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CEM REIS, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2014

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Há um ano e três meses, quando falamos aqui do Cem Reis de 2012, dissemos o seguinte:
”O CEM REIS Syrah congrega em si dois aspectos que, como consumidores apaixonados pela casta, muito prezamos. Em primeiro lugar porque se trata de um Syrah de qualidade superior. Em segundo, e ao contrário do que é habitual, a maior parte da produção fica e é consumida em Portugal.”

E o dito continua a ser verdade!
Mais: tem um maior significado porque neste espaço de tempo houve vários Syrah que foram descontinuados, logo a permanência deste Syrah é preciosa devido à sua longevidade – a primeira colheita é de 2005 – e por outro lado trata-se de um Syrah topo de gama! Não se assustem com o preço! Este vinho vale todos os euros que custa!
95% da toda a produção é efectivamente para o mercado interno e somente os restantes 5% é que vão para o mercado externo. Os países são a Holanda, a Alemanha e a Suíça na Europa. Fora da Europa o Brasil e também Macau.

Produzido na região alentejana, na terra mítica do distrito de Évora, e vinificado a partir das melhores uvas de casta Syrah, este vinho estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês (70%) e em carvalho americano (30%). Tem uma graduação alcoólica de 15%. De cor violeta concentrada, notas quentes e intensas a frutos pretos maduros e especiarias. Encorpado, acidez equilibrada e com taninos bem presentes e redondos no final. Excelente acompanhamento de pratos de caça, borrego e carnes vermelhas, entre outras. Deverá ser servido a uma temperatura entre os 17º/18ºC.

O enólogo responsável é, como não podia deixar de ser, uma vez mais e sempre António Maçanita. O clima que dá origem a este Syrah é típico do mediterrâneo continental ou seja, dias quentes e secos, com noites muito frias. Os solos como já é habitual para a nossa casta são muito pobres de origem xistosa ou granítica.

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A Herdade da Maroteira está localizada no recanto da Serra D´Ossa, a 20km de Estremoz e a 35km de Évora. É uma das propriedades agrícolas pertencente a uma das famílias Anglo-Portuguesa estabelecidas na Região do Alentejo, há mais de cinco gerações. Abrangendo uma área de 540 hectares, dedica-se à preservação do montado de sobro e azinho, ao turismo, através de três unidades de alojamento, e à vitivinicultura.

No que diz respeito a este 100 Reis de 2014 somos ainda de o valorizar mais que os de 2013 e 2012. Mas as diferenças são mínimas! Mas se calhar com a nossa especialização no palato somos mais exigentes e como tal essa diferença tem que ser mostrada na classificação final.
Os marotos da Maroteira continuam em alta, os nossos parabéns!

Fernando Pessoa escreveu e poderia eventualmente ter cantado
“Não falte trigo p’ra semente.
Remédio ao doente,
nem Syrah à gente!”
Esse Syrah pode perfeitamente ser o 100 Reis desde ano, e de todos os anos!

 

Classificação: 19/20                                           Preço: 18,95€

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Syrah de Marco de Canaveses, 100% syrah, Porto, 2016

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Esta não é uma história de ficção! E não o é por dois motivos: primeiro porque fala de um Syrah real, e segundo porque esta história aconteceu mesmo em Portugal! Aliás, só podia mesmo acontecer no país que possui a maior diversidade vitivinícola do mundo!

Podemos afirmar a pés juntos: não sabemos se existe petróleo em Marco de Canaveses, terra de vinho verde, mas podemos garantir que existe Syrah! A 100%, embora com características muito próprias.

A história começa quando a 10 de Março deste ano recebemos uma notificação do nosso leitor José Carlos Rodrigues, morador em Marco de Canaveses, e que dizia o seguinte: “Casta Syrah na zona de vinho verde, Marco de Canaveses. Resultou num vinho verde monocasta, excepcional.” Ficámos naturalmente intrigados e respondemos da seguinte maneira: “Meu caro José Carlos Rodrigues, envie, se faz favor, uma prova inequívoca de que existe “Casta Syrah na zona de vinho verde”! “

E foi aí que esta aventura começou!
A declaração de colheita e produção do Instituto da Vinha e do Vinho é a prova documental legal de que existe Syrah em Marco de Canaveses.

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O produtor oficial é o marido de Manuela Fátima Moreira Silva Mendes, e que possui 0,4555 hectares de vinha com a casta Syrah, sendo José Carlos Rodrigues o dono da nossa churrasqueira.

Inicialmente, em 2012, o Syrah foi feito nos moldes habituais, mas no mundo dos vinhos verdes não teve aceitação. Tinha sido trazido do Alentejo mas aqui não se bebe um vinho tão aromático e tão complexo, denso, e graduado em termos alcoólicos como costuma ser apanágio dos Syrah. Então deu-se a luz! Porque não fazer um vinho  a partir da casta Syrah mas à maneira dos vinhos verdes? Responde o nosso amigo José Carlos Rodrigues: “O vinho é feito pelo método de bica aberta, é um vinho suave ligeiramente adocicado, com bastante teor alcoólico para vinho verde.” São precisamente 10,5% de graduação alcoólica.

