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O Cheiro do Vinho

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Vagueando este Domingo por alguns pensamentos, vamos falar de vários termos que podemos usar para designar a subtileza de um vinho quando nos aproximamos dele: perfume, odor e, principalmente, “aroma” e “bouquet”, que designam os cheiros agradáveis que o vinho pode libertar.

O cheiro do vinho depende da uva, da terra, da sua idade e do seu estado de conservação.
É muito importante diferenciarmos buquê, (aportuguesamento do vocábulo francês) de aroma, e dar o correcto significado para cada um deles.

Os especialistas costumam diferenciar o buquê de três formas básicas:

  • O primeiro grupo diz que vinho branco tem aroma e vinho tinto tem buquê, uma vez que, normalmente, os vinhos brancos são bebidos jovens e, por isso, não conseguem criar essa característica, mas claro que existem excepções.
  • O segundo grupo de especialistas afirma que o buquê é percebido pelo olfacto e aroma por via retronasal, quando o vinho está na boca para consumo e poderíamos dizer que nesse caso temos o “aroma de boca”.
  • O terceiro grupo que é o mais comum, diz que o aroma é um princípio odorante libertado pelas substâncias vegetais dos vinhos jovens, que se pode respirar, e buquê é o cheiro adquirido pelo envelhecimento.

Logo, os vinhos mais jovens agradam pelo aroma e os envelhecidos pelo buquê. É subtil e não merece discussão entre os convivas.

Podemos continuar o estudo com os aromas primários (preexistentes na uva) e os secundários (criados na fermentação) mas, sinceramente, esse assunto merece um vinho para acompanhar…e no nosso caso só pode mesmo ser um Syrah!

Consultem o Blogue do Syrah e façam a vossa escolha…

À nossa!


 

Vale de Lobos, Quinta da Ribeirinha, 100% Syrah, Tejo, 2011

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Antes de vir aqui falar deste Vale de Lobos, começámos por ter uma agradável e muito proveitosa conversa com Rui Cândido, administrador da Quinta da Ribeirinha, localizada na Póvoa de Santarém, e produtora do syrah Vale de Lobos. O ano analisado é o de 2011, embora, como previamente referimos na nossa secção de “Novidades”, já tenha saído a safra de 2013, que, apesar de ainda não a conhecermos, nos deixou bastante satisfeitos. Ao contrário de outros syrah portugueses que da mesma maneira que apareceram logo desapareceram deixando pouco rasto, o Vale de Lobos já mostrou que está para durar e além do mais com grande qualidade!

A vinificação realiza-se com vindima manual. As uvas, previamente seleccionadas com um rigoroso controlo de maturação, foram a seguir devidamente desengaçadas. Fermentou na cuba rotativa, onde se procedeu à curtimenta após a fermentação alcoólica. O resultado tem 14 % de graduação alcoólica e segundo o produtor “veste granada intenso e toca alguns instrumentos, saltando notas a baunilha, especiarias e ligeiro torrado num tom elevado.”

O syrah Vale de Lobos existe desde a safra de 2001, e teve mais cinco até 2013: 2003, 2005, 2008 e 2011. Nas primeiras safras a produção era de 6000 garrafas. As últimas foram já de 10000!

A paixão pelo vinho e a dedicação constante à actividade vitivinícola vem atravessando a família Cândido desde há várias gerações. José Cândido, o patriarca da Família, desenvolveu desde cedo a actividade profissional como agricultor, tendo sido o vinho a sua principal paixão e fonte de rendimento. Como produtor de vinhos, naturalmente, de uma forma por vezes empírica, desempenhou múltiplas funções ao longo do processo: viticultor, vinificador, armazenista e por fim, vendedor. Era unicamente sua a responsabilidade pela qualidade do vinho produzido assim como o contacto com os apreciadores os seus potenciais clientes. Mais tarde, já em 1995, a actividade de José Cândido teve um novo desenvolvimento; o seu filho Joaquim Cândido, médico, igualmente um apaixonado pela vitivinicultura, decidiu apoiar a actividade do Pai prosseguindo com a plantação de novas áreas de vinha, construindo uma adega própria e, acompanhando a evolução tecnológica, aplicando métodos científicos no processo de produção.

