países, tais como Alemanha, Bélgica, Holanda, Polónia, Noruega, Inglaterra, França e Espanha.

Quando falámos do seu irmão de 2011 na altura dissemos: “Era importante que o Vale de Lobos syrah pudesse também estar em garrafeiras nomeadamente de Lisboa, porque ficaríamos todos a ganhar, tendo em conta a qualidade que este Syrah já mostrou e as possibilidades de crescimento! Neste momento, cada vez que passamos pela área de serviço de Santarém, na auto-estrada Lisboa/Porto, é lá que o conseguimos comprar. Fica a dica!

Das poucas coisas verdadeiras que o fascista Mussolini terá dito, uma delas foi, e estamos de acordo com ele:
“Os que bebem vinho, vivem mais do que os médicos que o proíbem”.
Então se for Syrah, e neste caso o Syrah da Quinta da Ribeirinha, temos aí uma boa aposta com a qual só podemos mesmo concordar!

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 13,50€

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Blaudus Rosé, Quinta de Baixo, 100% Syrah, Bairrada, 2006

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Este Blaudus Rosé Syrah da Bairrada, que acabamos de descobrir, é uma verdadeira preciosidade!

Para falar verdade quem o descobriu não foi o Blogue do Syrah mas sim os nossos confrades da Garrafeira Estado d’Alma! Tiago Paulo participou num leilão de vinhos e arrebatou um número elevado de garrafas onde se encontravam vinhos diversos da Quinta de Baixo. No meio dessas dezenas de garrafas surge quase por milagre uma única garrafa deste Blaudus Rosé, Quinta de Baixo, 100% Syrah, Bairrada, 2006! Imediatamente se lembrou de nós! E cá estamos para dar conta do acontecido, apesar de termos bem consciência de que se trata de um vinho que esgotou faz muito e até mesmo os actuais donos da Quinta de Baixo já são outros. A partir de Janeiro de 2012, a Niepoort passou a tomar conta das vinhas e da adega.

É pois um Syrah com 12,5% de graduação alcoólica e o enólogo foi Sérgio Silva. É um vinho limpo e brilhante. Aroma marcado pela casta, floral com notas de cassis fresco, frutado. Boca fresca, boa acidez, fruta persistente, elegante com terminar longo e ligeiramente fortificado.

O que verdadeiramente impressionou foi o facto de este Syrah ter aguentado 10 anos, mantendo na íntegra a sua class,e quando o próprio produtor indicava em 2006 “beber já ou guardar até dois anos!”

Com quase duas décadas de existência, a Quinta de Baixo situa-se no lugar da Cordinhã, concelho de Cantanhede. Com solos argilo-calcários os 22 hectares de vinha dividem-se em três quintas com idades compreendidas entre os 10 e os 80 anos, situadas no famoso triângulo: Cordinhã, Ourentã, Cantanhede, zona de aptidão máxima reconhecida na viticultura da Bairrada.

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A Bairrada é caracterizada por um clima temperado marítimo, que possui Verões com dias quentes e noites frescas, e cujos limites geográficos são os extensos areais da costa de prata e as serras do Buçaco e do Caramulo. É também uma região de colinas suaves, soalheiras, com solos barrentos e argilo-calcários orientados a sul, o que pelos vistos ajudou a propiciar um rosé de inegável qualidade.
Pena é estar esgotado, como seria de esperar!

Cantava Fernando Pessoa, pela voz de Ricardo Reis:
Não só vinho, mas nele o olvido, deito
Na taça: serei ledo, porque a dita
É ignara. Quem, lembrando Ou prevendo, sorrira?
Dos brutos, não a vida, senão a alma,
Consigamos, pensando; recolhidos
No impalpável destino
Que não ‘spera nem lembra.
Com mão mortal elevo à mortal boca
Em frágil taça o passageiro vinho,
Baços os olhos feitos
Para deixar de ver.

Ricardo Reis, in “Odes”

Deste Rosé Syrah, deitar na taça é coisa que já ninguém poderá fazer!

(Este Rosé Syrah foi gentilmente oferecido pela garrafeira Estado d`Alma. O nosso obrigado!)

Classificação: 16/20                                                     Preço: 3,25€


 

Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Apesar do lançamento deste Syrah da Herdade Monte do Outeiro ser irregular – o último é de 2009 – estávamos com alguma expectativa aguardando a sua saída, devido a dois motivos. Primeiro por este Syrah, assim como o Reserva seu irmão de sangue, ser habitualmente de qualidade superior, e segundo porque os enólogos, a dupla Diogo Campilho e Pedro Pinhão, já mostraram anteriormente uma capacidade invulgar para fazerem Syrah de altíssima qualidade!

