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Herdade do Esporão lança o novo 100% syrah, Alentejo, 2011

O syrah foi plantado há 12 anos na Vinha do Telheiro situada na Herdade do Esporão. Depois de fermentado estagiou um ano em barricas de carvalho e, depois, teve mais um ano e meio de estágio em garrafa. O syrah 2011 tem “uma cor carregada e no nariz as notas químicas sobrepõem-se às sugestões de tosta e de café torrado. Na boca destaca-se a fruta preta madura e os taninos ainda bravos, a pedir que o deixem estagiar na garrafeira ainda mais uns tempos”.


 

Quinta do Gradil, Sociedade Vitivinícola, SA, 100% Syrah, Lisboa, 2012

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A Quinta do Gradil, que fica no concelho de Cadaval, tem um Syrah que apenas foi produzido uma única vez, em 2012, e em circunstâncias muito especiais. Dizia Aquilino Ribeiro que “o pior crime é produzir maus vinhos e servi-los aos amigos”. Não podíamos estar mais de acordo. Não só porque é verdade mas também porque foi dito por um grande romancista que provavelmente não ganhou o Nobel da Literatura, nos anos 60, antes de Saramago, porque as condições políticas na época não eram propícias a tais desígnios.

Vem isto a propósito do seguinte: desde 2010 que a Quinta do Gradil organiza uma Festa de Vindimas singular, na companhia de convidados especiais, amigos, clientes e parceiros institucionais. Miúdos e graúdos passam momentos divertidos a colher as uvas, que darão depois origem a um vinho especial de edição limitada. Nas horas de mais calor, os mais pequenos ficam resguardados e entretidos com brincadeiras e pinturas. Daqui nasce uma tela alusiva à temática das vindimas, que será replicada no rótulo do vinho de edição limitada. Este é um produto diferente, singular, uma edição limitada a 1000 garrafas, resultado da vindima feita pelos adultos e das telas pintadas pelas mãos dos mais novos, que será oferecida aos convidados do ano seguinte. A seguir ao trabalho “árduo” de todos, segue-se um almoço descontraído e várias horas de festa, em pleno convívio. Boa comida, bom Syrah, muita música e, acima de tudo, muita animação! No final da festa, todos os convidados recebem como oferta uma garrafa do vinho de edição limitada, elaborada pelos convidados do ano anterior.

No ano de 2012 foi a vez do Syrah que apresentamos aqui, e cujas uvas foram vindimadas a 15 de Setembro de 2012 nesta festa de amigos. Diz-nos o produtor que “a casta mostra-se muito expressiva, com fruta vermelha bem madura e compotas, num conjunto enriquecido pelas notas de chocolate e eucalipto. Macio e volumoso, com uma acidez que lhe confere vivacidade, e um final prolongado e muito harmonioso.” Apresenta uma graduação alcoólica de 14,5%.

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E agora a história que se impõe!
A Quinta do Gradil, considerada das mais antigas, senão a mais antiga, herdade do Concelho do Cadaval, tem marcas históricas seculares e constitui um marco arquitectónico significativo. As mais antigas referências documentais encontradas sobre a Quinta do Gradil remontam ao final do século XV, num documento Régio. Em de 14 de Fevereiro de 1492, data do documento, D. Martinho de Noronha recebeu de D. João II a carta de doação da jurisdição e rendas do Concelho do Cadaval e da Quinta do Gradil. Por ocasião da ascensão de D. Manuel I ao trono português, e a sua actuação a favor dos membros da Casa de Bragança, a Quinta do Gradil torna a ser referenciada na confirmação de doação concedida por D. Manuel I a D. Álvaro de Bragança, irmão mais novo do 3º Duque de Bragança, D. Fernando II, que, acusado de traição, foi mandado degolar por D. João II, em 1483.

A Quinta terá sido adquirida pelo Marquês de Pombal, por ocasião do movimento que a partir de 1760 levou à ocupação de terras municipais, admitindo-se que já na altura contasse com o cultivo de vinha, factor que terá sido decisivo para o estadista que criou a Companhia das Vinhas do Alto Douro. Manteve-se na pertença da família até meados do século XX, quando foi comprada por Sampaio de Oliveira. Já nos finais dos anos 90, o actual proprietário, Luís Vieira, adquire a herdade.

