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Vale de Lobos, Quinta da Ribeirinha, 100% Syrah, Tejo, 2013

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Já tínhamos analisado aqui a colheita de 2011 deste Syrah. Agora chegou a possibilidade de falarmos sobre a colheita de 2013. E desde logo podemos dizer: se tínhamos gostado da colheita de 2011, desta gostamos ainda mais!

O Syrah Vale de Lobos já mostrou ser um Syrah que veio para ficar, e ainda por cima com qualidade!

O Syrah Vale de Lobos existe desde a safra de 2001, e teve mais cinco até 2013: 2003, 2005, 2008 e 2011 e a actual. Nas primeiras safras a produção era de 6000 garrafas. As últimas foram já de 10000! A vinificação realiza-se com vindima manual. As uvas, previamente seleccionadas com um rigoroso controlo de maturação, foram a seguir devidamente desengaçadas. Fermentou na cuba rotativa, onde se procedeu à curtimenta após a fermentação alcoólica. O resultado tem 14 % de graduação alcoólica e segundo o produtor “veste granada intenso e toca alguns instrumentos, saltando notas a baunilha, especiarias e ligeiro torrado num tom elevado.” As vinhas estão plantadas em solo argilo-calcário, clima mediterrâneo seco com exposição da vinha a sul. As vinhas crescem em sistema de produção integrada em que o uso dos químicos é mínimo, salvaguardando assim o ambiente e a saúde humana. A quinta encontra-se num processo de reconversão gradual da vinha velha de forma a melhorar a qualidade e a produção.

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A Quinta da Ribeirinha produz no total meio milhão de litros de vinho por ano em que somente 10% é destinado ao mercado interno. No caso do “nosso” Syrah a percentagem é ainda menor. Somente 5% está destinado ao consumo interno. Eis pois porque é difícil ter acesso a este Syrah! Os principais destinos dos vinhos da Quinta da Ribeirinha têm sido sobretudo no continente americano, com particular ênfase para Brasil, Canadá e E.U.A. e no continente africano, Angola, Cabo Verde, Guiné e S. Tomé e Príncipe. Mais recentemente a quinta alargou os seus mercados para a China. No que respeita ao mercado Europeu as exportações estão distribuídas por vários países, tais como Alemanha, Bélgica, Holanda, Polónia, Noruega, Inglaterra, França e Espanha.

Quando falámos do seu irmão de 2011 na altura dissemos: “Era importante que o Vale de Lobos syrah pudesse também estar em garrafeiras nomeadamente de Lisboa, porque ficaríamos todos a ganhar, tendo em conta a qualidade que este Syrah já mostrou e as possibilidades de crescimento! Neste momento, cada vez que passamos pela área de serviço de Santarém, na auto-estrada Lisboa/Porto, é lá que o conseguimos comprar. Fica a dica!

Das poucas coisas verdadeiras que o fascista Mussolini terá dito, uma delas foi, e estamos de acordo com ele:
“Os que bebem vinho, vivem mais do que os médicos que o proíbem”.
Então se for Syrah, e neste caso o Syrah da Quinta da Ribeirinha, temos aí uma boa aposta com a qual só podemos mesmo concordar!

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 13,50€

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Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2010

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Foi no já longínquo mês de Novembro de 2014 que apresentamos aqui o Syrah topo de gama da Quinta da Lagoalva de Cima. Este texto hoje é uma revisão do que foi na altura publicado por nós.

Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”

Não se sabe quando será realizada a próxima colheita, mas esta de 2010, enquanto durar, preencherá todos os nossos critérios de qualidade e exigência. Na verdade, neste ano e meio de estágio em garrafa muito evoluiu este Syrah. Se já era excelente agora atingiu o nível que só alguns, diríamos mais, só mesmo os melhores, conseguem atingir! E olhem que não são muitos!

Foi exportado ao longo destes anos para vários países como Canadá, Brasil, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Reino Unido e também para Macau.

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Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima, cuja primeira safra é de 1994, (verificação que o Blogue do Syrah ainda está à espera de concretizar) provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.