Neste nosso soberbo Alentejo encontramos perto da Vila de Portel a Herdade Monte do Outeiro, que produz o Syrah Monte Cruz, do produtor Manuel Bernardino Cruz. Syrah a 100%, como é devido, graduação alcoólica de 14%, sempre um deleite.

Conhecem-se três safras, a presente, que está em análise, a de 2009 e a de 2006. As notas de prova que escolhemos falam de um “aroma no nariz onde sobressaem notas de especiaria e frutos pretos. Em termos de paladar os taninos estão bem equilibrados e conferem uma boa estrutura.”

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E pronto, resta-nos falar um pouco de Portel, formosa vila do Distrito de Évora, sede de um município que inclui a agora famosa aldeia de Alqueva, em cujas proximidades se localiza a Barragem com o mesmo nome, e que originou a criação do maior lago artificial da Europa com cerca de 250km2 e quase 1200kms de margens. Estamos pois entre a vasta planície alentejana e a serra de Portel. O castelo, sobranceiro à vila, ergue-se majestoso no cimo de uma colina e foi construído na sequência da doação da vila por D. Afonso III a D. João Peres de Aboim, em 1261, por favores prestados, e pela sua amizade e fidelidade ao Rei. É assim que nas proximidades da Vila de Portel, muitos séculos depois, na Herdade Monte do Outeiro, se produzem vinhos de qualidade reconhecida nacional e internacionalmente.

Disse António Augusto Aguiar, “Amo a videira como a planta mais bela que a Mãe Natureza deu ao mundo”.
E então quando se trata da videira que dá ao mundo a uva Syrah, o nosso amor multiplica-se numa viagem sem fim!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 9,95€


 

Alentejo é considerada a melhor região vinícola do mundo para se visitar!

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Foi o jornal USA Today, faz uns tempos, que apresentou esta lista com os dez melhores destinos do mundo no que ao Syrah, e vinho, diz respeito.
Aqui ficam os dez primeiros lugares:

  1. Alentejo, Portugal
  2. Okanagan Valley, British Columbia, Canadá
  3. Maipo, Chile
  4. Marlborough, Nova Zelândia
  5. Croácia
  6. Napa Valley, Estados Unidos
  7. Toscana, Itália
  8. Orgeon, Estados Unidos
  9. Hunter Valley, Austrália
  10. Virginia, Estados Unidos

As listas de escolhas mais ou menos pessoais valem o que valem, ou seja, para o próprio terá um valor inestimável, para os outros nem por isso. Com esta lista pode perfeitamente acontecer o mesmo, até porque podemos sempre questionar porque é não que entraram regiões da França, da Alemanha, da Espanha ou até mesmo da África do Sul? Em contrapartida a lista contêm três regiões dos estados Unidos, o que é claramente um exagero e ainda em segundo lugar uma região do Canadá o que não deixa de ser algo insólito! A história do Canadá em termos vitivinícolas não é por aí além…certo?

Mas vamos a toda a história!
Os especialistas Kerry Woolard e Frank Pulice do jornal USA Today divulgaram a sua lista com as 10 melhores regiões vinícolas para se visitar no mundo, e o Alentejo, em Portugal, foi cotada como a melhor.
A lista levou em conta os lugares que oferecem boas atracções, como lojas, hotéis de serviço completo, bons restaurantes e excelentes vinhos para proporcionar uma grande experiência para seus visitantes. Na opinião dos especialistas e organizadores da análise, o Alentejo foi a região mais bem cotada. “A comida no Alentejo é rústica e autêntica. Ela aproveita ao máximo o estilo de vida agrário da região”, disseram.

Para os especialistas, o destaque dado ao Alentejo deve-se ao facto de no litoral não haver opções de hotel, obrigando os turistas a encontrarem alojamentos em casas de visitantes para apreciar as lindas praias, algumas das quais são consideradas umas das mais fantásticas e belas da Europa. Outro facto importante é que a distância entre os aeroportos de Lisboa e Faro é de menos de duas horas. “O Alentejo é como uma viagem de volta no tempo para os amantes do vinho”, disseram entusiasmados.

Nós aqui no Blogue do Syrah também ficámos empolgados com a escolha, pelos mesmos motivos, e outros um pouco mais ao lado, o nosso lado. Para nós, já o dissemos várias vezes, o Alentejo, e sobretudo o Alto Alentejo, fundamentalmente o distrito de Évora, funcionam como uma terra sagrada para o Syrah! Não há Syrah menor aqui, pelo contrário, a percentagem de Syrah topo de gama é extraordinariamente mais elevada do que em qualquer outra região do país. Diríamos mais: do mundo!
Essa é a nossa missão, que levamos a cabo com empenho, dedicação, e com constantes degustações, sempre partilhando a paixão!