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Nos 120 hectares de vinha encontram-se plantadas variadíssimas castas brancas e tintas. Sauvignon Blanc, Arinto, Viosinho, Viognier, Chardonnay, Petit Manseng, Cabernet Sauvignon, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tannat, Petit Verdot e claro, Syrah, são alguns exemplos. Esta rica paisagem de vinha é da responsabilidade do Engº. Bento Rogado.
Todas estas uvas são vinificadas na adega da quinta, coordenada pelo Eng.º Pedro Martins, sob a batuta atenta dos enólogos Vera Moreira e António Ventura.

Acabamos como começámos.
Apesar deste Syrah ser apresentado como o resultado duma “brincadeira” entre amigos, o que temos entre mãos é sério e forte. Quando estiverem rodeados de amigos e quiserem apresentar um Syrah que não os decepcione, têm aqui uma boa opção!

Classificação: 16/20                                              Preço: 11,50€

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Colecção Privada, Domingo Soares Franco, José Maria da Fonseca, 95% Syrah, 5% Touriga Francesa, Península de Setúbal, 2011

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Hoje estamos de novo na Península de Setúbal, para falarmos de um syrah de 2011, da José Maria da Fonseca, e de outro da mesma herdade, hoje esgotado, de 2004. Porquê o marcar desta distinção? Porque apesar de nascerem na mesma casa, são na verdade dois syrah diferentes.

Enquanto que o primeiro, além de syrah, tem 5% de Touriga Francesa, o segundo é 100% syrah.

Ambos fazem parte da chamada colecção privada do enólogo Domingos Soares Franco. Chama-se privada porque é unicamente o enólogo, a cada ano, e em total liberdade, que decide o que vai fazer… e como o vai fazer!

Estamos a falar do representante mais novo da sexta geração da família que, desde a fundação, preside aos destinos da José Maria da Fonseca. Domingos Soares Franco é, para além de vice-presidente, o enólogo desta casa, e por isso referência destacada no panorama vitivinícola da região de Setúbal, e do país. Embora assine todos os vinhos da José Maria da Fonseca, existem os que reserva para si como especiais. Chamou-lhes Domingos Soares Franco, como já ficou dito, Colecção Privada. Estes vinhos resultam da combinação de três factores: a sua formação, em Davis, na Califórnia; a influência do seu tio e por último a disponibilidade dos 650 hectares de vinhas da José Maria da Fonseca e a colecção, única em Portugal, de castas nelas plantadas.

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Foi em conversa telefónica que a Dra. Sofia Soares Franco, sobrinha de Domingos Soares Franco, muito simpaticamente se dispôs a responder às nossas questões sobre o syrah ou melhor, sobre os syrah em causa.

Assim ficamos a saber que o syrah de 2004 já vinha sendo feito desde 1999, com safras intermédias em 2000, 2002 e 2003, ou seja, 5 safras de syrah seguidas a 100%. Depois segue-se um hiato de vários anos onde a colecção privada parece “esquecer” o syrah até que em 2011 Domingos Soares Franco volta ao syrah com a pequena, mas importante para nós, particularidade de acrescentar 5% de Touriga Francesa, que como se sabe é o outro nome dado à Touriga Franca que é somente uma das castas mais plantadas no Douro e que faz parte do grupo das chamadas “cinco grandes” castas recomendadas para os vinhos do Porto. Nós que somos apologistas de que um syrah que se preze, um syrah a “sério” deve ser a 100%, devo no entanto reconhecer que a “solução” apresentada pelo nosso enólogo não desmerece, de modo algum, o produto final. E ainda bem porque assim o nome José Maria da Fonseca engrandece-se ainda mais e o consumidor de syrah fica ainda mais satisfeito!

Fizeram-se 4300 litros que deu a módica quantia, pelas nossas contas, de 5375 garrafas de syrah. Em relação às notas de prova o produtor diz-nos que a cor é de um vermelho carregado. O aroma é a cassis, violetas, amoras e especiarias. O paladar é jovem, mas com taninos a suavizar, frutado e com boa acidez. Final de prova é “médio”. Pessoalmente discordamos deste último tópico. Não nos parece que o final possa ser chamado de “médio”.  Diríamos “longo”. Sendo um syrah intenso o final tem que ser longo como todos os syrah de qualidade superior. Provem-no e digam-nos o que pensam sobre isto!