Pouco tempo depois, dois dos seus filhos, Mariana e Rui, respectivamente economista e bioquímico de formação, completaram a equipa, que hoje assume as funções de administração da empresa.

A Quinta da Ribeirinha tem hoje um corpo fixo de mais de 15 trabalhadores, reunindo competências e experiência nas várias vertentes: na produção na vinha, na transformação na adega, no engarrafamento e embalagem e nas áreas de gestão e comercialização.

As vinhas estão plantadas em solo argilo-calcário, clima mediterrâneo seco com exposição da vinha a sul. As vinhas crescem em sistema de produção integrada em que o uso dos químicos é mínimo, salvaguardando assim o ambiente e a saúde humana. A quinta encontra-se num processo de reconversão gradual da vinha velha de forma a melhorar a qualidade e a produção.

As castas existentes são Trincadeira Preta, Touriga Nacional, Aragonez, Fernão Pires, Verdelho e Alicante Bouchet. Com menor dimensão a Quinta da Ribeirinha tem uma variedade significativa de castas em talhões individualizados, tais como o Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Sauvignon Blanc,Chardonnay e Gewurztraminer.

Segundo os dados simpaticamente fornecidos pelo Rui Cândido, a Quinta da Ribeirinha produz no total meio milhão de litros de vinho por ano em que somente 10% é destinado ao mercado interno. No caso do “nosso” syrah a percentagem é ainda menor. Somente 5% está destinado ao consumo interno.

No sentido de acompanhar a tendência para a internacionalização da economia, a empresa preocupou-se desde cedo na criação de parcerias nos mercados externos com vista à exportação dos seus produtos.

Os principais destinos dos vinhos da Quinta da Ribeirinha têm sido sobretudo no continente americano, com particular ênfase para Brasil, Canadá e E.U.A. e no continente africano, Angola, Cabo Verde, Guiné e S. Tomé e Príncipe. Mais recentemente a quinta alargou os seus mercados para a China.

No que respeita ao mercado Europeu as exportações estão distribuídas por vários países, tais como Alemanha, Bélgica, Holanda, Polónia, Noruega, Inglaterra, França e Espanha.

E por falar em Espanha vem a propósito aquele provérbio espanhol que diz que “para o vinho ter gosto de vinho, deve ser tomado com um amigo”.

No mercado interno, a Quinta da Ribeirinha tem comercializado os seus produtos através de uma rede de pequenos distribuidores podendo encontrar os vinhos da Quinta na grande maioria dos restaurantes da região de Santarém, bem como noutras regiões do país mas sempre ao nível da restauração. A primeira e única vez que o encontrámos foi precisamente numa área de serviço por ali perto, na auto-estrada Lisboa-Porto.

Era importante que o Vale de Lobos syrah pudesse também estar em garrafeiras nomeadamente de Lisboa, porque ficaríamos todos a ganhar, tendo em conta a qualidade que este syrah já mostrou e as possibilidades de crescimento!
Valeria a pena!

Classificação: 16/20                                           Preço: 13,00€

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Vale de Lobos, 100% syrah, Lisboa 2013

Em conversa com a Quinta da Ribeirinha ficámos a saber que foi lançado faz um mês o novo Vale de Lobos de 2013. Nos próximos dias iremos falar sobre este syrah e esta Quinta.


 

CEM REIS, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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O CEM REIS Syrah congrega em si dois aspectos que, como consumidores apaixonados pela casta, muito prezamos. Em primeiro lugar porque se trata de um Syrah de qualidade superior. Em segundo, e ao contrário do que é habitual, a maior parte da produção fica e é consumida em Portugal.

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Em conversa telefónica com o produtor Philip Mollet, foi confirmado que 70% da toda a produção é efectivamente para o mercado interno e somente os restantes 30% é que vão para o mercado externo. Os países são a Holanda, a Alemanha e a Suíça na Europa. Fora da Europa o Brasil e também Macau.

O CEM REIS Syrah teve a sua primeira edição em 2005 com 8000 garrafas. As safras seguintes de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011 assistiram ao aumento gradual mas consistente da produção até se atingir as 15000 garrafas nas últimas safras e igualmente na última de 2012.O enólogo responsável é António Maçanita.