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Este Syrah à moda do vinho verde só é pois vendido num único sítio: Churrasqueira “A Garagem”,  Estrada Nacional 108, Piares, Penhalonga, Marco de Canaveses.

É um Syrah tão original que, arriscamos dizer, é único no mundo. Dito de outra maneira: não é possível encontrar um Syrah destes em mais algum lugar do planeta. Pela originalidade merece sem dúvida a nota 20. A nota real fica ao critério do leitor depois de o provar e degustar, se algum dia for para os lados do Marco de Canaveses!

Como dizia Frei Rafael “O Syrah é a chave que, sem dar a volta, abre o coração e solta os pensamentos”.
Assim seja!


 

Quinta dos Plátanos, 100% Syrah, Lisboa, 2013

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Esta é infelizmente uma história diferente de todas aquelas que já aqui relatamos. É a história de um Syrah que depois de o ser já não o é! Vamos lá explicar a charada!

O ano passado tivemos conhecimento de que a Quinta dos Plátanos, de Alenquer, iria, pela primeira vez, lançar no mercado um monocasta Syrah. Ficamos naturalmente agradados! A seguir soubemos que esse dito Syrah iria participar da Prova Cega de Syrah que aconteceu no passado 3 de Outubro e que aqui amplamente divulgámos. E em vinte e seis Syrah em disputa, obteve o oitavo lugar, o que prova bem das suas potencialidades! Na altura faltava tratar dos rótulos. O que aqui apresentamos é apenas o rótulo provisório.

Ora acontece que passado todo este tempo o nosso muito desejado Syrah ainda não está no mercado e palpita-nos que nunca estará! Não nos parece que possa ser ainda a questão dos rótulos que está a atrasar a sua saída.

Uma semana antes da prova cega, o Blogue do Syrah, juntamente com alguns elementos dos Cegos por Provas e Tiago Paulo da Garrafeira Estado d´Alma tinham degustado este Syrah num final de tarde bem apelativo que nos deixou bem impressionados. Na prova cega também degustamos pela segunda vez este Syrah e contribuímos para o positivo resultado alcançado.

Mesmo estando a falar do que não existe, o lugar onde tão efémero Syrah nasceu merece o seu destaque.

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A Quinta dos Plátanos insere-se na Região Vitivinícola de Lisboa, com Denominação de Origem de Alenquer.
Cabeça de um vinculo instituído no século  XVII mantém-se desde então na família que sempre se dedicou à vitivinicultura. Uma das Quintas mais antigas do concelho de Alenquer, pertence, à freguesia de Aldeia Galega da Merceana. Pergaminhos não faltam e são de exaltar.

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Mesmo assim, apesar de toda esta longa e rica história, a vocação desta quinta tem sido a de fazer vinho a granel, aliás como era apanágio destas quintas de Alenquer e arredores de Lisboa. Muita da produção vinícola da quinta é embalada e despachada em caixas, com torneirinha, de cinco litros. Será que foi isso que aconteceu, ou seja, que o nosso tão desejado Syrah, que só daria para umas duas mil garrafas, foi aproveitado para vinhos de corte, embalado em boxes de cinco litros?

Há alguém que possa confirmar esta história ou pelo contrário dizer que estamos enganados e que dentro de dias o Syrah da Quinta dos Plátanos vai estar aí para mostrar o que vale? Ficamos à espera…

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 8 a 10,00€?


 

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2010

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Foi no já longínquo mês de Novembro de 2014 que apresentamos aqui o Syrah topo de gama da Quinta da Lagoalva de Cima. Este texto hoje é uma revisão do que foi na altura publicado por nós.

Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”

Não se sabe quando será realizada a próxima colheita, mas esta de 2010, enquanto durar, preencherá todos os nossos critérios de qualidade e exigência. Na verdade, neste ano e meio de estágio em garrafa muito evoluiu este Syrah. Se já era excelente agora atingiu o nível que só alguns, diríamos mais, só mesmo os melhores, conseguem atingir! E olhem que não são muitos!

Foi exportado ao longo destes anos para vários países como Canadá, Brasil, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Reino Unido e também para Macau.

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Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima, cuja primeira safra é de 1994, (verificação que o Blogue do Syrah ainda está à espera de concretizar) provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.

As safras seguintes deram-se nos anos de 1997, 2000, 2005, 2008 e a presente de 2010.
A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém.

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A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.

Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

 

Classificação: 20/20                                                                     Preço: 28,50€

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Aldeias de Juromenha, Herdade das Aldeias de Juromenha, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Este é um Syrah épico!