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Se é verdade que a José Maria da Fonseca tem na Península de Setúbal a sua maior área de vinha, a verdade é que também possui ramificações vinícolas no Alentejo e no Douro!

Vejamos resumidamente cada uma das vinhas.

A Vinha Grande de Algeruz é considerada um marco na história da empresa. Com esta vinha, a José Maria da Fonseca assume uma opção estratégica que passa pela necessidade de ser da sua responsabilidade a produção da matéria-prima, por forma a garantir a diversidade e qualidade da mesma. Em 1989 é adquirida a propriedade e no ano seguinte tem início um processo de reestruturação faseado em cinco etapas, o qual culminou em 1998 com o início da produção.
O potencial desta vinha é elevadíssimo. Até ao momento, as uvas aqui produzidas têm sido destinadas para vinhos como Periquita, BSE, Albis e para o Alambre Moscatel de Setúbal. É também nesta vinha que se iniciou parte da marca Colecção Privada Domingos Soares Franco e um importante campo clonal de várias variedades.

Na mesma linha estratégica que levou à aquisição em 1989 da Herdade da Vinha Grande de Algeruz – a necessidade de garantir uma produção própria capaz de manter um alto padrão de qualidade nos vinhos – surgiu em 1997 a Quinta das Faias.
Situada nas Faias, localidade próxima do Montijo, para além da área de vinha também tem uma parte de floresta.
A Quinta das Faias apresentava vinha, embora muito heterogénea e longe do padrão que a empresa mantém na generalidade das vinhas. Desde 1997 vem sendo corrigida e hoje a vinha das Faias encontra-se já completamente reestruturada.

A Quinta de Camarate tem como particularidade o facto de nela viver a Família Soares Franco. Cerca de 39 hectares, dos 120 totais, são atualmente ocupados por vinha. A restante área distribui-se entre matas, pastagens, jardins e terrenos baldios. As pastagens têm uma importância acrescida, a par das vinhas, em virtude de aqui se produzir o afamado queijo de Azeitão. Os solos variam, de argilo-calcários a arenosos. A Quinta de Camarate acolhe uma colecção ampelográfica iniciada na década de 20 do século passado e que actualmente ronda as 560 castas. Esta colecção tem-se mostrado preciosa para a empresa pelas múltiplas opções enológicas que proporciona.
A principal vocação é o Quinta de Camarate (branco seco, branco doce e tinto), contribuindo também para alguns componentes dos vinhos da Coleção Privada Domingos Soares Franco.

Estar na Quinta dos Pasmados é estar em plena Serra da Arrábida, num cenário de rara beleza onde a vegetação luxuriante só é quebrada pela vinha de aproximadamente 18 hectares. As uvas produzidas nesta vinha destinam-se exclusivamente à produção dos vinhos Pasmados.

Localizada entre Azeitão e Setúbal, no sopé da Serra da Arrábida, a Quinta dos Cistus deve toda a sua beleza à forma como a vinha se estende, paralelamente à estrada nacional, e à imponência da serra, pelo maciço que a constitui e pela vegetação. Os solos são argilo-calcários. As uvas da Quinta dos Cistus, depois de vinificadas, dão forma a alguns vinhos brancos da José Maria da Fonseca. Pertença de Isabel Menezes, acionista da José Maria da Fonseca, esta pequena quinta, localizada em Azeitão, compreende desde 1991 uma vinha de 2,2 hectares de Moscatel Roxo. Apesar de pequena, foi o renascimento desta casta após a sua quase extinção.

Após a aquisição, em 1986, da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes, da qual faz parte a Herdade do Monte da Ribeira, a José Maria da Fonseca concretiza o sonho antigo de poder produzir vinho no Alentejo, numa propriedade carregada de prestígio e história (pelo menos desde 1878 que aqui se produz vinho), utilizando técnicas tradicionais de vinificação.
As uvas, provenientes da Herdade do Monte da Ribeira, localizado em pleno coração Alentejano, em Reguengos de Monsaraz, recebem do sol a luminosidade e o calor intenso que imprimem um carácter único aos vinhos da região.
Nos atuais 72 hectares plantados com vinha em 1952, 1984, 1986, 1995, 1998, 2000 e 2002, as castas tintas dominam o encepamento tradicional da região (Trincadeira, Aragonez e Grand-Noir). No Inverno, a parcela plantada em 1952 torna-se ainda mais bela, em virtude da ausência de folhagem permitir visualizar os esteios de granito e a imponência das cepas muito antigas.
A reconversão da vinha, terminada em 2002, incluiu a completa separação por castas, às quais se acrescentou a mais-valia técnica de, em 20 hectares reconvertidos, terem sido os últimos talhões de clones dentro do talhão de uma mesma casta. Esta seleção clonal, uma raridade na viticultura alentejana foi feita em duas das três castas plantadas na vinha (Trincadeira e Aragonez).
Estas vinhas dão origem aos vinhos alentejanos da José Maria da Fonseca: José de Sousa, José de Sousa Mayor e J de José de Sousa.