O clima que dá origem a este Syrah é típico do mediterrâneo continental ou seja, dias quentes e secos, com noites muito frias. Os solos como já é habitual para a nossa casta são muito pobres de origem xistosa ou granítica.

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Diz-nos a ficha técnica que a vindima é manual e muito selectiva, feita em caixas de 20 kg. “Transporte para adega em camião de frio. Vinificação atípica para o Alentejo. Fermentações alcoólicas e malolática naturais e espontâneas; “Cuivason” de mais de 20 dias.” Estagiou 14 meses em barricas novas: 70% em carvalho francês e 30% em carvalho americano. A graduação alcoólica é de 15,0%. As notas de prova dizem-nos que possui “uma cor violeta escuro concentrado. Em relação ao aroma tem nariz exuberante, notas quentes de frutos pretos com notas mentoladas, terminando com notas a amêndoas tostada da barrica. Na boca o ataque é cheio, redondo quente e carregado de aromas. Estrutura firme com boa persistência.”

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A Herdade da Maroteira está localizada no recanto da Serra D´Ossa, a 20km de Estremoz e a 35km de Évora. É uma das propriedades agrícolas pertencente a uma das famílias Anglo-Portuguesa estabelecidas na Região do Alentejo, há mais de cinco gerações. Abrangendo uma área de 540 hectares, dedica-se à preservação do montado de sobro e azinho, ao turismo, através de três unidades de alojamento, e à vitivinicultura.

Foi em 2003 que 10 hectares de vinha foi plantada numa zona de vale aberto. A escolha das castas recaiu sobre a Alicante Bouschet, Aragonêz, Touriga Nacional e Syrah. Grande parte da produção vitícola é vendida; apenas uma pequena selecção – as uvas de qualidade superior -, é aproveitada para a produção de vinho da Herdade da Maroteira.

Como dizia Ernest Hemingway “o vinho é uma das substâncias mais civilizadas do mundo, uma das coisas materiais levadas ao mais alto grau de perfeição e que oferece mais prazeres e satisfações que qualquer outra que se compre com intenções puramente sensoriais”.

E por último a grande confidência que generosamente Philip Mollet nos agraciou. Um projecto vinícola que foi pensado há 8 anos e que verá a luz este ano. A produção do Syrah que poderá ser “o Syrah de 2015” : o “MIL REIS”! No próximo mês de Março será engarrafado e ficará em garrafa durante 6 meses. Terá a data de 2013 e só se produzirão entre 3000 a 3500 garrafas. Verá o dia lá mais para o fim do ano. Que ninguém tenha dúvidas, algumas dessas garrafas virão para os editores do Blogue do Syrah.

A grande questão que se coloca é a seguinte: será capaz o MIL REIS, e tendo em conta os critérios pelos quais nos pautamos na classificação dos Syrah, conseguir a pontuação máxima, ou seja, 20 valores? Teremos que esperar até ao fim do ano para poder responder, mas todos os amantes do Syrah sairiam beneficiados se isso acontecesse…
Torcemos para que sim!

Classificação: 18/20                                           Preço: 15,00€

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Um fim de semana em Bordeaux a degustar Syrah!

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Foi este um fim de semana prolongado, passado na cidade mítica do vinho: Bordeaux!

Trata-se da região vinícola mais importante de França, e, para muitos, do mundo. Possui mais de 30 mil marcas comerciais de vinhos distribuídos por 13 mil quintas e herdades, a que os franceses chamam carinhosamente “château”.

A região dos vinhos de Bordeaux produz 660 milhões de litros de vinho por ano que são exportados para todo o mundo!

E foi neste ambiente alucinante que passámos três dias com o objectivo de visitar a cidade e as suas garrafeiras.

A visão mais extraordinária e inesperada que tivemos foi à saída do terminal, mas ainda dentro do complexo do aeroporto, quando nos deparámos com uma vinha! Um autêntico monumento vivo à origem da força mítica do nome Bordeaux!

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Uma daquelas imagens que irá perdurar por muito tempo!