As safras seguintes deram-se nos anos de 1997, 2000, 2005, 2008 e a presente de 2010.
A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém.

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A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.

Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

 

Classificação: 20/20                                                                     Preço: 28,50€

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Cabeço Alto, Adega Cooperativa de Gouxa, 100% Syrah, Tejo, 2010

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Quando pensávamos que já não havia Syrah esquecidos no tempo, eis que Tiago Paulo, da Garrafeira Estado d´Alma, tira literalmente da cartola qual mágico, este Syrah de 2010, da Adega Cooperativa de Gouxa. Só este facto em si merece ser celebrado, por exemplo, com uma taça de Syrah, digamos!

Sobre o néctar propriamente dito, as notas de prova dizem-nos que este Syrah tem “uma cor granada com tons violáceos, um aroma intenso lembrando frutos vermelhos maduros e com um sabor complexo e harmonioso.” A graduação alcoólica é de 14%. Foram lançadas na altura para o mercado 15000 garrafas.

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A Adega Cooperativa de Gouxa, C.R.L., localizada na Quinta de Gouxa, Alpiarça, com área aproximada de 11,2 hectares foi fundada em 1962 e construída pela antiga Junta Colonização Interna, tendo sido entregue a um núcleo de Associados que por sua vez formou a primeira Direcção. Teve o seu início de actividade em 1967 já um pouco dentro do período das vindimas com reduzida entrada de uvas. No ano de 1968 laborou em bom ritmo uma quantidade bastante razoável de uvas, predominantemente brancas, provenientes dos terrenos de Gouxa (Concelho de Alpiarça) e da Charneca das Fazendas de Almeirim, onde o seu característico vinho branco resultante das Castas Fernão Pires, Boal, e Arinto, vinho tinto Aragonês, Piriquita e Alicante Bouschet e também vinho licoroso (Abafado) proveniente de mostos brancos seleccionados, são de superior qualidade. No ano de 1969 começou-se a engarrafar a título artesanal, derivado à sua grande procura. Posteriormente teve a Cooperativa de empreender um projecto de renovação de equipamento no ano 1989, o qual tem vindo a ser renovado mediante as exigências do seu fabrico e qualidade, e segue até aos dias de hoje.

O Ribatejo é terra de vinho desde o tempo remoto dos romanos. E território de alguns Syrah memoráveis. Vinhos brancos, rosés e tintos que, ano após ano, se vão afirmando no gosto dos apreciadores. A região Ribatejana é hoje uma das primeiras áreas portuguesas de produção vinícola e integra várias denominações.

Já Napoleão Bonaparte dizia que “Claramente os prazeres que o vinho oferece são transitórios. Mas assim são também os do ballet ou o de uma apresentação musical. Os vinhos nos inspiram e acrescentam muito ao prazer de viver.”

Isso é válido para os Syrah e o da Adega Cooperativa de Gouxa também cumpre esse desiderato.

Beba-se!

 

Classificação: 15/20                                                                     Preço: 6,98€

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Mapa de localização dos Syrah Portugueses

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O Blogue do Syrah apresenta um documento inédito em Portugal.

De uma forma esquemática, utilizando as cartas oficiais com a localização das regiões vinícolas do País, colocámos uma indicação aproximada, mas o mais rigorosa possível, de todos os Syrah que existem em Portugal, ou pelo menos, daqueles de que temos conhecimento, 142 até agora. Acreditamos que ainda possa haver mais e, se tal acontecer, aqui estaremos para actualizar a informação.

Fica bem visível, portanto, a distribuição geográfica da nossa bebida preferida. A maior concentração acontece nas regiões de Lisboa, Tejo, Setúbal e Alentejo.
Proporcionalmente ao tamanho, é na região de Lisboa que há maior densidade de produtores.

Esperamos que muitos mais Syrah venham a aparecer.
Que novas safras tomem o lugar das que se vão esgotando.
Que produtores que já fizeram Syrah o voltem a fazer!

 

Como dizia Rabelais, “O Syrah é o que há de mais civilizado no mundo!”, logo, esta carta foi a nossa contribuição para a história da civilização portuguesa.