Com o objectivo de ultrapassar a imagem de uma empresa produtora de âmbito regional (Península de Setúbal e Alentejo), à José Maria da Fonseca não se apresentavam muitas soluções alternativas: o vale do Douro era, de facto, a única das regiões vitivinícolas portuguesas capaz de gerar valor acrescentado em conformidade com os projetos de crescimento da companhia.
Os objectivos passam por optimizar a excelência das castas e dos vinhos do Douro, e associá-los à imagem e credibilidade da José Maria da Fonseca. A concretização destes objectivos passa pela produção de dois vinhos tintos daquela região, Domini e Domini Plus.
As prioridades imediatas da José Maria da Fonseca centram-se na terra, através da aquisição da Quinta de Mós, num total de 15 hectares de vinhas com cerca de 30 anos, plantadas com Touriga Nacional, Touriga Francesa e Tinta Roriz.

O Centro de Vinificação Fernando Soares Franco é considerado um dos 50 melhores do mundo. A sua construção teve início em 1999, e foi oficialmente inaugurado no dia 14 de Setembro de 2001, com a presença do então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.

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Numa área coberta de 9000 m2, com capacidade para 6.5 milhões de litros distribuídos por 513 cubas de diversas capacidades e uma operação quase totalmente computorizada, coexiste a mais avançada tecnologia com métodos tradicionais, casos dos lagares e prensas verticais, estas do início do século XX.
É neste local que todo o esforço desenvolvido nas vinhas se materializa, dando origem aos vinhos da José Maria da Fonseca.

Apesar desta dimensão a empresa é um negócio de família com quase dois séculos de história que nunca se deixa a si própria repousar sobre as glórias conquistadas. A José Maria da Fonseca exerce a actividade vinícola desde 1834, fruto da paixão partilhada de uma família que tem sabido preservar e projectar a memória e o prestígio do seu fundador. Consciente da responsabilidade de ser, na actualidade, o mais antigo produtor de vinho de mesa e de Moscatel de Setúbal em Portugal, a José Maria da Fonseca obedece a uma filosofia de permanente desenvolvimento, o que a leva a investir sempre mais em suportes de investigação e de produção, aliando as mais modernas técnicas ao saber tradicional. Exemplo disso mesmo é a Adega José de Sousa Rosado Fernandes, em Reguengos de Monsaraz, no Alentejo, onde a tradição romana de fermentar em potes de barro se mantém a par da última tecnologia.

Segundo os dados de 2013, é uma empresa 100% familiar gerida pela 6ª geração, contando já com 3 membros da 7ª geração no activo. Exporta 80% da produção. Os seus vinhos estão presentes em mais de 70 países. Mais de 30 marcas, distribuídas por vinhos de mesa, generosos e licorosos, e por cinco regiões: Península de Setúbal, Alentejo, Douro, Dão e Vinhos Verdes. Periquita é a maior marca, seguida do Lancers, Alambre Moscatel de Setúbal e BSE. Área de vinha: 650 hectares. O número de trabalhadores é de 131 em todo o grupo.

Ao beber o syrah da José Maria da Fonseca recordamos o grande sábio Galileu, aquele que ousou desafiar a lei divina do seu tempo, que dizia:
“O syrah é composto de humor líquido e luz”.
É o que se sente quando se bebe este néctar feito de cor, aroma e luz…

Partam em sua demanda!