Não nos perguntem a casta plantada porque não dava para ver. Em Janeiro a vinha não tem folha e muito menos uva. Ainda tentámos perguntar a algum funcionário que por ali passasse mas os únicos que passaram enquanto tirava fotos ao “monumento” foram três militares das forças especiais armados “até aos dentes”. Não quisemos arriscar e meter conversa não nos fossem eles tomar por algum grupo terrorista…

E aqueles três dias foram passados a vasculhar as garrafeiras da cidade desde as mais pequenas, de bairro, como a “Cousin & compagnie,” a “Vins et Plus,” a “Caviste Le Comptoir” e a “Vinotheque Bordeaux” até às maiores como a “Arte t Vins,” a “Bordeaux Magnum”, a “Badie” a mais imponente e finalmente a “Maison du Vin de Bordeaux.”

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Mas como os nossos leitores já estão a imaginar, não foi atrás dos Bordeaux que íamos… Andávamos era atrás de syrah! E encontrámos vários… e bons!

Os “Hermitage,” os “Crozes Hermitage,”os “Côtes du Rhône” os “Saint Joseph,” os “Côte Rotie”estavam lá! Não digo que estavam lá todos obviamente, mas estavam lá muitos!

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E provámos e degustamos e bebemos, sempre com enorme deleite!

Mas a grande conclusão a retirar desta viagem vinícola de três dias por terras de França é que os syrah portugueses metem mesmo em sentido os seus congéneres franceses. Sem margem para dúvida!

A existência deste blogue tem como objectivo primeiro martelar nesta tecla!

É o que iremos continuar a fazer!


 

Syrah e cognição

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Não acredite em tudo o que ouça. Se isto é verdade para o dia a dia então terá que ser verdade também para o syrah… estamos de acordo?

Como o leitor sabe nós aqui falamos de syrah, mas muito do que dizemos sobre a nossa casta favorita também pode ser correcto para o vinho tinto em geral. É o caso!

Os mitos sobre o vinho são quase tantos quanto as lendas urbanas…

Vamos aqui reflectir sobre um desses mitos:

“O álcool destrói as células do cérebro”

Muitos abstémios defendem esta tese quase como um dogma. Trata-se de um mito, dizemos nós! Na realidade, existem pesquisas que associam o consumo moderado de vinho a um aumento da nossa capacidade cognitiva.

Os efeitos negativos do consumo abusivo de álcool sobre a nossa capacidade cognitiva estão muito bem documentados, e servem de alerta para que se evite qualquer tipo de exagero, sempre!

Contudo, sabe-se que o resveratrol é um alimento funcional, ou seja, é um ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido como parte da dieta habitual, produz efeitos benéficos à saúde. Tema já tratado aqui e aqui.

E existe um crescente interesse pelo estudo do potencial dos alimentos funcionais para a cognição, incluindo o resveratrol presente no vinho tinto.

Cognição é um processo mental que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento, linguagem e acção.

Alguns cientistas, interessados no tema, pesquisaram o impacto do consumo do vinho sobre a capacidade cognitiva de indivíduos mais velhos, já que a idade é o factor de risco mais importante para o comprometimento cognitivo.

Esse estudo foi apresentado na Conferência WineHealth 2013: International Wine and Health Conference, que aconteceu na Austrália, sob o patrocínio da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho).

Os investigadores contaram com 16 voluntários, com média de idade de 70 anos, que se submeteram a testes de cognição após o consumo de 100 ml de vinho tinto, em duas ocasiões, com duas versões: “normal” e enriquecido com resveratrol.

O que se observou, nesse estudo, foi um aumento significativo de desempenho dos voluntários nos testes.

Concluíram assim os cientistas que esses resultados de melhor performance são reflexo de um aumento do fluxo sanguíneo, causado pelo resveratrol, e dos efeitos estimulantes do álcool em baixas quantidades.

Mas esse é um estudo inicial, que merece mais aprofundamento. Os cientistas sinalizam a necessidade de repetir tal pesquisa utilizando uma amostra maior, e um grupo de controle que consuma, por exemplo, vinho sem álcool.

Esperamos que a continuidade desse estudo aconteça em breve, e com mais boas notícias para os apreciadores de syrah.

É muito bom saber que a ciência se interessa cada vez mais sobre o sumo de uva…!