 

Quinta do Sampayo, Agroseber S.A., 100% Syrah, Tejo, 2004

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Este é um Syrah do Tejo que, mais uma vez, está esgotado sem mais agravo. Não o conhecemos e a informação disponível é escassa.

Produzido pela Agroseber, empresa sediada no Cartaxo, tanto quanto se sabe é safra única, do ano de 2004. Produziram-se 13 mil garrafas.

De origem relativamente recente, destaca-se na produção de vinhos de reconhecida qualidade e já várias vezes premiados, a empresa Agroseber, S.A., com centro de vinificação na Quinta Nova – Cartaxo, que oferece vinhos tintos, oriundos das suas quintas, com garantia de qualidade e à altura do gosto do apreciador. Como filhos do Ribatejo que são, os vinhos da Agroseber apresentam-se joviais, bravios, cheios de vida, mas nunca perdendo a postura. São carregados na cor e têm aromas muito intensos, onde dominam os frutos vermelhos muito maduros, lembrando compotas de fruta, complexados com os abaunilhados da madeira. Na boca têm a força taurina dos taninos, num conjunto cheio de estrutura e elegância que fazem lembrar o “bailado” dos cavalos na praça de touros.

As notas de prova dizem que tem “Cor granada clássica, tal como o nariz, mostra uma fruta levemente confitada, cassis, cereja, mas especialmente balsâmico, com notas de farmácia e licor e ervas, um tanto de exótico. Muito interessante, com um leve sentimento de falta de maturação que no conjunto não destoa. Na boca mostra boa garra, com menor envolvimento e mais componentes fenólicas, que conferem aresta e ângulo à passagem do vinho. Termina curto, algo amargo. Pode no entanto ter bom papel com a comida adequada.”

Dum autor desconhecido conhecemos esta citação: “O vinho melhora com a idade. Quanto mais velho eu fico, mais eu gosto de vinhos.“. Ora este Syrah tal apareceu com a mesma velocidade com que desapareceu. Não deu para ficarmos velhos, nós e ele. Há coisas assim na vida!

 

Classificação:                                                     Preço: 13,50€


 

Dom Hermano, Quinta do Casal Monteiro, 100% Syrah, Tejo, 2006

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Mais um Syrah do Tejo, faz muito esgotado.
Não o conhecemos e a informação disponível é também já muito escassa.

A Quinta do Casal Monteiro, S.A., antiga Casa Agrícola Herdeiros de Dom Luís de Margaride, S.A.,  em Almeirim, foi fundada pelos herdeiros de Luís José Braamcamp de Mello Breyner Cardoso de Menezes, mais conhecido por Dom Luís de Margaride, descendente paterno dos Condes de Margaride e materno dos Condes de Sobral, nascido em Santarém no ano de 1903. Em 1928, Dom Luís assumiu a direcção das actividades agro-vinícolas nas propriedades familiares, por si herdadas, às quais dedicou mais de cinquenta anos de estudo, trabalho de investigação e prática no cultivo da vinha e nas técnicas enológicas, deixando-nos uma vasta obra e escritos, mercê dos quais foi galardoado com vários prémios e consagrações nacionais e internacionais.

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Sobre o Syrah propriamente dito, acedermos a algumas notas de prova dizem que falam de “boa cor, notas vegetais abundantes, flores, feno fresco, algum eucalipto. Medianamente encorpado, fresco mas de acidez elevada, é um tinto ainda à procura do melhor perfil.” Tem uma graduação alcoólica de 13% e o enólogo de serviço foi João Sardinha Cruz.

Tendo em conta a pouca informação que existe é um vinho que desapareceu com a mesma velocidade em que apareceu sem deixar rasto ou continuidade.

Há um brinde inglês que reza da seguinte maneira: “Que o nosso amor seja como o vinho, crescendo conforme envelhece.” Vamos repetir em inglês, que gostamos mais da musicalidade original:
“May our love be like good wine, grow stronger as it grows older.”

Concluindo por hoje, seja qual for o idioma, eis pois um brinde que não será possível fazer com este desparecido Syrah!

 

Classificação:                                                    Preço: 4,70€