Syrah de 2011
Classificação: 17/20                                             Preço: 14,50€

Syrah de 2004
Classificação: 16/20                                             Preço: 18,50€

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Vale das Areias, Sociedade Agrícola da Labrugeira, 100% Syrah, Lisboa, 2010

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Hoje apresentamos um syrah que, em Portugal e pela primeira vez, ganhou um concurso nacional de vinhos. Vamos repetir: O Vale das Areias syrah 2010 foi o primeiro syrah português a ganhar um concurso de vinhos tintos abarcando todas as regiões de Portugal. É o reconhecimento que os syrah podem dar cartas e que não é preciso ser obrigatoriamente um blend para causar sensação e ganhar o que houver para ganhar! Em que circunstâncias é que isso aconteceu é o que vamos a seguir explicar.

O syrah Vale das Areias Syrah 2010 foi o grande vencedor absoluto do Concurso Vinhos de Portugal, cuja primeira edição foi em 2013, o maior concurso de vinhos nacionais realizado até hoje no nosso país. Os premiados foram anunciados em cerimónia realizada no Pátio da Galé (Terreiro do Paço, Lisboa). Este concurso, organizado pela Viniportugal em Maio de 2013, recebeu mais de 1000 vinhos de todo o país e contou com mais de uma centena de provadores, entre os quais 36 estrangeiros de diversos países. A direcção técnica da prova esteve a cargo do único Master Sommelier português, João Pires, escanção em Londres. As provas decorreram no salão do CNEMA, em Santarém, e duraram de segunda a sexta-feira. Nos primeiros quatro dias os jurados pontuaram todos os vinhos para de seguida emergiram os candidatos a vencedores, os vinhos que tiveram pontuação para entrar nas medalhas de ouro. O último dia foi exclusivamente dedicado a escolher entre esses, 52, os que deveriam ascender à Grande Medalha de Ouro, o prémio máximo da competição. Essa tarefa coube a cinco jurados, capitaneados por Luís Lopes, director da Revista de Vinhos. Todos os outros jurados eram estrangeiros. De referir, que os vinhos vão a provas de forma anónima. E por todo isto se compreende que uma vitória neste concurso é algo de muito relevante.

Dito isto, é importante investigar um pouco sobre a origem deste syrah e saber de quem o faz!…

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Falamos pois da Sociedade Agrícola da Labrugeira, que produz e engarrafa vinho na antiga região da Estremadura, sendo a própria designação herdada da vinha mais antiga da família, situada no Vale das Areias, entre a capela dedicada a São Jorge e a Serra de Montejunto, Alenquer.
A paixão pela vitivinicultura foi passando de geração em geração, pelo que nos anos 90, fruto da vontade em aperfeiçoar a herança dos antepassados e das novas exigências do mercado, começou a modernização das vinhas e da adega, datada de 1930.

Procedeu-se ao estudo das condições do local, de forma a seleccionar as castas que permitissem alcançar os melhores níveis de qualidade. Optou-se por um rendimento baixo por hectare (através de podas severas e de mondas de cachos) e uma produção integrada, em cumprimento com as normas agro-ambientais. Foram assim escolhidas as castas nacionais Touriga Franca, Tinta Roriz, Castelão, Touriga Nacional e Fernão Pires, e as estrangeiras Sauvignon e, naturalmente, o nossa Syrah.

Foi na vindima de 2003 que se produziu o primeiro vinho a partir das novas plantações e, no ano seguinte, concluiu-se a reestruturação dos 15 hectares de vinha. Respeitando os ditames da natureza, efectua-se a vindima consoante a maturação de cada casta. Recolhem-se os cachos manualmente que são depois seleccionados para pequenas caixas individuais. Posteriormente, desengaça-se e esmaga-se suavemente as bagas, sendo a vinificação realizada em separado, casta por casta, parcela por parcela, em cubas de inox com controlo rigoroso e individual da temperatura (adaptável às características de cada mosto). A maceração nas cubas é prolongada, para que todos os componentes fenólicos sejam extraídos.
Em seguida, o vinho fica em estágio, em barricas de carvalho francês de qualidade, entre 6 a 12 meses. Finalmente é engarrafado, aguardando ainda na adega, em novo estágio, de 3 meses, até ser lançado no mercado.

O vinho é exportado para a Alemanha, Bélgica, Holanda, Polónia, Suécia e Suíça.

Voltando ao nosso syrah e em conversa com o responsável da quinta, o dr. Bernardo Nobre, ficamos a saber que se fizeram safras desde 2005 até 2013. Cinco mil litros em cada safra que deram cerca de 7000 garrafas. A vinha foi plantada em 2001 duma parcela única e a safra de 2010 teve o êxito já relatado.