O Blogue do Syrah anunciava a safra de 2011 com pompa e circunstância faz mais ou menos um ano, no dia 24 de Fevereiro de 2015. Fizemos a sua degustação inicial nessa altura e mais tarde na segunda edição do Évora Wine no final de Maio. Já aí começava a destacar-se do seu irmão da safra anterior de 2010, cuja análise foi por nós apresentada aqui.

Hoje estamos em condições de dizer que chegou claramente ao Olimpo dos Syrah portugueses. A evolução no espaço de um ano foi enorme! Daí a necessidade de lhe dar mais uma vez o destaque plenamente merecido merecido!

É um Syrah feito pelo mestre António Saramago, e dito isto já estaríamos conversados por hoje!

É um Syrah de “cor retinto, aroma frutos vermelhos e compota, bons taninos, volumoso, equilibrado com boa acidez que lhe permite ter longevidade.” Mas dizer isto assim é ficar muito aquém do que se sente quando este néctar atravessa o palato! Trata-se de um topo de gama e ainda por cima a um preço fantástico! É já candidato a melhor Syrah do ano de 2016 em termos absolutos e também na relação qualidade/preço!

Nesta safra, como nas últimas, foram produzidas 13000 garrafas, todas elas dedicadas ao mercado interno. O Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha é todo comercializado em Portugal. O facto de ser reserva significa que tem dez meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano, e tem uma graduação alcoólica de 14,5%.

A Herdade das Aldeias é uma empresa agrícola situada a cerca de 15km da Cidade de Elvas e junto da Vila de Juromenha com vista para o Rio Guadiana. Está inserida numa zona histórica com grande tradição na arte de fazer vinho. Este projecto em particular está em desenvolvimento desde 1986. A adega está rodeada por 70 hectares de vinha própria. Este sistema promove um aumento na eficiência na vindima, uma vez que reduz o tempo desde a colheita até ao processamento das uvas.

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Quanto ao enólogo, que já foi por nós apresentado aqui, basta dizer que a sua importância e influência é enorme no mundo dos vinhos e especificamente dos Syrah. Já o dissemos e repetimos hoje: é um dos maiores especialistas a fazer Syrah em Portugal!

Classificação: 19/20                                                          Preço: 4,99€


 

Os 10 melhores Syrah portugueses de sempre!

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O que nos motivou agora e hoje a escrever este texto foram os vários artigos publicados nestas duas últimas semanas, por variados grupos e publicações, apresentando a lista dos 10 melhores vinhos portugueses de sempre!

Claro que imediatamente nos demos conta, e isto é apenas referir o facto, não envolve qualquer ressentimento, gostos são gostos, que nessas várias listas de  melhores vinhos de sempre não figurava um único monocasta Syrah… não pode ser mas foi!

Desse modo, decidimos então fazer a nossa lista, não sobre os 10 melhores vinhos portugueses, isso seria redundante e nada original, mas sim sobre os 10 melhores Syrah portugueses de sempre, que disso sabemos nós! Diga-se de passagem que se trata de uma lista bem mais interessante, pelo menos para nós, obviamente!

Entre os dez escolhidos, metade são alentejanos, todos eles do Alto Alentejo! São de facto cinco Syrahs extraordinários, como tivemos oportunidade de mostrar na análise feita a cada um. A outra metade, todos eles igualmente excelentes, estão distribuídos por cinco regiões vitivinícolas. Um do Douro, um outro da Beira Interior, um da Bairrada, outro do Tejo, antigo Ribatejo, e finalmente o último do Algarve!

Aqui estão, apresentados de modo totalmente aleatório!

 

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1- Mil Reis, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2013

 

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2- Dona Dorinda, Quinta Nossa Sra. da Conceição, 100% Syrah, Alentejo, 2012

 

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3- Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2009

 

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4- Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo, 2010

 

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5- Brett Edition, Herdade do Arrepiado Velho, 100% Syrah, Alentejo, 2007

 

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6- Quinta da Romaneira, 100% Syrah, Douro, 2011

 

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7- QC, 100% Syrah, Quinta da Caldeirinha, Beira Interior, 2009

 

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8- Quinta do Valdoeiro,100% Syrah, Bairrada, 2010

 

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9- Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2010

 

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10- Quinta do Francês, Quinta do Francês Patrick Agostini, Lda. 100% Syrah, Algarve, 2011

 

É preciso ter bem presente que esta lista é provisória. Pode ser revista em qualquer altura, como é natural, e se isso acontecer só pode significar que terão aparecido novos Syrah verdadeiramente fantásticos. Isso será bom para nós, em primeiro lugar e também para os consumidores!

Só assim podemos amplamente entender a frase do sábio Eurípedes:
“Onde o Syrah falta não há lugar para o amor!”