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O grande problema é que este syrah não tem distribuição garantida. A única hipótese é encontrá-lo no hotel da quinta. De outro modo, hoje em dia, será quase impossível. Merece a pena a demanda!

O syrah, com 15% de teor alcoólico, apresenta “cor granada intenso, aroma intenso, complexo, com notas de baunilha e pimenta preta num conjunto bem casado com a madeira. Com bastante estrutura, envolvente e final longo, com taninos bons finais.”

E com esta descrição até apetece acompanhar com uma taça de Vale das Areias a leitura desta “Ode ao Vinho” de Pablo Neruda

Vinho cor do dia
vinho cor da noite
vinho com pés púrpura
o sangue de topázio
vinho,
estrelado filho
da terra
vinho, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um desordenado veludo
vinho encaracolado
e suspenso,
amoroso, marinho
nunca coubeste em um copo,
em um canto, em um homem,
coral, gregário és,
e quando menos mútuo.

Às vezes
alimentas-te de recordações
mortais,
na tua onda
vamos de túmulo em túmulo,
pedreiro de gelado sepulcro,
e choramos
lágrimas passageiras,
mas
tu formoso
traje de primavera
és diferente,
o coração sobe pelos ramos,
o vento move o dia,
nada fica
dentro da tua alma imóvel.
O vinho
move a primavera
cresce como uma planta de alegria
caem muros,
penhascos,
se fecham os abismos,
nasce o canto.
Oh tu, jarra de vinho, no deserto
com a saborosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro de vinho
ao beijo do amor soma o seu beijo.

Amor meu, rápida
a tua anca
é a curva suave
da taça,
o teu peito é a raiz,
a luz do álcool o teu cabelo,
as uvas o teu peito,
o teu umbigo estampa pura
marcado como taça no teu ventre,
e o teu amor a cascata
de vinho inextinguível,
a claridade que cai nos meus sentidos,
o esplendor terrestre da vida.

Mas não só o amor,
beijo ardente
o coração queimado
és, vinho da vida,
mas também
amizade entre os seres, transparência,
coro de disciplina,
abundância de flores.
Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no cerimonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.

Classificação: 17/20                                              Preço: 14,00€

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Os antioxidantes e o Syrah

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Os antioxidantes têm sido notícia nos últimos anos, com pesquisas continuando a provar os benefícios poderosos destas moléculas protectoras.

Igualmente os antioxidantes do vinho também têm recebido uma grande dose de atenção. Um a dois copos de vinho por dia fortificam o coração, e estudos recentes indicam ainda que pode ajudar a combater o cancro. Mas será que um tipo específico de vinho oferece mais benefícios para a saúde que outros? Qual é o melhor tipo de vinho a beber para aproveitar esses benefícios tão importantes?

Os antioxidantes encontrados no vinho são classificados como polifenóis, flavonóides e não-flavonóides. Entre os mais poderosos desses antioxidantes está o resveratrol, como já tivemos oportunidade de falar aqui, amplamente anunciado como uma substância anti-envelhecimento, só possível de encontrar em dois alimentos, a uva e os amendoins, bem como a quercetina e compostos chamados catequinas. A quercetina mostra a promessa em estudos como um agente contra o cancro e, em geral, estes antioxidantes mostram-se ainda mais poderosos do que as vitaminas A, C e E, as vitaminas antioxidantes mais eficazes. Os antioxidantes do vinho são encontrados na casca da uva. Portanto, os vinhos tintos transportam a maior quantidade destes antioxidantes. Vinhos brancos terão uma concentração muito menor, já que a casca da uva é retirada para criar a cor clara e branca dos vinhos mais leves. O suco de uva também fornece uma dose saudável de tais substâncias. Em geral, quanto mais escuro o vinho tinto, mais concentrado é o teor antioxidante. Outros vinhos de fruta também podem conter antioxidantes, como por exemplo o vinho de romã.

Então, o que fazem exactamente os antioxidantes? Em geral, eles lutam contra os radicais livres, substâncias que contribuem para o colapso das células do corpo ao longo do tempo.

Simplificando, as células do corpo sofrem oxidação, semelhante ao processo que ocorre quando o metal enferruja. Esta oxidação ocorre como um efeito colateral natural quando as células fazem o seu trabalho diário de produção de energia, quando sintetizam os alimentos que comemos.

Os antioxidantes retardam esse processo de oxidação. Da mesma forma, eles podem retardar ou parar os processos que ocorrem dentro das células que podem levar ao cancro. Eles até parecem desacelerar o processo de envelhecimento em geral, ganhando reputação como “fonte da juventude”.

Antioxidantes também ajudam a relaxar os vasos sanguíneos, contribuindo para a saúde cardiovascular em geral, reduzem a coagulação que pode levar a acidentes vasculares cerebrais ou ataques cardíacos, e previnem o chamado colesterol “ruim“. Todas estas funções reduzem o risco de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral e evidências adicionais sugerem que eles podem ajudar a combater outros distúrbios relacionados com a idade, tais como demência e doença de Alzheimer.

Alguns dos benefícios de saúde do vinho parecem estar relacionados directamente com o teor de álcool, em vez dos antioxidantes disponíveis. O álcool fornece benefícios cardiovasculares e pode mesmo ajudar a activar a função antioxidante do vinho.

Contudo, isto não significa que mais vinho é melhor. Um único copo de vinho tinto durante o jantar é suficiente para oferecer benefícios de saúde. Muito álcool pode ter efeitos prejudiciais sobre o corpo, incluindo danos no fígado, e álcool nas grávidas, como é óbvio, é muito perigoso para o feto em desenvolvimento.

O resveratrol, essa maravilhosa substância pode ser sintetizada, e em vários países, onde revelou um apreciável sucesso, ela é vendida sob a forma de comprimidos. Mas a posologia não está ainda devidamente esclarecida e, além disso, não há nada melhor do que o natural. O vinho, tal como os amendoins, contém quantidades adaptadas de resveratrol, associadas a outras moléculas que, com ele, se conjugam em perfeito equilíbrio.

O efeito do resveratrol foi também cientificamente comprovado na protecção contra o desenvolvimento de células cancerosas no organismo humano. Os investigadores descobriram que graças ao seu grande poder antioxidante pode inibir o aparecimento e o desenvolvimento dos tumores cancerosos. Sabe-se hoje que esta acção inibidora se deve ao facto de anular o efeito de uma proteína, a NK-K B que protege as células cancerosas e que lhes permite resistirem e sobreviverem à acção da quimioterapia. O resveratrol neutraliza a acção dessa proteína e faz com que os tratamentos quimioterápicos possam ser mais eficazes.

Está provado que o consumo moderado do vinho tinto reduz a incidência dos cancros do tubo digestivo e da boca. Pelo contrário o consumo de licores e de outras bebidas espirituosas aumenta a incidência desses e de outros cancros.

Syrah pode produzir vinhos mais ricos em Resveratrol

Pesquisas feitas no Instituto de Investigação e Formação Agrária e Pesqueira da Andaluzia, em Espanha, obtiveram um vinho com alto conteúdo de resveratrol, após submeter as uvas a irradiação ultravioleta. Segundo o comunicado emitido pelo Instituto, e que se pode encontrar na Food Chemistry durante o processo de elaboração destes vinhos, produziu-se uma extracção de 60% do conteúdo de resveratrol das uvas, durante a fermentação alcoólica. Durante os três anos de pesquisa, foram feitas modificações das técnicas de vinificação tradicional para que fosse obtida uma melhoria na extracção do composto, mantendo-se, naturalmente, as características organolépticas durante todo o processo de vinificação. O trabalho aponta a casta internacional Syrah, assim como a autóctone andaluz Jaén, como matéria prima de excelente qualidade para a elaboração de vinhos tintos enriquecidos.

Citando o seu mestre Sócrates, Platão diz-nos que “O syrah molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente… Reaviva as nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga. Se beber moderadamente em pequenos goles de cada vez, o vinho gotejará nos pulmões como o mais doce orvalho da manhã… Assim, então, o vinho não viola a razão, mas sim nos convida gentilmente a uma agradável alegria.” É isso que temos estado a dizer desde o princípio deste texto.

Finalmente e para concluir uma chamada de atenção. Não se deve consumir vinhos de fraca qualidade! Consuma moderadamente vinhos tintos de boas marcas e de preferência syrah. Os vinhos tintos baratos podem ser vinhos artificiais, fabricados com álcool, corantes e água. São vinhos prejudiciais à saúde! Se só tiver esses disponíveis, então é preferível beber água!


 

Syrah da Peceguina, Herdade da Malhadinha Nova, 100% Syrah, Alentejo, 2010

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Voltamos ao Alentejo para apresentar um Syrah de excepção!

O Syrah da Herdade da Malhadinha Nova, em Albernoa, que possui 27 hectares de vinha. Um syrah poderoso! 100% como convém! Teor alcoólico de 15,5%.

Foram feitas 6195 garrafas de 0,75l e 100 garrafas de 1,5l.

Em conversa com o enólogo da casa, Nuno Gonzalez, ficamos a saber que esta safra é somente a segunda que a Herdade da Malhadinha Nova fez de monocasta syrah. A primeira é de ano anterior, 2009, e tratou-se de um lote muito pequeno de 2123 garrafas, que foi todo adquirido por um restaurante de Lisboa. Alguém saberá qual é?

O Syrah foi envelhecido em barrica. As uvas foram colhidas manualmente para caixas de 12 Kg e seleccionadas na mesa de escolha. A fermentação ocorreu em lagar a temperatura controlada com várias pisas durante todo o processo. Estágio de 18 meses, e não de 12 meses como diz na ficha técnica, em barricas novas de carvalho francês. Na ficha é dito, e nós confirmamos, que “espere pois no seu copo um vinho impetuoso, viril e carnudo, que nos deleita com o seu fruto maduro e que impressiona pelo seu corpo.” Também é dito que poderá ser guardado nas condições adequadas durante os próximos 10 anos!

A Malhadinha Nova é uma típica herdade familiar alentejana, situada em Albernoa, no coração do Baixo Alentejo. Desde 1998, a paixão e empenho da família levaram à transformação de terras havia muito abandonadas em solos capazes de dar vida a produtos genuinamente alentejanos e de elevada qualidade, dedicando-se à produção de vinhos e à criação de animais de raça autóctones em total harmonia com a Natureza e rigoroso regime de protecção com denominação de origem protegida.

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As perfeitas condições climáticas do Alentejo para este tipo de actividade, os solos xistosos, as suaves encostas bem drenadas da propriedade e as castas criteriosamente selecionadas (Touriga Nacional, Aragonêz, Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah, Cabernet Sauvignon, Tinta Miúda para os tintos e Arinto, Roupeiro, Antão Vaz, Chardonnay, Alvarinho, Verdelho e Viognier para os brancos) formam o terroir da Malhadinha Nova, com condições únicas para a produção de vinhos de grande qualidade.

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A Adega da Malhadinha Nova, tradicional mas sofisticada, reúne um conjunto de características muito favoráveis à obtenção de vinhos distintos. Situada a escassos metros da vinha, a adega aproveita a inclinação do terreno, permitindo que todo o processo de vinificação se faça por gravidade. Como já referido, a uva é recebida em pequenas caixas de 12kg e descarregada directamente para os modernos lagares refrigerados, onde a pisa a pé conjuga na perfeição métodos tradicionais de vinificação e utilização de tecnologia por forma a obter da uva todo o potencial que a Natureza lhe deu na vinha. A cave de barricas, escavada na encosta a vários metros de profundidade, confere ao vinho excelentes condições para o envelhecimento.

A vinificação ocorre de forma tradicional em lagares, graças à estrutura da adega em vários níveis, todo o processo é feito por gravidade, evitando a utilização de bombas susceptíveis de retirar muita da qualidade pretendida.

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Tudo serve para em resumo dizer que estamos em presença de um syrah que merece toda a nossa consideração e apreço na degustação, embora neste momento, como nos confidenciou Nuno Gonzalez, não esteja garantida, com a certeza que o Blogue do Syrah desejaria, uma próxima safra. Só daqui a mais alguns meses é que essa decisão será tomada e nessa altura tudo poderá acontecer. Cá estaremos para dar a notícia em primeira mão!

Caro leitor, se conseguir arranjar o Syrah da Peceguina 2010, lembre-se da frase de Alexander Fleming: “A penicilina cura os homens, mas é o syrah que os torna felizes!”

Este Syrah é um óptimo exemplo de que isto é verdade!

Classificação: 18/20                                              Preço: 26,00€

 

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